Sofia Margarida Mota SociedadeDSPA diz querer apostar nos veículos eléctricos [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Governo está a promover um plano de curto, médio e longo prazo para a introdução de eco veículos em Macau. A informação é dada pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental em resposta às preocupações do deputado Leong Sun Iok. Para provar a afirmação, a DSAT avança com números. “Existem em Macau, 26 parques de estacionamento públicos que disponibilizam no total, 121 lugares de carregamento para veículos e motocicletas eléctricos”, lê-se no documento. Quanto à instalação deste tipo de equipamentos em instalações privadas, o Governo aponta a sua viabilidade para meio do ano. A justificação prende-se com a entrada em vigor do regime jurídico da administração das partes comuns do condomínio, “que irá facilitar a instalação de equipamentos de carregamento elétrico em edifícios privados”, explica a DSPA. De acordo com o organismo, trata-se de uma iniciativa que conta com o apoio da Direcção para os Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). Entretanto os estudos continuam, desta feita com a colaboração do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético, acerca das normas e instalação de equipamentos para os edifícios recém construídos. Eléctricos, mas para os outros Já nos serviços públicos os veículos eléctricos parecem estar esquecidos. A atenção vai antes para os chamados eco-veículos com emissões reduzidas de gazes tóxicos. São um total, a uso da administração, de 713 veículos. Em 2016 o Governo teve dois autocarros eléctricos em circulação durante o período de 30 dias para. O objectivo era recolher opiniões de modo a pensar na viabilidade de se implementar este tipo de transportes em Macau. Ainda sem resposta relativamente este tipo de transporte, a DSAT considera antes a quantidade de veículos de transporte público que circulam com emissões reduzidas de gazes e afirma que “60 por cento dos autocarros públicos “satisfazem as normas Euro IV, ou superior” . Paralelamente a DSAT garante estar a apoiar a introdução de veículos de energia ecológica pelas concessionárias de jogo. As vantagens do uso de autocarros eléctricos já eram defendidas em 2016 por quem trabalhava no projecto piloto. De acordo com o engenheiro Wong Hongwei, que estava encarregue da supervisão dos autocarros em experimentação, “os veículos a diesel, depois de circularem três mil a cinco mil quilómetros, já precisam de trocar o óleo de motor e outras pequenas peças”, dizia. “Os nossos autocarros eléctricos que já andaram cerca de seis mil quilómetros, ainda não têm essa necessidade. Ainda não trocámos nada”, acrescentava, sendo que “basta estarem a carregar durante uma hora que chega para fazer o percurso diário”, garantia Wong Hongwei. Por cada percurso completo, o autocarro eléctrico E02 gasta “quatro por cento de electricidade, naquilo que se calcula serem 17 quilómetros”.
Victor Ng PolíticaVeículos eléctricos | Leong Sun Iok fala em pouca eficácia do Governo [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] deputado Leong Sun Iok escreveu uma interpelação escrita ao Governo onde fala da falta de eficácia do Governo na promoção dos veículos amigos do ambiente, apesar dos trabalhos de divulgação que têm sido realizados nos últimos anos. O deputado citou dados estatísticos que mostram que, até final de Outubro, existiam apenas 209 carros eléctricos a circular no território, número que ocupa menos de 0,1 por cento do total de veículos motorizados registados. Na visão de Leong Sun Iok, a pouca adesão a este tipo de veículos prende-se com a insuficiência na sua promoção, a falta de instalações complementares bem como a falta de lugares de carregamento de baterias. Como a maioria desses lugares de carregamento estão situados nos parques de estacionamento públicos, isso pode tornar-se um inconveniente para muitos condutores, lembrou Leong Sun Iok. O deputado, número dois de Ella Lei na Assembleia Legislativa e ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, pediu ao Governo para explicar as razões que têm levado à pouca utilização de veículos verdes, exigindo a instalação de mais equipamentos nos edifícios para o carregamento de baterias. Por outro lado, Leong Sun Iok acha que a participação dos serviços públicos é essencial para incentivar a que mais pessoas usem veículos ecológicos. Nesse sentido, o deputado questiona o Executivo sobre as medidas de fomento deste tipo de veículos por parte dos serviços públicos.
João Luz SociedadeAmbiente | Veículos verdes representam percentagem minúscula [dropcap style≠’circle’]N[/dropcap]o final de Agosto, Macau tinha registados 203 veículos movidos a energias renováveis, uma parcela ínfima do valor global. Esta semana, foi anunciado na Agência Xinhua que a China tenciona proibir a produção e venda de carros a gasolina e gasóleo. Na semana passada, a Direcção para os Assuntos do Tráfego (DSAT) anunciou o reembolso total do imposto pago na compra de um veículo danificado pelo tufão Hato caso o lesado escolhesse comprar um carro, ou motociclo, novo e amigo do ambiente. Os serviços deram como exemplo veículos eléctricos, ou que usem a energia solar ou gás como combustíveis. De acordo com dados fornecidos pela própria DSAT, no final de Agosto estavam registados em Macau 203 veículos eléctricos. Desse reduzido universo, 22 pertencem à Função Pública, 14 à CEM e três pertencem aos serviços do aeroporto. Ou seja, de um total de 242.718 veículos, apenas 164 são eléctricos e têm donos privados, o que representa a ínfima percentagem de 0,07. Carros movidos a energia solar não existem, enquanto os que usam gás como combustível são 99, todos veículos pesados de transporte de passageiros. A aposta tímida neste tipo de transporte não é coisa de agora. Em 2006, a arquitecta Maria José de Freitas apostou no sector. Conseguiu o contacto de uma fábrica em Shenzhen que produzia os automóveis, e outra que fazia e reciclava baterias, ambas patrocinadas pelo Governo Central. “O ciclo era perfeitamente controlado. Consegui trazer esses carros para cá, estiveram em exposição no Venetian por dois anos consecutivos, mas não havia legislação que suportasse isso em Macau, não havia forma de autenticar a utilização dessas viaturas”, conta. Proibição ecológica Maria José de Freitas enfrentaria uma batalha quixotesca, um jogo do empurra entre a DSAT e a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental. “Foi uma corrida de obstáculos permanente, extremamente desgastante”, recorda. Desde então, apesar de haver enquadramento legal, pouco mudou na realidade de Macau quanto ao uso de veículos amigos do ambiente. No final de Agosto estavam registados 86 motociclos “verdes”, o que, num universo total de 94.865, representa uma percentagem de 0,09. A China, o maior mercado automóvel do mundo, anunciou que vai proibir a venda e produção de carros a gasolina e gasóleo, seguindo os exemplos da França, Reino Unido, Noruega e Índia. Apesar de ainda não ter data estabelecida, a decisão promete abalar a inteira indústria automóvel. Maria José de Freitas acredita que esta medida pode mudar totalmente o jogo. A entrada em campo da Tesla já havia mudado ligeiramente o panorama cultural onde conduzir um carro eléctrico não dava status. Independentemente de questões culturais, a Ford, General Motors e Volkswagen, que estão instaladas na China, já anunciaram a produção de carros 100 por cento eléctricos. Proprietários de carros inundados entregam carta na DSAT [dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m grupo de proprietários de veículos que ficaram inundados com a passagem do tufão Hato dirigiram-se esta semana à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) para a entrega de uma carta onde expressam as suas opiniões e queixas sobre as medidas a adoptar pelo Governo acerca desta matéria. O representante dos donos dos veículos, de apelido Ng, disse que as inundações registadas em cinco parques de estacionamento públicos provocaram estragos em 700 veículos. Segundo o Jornal do Cidadão, os proprietários pedem que sejam feitas melhorias na medida de redução do imposto, uma vez que há pessoas que não estão interessadas em comprarem novos automóveis. Esta é uma situação que não está prevista nas medidas anunciadas pela DSAT, e pedem, por isso, que sejam pagas indemnizações. Os donos dos veículos pedem ainda que sejam concedidos empréstimos sem juros para quem ainda não terminou de pagar o carro, montante que, reivindicam, deveria ser pago aquando do cancelamento das matrículas. Negligência? [dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] carta exige ainda ao Governo que apure se existiu negligência por parte das empresas que gerem os parques de estacionamento, uma vez que algumas infra-estruturas não funcionaram, o que levou a que vários auto-silos tenham ficado inundados durante seis dias. U Wai Kun, presidente da Associação de Reciclagem de Veículos de Macau, esteve presente no local e revelou que não concorda com as medidas adoptadas pelo Governo, pois o tratamento dos carros inutilizados será feito pela Administração, o que vai trazer consequências negativas para o sector da reciclagem. Para U Wai Kun, seria mais viável que os proprietários entregassem directamente as suas viaturas nos locais de ferro velho. Si Ka Lon, candidato às eleições, esteve presente no local e defendeu que, no futuro, a DSAT deve aumentar os requisitos para as empresas aquando da realização de novos concursos públicos para a gestão de parques de estacionamento. O candidato disse ainda que o Governo deve legislar o mais depressa possível sobre assuntos relacionados com catástrofes naturais.
Hoje Macau SociedadeAmbiente | Achim Steiner defende veículos eléctricos em Macau Achim Steiner, antigo director executivo do Programa da Organização das Nações Unidas para o Ambiente, acredita que o território deve promover mais os veículos eléctricos, através de um trabalho feito pelo Executivo em prol de mais infra-estruturas [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] vice-presidente internacional do Conselho Chinês para a Cooperação em Ambiente e Desenvolvimento defendeu a transição de Macau para uma “economia verde” com a introdução de veículos eléctricos no território. Achim Steiner, antigo director executivo do Programa da ONU para o Ambiente, falava aos jornalistas no âmbito do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa). “O custo mais elevado de adquirir um automóvel e usar petróleo não é o combustível, é a poluição e a saúde. O uso de combustíveis fósseis está a matar as pessoas, é simples”, afirmou. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de seis milhões de pessoas morrem prematuramente todos os anos devido à má qualidade do ar. Com uma população de cerca de 650 mil habitantes e 250 mil veículos e motorizadas, Macau “representa uma enorme oportunidade para uma transição para uma economia verde” com a introdução de carros eléctricos, disse. Esta transição só é bem sucedida se os governos intervierem para garantir investidores e infra-estruturas, incentivos aos utilizadores e um bom serviço de abastecimento na cidade, explicou. “Se o governo não desenvolver estas medidas, é muito difícil ao sector privado vender carros e aos consumidores escolher veículos eléctricos”. Macau pode aproveitar o enorme potencial no sector automóvel da China, que é um líder mundial na produção, acrescentou. Steiner lembrou também a importância de um sistema de transportes públicos conveniente para o utente, o que implica “frequência, qualidade e cobertura”. O desenvolvimento de energias limpas, uma utilização eficiente dos recursos, a separação entre o crescimento económico e as emissões de carbono, a resolução dos problemas da qualidade do ar, reciclagem e gestão podem integrar a cooperação definida na estratégia “Uma Faixa, uma Rota” da China, considerou, destacando o papel de Macau. Prioridades verdes A décima edição do MIECF abriu na quarta-feira com as palavras do Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, que lembrou que o “reforço da protecção ambiental” foi definido “como uma prioridade” para “garantir uma cidade com qualidade de vida, com intenção de equilibrar e coordenar o desenvolvimento urbano e a protecção ambiental”, de acordo com o primeiro plano quinquenal do Governo, apresentado no ano passado. “Também iremos aproveitar as oportunidades de desenvolvimento criadas pela estratégia ‘Uma Faixa, Uma Rota’ [e] à medida que desenvolvemos o papel de Macau como ‘Um Centro, Uma Plataforma’ iremos encorajar uma cooperação regional próxima na área da protecção do ambiente e o desenvolvimento de uma economia verde”, afirmou. Subordinada ao tema “Desenvolvimento Verde Inovador para um Futuro Sustentável”, a edição deste ano do MIECF conta com mais de 50 oradores e mais de 450 expositores de 17 países e regiões, incluindo de países de língua portuguesa. O MIECF, cujo programa inclui seminários, fóruns, além da área de exibição, terminou no sábado.