Associação quer ligar empreendedores lusófonos, hispanófonos e de Macau

A recém-criada Associação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola de Macau quer fazer a ligação económica e comercial entre a China e os mercados lusófono e hispânico, destacaram os seus dirigentes.

O presidente da Assembleia-Geral da associação, Rui Pedro Cunha, sublinhou à Lusa que a intenção original da associação é “construir uma plataforma regular de intercâmbio e cooperação para empresários de Macau, dos países de língua portuguesa e de língua espanhola”.

Segundo Cunha, com uma “população combinada de mais de 800 milhões de pessoas”, os países de língua portuguesa e espanhola abrangem quatro continentes e representam “mercados ricos em recursos, talento e oportunidades”.

A organização vai “acompanhar de perto o posicionamento estratégico de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa” e identificar necessidades dos empreendedores para “ajudar a fazer a ligação de recursos entre a Grande Baía, Macau, os países de língua portuguesa e de língua espanhola”.

Rui Pedro Cunha acrescentou que Macau dispõe de vantagens únicas, como “a integração entre culturas chinesa e ocidental, sistema jurídico bilingue, redes empresariais internacionais e um ambiente de negócios aberto ao exterior”.

Ao mesmo tempo, a associação vai realizar encontros económicos e comerciais, visitas empresariais e fóruns sectoriais, para “construir pontes para empresas de ambos os lados e abrir canais de cooperação no comércio, investimento, turismo cultural e indústria de exposições”.

Em Abril, durante a primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, Sam Hou Fai passou por Portugal e por Madrid, cidade onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto. O Chefe do Executivo fez ainda questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola.

Recomendações de investimento

O secretário-geral da associação, Alan Ho Hoi Meng, afirmou à Lusa que a organização vai centrar-se em prioridades como “o reforço dos serviços aos membros, o fortalecimento da correspondência de recursos de alto nível e a apresentação de recomendações de políticas”.

Alan Ho destacou que a associação irá expandir activamente a rede de cooperação com associações empresariais na China continental, bem como nos países de língua portuguesa e espanhola, para fortalecer “intercâmbios económicos e comerciais transfronteiriços” e facilitando fluxos de investimento.

Ao mesmo tempo, será criado “um sistema de atracção e serviços empresariais de orientação internacional, de balcão único, para apoiar empresas estrangeiras a estabelecer operações em Macau e Hengqin e expandir para o mercado da Grande Baía”.

12 Mai 2026

Combustíveis | Ormuz é alerta para diversificar fontes de energia

O académico Hoi Ngan Loi considera que o território deve aproveitar o aumento dos preços nos mercados dos combustíveis fósseis para acelerar a transição para as energias alternativas. A posição do professor na Universidade Politécnica de Macau foi divulgada através de um artigo no jornal Ou Mun.

Segundo Hoi, o subsídio para os combustíveis no sector da logística, promovido pelo Governo para reduzir os preços dos bens, é eficaz a curto-prazo. No entanto, o académico defende que toda a situação em Ormuz deve entendida como um sinal para promover a aceleração de “reformas estruturais”.

Hoi Ngan Loi espera assim que as autoridades promovam a adopção de mais fontes de energia alternativas, que aumentem o investimento em “novas infra-estruturas energéticas” e que ofereçam mais incentivos fiscais, ou criem fundos especiais para “incentivar o sector da logística e os transportes públicos a acelerar a substituição dos actuais veículos por veículos eléctricos ou outros veículos movidos com energias limpas”.

Com as medidas mencionadas, o académico acredita que é possível reduzir “significativamente a dependência dos combustíveis fósseis tradicionais”.

No artigo de opinião, Hoi Ngan Loi elogia a forma como o Executivo tem lidado com os preços nos combustíveis e destaca que em Macau os aumentos, resultado da realidade internacional, foram mais estáveis do que em Hong Kong. Esta diferença, para o académico, mostra que o Executivo está a fiscalizar os preços dos combustíveis.

12 Mai 2026

Zona A | Sugeridos apoios ao comércio em fase inicial

Enquanto nasce um novo bairro na Zona A dos novos aterros, é fundamental encontrar um equilíbrio entre a abertura de lojas, restaurantes e supermercados, a menor densidade populacional na zona e a sobrevivência desses negócios. O deputado Ngan Iek Hang considera que o Governo tem um papel a desempenhar nesta equação, atribuindo apoios ao comércio que não tem ainda uma clientela na Zona A que sustente os negócios.

“Tendo em conta que o actual fluxo populacional na Área A ainda não é suficiente para sustentar actividades comerciais, o Governo devia ponderar a introdução de medidas de apoios”, indicou em declarações ao jornal do Cidadão.

O legislador destaca a importância de ir melhorando as condições de habitabilidade na Zona A à medida que o número de moradores aumenta, tarefa que entende estar a ser cumprida pelo Executivo, seguindo o modelo de governação “centrada nas pessoas”.

A desenvolvimento do bairro de Seac Pai Van foi apontado por Ngan Iek Hang como exemplo de uma área que transitou bem entre os períodos de planeamento, construção e desenvolvimento e que a Zona A tem potencial para adoptar este modelo com sucesso.

12 Mai 2026

Maternidade | Patronato concorda com aumento de licença e férias

Governo, patronato e representantes do sector laboral estão de acordo quanto ao aumento proposto de férias anuais e da licença de maternidade. O Governo apresentou os resultados de uma consulta pública que se alinham com as medidas propostas para combater a baixa natalidade

Executivo, patrões, “sector laboral” e população estão de acordo em relação à necessidade de rever a lei das relações de trabalho para aumentar os dias de licença de maternidade e de férias anuais. Esta foi a conclusão retirada da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, que se realizou ontem.

No final da reunião, o representante do patronato, o ex-deputado Chan Chak Mo, concordou com a proposta, assim como o representante do sector laboral Kuong Chi Fong, o vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau. Os dois representantes defenderam também que o montante máximo da remuneração de base mensal utilizado para calcular a indemnização por despedimento vai permanecer em 21.500 patacas, valor fixado no final de 2024.

Além disso, o Governo apresentou os resultados de uma consulta pública, que decorreu até 16 de Março, em que se refere que os residentes concordam com um aumento proposto das férias anuais e da licença de maternidade, para fazer frente à baixa natalidade do território. O Executivo acrescentou que, após a análise às mais de mil opiniões e sugestões recolhidas, ficou demonstrado que as propostas de revisão da lei foram “bem recebidas pela sociedade”.

Metas para este ano

Depois da reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, o director dos Serviços para os Assuntos Laborais, Chan Un Tong, indicou que a alteração à Lei das Relações de Trabalho será concluída até ao final do ano.

Actualmente, apenas funcionárias públicas têm direito a uma licença de maternidade de 90 dias. No caso dos pais, a licença é de cinco dias úteis remunerados. Recorde-se que em Março, as seis concessionárias de jogo aumentaram a licença de maternidade oferecida às trabalhadoras para 90 dias, medida que acompanha os esforços do Governo para incentivar a natalidade na cidade. A indústria do jogo de Macau empregava cerca de 65.300 trabalhadores, segundo dados referentes a 2025, quase 10 por cento de toda a população do território.

Em Janeiro deste ano, o Executivo propôs aumentar a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias, visando combater a baixa natalidade, e as férias anuais de seis para 12 dias “segundo a antiguidade do trabalhador”.

12 Mai 2026

Praias | Chan Lai Kei quer mais flexibilidade de utilização

O deputado Chan Lai Kei defende mais flexibilização na utilização das praias do território, em especial depois da época balnear. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian, através de uma interpelação escrita.

Segundo o legislador, actualmente “há bastantes restrições relativamente ao uso terrestre das praias” que se agravam com o encerramento da época balnear, quando as “praias deixam de estar abertas para actividades de natação no mar”. Este cenário, considera, “acaba por restringir a experiência recreativa dos cidadãos e visitantes nas praias de Macau em diferentes épocas do ano, não obstante o facto de estas permanecerem abertas ao longo do ano”.

Por isso, e uma vez que o legislador defende que as praias podem ser um elemento para promover o turismo, quer saber se as autoridades vão “flexibilizar, moderadamente, as restrições ao uso terrestre das praias, para revitalizar melhor os recursos desses espaços”.

O deputado reconhece que a exploração das praias tem de acontecer “dentro de um equilíbrio entre a protecção ambiental, a gestão diária e a segurança pública”. O deputado quer que as praias sejam enriquecidas a nível comercial, e que as das instalações complementares, como casas-de-banho e balneários, sejam renovadas.

11 Mai 2026

Turismo | Sobrinho de Edmundo Ho diz que bifana é melhor em Hong Kong

Adrian Pedro Ho King Hong considera que a comida em Macau é “extremamente normal” e que em Hong Kong a qualidade é melhor. Ainda assim, o deputado em Hong Kong elogia a estratégia de promoção turística da RAEM

O sobrinho de Edmundo Ho e deputado em Hong Kong Adrian Pedro Ho King Hong afirmou que a bifana da RAEHK é superior à de Macau e pediu uma maior aposta na gastronomia em Hong Kong ao Executivo da região vizinha. As declarações foram prestadas durante uma sessão do Conselho Legislativo, na semana passada, pelo também neto do falecido Ho Yin.

Segundo Adrian Ho, os residentes de Hong Kong que visitem a Rua do Cunha percebem facilmente que a qualidade da bifana de Hong Kong é superior à de Macau. Contudo, o legislador afirmou que os residentes da RAEHK preferem comer em Macau este tipo de comida, porque se deixaram atrair pela “fama” da gastronomia.

Apesar da crítica à qualidade da comida de Macau, o legislador elogiou a aposta local no turismo, na criação de um ambiente atractivo para os turistas: “Tudo isto se pode comer em Hong Kong, mas não sei por que razão é apresentado como uma iguaria”, afirmou Adrian Ho. “Atrevo-me a dizer que a bifana de Hong Kong é mais saborosa que a de Macau. Por que razão os turistas vão a Macau para comer aquela bifana? Por foi criado um certo ambiente propício”, vincou.

Os comentários de Ho não se limitaram à bifana, com o deputado a lançar dúvidas sobre a qualidade dos pastéis de nata, carne seca e bolos de amêndoa em Macau, categorizando-os como “extremamente normal” e abaixo da qualidade de Hong Kong.

Uma cara nova

Adrian Ho é deputado em Hong Kong desde Dezembro de 2022, tendo sido eleito pelo partido Novo Poder Popular, liderado por Regina Ip.

Apesar das ligações a Macau, e do facto de ter como avô paterno Ho Yin, ser sobrinho do ex-Chefe do Executivo da RAEM e filho do empresário Ho Hao Veng, Adrian Ho nasceu em Hong Kong, onde frequentou a escolaridade, antes de se mudar para o Reino Unido. Antes de regressar a Hong Kong, licenciou-se nos Estados Unidos na prestigiada Escola de Gestão de Wharton na Universidade da Pensilvânia.

Como político, destacou-se durante os protestos de Hong Kong de 2019, depois de ter criado um grupo na rede social Facebook com o nome “Save HK”, atraindo mais de 200 mil utilizadores. A nível profissional, depois de regressar a Hong Kong, trabalhou em bancos de investimento, focando a sua atenção na indústria eólica, ao investir no Interior da China, na província de Xinjiang.

11 Mai 2026

Lusofonia | Fórum divulga em Junho índice de infra-estruturas

Um fórum internacional, que irá decorrer em Macau entre 10 e 12 de Junho, vai divulgar, pelo quarto ano consecutivo, o Índice de Desenvolvimento de Infra-estruturas nos Países de Língua Portuguesa.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau indicou que a nova edição do índice faz parte do programa do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF, na sigla em inglês). Numa conferência de imprensa realizada em Pequim, a organização do IIICF afirmou que já estavam inscritas mais de 800 empresas e 3.500 convidados de 69 países e regiões.

Um número que inclui mais de 60 ministros e secretários de Estado, dirigentes de 20 instituições financeiras, representantes de 10 organizações internacionais e presidentes de 20 associações comerciais estrangeiras.

O programa do IIICF inclui o Fórum de Cooperação Económica, Comercial e em Infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na exposição será instalada uma zona dedicada a Macau e a Hengqin, “com apresentação dos resultados da cooperação em infra-estruturas entre a China e os países lusófonos”, declarou o IPIM.

A última edição do IIICF terminou com a assinatura de 31 acordos, no valor de total de 10,1 mil milhões de dólares, e um terço envolveram empresas dos mercados lusófonos.

11 Mai 2026

DSF | Despesa pública cai 3,9% até Abril apesar de apoios sociais

As despesas públicas de Macau caíram 3,9 por cento nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período de 2025. Até Abril, foram gastos dos cofres públicos mais de um quinto das despesas previstas para o ano corrente

Entre Janeiro e Abril deste ano, a despesa pública da RAEM diminuiu 3,9 por cento em termos homólogos, de acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), apesar da aposta do Governo em apoios sociais. Até ao final de Abril, Macau gastou 23,1 mil milhões de patacas, 21,2 por cento do previsto para todo o ano, apesar dos gastos em apoios e subsídios sociais terem crescido quase 9 por cento, para 12,7 mil milhões de patacas.

O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento de 2025, para reforçar os apoios sociais.

Bicos de obra

A principal razão para a queda das despesas foram os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – que recuaram 17,4 por cento até Abril, para 4,66 mil milhões de patacas.

O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro.

As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 2,1 por cento, para 4,83 mil milhões de patacas, depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo.

Ao contrário da despesa pública, a receita corrente de Macau subiu 17,6 por cento nos primeiros quatro meses de 2026, para 40,3 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 16,9 por cento, para 34,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,5 por cento do total.

Com as despesas a cair e as receitas a subir, Macau registou um excedente nas contas públicas de 18,2 mil milhões de patacas, mais 72,1 por cento do que até Abril de 2025.

No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

11 Mai 2026

Metro / Elevadores | Manutenção custa até 17,4 milhões

A manutenção dos elevadores e escadas rolantes do Metro Ligeiro vai custar até 17,4 milhões de patacas até 2029. O anúncio do resultado do concurso público para a adjudicação do serviço foi revelado ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

A escolhida foi a empresa local Companhia de Elevadores Germantech Limitada, que apresentava a terceira proposta mais cara entre as cinco participantes. A proposta mais baixa foi apresentada pela Otis Elevator Company (H.K.) Limited, com um preço de 13,3 milhões de patacas. No polo oposto, o valor mais elevado partiu da Kwongo Serviços de Engenharia Companhia Lda, com 22,7 milhões de patacas. O serviço vai começar a ser disponibilizado no início do próximo mês e prolongar-se-á até 31 de Maio de 2029.

Mais fácil transportar bicicletas

A partir de sábado, e até 30 de Agosto, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau vai reduzir as restrições ao transporte de bicicletas. Segundo o novo modelo, os passageiros podem levar consigo bicicletas aos dias do fim-de-semana, se as bicicletas não tiverem mais de 180 cm de comprimento e se removerem uma das rodas ou se as dobrarem.

As bicicletas com um comprimento original que não ultrapasse os 130 cm não necessitam de ser dobradas nem de ter rodas removidas. Entre segunda e sexta-feira, mantêm-se as restrições originais para o transporte de objectos, não podendo ser transportados no Metro objectos cuja soma do comprimento, largura e altura exceda os 170 cm, nem cujo comprimento de qualquer dos lados ultrapasse os 130 cm.

8 Mai 2026

Governo quer estender inventário do Património Cultural Intangível

O Governo de Macau prometeu ontem alargar, até ao final do ano, o Inventário do Património Cultural Intangível do território. A promessa foi feita pela presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, após uma reunião do Conselho do Património Cultural de Macau, ao qual Leong também preside.

Na lista de novas manifestações culturais a serem protegidas, constam três propostas macaenses. São elas o chá gordo, um lanche festivo com dezenas de iguarias, a Tuna Macaense, que toca músicas no dialecto crioulo macaense, o patuá; e o ‘batê saia’, uma arte decorativa de recorte de papel de seda ou papel rendado.

Além de um inventário, Macau tem ainda uma Lista do Património Cultural Intangível, que abrange “as manifestações de maior valor, incluindo aquelas que sejam representativas de tradições sociais relevantes, (…) e passam a usufruir de um maior grau de protecção”.

Na agenda da reunião, esteve um ponto de situação do estado de salvaguarda do património cultural intangível do território. Leong sublinhou que o Executivo realizou “muitos trabalhos em vários aspectos”.

A dirigente lembrou que o Fundo de Desenvolvimento da Cultura criou um programa para dar “mais recursos” financeiros às entidades nomeadas para proteger e promover as diferentes manifestações culturais. Mas Leong acrescentou que o Governo também tem trabalhado na “promoção e sensibilização” para a importância da salvaguarda do património cultural intangível de Macau.

A dirigente deu como exemplo um programa de formação nas escolas, criado em 2025, para “as novas gerações que querem ser transmissores do património cultural intangível”. O programa é para continuar este ano, uma vez que “obteve resultados positivos. Temos muitos candidatos, muitos jovens querem trabalhar nesta área”, sublinhou a presidente do IC.

Natas & Companhia

O Inventário do Património Cultural Intangível já inclui o Dia dos Finados chinês, conhecido como ‘Cheng Ming’, no 15.º dia após o solstício de Primavera, no início de Abril, e o ‘Chong Yeong’, o dia de Culto dos Antepassados, a 9 de Setembro.

Em Outubro, a região inscreveu na lista 12 novas manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa e os pastéis de nata locais. Em 2019, Macau já tinha inscrito como património cultural intangível as procissões católicas do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos e de Nossa Senhora de Fátima, a gastronomia macaense e o teatro em patuá. Em 2021, a gastronomia macaense e o teatro em patuá foram também incluídos pela China na Lista de Património Cultural Imaterial Nacional.

8 Mai 2026

Combustíveis | Subsídio de 3,3 patacas por litro de gasóleo

O Governo vai subsidiar a subida do preço do gasóleo e ajudar empresas a contornar despesas com combustível e inflação. O plano terá uma duração de dois meses, a começar na segunda-feira, implicando um investimento de 80 milhões de patacas para minorar o impacto da guerra no Irão

O Governo anunciou ontem um plano para subsidiar a compra gasóleo e atenuar o impacto da escalada dos preços dos combustíveis nas empresas locais. O plano entra em vigor na próxima segunda-feira, estendendo-se até 10 de Julho e irá apoiar a compra de gasóleo em 3,3 patacas por litro.

O director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, indicou ontem que o “plano visa aliviar a pressão sobre os custos e evitar que o aumento do preço do diesel seja repercutido nos preços de bens de consumo”.

No total, o Governo irá disponibilizar 80 milhões de patacas aos cinco operadores petrolíferos do território, que vão ficar obrigados a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, com auditores independentes a analisar as informações oferecidas e a verificar eventuais irregularidades, como registos falsos.

A medida apresentada ontem foi tomada na sequência da “instabilidade geopolítica internacional dos últimos tempos, que tem provocado flutuações contínuas nos preços globais dos produtos petrolíferos”.

A decisão de apenas subsidiar o gasóleo, deixando de fora a gasolina sem chumbo e a gasolina premium, foi explicada pelo facto de ser “o principal combustível para as empresas industriais e comerciais de Macau, constitui um bem de consumo essencial para as actividades industriais e comerciais”. Além disso, o Executivo acrescenta que “embora o preço da gasolina tenha subido em relação ao início de Março, o aumento tem sido significativamente mais moderado do que o do diesel e tem-se mantido relativamente estável”.

Próximos capítulos

De acordo com Yau Yun Wah, os utilizadores de gasóleo em Macau consomem cerca de 11 milhões de litros de gasóleo por mês, com aproximadamente 8.600 veículos movidos por esse combustível registados na cidade. “Os fornecedores de combustíveis aderentes deverão manter os descontos já praticados, aplicando o subsídio governamental sobre o preço depois do desconto. Os recibos terão de indicar o preço original e o montante do subsídio. E os postos de abastecimento vão afixar cartazes informativos sobre a medida”, indicou Yau.

Questionado sobre se o plano será mantido no caso de os preços dos combustíveis se manterem ou aumentarem, Yau sublinhou que se trata de uma medida “provisória, específica e limitada no tempo”, destinada a apoiar imediatamente os utilizadores de gasóleo e ajudar o sector a superar dificuldades. “Vamos continuar a monitorizar e a comunicar com o sector petrolífero e de acordo com a situação internacional”, acrescentou.

Actualmente, existe uma grande disparidade nos preços de combustíveis entre Macau e o Interior da China. Por exemplo, as gasolineiras de Zhuhai praticam preços máximos de gasóleo na ordem dos 8,14 yuan, metade do preço praticado em Macau.

Segundo o director da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no Interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais. João Luz / Lusa

8 Mai 2026

Creche Smart | IAS insiste na falta de fiscalização financeira

O Instituto de Acção Social defende que a decisão de cessar a cooperação com a Creche Smart e recuperar as instalações se prende com a fiscalização do financiamento da instituição. Além disso, promete mais explicações após os processos em tribunal

Em reacção ao mais recente comunicado da associação Zonta Club de Macau sobre a Creche Smart, o Instituto de Acção Social (IAS) insiste que não foram cumpridas as exigências de fiscalização financeiras relativas à instituição de ensino. Este motivo levou a que o IAS avançasse para o corte do financiamento e recuperasse as instalações da creche, decisão que está a ser contestada pela associação nos tribunais.

“Há já algum tempo que o Zonta Club de Macau não satisfazia as exigências de fiscalização de apoio financeiro do IAS em termos da aplicação dos seus recursos financeiros. Em virtude da persistência da situação durante um período prolongado, o IAS avançou com a cessação da cooperação em conformidade com a lei, nomeadamente cessar o financiamento e exigir a devolução das instalações da creche”, afirmou o IAS, numa resposta ao HM.

No entanto, o facto de ainda recorrerem alguns processos administrativos leva a que o IAS opte por não comentar mais detalhes sobre o caso. “Tendo a cessação da relação de cooperação entre as partes envolvido vários processos administrativos, alguns dos quais ainda se encontram a ser apreciados no tribunal, o IAS, neste momento, não tem mais informações a divulgar”, foi apontado.

Acusações de perseguição

Na segunda-feira a associação Zonta Club de Macau pediu ao Governo para controlar o presidente do IAS, Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela Creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do relatório do IAS sobre a creche e da publicação no portal da entidade pública sobre admissões em creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais.

Em Março do ano passado, o IAS cortou o financiamento e recuperou as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Num primeiro momento, o IAS limitou-se a indicar que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

Além disso, a associação apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e mostrou-se disponível para abdicar dos processos em tribunal, em virtude das conclusões da investigação. A Zonta, reconheceu erros, mas mostrou-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária, para proteger a sua reputação

8 Mai 2026

Veículos eléctricos | Quase 100 multas em 2025

No ano passado, a polícia passou 97 multas a veículos estacionados de forma indevido em lugares para carregamento de veículos eléctrico. A revelação consta de uma resposta a uma interpelação escrita do deputado Lee Koi In.

A resposta assinada pelo director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Chiang Ngoc Vai, indica que no ano passado “foram autuados 97 casos de veículos não eléctricos por estacionamento em lugares de estacionamento destinados a veículos eléctricos”. Entre 1 de Janeiro e 20 de Março deste ano, houve um total de 28 multas pelos mesmo motivos.

Na interpelação escrita, Lee Koi In mostrou-se também preocupado com as dimensões reduzidas dos parques de estacionamento. Chiang Ngoc Vai indicou que a DSAT tem tentado aumentar a área dos lugares. “Visando optimizar o ambiente de estacionamento, a DSAT tem vindo a proceder gradualmente, desde o ano passado, ao ajuste do comprimento dos lugares de estacionamento para automóveis ligeiros na via pública para uma média de cerca de 5,5 metros, tendo sido concluído o ajuste de mais de 1.500 lugares até 31 de Março de 2026”, apontou.

“No futuro, em articulação com o plano de instalação de lugares de estacionamento para carregamento da DSPA [Direcção de Serviços de Protecção Ambiental], proceder-se-á ao ajuste correspondente das dimensões dos lugares de estacionamento de acordo com as normas técnicas e sempre que as condições da obra o permitam, por forma a responder às necessidades de estacionamento e de carregamento dos veículos eléctricos”, acrescentou.

8 Mai 2026

Água reciclada | Meta utilização fixada em 5% até 2030

Até 2030 as autoridades esperam que 5 por cento de toda a água utilizada no território seja reciclada. A meta foi traçada ontem por Susana Wong Soi Man, directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), em declarações à imprensa.

Quando fez o balanço dos primeiros dois meses de funcionamento da Estação de Água Reciclada de Coloane, a directora da DSAMA indicou que as obras para fornecer mais água reciclada não vão parar e que a segunda fase de expansão da estação de Coloane e a estação que vai ser construída na Ilha Artificial da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau vão permitir fornecer água reciclada ao Cotai.

A meta não se fica por aqui. Com as obras planeadas, as autoridades esperam que a percentagem de água reciclada suba para 10 por cento do total, em 2035.

Em relação ao balanço da utilização da Estação de Água Reciclada de Coloane, Susana Wong explicou que actualmente são produzidos 1.500 metros cúbicos, fornecidos às habitações de Seac Pai Van, que recebem 55 por cento da água reciclada, e à Universidade de Macau, que recebe 45 por cento. No entanto, existe capacidade para fornecer mais água, uma vez que a capacidade diária da estação é de 2.500 metros cúbicos.

Sobre este tipo de abastecimento, a responsável indicou que não foram recebidas queixas. A água reciclada é tratada num processo menos exigente do que a água tradicional das torneiras, porque não é potável e visa apenas ser utilizada para lavar as mãos, em descargas de autoclismo ou para regar plantas.

8 Mai 2026

Conselho do Desporto | Sam Hou Fai alarga composição

O Chefe do Executivo expandiu o número de membros do Conselho do Desporto de 11 para 18 conselheiros, de acordo com a informação divulgada ontem no Boletim Oficial. A nova lista de escolhidos revela ainda várias mudanças.

A nível das entradas, passam a fazer parte do conselho vários atletas ou pessoas com experiência em competição como Li Yu, Zhu Yuling, Mou Son Cheng ou Eurico de Jesus. A lista de novos conselheiros inclui também Ho Wai Kun, Hong Wai Tong, Li Chu Kwan, Lou Kit Long, Roberto Carlos Osório, Lai Pak Leng, Lei Chi Kin e Siu Yu Hong.

Em termos das saídas, deixam de ser membros Au Ieong Sin Ieng, Chan Sio Peng, Im Io Teng, Eurico Kong Kun Hou, Lok Nam Tak e Pun Keng Man. Apesar das alterações, Sam Hou Fai optou por manter no conselho o deputado e empresário Kevin Ho, Cheang Kuok Hang, Hoi Lok Man, Lam Kam Hung e Lei Ka In.

O Conselho de Desporto foi criado em 2001 com o objectivo de “assegurar a intervenção e participação activas dos agentes e organizações desportivos na discussão” de assuntos relacionados com esta área. Além disso, abre a possibilidade de apresentação de opiniões e sugestões de residentes sobre o desenvolvimento desportivo na RAEM.

7 Mai 2026

Esplanadas | IAM admite rever o processo de licenciamento

O Instituto para os Assuntos Municipais defende a actual burocracia para atribuir licenças para esplanadas, mas admite a possibilidade de revisão de procedimentos e preços no futuro. A posição foi tomada em resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok, ligado aos Operários.

“O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) aceita, desde Agosto de 2025, a título experimental, pedidos de licença de esplanada por estabelecimentos de restauração que reúnam os requisitos exigidos”, foi defendido. “Os comerciantes podem optar por pedir uma área adequada para a esplanada, de acordo com a sua situação de exploração, a localização da loja e o modelo de consumo dos clientes, entre outros”, foi acrescentado.

No entanto, o processo de licenciamento tem gerado queixas de comerciantes e também de deputados. Sobre este aspecto, o IAM promete que vai “a manter a comunicação com o sector, auscultar as opiniões da sociedade, e rever e optimizar, em tempo oportuno, a política das esplanadas”. Em relação à emissão de licenças, o Governo destaca que é necessário “um equilíbrio entre as necessidades do sector [de comerciantes] e o quotidiano dos cidadãos”.

Na mesma resposta, o Governo responde também ao deputado sobre as medidas de incentivo ao comércio das pequenas e médias empresas (PME). Sobre este aspecto, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) promete “apoiar as PME na melhoria da sua qualidade e eficiência, no desenvolvimento inovador”, assim como com a criação de mais actividades locais.

7 Mai 2026

Rua da Emenda | Loi I Weng critica instalações velhas e pede renovação

A deputada das Mulheres quer criar um novo “cartão de visita” nas ruas perpendiculares da Avenida Horta e Costa, para desenvolver o comércio nas zonas residenciais

A deputada Loi I Weng defende que o Governo deve fazer uma renovação da Rua da Emenda, uma das perpendiculares à Avenida Horta e Costa, adjacente à zona do mercado dos Três Candeeiros, que foi definida como zona pedonal. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, divulgada ontem pela legisladora ligada à Associação das Mulheres.

“A zona das cinco ruas envolventes à Rua da Emenda é actualmente a maior zona de vendilhões em Macau. Após o reordenamento realizado em 2012, foi classificada pelo Governo como uma das poucas zonas pedonais de Macau, sendo, ao longo dos anos, uma das ruas mais características e históricas”, considerou. “Nesta zona, há muitos vendilhões com muita vivacidade quotidiana e uma grande variedade de iguarias, o que demonstra plenamente o encanto único das comunidades tradicionais de Macau”, acrescentou.

Loi I Weng destacou igualmente que a localização “geográfica privilegiada” associada aos elementos comerciais com “potencial suficiente” para transformar a zona “num novo motor e num novo cartão de visita para o desenvolvimento da economia dos bairros comunitários de Macau”.

Bom, mas mau

Apesar das qualidades e potencialidades, Loi I Weng avisa que a zona está a degradar-se porque “já se passaram mais de 14 anos desde o reordenamento em 2012”, e que algumas instalações mostram “sinais de envelhecimento”, pelo que “agora há que optimizar as instalações, os modelos comerciais e o ambiente naquela zona”.

Por isso, a deputada quer saber se o Governo vai avançar com a renovação das instalações, como as bancas de vendas, para criar um novo ambiente de consumo.

Ao mesmo tempo, no âmbito das actividades do Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade vão ser realizados programas-piloto de intervenção em diferentes locais de Macau. A deputada quer saber se a rua da Emenda e as zonas circundantes vão ser incluídas nesses programas e ser alvo de intervenção, com a instalação de nova iluminação, novas zonas verdes e novas tabuletas.

Finalmente, a deputada espera que o Governo impulsione o comércio na Rua da Emenda com a realização de feiras e outros eventos, assim como esplanadas, para criar uma zona onde os jovens podem estabelecer novos negócios, ao mesmo tempo que se promove a ocupação de algumas bancas que actualmente estão fechadas.

7 Mai 2026

Idosos | Coutinho defende isenção de todas as taxas

Pereira Coutinho defende o alargamento de isenções de taxas que têm como beneficiários residentes com mais de 65 anos, indo além dos bilhetes de autocarro e Metro Ligeiro.

Numa interpelação escrita, o deputado refere que a “política benevolente contrasta com uma realidade injusta”, que passa pelo facto desses idosos “continuarem a ser obrigados a pagar taxas de renovação de cartas de condução, cartas de condução internacional e diversas outras taxas administrativas, criando uma inconsistência que compromete a dignidade e o bem-estar dos idosos”.

Desta forma, Coutinho considera “fundamental” que as autoridades isentem idosos do pagamento de todas as taxas, adoptando “uma política uniforme e respeitadora dos principais fundamentais do regime jurídico de garantias dos direitos e interesses dos idosos vigentes no território”.

Para o deputado, “a gratuidade no transporte público foi um passo importante e decisivo”, mas é “manifestamente insuficiente”. É pedido que o Governo reveja “periodicamente todos os encargos e taxas aplicáveis aos idosos, com o objectivo de eliminar aqueles que não se justifiquem, por representarem um fardo para a população idosa”.

7 Mai 2026

Aviação | Conselheira pede supervisão rigorosa de “companhia aérea”

A conselheira dos Serviços Comunitários das Ilhas Hoi Kit Leng alertou o Governo para falhas na regulação da aviação, permitindo que “uma companhia aérea local” cancele voos e apresente justificações vagas que complicam o processo para accionar seguros

A conselheira Hoi Kit Leng acha que o Governo deve supervisionar as acções de uma companhia aérea em Macau, depois de uma vaga recente de cancelamentos de voos. A conselheira nunca identificou a companhia aérea em causa, durante a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas na terça-feira, mas a descrição coincide com a Air Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, a responsável destacou que o problema não se prendeu com os cancelamentos, que até podem ser justificados dadas as condições actuais relacionadas com o preço dos combustíveis, mas antes com a falta da transparência. A companhia justificou os cancelamentos com “motivos ligados à empresa”. A justificação foi entendida como vaga e fez com que passageiros afectados por cancelamentos enfrentassem dificuldades na altura de accionarem os seguros de viagem.

Além disso, Hoi Kit Leng criticou a política de compensações da companhia, porque apenas oferece como soluções a alteração da data do voo ou o reembolso do dinheiro pago pela viagem não realizada. Segundo a conselheira, esta política é insuficiente porque a empresa não vai cobrir os danos causados aos clientes, como acontece com o cancelamento de hotéis, aumento do preço dos novos bilhetes, entre outros.

Hoi Kit Leng indicou ainda que quando há cancelamentos de voos em grande escala o atendimento aos clientes fica paralisado e regista atrasos significativos na divulgação das informações.

Mais liderança

Para resolver estes assuntos, Hoi Kit Leng defendeu que a Autoridade de Aviação Civil tem de assumir um papel de liderança e estudar a elaboração de normas para a protecção dos direitos dos passageiros em Macau. A conselheira sugeriu às autoridades locais que se inspirem na regulação da União Europeia.

Como exemplo de falta de regulação, Hoi Kit Leng pediu a implementação de normas que regulem as compensações nos casos em que os passageiros têm de atravessar a fronteira para apanhar voo. Salientou também a necessidade de um reembolso do custo da viagem ou da alteração da data, nos casos em que os cancelamentos se prendem apenas com decisões comerciais.

Hoi Kit Leng defende ainda a proibição de justificações vagas da companhia aérea de, e pediu ao Governo para criar um mecanismo para a mediação de litígios, liderado pela Direcção dos Serviços de Turismo e pelo Conselho de Consumidores.

Anteriormente a Air Macau admitiu publicamente ter cancelado cerca de 400 voos entre Maio e Junho devido aos preços do combustível, que aumentaram depois do bloqueio do estreito de Ormuz. As explicações só foram avançadas depois de surgirem queixas nas redes sociais, motivadas por cancelamentos de voos quase em cima da hora marcada para embarcar.

7 Mai 2026

FM | Entidades de matriz portuguesa recebem mais de 20 milhões

A Fundação Macau (FM) forneceu cerca de 20,9 milhões de patacas em apoios financeiros no primeiro trimestre deste ano a entidades de matriz portuguesa.

Entre os apoios mais significativos, destaca-se o da Fundação Escola Portuguesa de Macau, que recebeu 4,5 milhões de patacas para despesas de funcionamento em 2026, no âmbito do Plano Integrado de Apoio Financeiro, enquanto o IPOR – Instituto Português do Oriente recebeu cerca de 213 mil patacas.

O Instituto de Estudos Europeus de Macau beneficiou de múltiplos apoios, destinados a projectos de formação, conferências, publicações e despesas de funcionamento, num total superior a 2,8 milhões de patacas. Na vertente cultural, a Associação de Danças e Cantares Portugueses “Macau no Coração” registou uma rectificação de apoio para intercâmbio no valor de 47.880 patacas.

Também foram distribuídos apoios a entidades católicas de solidariedade, como a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau que recebeu 143.430 patacas para a distribuição de cabazes do Ano Novo Chinês, enquanto a Cáritas de Macau foi contemplada com cerca de 8,8 milhões de patacas. As Bolsas de Estudo para Estudantes de Países Lusófonos em cursos conferentes de grau académico beneficiaram 36 alunos durante o ano lectivo de 2025/2026, com um montante global de 2,1 milhões de patacas.

Entre os apoios concedidos à comunidade macaense, destacam-se a Associação dos Macaenses, que recebeu 725.440 patacas, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, contemplada com 399.720 patacas, e a Associação dos Jovens Macaenses, que obteve 49.900 patacas. A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau recebeu no primeiro trimestre deste ano cerca de 1,1 milhões de patacas.

6 Mai 2026

Taipa velha | Elogiada criação de zona pedonal

A zona pedonal temporária criada na Taipa velha terminou na segunda-feira, tendo a Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau e o coordenador-adjunto do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, Leong Chon Kit, elogiado a medida. A zona pedonal funcionou no fim-de-semana de 1 a 4 de Maio.

Segundo o jornal Ou Mun, o presidente da Federação, Yeong Keng Hoi, considerou que a zona pedonal superou as expectativas por ter atraído imensos turistas, tendo-se transformado numa marca festiva associada aos feriados do 1.º de Maio. O responsável acrescentou que o Governo deveria aproveitar o terreno que não está ainda desenvolvido, perto da paragem de táxis, para que possa ser utilizado como zona temporária de tomada e largada de passageiros.

Por seu turno, Leong Chon Kit observou que a zona pedonal permitiu uma ligação à zona da Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa velha, o que permitiu desviar, de forma eficiente, o fluxo de visitantes da Rua do Cunha. O conselheiro defende que as autoridades devem melhorar os percursos pedonais na zona, acelerar o processo de revitalização da antiga fábrica a fim de ali serem criados mais estúdios para artistas, salas para exposições ou até espaços de design.

6 Mai 2026

Tecnologia | Wong Sio Chak visitou Hangzhou

O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, liderou uma delegação numa visita à cidade de Hangzhou, que teve como objectivo aprofundar os conhecimentos sobre a transformação digital e a governação inteligente. A visita decorreu entre os dias 28 e 30 de Abril.

Segundo a versão oficial, a “delegação participou numa série de actividades organizadas pelo Governo Municipal de Hangzhou, incluindo uma visita in loco ao Centro de Serviços Governamentais de Xihu”. Outra das paragens, foi o “Centro de Comando do Cérebro” de Hangzhou, para “estudar a sua arquitectura tecnológica, o mecanismo de integração de dados e modelo de operação, enquanto plataforma municipal de governação baseada em inteligência artificial”.

Hangzhou foi escolhida como destino da viagem por ser considerada como uma das cidades mais avançadas do Interior e pelo facto de ter sido a primeira cidade a desenvolver o chamado “Centro de Comando do Cérebro”, que concentra os vários dados recolhidos na cidade, para depois serem tomadas decisões. Além disso, a delegação realizou reuniões, intercâmbio e visitas com o Grupo Alibaba e com especialistas nas áreas da tecnologia.

6 Mai 2026

Aeroporto | Abandonado projecto de expansão

Era um projecto ambicioso, mas vai ficar na gaveta, até porque o número de passageiros no aeroporto de Macau sofreu uma quebra no ano passado. Os governantes acreditam que a expansão que já está em curso e que vai aumentar a capacidade para 13 milhões e passageiros é suficiente

O regulador da aviação civil admitiu que abandonou o plano, anunciado em 2020, para utilizar parte do actual terminal marítimo de passageiros da Taipa na expansão do aeroporto. Em resposta a questões do deputado Leong Pou U, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) defendeu que a capacidade do aeroporto já dá “resposta às necessidades de transporte aéreo actuais e futuras”.

O terminal de passageiros do aeroporto dispõe actualmente de uma capacidade de processamento de 10 milhões de passageiros por ano, sublinhou Pun Wa Kin, citado pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. Em 2025, o aeroporto do território registou 7,52 milhões de passageiros, menos 1,6 por cento do que no ano anterior e longe do recorde máximo de 9,61 milhões, fixado em 2019, antes do início da pandemia de covid-19.

“Após a conclusão das obras de ampliação por aterro, a capacidade será aumentada para, pelo menos, 13 milhões de passageiros por ano”, acrescentou o regulador, numa resposta datada de 1 de Abril. Ainda assim, Pun Wa Kin prometeu “avaliar a evolução real do desenvolvimento” do tráfego no aeroporto e, “caso seja necessário”, “proceder à avaliação e planeamento” de uma eventual expansão usando o terminal marítimo.

Pára, arranca

No início de Março, o deputado Leong Pou U tinha apelado à retoma do projecto, para permitir “o transbordo directo” entre o aeroporto, o terminal de Pac On e a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a maior travessia marítima do mundo. O também engenheiro disse que iria dar aos turistas “uma experiência de viagem mais conveniente” e ajudar a tornar o aeroporto de Macau uma base para toda a margem oeste do Rio das Pérolas, que inclui a vizinha província de Guangdong.

Em Dezembro de 2020, o então secretário para os Transportes e Obras Públicas de Macau, Raimundo do Rosário, afirmou que iria arrancar, já em 2021, a construção de um segundo terminal do aeroporto no Pac On. Um ano mais tarde, Rosário reiterou a intenção de avançar, em 2022, com “as obras de transformação de parte do Terminal Marítimo da Taipa num segundo terminal do aeroporto”.

Mas a construção nunca arrancou e em Dezembro de 2023 o dirigente admitiu que o plano tinha sido suspenso, porque a recuperação pós-pandemia do tráfego no aeroporto estava a ser mais lenta do que o previsto. O aeroporto foi inaugurado em 1995, ainda durante a administração portuguesa.

6 Mai 2026

IAS | Creche Smart pede ao Governo que controle acções de Hon Wai

A Zonta Club de Macau queixa-se de perseguição pelo presidente do IAS, pede ao Governo para o controlar e promete que, se o CCAC encontrar ilegalidades nas suas contas, desiste das acções em tribunal. A entidade está também disponível para ser investigada pela PJ, de forma a proteger a sua reputação

A associação Zonta Club de Macau (ZM) pediu ao Governo para controlar o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do mais recente relatório do IAS sobre a creche e ainda por ter indicado no portal onde divulgou as admissões nas creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais.

Em Março do ano passado, o IAS decidiu cortar o financiamento e recuperar as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Os fundamentos para a decisão nunca foram clarificados pelo Governo, que num primeiro momento se limitou a dizer que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

No entanto, a informação no portal das creches terá levado vários pais a questionarem a associação sobre o sucedido, com esta a emitir um novo comunicado. Além disso, o relatório de avaliação do IAS sobre a creche continua a apontar falhas.

Em resposta aos desenvolvimentos recentes, a associação começa por indicar que o relatório de avaliação do IAS não corresponde à situação factual do estabelecimento. A ZM aponta igualmente que apesar de se ter mostrado sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos exigidos pelo IAS, que o presidente Hon Wai tem “levantado várias suspeitas” e acusado a entidade de “alegadas irregularidades”. Esta situação terá gerado stress psicológico na associação e na creche, assim como “sérias preocupações sobre os danos reputacionais”.

Cartas na mesa

No comunicado, a associação revela que a postura do IAS foi inicialmente motivada por “atrasos” na actualização dos dados sobre os trabalhadores durante a pandemia, uma vez que a creche começou a funcionar em Macau em 2019, depois de ser convidada pelo Executivo da RAEM, em 2016. A informação terá sido carregada no sistema da IAS de forma incorrecta.

Sobre este aspecto a creche indica que, num primeiro momento, os trabalhadores do IAS consideraram que tinha havido um erro, mas que não havia qualquer elemento que indicasse a tentativa de manipular os números.

Contudo, mais tarde o IAS considerou que devia ter sido declarado um grupo de quatro trabalhadores em vez de três, enquanto a associação entende que só tinha de declarar três, porque um desses funcionários não ia ter o vencimento subsidiado pelo IAS. Hon Wai terá igualmente considerado que foram contratados trabalhadores que não desempenharam funções essenciais e não deviam ter sido subsidiados.

Todavia, a creche defende-se ao argumentar que entre 2019 e 2021 devolveu mais de 2 milhões de patacas aos IAS, por sua iniciativa, porque os subsídios ficaram acima das necessidades. Além disso, aponta que as contas têm sido auditadas, sem que tivessem sido encontradas irregularidades. “Estas acções exemplificam que a ZM segue de forma consistente os princípios da honestidade, coerência e cooperação”, foi vincado.

A Zonta pede ainda ao presidente do IAS que prove que as tarefas dos trabalhadores considerados excessivos não eram essenciais e que justifique como aquelas tarefas poderiam ser realizadas pelos outros trabalhadores. Face a este diferendo, a ZM conclui que o presidente Hon Wai “tem criado de forma repetida disputas, suspendido o financiamento da instituição e alegado o uso inapropriado das instalações”.

A ZM explica também que face a esta postura tentou sempre resolver o diferendo pelas vias institucionais, evitando recorrer aos tribunais e ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), para defender o “bem maior”. Porém, afirma que teve de apresentar queixa no CCAC, por não ter tido outra opção, devido aos danos para a sua reputação e às acções repetidas de Hon Wai.

Pedido controlo

Diante das alegações de Hon Wai, a ZM defende que tem seguido sempre as instruções do Governo e que jamais pretende impor a sua posição, mostrando total disponibilidade para obedecer ao que for decidido pelo Executivo.

A Zonta declara também que está pronta para desistir de todas as acções em tribunal, onde contesta a decisão do corte de financiamento e remoção das instalações, face aos resultados da investigação do CCAC. Esta postura é justificada pela associação com a vontade de poupar dinheiro à RAEM. Ao mesmo tempo, a ZM mostra-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), porque acredita que desta forma a sua reputação vai ser mantida.

Finalmente, a Zonta pede ao Governo para “exercer uma supervisão rigorosa e eficiente sobre os nomeados para os cargos públicos, de acordo com a lei e cumprimento das suas funções, para prevenir abusos de autoridade, responder às preocupações públicas, restaurar a confiança e defender a dignidade do primado do direito e da justiça social”. O HM contactou o IAS sobre a postura do presidente Hon Wai, mas até ao fecho da edição não recebeu resposta.

6 Mai 2026