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Hoje, dia 17 de Março, Dia de Saint Patrick, serve como desculpa para rodear a promessa de não compor mais um aborrecido artigo sobre cerveja.
Anda a beber-se menos cerveja. As grandes marcas de bebidas, poderosíssimas, têm nestes últimos anos bombardeado os consumidores com a promoção de bebidas brancas até há bem pouco tempo consideradas proletárias. A recente promoção do gin, do vodka, do rum, da tequila e mesmo do whiskey norte-americano é um grande fenómeno de marketing. Esta poderosa onda publicitária faz esquecer que se trata, basicamente, de destilados simples.
A esta tendência inventada pelo grande capital do álcool vem associada a dos craft spirits, bebidas brancas de pequenas marcas, que ilustra uma propensão contemporânea do primeiro mundo de rejeição das grandes marcas em favor de produtos locais e supostamente preparados com mais amor. Note-se que tal não acontece com bebidas mais complexas.
Alguns destilados étnicos menos conhecidos, como o soju, a cachaça ou algumas aqua vitae, passaram igualmente por uma fase de promoção social e lançamento alargado. Esta moda alegre acompanha a do renascimento do cocktail, do clássico ao orgânico ou ao molecular.
As bebidas mais sérias, como o whisky, o brandi ou o armagnac, menos permeáveis a modas porque precisam de tempo para crescer, tornaram-se um grande negócio quando os asiáticos começaram, finalmente, a beber a sério.
No mundo da cerveja, em que permanece o monopólio das lager pertença de grandes marcas desinteressantes, como a Heineken (marca directamente responsável pelos milhões de litros de cerveja de baixa qualidade que se bebe por todo o mundo, uma tendência relativamente recente e que resulta de um titânico golpe publicitário) ou a Carlsberg, insinuou-se mais ou menos timidamente a tendênca da craft beer que tem vindo a ter uma expressão cada vez mais perigosa em alguns mercados. Nos E.U.A., o maior mercado do mundo de cerveja e o segundo maior a nível do consumo, a craft beer tem uma cota muito grande.
Mas o dia do santo irlandês* não consegue esquecer que o consumo de Guinness, uma cerveja irlandesa exemplar e ligada às comemorações do dia do santo, tem, nos E.U.A. e na Grã-Bretanha, decaído significativamente nos últimos 6 anos. Não é apenas esta marca irlandesa. Desde cerca de 2010 que o consumo de cerveja tem vindo a diminuir na Grã-Bretanha, na Irlanda e em vários países da Europa, vítima da competição do vinho e de bebidas brancas simples promovidas a um estatuto respeitável.
Não estou a brincar. Há menos procura, a competição por parte de outras bebidas é feroz, o consumidor está mais sofisticado e o acesso a certos mercados é cada vez mais difícil. O mercado norte-americano estagnou, o alemão, francês e o do Reino Unido retraiu-se. Na Ásia, que bebe cerca de 30 a 35% da cerveja de todo o mundo, os números têm também vindo a baixar.
GoEuro é um sítio de planeamento de viagens que oferece índices de preços de produtos e serviços que interessam ao turista – transporte em geral, trânsito urbano, alojamento e alimentação.
Exemplo: o índice dos hotéis mostra uma média de preços que inclui alojamento em 150 cidades – de hotéis de 5 estrelas a hostels. Os três lugares mais caros são Nova Iorque, St. Moritz e Macau (mesmo que se note que nesta última cidade o preço dos hotéis de 5 estrelas seja muito mais acessível que em muitas outras). As mais baratas são Sofia, Bulgária, Hammamet, na Tunísia e Tirana, na Albânia.
Junta-se um índice minucioso de médias de preços em Airbnb (a Madeira é o segundo lugar mais barato); em estabelecimentos de 5 estrelas (Punta Cana o mais caro); de 1- 4 estrelas (Macau o quarto mais caro depois de N.Y., St. Moritz e Miami) e em hostels (Macau em décimo oitavo entre os mais caros).
A parte dedicada aos transportes, comboio, avião e autocarro, é muito interessante. Em Portugal os transportes são mais caros do que em países em que estes são melhores, como a Alemanha, o Canadá, a Suécia, os E.U.A. ou a França.
O índice da cerveja, que é o que verdadeiramente nos interessa, incide sobre 75 cidades. Mostra preços médios (1.) em supermercado, (2.) em bares e conclui (3.) com uma média. Acrescenta-se (4.) uma média anual de consumo per capita em litros e (5.) uma média anual de despesa per capita.

1. (em supermercado) Os sítios mais baratos são Sevilha (4.1 mop. Sempre preço médio por garrafa de 33cl. a partir daqui), Belgrado e Manila. Os mais caros são Oslo (27.5mop), Moscovo e Tóquio.

2. (em bar) Mais caro: Hong Kong (86.7 mop), Genebra e Tel Aviv. Mais barato: Bratislava (17.7 mop), Deli e Kiev. Todos a Bratislava este Verão, fica na Eslováquia.

3. (em média) As mais caras vendem-se em Genebra (50.4 mop), Hong Kong (49.2 mop) e Tel Aviv, e as mais baratas em Cracóvia (13.2 mop), Kiev e Bratislava. Outras cidades onde é caro beber cerveja são Oslo, N.Y., Singapura e Miami.

4. (média de litros anuais per capita) Onde se bebe mais é em antigas cidades comunistas, Bucareste (133 litros), Praga, Cracóvia e Varsóvia. Se pensarmos que a China e o Vietname mostram consumos muito elevados de cerveja pode estabelecer-se uma relação entre o comunismo e esta bebida.
As cidades, entre este grupo de 75, onde o consumo per capita é mais baixo são o Cairo (4 litros), Deli e Abu Dabhi. Em Belgrado, Ho Chi Minh, Berlim, Frankfurt e Toronto também se bebe muito.

5. (média de despesa anual per capita) Onde se gasta mais dinheiro por ano é em Helsínquia (12.300 mop/ano), Sydney e N.Y.. Gasta-se menos no Cairo (199.6 mop/ano), Deli e Bali.
Como já aqui foi dito em artigo de 2013, em Macau continua a não haver, com excepção do McSorley’s, que fica dentro de um centro comercial de péssimo gosto, um bar de hotel em que a selecção de cervejas não seja miserável. O único avanço nota-se no aparecimento, em alguns deles, de cerveja branca de marcas de ampla distribuição.
Ao invés, abriram vários bares e lojas pela cidade em que a cerveja é a bebida nuclear. Já aqui se falou em alguns deles. Acrescente-se um na Rua da Erva chamado Agora, uma loja sita no Pátio de São Lázaro, junto de umas escadinhas por que se acede ao bairro de São Lázaro, que oferece espaço para sentar e beber, e o muito bem equipado bar Prem1er que fica no centro da Taipa.

* Que se comemorou, pela primeira vez, em Macau, com vários eventos. Na parada alusiva, muito internacional, participaram grupos de diferentes matrizes culturais: um rancho português, uma grupo de jovens asiáticas em jeito de espanholas, um grupo local de dança irlandesa, um de rock e um de street dance, uma associação local de Dança do Dragão e do Leão, um coro e solistas de uma escola internacional e até um grupo de 4 pipers chineses da Polícia de Hong Kong, tudo agraciado pela presença da Lord Mayor de Dublin, Críona Ní Dhálaig.
Quem quiser saber mais sobre a Irlanda pode começar por ler o estimulante livro de Bede, A History of the English Church and People, uma obra de referência, escrita no século VIII, que logo no Livro I, Capítulo I, em que se fala da ausência de cobras na ilha da Irlanda (mesmo que Bede não atribua este sinal de pureza à acção do santo, como a lenda que o tornou famoso). Toda a ilha é retratada em termos das suas qualidades paradisíacas, não muito agreste de clima e abundante em leite, mel, vinhas, peixe, pássaros, veados e cabras.

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