Taiwan | Ex-representante em Macau detido em operação anticorrupção

O ex-representante de Taiwan em Macau Chen Hsuehhuai foi detido e interrogado no âmbito de uma vasta operação anticorrupção das autoridades da ilha que também visou o seu irmão, o deputado do partido Kuomintang (KMT) Chen Hsuehsheng.

Segundo meios de comunicação da Formosa, Hsuehhuai, que dirigiu o escritório de representação de Taiwan em Macau entre 2017 e 2019, foi libertado mediante caução de 100 mil dólares taiwaneses. O caso insere-se numa investigação conduzida pelo Ministério Público de Taipei, que suspeita de fraude e corrupção envolvendo salários fictícios de assessores parlamentares e benefícios indevidos concedidos por empresas de transporte marítimo.

Um total de 27 pessoas foi levado para interrogatório, entre elas Chen Hsuehsheng, libertado sob caução de dois milhões de dólares taiwaneses, e vários familiares e colaboradores, com cauções entre 80 mil dólares taiwaneses e 500 mil dólares taiwaneses. Mais de 10 suspeitos foram libertados sem medidas adicionais.

27 Ago 2026

Japão | Deputados viajam para Pequim após aumento de tensões

Um grupo de deputados japoneses viajou ontem para Pequim para se reunir com responsáveis chineses, pela primeira vez desde que as relações bilaterais se deterioraram, após comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan.

A delegação vai reunir-se com responsáveis do Partido Comunista Chinês durante a visita, que se estende até quinta-feira.

O grupo inclui Gaku Hashimoto, deputado do Partido Liberal Democrático (PLD), actualmente no poder, e antigo vice-ministro da Saúde e Bem-Estar, e um deputado de cada um dos partidos da oposição Komeito e Aliança Centrista Reformista (CRA, na sigla em inglês).

“A comunicação foi interrompida em todas as áreas e estamos a começar a ver o impacto disto em muitos sectores”, disse Shinichi Isa, um dos porta-vozes do partido CRA. “Espero que possamos encontrar de alguma forma uma pista para reiniciar o diálogo”, acrescentou o dirigente, aos jornalistas antes de deixar o aeroporto de Haneda, em Tóquio.

Isa, que serviu como diplomata na Embaixada do Japão na China, escreveu na rede social X, no início de Agosto, que os laços bilaterais atingiram o seu pior nível desde a normalização das relações em 1972.

O deputado escreveu que as autoridades sempre mantiveram a comunicação, mesmo durante os momentos mais difíceis anteriores: “Agora, todos os canais entre as autoridades e os ministérios foram cortados.” A situação não é do interesse nacional de nenhum dos lados, disse Isa na altura, e o lado chinês aceitou um pedido dos deputados japoneses para uma “janela para o diálogo”.

Palavras e acções

As tensões entre a China e o Japão intensificaram-se no final de 2025, quando Sanae Takaichi sugeriu que as forças japonesas poderiam intervir no caso de um conflito em Taiwan.

Em 15 de Agosto, o Governo da China apresentou uma queixa formal ao Japão, após a visita de vários ministros, incluindo o titular da Defesa, Shinjiro Koizumi, ao santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Koizumi costuma visitar o santuário, em Tóquio, anualmente para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no Japão, a 15 de Agosto, e noutras ocasiões.

O ministro de Estado para Okinawa e Territórios do Norte, Hitoshi Kikawada, visitou também Yasukuni, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi, conhecida por ter visões revisionistas sobre o passado militarista do Japão, enviou uma oferenda.

O santuário xintoísta em Tóquio presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados que morreram em conflitos travados pelo Japão, mas também honra a memória de 14 oficiais e políticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial.

Em comunicado, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China realçou que Yasukuni é, na realidade, um local dedicado a “criminosos de guerra”.

25 Ago 2026

Taiwan | Lançado primeiro foguetão sonda de fabrico interno

A Organização Nacional Espacial de Taiwan (TASA) realizou com sucesso sábado o lançamento do seu primeiro foguetão sonda desenvolvido na ilha, completando um voo experimental que validou sistemas essenciais como propulsão, controlo de voo e comunicações.

Segundo a TASA, o foguetão Maraho descolou às 7:10 locais de sábado do Centro de Lançamento de Xuhai, no condado de Pingtung, atingindo uma velocidade máxima de 408 metros por segundo e subiu até 8,1 quilómetros de altitude em 49 segundos, antes de concluir um voo de 432 segundos, segundo a agência CNA.

O aparelho accionou um sistema de paraquedas em duas fases antes de cair no mar. As equipas de recuperação não conseguiram resgatálo devido ao estado do mar e à deriva, mas todos os dados de voo foram transmitidos em tempo real para a estação terrestre, garantiu a agência.

Entre os principais objectivos da missão estava a verificação da capacidade do foguetão sonda em manter comunicações contínuas com as estações de controlo e transmitir dados durante todo o voo. Foram também recolhidas informações sobre propulsão, estrutura, electrónica de bordo, rastreamento, apoio terrestre e sistemas de recuperação.

Um foguetão sonda é um veículo de investigação de pequena dimensão, concebido para transportar instrumentos até à alta atmosfera por curtos períodos, sem colocar satélites em órbita. Ao contrário dos foguetões orbitais, regressa à Terra após o voo, permitindo recolher dados atmosféricos e testar tecnologias aeroespaciais.

O Maraho, anteriormente designado SR400, recebeu o nome da borboleta de cauda larga, espécie nativa de Taiwan, e considerada símbolo da região. O foguetão tem 7,2 metros de comprimento, 0,4 metros de diâmetro e utiliza um sistema híbrido de propulsão alimentado por 90 por cento de peróxido de hidrogénio e polipropileno.

24 Ago 2026

Taiwan | Parlamento aprova orçamento para 2026 após atraso recorde

O parlamento de Taiwan, controlado pela oposição, aprovou, após um atraso recorde de 266 dias, o orçamento geral do Governo para 2026, que inclui um programa de drones para reforçar as defesas da ilha.

O orçamento final, aprovado na sexta-feira, autoriza gastos de 2,98 biliões de dólares de Taiwan (80,5 mil milhões de euros, avançou a agência de notícias estatal taiwanesa CNA. O documento destina 63,4 mil milhões de dólares de Taiwan (1,71 mil milhões de dólares) para o desenvolvimento e aquisição de equipamento para a indústria de drones.

O Governo enviou a proposta de lei orçamental para o parlamento em 31 de Agosto de 2025, com uma previsão inicial de gastos de 3,03 biliões de dólares de Taiwan (81,9 mil milhões de euros), mas a aprovação foi atrasada por disputas entre o partido no poder e a oposição.

A proposta inicial previa 949,5 mil milhões de dólares taiwaneses (25,4 mil milhões de euros) para a Defesa, equivalentes a 3,32 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) taiwanês no momento em que a estimativa foi feita.

Este último aumento insere-se no objectivo do líder da ilha, William Lai Ching-te, de continuar a elevar a despesa em Defesa ano após ano até atingir 5 por cento do PIB em 2030. De acordo com a CNA, as normas exigiam que a proposta de orçamento fosse ratificada até ao final de Novembro, tornando este o orçamento que mais demorou a ser aprovado no parlamento na história de Taiwan.

O orçamento geral de 2026 foi aprovado poucos dias antes da apresentação do projecto de lei orçamental para 2027 pelo gabinete, prevista para 20 de Agosto.

17 Ago 2026

Marinha | China e Indonésia terminam manobras perto de Taiwan

As marinhas da China e da Indonésia concluíram exercícios navais conjuntos em águas a leste de Taiwan.

O Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular da China informou que a fragata chinesa Honghe e a fragata indonésia KRI I Gusti Ngurah Rai-332 concluíram “todos os exercícios planeados” na manhã de quarta-feira.

De acordo com o comunicado, divulgado na rede social Weibo, na quarta-feira, as tripulações praticaram comunicações marítimas, movimentos em formação, reabastecimento em alto-mar e procedimentos de separação de navios após as manobras.

“Ambos os lados manobraram com flexibilidade, coordenaram-se e cooperaram estreitamente, concluindo com sucesso todos os objectivos”, afirmou o comando militar. O comunicado descreveu os exercícios como uma demonstração da vontade de ambos os países em cooperar “de forma pragmática” e “manter conjuntamente a paz e a estabilidade regional”.

A Marinha da Indonésia desvalorizou o carácter excepcional do exercício, descrevendo-o como um exercício rotineiro de diplomacia marítima realizado durante o regresso do navio KRI I Gusti Ngurah Rai-332 à Indonésia, após participar em exercícios com a Marinha da Rússia em Vladivostok, no extremo oriente.

De acordo com a agência de notícias pública indonésia Antara, o chefe do Serviço de Informação da Marinha da Indonésia, Tunggul, afirmou que este tipo de exercício de passagem são “interacções rotineiras de boa vontade” entre as marinhas e fazem parte da “camaradagem naval e da diplomacia marítima”.

14 Ago 2026

Pacífico | China protesta contra participação de Taiwan em Fórum

A China pediu ontem ao líder do Fórum das Ilhas do Pacífico que “evite prejudicar o desenvolvimento saudável e estável” das relações diplomáticas, após Baron Waqa ter confirmado a participação de Taiwan na próxima cimeira.

Os protestos de Pequim, que reivindica a soberania sobre Taipé, tinham levado à exclusão de Taiwan do Fórum das Ilhas do Pacífico em 2025, acolhido pelas Ilhas Salomão.

Mas Palau, o arquipélago onde se realiza a cimeira deste ano, entre 30 de Agosto e 04 de Setembro, está entre os restantes aliados diplomáticos de Taiwan, juntamente com Tuvalu e as Ilhas Marshall. A participação de Taipé foi confirmada na sexta-feira pelo secretário-geral do Fórum, Baron Waqa, numa conferência de imprensa.

“Taiwan é um parceiro de desenvolvimento muito importante. Não é um parceiro de diálogo, no entanto, interage com os membros da nossa família do fórum”, disse Waqa.

“A China pede ao secretário-geral do Fórum das Ilhas do Pacífico que adira estritamente ao princípio de Uma Só China, que lide adequadamente com as questões relacionadas com Taiwan e que assegure que não prejudica o desenvolvimento saudável e estável das relações entre a China e o Fórum”, disse ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

12 Ago 2026

Taiwan | Governo planeia aumentar em 16% despesas com a Defesa em 2027

O Governo de Taiwan vai propor aumentar em 16 por cento a despesa em Defesa para 1,1 biliões de dólares taiwaneses em 2027, informou este domingo a agência de notícias estatal CNA.

Segundo fontes não identificadas citadas pela CNA, prevê-se que o orçamento militar de Taiwan volte a superar a barreira dos 3 por cento do PIB no próximo ano, embora o valor exacto dependa da projecção oficial de crescimento económico para 2027.

O montante de 1,1 biliões de dólares taiwaneses, que será divulgado a 20 de Agosto após uma reunião da Administração, engloba tanto a verba gerida pelo Ministério da Defesa Nacional como fundos para a Guarda Costeira, veteranos militares e projectos especiais de aquisição militar, entre outros, de acordo com a agência.

O orçamento geral do Governo central para 2026, que continua sem receber a aprovação do Parlamento, controlado pela oposição, reservava 949,5 mil milhões de dólares taiwaneses para a Defesa, equivalentes a 3,32 por cento do PIB taiwanês no momento em que a estimativa foi feita.

Este último aumento insere-se no objectivo do líder da ilha auto-governada, William Lai Ching-te, de continuar a elevar a despesa em Defesa ano após ano até atingir 5 por cento do PIB em 2030. Desde a chegada ao poder de Xi Jinping em 2012, a China também promoveu uma profunda modernização das suas forças armadas, com novos porta-aviões, aeronaves de combate de última geração e mísseis avançados.

Pequim, por sua vez, já anunciou um aumento da despesa em Defesa de 7 por cento para 2026, para cerca de 1,91 biliões de yuan, um crescimento ligeiramente inferior ao dos três anos anteriores de cerca de 7,2 por cento.

11 Ago 2026

Diplomacia | China e Japão falam pela primeira vez desde disputa sobre Taiwan

Os chefes da diplomacia do Japão, Toshimitsu Motegi, e da China, Wang Yi, mantiveram esta semana uma breve conversa, a primeira desde o agravamento da disputa diplomática em torno de Taiwan, no ano passado, avançou ontem a imprensa japonesa.

O ministro japonês afirmou que ambos abordaram “as relações bilaterais”, sem adiantar pormenores sobre o conteúdo da conversa, segundo o diário japonês Nikkei. O breve encontro decorreu à margem da reunião anual dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Manila.

Além de Wang, Motegi reuniu-se também, durante um jantar, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, com quem discutiu “as relações bilaterais e questões regionais”, acrescentou o jornal.

As relações entre Tóquio e Pequim atravessam um período de forte tensão desde Novembro do ano passado, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia representar uma ameaça à sobrevivência do Japão, justificando uma intervenção das Forças de Autodefesa japonesas.

Em resposta, o Governo chinês impôs várias medidas de retaliação económica contra o Japão, incluindo a recomendação aos cidadãos chineses para evitarem viajar para o arquipélago e restrições às exportações para o Japão de bens de dupla utilização e minerais críticos.

24 Jul 2026

TSMC | China acusa Taiwan de “vender” ilha aos EUA

O Governo chinês acusou ontem as autoridades Taiwan de “vender os interesses da ilha aos Estados Unidos”, numa reacção ao anúncio da fabricante de semicondutores TSMC de um investimento adicional em fábricas no estado norteamericano do Arizona.

A portavoz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, atribuiu o deteriorar da economia taiwanesa à “dependência dos Estados Unidos para alcançar a independência”, alegadamente promovida pelas autoridades da ilha, em declarações proferidas ontem numa conferência de imprensa.

Zhang acusou o Partido Democrático Progressista (PDP) de ter “esvaziado os alicerces da economia” ao sacrificar os interesses da indústria local, prejudicando o futuro industrial e os meios de subsistência da população.

A TSMC anunciou este mês um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares para construir cinco fábricas de microchips no estado do Arizona, aumentando para 265 mil milhões de dólares o montante prometido de investimento no estado norteamericano.

Na semana passada, o presidente e director executivo da TSMC, CheChia Wei, afirmou perante investidores que a nova aposta se destina à construção de fábricas de chips avançados e unidades de embalamento de última geração, no âmbito da expansão da empresa nos Estados Unidos.

“Acreditamos que este investimento contribuirá para reforçar o ecossistema de semicondutores norteamericano, fortalecer a cadeia de abastecimento e sustentar um número crescente de empregos de alta tecnologia e bem remunerados”, declarou o empresário.

O anúncio coincidiu com a divulgação de um salto de 77 por cento nos lucros líquidos da empresa no segundo trimestre, que ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares entre Abril e Junho.

23 Jul 2026

Diplomacia | Pequim proíbe entrada de quatro deputados neozelandeses

A China proibiu a entrada no país de quatro deputados neozelandeses que visitaram Taiwan em Maio, uma decisão que Wellington classificou como surpreendente. Os quatro parlamentares, pertencentes a diferentes partidos políticos da Nova Zelândia, deslocaram-se a Taiwan no início de Maio, segundo a rádio pública neozelandesa RNZ.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, disse ter ficado “surpreendido” com a decisão anunciada pela embaixada chinesa em Wellington e pediu aos diplomatas neozelandeses que abordassem o assunto junto das autoridades chinesas.

O gabinete de Peters sublinhou que a visita é compatível com a política de “Uma Só China” seguida por Wellington, segundo a qual a Nova Zelândia reconhece a posição de Pequim sobre Taiwan.

“Os membros do parlamento neozelandês são livres de tomar as suas próprias decisões sobre convites para deslocações ao estrangeiro, independentemente do Governo”, indicou um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Um participante na visita, o deputado trabalhista Duncan Webb, revelou que os parlamentares tinham sido previamente avisados pela embaixada chinesa de que poderiam enfrentar sanções caso viajassem para Taiwan.

A embaixada chinesa em Wellington afirmou que os quatro deputados ignoraram “repetidos avisos” e que a visita teve “graves consequências políticas”, constituindo uma “ingerência” nos assuntos internos da China.

Segundo a RNZ, a missão diplomática indicou ainda que a proibição poderá ser levantada caso os parlamentares apresentem um pedido de desculpas.

5 Jun 2026

Taiwan | Wang Yi diz que EUA compreendem posição chinesa e pede “acções concretas”

O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, declarou que os Estados Unidos (EUA) compreendem a posição de Pequim e rejeitam a independência de Taiwan, e pediu a Washington “medidas concretas” para garantir a paz.

Após a partida do Presidente norte-americano, Donald Trump, que esteve menos de 48 horas em Pequim, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês reiterou na sexta-feira que a questão de Taiwan é “a questão mais importante nas relações China-EUA”.

“Manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum para ambos os lados. O pré-requisito para isso é nunca apoiar ou tolerar a ‘independência de Taiwan’”, afirmou Wang, em declarações à imprensa.

O ministro indicou que, durante o encontro com o líder chinês Xi Jinping, ficou claro que os Estados Unidos compreendem a posição da China e valorizam as preocupações chinesas. Horas antes, Donald Trump referiu que não está a incentivar Taiwan a procurar a independência da China e garantiu que não deseja uma guerra com Pequim por causa deste tema.

“Não quero que ninguém se torne independente. E sabe que mais? Será que vamos viajar 15.300 quilómetros para travar uma guerra? Não quero isso”, sublinhou o republicano em entrevista à emissora norte-americana Fox News.

Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping terá avisado Trump de que a “má gestão” da questão pode levar a China e os Estados Unidos a um confronto ou mesmo a um ataque. Donald Trump confirmou na sexta-feira ter discutido com Xi Jinping a eventual venda de armas norte-americanas a Taiwan, mas afastou a possibilidade de um conflito iminente.

O chefe de Estado norte-americano afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a venda de armamento a Taiwan, uma medida fortemente criticada por Pequim, acrescentando que deverá decidir “em breve”.

18 Mai 2026

EUA | China reafirma oposição à venda de armas a Taiwan

A China reafirmou ontem a sua oposição à venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que iria abordar o assunto esta semana durante a sua visita a Pequim.

“A oposição da China à venda de armas dos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é constante e inequívoca”, disse Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, durante uma conferência de imprensa regular.

Guo Jiakun afirmou ainda que Pequim “opõe-se firmemente” às sanções unilaterais dos Estados Unidos, “sem fundamento no direito internacional” e não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, contra entidades chinesas e de Hong Kong.

O porta-voz referiu que a China “tomará medidas firmes para salvaguardar os direitos e interesses legítimos” das suas empresas e cidadãos, embora não tenha especificado quaisquer medidas de retaliação concretas.

O responsável chinês reiterou ainda que a prioridade em relação à situação no Irão é “fazer todos os esforços para evitar o reinício da guerra” e acusou Washington de tentar “difamar a China” ligando-a “maliciosamente” ao conflito.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira, sanções contra 12 indivíduos e entidades acusados de facilitar a venda e o transporte de petróleo iraniano para a China pela Guarda Revolucionária iraniana. Entre os sancionados estão empresas sediadas em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, segundo Washington.

Estas novas sanções vêm juntar-se a outras medidas adoptadas nos últimos dias por Washington contra empresas chinesas e de Hong Kong acusadas de colaborar com sectores ligados ao petróleo, às armas e às operações militares iranianas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai iniciar amanhã uma visita de Estado à China para se reunir com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, quando há tensões persistentes decorrentes da guerra no Irão e de uma frágil trégua comercial entre as duas potências.

13 Mai 2026

EUA | Pequim considera Taiwan crucial para boa relação

O Governo chinês afirmou ontem que a questão de Taiwan é essencial para garantir relações estáveis, saudáveis e sustentáveis com os Estados Unidos, nas vésperas do encontro em Pequim entre os líderes dos dois países. Em conferência de imprensa, o portavoz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou que Taiwan constitui o núcleo dos interesses fundamentais da China e a base política das relações entre Pequim e Washington.

“É uma obrigação internacional que a parte norte-americana deve cumprir”, acrescentou o porta-voz, sublinhando que, para manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, “é necessário opor-se claramente à independência” da ilha.

Estas declarações surgem dois dias após o secretário de Estado norteamericano, Marco Rubio, ter adiantado que Taiwan “será tema de conversa” no encontro entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo norte-americano, Donald Trump, marcado para 14 e 15 de Maio, segundo a Casa Branca.

“Entendemos que os chineses compreendem a nossa posição sobre esta questão, nós compreendemos a deles. E acredito que ambas as partes – sem antecipar o que acontecerá nas conversas – entendem que nenhum dos lados deseja que ocorra algum acontecimento desestabilizador naquela região do mundo”, afirmou Rubio.

8 Mai 2026

Taiwan | William Lai criticado por abandonar a ilha Taiwan após sismo

A China criticou a viagem do líder taiwanês a Essuatíni, acusando William Lai Ching-te de abandonar a população após um sismo e de sair da ilha de “forma dissimulada”, num avião estrangeiro.

Num comunicado divulgado no sábado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que Lai deixou Taiwan poucas horas após um sismo no nordeste taiwanês, “abandonando a população” e “desperdiçando fundos públicos”, numa atitude que, segundo Pequim, o torna um “alvo de troça internacional”.

O Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (executivo) chinês classificou a viagem como “um artifício”, sem valor diplomático e acusou o governante de agir de forma furtiva, para chegar a Essuatíni. Também este gabinete, questionou a gestão de Lai ao não ter prestado atenção à situação decorrente do sismo. Os dois organismos reiteraram a rejeição às iniciativas de Taiwan no âmbito internacional e defenderam que as acções não alteram a posição da comunidade internacional sobre a ilha.

4 Mai 2026

Taiwan | Líder da oposição planeia visitar os Estados Unidos em junho

A líder da oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, anunciou ontem que planeia visitar os Estados Unidos em Junho, dois meses após o encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, e antes de uma cimeira prevista entre este e Donald Trump. Citada pela agência Central News Agency, a presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, afirmou que Junho é a “opção mais viável” para a deslocação, embora reconheça ser ainda necessário organizar bem o itinerário.

A responsável indicou que pretende reunir-se com autoridades norte-americanas e que fará “tudo o possível” para encontrar dirigentes do mais alto nível, incluindo “influentes congressistas” que já manifestaram interesse na visita.

Cheng acrescentou que irá transmitir a mensagem de que o mundo “não deve regressar à Guerra Fria, mas apostar na reconciliação e no intercâmbio, respeitar e valorizar as diferentes civilizações e coexistir”, em vez de encarar as relações internacionais como um “jogo de tudo ou nada”.

As declarações surgem cerca de uma semana e meia após o encontro entre Cheng e Xi Jinping em Pequim, o primeiro entre líderes do KMT e do Partido Comunista Chinês em quase uma década. A dirigente opositora tem-se destacado como uma das vozes críticas de um aumento excessivo da despesa em Defesa em Taiwan, defendendo que o diálogo, e não a dissuasão militar, é a via para evitar um conflito no estreito.

21 Abr 2026

Taiwan | Líder da oposição numa “viagem pela paz”

A líder da oposição em Taiwan, Cheng Li-wun, iniciou ontem uma visita à China a convite do Presidente chinês, Xi Jinping, numa deslocação que descreveu como uma “viagem pela paz”.

A visita, a primeira de um líder da oposição taiwanesa à China em cerca de uma década, ocorre antes de um encontro previsto para Maio, em Pequim, entre Xi Jinping e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes de partir de Taipé, a presidente do Kuomintang (Partido Nacionalista) afirmou aos jornalistas que Taiwan deve envidar todos os esforços para evitar a guerra e aproveitar todas as oportunidades para promover a paz.

“O objectivo desta visita à China continental é precisamente mostrar ao mundo que não é apenas Taiwan que deseja unilateralmente a paz”, afirmou Cheng Li-wun. “Creio que, através desta viagem pela paz, todos poderão ver ainda mais a sinceridade e determinação do Comité Central do Partido Comunista da China em resolver quaisquer divergências entre as duas partes através do diálogo e do intercâmbio pacífico”, acrescentou.

“Ninguém deseja que a ilha se transforme num campo de batalha; todos aproveitariam qualquer oportunidade para evitar que a guerra a atinja: preservar a paz é preservar Taiwan”, afirmou ainda Cheng, em declarações recolhidas pela agência CNA na sede do seu partido em Taipé.

Dezenas de apoiantes e opositores concentraram-se no aeroporto de Taipé, entoando palavras de ordem e exibindo cartazes. A líder da oposição, de 56 anos, visitará a província oriental de Jiangsu, Xangai e Pequim entre 07 e 12 de Abril e, segundo a imprensa de Taiwan, tem previsto reunir-se no dia 10 com Xi, um encontro que ainda não foi confirmado por nenhuma das partes.

8 Abr 2026

MNE | Sancionado deputado japonês por “cooperar com forças separatistas” de Taiwan

A China anunciou ontem sanções contra o deputado japonês Keiji Furuya, a quem acusa de ter visitado repetidamente Taiwan “apesar da oposição” de Pequim e de “cooperar com forças separatistas” da ilha.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que este comportamento “viola gravemente o princípio de uma só China”, “interfere de forma flagrante” nos seus assuntos internos e “compromete seriamente a sua soberania e integridade territorial”.

Ao abrigo da Lei contra Sanções Estrangeiras, Pequim pode congelar os bens móveis, imóveis e outros activos de Furuya em território chinês, além de recusar-lhe vistos e impedir a sua entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau. Organizações e indivíduos chineses ficam também proibidos de realizar qualquer tipo de transação, cooperação ou outras actividades com o deputado japonês.

Durante uma visita a Taipé, a 17 de Março, Furuya, deputado do Partido Liberal Democrático, actualmente no poder no Japão, reuniu-se com o líder taiwanês, William Lai Ching-te. A agência de notícias pública taiwanesa CNA indicou que, durante a visita, entre outras actividades, o político japonês propôs “estabelecer intercâmbios entre as bandas militares do Japão, dos Estados Unidos e de Taiwan”.

Pequim e Tóquio atravessam uma crise diplomática, depois de, no final de 2025, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter admitido a possibilidade de uma intervenção militar em Taiwan em caso de conflito na ilha, por considerar que tal poderia representar uma “ameaça à sobrevivência” do Japão.

31 Mar 2026

Taiwan | Líder da oposição confia que visita à China reduza tensões militares

A presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, Cheng Li-wun, manifestou ontem a esperança de que a sua visita à China, prevista para entre 07 e 12 de Abril, contribua para reduzir tensões militares.

A deslocação à China “mostrará ao povo de Taiwan e ao mundo uma coisa: que os dois lados do estreito não estão destinados à guerra, nem precisam de permanecer à beira de um conflito militar”, afirmou Cheng numa conferência de imprensa na sede do partido, em Taipé, citada pela agência noticiosa CNA.

O Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e o seu secretário-geral, Xi Jinping, convidaram Cheng a liderar uma delegação do KMT numa visita a Jiangsu, Xangai e Pequim entre 07 e 12 de Abril, anunciou ontem o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Song Tao.

A viagem será a primeira de um líder do partido da oposição à China desde que a então presidente do KMT, Hung Hsiu-chu, realizou uma visita semelhante em Novembro de 2016. Durante a sua intervenção, Cheng Li-wun afirmou que qualquer esforço para melhorar as relações entre Taipé e Pequim deverá basear-se nos termos do “Consenso de 1992” e na oposição à independência de Taiwan.

Esse consenso corresponde a um alegado entendimento entre o PCC e o então Governo taiwanês, liderado pelo Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês), segundo o qual ambas as partes reconhecem a existência de “uma só China”, embora com interpretações distintas. No entanto, o Partido Democrático Progressista (PDP), de orientação soberanista e no poder em Taiwan desde 2016, nunca reconheceu essa interpretação, por considerar que implicaria legitimar a reivindicação chinesa sobre a ilha.

31 Mar 2026

Taiwan | Pequim contra “a narrativa da ameaça chinesa”

A China apelou ontem a que se evite “alimentar a narrativa da ameaça chinesa” sobre Taiwan, após os serviços de informações norte-americanos indicarem que Pequim não prevê invadir a ilha em 2027 nem tem calendário definido.

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que “a resolução da questão de Taiwan é inteiramente uma questão que deve ser decidida pelo próprio povo chinês”. Lin acrescentou que esta questão “não admite qualquer interferência por parte de forças estrangeiras”.

Os Estados Unidos “devem agir com prudência nas palavras e acções relativamente à questão de Taiwan”, disse o porta-voz, instando “as instituições e indivíduos norte-americanos relevantes” a “abandonarem preconceitos ideológicos e a mentalidade própria da Guerra Fria” e a “corrigirem as percepções sobre a China”.

Segundo o Relatório Anual de Avaliação de Ameaças de 2026, divulgado na quarta-feira e elaborado pelos serviços de informações dos Estados Unidos, as autoridades chinesas deverão continuar a procurar “criar condições para uma eventual unificação com Taiwan, sem recorrer ao conflito”.

“O país, apesar de admitir o uso da força para alcançar a unificação, se considerar necessário, e de contrariar o que entende como uma tentativa dos Estados Unidos de utilizar Taiwan para travar a sua ascensão, prefere atingir esse objectivo sem recorrer à força, se possível”, referiu o documento.

Outras visões

Esta avaliação contrasta com a expressa pelo Pentágono no final do ano passado, quando um relatório indicava que a China pretendia “travar e vencer” uma guerra em torno de Taiwan até ao final de 2027. A divulgação deste documento ocorreu antes da reunião prevista em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, cuja data foi adiada a pedido do líder norte-americano devido ao conflito em curso no Médio Oriente.

Entre os temas a abordar nesse encontro poderá estar precisamente a questão de Taiwan, considerada por Pequim como a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências.

20 Mar 2026

Taiwan | Negados atrasos na venda de armamento dos EUA à ilha

O ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, assegurou ontem que Taipé não recebeu qualquer informação sobre possíveis atrasos na venda de armamento dos Estados Unidos a Taiwan, acrescentando que ambos mantêm “estreita coordenação” em matéria de Defesa.

Em declarações citadas pela agência CNA, Koo afirmou que os processos internos de revisão dos Estados Unidos relacionados com estas operações “avançam conforme o previsto”.

As declarações surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na segunda-feira que planeia adiar cerca de um mês a viagem à China que previa realizar no final do mês para se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, devido à guerra com o Irão.

Numa conversa telefónica no início de Fevereiro, Xi instou Trump a “gerir com prudência” o envio de armas para Taiwan e sublinhou que a ilha é a “primeira linha vermelha” nas relações entre as duas potências. Posteriormente, a publicação Wall Street Journal noticiou, citando responsáveis norte-americanos, que Washington tinha suspendido a aprovação de um importante pacote de armas para Taiwan por receio de que a operação pudesse pôr em risco a realização da cimeira entre Trump e Xi.

18 Mar 2026

Taiwan | Responsáveis de centro comercial que explodiu negam acusações

Está a decorrer em Taiwan o julgamento que coloca no banco dos arguidos dois responsáveis do centro comercial Shin Kong Mitsukoshi, em Taichung, onde ocorreu uma explosão de gás em Fevereiro do ano passado, que resultou em cinco mortos e 38 feridos. Entre as vítimas, contam-se três residentes da RAEM que perderam a vida e quatro que ficaram com ferimentos.

O julgamento arrancou ontem, e o gerente do centro comercial, o subgerente da empresa-mãe para a região de Taichung (que tem vários centros comerciais) e um funcionário declararam-se inocentes, negando acusações de homicídio por negligência, ofensa por negligência e violação da lei de segurança e saúde ocupacional.

O centro comercial em questão é responsável pela maior receita e fluxo de visitantes de todo o grupo, que possui centros em vários locais de Taiwan. Segundo indicou o jornal de Taiwan Liberty Times, a acusação argumentou que devido às dimensões do espaço a segurança pública deveria ser implementada com os mais elevados padrões de rigor, mas que isso não aconteceu, com a empresa a ignorar exigências legais e a correr riscos nas obras por motivos financeiros que motivaram a explosão.

A investigação terá revelado que os responsáveis não pediram as devidas autorizações legais para fazer a obra, não foi elaborado um plano de prevenção de incêndios, e o fornecimento de gás não foi interrompido durante os trabalhos. O julgamento prossegue hoje à tarde, com inquirições a mais arguidos, que são no total 13.

4 Mar 2026

Taiwan | Japão planeia deslocar mísseis terra-ar para perto da ilha

O Japão anunciou ontem planos para deslocar mísseis terra-ar para uma ilha japonesa perto de Taiwan até 2031, ao mesmo tempo que as autoridades japonesas aumentam os alertas sobre as ambições militares da China na região.

“O nosso plano é deslocar “mísseis terra-ar de médio alcance” durante o ano fiscal de 2030″ — ou seja, durante o período de 12 meses que termina em Março de 2031 — para a ilha de Yonaguni, a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan, anunciou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, durante uma conferência de imprensa regular.

A ilha de Yonaguni, isolada e localizada a aproximadamente 2.000 quilómetros de Tóquio, já alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão.

Este anúncio surge quando a China tem tomado uma série de medidas económicas, políticas e simbólicas contra o Japão desde Novembro, em retaliação a comentários feitos pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. A líder do Japão sugeriu que uma intervenção militar do seu país seria possível no caso de um ataque chinês a Taiwan.

Desde então, a China tem desencorajado os seus cidadãos a viajar para o Japão. Ontem, anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 destas de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

25 Fev 2026

Taiwan | Rejeitada transferência de 40% da produção de ‘chips’ para os Estados Unidos

A vice líder de Taiwan afirmou ontem ser “impossível” transferir 40 por cento da produção de semicondutores da ilha para os Estados Unidos, defendendo que a investigação e desenvolvimento de tecnologias avançadas deve continuar a ser feita em Taiwan.

As declarações de Cheng Li-chiun surgem após o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, ter indicado no mês passado que a Administração do Presidente Donald Trump pretende deslocar para os Estados Unidos cerca de 40 por cento da cadeia de fornecimento de semicondutores de Taiwan, no seguimento de um acordo comercial assinado entre Washington e Taipé.

“Disse claramente à parte norte-americana que isso é impossível”, declarou Cheng no domingo, durante uma entrevista ao canal de televisão CTS.

A governante salientou que os processos avançados de fabrico de ‘chips’ em Taiwan, essenciais para o desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial, representam cerca de 90 por cento do valor da produção mundial. Este domínio resulta de um ecossistema de semicondutores construído ao longo de décadas e “não pode ser transferido”.

Cheng sublinhou que, embora não seja possível “redistribuir a capacidade”, poderá haver expansão da presença industrial nos Estados Unidos. Para que a cooperação bilateral na construção da cadeia de fornecimento seja viável, o modelo taiwanês deve ser adoptado, algo que, segundo afirmou, foi bem acolhido por Washington.

A responsável garantiu também que os parques científicos existentes em Taiwan não terão equivalente nos Estados Unidos, assegurando que a capacidade da indústria taiwanesa de fabrico e embalagem avançada de ‘chips’ será “muito superior” às instalações nos Estados Unidos ou noutros países.

“É essencial primeiro estabelecer fábricas em Taiwan e confirmar a viabilidade da produção em massa. Só depois as empresas expandirão com novos investimentos no estrangeiro”, defendeu Cheng, reiterando que a inovação tecnológica deve continuar a ser feita em solo taiwanês.

10 Fev 2026

Encontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum

O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim

O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim.

O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé.

Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito.

“Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou.

Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito.

“A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim.

Um só país

O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano.

O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha.

A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.

5 Fev 2026