Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Dependência económica traz “riscos estruturais” para a China Um dos principais riscos enumerados pelos académicos do Instituto de Economia da Universidade de Jinan é a movimentação de fluxos de capital do Interior da China para o exterior, através de Macau Dois académicos chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental. Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do sector desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”. O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais. Segundo a investigação, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos. As receitas brutas do jogo subiram de cerca de 23,5 mil milhões de patacas em 2002 para 361,8 mil milhões de patacas em 2013, com o valor acrescentado do jogo a representar entre 45 por cento e 60 por cento do PIB durante muitos anos. Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70 por cento e 80 por cento das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas em 2024. Mais de 80 mil trabalhadores O emprego no sector passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população activa a subir de 204.000 para 388.000. No entanto, os académicos alertam para a “dominância esmagadora de uma única indústria”, que deixou a economia vulnerável. Os investigadores apontaram que o sector hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6 por cento em 2003 para 5,9 por cento em 2024, mas as infra-estruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos. A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas em 2019 para 202,0 mil milhões em 2020. “Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores. Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas, acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros sectores. Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde. Segurança financeira Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das actividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais. Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afectando cadeias industriais e sistemas sociais. O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70 por cento dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente. O estudo reconhece que a atractividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.
Hoje Macau China / ÁsiaJustiça | Senador pró-Duterte acusado de corrupção nas Filipinas O Provedor de Justiça das Filipinas acusou o senador Rodante Marcoleta de corrupção, dias antes do processo de destituição da vice-presidente Sara Duterte. Trata-se do segundo aliado de Sara Duterte a ser acusado em pouco mais de um mês, após a detenção de José “Jinggoy” Estrada. Um terceiro apoiante da vice-presidente encontra-se em fuga. Os três eram considerados votos garantidos contra a destituição de Sara Duterte, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte. São necessários dezasseis votos no Senado, que conta com 24 assentos, para declarar a culpa, num julgamento que começa hoje. As acusações contra o senador Rodante Marcoleta incluem “pilhagem”, um crime que não permite a libertação sob pagamento de fiança. “As provas incluem três doações em dinheiro no valor total de 75 milhões de pesos [um milhão de euros], não declaradas na [declaração de património] do senador nem nos seus relatórios financeiros de campanha”, especifica o gabinete do Provedor de Justiça num comunicado, acrescentando que Marcoleta “confirmou publicamente ter recebido esse dinheiro”. Nesta fase, nenhuma das partes confirmou a emissão de um mandado de detenção contra Marcoleta, de 72 anos. Fé inabalável Na semana passada, milhares de membros da Iglesia Ni Cristo (INC), uma poderosa seita filipina ligada à dinastia política dos Duterte, saíram às ruas para protestar contra as acusações que pesam sobre o senador, paralisando o trânsito na capital. No mês passado, José “Jinggoy” Estrada foi detido pelo alegado papel num vasto escândalo de corrupção relacionado com projectos falsos de combate às inundações. Por sua vez, o senador Ronald “Bato” Dela Rosa encontra-se em fuga, depois de ter escapado a uma detenção ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo papel na sangrenta guerra contra a droga liderada pelo ex-presidente Rodrigo Duterte. Se Sara Duterte for declarada culpada no final do julgamento, que poderá durar vários meses, será destituída e ficará inelegível para sempre, apesar de se ter candidatado às eleições presidenciais de 2028.
Hoje Macau China / ÁsiaExercícios militares conjuntos com a Rússia marcados para este mês A China anunciou que vai realizar, durante este mês, os exercícios navais anuais com a Rússia, desta vez ao largo da costa chinesa, seguindo-se patrulhas conjuntas numa zona não especificada do oceano Pacífico. Parte dos exercícios serão realizados no espaço aéreo e marítimo ao largo de Qingdao Vão realizar-se ao longo do mês de Julho os exercícios militares conjuntos entre forças chinesas e russas deste ano, foi ontem anunciado pelo Ministério da Defesa chinês. Os dois países mantêm uma importante parceria diplomática e económica, reforçada pela vontade comum de apresentar uma alternativa ao que consideram ser a predominância dos Estados Unidos na ordem mundial. A China e a Rússia realizam há vários anos exercícios militares conjuntos, actualmente acompanhados com desconfiança por vários países, sobretudo ocidentais, no contexto da guerra na Ucrânia. As marinhas dos dois países vão realizar os exercícios “Joint Sea-2026” “nos espaços aéreo e marítimo ao largo de Qingdao”, importante porto militar e estância balnear no leste da China, indicou o Ministério da Defesa chinês. “No final deste exercício conjunto, parte das forças dos dois países participará numa patrulha marítima conjunta numa zona marítima do oceano Pacífico”, acrescentou o ministério, em comunicado. Segundo o documento, a iniciativa “visa responder em conjunto aos desafios de segurança e preservar a paz e a estabilidade na região”, sem especificar a dimensão dos meios militares envolvidos. Em sintonia Os exercícios realizam-se cerca de dois meses depois da visita do Presidente russo, Vladimir Putin, à China. Na ocasião, o chefe de Estado russo classificou o nível das relações bilaterais como “sem precedentes”, enquanto o Presidente chinês, Xi Jinping, as descreveu como “inquebrantáveis”. Os exercícios “Joint Sea-2026” entre as marinhas da China e da Rússia realizam-se desde 2012. A edição de 2025 decorreu nas proximidades de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, tendo sido igualmente seguida por patrulhas conjuntas no oceano Pacífico. A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia, iniciada em Fevereiro de 2022, mas tem apelado à realização de negociações de paz. As capitais ocidentais acusam regularmente Pequim de prestar a Moscovo um apoio económico essencial ao esforço de guerra russo.
Hoje Macau DesportoFélix da Costa sem pontos em Xangai, mas na luta pelo título na Fórmula E O piloto português António Félix da Costa (Jaguar) ficou ontem fora dos pontos na 13ª prova do Mundial de Fórmula E, em Xangai, numa corrida ganha pelo brasileiro Lucas di Grassi, mas mantém-se na luta pelo título. Depois do segundo lugar alcançado na véspera, também em Xangai, Félix da Costa terminou esta ronda na 14ª posição, a 26,934 segundos do vencedor, o brasileiro Lucas di Grassi (Yamaha), com o francês Jean Eric Vergne (Citroën) a ficar na segunda posição, a 0,565 segundos, e o sueco Joel Eriksson (Envision) na terceira, a 2,903. Tal como na véspera, esta prova ficou marcada pela chuva, por condições de pista em evolução e por uma gestão de energia que acabou por comprometer as ambições do piloto português. “Foi um dia complicado. Foi o dia todo praticamente à chuva e, normalmente, andamos bem à chuva, mas hoje não acertámos com uma série de coisas”, afirmou ontem António Félix da Costa. O piloto português explicou que a qualificação condicionou desde logo a corrida, depois de ter partido apenas do 12º lugar da grelha. “Basicamente, toda a estratégia da corrida foi mal feita, mal encarada, porque nunca achámos que a energia fosse ser um tema”, lamentou. Segundo Félix da Costa, a corrida começou com a pista completamente molhada, mas o asfalto foi secando ao longo da prova, alterando as exigências de gestão energética. “A pista começou a secar e gastámos muita energia mesmo antes da corrida começar, a aquecer pneus no ‘safety car’ e tudo mais. São coisas que aqui na Fórmula E não se fazem”, explicou. Apesar de considerar que tinha ritmo para discutir um melhor resultado, o português acabou por não conseguir acompanhar o andamento dos pilotos da frente devido à falta de energia disponível. “Basicamente, não tivemos energia para acompanhar o andamento que tínhamos. Tínhamos um muito bom andamento na corrida, mas infelizmente não conseguimos fazer nada e foi um dia sem pontos”, acrescentou. De Tóquio a Londres A vitória em Xangai ficou para Lucas di Grassi, da Lola Yamaha ABT, que arrancou do 18º lugar e chegou ao triunfo na última volta, depois de ultrapassar o francês Jean-Éric Vergne, da Citroën Racing, na curva 1. O brasileiro, campeão da Fórmula E em 2016/17 e vencedor da primeira corrida da história do campeonato, também disputada na China, regressou assim aos triunfos pela primeira vez desde 2022. O alemão Pascal Wehrlein, da Porsche, foi quarto classificado, resultado suficiente para assumir a liderança do Mundial, beneficiando ainda do abandono antes da partida do neozelandês Mitch Evans (Jaguar), que não conseguiu alinhar devido a um problema técnico. Apesar da jornada sem pontos, António Félix da Costa sublinhou que continua na discussão pelo campeonato, quando faltam quatro corridas para o final da temporada. “Agora temos Tóquio, temos Londres, quatro corridas. Estamos a 30 pontos do líder. Chegámos aqui a quase 40, por isso, estamos a fechar essa distância para o líder. Agora vêm quatro corridas importantes”, afirmou. O Mundial de Fórmula E prossegue em 25 e 26 de Julho, com a jornada dupla do E-Prix de Tóquio, antes do encerramento da temporada em Londres.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Piloto que embateu no edifício mais alto de Pequim quis suicidar-se As autoridades chinesas atribuíram o acidente de sexta-feira da semana passada, em que um pequeno avião embateu contra o edifício mais alto de Pequim, a “motivos pessoais” do piloto, que tinha ideias suicidas. O homem de 66 anos morreu e 13 pessoas ficaram feridas. Nenhuma ficou em estado grave e uma das vítimas já teve alta hospitalar, acrescentaram as autoridades da área administrativa de Chaoyang, em Pequim, num comunicado divulgado nas redes sociais. O relatório da investigação apontou que o piloto, identificado apenas pelo apelido Liu, não tinha emprego fixo, era divorciado e vivia sozinho, sofrendo de insónias e ansiedade. O diário do piloto continha várias referências à intenção de se suicidar. O acidente ocorreu pelas 18h, numa zona de arranha-céus no centro da capital chinesa, numa altura em que muitas pessoas deixavam os locais de trabalho, levantando questões sobre a segurança em Pequim. O embate abriu um buraco na fachada envidraçada da Torre CITIC, com 108 andares, conhecida como edifício “Zun” devido ao formato inspirado num antigo recipiente chinês para vinho. Na mesma nota, as autoridades referiram que o piloto realizou inicialmente um voo de treino acompanhado num avião de instrução de dois lugares e, posteriormente, descolou sozinho de um aeroporto privado nos arredores de Pequim. Durante o voo, desviou-se da rota prevista e as autoridades perderam contacto com a aeronave.
Hoje Macau China / ÁsiaCriança de 11 anos atropelou mortalmente nove monges na Tailândia Pelo menos nove monges budistas morreram ontem e mais de dez ficaram feridos ao serem atropelados por uma carrinha conduzida por uma criança de 11 anos no nordeste da Tailândia, disse a polícia. O chefe da polícia local, Pairoj Thaiphutsa, disse aos jornalistas que “o suspeito é uma criança” de 11 anos que conduzia o veículo dos pais sem autorização, acabando por atropelar um grupo composto por 35 monges e cinco fiéis numa estrada na província de Mukdahan. O mesmo responsável acrescentou que o veículo foi apreendido para perícias, “a fim de determinar a causa do acidente”. Cinco monges morreram no local e quatro não resistiram aos ferimentos depois de terem sido transportados para o hospital da região. Os restantes feridos permanecem hospitalizados. Segundo as autoridades locais, os monges relataram ter visto o veículo a perder o controlo antes de sair da estrada e colidir com o grupo. Os monges tinham iniciado, 30 minutos antes do acidente, uma peregrinação a pé de cerca de 260 quilómetros até à província de Ubon Ratchathani. A província de Mukdahan, a cerca de 600 quilómetros a nordeste da capital, Banguecoque, na região de Isan, uma zona rural no Delta do Mekong, na fronteira com o Laos. Isan é a região mais pobre da Tailândia e tem a menor densidade populacional do país, com cerca de 350 mil habitantes. Na lista negra O governador da província de Mukdahan, Worayan Bunnarat, afirmou que a tragédia deve servir de alerta sobre a segurança rodoviária na Tailândia. O país tem um historial de sinistralidade rodoviária, porém, a segurança tem melhorado nos últimos anos, mas não o suficiente para tirar a Tailândia da lista de países com as estradas mais perigosas do mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Tailândia ocupa o nono lugar entre 175 países em termos de mortes no trânsito. Em 2021, o organismo da ONU registou mais de 18.200 mortes, cerca de 50 por dia, devido a acidentes rodoviários. Embora as autoestradas e as estradas principais sejam relativamente bem conservadas e pavimentadas, os padrões de qualidade podem baixar consideravelmente nas vias mais rurais e secundárias.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio | Pequim convida UE para nova ronda de diálogo no Outono A China convidou o comissário europeu para o Comércio e Segurança Económica para uma visita ao país no Outono, no âmbito da segunda reunião do mecanismo de diálogo bilateral criado para resolver as tensões comerciais, anunciou ontem Pequim. O convite surge após o primeiro encontro, realizado na segunda-feira, em Bruxelas, entre o comissário Maroš Šefčovič e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, durante o qual ambos se comprometeram a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar que os desacordos evoluam para uma guerra comercial. O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, confirmou ontem o convite, numa conferência de imprensa regular, na qual apresentou também os resultados da primeira reunião. He explicou que o mecanismo constitui um novo canal permanente de diálogo económico e comercial entre as duas partes, que acordaram realizar entre uma e duas reuniões ministeriais por ano. Segundo o porta-voz, o primeiro encontro centrou-se em áreas emergentes, como a inteligência artificial (IA), sectores com potencial de cooperação e questões litigiosas, com o objectivo de promover um comércio mais equilibrado, através do seu crescimento e não da sua redução. A aposta no diálogo surge após vários episódios que agravaram as tensões entre a China e a União Europeia nos últimos anos, marcados por investigações comerciais recíprocas, divergências em torno da guerra na Ucrânia e sanções impostas por Bruxelas a empresas chinesas por alegada colaboração com a Rússia.
Hoje Macau China / ÁsiaShenzhen | CR New Energy estreia-se em bolsa a subir 114% após IPO recorde A produtora de energias renováveis China Resources New Energy estreou-se ontem na Bolsa de Shenzhen com uma valorização superior a 113 por cento face ao preço inicial, na maior entrada em bolsa da história daquele mercado. A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) ficou avaliada em mais de 3,6 mil milhões de dólares. As ações da empresa abriram a 21,6 yuan, acima dos 10,11 yuan definidos para a IPO. Nos primeiros minutos da sessão, chegaram a registar uma subida de 198,32 por cento, antes de moderarem os ganhos para cerca de 124 por cento. A operação, a maior realizada na Ásia desde o início de 2026, envolveu a venda de mais de 2,42 mil milhões de ações, permitindo à empresa angariar cerca de 24,5 mil milhões de yuan. Na semana passada, a subsidiária do conglomerado estatal China Resources revelou que a parte destinada aos investidores de retalho registou uma procura 683 vezes superior ao número de ações disponíveis, mesmo após o aumento da alocação através de um mecanismo de redistribuição de ações aos investidores de retalho. Trata-se da maior IPO na China desde a realizada, em 2022, pela petrolífera estatal CNOOC, que angariou o equivalente a 5,1 mil milhões de dólares na Bolsa de Xangai. A operação supera igualmente o anterior recorde da Bolsa de Shenzhen, estabelecido em 2020 pela produtora de óleos alimentares Yihai Kerry Arawana, que arrecadou cerca de dois mil milhões de dólares. Vento e sol No final de 2025, a China Resources New Energy dispunha de cerca de 41 gigawatts de capacidade instalada, o equivalente a 2,3 por cento do mercado chinês. Mais de 80 por cento da capacidade correspondia a projectos eólicos, embora a energia solar tenha vindo a ganhar peso no portefólio da empresa. As receitas da IPO serão destinadas ao desenvolvimento de novos projectos eólicos e solares, que acrescentarão mais de 7,1 gigawatts de capacidade instalada, num investimento superior a 40 mil milhões de yuan. A operação atribui à empresa uma capitalização bolsista estimada em cerca de 135 mil milhões de yuan, semelhante à da Ganfeng Lithium, o maior produtor chinês de lítio. A imprensa económica chinesa destacou que a operação permite também aferir o apetite dos investidores por sectores além da inteligência artificial e da robótica, que dominaram as maiores estreias bolsistas dos últimos meses.
Hoje Macau China / Ásia MancheteBolsa | Tecnológicas intensificam recompra de acções após fortes quedas As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de acções para recuperar a confiança dos investidores, após fortes desvalorizações em bolsa. Empresas como Tencent, Alibaba, Xiaomi e Meituan tiveram quebras na primeira metade de 2026 entre 30 a 44 por cento A maiores empresas tecnológicas da China reforçaram os programas de recompra das suas próprias ações, após derrocadas na bolsa, noticiou ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de cepticismo em torno do sector e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA). Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30 e 44 por cento no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos. Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares em Junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares apenas na última semana. A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado. A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares nesta estratégia desde meados do mês passado. “Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório. Só para aparecer Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI. “As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities. Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do sector da IA, que tem servido de principal motor do actual ciclo dos mercados. Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores. O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.
Hoje Macau China / ÁsiaEUA | Alibaba paga 600 milhões de dólares para encerrar processo O conglomerado chinês Alibaba vai pagar 600 milhões de dólares para resolver uma disputa com o governo dos Estados Unidos da América (EUA) nascida de alegações de importação e venda de medicamentos ilegais, substâncias controladas, químicos regulados e equipamento de produção de comprimidos. O Alibaba opera algumas das maiores plataformas mundiais de comércio electrónico, como a Alibaba.com e a AliExpress.com. Os EUA alegam que a empresa baseada no território norte-americano que processa os seus fluxos financeiros comerciais, a AUS Merchant Services, violou a lei federal ao não impedir os comerciantes de importarem e venderem produtos ilegais nos EUA através daquelas plataformas. A Alibaba admitiu, em acordo com o Departamento de Justiça, que entre Janeiro de 2016 e Dezembro de 2024 não impediu que cerca de 80 mil produtos fossem vendidos, alguns dos quais importados, em violação de várias leis federais. Agentes de vários serviços federais, sem revelar identidade oficial, fizeram mais de 40 compras de farmacêuticos e maquinaria cuja importação para os EUA era ilegal, segundo um comunicado. O chefe das investigações criminais da agência tributária (IRS, na sigla em inglês), Jarod Koopman, considerou que o acordo alcançado com a Alibaba “realça o compromisso da IRS para seguir o dinheiro e garantir que as empresa a operarem nos EUA comprem a lei federal”.
Hoje Macau Via do MeioO vazio na pintura e na estética chinesa Por Sun Weiqi Quando era criança, passava muitas tardes em casa da minha avó, diante de uma parede coberta de pinturas tradicionais chinesas, e havia nelas qualquer coisa que me inquietava profundamente: grandes extensões de papel permaneciam brancas, suspensas, intactas, como se o pintor tivesse interrompido o gesto antes de concluir a obra ou como se tivesse decidido abandonar metade do mundo ao silêncio. Na minha imaginação infantil, uma boa pintura deveria estar inteiramente preenchida, cada fragmento da superfície ocupado por uma montanha, uma árvore, uma ave, uma casa, uma figura humana ou qualquer sinal visível que justificasse a existência daquele espaço. O branco parecia-me falta, hesitação, incompletude. A minha avó, que aprendera caligrafia e pintura desde os sete anos, nunca me respondeu com uma explicação longa, nem tentou converter a minha curiosidade de criança numa lição formal de estética. Pegava simplesmente no pincel, deixava cair uma gota de tinta preta sobre a água e observava comigo a forma como essa mancha se abria, se dissolvia, se espalhava lentamente, até já não ser ponto nem linha, mas uma respiração escura dentro da transparência. Depois dizia-me: “O que não se vê é o que respira na pintura. O vazio é o lugar onde a alma da obra mora.” Durante muitos anos, guardei essa frase sem a compreender inteiramente. Hoje, quando estudo a estética chinesa e volto, pela memória, à parede da casa da minha avó, percebo que ela falava de uma das intuições mais profundas da arte chinesa: o vazio, ou kōng (空), ocupa o centro da experiência estética, porque abre a obra à circulação do sopro, da imaginação e do tempo. O espaço branco da pintura chinesa não corresponde a um intervalo morto, a uma zona abandonada ou a uma ausência de execução; pertence à própria estrutura espiritual da obra, como o silêncio pertence ao poema e como a pausa pertence à música. Este texto nasce, por isso, de uma dupla experiência: por um lado, a reflexão sobre uma tradição estética antiga, atravessada pelo taoísmo, pela pintura de paisagem, pela caligrafia e por uma conceção muito particular da relação entre forma e invisível; por outro, a memória íntima de uma aprendizagem familiar, feita sem tratados, sem definições rígidas, sem a arrogância das palavras que querem possuir aquilo que apenas se pode contemplar. Escrevo sobre o vazio como quem regressa a uma casa, a uma parede, a uma tarde lenta, a uma avó que ensinava através do gesto e que sabia, talvez melhor do que muitos livros, que a pintura começa precisamente onde a tinta se retira. Para compreender o vazio na pintura chinesa, é necessário abandonar a ideia de que a totalidade da obra coincide com aquilo que se oferece imediatamente ao olhar. Em muitas tradições pictóricas ocidentais, a superfície da tela tende a ser concebida como um campo a preencher: a moldura delimita um mundo, e o artista organiza dentro dela formas, volumes, cores, perspetivas, corpos e objetos, criando uma representação mais ou menos fechada da realidade. Na pintura chinesa de montanhas e águas, shān shuǐ huà (山水画), a lógica é outra: o vazio não encerra a obra, abre-a; não interrompe a paisagem, prolonga-a; não empobrece a composição, permite que ela respire para além dos limites materiais do papel. Recordo-me de uma tarde em que a minha avó me mostrou uma pintura atribuída a um antigo mestre da dinastia Song. No canto inferior esquerdo, via-se apenas um pinheiro, desenhado com traços secos, firmes e contidos. O restante espaço permanecia branco, amplo, quase vertiginoso. Perguntei-lhe o que havia ali, apontando para aquela extensão sem tinta. Ela respondeu: “Névoa. Ar. O silêncio da montanha ao amanhecer. Se o pintor tivesse desenhado a névoa, a névoa desapareceria.” Essa resposta acompanhou-me durante anos, porque continha uma verdade difícil de apreender: há realidades que a representação excessiva destrói, há presenças que só sobrevivem quando a mão aceita deter-se. O vazio, na pintura chinesa, constitui uma modalidade subtil de presença. Ele carrega o qì (气), o sopro vital que atravessa os seres, anima a paisagem e liga o visível ao invisível. Quando um pintor deixa uma área sem tinta, realiza uma escolha estética e espiritual, abrindo espaço para que a energia circule dentro da obra e para que o olhar do espectador participe na sua formação. Uma paisagem demasiado cheia torna-se imóvel, sufocada pelo excesso de informação; uma paisagem atravessada pelo vazio conserva o movimento secreto da água, do vento, da névoa, do tempo e da distância. Vi essa lógica na prática quando a minha avó me ensinou a pintar bambus. Eu queria desenhar todas as folhas, todas as nervuras, todos os detalhes do caule, como se a fidelidade dependesse da acumulação minuciosa de traços. Ela corrigia-me com paciência: “Se pintares tudo, o bambu morre. Deixa espaço entre as folhas. Deixa o ar passar. O bambu vive também no vento que não consegues pintar.” Nesse momento, comecei a perceber que a pintura chinesa não procura copiar a aparência exterior das coisas, mas captar a sua respiração interna, a tensão entre presença e retirada, a forma como cada ser existe em relação com aquilo que o envolve. Esta conceção encontra raízes profundas no pensamento taoísta. No Dao De Jing (道德经), Laozi afirma que a utilidade da roda depende do vazio do seu centro, a utilidade do vaso depende do espaço oco que pode receber, a utilidade da casa depende da abertura que permite habitar. A forma visível oferece contorno; o vazio oferece possibilidade. Aplicada à pintura, esta intuição significa que o branco do papel participa ativamente na construção do sentido, pois torna possível a respiração dos traços, a profundidade da paisagem e a liberdade do olhar. Sem o espaço vazio, a tinta perderia a sua ressonância; sem silêncio, a cor perderia a sua vibração. O vazio, porém, ultrapassa a esfera da teoria estética e inscreve-se numa maneira de ver, de estar e de aceitar o mundo. Durante a adolescência, vivi durante algum tempo como se todo o espaço disponível tivesse de ser ocupado: música nos ouvidos, telemóvel na mão, conversas contínuas, tarefas sucessivas, uma espécie de medo da interrupção e da pausa. Quando olhava para uma pintura chinesa, o espaço branco parecia-me monótono, demasiado silencioso, quase pobre. Hoje, estando longe da China, em Portugal, longe da casa da minha avó e da parede onde aquelas pinturas repousavam, sinto falta precisamente desse branco que antes me parecia vazio; sinto falta de uma lentidão que acolhe, de uma montanha quase invisível, de uma névoa que não precisa de se explicar, de um espaço onde o pensamento possa assentar sem ser imediatamente substituído por ruído. A pintura chinesa ensinou-me que o vazio pode ser um lugar de encontro. Diante de uma paisagem com grandes zonas brancas, o espectador não recebe uma imagem totalmente determinada; entra na obra, completa-a com a sua memória, com a sua solidão, com o seu próprio modo de sentir a distância. O branco torna-se uma zona de hospitalidade. Nele cabem a névoa vista pelo pintor, o silêncio imaginado pelo observador, a montanha que se ergue sem ser desenhada, o rio que corre fora do papel, o tempo que separa quem pintou de quem contempla. Assim, a obra atravessa os séculos porque conserva um espaço disponível para cada olhar. A estética chinesa distingue-se precisamente por essa confiança na participação do observador. A pintura não impõe uma leitura única, nem oferece uma realidade totalmente fechada sobre si mesma; deixa zonas de indeterminação onde a imaginação pode mover-se, como alguém que caminha numa paisagem envolta em bruma e descobre, a cada passo, a sua própria forma de ver. Lembro-me de ter levado uma amiga portuguesa a ver as pinturas da minha avó. Ela deteve-se diante da pintura do pinheiro e comentou que parecia faltar alguma coisa. Sorri, porque me reconheci imediatamente naquela observação, a mesma que eu própria teria feito em criança. Respondi-lhe que talvez faltasse apenas o olhar dela, a sua memória, a sua presença diante do branco. A pintura esperava por isso. Esse vazio estende-se a outras dimensões da cultura chinesa. Na caligrafia, a força de um carácter depende tanto da densidade da tinta como da distribuição dos espaços que o rodeiam; na música tradicional, o silêncio entre as notas permite que cada som se prolongue para dentro do ouvinte; na organização da casa, a sobriedade dos objetos cria uma atmosfera de repouso; na conversa, as pausas podem transmitir respeito, delicadeza ou pensamento. A cultura chinesa conhece, de modo profundo, o valor da suspensão. Falar menos pode significar escutar melhor; ocupar menos pode significar permitir mais; retirar pode ser uma forma de oferecer. Esta relação com o vazio implica também uma ética. Num mundo habituado ao excesso, à velocidade e à acumulação, a estética chinesa recorda que a plenitude pode surgir da contenção e que a beleza nem sempre coincide com abundância. A pintura de paisagem, quando deixa metade do papel sem tinta, afirma uma confiança rara: a confiança de que o invisível participa na construção do real. O artista não precisa de controlar tudo, nem o espectador precisa de receber tudo pronto. Entre ambos existe uma zona de respiração, um intervalo sensível onde a obra continua a acontecer. Há, portanto, uma sabedoria existencial no vazio. A vida humana, tal como a pintura, perde vitalidade quando todos os espaços são preenchidos por obrigações, ruídos, explicações, desejos e medos. Precisamos de margens interiores, de zonas brancas, de momentos sem função imediata, de silêncios onde as emoções possam decantar-se. A minha avó compreendia isto sem precisar de o formular como tese. Talvez por isso pintasse devagar, talvez por isso deixasse sempre espaço suficiente para que uma ave pudesse atravessar a paisagem sem ser desenhada, para que uma montanha pudesse permanecer escondida na névoa, para que a obra tivesse um lugar onde respirar. Hoje, a parede da casa da minha avó continua a existir na minha memória com uma nitidez quase física. Já não olho para aquelas zonas brancas como quem encontra uma falha. Vejo nelas a névoa da montanha, o vento no pinheiro, o silêncio do amanhecer, a mão antiga do pintor, a voz baixa da minha avó e a minha própria transformação: a criança que queria preencher tudo deu lugar a uma mulher que aprendeu a reconhecer a intensidade do que permanece suspenso. O vazio na pintura chinesa constitui uma forma de pensamento sensível, uma filosofia encarnada no gesto, uma maneira de compreender a relação entre mundo, olhar e interioridade. A sua força reside na capacidade de ensinar sem declarar, de abrir sem ocupar, de sugerir sem aprisionar. A lição da minha avó permanece comigo: aquilo que não se vê pode sustentar o que aparece; aquilo que se cala pode dar profundidade ao que é dito; aquilo que fica em branco pode guardar a respiração mais íntima da obra. Quando observo uma pintura chinesa, vejo tinta, papel, montanha, água, memória, cultura e família. Vejo também a minha própria aprendizagem do silêncio. O espaço branco que em criança me parecia monótono tornou-se o lugar onde tudo se reúne sem se confundir: a paisagem, a avó, a China, a distância, o tempo e a minha forma de olhar. O vazio não equivale ao nada. O vazio é a morada invisível da respiração.
Hoje Macau EventosToi San | Projecto de casa de banho seleccionado para guia O projecto de “Casa de Banho Ecológica ‘Pop-Out’ – Casa de Banho Pública de Toi San”, do atelier de arquitectura Urban Pratice, acaba de ser seleccionado para a primeira edição do “Guia CIALP para a Agenda 2030”, uma publicação do Conselho Internacional de Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP). Segundo um comunicado do Urban Pratice, atelier situado em Macau e liderado pelo arquitecto Nuno Soares, a escolha deste projecto “consolida ainda mais a posição de Macau no mapa global da inovação em termos de design sustentável”. O projecto de casa de banho “integra de forma harmoniosa a tecnologia ambiental e o design circular”, reflectindo “o compromisso da Urban Pratice na transformação de infra-estruturas cívicas”. Esta não é a primeira vez que este projecto é distinguido, tendo recebido o “Prémio Pioneiro de Arquitectura Verde” na sexta edição do Japan International Pioneer Design Award (IPDA). O “Guia CIALP para a Agenda 2030” funciona, segundo a mesma nota, “como um roteiro arquitectónico seleccionado e alinhado com os objectivos humanitários globais”, sendo uma compilação de “projectos arquitectónicos inspiradores de todo o mundo lusófono”. Estes projectos destacam-se ainda por terem contribuído “activamente para os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas”. Segundo a Urban Pratice, o projecto de casa de banho “aborda princípios fundamentais” que estão alinhados com alguns dos ODS definidos para a erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento global até 2030. São eles “Saúde e Bem-estar, Redução das Desigualdades, Cidades e Comunidades Sustentáveis e Consumo e Produção Responsáveis”, destaca-se na mesma nota. O referido Guia foi lançado e apresentado publicamente na passada segunda-feira no Congresso Mundial de Arquitectos da União Internacional de Arquitectos 2026, realizado em Barcelona.
Hoje Macau SociedadeCrime | Residente detido por apostas ilegais em jogos do Mundial Um residente de Macau, de apelido Sou, foi detido em Taiwan por suspeitas de apostas ilegais em jogos de futebol. Segundo noticiou o website noticioso TVBS, de Taiwan, a polícia da região desmantelou uma rede criminosa ligada a apostas ilegais de futebol, e deteve oito pessoas de Taiwan, Hong Kong e Macau. A mesma fonte realçou que o residente da RAEM tem o mesmo nome de um director do grupo junket Tak Chun. Porém, as autoridades ressalvaram não terem a certeza se o indivíduo pertenceria à rede criminosa e que seriam precisas investigações mais aprofundadas. Os detidos alugaram, em meados do mês passado, um edifício em Tainan. Apesar de terem alegado que o motivo da viagem para o local seria turismo, as autoridades suspeitam que a razão seria montar um esquema de apostas ilegais com base nos jogos do Mundial de Futebol. Na residência em Tainan foram descobertos dezenas de computadores, monitores e livros de contabilidade. O esquema envolveu apostas de mais de 10 mil milhões de dólares taiwaneses, ou seja, 2,5 mil milhões de patacas.
Hoje Macau SociedadePJ | Filho detido por auxiliar tentativa de suicídio do pai Um residente de 42 anos foi detido por suspeitas de ter auxiliado o seu pai numa tentativa falhada de suicídio. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ) e o homem foi entregue ao Ministério Público (MP). Segundo a PJ, o pai do detido sofre de uma doença crónica, depressão e mobilidade reduzida, e fez várias ameaças de tentativa de suicídio. A PJ não revelou há quanto tempo o idoso se encontra nestas condições, mas admitiu que o progenitor do detido vivia num “estado emocional persistentemente negativo” e que estava a ser acompanhado pelo Instituto de Acção Social (IAS). A situação piorou na noite de terça-feira, quando o idoso sofreu uma queda em casa. Nessa mesma noite, quando o filho e a esposa chegaram à residência, o idoso repreendeu-os de forma “violenta”, o que gerou um “estado de grande agitação emocional”. O homem exigiu ainda ao filho que o auxiliasse a cometer suicídio. Face ao pedido, o descendente foi à casa-de-banho, onde pegou numa embalagem de lixívia, que abriu, e entregou-a ao idoso. Este deu um golo, mas abortou a tentativa, quando começou a sentir dores na garganta. Face às dores, o idoso decidiu ainda pedir ajuda às autoridades. Actualmente encontra-se em situação estável e não corre perigo de vida. No entanto, o filho foi detido e está indiciado pela prática do crime de “incitamento, ajuda ou propaganda ao suicídio”, que é punido com uma pena máxima de 5 anos, ou de 8 anos, se for considerado que a pessoa que se tentou matar era menor ou tinha a “capacidade de valoração sensivelmente diminuída”.
Hoje Macau Manchete SociedadeCrime | Detido por desviar fundos para visto de residência em Portugal Um residente foi detido depois de ter prometido arranjar um visto de residência em Portugal a um empresário do Interior da China. O dinheiro recebido pelo suspeito para tratar do processo terá sido utilizado para pagar dívidas A Polícia Judiciária de Macau deteve um homem por alegadamente ter desviado 2,1 milhões de yuan em fundos pagos por um cliente do Interior da China para obter um visto de investimento em Portugal. De acordo com um comunicado publicado nos canais oficiais da PJ de Macau nas redes sociais, a investigação indicou que o suspeito utilizou as quantias transferidas pela vítima para custear dívidas que tinha. No dia 25 de Junho, a PJ recebeu a queixa de um homem da China continental, que afirmou ter confiado a um residente de Macau o pedido de um visto de investimento para imigração para Portugal, suspeitando que as taxas pagas “tinham sido desviadas”. As autoridades policiais do território adiantaram que o queixoso identificou o suspeito como responsável por uma empresa local de comunicação social em Macau. “Em Julho de 2025, durante o encontro entre ambos, o suspeito alegadamente afirmou que poderia obter um Visto de Imigração para Empresários D2 para Portugal mediante o pagamento de 3 milhões de yuan, comprometendo-se a concluir o processo até Fevereiro de 2026”, informou a PJ. O visto D2, também conhecido como visto de empreendedor, é uma autorização de residência para cidadãos de fora da União Europeia que desejam abrir, gerir ou investir numa empresa, ou trabalhar como profissional autónomo/freelancer em Portugal. “Posteriormente, foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre as duas partes”, salientou o comunicado da PJ. Adeus, dinheiro Entre Setembro e Outubro de 2025, a vítima transferiu um total de 2,5 milhões de yuan para uma conta bancária designada na China continental, conforme instruído pelo suspeito. Os restantes 500.000 yuan (cerca de 64 mil euros) só seriam pagos após a conclusão do pedido de visto. “No entanto, em Março de 2026, o visto ainda não tinha sido processado, tendo o suspeito adiado repetidamente o procedimento sob vários pretextos”, referiu a PJ. Desconfiando da situação, a vítima contactou a agência onde o suspeito trabalhava, responsável pelo tratamento da documentação de imigração e descobriu que o homem apenas efectuara um pagamento inicial de 41.000 euros em Outubro de 2025 e não havia liquidado quaisquer prestações subsequentes. A PJ confirmou que o suspeito contratara efectivamente uma “agência de imigração para investimento legítima” para tratar do pedido da vítima e que a documentação do requerente cumpria os requisitos regulamentares exigidos. “No entanto, após o pagamento da primeira prestação, o suspeito alegadamente comunicou à agência que a vítima ainda não havia pago as taxas de processamento, utilizando esse pretexto para solicitar repetidos adiamentos no andamento do processo”, explicou ainda a PJ de Macau. A polícia adiantou ainda que o suspeito foi presente ao Ministério Público para continuação da investigação, sob suspeita da prática do crime de abuso de confiança agravado envolvendo quantia elevada, um crime punível com pena de prisão até cinco anos ou multa.
Hoje Macau SociedadeMetro Ligeiro | Junho com média mais baixa de passageiros Em Junho, uma média diária de cerca de 20.400 pessoas apanharam o Metro Ligeiro, o registo mensal mais baixo do ano, de acordo com os números oficiais da empresa. Para encontrar paralelo com este registo é preciso recuar a Julho do ano passado, quando a média foi de 20.300 passageiros por dia. Apesar do número mais baixo, o número de utilizadores de Junho deste ano é superior ao de Junho do ano passado quando houve uma média de 19.800 passageiros por dia. Desde Abril deste ano, quando 29.400 pessoas utilizaram o transporte, que o número de utentes está em quebra, dado que em Maio houve uma média diária de 26.400 passageiros por dia. Em relação à primeira metade do ano foi registada uma média aproximada de 28.067 pessoas por dia, um aumento de quase mais 4 mil passageiro diários, em comparação com os primeiros seis meses de 2025. Nessa primeira metade de ano a média diária de passageiros foi de 24.550.
Hoje Macau SociedadeJardim das Artes | Plataforma pedonal será construída por fases O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou que vai acrescentar uma plataforma pedonal no Jardim das Artes, para que os peões não tenham de contornar o perímetro do parque, aumentando assim a conveniência na circulação. O objectivo desta plataforma foi “facilitar a deslocação pedonal entre ambos os extremos do NAPE”. “Com vista a optimizar ainda mais o ambiente de travessia pedonal do Jardim das Artes e das suas imediações, o IAM está a promover ordenadamente a obra de optimização do acesso pedonal do Jardim das Artes, com a construção de passeios com tijolos antiderrapantes ou de calçada portuguesa, e ao mesmo tempo a demolição de algumas vedações do parque, permitindo assim elevar a acessibilidade e aperfeiçoar o ambiente pedonal livre de barreiras arquitectónicas”, foi justificado. A obra irá aumentar a área verde em cerca de 1100 metros quadrados e será realizada em quatro fases, com parte do parque a ficar vedado durante a execução.
Hoje Macau PolíticaIntercensos | DSEC reúne com associações antes de recolha de dados A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciou ontem, em comunicado, que os Intercensos 2026 irão decorrer entre os dias 25 de Julho e 15 de Agosto deste ano, baseando-se na recolha de informações dos agregados familiares. Neste contexto, dirigentes da DSEC reuniram com várias associações locais, tendo sido apresentado o “plano de trabalhos dos Intercensos 2026”, o serviço de preenchimento do questionário disponível na plataforma “Conta Única de Macau” e ainda “uma série de medidas de prevenção de burla”, é descrito. A DSEC espera que estas associações, nomeadamente a Federação das Associações dos Operários de Macau ou a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, entre outras, possam colaborar no trabalho dos Intercensos. Segundo a mesma nota, os dirigentes associativos “referiram que irão ajudar a divulgar informações aos seus associados e à comunidade”, além de “incentivar os cidadãos a colaborar activamente nos trabalhos estatísticos”.
Hoje Macau China / ÁsiaWang Yi apela a Estados Unidos e Irão para manterem negociações O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu a manutenção do impulso negocial entre Estados Unidos e Irão, apesar da fragilidade do actual cessar-fogo, numa reunião, em Pequim, com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan Al Saud. Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang afirmou na terça-feira que a China “vê com bons olhos” o início das negociações entre Washington e Teerão. O chefe da diplomacia chinesa sustentou que os acontecimentos demonstraram, uma vez mais, que “competir pela força não traz paz nem estabilidade” e que o diálogo é a única via para evitar nova escalada. Wang afirmou que, “embora o actual cessar-fogo continue frágil, é melhor dialogar do que combater, e o diálogo é preferível ao confronto”, apelando à preservação e aplicação do memorando de entendimento alcançado entre os Estados Unidos e o Irão. “O essencial é manter e aplicar devidamente o memorando de entendimento, preservar o impulso das negociações, superar as dificuldades e interferências e esforçar-se por alcançar, o mais rapidamente possível, um acordo global aceite pelos Estados Unidos e pelo Irão, apoiado pelos países da região e bem acolhido pela comunidade internacional”, acrescentou. Wang afirmou ainda que a China está disponível para trabalhar com a Arábia Saudita na redução das tensões e para contribuir para uma “paz e estabilidade duradouras” no Médio Oriente, além de apoiar um papel mais relevante de Riade nos assuntos internacionais e regionais. Regresso à normalidade Faisal bin Farhan afirmou que a Arábia Saudita aprecia o “papel construtivo” desempenhado pela China na promoção da redução das tensões no Médio Oriente e espera cooperar com Pequim para favorecer o regresso da paz e da estabilidade à região “o mais rapidamente possível”, segundo o mesmo comunicado. O ministro saudita acrescentou que Riade atribui grande importância às relações com a China e pretende aprofundar a cooperação bilateral. A reunião realizou-se após a recente cessação das hostilidades entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, que permitiu aliviar as tensões na região e reabrir parcialmente o trânsito no estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial. A China, que condenou repetidamente os ataques contra o Irão, apelou igualmente ao respeito pela soberania e segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas e comerciais. Pequim tem defendido de forma consistente uma solução negociada para o conflito, reclamando um cessar-fogo e insistindo na necessidade de restabelecer a livre navegação no estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás.
Hoje Macau PolíticaLicença de maternidade | Entrada em vigor antecipada A actualização da licença de maternidade para 90 dias, estabelecida pela alteração à lei das relações de trabalho, passará a vigorar no dia seguinte à data da publicação do diploma no Boletim Oficial (BO), em vez de no dia 1 de Janeiro do próximo ano, como estava previsto anteriormente. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, a antecipação ocorre para que as grávidas possam gozar mais rapidamente do benefício, explicou a deputada Wong Kit Cheng, que preside à 1ª Comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL). A comissão, que analisa na especialidade as alterações à lei laboral, reuniu na terça-feira. A proposta que está em cima da mesa visa que os dias de licença passem dos actuais 70 para 90, sendo que 60 destes têm de ser gozados imediatamente após o parto. Os restantes 30 podem ser gozados quando a mulher quiser, antes ou depois de dar à luz. A proposta de lei sugere também um subsídio adicional a empregadores à licença de maternidade, de 20 dias, combinando-se os actuais 14 dias após a entrada em vigor da proposta de lei. A partir de 1 de Janeiro de 2027, o Governo passará a subsidiar esses 20 dias, enquanto os restantes 14 são pagos pelos empregadores.
Hoje Macau PolíticaFunção Pública | ATFPM em Seul para reunião de organização internacional A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) está desde ontem na capital da Coreia do Sul para participar na reunião anual sub-regional da Ásia Oriental da Public Services International (PSI), organização sindical global que congrega associações de trabalhadores da função pública de cerca de 160 países. Segundo um comunicado divulgado ontem pela ATFPM, “durante os dois dias de trabalhos, estão a ser abordadas questões como a precarização dos direitos laborais, a qualidade e as condições nos locais de trabalho, os fenómenos de migração e emigração de trabalhadores, bem como a segurança no trabalho”. Durante a reunião, Pereira Coutinho afirmou que em Macau “os direitos dos trabalhadores da função pública estão devidamente protegidos pela legislação da RAEM”, e que a ATFPM “mantém um diálogo profícuo com o Governo nas matérias de alteração legislativa sobre os direitos e deveres dos funcionários públicos.” Já Rita Santos destacou “o grande aperfeiçoamento das leis que defendem os direitos das mulheres em Macau após o estabelecimento da RAEM”.
Hoje Macau China / ÁsiaSegurança | Queda de avião poderá reforçar controlo sobre aviação Analistas consideram que o embate de um avião ligeiro contra a Torre Citic, em Pequim, expôs uma rara falha de segurança na capital chinesa e poderá desencadear purgas e reforçar o controlo sobre a aviação privada. O acidente ocorreu na semana passada, quando uma aeronave de pequena dimensão embateu na fachada leste do edifício mais alto de Pequim, a Torre Citic, também conhecida como “China Zun”, provocando a morte do piloto e ferimentos em 13 pessoas. O incidente foi rapidamente envolvido por um forte dispositivo de segurança e por um apertado controlo da informação. Os funcionários do conglomerado estatal Citic receberam instruções para não falar sobre o acidente, enquanto as autoridades impuseram um perímetro policial em redor do edifício e limitaram a cobertura do caso nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais. O voo levanta questões delicadas para as autoridades responsáveis pela segurança da capital, uma das cidades mais vigiadas do mundo, onde o Partido Comunista Chinês mantém uma política de tolerância zero em relação a incidentes que possam afectar a estabilidade. Citado pelo Financial Times, o professor de Ciência Política da Claremont McKenna College, Minxin Pei, classificou o episódio como “sem precedentes”, considerando que revela “uma enorme falha de segurança” e poderá ter consequências para os responsáveis pelo dispositivo de proteção da capital. Outro especialista ouvido pelo jornal, James Char, da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura, afirmou que o incidente terá impacto político por poder transmitir aos adversários da China a imagem de vulnerabilidades na defesa de Pequim, embora tenha salientado que as autoridades dispunham de muito pouco tempo para reagir.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC | Xi sugere modelo chinês e sublinha que a China é “construtora da paz” No discurso que marcou o 105º aniversário do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping afirmou que a China conseguiu em poucas décadas o que os países desenvolvidos demoraram séculos a atingir, exaltando o modelo chinês como exemplo a seguir. O Presidente defendeu ainda que o PCC esteve sempre do lado certo da história O Presidente chinês, Xi Jinping, propôs ontem a industrialização conseguida na China como novo modelo de progresso para os países em desenvolvimento. Xi, que cumpre o 14.º ano no poder, afirmou que a China alcançou “em poucas décadas” aquilo que os países desenvolvidos demoraram “séculos” a conseguir. “Defendemos a construção de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade, oferecendo a sabedoria, as soluções e a força da China para enfrentar os grandes desafios da humanidade”, afirmou Xi, durante a cerimónia que assinalou o 105º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês (PCC), no Grande Palácio do Povo, em Pequim. A China, que há muito contesta a predominância dos Estados Unidos na ordem internacional, tem defendido que não pretende substituir o sistema internacional, mas reformá-lo de forma a reflectir melhor os interesses dos países em desenvolvimento. No discurso, o Presidente chinês afirmou que o mundo entrou numa nova fase de turbulência e transformação, colocando a humanidade “numa encruzilhada”, e reiterou o compromisso de promover um “novo tipo de relações internacionais” para impulsionar a paz e o desenvolvimento mundiais. As declarações retomaram vários dos temas centrais do discurso proferido por Xi no centenário do PCC, em 2021, incluindo a necessidade de reforçar as capacidades militares da China e de concretizar a “reunificação” com Taiwan. O líder chinês defendeu ainda que “resolver a questão de Taiwan” e alcançar a “reunificação” da China constitui uma “tarefa histórica” do Partido Comunista Chinês. Além disso, apelou ao aprofundamento dos intercâmbios e da integração entre as duas margens do estreito de Taiwan e prometeu combater de forma “firme” as “forças separatistas” favoráveis à “independência de Taiwan” e a “ingerência externa”, numa referência indirecta aos Estados Unidos. Eliminar vírus internos O líder chinês defendeu a aceleração do processo de modernização das Forças Armadas para atingir “padrões de nível mundial”, reiterando, ao mesmo tempo, a necessidade de preservar a liderança absoluta do Partido Comunista sobre os militares. Nos últimos anos, vários generais de alta patente foram afastados no âmbito da campanha anticorrupção promovida por Xi, que analistas consideram também servir para reforçar a lealdade das Forças Armadas à liderança chinesa. Xi Jinping afirmou que o PCC deve “eliminar todos os vírus” que corroem o “organismo saudável” e a pureza do partido, para que “nunca mude de natureza nem de cor”, numa passagem dedicada à disciplina interna. A mensagem surge após vários anos de campanha anticorrupção e de purgas que atingiram altos responsáveis civis e militares, incluindo antigos dirigentes do Exército de Libertação Popular e membros da cúpula do partido. Numa nota mais positiva, o secretário-geral do PCC afirmou que a China é “construtora da paz mundial”, “contribuinte para o desenvolvimento global” e “defensora da ordem internacional”. O líder chinês argumentou que ao longo de 105 anos, o PCC “esteve sempre do lado certo da História e do progresso da civilização humana” e sustentou que a “modernização chinesa” ampliou as vias de desenvolvimento para os países do Sul Global.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Regras duras para investimentos no estrangeiro devido a segurança nacional A China reforçou ontem o controlo sobre os investimentos no estrangeiro, com a entrada em vigor de novas regras destinadas a salvaguardar a “segurança nacional” em sectores considerados sensíveis, num contexto de rivalidade tecnológica com os Estados Unidos. As novas disposições, anunciadas inicialmente em 1 de Junho, conferem às autoridades um quadro jurídico mais abrangente para orientar e controlar os fluxos de capitais e de trabalhadores qualificados da China para o exterior. Pequim considera áreas como a inteligência artificial (IA), os semicondutores e as tecnologias verdes fundamentais do ponto de vista económico e estratégico, procurando acelerar o seu desenvolvimento no país. Em simultâneo, as medidas visam “melhorar a qualidade e o nível dos investimentos no exterior”, segundo o regulamento divulgado pelo Governo chinês. Os investimentos internacionais deverão respeitar o conceito de “segurança nacional global”, procurando simultaneamente “equilibrar as considerações nacionais e internacionais”, refere o documento. Na prática, o novo quadro permite ao Governo submeter a escrutínio investimentos ou transferências susceptíveis de afectar a “segurança nacional”, numa altura em que Pequim mantém uma postura cautelosa em relação às transações transfronteiriças. Em Abril, o principal organismo de planeamento económico da China bloqueou a tentativa da empresa norte-americana Meta, proprietária do Facebook, de adquirir a ‘startup’ de inteligência artificial Manus, criada por uma empresa fundada na China, apesar de esta estar actualmente sediada em Singapura. Ao abrigo das novas regras, as restrições às transações internacionais deixam de abranger apenas a transferência de bens e dados, passando também a incluir a exportação de serviços, como o envio de especialistas técnicos para o estrangeiro ou a realização de acções de formação fora da China. Margem larga As medidas suscitaram preocupações entre alguns investidores, que receiam que o reforço do controlo limite a capacidade do sector tecnológico chinês de aceder aos mercados internacionais. A Comissão de Revisão Económica e de Segurança Estados Unidos–China (US-China Economic and Security Review Commission) considerou, esta semana, nas redes sociais, que o endurecimento das regras “reforça uma tendência” que acompanha “há vários meses”. Em Maio, a comissão bipartidária norte-americana alertou que, “como acontece frequentemente com as leis chinesas relacionadas com a segurança nacional”, as autoridades dispõem de uma ampla margem para determinar o que constitui uma infração, aumentando os riscos para as empresas estrangeiras estabelecidas na China.