Hoje Macau China / ÁsiaTailândia | Líder de rede de tráfico de migrantes condenado a 35 anos de prisão [dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m tailandês acusado de liderar uma ampla rede de tráfico de migrantes, sobretudo pessoas da minoria rohingya (minoria muçulmana existente na Birmânia), foi condenado a 35 anos de prisão, divulgaram ontem as autoridades tailandesas. O homem, identificado como Sunand Saengthong, foi condenado na quarta-feira por um tribunal de Pak Phanang, no sul da Tailândia. Com base em testemunhos e nos registos bancários, o tribunal concluiu que o acusado era “um coordenador do tráfico de [migrantes] rohingya”. Na altura da sua detenção, em Janeiro, várias pessoas da minoria rohingya foram descobertas em veículos sobrelotados, algumas não resistiram e morreram de asfixia, segundo recordou a Comissão asiática de Direitos Humanos, que acompanhou o julgamento. Ponto chave O sul da Tailândia, na fronteira com a Malásia, tem sido ao longo dos anos um importante ponto do tráfico ilegal de migrantes, em muito alimentado por pessoas da minoria rohingya que fogem da opressão de que são vítimas há décadas na Birmânia. Também é comum encontrar muitos cidadãos do Bangladesh que tentam fugir da pobreza. No entanto, desde 2015, a junta militar no poder em Banguecoque decidiu acabar com esta actividade muito lucrativa, na qual elementos das forças de segurança também estavam envolvidos. Na sequência desta decisão, várias embarcações provenientes da Birmânia e do Bangladesh que transportavam migrantes foram abandonadas por passadores nas costas tailandesas em Maio de 2015. Também foram descobertos campos de transição na selva no sul da Tailândia, com sepulturas de migrantes que não terão resistido à longa viagem. Mais de uma centena de traficantes, incluindo um general, foram detidos na Tailândia no âmbito do endurecimento das medidas do governo tailandês. O secretário-geral da ONU pediu esta semana ao governo da líder birmanesa Aung San Suu Kyi para conceder a cidadania aos vários milhares de rohingya que vivem naquele país. “Transmito as preocupações da comunidade internacional sobre as dezenas de milhares de pessoas que vivem em condições muito duras em acampamentos há mais de quatro anos”, declarou Ban Ki-moon, durante uma conferência de imprensa conjunta com Aung San Suu Kyi em Naypyidaw, capital administrativa da Birmânia. A minoria rohingya, composta por cerca de um milhão de pessoas, continua ainda a ser considerada como uma comunidade de imigrantes ilegais do vizinho Bangladesh, apesar de alguns viverem na Birmânia há várias gerações. Muitos deles vivem em acampamentos na região oeste do país, depois dos incidentes intercomunitários de grande violência ocorridos em 2012.
Hoje Macau China / ÁsiaAlumínio | Empresa norte-americana comprada por milionário chinês [dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m empresário da China decidiu pagar 2,33 mil milhões de dólares pela produtora de alumínio norte-americana Aleris Corporation. A Zhongwang USA, uma firma de investimentos controlada por Liu Zhongtian, anunciou em comunicado que vai pagar 1,11 mil milhões de dólares pela Aleris, que tem sede na cidade norte-americana de Cleveland, e pagar as dívidas da empresa, avaliadas em 1,22 mil milhões. Liu é o fundador e presidente da Zhongwang China, que está cotada na bolsa de Hong Kong, e é a segunda maior fabricante do mundo de produtos industriais de extrusão de alumínio. O seu património líquido está avaliado em 3,1 mil milhões de dólares, segundo a revista norte-americana Forbes.”Esta aquisição é uma expansão internacional que visa estabelecer uma base de negócios complementares”, afirma o comunicado. A Aleria tem 13 unidades de produção espalhadas pelos Estados Unidos da América, Europa e China, e é fornecedora de importantes construtoras, como a Airbus, Boeing e Bombardier. Desde o início do ano, as empresas chinesas já anunciaram mais de 3,9 mil milhões de dólares em aquisições fora do país, nos sectores indústria farmacêutica, biotecnologia e saúde, dez vezes o valor total gasto em 2012, segundo a Bloomberg. O governo chinês tem encorajado as empresas do país a investir além fronteiras como forma de assegurar matérias-primas e fontes confiáveis de retornos, face aos sinais de abrandamento na economia doméstica. No início do mês, o grupo de investimento chinês Fosun propôs comprar 16,7% do capital do Banco português BCP, por um preço que deverá rondar os 236 milhões de euros, e que poderá reforçar posteriormente a sua participação “para entre 20% a 30%”. Só em Portugal, aquele grupo detém já a Fidelidade, a Espírito Santo Saúde, reconvertida em Luz Saúde, e uma participação de 5,3% na REN (Redes Energéticas Nacionais).
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Bancos alertam para aumento do crédito mal parado Cada vez mais os chineses têm dificuldade em saldar as suas dívidas. Quem o diz são os gigantes bancários do país que alertam para o aumento do crédito mal parado [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap]s quatro maiores bancos estatais chineses anunciaram um aumento do crédito mal parado, no primeiro semestre do ano, numa altura em que a economia chinesa cresce ao menor ritmo do último quarto de século. Em comunicado enviado à bolsa de Hong Kong, o ICBC, o maior banco do mundo em capitalização em bolsa e por depósitos, revelou que a taxa de incumprimento entre os devedores em Junho, subiu para 1,55%, acima do valor registado no mesmo mês do ano passado, de 1,50%. A mesma nota detalha que, no primeiro semestre, os lucros do banco subiram 0,8%, em termos homólogos. Os três outros gigantes estatais anunciaram também um aumento no crédito mal parado, à medida que Pequim recorre a crédito barato visando impulsionar o crescimento económico. O Banco da China, o mais utilizado para troca de divisas estrangeiras, disse na terça-feira que a quantidade de crédito malparado subiu para 1,47%, no final de Junho, acima do valor de 1,43% registado em Dezembro 2015. Na semana passada, o China Construction Bank, o segundo maior credor do país, anunciou um aumento da taxa de incumprimento de 0,05%, para 1,63%, enquanto o Agricultural Bank of China fixou aquela cifra em 2,40%, ligeiramente acima do registado no ano passado. No final do ano passado, o endividamento da China atingiu os 168,48 biliões de yuan o equivalente a 249% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativas da Academia de Ciências Sociais da China. A mesma fonte diz ainda que o maior risco reside no sector corporativo não financeiro, no qual a proporção da dívida em relação ao PIB é estimada em 156%, incluindo as dívidas contraídas por mecanismos de financiamento dos governos locais. Em Junho passado, um funcionário da Comissão Reguladora do Sistema Bancário da China revelou que nos últimos três anos, os bancos do país amortizaram mais de 300.000 milhões de dólares em crédito mal parado, mais de três vezes o valor do resgate económico acordado em 2011 entre o Governo português e a “troika”. A economia chinesa cresceu 6,9%, em 2015, o ritmo mais lento dos últimos 25 anos.
Hoje Macau China / ÁsiaSócia da Uber fecha acordos com 50 empresas de táxis [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] aplicativo de transporte chinês Didi Chuxing, que este mês adquiriu as operações da Uber na China, assinou ontem acordos de cooperação com 50 companhias locais de táxis, prevendo ampliar as suas operações conjuntas. Os acordos prevêem que o Didi Chuxing disponibilize às empresas os pedidos dos utilizadores do seu aplicativo móvel e a informação recolhida pela sua unidade de ‘big data’ (processamento em massa de dados dos clientes), para melhorarem a sua eficiência. As 50 empresas que se aliaram ao Didi Chuxing, uma firma na qual a Apple investiu 1.000 milhões de dólares em Maio passado, operam numa dezena de cidades chinesas, entre as quais Pequim e Xangai. Com este modelo, a empresa chinesa inclui no seu aplicativo os serviços de 1,8 milhões de taxistas, em 380 cidades, e de condutores privados, em 400. A firma, que tem uma quota de quase 90% do mercado chinês, recebendo por dia cerca de 16 milhões de pedidos, garante que melhorou o sistema para solicitar um táxi, permitindo saber a distância entre os clientes e os condutores, estado do trânsito, e a oferta e procura.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Demolido um dos maiores altos-fornos do noroeste do país [dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m dos maiores altos-fornos do noroeste da China, utilizado na produção de ferro, foi ontem demolido, numa altura em que a segunda maior economia mundial tenta eliminar o excesso de capacidade de produção no sector secundário. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, 200 trabalhadores iniciaram a demolição do alto-forno número 2 do Baogang Group, uma estrutura com meio século de existência e 1.800 metros cúbicos de dimensão. A sua capacidade de produção anual está fixada em 1,33 milhões de toneladas de ferro No conjunto, a estrutura do forno, oleodutos e outras partes da construção pesam 10 mil toneladas, segundo técnicos responsáveis pela demolição, citados pela Xinhua. É o maior forno a ser demolido na China, desde que Pequim anunciou um plano designado “reforma do lado da oferta”, que visa reduzir o excesso de capacidade na indústria pesada, refere a agência. No ano passado, o maior grupo especializado em exploração de carvão, no noroeste da China, anunciou que vai eliminar 100.000 postos de trabalho até 2018, para “tentar minimizar os prejuízos”, num dos maiores despedimentos em massa registados no país nos últimos anos. De acordo com o Ministério de Recursos Humanos e Segurança Social da China, só nas indústrias do carvão e do aço, a China deverá extinguir 1,8 milhão de empregos. Depois de três décadas a crescer em média quase 10% ao ano, a China cresceu 6,9%, no ano passado, o ritmo mais lento do último quarto de século, enquanto o rápido processo de urbanização regista sinais de abrandamento. Pequim quer transformar o sector dos serviços e o consumo interno nos novos motores de crescimento económico.
Hoje Macau China / ÁsiaDireitos Humanos | HRW apela ao G20 para pressionar a China [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap]s líderes dos países membros do G20, que se reunirão na próxima semana na China, devem apelar ao Governo chinês para que acabe com a repressão “implacável” sobre activistas chineses, defendeu a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW). Numa carta dirigida aos líderes das maiores economias do mundo, a organização de defesa dos Direitos Humanos apela ainda para o protesto contra as restrições impostas por Pequim à participação de grupos da sociedade civil na Cimeira do G20. “O desprezo da China por activistas é evidente na repressão levada a cabo no seu território e nas restrições impostas durante a Cimeira do G20”, afirma em comunicado divulgado ontem Sophie Richardson, directora para a China da Human Rights Watch. “É importante que os líderes do G20 chamem a atenção, publicamente e em privado, para as práticas abusivas da China, ou então que partilhem da culpa pelo vergonhoso tratamento dado aos activistas durante a Cimeira”, acrescentou. Controlo apertado A organização aponta os esforços chineses para reprimir a sociedade civil, incluindo sobre manifestantes anti-corrupção ou activistas pelos direitos dos trabalhadores, recorrendo a ameaças e perseguição, ou a leis restritivas, como a nova directriz que limita a actuação das organizações não-governamentais. Durante a liderança do actual Presidente chinês, Xi Jinping, as autoridades reforçaram o controlo sob académicos, advogados e jornalistas. A carta foi enviada para a Argentina, Austrália, Canadá, União Europeia, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Japão, México, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos da América. “Se o G20 quer seriamente ouvir grupos da sociedade civil, os seus líderes devem então visitar as prisões chinesas, e não as salas de conferências de Hangzhou”, apontou Richardson. “Permitir que a China receba este evento e permanecer em silêncio sobre os abusos irá enviar ao Governo chinês – e às pessoas na China – uma mensagem completamente errada”, apontou. Ao contrário dos governos e da opinião pública dos países mais ricos, que tendem a enfatizar a importância da liberdade política individual, as autoridades chinesas defendem “o direito ao desenvolvimento” como “o mais importante dos direitos humanos”.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Trabalhadores de férias e fábricas fechadas para G20 [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]s autoridades estão a preparar-se para a chegada da cimeira do G20, que reúne 20 potências económicas na China. Ordenaram aos trabalhadores que gozassem férias de 1 a 7 de Setembro e pediram que o fizessem, de preferência, fora da cidade. Algumas fábricas vão fechar durante 12 dias bem como estabelecimentos na baixa do município de Hangzhou, de acordo com informação veiculada em conta oficial nas redes socais. Todos os esforços são no sentido de diminuir os níveis de poluição e permitir um céu azul. Esta não é a primeira vez que a China tenta aliviar os índices de poluição com o encerramento obrigatório de algumas fábricas em várias das principais cidades. A última vez que tal aconteceu foi no ano passado, por ocasião de uma grande parada militar para assinalar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Desde esse dia a atmosfera limpa foi baptizada, pelos chineses, como “azul parada” fazendo eco do “azul APEC” que puderam apreciar em 2014, antes da cimeira do grupo de Cooperação Económica Ásia-Pacífico em Pequim Por estes dias a ordem para encerramento abrange as unidades de produção de químicos, materiais de construção e manufactura de têxteis que se estendem de Xangai a outras quatro províncias, de acordo com páginas oficiais da internet. Para além de tentar despoluir o ambiente, as autoridades tentam também descongestionar o trânsito e permitir que a circulação seja mais fácil. A Cimeira realiza-se nos dias 4 e 5 de Setembro.
Hoje Macau China / ÁsiaAnterior chefe máximo do Tibete nomeado para Xinjiang [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]Partido Comunista da China (PCC) anunciou a nomeação de Chen Quanguo como novo responsável máximo da organização na região autónoma de Xinjiang depois deste ter ocupado, até à data, aquele cargo no Tibete. Estas são as duas regiões chinesas mais vulneráveis ao separatismo. O Tibete foi ocupado por tropas chinesas em 1951. A 14 de Março de 2008 várias manifestações degeneraram em violência em Lassa, capital da região autónoma, e em locais onde residem minorias tibetanas, causando 21 mortos, de acordo com Pequim, e mais de 200, segundo o governo tibetano no exílio. Chen Quanguo que é da etnia chinesa maioritária han, assumiu o cargo de secretário-geral do PCC, o mais importante nas regiões autónomas chinesas, no Tibete em 2011. Desde então, “a região permaneceu estável e alcançou um rápido crescimento económico”, referiu o jornal oficial China Daily. A sua chegada a Xinjiang, palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, ocorre num período em que Pequim intensifica a luta contra o “separatismo” nesta região habitada pela minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional. Peritos e grupos de defesa dos Direitos Humanos consideraram que a política repressiva de Pequim relativamente à cultura e religião dos uigures alimenta as tensões étnicas. O Governo chinês acusa o que considera ser grupos separatistas exilados, como o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, de estar por detrás dos ataques terroristas ocorridos no Xinjiang.”Prevenir actividades terroristas tem sido o maior desafio para os altos funcionários no Xinjiang, que tem sido a linha da frente da China no combate ao terrorismo”, apontou o China Daily. Chen substituiu Zhang Chunxian que foi nomeado secretário do PCC no Xinjiang, em 2010, meses após terem acontecido tumultos entre uigures e han de onde resultaram cerca de 200 mortos e 1.700 feridos. O PCC anunciou também a substituição dos secretários gerais das províncias de Hunan e Yunnan no sul do país, por dois aliados do Presidente chinês, Xi Jinping, que trabalhou junto com este na sua época como principal responsável do partido em Xangai, a “capital” económica da China.
Hoje Macau China / ÁsiaAlegado assassino em série capturado O alegado autor de 11 assassinatos na China e na Mongólia foi detido, na sexta-feira, na província de Gansu. O homem assumiu a autoria de crimes cometidos entre 1988 e 2002. As vítimas eram mulheres jovens, vestidas de vermelho. A sua identificação foi um golpe de sorte [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]polícia de Gansu, província do noroeste da China, capturou um alegado assassino em série, acusado de ter violado e assassinado 11 vítimas, entre as quais uma menina de oito anos, avançou a imprensa estatal. Gao Chengyong, de 52 anos, foi detido na sexta-feira, quando se encontrava num supermercado, na cidade de Baiyin, onde ocorreram nove dos 11 assassinatos. De acordo com o ministério de Segurança Pública da China, o suspeito confessou os crimes, cometidos entre 1988 e 2002, em Gansu e na região autónoma da Mongólia Interior. A polícia alega que todas as vítimas de Gao correspondiam a um perfil: raparigas novas, que vestiam roupa vermelha na altura em que ocorriam as mortes. O assassino seguia as vítimas até à casa onde elas moravam com o propósito de as violar, matar e mutilar. Segundo relatos na imprensa chinesa, as notícias sobre os assassinatos terão causado uma onda de pânico na região, levando a que muitas mulheres deixassem de sair de casa sozinhas. Em 2004 as autoridades ofereciam uma recompensa a quem desse informações sobre o autor dos crimes, mas sem efeito. Devido ao “modus operandi” de Gao, que envolvia mutilar as vítimas, a imprensa chinesa refere-se a este como “Jack, o Estripador” da China, numa referência ao assassino em série não identificado que agia em Londres, no final do século XIX. Em Lisboa, na década de 90 também um assassino foi denominado “estripador”. Na altura foram mortas três prostitutas em Lisboa. A identidade do autor permanece desconhecida. Segundo a polícia que traçou o perfil do autor, “O suspeito tem uma perversão sexual e odeia mulheres”, acrescentando que “vive só, não é sociável, mas é paciente”. A polícia acabou por identificar o autor dos crimes através da recolha do ADN, impressões digitais e pegadas. Acontece que quem foi detido e sujeito a exames periciais foi um familiar do presumível autor, um tio. Detido em Março por crimes menores foi sujeito a testes de ADN que acabaram por coincidir com as provas recolhidas nos locais dos crimes do “estripador”. Depois de feita uma triagem, as autoridades chegaram até Gao, que assumiu a autoria dos crimes. Depois da sua detenção a região respira de alívio.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim | No regresso às aulas, prédios degradados valem milhões [dropcap style=’circle’]E[/dropcap]maranhados de fios eléctricos, paredes descascadas, rabiscadas com anúncios, e tralha amontoada nas escadas: são estes os “atributos” de um dos mais caros bairros de Pequim, cujo preço por metro quadrado ronda os 11.000 euros. Construído nos anos 1980, o bairro número 42 da Dongzhongjie é uma herança do passado operário da capital chinesa, com as paredes de tijolo nu e as escadas em betão a dar-lhe um aspecto inacabado. O pátio resume-se a um espaço estreito, sem verde, quase todo ocupado por automóveis. Um detalhe, contudo, torna este lugar apetecível: a propriedade aqui confere, à criança do comprador, vaga numa das melhores escolas básicas de Pequim, a Shijia Shiyan. Os alunos daquele estabelecimento de ensino “têm maiores probabilidades de acesso directo à prestigiada Beijing Erzhong (Escola Secundária Número Dois de Pequim)”, explica Xing, um agente imobiliário local. A Beijing Erzhong aceita todos os anos cerca de 800 alunos; muitos são filhos de quadros do Governo. É assim que, naquele quarteirão degradado, um T1 de 58 metros quadrados custa 4,6 milhões de yuan, bem acima do metro quadrado mais caro de Lisboa – cerca de sete mil euros. “E vende-se muito bem!”, afirma Xing, que garante que, só no último mês, a sua agência negociou quatro apartamentos naquela área. “Comprar casa aqui é a única forma de obter uma vaga na Shijia Shiyan”, garante. O fenómeno, comum às grandes cidades da China, desvirtua os princípios do ensino público gratuito no país, um legado da revolução comunista e visto como “crucial à meritocracia chinesa”. “A política que garante ao aluno vaga na escola básica da sua área de residência foi pensada para que houvesse igualdade no sistema”, explica à Lusa Lu Xiaoli, investigadora na área da Educação. Mas, o que acontece é “apenas outra forma de injustiça”, realça. “Os filhos das famílias que não conseguem pagar por uma casa nas imediações das melhores escolas são excluídos”, acrescenta. Fruto da pressão gerada por mais de 30 anos da política de filho único, os casais chineses investem, em média, dois terços dos seus rendimentos na educação dos filhos, segundo estimativas chinesas. Zhang Jian, por exemplo, vendeu o apartamento de 110 metros quadrados onde vivia há 10 anos, no norte do município de Pequim, por 230 mil euros, e comprou um T1 de 56 metros quadrados por 340 mil euros, no centro da capital. “Não quero que a minha filha seja inculta como eu”, explica à Lusa. Numa das sociedades mais competitivas do mundo, garantir que a criança frequenta uma escola básica prestigiada é, porém, apenas o início de um dispendioso percurso. De acordo com um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a República Popular da China é o país com mais estudantes além-fronteiras – 459.800, o dobro de há dez anos. Mais de metade – 273.439 – frequentam universidades norte-americanas, apesar dos custos elevados. Consultada pela Lusa, uma conhecida agência chinesa que intermedeia a ida de estudantes para os EUA, estimou os gastos entre 35.000 e 65.000 dólares por ano lectivo. De um total de quase dez milhões de adolescentes que este ano se submeteu ao Gaokao – o exame de acesso ao ensino superior na China – apenas 3,25 milhões conseguiram entrar na universidade. E, entre aqueles, só alguns milhares obtiveram vaga numa universidade chinesa de topo, garantia de um bom futuro profissional ou académico. Perante estes números, Zhang Jian faz prontamente as contas: “Gastei um pouco de dinheiro, mas se a minha filha não frequentasse uma boa escola, as perdas seriam para toda a vida”.
Hoje Macau China / ÁsiaChefe das Estatísticas chinês expulso por abuso de poder O antigo “número um” do gabinete de estatísticas chinês foi expulso do Partido Comunista por gostar de luxo e usar a sua posição para obter favores sexuais. A notícia foi avançada na sexta-feira por uma comissão oficial [dropcap style=’circle’]W[/dropcap]ang Baoan dirigiu até Janeiro o gabinete nacional de estatísticas, organismo encarregue de calcular e anunciar os indicadores económicos do país. Durante esse mesmo mês, foi-lhe aberto um inquérito que chegou à conclusão que Wang agia “desprovido de qualquer fé política”. O comunicado em que se revela as conclusões da investigação, foi feito pela comissão central de inspecção disciplinar, o órgão anti-corrupção do Partido Comunista Chinês (PCC). Segundo este mesmo relatório, Wang Baoan “participava regularmente em actividades supersticiosas, violava gravemente as regras e a disciplina política e expressou opiniões contrárias às do comité central do PCC sobre questões maiores”, indicou. A exactidão das estatísticas económicas chinesas foi questionada regularmente, e alguns argumentaram que até podiam ter sido alvo de manipulação política. Wang é o último alvo da vasta campanha anti-corrupção levada a cabo por Pequim, desde a chegada ao poder do presidente Xi Jinping em 2013. Uma operação por vezes suspeita de servir as intensas lutas de poder internas no PCC. A comissão descreveu Wang Baoan como um homem “em falência moral”, apreciador de hotéis de luxo, amante de divertimentos dispendiosos e que usava a sua posição para obter favores sexuais. “Wang aceitou presentes e dinheiro e usou a sua influência para conseguir benefícios e vantagens comerciais para familiares e outras pessoas, sendo suspeito de corrupção”, de acordo com o mesmo comunicado. O dossier de Wang Baoan vai ser entregue à Justiça, mas por regra, os inquéritos internos do PCC terminam com a exclusão do partido, uma condenação e pena de prisão. Em Julho foi a vez do antigo braço direito do presidente chinês, Hu Jintao, ter sido apanhado e condenado a prisão perpétua. Ling Jihua um dos representantes mais destacados, foi acusado de abuso de poder e obtenção de segredos de estado ilegalmente. Na altura da condenação a agência Xinhua adiantou que, Ling tinha aceite subornos no valor de 11 milhões de dólares, pessoalmente ou com a conivência de familiares. O antigo alto funcionário aceitou a condenação. De referir que Ling Jihua foi durante anos um nome sonante nas listas para a nomeação a cargos públicos. A sua queda começou quando tentou encobrir a morte do filho, ao volante de um Ferrari, em excesso de velocidade. Afastado para cargos menores, acabou por ser alvo de uma investigação, que culminou com a sentença e a sua prisão. Desde que chegou ao poder em 2013, o Presidente chinês montou uma caça aos infractores, revelando mão pesada para todos os que ousam não respeitar as regras. Wang Baoan é o último caso tornado público.
Hoje Macau China / ÁsiaLi Keqiang vai a Cuba e Setembro [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, vai visitar Cuba no próximo mês e leva na mala a assinatura de vários acordos. O anúncio foi feito no fim-de-semana, no final da XXVIII Comissão Intergovernamental para as relações económicas entre os dois países, que decorreu em Havana. Entretanto, o Governo de Pequim continua a afirmar-se como segundo parceiro comercial do Governo de Havana. O ministro do Comércio Externo e Investimento Estrangeiro de Cuba, Rodrigo Malmierca, que afirmou que o seu país e a China têm uma “visão estratégica de futuro”, adiantou que ambas as partes preparam as condições para a próxima visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à ilha, segundo os ‘media’ oficiais. No entanto não foi avançado nenhuma data para o encontro. O ministro assinalou que o investimento chinês já começou a manifestar-se no mercado da ilha, e que trabalham, de forma conjunta, com uma projecção de “médio e longo prazo para impulsionar as relações económicas” com base nos planos que ambos os países elaboraram até 2030. No final da reunião, Malmierca e o vice-presidente de Negociações Comerciais Internacionais do Ministério do Comércio chinês, Zhang Xiangchen, que lideraram as conversações, assinaram as actas de três projectos já executados. Estes projectos de cooperação destinaram-se ao fornecimento de equipamentos de medição de água, ao saneamento de Havana e à implantação da televisão digital na ilha. Em Julho de 2014, durante a visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, à ilha, foram assinados 29 acordos de cooperação que ampliaram o alcance das relações económicas bilaterais. A China figura como o segundo parceiro comercial de Cuba.
Hoje Macau China / ÁsiaCoreia | Seul e Washington atentos a submarinos do Norte [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]Coreia do Sul e os EUA acordaram partilhar informação para um acompanhamento mais exaustivo do programa de submarinos da Coreia do Norte, depois do lançamento, com êxito, a semana passada, de um míssil balístico a partir de um submergível. Os dois aliados estudam já mecanismos para analisar e partilhar dados sobre o ambiente subaquático nas águas da península coreana, segundo explicou fonte do Ministério da Defesa sul-coreano à agência de notícias Yonhap. As águas em território sul-coreano estariam incluídas nesse âmbito, em que o objectivo passa por analisar com especial atenção tudo o que sucede nas proximidades de Sinpo, província norte-coreana de Hamyong do Sur (nordeste), onde o regime de Kim Jong-un tem a sua maior base de submarinos e desenvolve o seu programa de mísseis SLBM. “Os dados compreendem, por exemplo, as características topográficas, a temperatura da água, a profundidade ou as correntes. Uma análise detalhada de todas essas informações ajudará a detectar as actividades submarinas” da Coreia do Norte, disse a mesma fonte. O interesse de Seul e de Washington relativamente ao programa de submarinos da Coreia do Norte cresceu nos últimos meses com os diversos lançamentos de mísseis balísticos a partir de submarinos (SLBM) que Pyongyang levou a cabo desde Dezembro. Na semana passada um submarino norte-coreano realizou o lançamento de um míssil mais bem-sucedido até à data. O projéctil, lançado a partir das imediações de Sinpo, percorreu aproximadamente 500 quilómetros e caiu em águas que correspondem à zona de identificação aérea do Japão. Os avanços na tecnologia SLBM por parte da Coreia do Norte têm gerado alarme, já que o seu total desenvolvimento tornaria muito mais difícil detectar os seus lançamentos e aumentaria o alcance do arsenal de mísseis do Exército Popular norte-coreano, atendendo à natureza móvel dos submarinos.
Hoje Macau China / ÁsiaDetido japonês de 16 anos por suspeita homicídio de menor [dropcap style=’circle’]U[/dropcap]m japonês de 16 anos foi detido ontem pelo seu alegado envolvimento na morte de outro jovem da mesma idade, cujo corpo foi encontrado parcialmente enterrado no leito de um rio a norte de Tóquio, informou a polícia. A vítima, Tsubasa Inoue, foi encontrada sem roupa no rio Toki, na cidade de Higashimatsuyama, prefeitura de Saitama, na manhã de 23 de Agosto. O corpo de Tsubasa Inoue, residente da localidade vizinha de Yoshimi, não apresentava feridas externas e autópsia determinou que morreu afogado, segundo informações da polícia reproduzidas pela agência de notícias Kyodo. O caudal do rio ficou alterado na segunda-feira, na sequência das fortes chuvas deixadas pelo tufão Mindulle à sua passagem pelo arquipélago japonês, o que permitiu que um homem, de 72 anos, que vive perto do local, encontrasse o corpo. A polícia deteve um jovem como suspeito depois de o mesmo se ter apresentado numa esquadra e revelado que o crime teria sido cometido porque Inoue “mentia e ignorava chamadas e mensagens”, segundo indicou a polícia, em declarações reproduzidas pela televisão pública NHK. As autoridades japonesas contam com um vídeo, no qual supostamente se pode ver um grupo de rapazes a obrigar a vítima a nadar nua no rio, informou a Kyodo. O detido não foi identificado por ser menor – a idade de maioridade no Japão é 20 anos. Outro rapaz que alegadamente se encontrava na cena do crime e que era conhecido da vítima enviou uma mensagem afirmando que tinha “matado uma pessoa”, segundo indicaram fontes da investigação à agência noticiosa. A polícia interrogou vários menores, dos quais alguns admitiram o seu envolvimento no incidente, e continua a investigar a ligação entre os testemunhos e o crime. O Japão é um dos países com menor taxa de homicídios do mundo, de acordo com o mais recente relatório sobre segurança da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado em 2015, e a criminalidade juvenil também diminuiu significativamente.
Hoje Macau China / ÁsiaReveladas imagens de sonda chinesa que será enviada para Marte [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]China continua a investir no grandioso programa espacial e, recentemente, revelou imagens de uma sonda que tenciona enviar para Marte, até ao final da década, numa missão que enfrenta desafios “sem precedentes”, avançou esta quarta-feira a imprensa estatal. Numa corrida contra o tempo, para recuperar o atraso face aos Estados Unidos, Pequim está a investir num ambicioso programa espacial e quer enviar uma sonda, “por volta de 2020”, para fazer a trajectória em torno da órbita de Marte e aterrar no planeta. Zhang Rongqiao, o responsável pelo projecto afirmou na terça-feira que o lançamento da nave deverá realizar-se em Julho ou Agosto desse ano, reforçando que “os desafios que enfrentamos não têm precedentes”, de acordo com a agência Xinhua. O foguete propulsor Longa Marcha-5 será lançado desde o centro de lançamento de satélites de Wenchang, na ilha de Hainan, extremo sul do país, afirmou a Xinhua, que cita um consultor da missão. A sonda separar-se-á do foguete no final de uma viagem de cerca de sete meses, próximo da linha do Equador de Marte, onde esta irá explorar a superfície, acrescentou. Com 200 quilos, a sonda tem seis rodas e quatro painéis solares e vai funcionar ao longo de 92 dias. Tem como missão transportar equipamento como uma câmara e um radar para penetrar e estudar o solo o ambiente e a estrutura interna de Marte, visando procurar vestígios de água e gelo. A China tem investido milhares de milhões de dólares no desenvolvimento de um programa espacial, que Pequim vê como símbolo do progresso do país e um marco na sua ascensão global. A primeira sonda lunar chinesa foi enviada em 2013, e apesar de ter sofrido problemas mecânicos, ultrapassou em muito a durabilidade prevista, tendo sido encerrada no início deste mês. Grande parte do programa da China é, contudo, um replicar das actividades desenvolvidas pelos EUA e a antiga União Soviética, há várias décadas. Os EUA enviaram já duas sondas para Marte, e a Agência Espacial Europeia e a União Soviética também efectuaram missões semelhantes.
Hoje Macau China / ÁsiaXi Jinping reorganiza exército e prevê despedimento de milhares de efectivos [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Governo de Pequim está a reestruturar as forças armadas e vai reorganizar os seus 1,55 milhões de efectivos nas Forças Terrestres do Exército de Libertação Popular (ELP) com o objectivo de aliviar a estrutura militar e melhorar a capacidade de combate em guerras modernas. Com este plano vários milhares de efectivos serão afastados. Este era um assunto até agora, intocável, mas desde a subida ao poder de Xi, a reforma é mesmo para avançar. Segundo avançou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), o ELP, que conta com as maiores Forças Terrestres do mundo, irá transformar as suas 18 divisões actuais em “25 ou 30”. O plano deve incluir o despedimento de dezenas de milhares de efectivos, pelo que deverá encarar resistência dentro do ELP, refere o SCMP, que cita fontes próximas das Forças Armadas chinesas. Trata-se de mais um passo na reforma do Exército, anunciada no ano passado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e que inclui a redução de 300.000 efectivos, entre outras medidas. Mais eficaz Xi Jiping que chefia também a Comissão Militar Central (CMC), o braço político do ELP, quer que a reforma esteja completa em 2020. Desta forma, o Executivo chinês espera eliminar, aos poucos a estrutura soviética do ELP, tornando-a mais ligeira, rápida e funcional, enquanto moderniza as forças navais e combate a endémica corrupção dentro do Exército. Considerada intocável até há pouco tempo, desde que Xi ascendeu ao poder, em 2013, dois ex vice-presidentes da CMC foram já investigados por corrupção: Guo Boxiong, que foi sentenciado com prisão perpétua, em Julho passado, e Xu Caihou, que faleceu devido a um cancro, no ano passado, antes de ser julgado. A reforma ocorre numa altura em que a China se revela mais assertiva no Mar do Sul da China, onde mantém disputas territoriais com vários países vizinhos, e aumenta a influência militar em África e no Médio Oriente, após décadas em que adoptou uma política de “não interferência”.
Hoje Macau China / ÁsiaMísseis | Pequim contra programa nuclear da Coreia do Norte A Coreia do Norte continua a testar o programa de desenvolvimento de mísseis próximo dos países vizinhos. Desta vez foi o Japão que denunciou a entrada de um engenho na sua zona de identificação aérea. Há uns meses foi a vez da Coreia do sul reclamar. A China já repudiou publicamente estes actos e voltou a mostrar “solidariedade” com os dois países em causa. Em Março o governo de Pequim já havia acordado com um pacote de sanções aprovado por maioria na ONU [dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] China é contra o programa nuclear e de desenvolvimento de mísseis norte-coreano, afirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros, horas após Pyongyang ter testado o lançamento de um míssil balístico na direcção do Japão. “A China opõe-se ao processo de desenvolvimento de capacidade nuclear e de mísseis, pela Coreia do Norte, e é contra acções que geram tensão na península coreana”, afirmou Wang aos jornalistas, após um encontro com os seus congéneres da Coreia do Sul e Japão, em Tóquio. Referindo-se à resolução aprovada em Março pelas Nações Unidas, que condena as acções militares da Coreia do Norte, incluindo o lançamento de mísseis, Wang acrescentou que “a China é contra qualquer acção que viole a resolução 2270 do Conselho de Segurança da ONU”. A China é o aliado mais importante da Coreia do Norte e é responsável por 90% do comércio externo daquele país. Até há pouco tempo, as relações entre Pequim e Pyongyang eram descritas como “unha com carne”, mas a China tem assumido publicamente, um distanciamento face ao comportamento do líder daquele país. Acto “imperdoável” O míssil balístico lançado ontem pela Coreia do Norte, a partir de um submarino, entrou na zona de identificação aérea do Japão pela primeira vez, denunciou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. “Esta é a primeira vez que um míssil da Coreia do Norte foi lançado a partir de um submarino para a zona de identificação aérea do nosso país”, disse Abe aos jornalistas, de acordo com a televisão pública NHK. O mesmo responsável qualificou o acto de “imperdoável”, considerando que constitui uma “grave ameaça” para a segurança do Japão e indicou que, apesar de ambos os países não manterem relações diplomáticas, Tóquio apresentou o seu protesto formal a Pyongyang através da sua embaixada em Pequim. O míssil caiu em águas que correspondem à zona de identificação aérea (ADIZ), área em que o Estado titular da mesma exige identificação às aeronaves estrangeiras que a atravessem. Gigantes de acordo À margem da Cimeira de Segurança Nuclear, que teve lugar em Washington, em Abril, Barack Obama e Xi Jiping acordaram unir esforços face à ameaça nuclear da Coreia do Norte, que já na altura, havia testado um novo míssil próximo da Coreia do Sul. Concordam em discutir formas “de desencorajar as acções com os testes mísseis nucleares que fazem escalar tensões na área e que violam as obrigações internacionais”, disse Obama. Por sua vez Xi, citado pela agência estatal chinesa Xinhua declarou que espera que todos os envolvidos implementem de “forma completa e estrita” o novo pacote de sanções ao regime de Kim Jong-un, recentemente aprovadas pelo Conselho Geral da ONU com o aval da China. Depois da reunião ao mais alto nível ter acontecido, foi a vez do Ministro dos Negócios Estrangeiros ter afirmado à imprensa que foi “uma conversa cândida e aprofundada e alcançaram um importante consenso”. Depois deste “acordo” Pyongyang tem continuado a fazer demonstrações da sua capacidade bélica. Sanções pesadas O pacote de sanções imposto à Coreia do Norte foi discutido no Conselho de Segurança das Nações Unidas e aprovado por unanimidade, em Março deste ano. Daqui resultaram restrições ao comércio, importação e exportação de matérias-primas, obrigação de inspecção de cargas provenientes e com destino a Pyongyang e sanções económicas pesadas contra bancos coreanos. Sanções diplomáticas e um embargo total à venda de armas ligeiras fazem parte deste pacote classificado por Samantha Power, embaixadora norte americana na ONU, “Como as mais severas medidas impostas pela ONU em 20 anos”. Antony Blinken, secretário de Estado adjunto dos EUA disse que as medidas “deixam uma mensagem forte e clara ao regime Norte coreano”. Mensagem essa que parece não tirar o sono nem demover das suas intenções de Kim jong-un que continua a atacar os vizinhos Japão e Coreia do Sul.
Hoje Macau China / ÁsiaFabricante ferroviário chinês recebe mais 126% de pedidos do estrangeiro [dropcap style=’circle’]O[/dropcap]CRRC, o maior fabricante chinês de material ferroviário, recebeu mais do dobro de pedidos do exterior, no primeiro semestre de 2016, face ao mesmo período do ano passado, consolidando a posição da China no sector. No total, o grupo recebeu 14.880 milhões de yuan em encomendas, nos primeiros seis meses do ano, uma subida de 126%, em termos homólogos, anunciou ontem a empresa em um comunicado enviado à bolsa de Xangai. Entre os contratos fechados pela CRRC encontra-se a venda de 846 carruagens de metro para a cidade de Chicago, nos Estados Unidos da América, no que supõe um recorde nas exportações da China para os países desenvolvidos. O grupo acordou também fabricar 56 locomotivas movidas a diesel para o Quénia, 96 carruagens de metro para a Tailândia e outros 76 para a Índia, entre outros pedidos. A expansão da procura internacional contribuiu para aumentar os lucros da empresa em 2,04%, no primeiro semestre de 2016, face ao mesmo período do ano passado, assinalou o comunicado. O CRRC é o resultado da fusão, no ano passado, dos dois maiores fabricantes de material ferroviário da China, visando competir no mercado mundial de comboios de alta velocidade. País com a maior rede de alta velocidade ferroviária do mundo – 19.000 quilómetros – a China tem apostado num modelo de tecnologia avançada e baixos custos para aumentar as exportações no sector.
Hoje Macau China / ÁsiaDois mil polícias de elite mobilizados para as eleições de Hong Kong [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]polícia de Hong Kong vai organizar exercícios de segurança sem precedentes na próxima semana, antes das eleições legislativas, para as quais vão ser mobilizados dois mil polícias de elite para prevenir episódios de violência. De acordo com o jornal South China Morning Post, cerca de 2.000 agentes de cinco contingentes de resposta regionais, criados a partir nomeadamente das unidades de elite da polícia – Unidade Táctica e Unidade de Emergência – vão estar em ‘stand by’ para o caso de se verificar violência entre multidões no dia 4 de Setembro, quando mais de 3,7 milhões de eleitores vão às urnas. Uma fonte policial disse ao jornal que o nível de risco durante o período das eleições não é “muito elevado”, com base em avaliações preliminares, mas as forças de segurança não querem permitir margem para erros, tendo em conta, principalmente, as preocupações com protestos de grupos ‘localistas’ radicais. “As cinco equipas regionais vão ficar em ‘stand by’ durante este período e serão destacadas imediatamente em caso de algum problema. Conhecem bem os seus distritos e delinearam planos claros de distribuição de pessoal. [No entanto], uma forte presença policial pode pressionar os eleitores e impactar a forma como votam. Por isso temos de ser cuidadosos”, disse a mesma fonte, não identificada. Pelo menos quatro agentes vão estar presentes em cada uma das 595 mesas de voto. Juntamente com as cinco equipas de resposta regionais em ‘stand by’ e pessoal necessário para guardar a central de contagem dos votos na AsiaWorld-Expo, pelo menos 5.000 agentes vão ser responsáveis por garantir a ordem. Em 2014, Hong Kong foi palco do movimento pró-democracia ‘Occupy Central’, que se opunha a uma reforma eleitoral proposta por Pequim. Apesar de maioritariamente pacífico, verificaram-se momentos de tensão e violência entre os manifestantes e a polícia, que chegou mesmo a lançar gás lacrimogéneo e pimenta sobre a multidão.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | Grupos pró-independência aumentam nas escolas [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]ctivistas estudantis de Hong Kong criaram pelo menos 21 grupos em escolas para discutir a independência da cidade e alguns não excluem o uso de violência para atingirem os seus objectivos, avança ontem o jornal South China Morning Post. A discussão sobre a independência de Hong Kong nas escolas, e o papel dos professores nesse processo, tem estado no centro do debate público. Na segunda-feira, Fanny Law Fan Chiu-fun, membro do Conselho Executivo, entrou no debate afirmando que discussões sobre independência eram “demasiado complicadas” para campus escolares. Há uma semana, o Departamento da Educação alertou que os professores arriscavam desqualificação se encorajassem os estudantes a envolverem-se em debates pró-independência. O ministro da Educação Eddie Ng Hak-kim disse, mais tarde, que os estudantes apenas podiam participar em tais discussões sob supervisão dos professores e dentro dos limites da Lei Básica. Ng pôs de parte a possibilidade de serem criadas orientações para as escolas, remetendo para o “profissionalismo” dos professores e directores das escolas. Segundo o South China Morning Post, pelo menos 21 grupos ‘localistas’ foram criados através do Facebook, incluindo 16 que já tinham nascido em resposta a apelos do grupo ‘Studentlocalism’. Tony Chung Hon-lam, do ‘Studentlocalism’, disse que mais pessoas se inscreveram no seu grupo, passando de “nem uma [inscrição] por semana” para cinco ou seis numa semana, depois de o assunto entrar na discussão pública. O grupo, explicou, impôs um rigoroso sistema de filtragem que inclui o preenchimento de formulários com pormenores sobre as suas contas de Facebook e Instagram para verificação de ‘background’. Aqueles que insistem em apenas recorrer a acções racionais e não-violentas são rejeitados, disse. Chung não afasta o recurso a violência para atingir os seis objectivos. Um porta-voz de outro grupo estudantil ‘localista’ da Munsang College disse igualmente ao jornal que apoiava “quaisquer meios de acção para defender a nossa autonomia”. Pelo contrário Em sentido oposto, Degas Chan Pui-chung, do grupo da Ying Wa College disse que a organização se opõe ao uso de violência pois acredita que alunos do ensino secundário são muito novos para serem expostos a tais perigos. Fanny Law, antiga responsável pela pasta da Educação, apelou, através de um programa de rádio, para que os grupos pró-independência sejam banidos das escolas, e os seus representantes impedidos de liderarem associações de estudantes. Law, conselheira próxima do chefe do Executivo, disse que o contexto histórico da discussão de independência era “demasiado complicado” para as escolas, e que os estudantes do ensino secundário podem ser induzidos em erro se não tiverem um conhecimento profundo do contexto, como a Primeira Guerra do Ópio e o processo de elaboração da Lei Básica. “É compreensível que os jovens estejam frustrados com a actual situação em Hong Kong, mas a independência não pode resolver todos os problemas”, disse. Law pediu ainda que os professores evitem trazer o tema para as salas de aulas e sugeriu que se analisasse o ‘background’ familiar dos estudantes que fazem campanha pela independência, de modo a melhor compreender o que os motiva. Destaque “É compreensível que os jovens estejam frustrados com a actual situação em Hong Kong, mas a independência não pode resolver todos os problemas” Fanny Law, antiga responsável pela pasta da Educação
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Mais de um terço de corruptos repatriados [dropcap style=’circle’]U[/dropcap]m terço dos cem suspeitos de corrupção mais procurados pela China no estrangeiro foram já repatriados, anunciou esta semana o órgão máximo anti-corrupção do Partido Comunista Chinês (PCC). A China conseguiu assim reaver uma parte do dinheiro que havia sido desviado de forma ilícita e cujos autores já estão identificados, mas nem todos foram ainda detidos por estarem em paradeiro incerto. Em Abril do ano passado a secção chinesa da Interpol publicou uma lista com os nomes de cem altos quadros suspeitos que terão fugido para o estrangeiro, com o objectivo de tentar garantir a sua detenção e extradição. Entre estes, 60 eram suspeitos de corrupção e os restantes acusados de negligência no cumprimento das suas funções e abuso de poder, de acordo com o jornal oficial China Daily. A lista que pode ser consultada na página oficial da Comissão Central de Inspecção e Disciplina (www.ccdi.gov.cn), o órgão máximo anti-corrupção do governo chinês, contém os nomes, fotografias, números de passaporte e presumíveis países onde se refugiaram os altos quadros em fuga. A maioria dos acusados assumia cargos locais e provinciais e as autoridades referiram então que muitos optaram por se esconder nos Estados Unidos e Canadá, apesar de também serem identificados presumíveis fugitivos na Nova Zelândia, Reino Unido, França ou Tailândia, entre outros destinos. A campanha Skynet foi também criada para travar o uso ilegal de companhias registadas em paraísos fiscais e a transferência de activos para fora das fronteiras por parte de bancos ilegais. De acordo com o órgão máximo anti-corrupção do PCC, mais de 380 fugitivos chineses, incluindo 57 funcionários do Governo, foram repatriados a partir de 40 países e regiões, no primeiro semestre de 2016. No total, as autoridades chinesas recuperaram 1,24 mil milhões de yuan, que tinham sido desviados por funcionários corruptos. O mais mediático alvo da campanha Skynet é o empresário Ling Wancheng, irmão do ex-director do Comité Central do PCC e adjunto do antigo presidente Hu Jintao, Ling Jihua, que foi condenado este ano a prisão perpétua. O paradeiro de Ling Wancheng, 58 anos, está dado como desconhecido desde Outubro de 2014, quando se crê que vivia numa moradia nos subúrbios de Sacramento, no estado norte-americano da Califórnia.
Hoje Macau China / ÁsiaTaiwan | Exercícios militares em clima de tensão [dropcap style=’circle’]T[/dropcap]aiwan já deu início às suas manobras militares mais importantes do ano que vão, durante cinco dias, simular um ataque da China numa altura de tensão entre Taipé e Pequim, após a subida ao poder da independentista Tsai Ing-wen. Os exercícios com fogo real Han Kuang, prolongam-se até sexta-feira e espera-se que Tsai assista à operação na quinta-feira. Este ano as manobras vão também incluir exercícios contra possíveis ciber ataques, segundo informação da agência taiwanesa CNA. Os exercícios começam com a força aérea e nos dias seguintes vão juntar-se forças terrestres e navais, indica a mesma fonte. A imprensa local indica que até dez mil tropas na reserva foram mobilizadas para as Han Kuang, que Taiwan realiza anualmente para se preparar para uma eventual invasão chinesa, caso a ilha declare formalmente a sua independência. As manobras coincidem este ano com um momento de tensão entre os dois territórios, após a subida de Tsai à presidência de Taiwan. Tsai recusou-se a reconhecer o chamado “Consenso de 1992”, que para Pequim significa que “Taiwan é parte da China”. Desde a sua chegada ao poder, a China tem pressionado Tsai a aceitar este consenso, através da redução do envio de turistas e de importações. O “Consenso de 1992” é um conceito ambíguo, referente a negociações realizadas em Hong Kong em 1992 entre a China e o Governo de Taiwan, na altura do Partido Kuomintang, em que as duas partes acordaram que há apenas uma China, mas verbalmente cada parte podia defini-la à sua maneira. Este acordo permitiu as primeiras negociações entre a China e Taiwan desde 1949, celebradas em Singapura em 1993, e também levou a uma aproximação económica e social de 2008 a 2016 sob a presidência de Ma Ying-jeou, em Taiwan. Uma aproximação que pode agora estar em perigo devido à postura de Tsai.
Hoje Macau China / ÁsiaMais 20 turistas chineses colocados na “lista negra” por comportamento impróprio [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]s autoridades chinesas estão a aplicar regras mais rigorosas sobre o comportamento dos turistas do país, com 20 infractores acusados de perturbar a ordem pública a serem incluídos na “lista negra”, avançou a imprensa estatal. Os turistas que registem comportamentos impróprios, incluindo discutir, trepar estátuas ou roubar património paisagístico, serão incluídos na lista, ao longo de três anos, segundo os novos regulamentos aprovados pela administração do turismo chinês. Durante aquele período, os infractores ficam proibidos de voar para fora do país ou participar em excursões. Nos últimos anos, vários casos de comportamento impróprio foram noticiados na China. Em Janeiro passado, 25 passageiros foram detidos pela polícia para interrogatório depois de se terem envolvido em confrontos com membros da tripulação de um avião na sequência de um atraso devido ao mau tempo e de terem aberto as saídas de emergência. Em 2014, uma disputa motivada pela disposição dos assentos levou uma passageira a despejar sobre uma hospedeira uma taça de massa com água a ferver. Em 2013, um funcionário do Governo destruiu computadores num balcão de embarque e tentou partir uma janela com uma tabuleta, depois de ter perdido dois voos. Numa iniciativa semelhante, a administração do turismo chinês publicou o “Guia do turista bem comportado”, com recomendações como evitar meter os dedos no nariz em público ou limpar os dentes com os dedos. Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, a China é o maior emissor mundial de turistas. Pelas contas do Governo chinês, 120 milhões de chineses viajaram para fora da China Continental em 2015, um aumento de 19,5% face ao ano anterior.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim questiona veracidade das imagens de Omram, o menino Sírio [dropcap style=’circle’]A[/dropcap]televisão estatal chinesa questionou no domingo passado, a autenticidade do vídeo do rapaz sírio Omran, que se tornou viral em todo o mundo, alegando que se pode tratar de uma montagem feita pela “propaganda de guerra” ocidental. O registo mostra uma criança de quatro anos em choque, coberta de sangue e pó, após um ataque aéreo executado na semana passada na cidade de Aleppo. Pequim suporta o governo sírio, liderado por Bashar al-Assad, e goza de boas relações com a Rússia, ambos responsáveis pelos ataques aéreos contra os rebeldes, levados a cabo naquela cidade. A televisão estatal CCTV questionou o vídeo com Omran, exibindo as imagens de sofrimento, com o subtítulo “Vídeo suspeito de ser falso”. Sugeriram que o vídeo é parte de propaganda de guerra designada para justificar o envolvimento dos países ocidentais na Síria, com o argumento falso de altruísmo. “Os trabalhadores, em vez de avançaram prontamente para prestarem auxílio às vítimas, instalaram a câmara”, acrescenta. Omran e a família foram atingidos por escombros, na sequência dos bombardeamentos de quarta-feira passada no bairro de Qaterji, uma área no leste de Aleppo, controlada pelos rebeldes que combatem Assad. No vídeo, a criança surge numa ambulância, com os olhos fixados, antes de levantar os braços e tocar a testa coberta de sangue, olhando depois para mão, que limpa no assento cor de laranja. O irmão mais velho de Omran, Ali, morreu no sábado, após não ter resistido aos ferimentos provocados pelos bombardeamentos. A CCTV alega que o grupo de defesa civil sírio que filmou o vídeo, também conhecido como “Capacetes Brancos”, é de “discutível independência” e tem ligações ao exército do Reino Unido. Na semana passada, o oficial superior do exército chinês Guan Youfe reuniu com o ministro da Defesa da Síria, em Damasco, e afirmou que quer estreitar os laços militares com o governo sírio, segundo a imprensa estatal. O porta-voz do governo russo Igor Konashenkov classificou as imagens da criança como uma “exploração cínica” e “propaganda cliché contra a Rússia”. O conflito sírio causou já mais de 290.000 mortes e milhões de deslocados, desde o seu início, em 2011.