China | Pena de prisão perpétua para menor de 15 anos por violar e matar uma colega

Um tribunal chinês condenou ontem a prisão perpétua um menor que tinha 14 anos à data dos factos por violar e matar uma colega de 15 anos, num caso que reacendeu o debate sobre a delinquência juvenil no país.

O Tribunal Intermédio da cidade de Qujing, na província de Yunnan, sudoeste da China, condenou o arguido, de apelido Jiang, a prisão perpétua pelos crimes de violação e homicídio intencional, além de lhe impor a privação de direitos políticos para toda a vida, informou a agência oficial China News Service.

Segundo a sentença, os factos ocorreram entre a noite de 6 de Julho e a madrugada de 07 de Julho de 2025, quando o menor tentou agredir sexualmente a vítima, estudante do mesmo estabelecimento de ensino. Posteriormente, ao temer que o crime fosse descoberto, estrangulou-a com as mãos. O tribunal considerou que os actos constituem crimes de violação e homicídio intencional e devem ser punidos de forma conjunta, nos termos da lei.

A mesma instância sublinhou que as circunstâncias foram “particularmente graves” e as consequências sérias, o que justificou a aplicação de uma pena severa. Ainda assim, por se tratar de um menor à data dos factos, a legislação chinesa não permite a aplicação da pena de morte, tendo o tribunal optado pela prisão perpétua após avaliar a natureza do crime e o impacto social.

O julgamento contou com a presença de familiares da vítima, bem como de representantes de órgãos legislativos e conselheiros políticos, além de meios de comunicação social.

Violência em debate

O caso surge após outros episódios recentes que suscitaram preocupação com a violência entre menores na China. Em Dezembro de 2024, um tribunal da província de Hebei, norte do país, condenou a prisão perpétua um adolescente de 13 anos pelo homicídio de um colega de escola, num caso que gerou amplo debate sobre a responsabilidade penal de menores.

O Código Penal chinês estabelece que menores entre os 12 e os 14 anos podem assumir responsabilidade penal em casos graves, mediante aprovação do Ministério Público. Nos últimos anos, vários casos reacenderam o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção da violência nos ambientes escolares e de melhorar os sistemas de protecção de menores no país.

29 Abr 2026

China / EUA | Representantes esperam que encontro entre Xi e Trump relance relações

O encontro entre os dois líderes deverá acontecer entre 14 e 15 de Maio em Pequim

Responsáveis chineses e norte-americanos indicaram ontem, em Hong Kong, esperar que visita prevista de Donald Trump à China, em Maio, relance as relações bilaterais entre os países. Durante numa conferência organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Hong Kong (AmCham), o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China naquele território, Cui Jianchun, afirmou que a forma como as duas maiores economias do mundo “se relacionam vai moldar o panorama global fundamental”.

“O único caminho a seguir é através do diálogo e da consulta”, disse, acrescentando que relações estáveis “servem os interesses comuns da comunidade internacional”.

Trump deverá visitar Pequim nos dias 14 e 15 de Maio para se reunir com Xi, naquela que será a primeira deslocação de um Presidente norte-americano em funções à China em quase uma década. A viagem, destinada a estabilizar as relações económicas e comerciais, estava prevista para Março, mas foi adiada devido à guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. Está também prevista uma visita de Xi a Washington ainda este ano.

Cui afirmou que a abordagem de Pequim assenta em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica”, incluindo o respeito pelos sistemas políticos e interesses fundamentais de cada parte, bem como a gestão das divergências sem conflito. “Desde que a China e os Estados Unidos respeitem estes princípios, as relações bilaterais terão um futuro melhor”, afirmou.

O responsável confirmou que as duas partes mantêm contactos sobre a visita planeada de Trump, acrescentando que relações “estáveis, sólidas e sustentáveis” irão “reforçar a confiança da comunidade empresarial norte-americana” e aprofundar a cooperação económica.

No mesmo evento, a cônsul-geral dos Estados Unidos em Macau e Hong Kong, Julie Eadeh, destacou tanto as oportunidades como as tensões na relação bilateral. “Os desafios que enfrentamos na relação entre os Estados Unidos e a China são reais e, em alguns casos, estão a aumentar”, afirmou, reiterando o compromisso de Washington com o diálogo.

“Os Estados Unidos procuram uma relação com a China assente na equidade e na reciprocidade, que torne o nosso país mais seguro, mais forte e mais próspero”, acrescentou, sublinhando a necessidade de “condições de concorrência equitativas” e de um “acesso ao mercado justo e recíproco”.

Diálogo e incerteza

Eadeh referiu que mais de 1.400 empresas norte-americanas operam em Hong Kong, atraídas pelos “mercados de capitais e conectividade internacional” do território, descrevendo a cidade como um espaço historicamente propício ao “diálogo construtivo”, embora reconhecendo que “a cidade mudou de forma significativa” e que a política dos EUA se ajustou.

Pequim reforçou, desde 2023, o controlo de Hong Kong ao implementar duras medidas de segurança nacional e ao suprimir a oposição política local. David Butts, responsável pela AmCham em Hong Kong, afirmou que a conferência ocorre num momento de elevada incerteza.

“Não há dúvida que o clima empresarial deste ano é dos mais turbulentos”, disse, classificando 2026 como “um ano decisivo” para as relações económicas entre EUA e China, e considerando que a suspensão de um ano de sanções comerciais impostas pelos EUA está prevista terminar em Novembro.

“Estamos a antecipar desenvolvimentos significativos”, afirmou Butts, apontando para a possibilidade de vários encontros entre Trump e Xi este ano, bem como para marcos políticos importantes, incluindo a aprovação do novo plano económico quinquenal da China e a cimeira de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC na sigla inglesa), prevista para Novembro em Shenzhen.

29 Abr 2026

Poemas de Meng Haoran

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

越中逢天台太一子

仙穴逢羽人

停艫向前拜

問余涉風水

何事遠行邁

登陸尋天台

順流下吳會

兹山夙所尚

安得聞靈怪

上逼青天高

俯臨滄海大

雞鳴見日出

每與仙人會

來去赤城中

逍遙白雲外

莓苔異人間

瀑布作空界

福庭長不死

華頂舊稱最

永願從此遊

何當濟所屆

(Pentâmetros ao Estilo Antigo)

Em Yue, Encontrando ao Acaso Um Mestre Taoista de Tiantai

Junto a uma gruta dos Imortais encontrei um homem emplumado; 1

Desembarcando, dirigi-me a ele para prestar respeito.

Perguntou da minha travessia sobre as águas batidas pelo vento:

De que serve embarcar em viagens longínquas?

“Podem-se cruzar desertos em busca de Tiantai,

Ou seguir corrente abaixo até Kuaiji em Wu.

Essa montanha reverenciei toda a vida,

Mas como saber dos seus numinosos prodígios?

Erguendo-se, enche as alturas do céu azul;

Em baixo, olha a extensão do mar turquesa.

Ao cantar do galo vê-se o sol aparecer,

Estamos sempre acompanhados pelos Imortais.

Vão e vêm no Pico da Falésia Vermelha,

Livres e leves além das nuvens brancas.

Líquen e musgo são diferentes dos do reino da morte,

E um lençol de espuma delineia os limites do espaço.

De entre os pavilhões a que a morte nunca vem

O mais elogiado sempre foi o da Crista Florida.

Peço poder partir de onde estou,

Para me ir até onde quero chegar um dia.”

Uma pessoa emplumada é alguém que transcendeu este “mundo de pó” e viaja pelo espaço como se tivesse asas. A residência terrena destas pessoas é em “grutas celestes (洞天), nas profundezas de montanhas sagradas, como Tiantai, que dão acesso a outros mundos, a mundos paralelos.

29 Abr 2026

Burla | PJ alerta para falsa assistência jurídica

A Polícia Judiciária (PJ) alertou que nos últimos dias foram descobertos vários anúncios falsos a prometer assistência jurídica, em nome da própria PJ. O aviso foi deixado num comunicado, depois dos anúncios terem circulado nas redes sociais. O organismo explicou que estas publicidades falsas prometem auxílio jurídico aos residentes que queiram obter compensações por terem sofrido burlas.

Contudo, a PJ explicou que o objectivo é levar os residentes a carregarem nos links e fornecerem as suas informações privadas. A PJ indicou ainda que este tipo de burla já foi registado nas zonas vizinhas e que os burlões se aproveitam das fragilidades psicológicas das vítimas, que querem recuperar o que perderam. Além de ser fazerem passar pelas autoridades, os burlões simulam ainda ser advogados, detectives ou empresas de cobrança de dívidas.

Furto | Detido por apropriar-se de bicicleta

Um homem foi detido pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) por suspeitas de ter furtado uma bicicleta. A informação foi divulgada ontem e o CPSP indicou que o crime terá acontecido a 25 de Fevereiro no Vale das Borboletas, em Seac Pai Van. O meio de transporte foi avaliado em 1.300 renminbis.

A detenção foi feita a 26 de Abril, e o CPSP conseguiu recuperar a bicicleta, porque estava estacionada perto do local do crime. Às autoridades, o homem, com cerca de 60 anos, não comentou a alegada acusação, mas declarou estar desempregado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP) e o homem está indiciado pelo crime de furto, que prevê uma pena máxima de três anos de prisão. A tentativa também é punida.

NAPE | Preso por troca ilegal de dinheiro

Um homem foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), por alegadamente ter sido interceptado quando fazia uma troca ilegal de dinheiro nos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE). Segundo a PJ, citada pelo jornal Ou Mun, o homem de 28 anos foi interceptado quando realizava uma transferência de dinheiro através de um Código QR no telemóvel com uma jogadora.

Como consequência desta operação, a mulher recebeu 10 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo, depois de pagar 8.900 renminbis, que utilizou para jogar nas mesas de jogo onde perdeu todo o dinheiro.

Quando confrontada pelas autoridades com a operação, a mulher reconheceu a troca de dinheiro para o jogo. Além da detenção do homem, a polícia apreendeu ainda 430 mil dólares de Hong Kong em dinheiro vivo e um telemóvel. Suspeita-se que o homem estivesse a dedicar-se a esta actividade desde Fevereiro do ano passado, e que tenha obtido ganhos de 90 mil renminbi.

29 Abr 2026

Trânsito | Idoso atropelado em estado grave no hospital

Um homem com 76 anos foi transportado em estado grave para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de ser atropelado, de acordo com a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O atropelamento aconteceu na noite de segunda-feira, por volta das 19h38, quando uma viatura privada atingiu o homem na Rua do Campo.

Quando os bombeiros chegaram ao local encontraram o homem, residente na zona, com ferimentos no pescoço. Foi levado para o hospital, mas o seu estado de consciência deteriorou-se durante a viagem, embora ainda tivesse pulso e estivesse a respirar. Até ontem, ainda não havia informações sobre a evolução do estado de saúde.

Gripe | Registados mais quatro casos colectivos

Os Serviços de Saúde (SS) revelaram que foram registados mais quatro casos de gripe colectiva em instituições de ensino, com um total de 38 infectados. De acordo com os dados dos SS, um dos casos foi identificado na Escola Kao Yip, com 20 infectados. No Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa) houve outro surto, com oito alunos infectados.

O terceiro caso, ocorreu na da Creche da Ana Sofia Monjardino da Associação UGAMM, com três infectados, e o quarto no Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Chinesa) com sete alunos diagnosticados com gripe. “Desde o dia 20 de Abril, os doentes começaram a manifestar sintomas de infecção do tracto respiratório superior, como febre e tosse, tendo alguns deles sido submetidos a tratamentos médicos. As condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações”, foi indicado.

29 Abr 2026

UE | China ameaça retaliar contra lei industrial

O ministério do Comércio da China afirmou ontem que a proposta de lei do acelerador industrial da União Europeia introduz “barreiras graves ao investimento” e “discriminação institucional” contra empresas estrangeiras e advertiu que responderá se Bruxelas avançar.

Em comunicado publicado no seu portal oficial, a tutela indicou que, na passada sexta-feira, apresentou formalmente às autoridades europeias os seus comentários ao projecto legislativo, nos quais expressa “grave preocupação” com o conteúdo.

Segundo Pequim, a iniciativa impõe “numerosos requisitos restritivos” ao investimento estrangeiro em quatro scetores estratégicos emergentes e dominados pela China: baterias, veículos eléctricos, energia fotovoltaica e matérias-primas críticas. O ministério criticou ainda a inclusão de cláusulas “discriminatórias” de “origem UE” na contratação pública e nas políticas de apoio estatal.

O ministério do Comércio sustentou que a proposta “poderia violar” princípios básicos como o de “nação mais favorecida” e o “tratamento nacional”, além de contrariar acordos internacionais sobre tarifas, investimento, propriedade intelectual ou subsídios.

A tutela acrescentou que a lei prejudicaria as expectativas de investimento das empresas chinesas na Europa, seria contrária à “concorrência justa” e poderia travar a transição verde europeia, além de afetar o sistema multilateral de comércio.

Resposta pronta

Pequim instou Bruxelas a retirar do texto os requisitos considerados discriminatórios para investidores estrangeiros, as exigências de conteúdo local, as disposições sobre transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual e as restrições na contratação pública.

O ministério avisou também que acompanhará de perto o processo legislativo e que, se a União Europeia “ignorar” as suas observações e a norma prejudicar empresas chinesas, Pequim “não terá mais opção senão adoptar contramedidas”. A Comissão Europeia apresentou o projecto em Março como um dos pilares da estratégia para reindustrializar o continente e reduzir dependências em sectores estratégicos face a potências como a China ou os Estados Unidos.

A proposta prevê a exigência de um mínimo de produção europeia na atribuição de apoios públicos e a imposição de condições a grandes investimentos estrangeiros, o que afecta empresas chinesas.

28 Abr 2026

Corrupção | Julgamento de Netanyahu novamente adiado

O depoimento do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no julgamento por corrupção foi ontem novamente adiado por motivos de segurança, noticiou a imprensa de Israel.

O depoimento do primeiro-ministro, que estava previsto ser retomado ontem após um adiamento de relacionado com a guerra de Israel contra o Irão, foi suspenso uma hora antes do início, devido a “preocupações de segurança” evocadas pelo advogado, Amit Hadad.

De acordo com os meios de comunicação israelitas Canal 12 e Ynet, que citaram o advogado de Netanyahu, não foi ainda anunciada a nova data para a continuação do julgamento do primeiro-ministro. Netanyahu solicitou formalmente um indulto ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a 30 de Novembro do ano passado.

No domingo, Herzog afirmou que não vai analisar o pedido até que as tentativas de chegar a um acordo extrajudicial com a acusação se esgotem. Antes da guerra com o Irão, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana para o julgamento dos casos de alegada corrupção em que está envolvido.

Benjamin Netanyahu enfrenta três processos judiciais: dois casos por fraude e abuso de confiança, e um caso de corrupção considerado grave.

Este último relaciona-se com alegados favores concedidos pelo primeiro-ministro — quando ainda era ministro das Comunicações — ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o portal Walla News, em troca de uma cobertura mediática favorável.

28 Abr 2026

Farmácia | Indiana Sun Pharm compra grupo norte-americano Organon por 10.000 ME

A farmacêutica indiana Sun Pharma anunciou ontem que concluiu um acordo para adquirir o grupo americano Organon, especializado em saúde das mulheres, por um montante avaliado em 11.750 milhões de dólares.

O maior laboratório farmacêutico indiano comprará a totalidade das acções da Organon ao preço de 14 dólares por acção, no âmbito de uma transação totalmente em dinheiro, indicaram as duas empresas num comunicado conjunto. A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração dos dois grupos e deve estar concluída “no início de 2027”, sujeita à obtenção das aprovações regulatórias necessárias e ao acordo dos accionistas.

Esta operação está “em linha recta” com o projecto da Sun Pharma de desenvolver a sua actividade de “medicamentos inovadores”, acrescenta o comunicado, destacando que também permite ao gigante indiano tornar-se um dos dez principais actores globais do mercado de biossimilares.

“O portfólio, as capacidades e o alcance global da Organon são muito complementares aos nossos”, declarou o presidente da Sun Pharma, Dilip Shanghvi, num comunicado. “Acreditamos que a fusão destas duas organizações permitirá criar uma plataforma mais sólida e diversificada”, sublinhou.

A presidente da Organon, Carrie Cox, estimou que esta aquisição representava um “valor imediato e convincente” para os accionistas. O laboratório americano Organon oferece medicamentos e soluções terapêuticas para mulheres, cobrindo uma gama que vai da contracepção à fertilidade, passando por doenças cardiovasculares e cancros. A Índia, frequentemente denominada “farmácia do mundo”, exportou mais de 31.000 milhões de dólares em medicamentos no último exercício fiscal.

28 Abr 2026

Filme “Justa” de Teresa Villaverde premiado em festival de Pequim

O filme “Justa”, de Teresa Villaverde, recebeu o Prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Cinema de Pequim, na China, e Madalena Cunha, de 13 anos, venceu na categoria de melhor actriz secundária.

“Justa recebeu o prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística e a actriz Madalena Cunha, de 13 anos e natural das Caldas da Rainha, recebeu o prémio Tiantan para melhor Actriz Secundária”, anunciou, em comunicado, a agência Portugal Film. Os prémios foram atribuídos pela actriz francesa Juliette Binoche, que presidiu ao júri, pelos realizadores Bi Gan, Tran Anh Hung e Gabriel Mascaro, pelo compositor Simon Franglen, e pelos actores Zhang Yi e Zhang Xiaofei.

“Justa” é uma co-produção entre a Alce Filmes (Portugal) e a Epicentre Films (França). Do elenco fazem ainda parte Betty Faria, Filomena Cautela, Robinson Stévenin e Ricardo Vidal. A acção da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu outras 253. Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas.

Ficção e realidade

“Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas.

Entre essas histórias ficcionadas há a de Justa, uma menina que procura entender a morte da mãe no incêndio, e apoia o pai, que ficou com o corpo mutilado pelas chamas. No filme cruzam-se ainda uma mulher que ficou cega, depois da morte do marido, ou uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento. Um ano depois daquele incêndio, Teresa Villaverde passou pela região e ficou marcada pelo que viu e ouviu.

“Atravessei aquelas estradas quando estava tudo ardido, e nas imagens que se vêem na televisão ou em fotografias não se percebe o impacto de quilómetros e quilómetros de tudo preto, era uma coisa impressionante, e o silêncio total. […] Parecia o som da terra que nos acusa”, contou em entrevista à Lusa, aquando da estreia nos cinemas.

Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio. O filme já teve estreia em Portugal e França e, brevemente, chegará às salas de cinema no Brasil, com selecções em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil, Itália, entre outros.

28 Abr 2026

Pequim destaca “resiliência” do sector petrolífero apesar do conflito

A China destacou ontem a “resiliência” do sector petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços.

Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdirector do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o sector nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”.

Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano.

Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”.

Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou.

Ásia em foco

O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afectado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações.

No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45 por cento das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026.

A China tem condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que defende o respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém relações políticas, comerciais e energéticas estreitas.

28 Abr 2026

IA | Bloqueada aquisição da ‘startup’ Manus pela Meta

A China bloqueou a aquisição da ‘startup’ de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, por 2.000 milhões de dólares invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro, segundo um comunicado oficial. Numa nota breve divulgada ontem, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar directamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram.

A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso. A entidade não detalhou as razões concretas para o bloqueio.

A Meta tinha anunciado em Dezembro a aquisição da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China. A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas.

A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China. Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em Janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional.

Em reacção, a Meta afirmou ontem que a transacção “cumpriu plenamente a legislação aplicável” e disse esperar uma “resolução adequada” do processo.

28 Abr 2026

Indústria chinesa | Lucros sobem 15,5% no primeiro trimestre

Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,5 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre, reforçando a recuperação após três anos consecutivos de quedas, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com o Gabinete Nacional de Estatística da China, os ganhos destas empresas atingiram cerca de 1,7 biliões de yuan entre Janeiro e Março.

O crescimento superou os 15,2 por cento registados no conjunto de Janeiro e Fevereiro – isolando Março, o indicador avançou 15,8 por cento –, mas ficou abaixo das previsões do portal especializado Trading Economics, que apontavam para uma subida de 18 por cento.

Para este indicador, a autoridade estatística considera apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O estatístico da instituição Yu Weining atribuiu a evolução positiva à adopção de “medidas macro mais proactivas e eficazes”, destacando o contributo de sectores como maquinaria, alta tecnologia e matérias-primas.

No sector da maquinaria, a electrónica liderou o crescimento, com um aumento de 124,5 por cento nos lucros. Na indústria de alta tecnologia, o segmento da indústria “verde” duplicou os resultados, impulsionado pela procura associada à subida do preço do petróleo no contexto da guerra no Irão.

Já no sector das matérias-primas, a indústria de metais não ferrosos registou um aumento de 116,7 por cento nos lucros, também influenciada pelo impacto do conflito no Médio Oriente nos preços do alumínio. Apesar da recuperação, Yu alertou para “múltiplas incertezas” no ambiente externo e sublinhou que persistem problemas estruturais na economia chinesa, como o excesso de capacidade produtiva e a fraqueza da procura interna.

28 Abr 2026

Yuan | Emissão de dívida fora da China atinge máximos com procura de investidores

Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por activos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times.

O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico.

Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, reflectindo um alargamento do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan, também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante.

“Há muita procura por activos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atractiva”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenómeno como uma “corrida ao financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais.

Papel de relevo

O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan este ano, cerca de 10 por cento do total.

A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong. Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para activos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa – cerca de 1,75 por cento nas obrigações soberanas a 10 anos.

Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas”, afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis.

O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.

28 Abr 2026

Turismo | Macau acolhe nova edição da feira PATA Travel Mart em 2027

Macau vai receber no próximo ano, entre os dias 20 e 22 de Setembro, mais uma edição da PATA Travel Mart, uma feira dedicada ao turismo que visa promover negócios e bolsas de contacto. A iniciativa nasce de uma parceria entre a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e Associação de Turismo da Ásia Pacífico (Pacific Asia Travel Association – PATA).

Segundo um comunicado oficial, esta edição da PATA “reunirá responsáveis pelo turismo e profissionais do sector da região Ásia-Pacífico e de todo o mundo”, tendo Helena de Senna Fernandes, directora da DST, adiantado que já foi dado início “aos vários trabalhos preparatórios” para o evento.

“A realização da PATA Travel Mart voltará a evidenciar as vantagens únicas da cidade na ligação entre o Interior da China e o mundo, trazendo excelentes oportunidades para os operadores de diversas regiões”, foi acrescentado.

Esta será a terceira vez que a PATA Travel Mart se realiza no território, depois das edições de 2010 e 2017. Fundada em 1951, a PATA é uma associação de filiação sem fins lucrativos dedicada à promoção do desenvolvimento sustentável da indústria de turismo e viagens na Ásia-Pacífico. Macau é membro da PATA desde 1958.

28 Abr 2026

Lojas | Deputado quer Governo a gerir sistema de senhas

O deputado Ngan Iek Hang defende que o Governo deve actuar junto das lojas mais populares em Macau, para gerir melhor os recursos destas, e distribuir o fluxo de visitantes. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o legislador ligado aos Moradores a defender que o Executivo deve dar assistência à gestão dos negócios mais populares.

Segundo o deputado, a “generalização da internet e das plataformas sociais” leva a que muitos turistas consultem informações online antes de se deslocarem a Macau, traçando previamente pontos de passagem. Para o deputado, esta realidade, tida como positiva, faz com que seja “cada vez mais evidente o papel orientador das promoções na internet para o consumo turístico”.

Contudo, Ngan Iek Hang vem agora defender que estes negócios estão a enfrentar “uma certa pressão de funcionamento devido ao elevado fluxo de clientes”, pela sua popularidade online.

Por este motivo, o legislador quer assim saber se o Executivo vai “lançar medidas complementares específicas para ajudar as lojas a optimizarem os sistemas de marcação online, levantamento de senha e triagem do fluxo de clientes”, para “a elevar a eficiência operacional” e melhorar “a experiência dos visitantes”.

Em relação ás grandes filas em alguns restaurantes, que se acentua nos fins-de-semana, Ngan Iek Hang quer saber se o Executivo vai fazer uma maior promoção online, de forma a divulgar igualmente outros espaços próximos dos mais populares, para que os turistas deixem de se concentrar tanto em alguns pontos da cidade.

28 Abr 2026

Língua portuguesa | Posição oficial contrasta com “erosão silenciosa”

Apesar do discurso oficial sobre a promoção do português, os advogados em Macau queixam-se de que é cada vez mais difícil utilizar a língua de Camões.

Advogados defenderam à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” do idioma oficial na região. O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, realizou uma visita oficial a Portugal de 18 a 21 de Abril, marcada por encontros institucionais e declarações diplomáticas de reforço da cooperação entre Portugal e a China, e em que destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais.

No entanto, de acordo com a advogada Sofia Linhares, a trabalhar no território, “o sorriso diplomático contrasta com a realidade administrativa”, marcada pela “erosão silenciosa do português” como língua oficial na região. Linhares recorda que a Lei Básica de Macau estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

No entanto, a advogada alertou existir “resistência de funcionários e magistrados ao uso do português em funções oficiais” e uma diminuição da proficiência entre os quadros da administração pública.

Problema conhecido

Uma delegação parlamentar portuguesa, que visitou Macau em Dezembro de 2025, identificou num relatório a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Para a advogada, a contradição é evidente: de um lado, Portugal e China celebram a “dinâmica cooperação” e do outro, “muitos cidadãos – e até funcionários públicos – não conseguem recorrer ao português em procedimentos administrativos rotineiros”. “Documentos são predominantemente em chinês, tribunais enfrentam atrasos por falta de quadros bilingues e serviços públicos redireccionam falantes de português para cantonês ou inglês”, alertou.

Apesar disso, Linhares reconheceu existir uma “resistência tenaz em Macau” por parte de “uma pequena comunidade de juristas, tradutores e funcionários públicos” que continua a usar o português diariamente nos órgãos administrativos, funcionando como “guardiões da linha temporal até 2049”.

De acordo com a Declaração Conjunta, assinada por Pequim e Lisboa e que levou à transição de administração de Macau em 1999, a cidade deveria manter os direitos, liberdades e garantias durante um período de 50 anos. Mas, sem reforço sistémico de Lisboa e Pequim, “a extinção prática do português administrativo ocorrerá muito antes” dessa meta temporal.

Processo em curso

O advogado Sérgio Almeida Correia partilha a mesma preocupação, considerando que “a situação da língua portuguesa nos tribunais e na administração pública tem sofrido uma involução nos últimos anos”. “Estamos pior do que há cinco ou dez anos,” alertou à Lusa.

De acordo com Correia, embora haja mais pessoas a aprender o idioma, “são cada vez menos os que falam português nos tribunais”. O jurista disse que “mais grave são os despachos, promoções, sentenças e acórdãos em chinês na primeira instância, embora haja alguns juízes sensíveis ao problema”.

A situação nos serviços do Ministério Público “é dramática”, diz Correia, descrevendo que “ultimamente, não há um despacho, uma notificação que seja, que chegue em língua portuguesa”. “Ao menos podiam recorrer às ferramentas de tradução que usam a inteligência artificial, que actualmente estão cada vez mais perfeitas, dizendo-o no despacho ou notificação. Já seria uma ajuda”, notou.

O advogado critica a falta de tradutores qualificados e considera incompreensível que “uma região com orçamentos superavitários, que factura só no jogo mais de 20 mil milhões de patacas todos os meses”, não consiga contratar “gente qualificada e bem paga” para fazer traduções nos tribunais ou na Polícia Judiciária.

Nos tribunais, acrescenta, “os tradutores estão sobrecarregados e a tradução durante diligências é muitas vezes incompleta, deixando advogados e arguidos em desvantagem”.

“O Código de Procedimento Administrativo e a Lei Básica garantem que os residentes podem apresentar requerimentos e receber resposta numa das línguas oficiais. Nos tribunais isto é muitas vezes ignorado” descreveu. Para o profissional de advocacia, isto contraria a Declaração Conjunta e a Lei Básica, e é “mau para Macau e é mau para a China”. “Dá uma péssima imagem da justiça que aqui se faz”, concluiu.

28 Abr 2026

Japão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais

Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais.

Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate.

Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo.

Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.

27 Abr 2026

Macau ajuda empresas chinesas a assinarem 109 acordos em Portugal e Espanha

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau disse que a delegação empresarial que acompanhou a visita do líder do Governo local assinou 109 acordos de cooperação em Portugal e Espanha.

Num comunicado divulgado no sábado à noite, o IPIM disse que os protocolos foram o resultado de mais de 220 sessões de bolsas de contactos com empresas dos dois países europeus. Em 16 de Abril, o instituto referiu que tinha convidado cerca de 240 representantes governamentais e empresariais de Portugal e Espanha a participar em duas sessões de promoção da cooperação económica e comercial.

A comitiva, que reuniu cerca de 120 representantes dos sectores governamental e empresarial de Macau, Hengqin e de outros locais da China, esteve em Lisboa e Madrid entre 19 e 24 de Abril. A delegação organizada pelo IPIM visitou 16 entidades em Portugal e Espanha, incluindo departamentos económicos e comerciais, bem como projectos ligados às áreas da tecnologia e saúde integrada.

O comunicado sublinha que as empresas portuguesas e espanholas demonstraram interesse em apostar não só em Macau, mas também na vizinha zona económica especial de Hengin (ilha da Montanha). As duas áreas podem, em conjunto “criar uma ponte eficiente e conveniente no sentido de apoiar as empresas portuguesas e espanholas na expansão para o mercado chinês”, defendeu o IPIM.

Périplo de sucesso

Sam Hou Fai, o primeiro chefe do executivo da região semiautónoma chinesa a dominar a língua portuguesa, iniciou em Lisboa uma deslocação que passou ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas. Em Portugal, Sam Hou Fai encontrou-se com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Governo da região chinesa, Sam Hou Fai manifestou em Bruxelas o desejo de relançar as reuniões da Comissão Mista da União Europeia e Macau. O Chefe do Executivo disse que “espera, no futuro, pode retomar” a comissão, cuja 24.ª reunião estava inicialmente agendada para 2020, mas foi adiada devido ao início da pandemia de covid-19.

Sam Hou Fai sublinhou que Macau assinou, em 1992 – antes da transição de administração do território de Portugal para a China – um acordo de cooperação com a então Comunidade Económica Europeia, a antecessora da União Europeia (UE). Num encontro com o vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, o líder do Governo de Macau disse contar com o apoio da instituição para reiniciar o mecanismo da Comissão Mista.

Na sexta-feira, Sam Hou Fai já tinha manifestado esperança de que a UE apoie a difusão e promoção de língua portuguesa em Macau, ajudando a região a formar mais quadros profissionais de tradução.

27 Abr 2026

Tailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes

A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul.

O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia.

“Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou.

Abertura total

Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh.

Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.

27 Abr 2026

Rússia | Pequim ameaça UE com retaliação por incluir empresas chinesas em sanções

A China ameaçou a União Europeia (UE) de retaliação depois de Bruxelas incluir diversas empresas chinesas na vigésima ronda de sanções devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“A China tomará as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em comunicado publicado sábado à noite no site oficial da instituição.

O porta-voz falou do “forte descontentamento” de Pequim com a decisão e acusou Bruxelas de “ignorar as repetidas queixas e a oposição” do país: “Esta iniciativa da UE contraria o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE e prejudica seriamente a confiança mútua e a relação bilateral”.

“A China exige que a UE remova imediatamente as empresas e os cidadãos chineses da lista de sanções (…) e que encontre soluções para suas respectivas preocupações através de diálogo e consultas”, acrescentou o porta-voz do Ministério do Comércio. Na passada semana, as autoridades da UE revelaram detalhes do mais recente pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros que forneceram sistemas de armas ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia.

Bruxelas também visou 28 entidades localizadas na China, incluindo as de Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, acusando-as de “fornecer apoio directo ou indirecto ao complexo militar-industrial da Rússia” ou de “estarem envolvidas na evasão de sanções”.

27 Abr 2026

IA | DeepSeek lança novo modelo de IA

A DeepSeek lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA) para o agente de conversação da empresa chinesa, após ter surpreendido o sector em 2025 com desempenhos comparáveis aos de rivais norte-americanos. A indústria tecnológica global aguardava há semanas o anúncio, visto como um indicador das ambições da China no sector da IA.

No início de 2025, a ‘startup’ sediada em Hangzhou, no leste da China, lançou um agente conversacional que, segundo a empresa, rivalizava com sistemas como ChatGPT, Gemini ou Claude, mas a um custo inferior. “Hoje, a pré-versão da nossa nova série de modelos, DeepSeek-V4, está oficialmente disponível e publicada numa fonte aberta”, indicou a empresa, numa nota divulgada na rede social chinesa WeChat.

O novo modelo é apresentado em duas versões, DeepSeek-V4-Pro e DeepSeek-V4-Flash, sendo esta última descrita como menos potente, mas mais económica. “Em comparação com a geração anterior, as capacidades de agente do DeepSeek-V4-Pro foram significativamente reforçadas”, acrescentou a empresa.

Em Janeiro de 2025, o lançamento do agente R1 da DeepSeek, com capacidades avançadas de raciocínio, provocou fortes reacções nos mercados, contribuindo para uma queda das acções tecnológicas nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a empresa norte-americana OpenAI anunciou um novo modelo de IA, apresentado como o mais avançado do mercado. O GPT-5.5 é a mais recente geração do modelo que sustenta o ChatGPT, uma interface de IA generativa utilizada por cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

27 Abr 2026

Myanmar | Prometida mais cooperação em comércio e segurança

A China e Myanmar prometeram fortalecer os laços comerciais e de segurança, particularmente ao longo da fronteira comum, durante conversas que contaram com Min Aung Hlaing, o ex-líder da junta militar que se tornou presidente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, concluiu ontem uma viagem pelo Sudeste Asiático a Myanmar (antiga Birmânia), que também incluiu visitas ao Camboja e à Tailândia.

A viagem teve como objectivo fortalecer as relações com estes países diante dos riscos e apresentar Pequim como um parceiro confiável perante a imprevisibilidade do Presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas tarifas. Pequim “apoiará firmemente” Myanmar nos seus esforços para salvaguardar a sua soberania e segurança nacionais, afirmou Wang durante uma reunião na capital, Naypyidaw.

“Como este ano marca o primeiro ano do mandato do novo governo em Myanmar, ambos os lados devem aproveitar esta oportunidade para perpetuar e promover sua amizade tradicional”, disse Wang. Min Aung Hlaing tomou posse como presidente no início de Abril, continuando a governar como civil após assumir o poder como chefe da junta militar em um golpe que desencadeou a actual guerra civil.

Após cinco anos de governo autoritário, a sua junta realizou eleições parlamentares em Dezembro e Janeiro, que foram apresentadas como um regresso à democracia.

27 Abr 2026

Economia chinesa | Reforçada segurança com novos regulamentos

Face à crise internacional com resultados cada vez mais imprevisíveis, Pequim aplica novas medidas para ampliar a capacidade de resposta do país em termos económicos e comerciais

A China está a reforçar a segurança na política económica, num contexto de choques globais, com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimento e aumentam a capacidade de resposta a sanções, segundo o MERICS. O grupo de reflexão, com sede em Berlim, destacou que o Conselho de Estado publicou em Abril dois conjuntos de regulamentos que visam proteger cadeias industriais, travar estratégias de “redução de risco” por empresas estrangeiras e reforçar a resiliência da economia chinesa face a eventuais sanções de outros países.

Os Regulamentos sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Abastecimento, em vigor desde 07 de Abril, e os Regulamentos para Contrariar Jurisdições Extraterritoriais Indevidas por Estados Estrangeiros, aplicados desde 13 de Abril, conferem às autoridades novos poderes para actuar sobre empresas chinesas e estrangeiras, dentro e fora do país, em caso de alegadas infracções.

As medidas integram um conjunto mais amplo de instrumentos de segurança nacional e económica, proporcionando a Pequim maior base legal para retaliar contra comportamentos considerados indesejáveis e impor conformidade, lê-se no relatório do MERICS. Neste contexto, empresas estrangeiras poderão enfrentar pressões crescentes entre os regimes de segurança económica e “redução de riscos” nos seus países de origem e as exigências regulatórias na China.

Riscos persistentes

Em paralelo, o responsável máximo pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zheng Shanjie, destacou, num artigo publicado a 20 de Abril no jornal oficial Diário do Povo, os progressos na promoção da autossuficiência tecnológica e industrial, mas alertou para vulnerabilidades persistentes.

Segundo Zheng, a dependência de importações de determinadas matérias-primas continua a expor o país a perturbações nas cadeias de abastecimento, enquanto o acesso limitado a algumas tecnologias mantém “o risco de ser ‘estrangulado’ em áreas cruciais”.

O dirigente defendeu o reforço da resiliência macroeconómica, uma redução adicional das dependências externas e o alargamento dos instrumentos políticos para prevenir estratégias de diversificação de risco por parceiros estrangeiros e, se necessário, permitir retaliações.

27 Abr 2026

Quatro décadas de joias de Vivienne Westwood expostas em Macau

Quatro décadas do trabalho de joalharia da estilista britânica Vivienne Westwood (1941-2022) vão estar expostas no hotel-casino Grand Lisboa Palace a partir de 29 de Abril, anunciou a organização. Macau é a quarta paragem desta exposição, depois de “Vivienne Westwood & Jewellery” ter passado pela Nova Zelândia e pelas cidades chinesas de Xangai (este) e Chengdu (centro).

“Esta prestigiada exposição chega agora à região da Grande Baía, unindo elegantemente o Oriente e o Ocidente através dos designs visionários deste lendário ícone britânico”, lê-se num comunicado da concessionária de jogo SJM [Sociedade de Jogos de Macau] Resorts.

A mostra, que decorre até 15 de Julho, tem curadoria da equipa Vivienne Westwood, apresentando “quatro décadas de joias raras de arquivo e de passarela reunidas pela primeira vez como colecção única”. O evento, lê-se ainda na nota, oferece uma “perspectiva única sobre o mundo de Vivienne Westwood, uma das designers de moda e activistas mais influentes dos séculos XX e XXI”.

Percurso original

A organização apresenta outras razões para visitar a mostra, com entrada gratuita. Trata-se de uma oportunidade de explorar a “linguagem de design e o espírito subversivo” de Westwood, num percurso por oito salas, e descobrir “combinações ecléticas de joias e peças de vestuário que demonstram a requintada mestria da casa de design britânica e a sua profunda influência na moda, na cultura e na sustentabilidade”.

Ainda de acordo com a operadora, a apresentação da colecção “exemplifica o compromisso contínuo da SJM em enriquecer a experiência turística de Macau através de ofertas culturais” e contribui para a estratégia do Governo local de diversificação da economia do território, profundamente dependente do sector do jogo em casino.

Vivienne Westwood nasceu em Derbyshire, Inglaterra, em 1941, tendo sido uma das designers de moda mais conhecidas do mundo pelas suas roupas irreverentes e provocadoras. Juntamente com o seu parceiro, Malcolm Mclaren, músico e manager dos Sex Pistols, estendeu a sua maneira de vestir e de fazer roupa ao mundo do punk, estabelecendo uma ligação com os próprios Sex Pistols, nos anos 70. Vivienne Westwood morreu em Londres, em 2022.

27 Abr 2026