Agência Europeia e Academia Chinesa das Ciências lançam satélite SMILE

Com o satélite SMILE da Agência Espacial Europeia (ESA), cujo lançamento está previsto para terça-feira, será possível observar pela primeira vez o confronto entre os ventos solares e o escudo magnético da Terra.

SMILE – sigla de Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer – é uma missão preparada e desenvolvida em colaboração com a Academia Chinesa das Ciências (ACS).

Na terça-feira, às 05:52 de Paris, o satélite partirá do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do Vega-C, o lançador ligeiro da ESA. Inicialmente previsto para 09 de Abril, o lançamento foi adiado por razões técnicas. “O que queremos estudar com o SMILE é a relação entre a Terra e o Sol”, explica Philippe Escoubet, cientista do projeccto na ESA.

Os ventos solares têm origem nas ejecções de massa coronal (CME, na sigla em inglês) que ocorrem à superfície do Sol. Estas ejecções de plasma provocam fluxos de partículas que se propagam até à Terra a velocidades que podem atingir os dois milhões de quilómetros por hora.

Ao entrarem em contacto com o campo magnético do planeta, que funciona como um escudo, estes fluxos são em grande parte desviados. Porém, quando os ventos são intensos, partículas carregadas penetram na atmosfera terrestre e interagem com as partículas atmosféricas, dando origem ao conhecido fenómeno das auroras boreais.

Ao detectar a radiação X emitida quando as partículas carregadas do vento solar interagem com partículas neutras da alta atmosfera terrestre, os investigadores poderão estudar pela primeira vez, a partir do espaço, o escudo protector da Terra.

Graças ao SMILE, os investigadores poderão observar este fenómeno em dois locais privilegiados: a magnetopausa, isto é, a região onde o escudo do campo magnético desvia os ventos solares, e também os cornetos polares, acima dos polos, onde são visíveis os fotões de raios X, explica Dimitra Koutroumpa, investigadora do LATMOS, o laboratório Atmosphères Observations Spatiales do CNRS.

Quando estes ventos são particularmente fortes, podem provocar tempestades solares e representar um perigo para os satélites e outros equipamentos em órbita, como a Estação Espacial Internacional (ISS). Também afetam os sistemas de telecomunicações.

Desafios vitais

Melhorar os modelos que regem esta meteorologia espacial constitui, por isso, um desafio crucial em matéria de segurança para estas infraestruturas, bem como um objectivo científico de grande relevância. Na terça-feira, o satélite será inicialmente colocado a 700 quilómetros de altitude antes de prosseguir, pelos seus próprios meios, a viagem até alcançar uma órbita elíptica em torno da Terra.

Desta forma, sobrevoará o polo Sul a apenas 5.000 quilómetros de altitude – para poder transmitir os dados recolhidos para a base O’Higgins, na Antártida – mas atingirá os 121.000 quilómetros acima do polo Norte, obtendo assim uma visão global.

Esta órbita elíptica permitirá aos investigadores observar “regiões importantes do espaço próximo da Terra durante mais de 40 horas consecutivas”, refere a ESA.

O satélite transporta quatro instrumentos: um dispositivo de imagiologia de raios X (fabricado em Leicester, no Reino Unido), bem como um dispositivo de imagiologia UV, um analisador de iões e um magnetómetro, desenvolvidos pela Academia Chinesa das Ciências.

Todos os dados serão partilhados e disponibilizados tanto aos investigadores da ESA como aos da Academia Chinesa das Ciências. O SMILE terá capacidade para recolher os primeiros dados apenas uma hora após entrar em órbita. Está previsto que opere durante três anos e meio, período renovável uma vez.

18 Mai 2026

Ensino católico | Académico destaca adaptação a “situação sociopolítica”

Um académico de Hong Kong afirma que, com a transição política nas regiões administrativas especiais, “o desafio da educação católica” passa pela adaptação à “nova situação sociopolítica” e perceber como servir melhor o país

A transição de Hong Kong e Macau para a China, em 1997 e 1999, respectivamente, “significa que as duas regiões administrativas especiais têm de se adaptar à nova configuração política”, disse à Lusa Thomas Kwan Choi-Tse, professor e director interino do departamento de Política e Administração Educacional da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Kwan falou à margem de uma conferência académica para dirigentes na Educação Católica, realizada na Universidade de São José, e que juntou até sábado especialistas de várias geografias da região.

“Vejo que um dos desafios [da educação católica] reside em como servir melhor não só Hong Kong e Macau, mas também a Grande China”, continuou o investigador, fazendo uso de um termo utilizado pela China e que engloba também Taiwan. “Apercebo-me de uma maior troca de informações entre, digamos, Hong Kong e a China, para que haja um melhor entendimento mútuo”, reforçou.

Neste sentido, a Diocese de Hong Kong tem feito “algumas alterações”, nomeadamente nos programas escolares, com a ambição de “acrescentar um tempero chinês ao currículo actual”, referiu Kwan, autor da investigação “Programa de educação religiosa da Igreja Católica em Hong Kong: Desafios e respostas desde 1997”, publicado em 2015.

Embora retenha fortes elementos religiosos no currículo, a Igreja Católica em Hong Kong “ampliou e reorientou” o programa, reformulando conteúdos e métodos pedagógicos, refere-se neste estudo, sublinhando que “o novo programa se caracteriza por ajustes e diferenciação, pela valorização da fé cristã e pela assimilação selectiva da cultura chinesa”.

À Lusa, Kwan frisa esta abordagem à cultura chinesa e menciona o padre italiano Matteo Ricci (1552-1610), uma das figuras fundadoras das missões jesuítas na China, que chegou a Macau em 1582: “ele desempenha um papel entre o Oriente e o Ocidente, então pode encontrar-se alguma história sobre a contribuição da teoria católica para a cultura chinesa”.

Interferências externas

Ainda sobre Hong Kong, o responsável sublinhou o “papel estratégico” da ex-colónia britânica na comunicação entre os dois lados da fronteira. “Até agora não existe uma relação diplomática formal entre o Vaticano e a China. E o estatuto especial de Hong Kong desempenha um papel subtil na facilitação da comunicação”, concretizou.

Estima-se que existam cerca de 12 milhões de católicos no país. Em Hong Kong, de acordo com a diocese, vivem perto de 400 mil, enquanto a Diocese de Macau aponta para uma comunidade de 30 mil fiéis na cidade. Em Macau, a Lei Básica estabelece que o Governo “não interfere nos assuntos internos das organizações religiosas”.

18 Mai 2026

Rendas | Habitação ligeiramente mais barata

No primeiro trimestre de 2026, a renda média por metro quadrado de área útil da habitação cifrou-se em 140 patacas, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em relação ao último trimestre do ano passado, este valor representa uma redução de 0,4 por cento. Os dados foram revelados na sexta-feira.

Em relação às fracções autónomas utilizadas, como lojas, a renda média foi de 467 patacas, uma redução trimestral de 1,2 por cento, enquanto nos escritórios foi de 274 patacas, uma diminuição mensal de 1,5 por cento, e nas fracções industriais 177 patacas, uma quebra de 2,2 por cento.

Pagamentos Móveis | Valor das transacções sobe 6,7%

No primeiro trimestre deste ano, o montante dos pagamentos electrónicos atingiu 8,5 mil milhões de patacas, um aumento anual de 6,7 por cento, de acordo com os dados divulgados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

O número de transacções realizadas aumentou 7,1 por cento, chegando às 96,8 milhões. O valor médio por transacção foi de 87,5 patacas. Até ao final de Março, 112.694 unidades aceitavam pagamentos móveis e QR Code.

18 Mai 2026

K-Pop | Macau e Hong Kong aproveitam restrições no Interior

Com a proibição informal dos concertos de K-pop no Interior, as regiões especiais aproveitam a oportunidade para promover o turismo. Em Macau, os resultados são mais limitados

Os chineses do Interior sempre se deslocaram a Macau e Hong Kong à procura do que não encontram ali, desde oportunidades de trabalho a menos restrições, mas recentemente surgiu algo inusitado: concertos de K-Pop.

Dez anos após a proibição informal de concertos de K-Pop na China continental, o género musical sul-coreano continua a mobilizar milhões de fãs chineses, garantem à Lusa fãs e académicos, com Macau e Hong Kong a serem as regiões onde os concertos são autorizados. A K-Pop é um género musical da Coreia do Sul, que combina pop, hip-hop, R&B e electrónica.

Surgido nos anos 90, o género musical tornou-se um fenómeno global focado em grupos de ídolos, como o grupo masculino BTS ou o feminino Blackpink, presentes regularmente nas listas de músicas mais ouvidas e nos maiores festivais de música internacionais.

No último mês, mais de 30.000 pessoas, a maioria do Interior da China, estiveram presentes no K-Spark. Cassie Yan, uma advogada de 32 anos da província de Fujian, que esteve presente em Macau para o festival, diz à Lusa que o seu fascínio pela K-Pop foi uma “parte marcante da vida escolar”. “Partilhar recortes de revistas nos intervalos, recomendar grupos uns aos outros, discutir os programas e visuais dos ídolos e até aprender coreografias tornou-se uma linguagem social comum”, descreve.

A fã conta ainda como nos últimos 10 anos esta paixão se “traduziu cada vez mais em viagens”, seja para o exterior, seja para Macau e Hong Kong, porque as RAEs são os únicos locais onde concertos de artistas de K-Pop são permitidos.

O investigador de sociologia na Universidade Kansai Gaidai em Osaka, Ingyu Oh, descreve à Lusa que, até 2016, a China funcionava como um os maiores mercados para a indústria, além de “viveiro de talentos, plataforma de marcas e infra-estrutura de digressões”, quando uma súbita proibição pós um fim a essa presença.

Olá misseis, adeus K-pop

Nesse ano, uma decisão por parte da Coreia do Sul de instalar um sistema norte-americano de defesa antimíssil foi visto por Pequim como uma ameaça à sua segurança, levando à imposição de uma proibição não-oficial sobre artistas, ‘shows’ e conteúdos de entretenimento sul-coreanos, mas também restringindo transmissões televisivas de concertos.

“A proibição desmantelou o ecossistema”, explica Ingyu. “O que resta é um sistema sustentado na internet e sem acesso físico ao mercado”, acrescenta. Para o especialista, desde 2016, o consumo de conteúdos culturais sul-coreanos passou a ser “regulado de forma opaca e caso-a-caso”, funcionando como um instrumento de diplomacia por parte do Governo chinês.

Algo semelhante aconteceu recentemente, com ‘performances’ de artistas japoneses, canceladas abruptamente desde Novembro do ano passado, depois da líder do Japão, Sanae Takaichi, ter afirmado no parlamento nipónico que o país poderia intervir no caso de uma invasão por parte da China a Taiwan.

Apesar da proibição, Ingyu realça que o fenómeno K-Pop se manteve vivo na China com “uma economia de fãs intensamente organizada e sustentada digitalmente”.

O especialista aponta que as importações de álbuns sul-coreanos atingiram quase 60 milhões de dólares em 2023, quase o dobro do ano anterior, impulsionadas sobretudo por compras ‘online’. Macau tem tentado usar concertos e eventos de entretenimento em grande escala como uma estratégia para diversificar a economia.

Nos últimos anos, isso traduziu-se em concertos de bandas de K-Pop, realizados quase semanalmente. “Macau não é necessariamente o melhor lugar, mas é a opção mais equilibrada. Praticamente todos os grandes grupos em digressão mundial incluem Macau nos itinerários”, descreve Cassie Yen à Lusa. A fã considera que, comparada com Hong Kong e Taiwan, “Macau oferece melhor relação qualidade-preço, boa hotelaria e bons recintos”.

Ainda assim, diz Ingyu, Macau e Hong Kong não conseguem satisfazer a procura maciça dos fãs chineses e, embora ofereçam visibilidade ao género, “não proporcionam nem estabilidade nem escala”, com concertos cancelados à última hora e, sobretudo no caso de Macau, com recintos limitados pela dimensão do mercado.

Lucros difíceis

Patricia Cheong, presidente da Associação Internacional das Indústrias Culturais e Desportivas de Macau, admite à Lusa que a actual capacidade de eventos de Macau “não é fácil para os organizadores terem lucros”.

“Hong Kong tem mais vantagens para atrair artistas de topo, graças a recintos maiores, como o novo Estádio de Kai Tak”, sublinha, referindo-se a um novo espaço aberto na cidade em 2026 com capacidade para 50.000 pessoas.

Quanto ao futuro, Ingyu vê poucas hipóteses de uma reabertura plena do interior da China, sugerindo que o que pode vir a acontecer é um “alívio selectivo e simbólico, mais do que uma normalização completa”.

“Melhorias no tom diplomático podem produzir aberturas incrementais, mas um regresso total ao intercâmbio cultural pré-2016 é improvável, sem uma mudança estrutural mais ampla na geopolítica regional”, prevê o investigador.

18 Mai 2026

Novos empréstimos hipotecários sobem 65% em Março

Macau registou em Março uma recuperação de 65,3 por cento na aprovação de novos créditos para habitação, segundo dados divulgados pela Autoridade Monetária de Macau, na sexta-feira. Os créditos para compra de casa subiram mais de 65,3 por cento em relação a Fevereiro, atingindo cerca de 1,09 mil milhões de patacas, quase todos concedidos a residentes locais.

Estes valores representam uma franca recuperação depois de Fevereiro ter registado uma quebra de 58,3 por cento face ao mês anterior no volume de empréstimos para habitação. Já os empréstimos atribuídos a não residentes, em Março tiveram apenas um peso residual, de 3,39 milhões de patacas.

Em contrapartida, os créditos comerciais ligados ao imobiliário recuaram mais de 23 por cento, fixando-se em 375,35 milhões de patacas, com a maioria destinada a residentes, embora em queda acentuada. No final de Março, o saldo total dos empréstimos para habitação desceu ligeiramente, para 203,9 mil milhões de patacas, menos 0,4 por cento face ao mês anterior e menos 5,4 por cento em termos homólogos.

Saldo comercial a baixar

O saldo dos créditos comerciais caiu para 134,72 mil milhões de patacas, menos 1,1 por cento em relação a Fevereiro e menos 9,2 por cento face ao mesmo mês de 2025. O crédito malparado nos créditos para habitação baixou para 3,5 por cento, enquanto nos créditos comerciais recuou para 5,2 por cento.

Num relatório em Março, a consultora imobiliária JLL afirmou que os preços do imobiliário residencial em Macau, que caíram acentuadamente em 2025, deverão manter-se estáveis em 2026, após medidas governamentais para aliviar os encargos hipotecários, incluindo isenção de imposto de selo e flexibilização dos rácios de empréstimo sobre o valor da propriedade.

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 4,02 mil milhões de patacas nos primeiros três meses do ano, mais 5,4 por cento do que no mesmo período de 2025.

18 Mai 2026

SS | Afastadas cabines fechadas para fumadores

O subdirector dos Serviços de Saúde (SS), Cheang Seng Ip, afirmou que, por enquanto, não está a ser equacionada a criação de cabines de fumo totalmente fechadas.

As declarações foram feitas durante uma reflexão sobre cabines para fumadores na rua, onde o Executivo está a implementar um plano para impedir as pessoas de fumar, perto do Parque Dr. Carlos d’Assumpção.

Segundo o jornal Ou Mun, o responsável recordou que na fase inicial da medida, o número de pessoas a quem foi pedido para não fumarem naquela zona caiu de 40 por dia para duas ou uma. Actualmente, os SS actuam sem base legal, pelo que não podem multar quem fuma nas zonas delimitadas. Se for aprovada uma nova lei, vão ser aplicadas multas.

18 Mai 2026

HK | Adrian Ho recua e admite que bifanas de Macau são superiores

O sobrinho de Edmund Ho e deputado em Hong Kong, Adrian Ho, mudou de posição e afinal admite que a bifana de Macau é superior à de Hong Kong.

À margem do concerto do cantor e nadador de Hong Kong, Alex Fong, Adrian Ho disse que a bifana de Macau pode ser melhor do que a de Hong Kong, depois de ser convencido pelos cantores de Macau, Terence Siufay e Vivian Chan.

Segundo o portal de HK01, Adrian Ho também disse que a sua ligação com Macau é eterna e que só é possível progredir quando há competição. O deputado afirmou também que é importante para o turismo debater todos os temas. Há duas semanas, durante uma sessão parlamentar em Hong Kong, Adrian Ho causou polémica ao afirmar que a bifana de Hong Kong é superior à de Macau e disse que a comida em Macau é “extremamente banal”.

18 Mai 2026

PIB | Crescimento de 7,1% entre Janeiro e Março

Apesar do crescimento vistoso, a economia está apenas a 90,3 por cento do valor de 2019, antes do impacto da pandemia da covid-19

A economia de Macau cresceu 7,1 por cento no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelo aumento das exportações de serviços e pela subida significativa do número de visitantes.

Segundo dados publicados pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), na sexta-feira, a economia beneficiou dos feriados do Ano Novo Lunar e de várias actividades festivas, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer para 107,56 mil milhões de patacas, mais 7,1 por cento em termos reais face ao mesmo período de 2025.

Apesar desse crescimento, as autoridades do território sublinharam que a economia de Macau entre Janeiro e Março deste ano era o equivalente a 90,3 por cento do volume económico do primeiro trimestre de 2019, antes da pandemia de covid-19.

As exportações globais de serviços cresceram 12,8 por cento, acompanhando a subida de 13,7 por cento nas entradas de visitantes, com as exportações de outros serviços turísticos a aumentar 17,5 por cento e as de serviços do jogo 13 por cento.

A cidade registou um novo recorde no primeiro trimestre de 2026 ao receber 11,2 milhões visitantes, um aumento de 13,7 por cento face ao mesmo período de 2025 e superior aos valores pré-pandemia. No comércio externo de mercadorias, as exportações subiram 1,1 por cento e as importações 5,8 por cento em termos homólogos, indicou a DSEC.

Mais consumo privado

Quanto à procura interna, a despesa de consumo privado avançou 3,4 por cento, enquanto a despesa de consumo final do Governo caiu 2,8 por cento. Já a formação bruta de capital fixo, registou uma queda acentuada de 21 por cento, atribuída ao decréscimo das obras de construção privadas e públicas, apontou o mesmo departamento.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a previsão de crescimento económico para Macau em 2026 para 3 por cento, apesar da desaceleração a nível global.

O FMI assinalou que a melhoria das perspectivas para Macau surge num contexto em que adopta uma postura mais cautelosa a nível global, devido a receios de que o conflito no Irão possa perturbar os mercados energéticos e pressionar os preços.

Nos últimos anos, as autoridades de Macau têm seguido uma política de diversificação económica, ditada pelo Governo central da China, que procura tornar a economia local menos dependente da indústria do jogo, através do desenvolvimento de sectores como grandes eventos, cultura, finanças ou tecnologia.

Apesar desses esforços, de acordo com dados oficiais, o jogo representou quase metade de todo o PIB de Macau em 2025.

18 Mai 2026

Assembleia Legislativa | Dia aberto com actuações musicais

A Assembleia Legislativa (AL) abriu ontem as portas ao público, permitindo a visita a instalações do edifício, como o átrio, a Sala do Plenário, a Sala de Recepções Polivalente e as salas de reuniões das comissões, onde foram colocados painéis informativos sobre os trabalhos legislativos. O público contou com esclarecimentos de deputados e trabalhadores da AL.

Ao longo do dia, entre as 10h e as 18h, alunos da Escola de Música e da Escola de Dança do Conservatório de Macau, além da Escola Secundária Pui Ching protagonizaram actuações artísticas em vários locais do edifício.

Além disso, foram instaladas “bancas e quiosques de serviços automáticos para promover o recenseamento eleitoral e divulgar a Constituição, a Lei Básica de Macau e a Lei relativa à defesa da segurança do Estado”. Foram ainda disponibilizados autocarros gratuitos entre o Hotel Sintra e a AL para facilitar as deslocações dos cidadãos.

Segurança Nacional | Mais de 70 mil visitaram exposição

A Exposição sobre a Educação da Segurança Nacional deste ano terminou na passada sexta-feira, registando quase 70.500 visitantes ao longo dos dois meses em que esteve patente no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, também conhecido como complexo do Fórum Macau.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, a mostra deste ano foi a que atraiu mais público, também através do site temático da exposição que registou mais de 210,740 visualizações. O Governo conclui que o nível de afluência “demonstra claramente a elevada importância prestada à segurança nacional pela sociedade de Macau e a transmissão contínua do espírito de “amor pela pátria e por Macau”.

A exposição resultou da organização conjunta do Executivo liderado por Sam Hou Fai e o Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM.

18 Mai 2026

Advocacia | Lupi & Associados faz parceria com Morais Leitão

O escritório legal de advogados Lupi & Associados anunciou o estabelecimento de uma “parceria estratégica” com a Morais Leitão, sociedade de advogados e consultores. “Este investimento reforça a estratégia internacional dos escritórios no espaço lusófono e, em particular, no eixo China-África, um corredor de crescente relevância no actual contexto das relações económicas internacionais”, foi considerado pela Lupi & Associados, através de um comunicado.

A parceria vai permitir disponibilizar “um acompanhamento jurídico integrado e articulado a operações transfronteiriças envolvendo a China, África, Brasil, Portugal e TimorLeste” em áreas como os “sectores das energias renováveis e do oil & gas nos países lusófonos e na África subsaariana, do mining em Angola, Brasil, Moçambique e TimorLeste, das infra-estruturas no continente africano”.

Em relação à Morais Leitão é indicado que além da presença em Singapura, TimorLeste e agora em Macau, através da Lupi & Associados, que “passa a assegurar uma cobertura integrada da região APAC, reforçando a sua capacidade de prestação de serviços jurídicos de elevado valor a clientes da região”.

No comunicado, é ainda destacado que Macau “assume um papel central enquanto plataforma de ligação entre a China e os países de língua portuguesa, funcionando como ponto de articulação privilegiado para investidores chineses com interesses em África, bem como para grupos africanos que desenvolvem operações com parceiros chineses”.

15 Mai 2026

Cuba | Marco Rubio defende mudança dos dirigentes

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendeu ontem a mudança dos dirigentes cubanos, após a diplomacia dos Estados Unidos da América ter renovado na quarta-feira uma oferta de ajuda de 100 milhões de dólares.

O arquipélago de Cuba, localizado a 150 quilómetros da costa da Florida, enfrenta uma grave crise económica, agravada pela escassez de energia, que deixou novamente 65 por cento do país às escuras na terça-feira. Os líderes cubanos culpam as sanções americanas, mas Rubio, de ascendência cubana e crítico do regime comunista cubano, considera que o verdadeiro problema reside no próprio sistema político do país caribenho.

“É uma economia arruinada e disfuncional e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente”, disse o chefe da diplomacia dos EUA, que acompanha o presidente norte-americano, Donald Trump, na visita à China. Para Rubio é impossível “mudar a trajectória de Cuba enquanto aquelas pessoas estiverem no poder.”

Na semana passada, após uma visita ao Vaticano, o secretário de Estado norte-americano tinha afirmado que Cuba recusou a oferta de ajuda dos EUA, declaração negada por fontes diplomáticas de Havana.

Cuba acusou os EUA de serem responsáveis pela situação da rede eléctrica da ilha. As trocas de argumentos intensificaram-se nas últimas semanas entre os dois países, embora estejam em curso negociações e tenha havido uma reunião diplomática de alto nível em 10 de Abril.

15 Mai 2026

Carta aberta a quem pensa que a língua tem dono

Por Vanessa Amaro – Professora e investigadora

Há debates que começam pequenos, quase como uma conversa de café, e de repente revelam algo muito maior: não apenas uma diferença de opinião, mas uma forma de olhar o mundo. A língua portuguesa em Macau é muitas vezes tratada como herança, instrumento, ponte, memória, profissão, currículo, vantagem competitiva. Mas, por vezes, ainda é tratada como propriedade. Como se alguém pudesse fechar a porta, guardar a chave e dizer: “esta língua é minha; os outros apenas a usam mal”.

No dia 5 de Maio, celebramos uma língua que nos une. Ou, pelo menos, deveríamos. Celebramos uma língua que hoje se fala em vários continentes, em diferentes sotaques, ritmos, histórias e modos de existir. Mas, no meio dessa celebração, ainda surgem vozes que insistem em dividir o português entre uma língua “verdadeira” e outras formas menores de a falar. Como se houvesse um centro autorizado e várias periferias toleradas. Como se a língua tivesse proprietário, fronteira e passaporte. E então a pergunta impõe-se: quem é, afinal, o dono da língua portuguesa?

A pergunta parece simples, mas não é. Uma língua não se torna mundial permanecendo intacta. Torna-se mundial porque é apropriada, transformada, ensinada, aprendida, amada e recriada por diferentes comunidades. O português que chegou a tantos lugares não ficou igual ao ponto de partida. Nem poderia. Em cada território, encontrou outras línguas, outros corpos, outras memórias, outras necessidades e outras formas de estar no mundo. Talvez seja exatamente por isso que continua vivo.

Uma língua viva não é uma peça de museu. Não fica parada dentro de uma vitrine, protegida do toque das pessoas. Uma língua viva é usada, tropeçada, reinventada, discutida, cantada, ensinada, aprendida com sotaque, esquecida e recuperada. Uma língua viva tem marcas de quem a fala. E se há algo que Macau deveria saber melhor do que muitos lugares, é isto: as línguas nunca vivem sozinhas.

Macau é, historicamente, um território multicultural e multilingue. Aqui, as pessoas aprenderam, durante séculos, a circular entre mundos. Cantonês, mandarim, português, inglês, patuá, línguas de comunidades migrantes, línguas de comércio, de escola, de casa, de igreja, de tribunal, de rua. Macau nunca foi uma linha reta. Sempre foi cruzamento. Sempre foi tradução. Sempre foi negociação.

Por isso, causa estranheza quando se tenta transformar a língua portuguesa num território cercado, como se houvesse uma única forma legítima de a habitar. É evidente que existem normas, contextos formais, regras ortográficas, convenções institucionais. Ninguém sério nega isso. A administração pública precisa de critérios. A escola precisa de orientação. A escrita formal exige consistência. Mas uma coisa é reconhecer normas de uso; outra, muito diferente, é confundir norma com superioridade, ortografia com identidade, sotaque com ignorância, variedade com erro.

Quando se reduz o português do Brasil, de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe ou de Timor-Leste a desvios, corrupções ou “português menor”, quem perde não é apenas quem fala essas variedades. Perdem os estudantes, que deixam de compreender a dimensão real da língua que estudam. Perdem os professores, que ficam presos a uma visão estreita do seu próprio objeto de ensino. Perde Macau, que se apresenta — e bem — como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, mas que não pode cumprir plenamente esse papel se aceitar uma ideia empobrecida do que é o mundo lusófono.

Afinal, que plataforma é possível construir se, à partida, se deslegitima a pluralidade daqueles com quem se pretende dialogar?

A língua portuguesa não é apenas a língua de Portugal. É também, plenamente, a língua do Brasil, de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor-Leste, da Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe, de comunidades espalhadas pelo mundo e, de forma muito própria, de Macau. Não se trata de negar a história portuguesa em Macau, nem de apagar o papel do português europeu na formação jurídica, administrativa e educativa do território. Trata-se de reconhecer que a história não autoriza ninguém a transformar uma língua partilhada numa hierarquia de legitimidades.

Há quem diga “amo-te”. Há quem diga “te amo”. Será isto motivo para guerra? Será que o amor muda de valor porque o pronome mudou de lugar? Será que uma mãe que diz “te amo” ao filho ama menos, ou ama errado? Será que uma canção brasileira, uma crónica angolana, um poema moçambicano ou um discurso timorense deixam de ser português porque não obedecem ao ouvido de Lisboa?

A língua, felizmente, é mais inteligente do que as nossas fronteiras mentais. Ela sabe fazer aquilo que nós, por vezes, esquecemos: adaptar-se sem desaparecer. Carregar memória sem deixar de criar futuro. Ser uma e ser muitas. Ter gramática e ter música. Ter regra e ter respiração.

O problema dos debates sobre variedades e sotaques é que, muitas vezes, eles fingem ser linguísticos, mas são sociais. Fingem discutir sons, mas discutem prestígio. Fingem defender a língua, mas defendem hierarquias. Fingem proteger estudantes, mas limitam o seu horizonte. Quando se ensina a um aluno que só uma variedade é legítima, não se está a ensinar rigor; está-se a ensinar exclusão. Quando se ridiculariza um sotaque, não se está a corrigir uma pronúncia; está-se a diminuir uma pessoa.

E Macau não precisa disso. Macau precisa de talentos capazes de compreender Portugal e o Brasil, Angola e Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Precisa de jovens que saibam ler diferentes normas, reconhecer diferentes usos, adaptar-se a diferentes contextos. Precisa de profissionais que saibam que a língua portuguesa é uma ferramenta diplomática, económica, cultural e humana precisamente porque é plural.

Quem ganha com a pluralidade? Ganham os alunos, que passam a conhecer melhor o mundo. Ganham as instituições, que formam profissionais mais preparados. Ganha a RAEM, que reforça o seu papel como espaço de encontro. Ganha a própria língua portuguesa, que se mostra maior do que qualquer tentativa de a encolher.

E quem perde? Perde quem precisa que a língua tenha dono para se sentir autorizado a falar em nome dela.

Mas a língua portuguesa não tem dono. Tem falantes. Tem histórias. Tem países. Tem sotaques. Tem gramáticas. Tem erros, sim, como todas as línguas vivas. Mas também tem beleza, movimento e futuro. Em Macau, talvez a melhor forma de honrar o português não seja guardá-lo como relíquia, mas ensiná-lo como ponte.

Porque uma ponte não pergunta de que lado vem quem a atravessa. Uma ponte existe para ligar.

15 Mai 2026

Encontro | Trump convida Xi a visitar Casa Branca a 24 de Setembro

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou ontem o homólogo chinês, Xi Jiping, a visitar a Casa Branca a 24 de Setembro, após considerar “extremamente positivas e produtivas” as discussões entre ambos em Pequim.

“Tenho a honra de o convidar e à senhora Peng para nos visitarem na Casa Branca a 24 de Setembro”, disse Trump, ao dirigir-se a Xi e à sua mulher, Peng Liyuan, durante o discurso no banquete de Estado realizado em Pequim, no âmbito da visita oficial do líder norte-americano à China.

Na sua intervenção, Trump descreveu as conversações que manteve com Xi Jinping antes como “extremamente positivas e produtivas”, no primeiro dia da cimeira bilateral. “Mais cedo hoje, tivemos conversas e reuniões extremamente positivas e produtivas com a delegação chinesa”, disse.

O líder republicano descreveu a relação entre os Estados Unidos e a China como “uma das mais importantes da história” e definiu-a como “muito especial”, brindando à “prosperidade” de ambos os países e a um futuro “promissor” para as relações bilaterais.

Trump também analisou diferentes episódios históricos para sublinhar os laços entre as duas nações e assegurou que a relação entre os dois povos foi construída sobre “250 anos de comércio e respeito mútuo”.

O Presidente norte-americano evocou referências históricas que vão desde a publicação de textos de Confúcio por Benjamin Franklin até à participação dos trabalhadores chineses na construção da ferrovia dos Estados Unidos ou ao apoio de Theodore Roosevelt à criação da Universidade Tsinghua, alma mater de Xi.

“Americanos e chineses partilham muitas coisas em comum. Valorizamos o trabalho árduo, a coragem e as conquistas. Amamos as nossas famílias e os nossos países”, disse Trump. “Temos a oportunidade de construir sobre esses valores para criar um futuro de maior prosperidade, cooperação, felicidade e paz para as nossas crianças”, acrescentou.

15 Mai 2026

Teerão autoriza passagem de navios chineses no estreito de Ormuz

As forças navais do Irão autorizaram desde quarta-feira a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, anunciou a agência noticiosa iraniana Tasnim. “Na sequência de uma decisão da República Islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o estreito de Ormuz no âmbito de protocolos de trânsito geridos pelo Irão”, informou a Tasnim, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A agência iraniana Fars divulgou com informações semelhantes, enquanto a televisão estatal do Irão referiu que “mais de 30 navios” receberam autorização para cruzar o estreito, sem especificar se pertencem exclusivamente à China.

A República Popular da China é o principal país importador do petróleo iraniano. As notícias foram divulgadas no dia em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou encontros em Pequim com o homólogo chinês, Xi Jinping, no âmbito de uma visita oficial que está a realizar à China.

Os dois líderes falaram esta quarta-feira sobre a situação no estreito de Ormuz, de acordo com a Casa Branca, a presidência norte-americana. Trump exige ao Irão o fim do bloqueio do estreito de Ormuz como uma das condições para cessar a guerra contra o regime da República Islâmica.

O Irão bloqueou o estreito por onde passa habitualmente 20% do comércio internacional de produtos petrolíferos em reação à ofensiva militar de que é alvo desde 28 de fevereiro por parte dos Estados Unidos e Israel.

O bloqueio iraniano à única ligação do golfo Pérsico com o mar aberto tem perturbado os mercados globais e conferido a Teerão uma vantagem estratégica, segundo a AFP. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos navios e portos iranianos, apesar de estar em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril.

A trégua foi mediada pelo Paquistão para permitir negociações entre Teerão e Washington, que foram infrutíferas até agora. A guerra causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e afeta quase todos os países da região.

15 Mai 2026

Cimeira | Revitalização da China é compatível com movimento MAGA

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que as aspirações da “grande revitalização” da China são compatíveis com as de “tornar a América grande novamente”, como é conhecido o movimento MAGA (“Make America Great Again”) promovido por Donald Trump.

Na abertura do banquete de Estado durante a visita oficial do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, Xi traçou paralelos entre o plano para os próximos 15 anos, de “avançar a modernização da China através de um desenvolvimento de alta qualidade”, e a celebração dos 250 anos de independência dos Estados Unidos e o espírito de “patriotismo, inovação e pioneirismo” que representa.

“Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, defendeu.

Mais tarde, Trump brindou à “prosperidade da China e dos Estados Unidos” e a um futuro “promissor” para as relações amistosas entre os dois países, enquanto Xi afirmou que ambos acreditam manter a “relação bilateral mais importante do mundo”. “Temos de garantir que funciona e nunca se estraga”, disse Xi, no final do primeiro dia de visita oficial de Trump.

O jantar de gala realiza-se num salão do Grande Palácio do Povo e entre os participantes encontram-se altos funcionários de ambos os países, bem como empresários de grandes empresas chinesas e norte-americanas.

Trump enfatizou o “laço de respeito” entre os dois países, que pode ser rastreado até à origem dos Estados Unidos, e afirmou que é “uma das relações mais transcendentais da história” e que definiu como “especial”.

“Ambos valorizamos o trabalho árduo, o valor, a coragem e a conquista”, disse Trump, acrescentando: “Ambos temos a oportunidade de nutrir esses valores para criar um futuro de grande prosperidade, cooperação e felicidade”. A visita de Trump prossegue esta sexta-feira com um almoço de trabalho.

15 Mai 2026

Poemas de Meng Haoran

Tradução Rui Cascais

越中逢天台太一子

仙穴逢羽人

停艫向前拜

問余涉風水

何事遠行邁

登陸尋天台

順流下吳會

兹山夙所尚

安得聞靈怪

上逼青天高

俯臨滄海大

雞鳴見日出

每與仙人會

來去赤城中

逍遙白雲外

莓苔異人間

瀑布作空界

福庭長不死

華頂舊稱最

永願從此遊

何當濟所屆

Em Yue, Encontrando ao Acaso Um Mestre Taoista de Tiantai

Junto a uma gruta dos Imortais encontrei um homem emplumado; 1

Desembarcando, dirigi-me a ele para prestar respeito.

Perguntou da minha travessia sobre as águas batidas pelo vento:

De que serve embarcar em viagens longínquas?

“Podem-se cruzar desertos em busca de Tiantai,

Ou seguir corrente abaixo até Kuaiji em Wu.

Essa montanha reverenciei toda a vida,

Mas como saber dos seus numinosos prodígios?

Erguendo-se, enche as alturas do céu azul;

Em baixo, olha a extensão do mar turquesa.

Ao cantar do galo vê-se o sol aparecer,

Estamos sempre acompanhados pelos Imortais.

Vão e vêm no Pico da Falésia Vermelha,

Livres e leves além das nuvens brancas.

Líquen e musgo são diferentes dos do reino da morte,

E um lençol de espuma delineia os limites do espaço.

De entre os pavilhões a que a morte nunca vem

O mais elogiado sempre foi o da Crista Florida.

Peço poder partir de onde estou,

Para me ir até onde quero chegar um dia.”

Nota – Uma pessoa emplumada é alguém que transcendeu este “mundo de pó” e viaja pelo espaço como se tivesse asas. A residência terrena destas pessoas é em “grutas celestes (洞天), nas profundezas de montanhas sagradas, como Tiantai, que dão acesso a outros mundos, a mundos paralelos.

POEMA

早發漁浦潭

東旭早光芒

渚禽已驚聒

臥聞漁浦口

橈聲暗相撥

日出氣象分

始知江路闊

美人常晏起

照影弄流沫

飲水畏驚猿

祭魚時見獺

舟行自無悶

况值晴景豁

Saindo Cedo da Enseada do Pescador 1

Primeiros raios da estrela d’alva a oriente;

As aves na ilhota guincham surpresas.

Deitado escuto, na boca da enseada,

O som dos remos começando a bulir na obscuridade.

Com o sol erguendo-se, percebem-se formas ténues;

Agora fico a saber a vastidão da estrada líquida.

Formosas mulheres, a pé sempre tarde,

Remiram-se na água e brincam com a correnteza.

Temo espantar os gibões que bebem na margem;

Vê-se às vezes uma lontra a catar um peixe.

O barco voga e eu vogo de coração livre,2

Nesta cena que se descerra luminosa.

Na margem do Rio Zhe, a sudoeste do actual distrito de Xiaoshan (蕭山), no Zhejiang.

Nota – “Coração livre” traduz 無悶 (wú mèn); o caracter 悶, com a sua tremenda visualidade, pode traduzir-se por “enfado”, “tédio”, “melancolia”, “aperto”, sendo, por sua vez, composto por dois carateres, “porta” 門 (mén), e “coração” 心 (xīn).

15 Mai 2026

Turismo | Situação internacional complica previsões

O subdirector dos Serviços de Turismo (DST), Cheng Wai Tong, afirmou que a situação internacional faz com que seja difícil fazer previsões sobre o número de visitantes que vão visitar Macau durante o Verão. As declarações foram prestadas ontem, à margem da realização feira G2E Asia.

Embora tinha evitado fazer previsões, Cheng prometeu que as autoridades vão continuar a desenvolver os preparativos para receber um número maior de turistas, o que passa por apostar mais em eventos de promoção de Macau, melhorar as infra-estruturas locais e tentar promover uma melhoria da oferta turística.

Quanto aos esforços para atrair mais turistas internacionais, Cheng Wai Tong reconheceu que a situação actual é difícil, devido ao impasse no estreito de Ormuz e à crise dos combustíveis. No entanto, o responsável indicou que as autoridades estão a cooperar com a companhia aérea local e outras companhias de aviação internacionais, responsáveis por voos de longa duração, para promover Macau como um destino turístico.

O subdirector da DST apontou também que Macau quer conseguir atrair turistas de outros aeroportos internacionais, além de Hong Kong, apontando os exemplos de Xangai e Pequim.

Ao mesmo tempo, espera-se um aumento no Verão do número de alunos do Interior que visitam Macau para conhecerem as instituições de ensino superior. Sobre esta tendência, a DST prometeu melhorar a coordenação com os agentes da indústria do turismo, para receber estes visitantes.

15 Mai 2026

UPM | Zhou Zhongrong é o novo reitor

Zhou Zhongrong será o novo reitor da Universidade Politécnica de Macau (UPM) a partir do próximo dia 1 de Junho, foi revelado ontem em comunicado, substituindo Marcus Im no cargo. O mandato de reitor terá a duração de dois anos, sendo que o Conselho Geral da UPM espera que Zhou Zhongrong possa “liderar a universidade no sentido de expandir ainda mais a cooperação internacional e a colaboração regional” da instituição.

Zhou Zhongrong é doutorado em Engenharia de Materiais pela École Centrale de Lyon, França, sendo ainda membro do 14.º Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Nas funções políticas que desempenha, inclui-se ainda o facto de ser deputado à 13.ª Assembleia Popular Nacional.

Zhou Zhongrong era, até à data, vice-reitor e professor de Engenharia Mecânica da Universidade Jiaotong do Sudoeste, na China. A nível académico destaca-se o facto de ter “mais de 30 anos de experiência na docência, investigação e gestão administrativa no ensino superior”.

15 Mai 2026

Áreas marítimas | Seis projectos de aprovados à espera da lei

O Governo aprovou licenças provisórias, válidas por um ano, para seis projecto de uso de zonas marítimas, que estão à espera da entrada em vigor lei de uso das áreas marítimas, em análise na especialidade na 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa.

Os projectos em questão são as instalações marítimas da Central Térmica de Coloane, uma ponte-cais na Zona A dos novos aterros, uma marina de recreio de um clube náutico, as instalações temporárias para ampliação do Aeroporto de Macau, condutas de abastecimento de combustíveis de aviação, uma plataforma flutuante para combate a incêndios também no aeroporto.

Numa primeira análise, o deputado Leong Sun Iok acrescenta que algumas pontes-cais não vão estar sujeitas à futura legislação porque as suas localizações são definidas como terras e, como tal, reguladas pelas leis de terras.

Segundo o jornal Ou Mun, deputado dos Operários apontou que algumas pontes-cais privadas em funcionamento têm a estrutura principal fora da orla costeira e por isso, são definidas como zonas terrestres. Estas pontes-cais incluem a Doca dos Pescadores, a ponte-cais nº 16, Terminal Marítimo do Porto Interior, o Terminal de Contentores do Porto de Ká Hó, Clube Náutico Internacional de Macau e Marina de Coloane. Os deputados da 3ª Comissão Permanente vão continuar a analisar a proposta de lei hoje à tarde.

15 Mai 2026

Inundações | Deputado pede medidas temporárias

O deputado Lee Koi Ian quer saber que medidas temporárias estão a ser tomadas pelo Governo para garantir que as lojas nos locais de risco sejam protegidas de cheias. O assunto faz parte de uma interpelação do deputado de Jiangmen, divulgada no portal da Assembleia legislativa.

Para o deputado o facto de a época de cheias estar a aproximar-se e da obra para construir uma estação elevatória de águas pluviais e saneamento na zona antiga da Taipa ainda estar em curso pode fazer com que a capacidade de drenagem seja mais reduzida, pelo que pede medidas de protecção.

O deputado pergunta ainda se o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) iniciou as inspecções à rede de drenagem, principalmente nas áreas propícias as cheias: “Em alguns pontos turísticos e zonas com grande concentração de comércio, ainda existe o risco de inundações durante chuvas torrenciais. As autoridades devem reforçar a frequência das inspecções e a rapidez da resposta de emergência nestas zonas específicas, bem como a colocação preventiva de pequenas bombas portáteis de drenagem em terrenos desocupados nas proximidades, de modo a permitir uma drenagem imediata e reduzir assim o risco de inundações nas lojas”, apontou.

Ao mesmo tempo, Lee Koi Ian considerou que durante o Verão é normal que a rede de drenagem liberte odores, incomodando os cidadãos. Por isso, quer saber se as tampas de drenagem vão ser substituídas por outro tipo de tampas com capacidade para reter cheiros.

15 Mai 2026

Cimeira | Economia, relações comerciais e Taiwan discutidos por Xi e Trump em longa reunião

Foram duas horas de diálogo entre os dois mais importantes líderes da actualidade. Xi Jinping, Presidente chinês e Donald Trump, Presidente dos EUA, reuniram ontem para discutir questões comerciais, Taiwan e as relações económicas numa altura de turbulência geopolítica. Xi declarou que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”

Há muito que Donald Trump não pisava solo chinês na qualidade de Presidente dos EUA – a última vez foi em 2017, no seu primeiro mandato. As expectativas têm sido mais que muitas para esta cimeira que termina hoje, e que esta quinta-feira teve um dos pontos altos, com um encontro de cerca de duas horas entre Trump e Xi Jinping, Presidente chinês, numa altura em que os dois países tanto têm para dialogar. Não só são as duas maiores potências da actualidade, como esta cimeira acontece no contexto de uma situação geopolítica complexa, com o conflito no Médio Oriente, a crise energética, a questão de Taiwan e ainda as relações económicas entre os dois países, nem sempre pacíficas.

A reunião de ontem foi realizada num formato alargado, com a presença de delegações de ambos os países, no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, Pequim. Após o contacto inicial, que incluiu cumprimentos tradicionais e uma discussão sobre Taiwan, os dois líderes visitaram o Templo do Céu, um dos principais sítios históricos da capital chinesa. Xi ofereceu também um banquete de homenagem a Trump, sendo que hoje os presidentes irão tomar chá e almoçar juntos.

Ontem, Xi Jinping advertiu Donald Trump da possibilidade de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, noticiou a televisão estatal chinesa.

“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino – norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar.

Entre os temas em discussão incluíram-se o Irão, comércio bilateral e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo.

Questão de peso

A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte-americano de 11 mil milhões de dólares americanos aprovado para a ilha. Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha.

Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável.

Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o “bem mais precioso” de Taiwan e que o povo taiwanês “sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede”.

Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um actor central no contexto das disputas entre Pequim e Taipé.

A bem da cooperação

Entretanto, Xi Jinping declarou também estar feliz por receber o homólogo norte-americano, Donald Trump, afirmando que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”, apesar das múltiplas divergências.

“A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação prejudica as duas. Devemos ser parceiros, não rivais, devemos ajudar-nos mutuamente para alcançar o sucesso e prosperar em conjunto,” disse Xi a Trump.

O líder chinês acrescentou que o mundo se encontra “numa encruzilhada”, realçando ser necessário “uma nova via” de “boa convivência entre grandes potências nesta nova era”.

Por seu lado, Trump prometeu a Xi um “futuro fabuloso” entre os EUA e a China, logo no início da cimeira. “É uma honra estar ao seu lado. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca”, afirmou Trump.

Entretanto, segundo a Xinhua, Xi Jinping reuniu ontem em Pequim com empresários norte-americanos que integram a comitiva liderada por Trump, que disse ter trazido consigo “representantes de destaque da comunidade empresarial norte-americana, todos eles respeitadores e apreciadores da China”.

Os empresários terão sido apresentados ao Presidente chinês “um a um”, escreveu a agência estatal chinesa, tendo afirmado “que atribuem grande importância ao mercado chinês”. Além disso, esperam “aprofundar as suas operações comerciais na China e reforçar a cooperação com o país”. Por sua vez, Xi Jinping “afirmou que as empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e que ambas as partes têm beneficiado com isso”.

Resultados “concretos”

A Casa Branca insiste que a viagem visa alcançar resultados concretos, nomeadamente compromissos chineses de compra de soja, carne bovina e aviões norte-americanos, além da criação de um Conselho de Comércio para resolver diferendos. Contudo, não foram avançados detalhes sobre possíveis acordos, numa altura em que os laços económicos de Pequim com o Irão complicam as negociações.

A ofensiva lançada pelos EUA e Israel levou o Irão a bloquear o estreito de Ormuz, com petroleiros e navios de gás natural retidos, provocando a subida dos preços da energia e ameaçando o crescimento global.

Os EUA e a China alcançaram no ano passado uma trégua comercial que suspendeu tarifas elevadas. A Casa Branca já afirmou existir interesse mútuo em prolongar o acordo, embora não esteja claro se será anunciado durante esta visita.

Na delegação que acompanha Trump estão o chefe da diplomacia norte-americana, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o secretário da Defesa Pete Hegseth, além dos filhos do Presidente, Eric e Lara Trump, o dono da SpaceX e da rede social X, Elon Musk.

China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, diz Xi

O Presidente chinês Xi Jinping prometeu ontem à delegação de empresários que acompanhou o líder norte-americano Donald Trump que a China “continuará a abrir-se cada vez mais” ao mundo, reportou a imprensa estatal chinesa.

“As empresas norte-americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, e ambas as partes beneficiam disso. A porta da abertura da China continuará a abrir-se cada vez mais”, afirmou Xi, citado pela Xinhua. O líder chinês elogiou ainda o reforço na “cooperação mutuamente benéfica” entre os dois países e disse estar convicto de que as “empresas norte-americanas terão perspectivas ainda melhores na China”.

Os dirigentes de vários gigantes empresariais que acompanharam o Presidente dos EUA na visita à China, estiveram presentes na cimeira realizada em Pequim entre o líder republicano e o homólogo chinês, algo invulgar neste tipo de diálogos bilaterais.

Da Apple à Tesla

Nas imagens difundidas pela CCTV, vê-se o grupo de empresários — entre os quais os presidentes executivos da Nvidia, Jensen Huang, da Apple, Tim Cook, e da Tesla, Elon Musk — a entrar no Grande Salão do Povo, onde se reuniam as delegações dos EUA e da China, lideradas pelos dois chefes de Estado.

De acordo com o jornal estatal Diário do Povo, Trump afirmou ter levado a Pequim representantes destacados do sector empresarial norte-americano, explicando ter rejeitado a presença de executivos de “segundo nível”, o que, assegurou, reflectia o respeito das companhias para com a China e Xi.

Posteriormente, os empresários foram vistos a abandonar o edifício para embarcar no autocarro utilizado nas deslocações pela capital.

“Maravilhoso, muitas coisas boas”, disse Elon Musk aos jornalistas que aguardavam no exterior, com Jensen Huang a afirmar que as reuniões “correram bem” e que “Xi e o Presidente Trump foram incríveis”, enquanto Tim Cook limitou-se a fazer com os dedos um sinal de paz seguido de um gesto de aprovação. A delegação empresarial que acompanha Trump inclui ainda responsáveis da Boeing, BlackRock, Visa, Mastercard, Meta e Goldman Sachs, sublinhando o carácter económico e comercial da visita.

15 Mai 2026

Ásia | ONU critica Pyongyang por investir em armas em vez de serviços sociais

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos criticou ontem a Coreia do Norte por dar prioridade ao investimento militar em detrimento dos serviços sociais necessários no país, durante uma visita oficial à Coreia do Sul.

“Estou particularmente preocupado com a extrema prioridade atribuída aos investimentos em segurança e defesa, em prejuízo dos serviços sociais e do desenvolvimento sustentável que são desesperadamente necessários” na Coreia do Norte, afirmou Volker Turk aos jornalistas, em declarações divulgadas pelo seu gabinete.

O alto-comissário considerou que o país, que classificou como hermético, vive uma situação de “crise de direitos humanos” e afirmou que o seu gabinete documentou abusos que poderão constituir “crimes contra a humanidade”.

“É evidente que tem de haver responsabilização sob todas as formas, incluindo não judiciais, pelas graves violações que assolaram a República Popular Democrática da Coreia [designação oficial da Coreia do Norte] durante décadas”, declarou o alto-comissário. Ainda assim, Turk incentivou à procura de vias de contacto com as autoridades norte-coreanas sempre que possível, com o objectivo de criar espaços de diálogo e promover a confiança.

Nesse sentido, saudou a notícia de que a equipa de futebol norte-coreana Naegohyang FC vai disputar, em 20 de Maio, na Coreia do Sul, a fase final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC), defrontando nas meias-finais uma equipa sul-coreana, após oito anos sem visitas desportivas de Pyongyang ao país vizinho.

“São necessárias medidas urgentes para encontrar formas de trocar cartas, retomar os contactos e os reencontros familiares, e divulgar informações que permitam esclarecer o paradeiro e o destino das pessoas desaparecidas e sequestradas”, sublinhou o alto-comissário. Turk chegou terça-feira à Coreia do Sul para uma visita de três dias.

14 Mai 2026

Japão | Softbank quadruplica lucro para 27.045 ME

O grupo japonês Softbank quadruplicou o lucro líquido, atingindo 5.002 mil milhões de ienes (cerca de 27,045 mil milhões de euros), no exercício fiscal de 2025, encerrado em Março passado, anunciou ontem o grupo.

O Softbank, que tem apostado fortemente na Inteligência Artificial (IA), registou 7,3 biliões de ienes (cerca de 39.463 milhões de euros) em ganhos de investimentos durante o último exercício, que decorreu de Abril de 2025 a 31 de Março, de acordo com o relatório financeiro do grupo.

O resultado operacional líquido (EBIT) da empresa foi de 6,1 biliões de ienes (cerca de 32.990 milhões de euros), o que representa um aumento de 259,9 por cento. O volume de negócios do conglomerado aumentou 7,7 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 7,8 biliões de ienes (cerca de 41.650 milhões de euros).

O aumento dos lucros em 334 por cento é justificado pelo grupo principalmente com os investimentos multimilionários na OpenAI, a criadora do ChatGPT, que ascenderam a 6,7 biliões de ienes (cerca de 36.220 milhões de euros).

A SoftBank, cuja participação na OpenAI estaria avaliada em cerca de 55.000 milhões de dólares, tem centrado os seus investimentos em indústrias de inteligência artificial, como o sector dos semicondutores e os centros de dados.

14 Mai 2026

Jogo | IA aumenta riscos de segurança na indústria

Especialistas da indústria do jogo alertaram ontem que a integração de Inteligência Artificial (IA) e da análise de dados na indústria do jogo “acarreta ameaças” para a segurança do sector.

Num seminário realizado ontem, durante a G2E Asia, a maior expo da indústria do jogo na Ásia, Jamie Dorbian, director geral internacional da empresa de materiais de jogo LNW Gaming Asia, deixou o aviso de que “são necessários quadros regulatórios adequados em todas as indústrias”, alertando que, sem essas restrições, “a IA poderá contornar os mecanismos de segurança”.

Apesar dos riscos, sublinhou que estes novos desenvolvimentos tecnológicos permitem uma maior “integração entre sistemas”, uma tomada de decisão “mais rápida e inteligente”, e colocam a “informação literalmente na ponta dos dedos do utilizador”.

As declarações foram feitas durante um painel sobre o uso de novas tecnologias na indústria do jogo, realizado no segundo dia da G2E Asia, a expo e conferência anual do sector que decorre no Venetian Macau de 12 a 14 de Maio.

No mesmo evento, Shaun McCamley, fundador e presidente da GameWorkz, apontou para a crescente dependência de dispositivos móveis para a interacção com os utilizadores e o fosso entre a tecnologia disponível e a capacidade humana de lidar com ela.

“Se não soubermos como usar a tecnologia, onde é que isso nos vai levar”, questionou. McCamley traçou também um contraste entre as capacidades tecnológicas internacionais, considerando que os Estados Unidos têm gerido os desenvolvimentos tecnológicos “de forma mais eficaz durante anos”, enquanto o Sudeste Asiático e a Europa “ainda não chegaram lá”.

Factor humano

Dorbian alertou que o excesso de dependência da tecnologia prejudica directamente o “toque pessoal” essencial nos ambientes físicos dos casinos. Para o especialista, embora os jogadores online possam preferir interfaces totalmente digitais, os espaços físicos correm o risco de afastar um segmento significativo de clientes que “procuram uma interação humana genuína com ‘dealers’, empregados de mesa e funcionários de sala”.

Desse modo, avisou que a procura da eficiência tecnológica “poderá destruir involuntariamente a própria atmosfera” que distingue o jogo presencial das plataformas online.

“O equilíbrio errado degradaria a experiência do cliente, independentemente de quão sofisticada seja a tecnologia. Um estabelecimento de três estrelas pode priorizar a eficiência através da automação, enquanto um hotel de cinco estrelas faria bem em preservar o elemento humano como uma vantagem competitiva”, acrescentou.

14 Mai 2026