Filipinas | Sismo provoca subida do fundo do oceano até dois metros

O sismo de magnitude 7,8 que abalou na segunda-feira a ilha de Mindanau, no sul das Filipinas, fez com que o fundo do oceano subisse até dois metros em algumas zonas costeiras, anunciou ontem o Ministério do Ambiente.

A elevação do leito marinho representa riscos ambientais significativos, particularmente para os recifes de coral, que podem estar expostos. O sismo causou pelo menos 61 mortos e 40 desaparecidos, de acordo com os dados mais recentes da agência nacional de gestão de catástrofes.

Os residentes da ilha de Mindanao, no sul do país, relataram um “levantamento costeiro” dois dias após o forte sismo, explicou o ministério, acrescentando que a linha costeira sofreu uma erosão de até 200 metros em alguns pontos.

A causa pode ser a deslocação da Fossa de Cotabato, a cerca de 50 quilómetros (30 milhas) da costa de Mindanao, que “empurrou para cima partes das costas de Sarangani e Davao Ocidental (…) expondo o leito marinho anteriormente submerso”, afirmou o Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia em comunicado.

“O levantamento mapeado é de cerca de dois metros (6,5 pés)”, segundo a mesma fonte. Uma equipa enviada para a área “descobriu que longos trechos de costa, recifes de coral e pradarias marinhas foram expostos” à superfície, acrescentou o ministério.

Há relatos de moradores que contactaram as autoridades com receio que os vapores da decomposição da vida marinha sejam perigosos para a saúde. “Estes corais e pradarias marinhas expostos começaram a morrer juntamente com os seus organismos residentes, como peixes de recife, enguias, amêijoas e mariscos”, explicou o ministério.

As Filipinas estão localizadas no Círculo de Fogo do Pacífico, onde ocorrem aproximadamente 90 por cento dos sismos do mundo. Em Setembro de 2025, quase 70 pessoas perderam a vida e cerca de 150 ficaram feridas num sismo de magnitude 6,9 em Cebu (região central das Filipinas).

15 Jun 2026

Xanana Gusmão de visita a Portugal esta semana

O primeiro-ministro de Timor-Leste vai realizar uma visita a Portugal na próxima semana, após participar na cimeira entre a Rússia e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), anunciou Xanana Gusmão sexta-feira.

“Na próxima segunda-feira, viajo para a Rússia. Esta deslocação está relacionada com a ASEAN. Já participei anteriormente em encontros ASEAN-Japão e ASEAN-Austrália, quando Timor-Leste ainda não era membro. Agora que somos membros da ASEAN, tenho mesmo de estar presente”, afirmou o líder do executivo timorense.

Xanana Gusmão falava aos jornalistas após a reunião semanal com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, que decorreu no Palácio da Presidência, em Díli.

Depois da Rússia, o primeiro-ministro timorense anunciou que viaja para Portugal, sem precisar o dia, para participar numa conferência e num encontro com estudantes de Timor-Leste a estudar Direito em várias faculdades do país.

“Precisamos realmente de melhorar o sistema de justiça”, afirmou. “Não será imediato, mas a médio prazo teremos de melhorar esta área, porque um dos nossos maiores problemas é a língua portuguesa”, acrescentou.

Encontros agendados

O chefe do Governo informou também que pretende reunir-se com autoridades judiciais portuguesas para solicitar apoio a Timor-Leste. “Também me encontrarei com o Procurador-Geral e com o Presidente do Supremo Tribunal, em Lisboa”, explicou.

Segundo Xanana Gusmão, o objectivo é sensibilizar estas entidades para a necessidade de apoio ao país, e não para a assinatura de grandes acordos. “Queremos evitar situações em que os nossos juízes lêem documentos sem compreender plenamente o conteúdo e acabam apenas por os assinar.”

O líder nacional reconheceu que a questão da justiça é de extrema importância para Timor-Leste. Timor-Leste enviou em 2024 os primeiros 50 estudantes para frequentarem o curso de Direito em Portugal, na sequência da assinatura de protocolos de cooperação com cinco faculdades portuguesas.

Os protocolos de cooperação foram assinados com as faculdades de direito da Universidade Católica, Universidade do Minho, Universidade de Lisboa, Universidade do Porto e Universidade Nova de Lisboa. O projecto prevê um total de 250 e 300 juristas formados em Portugal e será financiado na sua totalidade por Timor-Leste, num investimento inicial de cerca de 14,9 milhões de euros até 2028.

15 Jun 2026

Mongólia | Amizade com China é prioridade de política externa

O Presidente mongol afirmou que a amizade com Pequim constitui uma prioridade da política externa do país e manifestou vontade de aprofundar a cooperação bilateral, durante uma reunião em Ulan Bator com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

Ukhnaagiin Khürelsükh afirmou, no sábado, que os dois países têm vindo “a aprofundar continuamente” a “cooperação mutuamente benéfica” e manifestou confiança de que o comércio bilateral alcance este ano os 20 mil milhões de dólares, de acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O líder da Mongólia reiterou ainda que Taiwan “é parte inalienável” do território chinês e sustentou que as questões relativas a Hong Kong, Tibete e Xinjiang são “assuntos internos” da China, lê-se na nota.

Khürelsükh manifestou apoio às iniciativas globais promovidas pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ainda de acordo com o comunicado.

No encontro, Wang Yi assegurou que a política da China em relação à Mongólia mantém “continuidade e estabilidade” e reiterou que Pequim vai continuar a atribuir às relações com o país vizinho uma posição de relevo.

O chefe da diplomacia chinesa manifestou disponibilidade de Pequim para aprofundar a cooperação em vários domínios – incluindo energia, recursos minerais, comércio e investimento – bem como para explorar novas áreas de crescimento ligadas aos minerais críticos, ao desenvolvimento verde e à economia digital.

A agência oficial mongol Montsame informou, por seu lado, que durante o encontro os dois líderes falaram sobre o aumento do comércio bilateral, a expansão das exportações mineiras, o desenvolvimento de infraestruturas, a ligação ferroviária, o petróleo, a energia verde, a inteligência artificial e o comércio electrónico.

Durante a visita à Mongólia, Wang Yi deverá ainda reunir-se com o primeiro-ministro mongol, Uchral Nyam-Osor, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Batmunkh Battsetseg.

15 Jun 2026

Presidente de Myanmar na China na próxima semana

O novo Presidente de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, vai realizar uma visita oficial à China na próxima semana, anunciou sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Min Aung Hlaing “efectuará uma visita de Estado à China entre 15 e 19 de Junho, a convite do Presidente Xi Jinping”, indicou a diplomacia chinesa. Antigo líder da junta militar, Min Aung Hlaing tomou posse como Presidente em Abril, mantendo-se à frente do país asiático num cargo de natureza civil.

Durante a visita, terá encontros separados com Xi Jinping, com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com Zhao Leji, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (parlamento chinês), afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Lin Jian.

“A China está disposta a trabalhar com Myanmar, por ocasião da visita do Presidente Min Aung Hlaing, para dar continuidade à tradicional amizade ‘Pauk Phaw’ e aprofundar a cooperação estratégica global”, declarou Lin.

A expressão “Pauk Phaw”, que em birmanês remete para uma relação familiar próxima, é frequentemente utilizada para descrever os laços entre os dois países vizinhos.

A China é um dos principais parceiros de Myanmar, que permanece diplomaticamente isolado desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então comandante das Forças Armadas, derrubou o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi.

Pequim mantém importantes investimentos no país vizinho e fornece apoio militar ao regime, partilhando com Myanmar uma fronteira de cerca de 2.100 quilómetros.

Uma espécie de eleições

Após cinco anos de governo militar, as autoridades birmanesas organizaram eleições legislativas entre Dezembro e Janeiro, apresentadas como um regresso à democracia.

As eleições não se realizaram em vastas áreas controladas por grupos rebeldes e resultaram numa vitória esmagadora dos partidos pró-militares, sem oposição significativa. Vários países e observadores internacionais classificaram o processo eleitoral como uma tentativa de manter o poder nas mãos dos mesmos dirigentes.

A China apoiou as eleições, num contexto de retoma das discussões sobre projectos de infraestruturas que tinham ficado bloqueados devido ao conflito interno.

Em Abril, durante uma visita a Myanmar, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, manifestou apoio aos esforços do país para “seguir uma via de desenvolvimento bem-sucedida” e prometeu ajuda chinesa para proteger a sua segurança e soberania.

15 Jun 2026

Hunan | Autoridades investigam causas da explosão que matou 37 pessoas

Altos responsáveis de serviços administrativos de Hunan estão na mira dos inspectores da comissão provincial por suspeitas de graves violações da lei

As autoridades anti-corrupção da província chinesa de Hunan abriram investigações a seis responsáveis da gestão de emergências, polícia e administração local na sequência da explosão de uma fábrica de fogo-de-artifício que causou 37 mortos no mês passado.

A comissão provincial de inspecção e disciplina anunciou na quinta-feira que três altos funcionários do sistema de gestão de emergências estão a ser investigados por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão habitualmente utilizada na China para designar suspeitas de corrupção ou abuso de poder.

Entre os visados estão Lei Min, director-adjunto do centro de comando de resgate de emergência para a segurança no trabalho do departamento provincial de gestão de emergências de Hunan, Zhong Caifa, antigo director-adjunto da agência municipal de gestão de emergências de Changsha, e Yang Hai, vice-secretário do Partido Comunista Chinês e director da agência municipal de gestão de emergências de Liuyang.

As investigações surgem menos de uma semana depois de as autoridades locais terem anunciado processos semelhantes contra Li Xiang, antigo vice-presidente da câmara de Liuyang, Gao Chengjian, ex-subchefe da brigada de patrulhamento policial da cidade, e Liu Yongqiang, funcionário da gestão de emergências da localidade de Guandu.

A sucessão de investigações está ligada à explosão ocorrida a 4 de Maio na fábrica Huasheng Fireworks Manufacturing and Display Company, em Liuyang, cidade sob jurisdição de Changsha e considerada a “capital mundial do fogo-de-artifício”. Além dos 37 mortos, o acidente provocou 51 feridos hospitalizados e uma pessoa continua desaparecida.

A explosão ocorreu uma semana depois de o Governo central ter introduzido novas normas de segurança para a indústria do fogo-de-artifício, destinadas a reduzir os riscos de explosões. No dia seguinte ao acidente, as autoridades ordenaram a suspensão imediata da produção em todas as fábricas de fogo-de-artifício da província para a realização de inspeções de segurança.

A Procuradoria Popular Suprema anunciou posteriormente que iria supervisionar a investigação, enquanto o Conselho de Estado criou uma equipa especial liderada pelo Ministério da Gestão de Emergências, com a participação do Ministério da Segurança Pública, da Administração Estatal para a Regulação do Mercado e do Governo de Hunan.

Combate nacional

A equipa realizou a primeira reunião a 8 de Maio, mas o relatório final ainda não foi divulgado. O reforço das investigações em Hunan coincide com uma campanha nacional contra falhas regulatórias e incumprimento das normas de segurança no trabalho.

Na quarta-feira, o Ministério da Gestão de Emergências lançou uma nova ronda de inspecções nacionais, que decorrerá até 10 de Julho, envolvendo 24 equipas destacadas para as 31 divisões administrativas provinciais do país.

A campanha visa detectar riscos graves para a segurança laboral, encobrimento de acidentes mortais e casos de corrupção, suborno ou negligência na fiscalização.

Também na semana passada, Zhang Heping, director-adjunto do departamento de gestão de emergências da província de Shanxi, foi colocado sob investigação na sequência de uma explosão numa mina de carvão que matou 82 pessoas no mês passado.

Segundo fontes do sector citadas pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, as fábricas de fogo-de-artifício de Liuyang enfrentavam pressão para cumprir encomendas antes da interrupção obrigatória da produção entre Junho e Agosto, devido aos riscos acrescidos associados às elevadas temperaturas do Verão.

A indústria é o principal motor económico de Liuyang. A cidade alberga 431 fabricantes de fogo-de-artifício, responsáveis por cerca de 60 por cento da produção nacional e por mais de 300 mil postos de trabalho. Em 2025, Liuyang exportou quase 13.800 contentores de fogo-de-artifício, mais de 70 por cento dos quais destinados aos mercados europeu e norte-americano.

15 Jun 2026

Espionagem | Confirmda detenção de cidadão norte-americano

A República Popular da China confirmou sexta-feira a detenção de um cidadão norte-americano, analista de um centro de investigação especializado em questões sobre Myanmar, por alegadas actividades de espionagem.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês, Lin Jian, disse que as autoridades de Pequim “acreditam” que Min Zin está envolvido em questões criminais, por alegadas actividades de espionagem que colocaram em risco a segurança nacional da República Popular da China.

Min Zin, cidadão norte-americano, é membro fundador do Instituto de Estratégia e Política sobre Myanmar (antiga Birmânia), um grupo de reflexão (‘think tank’) dedicado à análise política e estratégica deste país.

O representante da diplomacia chinesa não especificou a natureza das “medidas coercivas” que foram aplicadas ao cidadão norte-americano, uma expressão que, na terminologia jurídica chinesa, normalmente indica que a pessoa não é livre de se deslocar.

O MNE de Pequim disse ainda que o consulado geral dos Estados Unidos em Cantão, sul da República Popular da China, foi informado sobre o assunto, acrescentando que os “direitos legais estão totalmente garantidos”.

15 Jun 2026

Golfo de Omã | Três marinheiros indianos mortos em ataque dos EUA

O Governo da Índia confirmou ontem a morte de três marinheiros indianos que tinham sido dados como desaparecidos após um ataque norte-americano ao petroleiro MT Settebello, de bandeira de Palau, no Golfo de Omã.

“É com profunda tristeza que tomamos conhecimento do trágico incidente a bordo do MT Settebello”. “A morte dos três marinheiros indianos, inicialmente dados como desaparecidos, foi confirmada após os seus corpos terem sido localizados e identificados”, indicou o ministro dos Transportes Marítimos da Índia, Sarbananda Sonowal, na rede social X.

Os militares norte-americanos confirmaram que um dos seus caças abriu fogo na quarta-feira contra o Setebello, que, segundo os EUA, tentava exportar petróleo do Irão, apesar do bloqueio imposto por Washington. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou no X que o ataque teve como alvo a “casa das máquinas” do navio “depois de a tripulação se ter recusado a cumprir as ordens das forças norte-americanas”.

A Índia convocou o encarregado de negócios norte-americano em Nova Deli, na noite de quarta-feira, e manifestou um forte protesto em relação ao ataque, disse à Agência France Presse um alto funcionário do Governo indiano.

Vinte e quatro marinheiros indianos seguiam a bordo do petroleiro alvo do ataque. O Setebello é o oitavo navio atacado desde o início do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, segundo os militares norte-americanos.

Na segunda-feira, as equipas de resgate omanitas retiraram de helicóptero 24 marinheiros indianos de outro petroleiro registado em Palau, o Marivex, que foi alvo de disparos dos EUA enquanto navegava na costa de Omã.

12 Jun 2026

Filipinas | Sismo faz pelo menos 47 mortos

As autoridades das Filipinas elevaram ontem para 47 o número de mortos devido ao sismo de magnitude 7,8 que abalou na segunda-feira a ilha de Mindanau, no sul do país.

Um balanço divulgado pelas autoridades na quarta-feira dava conta de 46 mortos. Este novo balanço, divulgado pelo Conselho Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes, indica ainda um total de 688 feridos e 31 desaparecidos.

As operações de resgate prosseguem em várias províncias do sul do arquipélago, onde dezenas de estruturas ficaram danificadas ou destruídas pelo sismo e pelas mais de duas mil réplicas que se seguiram. As autoridades mantêm mobilizados efectivos da Defesa Civil, das forças armadas e voluntários para localizar possíveis sobreviventes sob os escombros.

O forte sismo, um dos mais intensos registados nas Filipinas nas últimas décadas, afectou cerca de 390 mil pessoas, de acordo com dados actualizados ontem pelo Departamento de Bem-Estar Social e Desenvolvimento do Governo.

O relatório eleva também para 18.614 o total de casas danificadas, das quais 3.330 ficaram completamente destruídas, e estima em 39.293 o número de pessoas deslocadas pela catástrofe, com danos e alcance ainda por ser quantificados.

O sismo também causou danos em edifícios públicos, estradas, pontes e redes de abastecimento de electricidade e água potável em várias zonas de Mindanau, a segunda maior ilha do arquipélago. De forma preliminar, o Governo estima que as perdas em infraestruturas ultrapassem nove milhões de dólares.

As Filipinas situam-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas com maior atividade sísmica e vulcânica do planeta, onde os terramotos são frequentes.

12 Jun 2026

Ormuz | Irão volta a fechar estreito

O Irão voltou ontem a encerrar completamente o estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o transporte de petróleo e gás, em resposta aos mais recentes ataques norte-americanos, anunciou a autoridade marítima iraniana.

“Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região, o estreito de Ormuz está fechado até nova ordem”, afirmou em comunicado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, que gere a passagem.

O Irão controla o estreito desde o início do conflito desencadeado por ataques norte-americanos e israelitas contra o regime de Teerão a 28 de Fevereiro, mas os militares têm permitido a passagem diária de cerca de 20 navios.

A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana disse ontem ter lançado mísseis balísticos contra uma base norte-americana na Jordânia, após anunciar ataques a bases dos EUA no Kuwait e Bahrein, em resposta aos últimos ataques de Washington.

A ofensiva de Teerão surge depois de o exército norte-americano ter lançado, na quarta-feira, novos ataques contra “múltiplos alvos” no Irão como “resposta às agressões” do país persa, de acordo com a justificação do Centcom.

“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar bombardeamentos adicionais de autodefesa hoje [quarta-feira] às 17:15 contra múltiplos alvos no Irão, sob a ordem do comandante-chefe”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu o organismo, com sede na Florida, numa mensagem na rede social X. O Centcom, que não esclareceu a duração dos ataques nem os alvos, afirmando apenas que os “bombardeamentos são uma resposta às agressões injustificadas e contínuas do Irão”.

Ferro e fogo

A agência iraniana Mehr informou que as defesas antiaéreas foram activadas em Teerão, enquanto a Fars relatou explosões em cidades do sul, como Sirik e a ilha de Qeshm, entre outras.

Tanto o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, como Trump anunciaram durante uma conferência de imprensa na quarta-feira que os bombardeamentos contra o Irão seriam retomados nas horas seguintes, depois de ataques anteriores na sequência do abate de um helicóptero norte-americano Apache na segunda-feira, e após Trump ter dito no início da semana que o acordo de paz estaria em fase e últimos acertos e deveria ser assinado em “um ou dois dias”.

Esta quarta-feira, o Presidente norte-americano voltou a acusar Teerão de estar a empatar as negociações para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

Sem sentido

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão admitiu ontem que o cessar-fogo que entrou em vigor entre Teerão e Washington a 08 de Abril deixou de ter sentido após os ataques aéreos dos Estados Unidos. Um comunicado divulgado pela diplomacia iraniana, salienta-se que os ataques “ilegais e criminosos” levados a cabo pelos Estados Unidos nas últimas horas foram uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas.

Na mesma linha, os diplomatas do Irão sublinharam que os ataques norte-americanos tornaram o cessar-fogo num acordo “praticamente sem efeito”.

12 Jun 2026

Pequim quer impulsionar ainda mais a integração entre ferrovias e turismo

A China promoverá ainda mais o desenvolvimento integrado dos sectores ferroviário e turístico e implementará mais medidas para expandir o consumo de serviços, de acordo com um documento governamental divulgado na quarta-feira, indica o diário do Povo.

A China fortalecerá o apoio fiscal e financeiro para impulsionar a renovação de estações ferroviárias voltadas para o turismo e a construção de instalações de serviços turísticos, afirmou um comunicado conjunto emitido por oito autoridades, incluindo o Ministério do Comércio, o Ministério da Cultura e Turismo e a China State Railway Group Co., Ltd.

Localidades qualificadas são incentivadas a direccionar o investimento de capital privado para o desenvolvimento e operação de produtos de turismo ferroviário em conformidade com as leis e regulamentos, indica o comunicado.

O documento solicitou que as instituições financeiras forneçam melhor financiamento para a modernização tecnológica e a renovação de equipamentos de comboios turísticos.

Serão realizados esforços para avançar no projecto e desenvolvimento de comboios turísticos transfronteiriços entre a China e o Laos, a China e o Cazaquistão, a China e o Vietname, bem como a China e a Rússia, observou o documento, destacando ainda a necessidade de lançar comboios adaptados para turistas estrangeiros, acrescenta a publicação.

Os governos locais e as operadoras ferroviárias receberão apoio para integrar recursos turísticos, incluindo pontos turísticos, hospedagem, alimentação e eventos desportivos, às rotas de transporte ferroviário, rodoviário e hidroviário.

O documento também propõe medidas para a construção de um sistema de big data sobre turismo ferroviário, com o objectivo de monitorar, prever e analisar os fluxos turísticos e apoiar o planeamento, o desenvolvimento, o marketing e a operação de produtos de turismo ferroviário.

12 Jun 2026

Xing’an | Explosão numa rua faz sete mortos e 17 feridos

Pelo menos sete pessoas morreram e 17 ficaram feridas na sequência de uma explosão ocorrida ontem numa rua da localidade de Xing’an, na região autónoma de Guangxi, no sul da China, informaram as autoridades locais.

Segundo um comunicado divulgado pelo Departamento de Segurança Pública do distrito de Xing’an, a explosão ocorreu pelas 01:40 locais, na rua Lingxiang.

As autoridades de Guilin e Xing’an mobilizaram agentes da polícia, bombeiros, equipas médicas e serviços de emergência para as operações de socorro e busca. Após quatro rondas de buscas no local, foi confirmada a morte de sete pessoas, enquanto os 17 feridos transportados para hospitais se encontram fora de perigo, indicou a mesma fonte.

Outras pessoas com ferimentos ligeiros receberam assistência médica no local e foram posteriormente realojadas. As operações de resgate prosseguiam ontem na zona afectada. As investigações preliminares afastaram a hipótese de a explosão ter sido provocada por uma fuga de gás em condutas ou por factores semelhantes. A polícia mantém aberta uma investigação para apurar as causas do incidente.

12 Jun 2026

Automóveis | BYD quer tornar-se a maior fabricante do mundo até 2030

O desenvolvimento tecnológico de carros eléctricos chineses processa-se a toda a velocidade. A BYD já ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos

A fabricante automóvel chinesa BYD pretende tornar-se o maior produtor mundial de veículos até 2030, em termos de produção e de vendas, afirmou o fundador e presidente da empresa, Wang Chuanfu, durante a assembleia anual de accionistas.

Citado ontem pelo portal económico chinês Yicai, Wang considerou que um “sistema tecnológico maduro” permitirá à BYD expandir simultaneamente os mercados doméstico e internacional. O responsável destacou que o mercado chinês continua pressionado por uma intensa guerra de preços e pela redução dos incentivos fiscais à compra de veículos eléctricos.

Após o lançamento de uma nova geração de baterias e de tecnologias de carregamento rápido, concebidas para responder aos principais desafios enfrentados pelos utilizadores de veículos eléctricos, Wang prometeu a introdução de “muitas mais” tecnologias “novas e exclusivas” nos próximos dois anos.

Com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, a BYD deixou de fabricar veículos com motores de combustão em 2022 e ultrapassou a norte-americana Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos.

Em 2025, as vendas globais da empresa aumentaram 8 por cento, para cerca de 4,6 milhões de veículos, o que a colocou na quinta posição mundial do sector, ainda longe da japonesa Toyota, que vendeu mais de 10 milhões de unidades pelo quinto ano consecutivo, segundo o Yicai.

Wang considerou que a actual conjuntura, marcada pela subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, é favorável à BYD.

Percalços ultrapassados

A empresa foi afectada no primeiro trimestre pela redução das isenções fiscais concedidas por Pequim à compra de veículos eléctricos, que passaram de 10 por cento para 5 por cento, com um limite máximo equivalente a 2.200 dólares.

Como consequência, as vendas da BYD caíram 30 por cento face ao mesmo período do ano anterior, para pouco mais de 700 mil unidades. No entanto, a recuperação registada nos dois meses seguintes fez com que o balanço dos primeiros cinco meses do ano fosse praticamente idêntico ao de 2025.

A desaceleração do mercado interno levou a BYD, à semelhança de outras fabricantes chinesas, a apostar na internacionalização para sustentar o crescimento. Em Maio, as vendas da empresa no exterior aumentaram 81 por cento, ultrapassando os 160 mil veículos, impulsionadas em parte pela produção local em países como Brasil, Tailândia e, futuramente, Hungria.

Paralelamente, a empresa está a estudar um investimento de cerca de dois mil milhões de euros para instalar uma rede de 3.000 postos de carregamento ultrarrápido de 1.500 quilowatts na Europa até ao final do próximo ano, depois de já ter iniciado a instalação de estações na Alemanha e no Reino Unido.

Segundo Wang, a BYD conseguiu construir uma imagem de marca “premium” nos mercados internacionais, prevendo que a empresa ultrapasse este ano a meta de 1,5 milhões de veículos vendidos no exterior.

12 Jun 2026

Banguecoque | China apoia condenação à morte de dois uigures por atentado

A China apoiou ontem a decisão da justiça tailandesa de condenar à morte dois homens identificados como uigures pelo atentado de Banguecoque de 2015, que provocou 20 mortos, incluindo sete cidadãos chineses.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que os autores do ataque cometeram crimes “extremamente graves” e classificou-os como “completamente desumanos”. “A China apoia a Tailândia na condução do julgamento de acordo com a lei e na punição severa dos responsáveis”, declarou Lin, em conferência de imprensa.

Um tribunal de Banguecoque condenou ontem à pena de morte Yusufu Mieraili e Bilal Mohammed, dois cidadãos chineses de etnia uigur, por envolvimento no atentado contra o santuário hindu de Erawan, um dos locais mais frequentados por turistas na capital tailandesa.

Segundo o tribunal, os dois homens foram considerados culpados de homicídio premeditado e de outros crimes relacionados com a colocação de um engenho explosivo no recinto religioso, em 17 de Agosto de 2015.

A explosão matou 20 pessoas, entre as quais vários turistas chineses, e feriu mais de uma centena. Durante a leitura da sentença, um dos juízes afirmou existirem “provas suficientes” para concluir que os arguidos cometeram homicídio e tentativa de homicídio com premeditação.

Os dois condenados negaram as acusações e anunciaram que vão recorrer da decisão, segundo o advogado de defesa. O processo prolongou-se durante quase uma década, devido à pandemia de covid-19 e a sucessivos atrasos processuais, incluindo dificuldades na obtenção de tradutores.

O atentado ocorreu semanas após a junta militar então no poder na Tailândia ter deportado à força 109 uigures para a China, o que levou vários observadores a interpretar o ataque como uma retaliação. A polícia tailandesa identificou inicialmente 17 suspeitos, mas apenas Mieraili e Mohammed chegaram a ser detidos e julgados.

12 Jun 2026

Irão | China pede “calma e moderação” após ataques dos EUA e retaliação

A China apelou ontem à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões. Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”.

As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein.

O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou ontem o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter interceptado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais.

A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.

11 Jun 2026

UE | China promete defender empresas visadas por novas sanções

A China prometeu ontem defender os interesses das suas empresas perante novas sanções da União Europeia contra entidades ligadas ao esforço de guerra russo, após Bruxelas confirmar que o próximo pacote incluirá companhias sediadas no país asiático.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian reiterou, em conferência de imprensa, que Pequim opõe-se “firmemente” a sanções unilaterais que não tenham base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lin afirmou que a China apresentou, em diversas ocasiões, protestos junto da parte europeia e instou Bruxelas a “corrigir as suas práticas erradas” e a revogar as sanções, que classificou como “ilegais”. O responsável acrescentou que Pequim continuará a acompanhar de perto a evolução da situação e adoptará as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas.

As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter apresentado, na terça-feira, o 21.º pacote de sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia, centrado nos sectores da energia, finanças e comércio.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, explicou que as novas medidas incluem restrições adicionais à chamada “frota fantasma” russa e visam manter a pressão sobre as fontes de receita de Moscovo.

A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, indicou que o pacote incluirá também controlos às exportações e medidas contra cerca de cinquenta empresas de países terceiros, incluindo entidades sediadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia, que Bruxelas acusa de contribuírem para o complexo militar-industrial russo.

11 Jun 2026

China | Exportações automóveis sobem 73 por cento em Maio

As exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentaram 73 por cento em Maio, em termos homólogos, para cerca de 809.000 unidades, impulsionadas pelo crescente interesse em veículos eléctricos num contexto de subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão.

A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) indicou ontem que as exportações de veículos totalmente eléctricos e híbridos mais do que duplicaram face ao mesmo mês do ano passado, atingindo cerca de 435.000 unidades, mais de metade do total. O resultado supera as cerca de 796.000 viaturas exportadas em Abril, segundo dados da mesma associação.

Fabricantes chineses como a BYD têm acelerado a expansão internacional, apostando em mercados da América Latina, Ásia e Europa, numa altura em que a procura doméstica enfrenta pressões devido, em parte, à redução dos incentivos governamentais para a substituição de automóveis convencionais por eléctricos.

As vendas domésticas de automóveis de passageiros caíram 23,4 por cento em Maio, em termos homólogos, para 1,44 milhões de unidades, registando o sétimo mês consecutivo de quedas. As vendas de veículos com motores de combustão interna, incluindo automóveis a gasolina e gasóleo, recuaram quase 42 por cento, enquanto a quota dos veículos eléctricos continuou a crescer.

Analistas do banco suíço UBS estimam que as exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentem cerca de 40 por cento em 2026, face ao ano anterior, enquanto as exportações de veículos eléctricos poderão crescer cerca de 80 por cento.

“O preço elevado do petróleo traduziu-se claramente num maior interesse pelos veículos eléctricos”, afirmou Paul Gong, responsável pela análise do sector automóvel chinês no UBS. Segundo o analista, as exportações automóveis chinesas superaram as expectativas nos primeiros meses do ano, enquanto as vendas domésticas ficaram abaixo do previsto.

Sempre a crescer

Claire Yuan, analista da S&P Global Ratings, prevê que as exportações chinesas mantenham um forte dinamismo em 2026, apontando para um crescimento anual entre 30 por cento e 50 por cento. De acordo com a Agência Internacional da Energia (AIE), cerca de um em cada quatro automóveis novos vendidos no mundo no ano passado foi eléctrico.

A organização prevê que as vendas globais destes veículos atinjam 23 milhões de unidades em 2026, representando quase 30 por cento do mercado mundial. A China é o maior produtor mundial de veículos eléctricos e fornece a maioria dos modelos vendidos a nível global.

A BYD, maior fabricante chinesa de veículos eléctricos, vendeu mais de 160.000 automóveis no exterior em Maio, um aumento de 80 por cento face ao mesmo período do ano passado. A empresa pretende vender 1,5 milhões de veículos fora da China este ano, acima dos 1,05 milhões registados em 2025.

A fabricante sediada no sul da China ultrapassou a Tesla no ano passado como a maior produtora mundial de veículos eléctricos em volume de vendas. A expansão internacional poderá também melhorar a rentabilidade das fabricantes chinesas, após uma intensa guerra de preços no mercado doméstico ter pressionado as margens do sector.

11 Jun 2026

PCC | Chefe de gabinete de Xi à frente da principal escola de quadros

A academia mais importante na formação de dirigentes políticos passa a contar com a liderança de Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, um homem da inteira confiança do Presidente chinês

O chefe de gabinete do Presidente chinês, Xi Jinping, foi nomeado director da Escola Central do Partido Comunista Chinês (PCC), instituição que desempenha um papel central na formação ideológica dos quadros do regime e na preparação dos futuros dirigentes. Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, assumiu na semana passada a liderança da academia sediada em Pequim, considerada a principal escola de formação de quadros do PCC.

A nomeação é vista como um sinal da importância atribuída por Xi ao trabalho ideológico e ao controlo político dos funcionários do partido, numa altura em que Pequim procura reforçar a auto-suficiência tecnológica, a segurança das cadeias de abastecimento e a disciplina interna.

Ao longo das últimas três décadas, a direcção da Escola Central do Partido foi tradicionalmente reservada ao sucessor designado do líder chinês ou ao principal responsável pela ideologia do regime.

O próprio Xi Jinping dirigiu a instituição entre 2007 e 2012, antes de ascender à liderança máxima da China, enquanto o seu antecessor, Hu Jintao, ocupou o cargo entre 1993 e 2002. Entre ambos esteve Zeng Qinghong, antigo vice-presidente chinês e responsável pelos assuntos partidários, que liderou a escola enquanto integrava o Comité Permanente do Politburo.

Após Xi, a instituição foi dirigida por Liu Yunshan, então principal responsável pela ideologia do PCC, e posteriormente por Chen Xi, antigo colega universitário de Xi Jinping e considerado um dos seus mais próximos aliados políticos.

Modelo exemplar

Fundada em 1935, na cidade de Yan’an, durante a guerra civil chinesa, a Escola Central do Partido teve um papel determinante na formação política dos quadros comunistas e na consolidação do movimento liderado por Mao Zedong.

Depois do fim da Revolução Cultural, em 1976, a instituição tornou-se um espaço importante para a reflexão interna sobre os erros cometidos durante a era maoista e manteve-se como o principal centro de formação de dirigentes antes da sua promoção a cargos superiores.

Sob a liderança de Xi Jinping, a escola ganhou ainda mais relevância. Num discurso em 2015, Xi defendeu um controlo apertado da orientação ideológica dos quadros comunistas.

O líder chinês argumentou que estas instituições são essenciais para preservar a fidelidade ao marxismo e impedir a influência de valores ocidentais, apontando países como Iraque, Síria e Líbia como exemplos de Estados mergulhados no caos após a adopção de modelos políticos estrangeiros.

Espaço de eleição

Xi tem utilizado regularmente a Escola Central do Partido para apresentar a altos funcionários as suas visões sobre governação, segurança nacional e desenvolvimento económico.

Nos últimos anos, a instituição passou também a oferecer formação em áreas consideradas prioritárias pelo Governo chinês, incluindo segurança das cadeias de abastecimento e gestão dos recursos de terras raras. A influência da escola estende-se igualmente ao recrutamento das elites políticas chinesas.

Dois dos actuais 22 membros do Politburo, Li Shulei, responsável pela propaganda do PCC, e Shi Taifeng, chefe do Departamento de Organização, construíram grande parte das suas carreiras académicas e políticas na instituição.

Ambos trabalharam na Escola Central do Partido durante décadas e foram colegas de Xi Jinping quando este dirigiu a academia antes de assumir a liderança da China.

11 Jun 2026

Filipinas | Sismo de segunda-feira fez pelo menos 41 mortos e 450 feridos

O sismo de segunda-feira nas Filipinas fez pelo menos 41 mortos, disseram ontem fontes provinciais de Mindanao contactadas pela Agência France-Presse (AFP), acrescentando que cerca de 450 pessoas ficaram feridas.

O sismo, de magnitude 7,8, ocorreu ao largo da ilha de Mindanao, de acordo com os departamentos de gestão de catástrofes das Filipinas. Segundo a AFP, várias pessoas feridas receberam cuidados ao ar livre, enquanto os esforços das equipas de resgate foram dificultados pelas várias réplicas registadas na mesma zona.

Muitas estradas de acesso ficaram bloqueadas e, conforme referiram várias fontes à agência noticiosa francesa, milhares de cidadãos permanecem desalojados.

Na região de Glan, onde pelo menos 13 pessoas morreram num deslizamento de terras, um funcionário hospitalar disse que mais de 60 doentes estavam deitados em camas transferidas para o exterior do edifício, por temerem que os tremores tivessem enfraquecido a estrutura.

O sismo levou à emissão de ordens de retirada das zonas costeiras do sul das Filipinas e da Indonésia, e foram emitidos alertas de tsunami, entretanto cancelados.

10 Jun 2026

Executivo de Hong Kong promete “prudência” na classificação de crimes

O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, comprometeu-se ontem a exercer com “prudência e seriedade” a sua nova competência para classificar crimes comuns como infracções relacionadas com a segurança nacional.

Lee defendeu em conferência de imprensa a nova legislação subsidiária da Lei de Segurança Nacional, com a qual o Governo da região administrativa especial chinesa procura definir, de forma mais ágil, quais as condutas que podem ser enquadradas na categoria de “crimes contra a segurança nacional”, um âmbito que, na antiga colónia britânica, acciona procedimentos judiciais mais severos do que os previstos para causas penais comuns.

“O objectivo da introdução da legislação subsidiária é esclarecer, tornar muito, muito mais claro, como é que os crimes […] que põem em risco a segurança nacional ao abrigo da legislação de Hong Kong serão classificados como tal”, afirmou Lee aos jornalistas.

“Não se pretende, nem se irá alargar a definição dos crimes, nem se irá introduzir novos crimes, novos poderes ou novas sanções. Também não se alarga o âmbito de aplicação da lei”, acrescentou.

Segundo o líder do Executivo de Hong Kong, “a relevância da mudança não reside na criação de novos crimes”, mas na capacidade de classificar determinados casos dentro deste quadro desde uma fase inicial do processo.

No quadro desta alteração legislativa, basta que o Chefe do Executivo emita um certificado oficial para que o caso fique sujeito às regras aplicáveis às investigações e julgamentos de segurança nacional, incluindo restrições mais severas ao acesso à liberdade sob caução e a intervenção de juízes designados para este tipo de processos.

Prós e contras

A proposta suscitou críticas entre sectores jurídicos e observadores locais, devido ao alargamento da margem discriccionária do Chefe do Executivo e à capacidade limitada de controlo sobre as suas decisões.

Em reação às objecções, Lee sustentou que o território enfrenta riscos complexos, incluindo supostos actos de espionagem ou sabotagem impulsionados por “actores estatais estrangeiros profissionais e sofisticados”, e defendeu que esse tipo de ameaças exige um tratamento especial devido à sensibilidade da informação envolvida.

“Grande parte da informação disponível é confidencial, muito sensível e não adequada para divulgação pública”, explicou, para justificar o sigilo oficial.

Além disso, Lee salientou que a norma não alarga as definições de subversão ou sedição nem introduz punições inéditas, mas pretende “reduzir o risco de controvérsias nos tribunais” através de uma classificação mais clara dos crimes.

O Governo de Hong Kong anunciou na segunda-feira que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim o agravamento da moldura penal até à pena perpétua.

10 Jun 2026

Guizhou | Chuvas intensas obrigam à retirada de cerca de 10 mil pessoas

Chuvas “excepcionalmente intensas” registadas durante o fim de semana na província chinesa de Guizhou, no centro do país, provocaram inundações e levaram à retirada de cerca de 10 mil pessoas, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua.

As áreas mais afectadas foram as cidades de Qianxi e Zunyi e a vila de Changshun, segundo a agência. As autoridades locais ativaram operações de emergência permanentes e retiraram até ao momento 1.377 residentes de 491 famílias, além de terem resgatado mais de 50 pessoas que ficaram cercadas pelas águas.

Em Changshun, mais de três mil habitantes de cerca de mil habitações situadas a jusante da barragem de Bancong foram transferidos para zonas seguras, após uma falha de energia ter afetado o funcionamento da infraestrutura e provocado o seu transbordo.

O Ministério dos Recursos Hídricos e a Administração Meteorológica da China emitiram no domingo à tarde um alerta vermelho, o nível mais elevado do sistema chinês, devido ao risco de enxurradas em áreas do sudeste de Guizhou entre domingo e ontem.

Até à noite de domingo, quase cinco mil residentes foram retirados preventivamente na prefeitura autónoma de Qiandongnan, enquanto prosseguia a retirada de outras cerca de 22 mil pessoas.

As chuvas afectam também outras regiões do sul da China. A província de Guangdong activou na noite de sábado um plano de resposta de emergência devido à previsão de precipitação intensa, tempestades localizadas e possíveis cheias acima dos níveis de alerta em rios de pequena e média dimensão.

Desde meados de Maio, a China enfrenta uma sucessão de episódios de chuva intensa no centro e sul do país, com inundações e deslizamentos de terras em várias províncias. Os serviços meteorológicos chineses atribuíram o adiantamento da época das chuvas a sistemas atmosféricos anómalos.

9 Jun 2026

Filipinas | Sobe para 12 número de mortos na sequência de sismo

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas na sequência de um sismo de magnitude 7,8, no sul das Filipinas, de acordo com um novo balanço das autoridades. Um balanço anterior da polícia dava conta de um morto e de quatro feridos, além do desabamento de vários edifícios no arquipélago.

O sismo teve o epicentro no mar, a cerca de 13 quilómetros a sudoeste de General Santos, uma cidade com mais de 700 mil habitantes, na ilha de Mindanau, um centro de processamento de atum e de outras actividades comerciais na região de Mindanau, no sul do arquipélago. O sismo provocou um tsunami com ondas de um metro de altura nas zonas costeiras próximas.

O Presidente Ferdinand Marcos Jr. exortou a população a dirigir-se para terrenos mais elevados nas zonas mais vulneráveis a um tsunami, e as autoridades indonésias, malaias e japoesas também emitiram alertas para as áreas costeiras próximas.

O líder filipino afirmou que as agências de resposta a catástrofes estavam em estado de alerta para intervir. “O Governo nacional está em acção e não vamos deixar Mindanau para trás”, disse Marcos. O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico afirmou que a ameaça de um tsunami passou cerca de cinco horas após o sismo, ocorrido às 07:37.

Pelo menos sete pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em General Santos, onde alguns edifícios pequenos ruíram parcialmente e várias estruturas, incluindo uma ponte importante, sofreram fissuras perigosas, disse o director regional do Gabinete de Defesa Civil, Rod Sosmeña, à agência Associated Press (AP).

Outras cinco pessoas morreram nas províncias meridionais de Cotabato do Sul e Davau Ocidental, e na ilha de Balut, afirmaram Sosmeña e outro responsável, Ednar Dayanghirang.

9 Jun 2026

Visita | Xi declara que amizade entre Pequim e Pyongyang “perdurará para sempre”

O Presidente chinês defendeu ontem a continuidade da aliança entre China e Coreia do Norte e apelou ao reforço da coordenação face “à hegemonia” e “política de força”, num artigo no jornal norte-coreano Rodong Sinmun.

O texto, divulgado também pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua, foi publicado por ocasião da viagem de Xi Jinping à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, e no ano em que se comemora o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre os dois países. Xi afirmou que a relação bilateral se encontra num “novo ponto de partida histórico” e sustentou que Pequim pretende “impulsionar o desenvolvimento” dos laços com Pyongyang.

Isto após anos em que as relações arrefeceram devido aos ensaios nucleares norte-coreanos e num momento em que Pequim procura preservar a influência face à crescente aproximação da Coreia do Norte à Rússia. O líder chinês salientou que a “amizade tradicional” entre os dois países “perdurará para sempre” e recordou que se reuniu seis vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, nos últimos anos.

Xi defendeu também que Pequim e Pyongyang preservem o sistema internacional centrado nas Nações Unidas e a ordem baseada no direito internacional, ao mesmo tempo que se opõem “à hegemonia” e à “política da força”.

O dirigente chinês condenou ainda qualquer tentativa de “reavivar o militarismo”, uma expressão que as autoridades chinesas têm usado de forma reiterada nos últimos meses em referência ao Japão. O artigo não menciona a desnuclearização da Coreia do Norte, um assunto que Pyongyang voltou a descartar no domingo, ao afirmar que o estatuto nuclear do país é irreversível.

A visita do líder chinês ocorre em pleno reatamento dos contactos entre Pequim e Pyongyang, após uma reunião que Xi e Kim mantiveram em Setembro de 2025 em Pequim, uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à Coreia do Norte em Abril e o reinício, em Março, das ligações ferroviárias e aéreas de passageiros entre ambos os países, após seis anos de suspensão.

9 Jun 2026

HK | Casos criminais podem ser ligados à segurança da China

O Chefe do Executivo da antiga colónia britânica passa a poder classificar casos que envolvam crimes como atentados à segurança nacional e, logo, sujeitos à pena de prisão perpetua

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim a condenação à pena perpétua.

As autoridades divulgaram propostas para alterar a lei de segurança nacional, quase seis anos depois de o Governo Central chinês ter imposto esta legislação à região semiautónoma. As mudanças incluem a criação de um mecanismo que permite ao Chefe do Executivo de Hong Kong, através de um certificado, classificar casos como envolvendo “crimes que põem em perigo a segurança nacional”.

Quaisquer outros crimes de que um arguido seja acusado no mesmo processo seriam também automaticamente classificados como envolvendo a segurança nacional. Como tal, os julgamentos estariam a cargo de juízes nomeados especificamente pelo Governo de Hong Kong, poderiam decorrer à porta fechada e os suspeitos sujeitos a fianças mais elevadas.

As alterações vão ser enviadas para o Conselho Legislativo, através do chamado “processo de aprovação prévia”, que dá ao parlamento apenas 28 dias para discutir, alterar ou rejeitar as propostas.

As comissões parlamentares da Segurança e dos Assuntos Legais e Judiciários já realizaram uma reunião conjunta para começar a analisar as propostas. De acordo com a imprensa local, as autoridades afirmaram que pretendem concluir o processo e implementar as mudanças “o mais rapidamente possível”, sem especificar um calendário.

Outros ajustes

Em Março, o Governo de Hong Kong introduziu uma outra revisão da legislação, para punir quem se recusar a desbloquear dispositivos electrónicos em casos ligados à segurança nacional. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos.

Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial.

Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados.

As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019.

9 Jun 2026

Xangai | China ainda carece de cultura futebolística, diz Leonel Pontes

O director técnico do clube chinês Shanghai Shenhua, Leonel Pontes, considera que a China tem condições para desenvolver um futebol competitivo a nível internacional, mas aponta a falta de cultura futebolística como um dos principais obstáculos.

“A China tem um potencial gigante”, afirmou à agência Lusa o responsável português, que desde 2023 coordena a estrutura técnica de um dos clubes mais históricos do país.

Pontes salientou que a China investiu fortemente em infraestruturas e dispõe de jovens atletas com qualidade: “Os jovens chineses têm muito talento, muita qualidade técnica, muita capacidade e são muito disciplinados”, afirmou.

Contudo, sublinhou que o desenvolvimento de jogadores exige tempo e experiência competitiva. “O talento tem de ser trabalhado ao longo dos anos. Isso requer tempo, requer cometer erros e voltar a corrigi-los”, explicou.

Segundo Pontes, a pandemia marcou uma interrupção no crescimento do futebol no país asiático, após um período em que os clubes investiram fortemente na contratação de treinadores e jogadores estrangeiros.

“A China deu um salto qualitativo antes da pandemia, porque investiu nos clubes para tornar a liga mais competitiva”, disse. O futebol na China está a reerguer-se após três anos da política de ‘zero casos’ de covid-19, que ditou o encerramento das fronteiras e paralisou a atividade económica.

Durante aquele período, a competição foi disputada em estádios vazios e vários jogos foram adiados durante semanas ou meses. Devido aos bloqueios rigorosos, os jogadores permaneceram presos em hotéis e várias estrelas estrangeiras não conseguiram voltar do exterior e acabaram por ser dispensadas.

Dezenas de clubes entraram em falência, expondo a insustentabilidade dos gastos que nos anos anteriores à pandemia abalaram o mercado de transferências: entre 2016 e 2019, estrelas como Alex Teixeira, Hulk, Carlos Tévez ou Ricardo Goulart rumaram à China, em contratações avaliadas em dezenas de milhões de euros e beneficiando de salários sem precedentes.

A exuberância dos gastos resultou também num maior escrutínio por parte das autoridades, que impuseram um tecto salarial de dois milhões de euros e passaram a taxar a 100 por cento as contratações de futebolistas estrangeiros acima de 5,5 milhões de euros.

Apesar disso, Leonel Pontes considera que o país ainda não possui uma tradição futebolística comparável à das principais potências. “O futebol na China não tem muitos anos. Os clubes ainda não têm cultura do que é o futebol de alto nível”, afirmou.

Limites ao crescimento

Pontes identificou também factores sociais que dificultam o recrutamento de jovens praticantes. “Os pais não querem que os seus filhos joguem futebol. Preferem que estudem”, observou.

Para o treinador português, essa realidade reduz a base de recrutamento e limita o crescimento competitivo. Como exemplo, apontou Xangai, uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, mas que conta actualmente com apenas quatro clubes nas três principais divisões profissionais.

“Para uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, provavelmente poderíamos ter muito mais clubes nas ligas profissionais”, afirmou. Apesar das dificuldades, Pontes acredita que o país reúne condições para evoluir.

“A China tem capacidade de crescimento porque tem condições, tem atletas e tem meios. Acredito que os responsáveis estão interessados em desenvolver o futebol e aumentar a sua representatividade internacional”, concluiu.

8 Jun 2026