Hoje Macau SociedadeLeite em Pó | Autoridades defendem-se após contestação As autoridades fizeram um comunicado a defender o seu modo de testagem da segurança alimentar dos produtos, depois das críticas da empresa responsável pela marca de leite em pó Friso. O caso teve lugar na semana passada, quando as autoridades locais declararam que um lote de leite em pó da marca Friso apresentava níveis excessivos de chumbo, e ordenaram a sua recolha. No entanto, a empresa contestou o método de testagem, por ter por base uma única lata de leite em pó. Face às críticas, no final da semana passada, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), os Serviços de Saúde (SS) e o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) fizeram um comunicado a defenderem-se e a garantir que a amostra da lata de leite foi “enviada ao Laboratório de Saúde Pública, reconhecido pelas autoridades, para a realização do teste, o que corresponde às operações normais de inspecção de segurança alimentar”. O comunicado conjunto indica ainda que Macau segue as práticas internacionais de Hong Kong e do Interior.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLeite em Pó | Testes em HK confirmam segurança da marca Friso Apesar de terem ordenado a recolha do lote de leite em pó identificado em Macau como tendo excesso de chumbo, as autoridades de Hong Kong fizeram testes e concluíram que os produtos da empresa Friso são seguros Os testes realizados pelo Centro da Segurança Alimentar (CFS, em inglês) do Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD) de Hong Kong concluíram que o leite em pó da marca Friso cumpre os níveis de segurança relacionados com o teor de chumbo. Os resultados foram divulgados ao final do dia de quarta-feira. De acordo com um porta-voz do CFS, o facto de as autoridades de Macau terem revelado o caso do leite com excesso de chumbo, levou a que em Hong Kong a vigilância para este tipo de produtos fosse reforçada, o que resultou na realização de vários testes a diferentes produtos de leite em pó. “Nos últimos quatro dias [de 25 a 28 de Julho], o CFS recolheu no mercado mais de 50 amostras destes produtos para testar o teor de chumbo, incluindo 11 lotes de leite em pó para bebés Frisolac Prestige Etapa 1 (800g)”, foi revelado. “Não foi encontrado qualquer caso que ultrapasse o padrão legal de Hong Kong, ou seja, um teor de chumbo não superior a 0,01 miligramas por quilograma”, foi explicado. Apesar de os resultados terem sido negativos, o CFS continua a apelar à população de Hong Kong para evitar o consumo do lote de leite em pó identificado pelas autoridades de Macau como tendo excesso de chumbo. Este aspecto deve-se ao facto de os testes não terem focado no lote de leite em pó que terá apresentado níveis excessivos de chumbo: “Relativamente ao lote individual recolhido anteriormente [Nome do produto: Frisolac Prestige Etapa 1 Leite em Pó para Bebés (800g); Prazo de validade: 30 de Setembro de 2027; Número de lote: 1W07KPJ], o CFS destacou inspectores a vários estabelecimentos de venda a retalho para garantir que o lote afectado foi retirado das prateleiras”, foi vincado. “O CFS voltou a apelar à população que não permita que bebés e crianças pequenas consumam o lote de produto afectado, devendo procurar assistência médica caso as crianças se sintam indispostas”, foi indicado. Resultados contestados Também na segunda-feira, a Friso, empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina, tinha contestado os resultados dos testes feitos em Macau, assim como a forma de testagem. A posição foi tomada, depois de a empresa ter testado os lotes controversos em dois laboratórios independentes, com ambos os resultados mostrarem o cumprimento dos padrões de segurança relacionados com o teor de chumbo. A Friso revelou ainda ter tido um encontro com as autoridades locais em que defendeu a qualidade dos seus produtos. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, foi comunicado. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi indicado. A polémica com leite em pó da marca Friso começou no sábado, quando o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ. O produto foi retirado do mercado e foi aberto um canal especial nos hospitais para os bebés e crianças que tivessem consumido este leite. As 38 consultas especiais realizadas até segunda-feira não identificaram qualquer caso de intoxicação por chumbo. Também na segunda-feira, as autoridades de Macau reconheceram que depois de terem alargado a testagem a outros leites em pó da Friso, com testes feitos em 13 amostras, não foi detectada qualquer anormalidade.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLeite em Pó | Fabricante nega haver excesso de chumbo A Friso contesta os resultados dos testes das autoridades de Macau que colocam em causa a segurança do leite em pó produzido pela empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina A produtora de leite em pó Friso garante que testou os seus produtos em dois laboratórios independentes e que os resultados mostram o cumprimento dos padrões de segurança. Foi desta forma que a empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina reagiu às acusações das autoridades de Hong Kong e Macau de que um dos lotes de leite em pó do grupo apresentou níveis perigosos de chumbo. Através de um comunicado, a Friso revelou que teve um encontro com as autoridades de Macau na segunda-feira e contestou a forma como foram realizados os testes de avaliação de segurança do produto. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, pode ler-se na mensagem. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi acrescentado. A Friso explicou também que “submeteu aos serviços competentes de Macau relatórios de ensaio referentes a três amostras, efectuados por dois laboratórios independentes”. “Os resultados demonstraram que o teor de chumbo em todas as amostras cumpre as normas vigentes em Macau e Hong Kong, comprovando mais uma vez a segurança e a qualidade dos produtos da empresa”, foi destacado. No comunicado partilhado nas redes sociais, a empresa apresenta também os resultados dos testes realizados. Reputação em jogo Face aos riscos reputacionais, a Friso afirma que “compreende perfeitamente a importância e a preocupação dos pais relativamente à saúde e segurança dos bebés”, mas garante que os seus produtos se pautam “sempre por rigorosos padrões de qualidade e segurança”. A empresa aponta também que assume “a protecção da saúde infantil como a sua principal responsabilidade, e mantém uma confiança inabalável na segurança e qualidade dos seus produtos”. Além disso, a empresa controlada pela Royal FrieslandCampina promete que vai continuar a procurar todas as formas de provar a qualidade dos seus produtos: “Para que afaste as preocupações da população nos resultados diferentes de análises, a empresa garante que vai continuar a procurar mais instituições de renome para realizarem análises do mesmo lote do produto, com vista a assegurar a confiança dos consumidores na segurança alimentar”, foi indicado. Alerta no fim de semana Foi no sábado que o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ. “Com base nos resultados das análises, o leite em pó problemático é Frisolac Prestige – Fórmula Infantil n.º 1, com conteúdo líquido de 800 gramas, lote n.º 1W07KPJ e data de validade de 30/09/2027. Na amostra em causa, foi detectado um teor de chumbo de 0,2 mg/kg, um valor superior ao limite máximo permitido para fórmulas para lactentes e crianças pequenas, fixado em 0,02 mg/kg no Regulamento Administrativo Limites Máximos de Metais Pesados contaminantes em géneros alimentícios”, foi indicado. Ao mesmo tempo, foi pedido aos distribuidores que recolhessem o produto e criada uma linha especial de atendimento nos hospitais para os bebés que tivessem consumido este leite. Até às 18h de segunda-feira, os cinco bebés que recorreram ao atendimento urgente não apresentavam qualquer sintoma de intoxicação.
Hoje Macau SociedadeLeite em Pó | Hospitais com acesso prioritário para bebés Os hospitais do território implementaram uma política de atendimento prioritário para os bebés que consumiram leite em pó com excesso de chumbo. A informação foi divulgada pelos Serviços de Saúde (SS), através de um comunicado, que apenas ontem foi traduzido para português. Na mensagem, os SS indicam que têm “dado uma elevada importância” à ocorrência e que foi estabelecido um mecanismo de resposta que inclui “a criação de uma via verde na urgência pediátrica, uma linha aberta e uma consulta externa especial, para prestar serviços de exames médicos e consultas de saúde aos bebés e crianças necessitados”. Também o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), o Hospital Kiang Wu e o Hospital das Ilhas “disponibilizam uma via verde nos serviços de urgência pediátrica” para os bebés que tenham consumido o leite em pó em questão. “Os Serviços de Saúde apelam aos pais para que, caso os seus bebés ou recém-nascidos tenham consumido o leite em pó em questão, devem prestar […] atenção ao seu estado de saúde e, em caso de qualquer indisposição, devem recorrer ao médico o mais rapidamente possível”, foi também pedido. “Os Serviços de Saúde continuarão a manter uma cooperação estreita com os serviços públicos competentes, no sentido de garantir a saúde e a segurança dos bebés e recém-nascidos”, foi acrescentado. Segundo o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF), o lote 1W07KPJ, com data de validade de 30/09/2027 da marca de leite em pó Frisolac Prestige 1 apresentou níveis excessivos de chumbo. Federação de Médicos | Pedida promoção de amamentação Face ao caso de uma marca de leite em pó com excesso de chumbo, a Federação de Médicos e Saúde de Macau defendeu a importância de promover a amamentação. Segundo o jornal Ou Mun, a secretária-geral adjunta, Wong Sio Sio, destacou que a Organização Mundial de Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância sugerem o começo da amamentação dentro de uma hora após o nascimento do bebé, e que a amamentação natural pura deve demorar seus meses. Só depois se deve complementar a amamentação com outros alimentos. A responsável explicou que o leite materno tem a nutrição perfeita para reforçar a imunidade dos bebés e das crianças, com vista a reduzir o risco de doenças. Além disso, Wong Sio Sio apontou que o leite materno evita alguns problemas alimentares associados à segurança do leite em pó. Olhando no futuro, Wong Sio Sio espera que as medidas de promoção amamentação em Macau sejam melhoradas, e que as empresas privadas disponibilizem tempo para as trabalhadoras amamentarem durante o horário de trabalho, assim como os espaços.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLeite em Pó | Menor fornecimento devido a medidas pandémicas O Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica recusa o cenário de escassez de leite em pó no território, diz que há “normalidade”, mas reconhece que pelo menos duas marcas foram afectadas e que as quantidades fornecidas são “pequenas” O Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) recusa a existência de uma ruptura de stocks de algumas marcas de leite em pó no território. No entanto, reconhece que no caso de duas marcas, cujos nomes não revelou, o fornecimento foi “apertado” e devido às medidas pandémicas, o abastecimento é feito em “pequenas quantidades”. “O ISAF entrou em contacto com os importadores das principais marcas de leite em pó para bebés e crianças, tendo os mesmos revelado que as importações e o fornecimento de leite em pó para bebés e crianças continuam normais, não há escassez no mercado”, foi comunicado. Apesar da normalidade apresentada pelo ISAF, é reconhecido que houve impacto das medidas pandémicas no fornecimento do produto ao território. A informação foi recolhida com base num inquérito feito pelo ISAF junto das farmácias e drogarias. “De acordo com resultados preliminares do inquérito, recentemente há duas marcas de leite em pó para bebés e crianças em que o fornecimento regista um aperto temporário devido ao transporte, mas os importadores já efectuaram a reposição de stock, não se verificando a situação de escassez”, foi justificado. “No entanto, recentemente o fornecimento só foi efectuado em pequenas quantidades, devido ao impacto no transporte causado pela epidemia”, foi reconhecido. Alertas de Wong Kit Cheng A deputada Wong Kit Cheng relatou na quinta-feira as dificuldades no abastecimento de leite em pó no território, que relacionou com os surtos recentes no Interior e os problemas com as redes de distribuição. A denúncia foi apresentada com base em queixas de residentes que não conseguem comprar as marcas habituais de leite em pó para os filhos. Face ao desenrolar da situação, Wong Kit Cheng visitou ontem algumas das farmácias para dar conta do problema e sugeriu ao Governo que crie um programa temporário de abastecimento de leite em pó, para garantir que os residentes não são afectados. No entanto, o leite em pó não é o único produto cujo abastecimento no território tem sido afectado nas últimas semanas, principalmente a partir do confinamento em Xangai. Pelo menos desde dia 13 de Abril, que quem se dirige aos restaurantes da cadeia McDonald’s depara-se com um aviso a dizer que não há amendoins disponíveis, uma vez que o abastecimento foi afectado pelas medidas pandémicas.
Joana Freitas Manchete PolíticaAleitamento | Governo prepara lei para proteger direitos das mães O Executivo prepara-se para criar uma legislação que regule os direitos das mães que amamentam e a publicidade feita ao leite em pó. Mais ainda, Alexis Tam disse ontem que a nova Lei das Relações Laborais poderá incluir um regime que deixe as mulheres sair do trabalho para amamentar [dropcap style=’circle’]O[/dropap]Governo está a preparar-se para criar uma lei que proteja os direitos das mulheres que optam por amamentar os filhos. O anúncio foi ontem feito por Alexis Tam, que disse ainda que está a ser pensada a inclusão de um horário de aleitamento na Lei das Relações Laborais. O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura respondia a uma interpelação da deputada Wong Kit Cheng, que pedia mais acção do Governo face à dificuldade sentida pelas mães. Algo que a deputada já tem vindo a pedir desde 2014. “O Governo vai estudar a elaboração de uma legislação para regulamentar a criação de salas de amamentação e a intensificação de divulgação e promoção de aleitamento materno, de forma a poder assegurar o direito e os interesses das mulheres quanto ao aleitamento materno”, frisou Alexis Tam, que acrescentou ainda que a legislação vai também incluir padrões de “autorização da publicidade das fórmulas lácteas”. O aleitamento em Macau tem sido promovido pelo Executivo mais recentemente, porque não é um costume seguido normalmente pelas mulheres que foram mães e que optam pela alimentação através do leite em pó. A falta de salas de amamentação também não ajuda, mas Alexis Tam quer ver essa situação alterada e começou pela sua própria tutela. Tudo orientado “Pedi aos Serviços de Saúde (SS) a elaboração de orientações padronizadas quanto ao equipamento e à gestão da sala de amamentação e exarei também um despacho exigindo a todos os serviços públicos da Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura a criação de salas de amamentação, quer nos locais de trabalho quer nos estabelecimentos de actividade pública”, frisou. Orientações que deverão estar concluídas “este ano”, mas que não são suficientes para Wong Kit Cheng, que tinha ainda pedido à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) que incluísse um regime de amamentação aquando da revisão da Lei das Relações Laborais, actualmente em curso. Alexis Tam não deu certezas, mas disse que essa situação estava a ser ponderada. “Temos a mente aberta face a isso e, sobre [a criação de] um regime de horas para amamentação destinado a trabalhadoras lactantes, a DSAL diz que vai recolher e ouvir um vasto leque de opiniões por parte do público e associações, incluindo a realização de uma consulta pública. O Governo manterá uma mente aberta sobre a alteração da lei e fará uma avaliação da situação real da sociedade.” A criação progressiva de salas de amamentação é outra das promessas de Tam, que assegura que os 15 serviços públicos a sua tutela dispõem, actualmente, de 42 salas de amamentação, prevendo-se a criação de mais 26 salas de amamentação ainda neste ano. Destas, 60 serão abertas ao público. O Secretário relembra até que a China, Taiwan e Hong Kong têm já leis ou recomendações que regulem estas situações.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Leite em pó sujeito a regras duras [dropcap style=’circle’]O[/dropcap] órgão de supervisão de segurança alimentar da China emitiu um regulamento, que entrará em vigor a partir do dia 1 de Outubro deste ano, para realizar uma fiscalização rigorosa sobre o leite em pó para bebés. Os produtores nacionais e estrangeiros devem registar-se e obter a autorização da Administração Geral da Supervisão de Alimentos e Medicamentos se quiserem vender na China. No caso do uso de matérias-primas estrangeiras, devem especificar o lugar ou país e frases vagas como “leite importado”, “proveniente de pastos estrangeiros” ou “matérias-primas importadas” serão proibidas, de acordo com o Regulamento de Registo da Fórmula para Bebés divulgado na quarta-feira. Além disso, passará a ser proibido incluir afirmações, tais como “bom para o cérebro”, “melhora a imunidade” ou ” protege o intestino” em instruções ou embalagem, aponta ainda o regulamento. O leite em pó para bebés é uma questão sensível na China, após uma série de escândalos desde 2008, quando foi descoberta melamina nos produtos da marca chinesa Sanlu. Em Abril, a polícia prendeu nove pessoas envolvidas na produção e venda de leite em pó infantil falso sob as marcas “Similac” e “Beingmate”. Cerca de mil latas cheias, mais de 20 mil vazias e 65 mil marcas falsificadas foram apreendidas. Em 2015, a China produziu 700 mil toneladas de leite em pó infantil, 65% das vendas anuais do produto no país.