Sul do país prepara-se para o primeiro tufão do ano. Macau com sinal 3 esta sexta-feira

O Centro Meteorológico Nacional da China emitiu ontem o primeiro aviso de tufão do ano, prevendo que o fenómeno atinja as províncias de Hainan e Guangxi na sexta-feira e sábado, respectivamente. Em Macau, o sinal 3 de tempestade tropical será içado entre a madrugada e manhã desta sexta-feira, 3. O sinal 1 de tempestade tropical foi, entretanto, içado pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG).

Segundo informação disponibilizada pelos SMG, prevê-se que “a depressão tropical localizada na parte central do Mar do Sul da China se intensifique gradualmente nos próximos dias”, deslocando-se “em direcção à Ilha de Hainan e Golfo de Tonquim”. Assim, esta sexta-feira os SMG esperam que o “vento se intensifique gradualmente em Macau, podendo atingir o nível 6, com aguaceiros frequentes”. Podem ainda “haver ventos fortes no final da semana, acompanhados de aguaceiros fortes e trovoadas”.

Os SMG explicam ainda que “a depressão tropical está a uma certa distância de Macau”, além de que “a [possibilidade de] ocorrência de ‘storm surge’ [inundações] é baixa”. Tal deve-se ao facto de, nos últimos dias, a região não ter estado “num período de maré astronómica”, embora a população deva “prestar atenção às inundações provocadas pelas chuvas torrenciais”.

Entretanto, o Centro Meteorológico Nacional da China indicou esta quarta-feira que a precipitação em algumas zonas de Guangxi e da ilha de Hainan poderá aproximar-se de valores recorde para esta época do ano, apelando à adoção antecipada de medidas de prevenção.

Após atingir inicialmente a costa entre o leste de Hainan e o oeste da província de Guangdong, amanhã, o tufão deverá atravessar a ilha e seguir para o golfo de Beibu, onde voltará a tocar terra, desta vez na costa de Guangxi, no sábado, enfraquecendo gradualmente depois. Segundo as previsões, são esperadas chuvas muito intensas nas províncias de Hainan, Guangxi, Yunnan, Guangdong, Guizhou e Hunan, com precipitação extremamente forte em alguns locais.

Os meteorologistas alertaram em particular para Guangxi, onde a chuva persistente dos últimos dias provocou uma elevada acumulação de água, aumentando o risco de inundações e outros desastres.

2 Jul 2026

O Silêncio que Ilumina: o verdadeiro sentido do Chan (禅) na cultura chinesa

Por Guo Kehang

Introdução

Quando se fala de Chan (禅, chán) no contexto da cultura chinesa, é comum procurar nele uma utilidade imediata: uma técnica para reduzir a ansiedade, uma filosofia de equilíbrio, um método de aperfeiçoamento individual ou uma forma de serenidade adaptável à vida moderna. Essa expectativa revela, desde logo, a dificuldade contemporânea de compreender uma tradição que não nasceu para obedecer à lógica da eficácia, da produtividade ou da aplicação prática. O Chan resiste à tentação de se converter em instrumento. A sua força reside precisamente nessa resistência silenciosa: não promete resultados visíveis, não oferece receitas rápidas, não transforma a existência num problema técnico à espera de solução.

Na tradição chinesa, o Chan aproxima-se de uma disposição interior, de uma forma de atenção ao mundo, de uma consciência que aprende a permanecer diante da complexidade da vida sem a reduzir imediatamente a explicações. Ele não exige a eliminação da dúvida, da dor ou da contradição; propõe antes uma relação mais profunda com aquilo que, na experiência humana, permanece instável, incompleto e difícil de nomear. Talvez por isso tenha atravessado séculos sem perder a sua vitalidade: a sua permanência não depende de respostas definitivas, mas da capacidade de alterar, de modo quase impercetível, a forma como cada indivíduo se coloca perante as perguntas fundamentais da existência.

Ao longo da história chinesa, o Chan ultrapassou o espaço estritamente religioso e inscreveu-se numa sensibilidade cultural mais ampla. A sua presença pode ser encontrada nos mosteiros e nos textos budistas, mas também no chá bebido lentamente, na contemplação das montanhas, na caligrafia executada sem pressa, na escuta da chuva, no silêncio que se instala entre duas pessoas que já não precisam de falar para se compreenderem. O Chan tornou-se, assim, uma arte discreta de habitar o mundo: uma forma de presença, de contenção e de lucidez.

A importância daquilo que escapa à utilidade

A sociedade contemporânea tende a avaliar quase tudo a partir da utilidade. O conhecimento deve gerar emprego, as técnicas devem resolver problemas, o tempo deve produzir resultados, e até o repouso é frequentemente justificado como estratégia para aumentar a produtividade futura. Nesse horizonte, o Chan surge como uma espécie de contracorrente silenciosa, pois recorda que certas dimensões essenciais da vida humana não se deixam medir por critérios de eficiência.

Na tradição chan, aquilo que parece inútil pode sustentar o espírito com mais profundidade do que aquilo que se apresenta como imediatamente funcional. Uma árvore antiga, uma pedra no jardim, um poema breve, uma chávena de chá, uma respiração observada com atenção: nada disto produz, no sentido económico do termo, e ainda assim tudo isto pode devolver ao ser humano uma relação mais inteira consigo mesmo. O inútil, neste contexto, não significa ausência de valor; significa libertação em relação à obsessão pelo proveito.

Podemos pensar numa empresa para compreender esta lógica de modo simples. Os funcionários executam tarefas, os gestores organizam processos, os departamentos produzem resultados visíveis. O diretor-presidente, observado de fora, pode parecer alguém que intervém pouco na execução concreta do trabalho diário. Porém, a sua função consiste em dar orientação, identidade e sentido ao conjunto. De forma semelhante, no ser humano, o conhecimento executa, os métodos organizam, mas a sabedoria interior orienta.

O Chan ocupa esse lugar silencioso da orientação profunda. Ele não retira a dor do mundo, nem transforma a vida numa superfície lisa, pacificada e sem conflito. Atua antes sobre a forma como a dor se instala dentro de nós, sobre o modo como nos prendemos aos acontecimentos, às perdas, às expectativas e às imagens que construímos de nós próprios. A dificuldade permanece, mas deixa de dominar inteiramente a consciência; o sofrimento existe, mas perde parte do seu poder de nos aprisionar.

Talvez a sabedoria chinesa mais profunda tenha sido sempre transmitida por vias subtis: gestos, atmosferas, pausas, rituais domésticos, modos de servir o chá, maneiras de olhar a paisagem ou de permanecer em silêncio perante o que ainda não pode ser compreendido. O Chan pertence a essa linhagem de conhecimentos que não gritam, não se impõem e não procuram convencer; aproximam-se lentamente, como a luz que entra numa sala antes de alguém reparar nela.

2. O que a linguagem não consegue possuir

A tradição chan resume frequentemente a sua essência através de três formulações fundamentais: aquilo que não se pode dizer, aquilo que não é necessário dizer e aquilo que não se deve dizer. À primeira vista, estas ideias parecem negar a linguagem; na verdade, revelam uma consciência muito fina dos seus limites.

A primeira dimensão diz respeito ao indizível. O Chan procura um despertar interior que ultrapassa a linguagem comum, porque a experiência viva, quando é fixada em palavras, perde parte da sua mobilidade original. Como afirma o Laozi (老子), “o Caminho que pode ser narrado não é o Caminho eterno” — 道可道,非常道. As palavras organizam o mundo, permitem comunicar, ensinar e preservar a memória; ao mesmo tempo, delimitam, simplificam e, por vezes, encerram aquilo que ainda deveria permanecer aberto. A experiência chan é fluida, direta e difícil de aprisionar em conceitos estáveis.

A segunda dimensão refere-se à desnecessidade da explicação. Um dos princípios centrais do Chan afirma:

“不立文字,直指人心,见性成佛”
Bù lì wénzì, zhí zhǐ rénxīn, jiànxìng chéngfó

A expressão pode ser traduzida como: “sem assentar nas palavras escritas, apontar diretamente para o coração humano, ver a própria natureza e tornar-se Buda”. O despertar, segundo esta perspetiva, não nasce apenas do estudo, da acumulação de doutrinas ou da análise racional. Surge da experiência direta, da atenção ao instante, da perceção súbita daquilo que sempre esteve presente e, contudo, permanecia obscurecido pela agitação mental.

A terceira dimensão prende-se com a reserva. Certas compreensões perdem autenticidade quando são expostas de forma demasiado rápida, demasiado lógica ou demasiado explicativa. Há experiências que amadurecem apenas na interioridade, como frutos que precisam de silêncio para ganhar sabor. No Chan, algumas verdades só se tornam reais quando atravessadas pela prática, pela observação de si e pela convivência paciente com o tempo. A palavra, nesses casos, chega sempre depois; descreve as margens, mas raramente alcança o centro.

3. O Chan na vida quotidiana chinesa

Quando era criança, imaginava que o Chan pertencia apenas aos templos budistas, aos monges das montanhas ou aos antigos mestres sentados em meditação. Parecia-me uma realidade distante da vida comum, envolta numa espécie de solenidade religiosa e inacessível. Com o passar dos anos, comecei a perceber que muitos comportamentos tradicionais chineses guardam uma sabedoria chan implícita, mesmo quando ninguém lhes dá esse nome.

Recordo-me de que, durante conflitos familiares, a minha avó raramente discutia de forma direta. Em vez de responder imediatamente, preparava chá em silêncio, colocava as chávenas sobre a mesa e deixava que o ambiente se reorganizasse pouco a pouco. Na altura, essa atitude parecia-me evasiva ou difícil de compreender. Hoje percebo que havia ali uma lógica profundamente chinesa: certas emoções, quando confrontadas com violência verbal, tornam-se mais turvas; quando recebem tempo, assentam lentamente, como a lama suspensa na água depois de a corrente acalmar.

O Chan manifesta-se muitas vezes nesses gestos discretos da vida quotidiana: no hábito de contemplar a chuva sem procurar uma conclusão, no prazer de beber chá sem pressa, na caligrafia realizada como extensão da respiração, na observação das montanhas e da água, na capacidade de permanecer quieto sem transformar o silêncio em desconforto. A sua presença raramente assume a forma de uma declaração; aparece antes como uma tonalidade, uma maneira de estar, um ritmo interior.

Esta dimensão distingue o Chan chinês de muitas imagens exotizadas que circulam no Ocidente. Reduzi-lo a uma estética minimalista, a uma técnica de meditação ou a uma decoração espiritual empobrece a sua espessura cultural. O Chan está ligado à forma chinesa de sentir o tempo, de compreender a relação entre quietude e movimento, de aceitar a impermanência das coisas e de reconhecer que o mundo não precisa de ser inteiramente dominado pela explicação para ser profundamente vivido.

4. Os gong’an (公案): histórias que abrem fendas na razão

Embora valorize o silêncio, a tradição chan recorreu frequentemente a pequenas histórias conhecidas como gong’an (公案). Estas narrativas não pretendem transmitir uma moral simples nem conduzir o discípulo a uma resposta lógica. Funcionam antes como golpes breves na rigidez do pensamento, como fendas abertas no hábito de compreender tudo através da razão discursiva.

Um exemplo clássico conta a história de um jovem monge que interrogava incessantemente o seu mestre. A cada pergunta, o mestre respondia apenas: “Não sei.” A repetição dessa resposta irritava o discípulo, habituado a procurar ensinamentos claros, fórmulas estáveis e explicações capazes de organizar a sua inquietação. Um dia, enquanto remexia sozinho as cinzas do fogão, viu uma pequena chama escondida entre as brasas. Nesse instante, compreendeu algo que nenhuma resposta anterior poderia ter transmitido e disse:

“深深拨,有些子;平生事,只如此。”
“Mexendo fundo, encontra-se algo; os assuntos da vida são apenas assim.”

A força desta história não está na possibilidade de descobrir uma interpretação correta. Cada pessoa compreende um gong’an a partir da sua própria experiência, do seu grau de maturidade, da sua dor, da sua atenção e da sua disponibilidade interior. A sabedoria, no Chan, não se impõe de fora para dentro; desperta quando a consciência se torna capaz de reconhecer, num acontecimento mínimo, uma verdade que já a habitava de forma obscura.

Os gong’an ensinam precisamente porque recusam ensinar de modo convencional. Interrompem a expectativa de sentido imediato, deslocam a mente do terreno seguro da explicação e obrigam o indivíduo a encontrar, dentro de si, uma outra forma de compreensão. Por isso, continuam a fascinar: parecem pequenos enigmas, mas atuam como espelhos.

5. O Chan e a vida moderna

O Chan mantém uma pertinência particular no mundo contemporâneo, marcado pela velocidade, pelo excesso de informação, pela ansiedade permanente e pela dispersão da atenção. Vivemos rodeados de estímulos, notificações, imagens, opiniões e exigências de desempenho. A consciência torna-se fragmentada, sempre chamada para fora de si, sempre ocupada com o próximo objetivo, o próximo receio, a próxima comparação.

Neste contexto, o Chan convida a recuperar uma relação mais silenciosa com a própria interioridade. Observar os pensamentos sem se confundir inteiramente com eles, aceitar a solidão sem a transformar em ameaça, libertar-se da fixação obsessiva no passado e no futuro, desenvolver uma clareza que não depende da acumulação de respostas: estes gestos tornam-se formas de resistência íntima perante uma época que frequentemente confunde movimento com sentido.

A paz, no Chan, não resulta da ausência de problemas. Nasce de uma alteração profunda na relação com eles. O mundo continua instável, as perdas continuam possíveis, o sofrimento continua a visitar a vida humana; contudo, a consciência aprende a não se desintegrar perante cada mudança. A serenidade chan não é anestesia, fuga ou indiferença. É uma presença lúcida no interior da impermanência.

Por essa razão, o “Buda” do Chan pode ser compreendido para além da figura religiosa exterior. Representa uma possibilidade de despertar inscrita na própria vida humana: a capacidade de ver com mais clareza, de permanecer com mais inteireza, de reconhecer a natureza transitória dos fenómenos sem transformar essa transitoriedade em desespero. Tornar-se Buda, neste sentido, significa regressar à própria natureza antes que ela seja obscurecida pelo medo, pelo desejo, pela comparação e pela agitação.

Conclusão

O Chan (禅) representa, na cultura chinesa, uma forma particular de compreender a existência: silenciosa, intuitiva, interior e profundamente ligada à experiência direta da vida. A sua importância não reside numa doutrina fechada, numa técnica de meditação ou numa filosofia abstrata, mas na maneira como ensina a olhar, a esperar, a escutar e a habitar o mundo com maior lucidez.

Ele não promete eliminar o sofrimento humano nem oferecer respostas prontas para as contradições da existência. Ensina antes a transformar a relação com a dor, com o tempo, com o silêncio e com a própria consciência. O seu ensinamento mais profundo talvez seja este: a claridade não surge sempre como revelação súbita ou palavra definitiva; por vezes, nasce lentamente, no espaço entre dois pensamentos, no intervalo entre duas respirações, na chama pequena que permanece escondida sob as cinzas.

Na cultura chinesa, o Chan continua a iluminar precisamente porque não se exibe. Vive nos templos e nos textos, mas também na chávena de chá, na montanha distante, na mão que escreve um carácter com atenção, na avó que escolhe o silêncio para pacificar a casa. O seu verdadeiro sentido talvez esteja aí: numa sabedoria que não precisa de levantar a voz para transformar a forma como o ser humano atravessa o mundo.

2 Jul 2026

Comédia | Wynn Palace apresenta dupla Yue Yunpeng e Sun Yue

Decorre no dia 1 de Agosto um espectáculo de “stand-up comedy” da dupla Yue Yunpeng e Sun Yue no Wynn Palace Grand Theatre, no Cotai, a partir das 20h. Segundo um comunicado do Wynn Palace, trata-se de um regresso a Macau após cinco anos, “numa actuação muito aguardada”.

“Aclamados pelo seu estilo cómico distinto e pela química impecável em palco, a dupla irá apresentar um espectáculo inesquecível, repleto de risos”, numa noite que promete ser “cativante, marcada por uma interacção animada e excelência cómica”.

Yue Yunpeng é também conhecido como “Xiao Yueyue” e juntou-se ao Deyun Society em 2004. “Com uma actuação cénica distinta e um humor característico, conquistou os corações do público por todo o país”. O artista é conhecido pelas actuações “Song of the Fifth Ring” e “I Can’t Stand It”, tendo participado em diversas edições da “Gala do Festival da Primavera” da estação televisiva chinesa CCTV.

Actualmente Yue Yunpeng é tido como “um dos comediantes mais populares no panorama da comédia stand-up chinesa”. Os bilhetes já estão disponíveis, com preços a partir de 888 patacas, na bilheteira online da Wynn.

2 Jul 2026

Julho repleto de eventos, de exposições, desporto, passando pelo design e caligrafia

O Instituto Cultural (IC) levantou o véu sobre o que tem agendado para Julho, com uma programação multifacetada, variando entre pintura, design, voleibol, entre outras propostas.

Um dos destaques será uma exposição sobre o trabalho do pintor Mio Pang Fei, já falecido, intitulada “Contemplações Oriente-Ocidente: Retrospectiva de Mio Pang Fei”. Segundo um comunicado do IC, esta mostra “irá estar patente em breve”, sem que tenha sido mencionado ainda o local, tal como a exposição “sobre o 1º Grupo de Bens Móveis Classificados de Macau”, outra iniciativa agendada pelo IC para este Verão.

Mio Pang Fei nasceu em Xangai, em 1936, mas foi em Macau que viveu praticamente toda a vida, tendo-se firmado como um dos mais conceituados artistas plásticos e uma referência da arte contemporânea chinesa.
Ainda na China interessou-se pela arte contemporânea ocidental, à época tida como anti-revolucionária. No período da Revolução Cultural dedicou-se à caligrafia e arte tradicional chinesa, tendo sido condenado a trabalhos forçados. No ano de 1982 refugiou-se em Macau e descobriu na pintura uma forma de juntar a arte ocidental com a arte chinesa tradicional.

Ainda no campo das exposições, o IC tem patente, no ART (Dot Art), a mostra “A Antiga China no Design Criativo”, até ao dia 7 de Agosto. Segundo a mesma nota, trata-se de uma iniciativa organizada pelo Ministério da Cultura e Turismo da China, coordenada pelo Museu Nacional da China e coorganizada pelo IC.

Apresenta-se aqui “relíquias culturais clássicas de 22 entidades museológicas de todo o país como protótipos de design, apresentando cerca de 400 obras culturais e criativas requintadas”. O objectivo é que o público possa “aprofundar a compreensão dos visitantes sobre os 10000 anos de história cultural e os 5000 anos de civilização da China”.

Desporto para todos

No tocante a actividades desportivas para este verão, decorre entre os dias 22 e 26 de Julho a “Liga das Nações de Voleibol Feminino – Finais Macau 2026 apresentada pelo Galaxy Entertainment Group”, com jogos no Dome – Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau.

A Liga conta com a participação de 18 equipas de elite mundial, que disputarão três rondas preliminares até ao dia 12 de Julho – e que tiveram início a 3 de Junho, sendo que a China “como equipa anfitriã, estará juntamente com as sete equipas melhor classificadas na pontuação, reunindo em Macau na segunda quinzena de Julho para disputar na fase final o título de campeã da Liga deste ano”, pode ler-se.

Destaque ainda para a realização da prova de badminton da categoria aberta, integrada na “Taça Hengqin-Macau” – Série Principal e Série Júnior de 2026, agendada para o dia 9 de Agosto no Dome. As inscrições para a competição estarão abertas a partir do início deste mês.

Este fim-de-semana acontece no Centro Desportivo Olímpico – Campo de Hóquei, o evento “Comunidade Dinâmica – Festival Competitivo de Verão 2026”. O evento alia, segundo a mesma nota, “a vertente lúdico-competitiva ao espírito de equipa, incluindo modalidades adequadas para grupos de jovens e actividades especialmente concebidas para a participação familiar”.

No leque de eventos culturais organizados pelo IC destaca-se também a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau, com espectáculos, ciclo de cinema e workshops até finais de Agosto; ou ainda a actividade “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”, realizada em diversas zonas de lazer, parques, sítios do Património Mundial e museus em Macau e Taipa, “sob a forma de concertos, workshops temáticos e actividades de promoção da leitura”. Por sua vez, o 44º Concurso para Jovens Músicos de Macau, nas categorias da Música Chinesa e Ocidental, terá lugar na segunda quinzena de Julho.

2 Jul 2026

Empréstimo | Homem perde 70 mil yuan em burla

Um homem de meia-idade foi vítima de uma burla, quando tentava obter um empréstimo, que lhe custou 70 mil renminbis.

Segundo a PJ, a vítima é um homem não-residente de Macau. O queixoso relatou que, na segunda-feira, descarregou na Internet uma aplicação de telemóvel para aceder a um crédito. Como pretendia um empréstimo de 500 mil renminbis, os serviços de apoio ao cliente indicaram à vítima que, primeiro, tinha de fazer um depósito de 100 mil renminbis numa conta que ele próprio tinha no Interior da China.

O homem transferiu o dinheiro para a sua conta e ficou à espera do empréstimo. Contudo, como também forneceu os dados bancários da conta, sem se aperceber, quando fez a leitura de um código QR, os 100 mil renminbi foram transferidos para um outra conta.

O homem protestou a transferência junto do serviço a clientes e recebeu de volta 30 mil renminbis. No entanto, foi-lhe dito que o restante ficava retido enquanto o crédito era avaliado. Como não concordou com a retenção do dinheiro, protestou e percebeu que tinha sido burlado.

Crime | Detido por se apropriar de mala esquecida

Um homem foi detido, depois de se ter apropriado de uma mala esquecida dentro de um táxi, segundo informações divulgadas ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O homem, do Interior da China, apanhou um táxi no domingo e encontrou a mala. Decidiu ficar com ela e com os objectos no seu interior, que foram avaliados em 117 mil patacas. No entanto, depois de se ter esquecido da mala, a proprietária, turista também do Interior da China, fez queixa à polícia.

As autoridades identificaram o sujeito, que foi detido no dia seguinte no exterior de um hotel no NAPE. Quando foi interrogado, o detido confessou os factos. Dentro da mala estavam um computador portátil, um lote de joias de valor elevado e bens pessoais. A mala de mão tinha sido descartada numa lixeira na Travessa da Amizade, mas acabou por ser localizada pelos agentes. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Burla | Homem acredita em agentes falsos e perde 48 mil patacas

Um residente local perdeu 48.480 patacas, depois de ter caído numa burla em que os criminosos se fazem passar pela polícia, Ministério Público ou juízes do Interior da China. O caso aconteceu a 26 de Junho, quando a vítima recebeu uma chamada de um número desconhecido. Do outro lado, os burlões, que se apresentaram como polícias de Wuhan, disseram à vítima os seus dados pessoais, como nome, número do documento de identidade e contacto telefónico.

O suspeito acusou a vítima de ter cometido burlas no Interior e exigiu uma videochamada como parte de uma suposta investigação. Durante a videochamada, o criminoso apresentou-se com a farda da polícia, o que ajudou a convencer a vítima a partilhar os dados bancários.

Os dados foram utilizados logo para transferir o dinheiro, enquanto o burlado foi mantido na videochamada, com a desculpa que tinha de aguardar novas instruções. Depois de ficar à espera cerca de duas horas, a vítima viu que o dinheiro tinha sido transferido e percebeu que tinha sido burlada.

2 Jul 2026

Jogo | Receitas mensais de Junho foram as mais baixas do ano

Os casinos de Macau facturaram mais de 18,5 mil milhões de patacas em Junho, o valor mais baixo do ano e uma queda homóloga de 12,1 por cento, foi ontem anunciado. O mês registou também uma queda de 18 por cento em relação aos 22,6 mil milhões de patacas registados em Maio, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

Mesmo com esta descida, na primeira metade do ano, a indústria do jogo no território arrecadou quase 126,9 mil milhões de patacas, um aumento de 6,8 por cento em termos anuais. O banco de investimento Citigroup indicou numa avaliação anterior que o Mundial de futebol estava a ter um impacto nos resultados do jogo em Macau de Junho, devido à menor disponibilidade de jogadores chineses para apostarem no território.

Para os analistas, as apostas no torneio – que decorre até 20 de Julho no Canadá, Estados Unidos e México – estão a levar a uma redução do orçamento que os jogadores normalmente reservam para as mesas do território.

Segundo o Citigroup, a expansão do Mundial, que pela primeira vez conta com a participação de 48 equipas e com um total de 104 jogos, poderá ter um impacto maior no jogo de Macau face às edições anteriores, que duraram menos tempo e tiveram menos jogos. As apostas desportivas não são permitidas no Interior, mas muitos apostadores recorrem a plataformas online ilegais para apostar em eventos desportivos.

2 Jul 2026

Emperor | Receitas caíram 40% após fecho de casino-satélite

A companhia hoteleira Emperor Entertainment Hotel Limited anunciou ontem uma queda de 40 por cento nas receitas após ter sido obrigada a encerrar as operações do casino-satélite que detinha em Macau.

A empresa cotada na bolsa de Hong Kong e proprietária do Grand Emperor Hotel em Macau, reportou receitas totais de 512,2 milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal que terminou a 31 de Março, uma queda de quase 40 por cento face aos 837 milhões de dólares de Hong Kong registados no período anterior.

A empresa gere o The Emperor Hotel e três blocos de apartamentos em Hong Kong, bem como o Grand Emperor Hotel e o Inn Hotel em Macau. Apesar da quebra, as perdas líquidas da companhia reduziram-se para 24,8 milhões de dólares de Hong Kong no mesmo período, face aos 248,1 milhões de dólares de Hong Kong registados no ano anterior, graças à diminuição nas perdas de valor das propriedades do grupo.

As receitas provenientes de hotéis e arrendamento mantiveram-se estáveis em 332,8 milhões de dólares de Hong Kong, representando 65 por cento do total. O encerramento do Casino Emperor Palace, dentro do Grand Emperor Hotel, ocorreu a 31 de Outubro de 2025, depois de uma revisão da Lei do Jogo que determinou a extinção do modelo de casinos satélite.

Após o encerramento do casino, a Emperor anunciou planos para instalar novas infra-estruturas de entretenimento no Grand Emperor Hotel, diversificando a oferta além do jogo. O número de funcionários do grupo foi reduzido de 659 para 349 desde o ano passado, e os custos totais foram reduzidos para 212,4 milhões de dólares de Hong Kong, apontou a companhia.

2 Jul 2026

Desenvolvimento Nacional | Nomeados membros para comissão

O Governo acaba de nomear os membros da Comissão de Trabalho para a Integração no Desenvolvimento Nacional.

Segundo um despacho publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial (BO), são nomeados Chang Ngai, em representação do gabinete do Chefe do Executivo; Zhang Guohua, em representação do gabinete do secretário para a Administração e Justiça; e ainda Mai Pang, em representação do gabinete da secretária para a Economia e Finanças. No total, foram nomeados sete funcionários públicos.

O despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, determina que os mandatos destes membros têm a duração de dois anos.

Esta comissão, sob tutela do Chefe do Executivo, tem como missão “coordenar os planos gerais e trabalhos preparatórios de curto, médio e longo prazo da participação e contribuição da RAEM na construção de ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, lê-se no portal do Governo.

Além disso, faz parte do trabalho desta entidade “estudar e traçar o planeamento global da promoção da construção de ‘Um Centro, Uma Plataforma, Uma Base'”.

Fundo de Pensões | Diana Costa presidente por mais um ano

O Governo renovou a comissão de serviço de Diana Vital Costa, por mais um ano, na qualidade de presidente do conselho de administração do Fundo de Pensões.

A renovação teve início ontem mediante despacho publicado no Boletim Oficial e assinado pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. No despacho lê-se que a nova nomeação acontece pelo facto de Diana Costa “possuir experiência e capacidade profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

2 Jul 2026

BRICS | Emitida dívida em Macau para apoiar projectos no Brasil

Segundo a Autoridade Monetária de Macau a operação de emissão de dívida ficou terminada e foi totalmente subscrita pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa

 

O banco do bloco BRICS emitiu pela primeira vez dívida em Macau, dinheiro que será para apoiar projectos no Brasil, país membro do bloco que integra também a China, anunciou ontem o regulador financeiro do território.
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) disse que a operação lançada pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) foi formalmente concluída ontem, com o registo junto da central de depósito de valores mobiliários de Macau.

A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, detida pela AMCM, foi inaugurada em Dezembro de 2021. Num comunicado, o regulador sublinhou que a dívida, no valor de 50 milhões de dólares, foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares.

A AMCM disse que os fundos angariados com a emissão de dívida “serão utilizados em projectos no Brasil”, sem revelar mais detalhes. “Esta emissão de obrigações é uma manifestação concreta da capacidade de Macau para desempenhar o papel de plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”, defendeu o regulador.

Em Novembro, o Governo de Macau anunciou que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa tinha assinado o primeiro acordo para ajudar uma empresa local, neste caso para expandir para o mercado de Timor-Leste.

Marcos históricos

Em Julho de 2024, o ex-secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Casimiro de Jesus Pinto, disse em Lisboa que o fundo tinha investido até à data 527 milhões de euros em 11 projectos em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Macau.

Em Janeiro, o CDB tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan, também para financiar projectos nos países de língua portuguesa. O NDB – fundado como o grupo BRICS pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede na capital financeira e económica chinesa, Xangai, e a actual líder é a brasileira, Dilma Rousseff.

O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia e Rousseff foi reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.

2 Jul 2026

SAFP | Leong Weng In continua como directora

Foi renovada a comissão de Leong Weng In como directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) por mais um ano, a contar desde ontem.

A informação consta num despacho publicado no Boletim Oficial e assinado pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. Destaca-se que Leong Weng In “possui idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas ao desempenho de funções do cargo de directora” dos SAFP.

A responsável é licenciada em Direito em língua chinesa pela Universidade de Macau, tendo ainda um bacharelato em Tradução e Interpretação Chinês-Português, pelo antigo Instituto Politécnico de Macau – actual Universidade Politécnica de Macau.

Outra nomeação anunciada ontem foi a de Chan Chi Kin como subdirector da mesma direcção de serviços, também pelo período de um ano. A nomeação tem efeito desde ontem. Chan Sok Cheng foi também nomeada para o cargo de subdirectora dos SAFP nas mesmas condições.

Fundo de Cooperação | António Lei mantido no conselho fiscal

O Chefe do Executivo renovou a nomeação de António Lei Chi Wai para o cargo de presidente do Conselho Fiscal do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

A informação foi divulgada ontem através de um despacho publicado no Boletim Oficial, e a nomeação vai vigorar por mais um ano. António Lei Chi Wai desempenha o cargo de secretário-geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau desde 2025.

Ao longo da carreira profissional assumiu diferentes posições em serviços governamentais e instituições públicas, como a liderança do Departamento Jurídico e de Fixação de Residência, no Centro de Apoio Empresarial de Macau e do Departamento de Promoção Económica e Comercial com os Mercados Lusófonos do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. Foi também director dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

2 Jul 2026

EUA | Magnata Guo Wengui condenado a 30 anos de prisão por fraude

Foto: Guo Wengui via Twitter / X

O magnata chinês Guo Wengui, empresário exilado nos Estados Unidos e antigo crítico de Pequim, foi ontem condenado a 30 anos de prisão por um tribunal federal de Nova Iorque por fraude que lesou mais de mil investidores.

A juíza Analisa Torres proferiu a sentença num tribunal de Manhattan, onde afirmou que Guo “explorou pessoas que procuravam levar a democracia à China”, utilizando o dinheiro dos investidores para sustentar um estilo de vida luxuoso.

Antes da leitura da sentença, Guo queixou-se das condições de detenção, afirmando que foi transportado para um hospital de manhã devido a problemas de saúde. Contestou ainda a caracterização feita pela acusação de que estaria a fingir doença para atrasar o processo. “Quando cheguei aqui, disse: ‘Tenho dores de barriga, preciso de ir à casa de banho, não me sinto bem'”, afirmou Guo, através de um intérprete.

Referindo-se ao processo criminal, limitou-se a defender as suas motivações políticas. E afirmou: “a razão pela qual vim para os Estados Unidos foi destruir o Partido Comunista Chinês”. Na leitura da sentença, a juíza citou cartas enviadas por vítimas que relataram ter perdido as poupanças de uma vida, sofrido ansiedade e vergonha e enfrentado conflitos familiares devido aos investimentos realizados.

Segundo Torres, Guo “não assume qualquer responsabilidade pelos seus actos e insiste, de forma inacreditável, que a sua conduta não causou perdas nem prejudicou ninguém”. A magistrada acrescentou que o empresário “incitou apoiantes a assediar e intimidar aqueles que ousaram denunciá-lo”. O tribunal ordenou ainda o confisco de 889 milhões de dólares para efeitos de restituição às vítimas.

1 Jul 2026

Hong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.

1 Jul 2026

Dinheiro enviado de Portugal para paraísos fiscais aumentou 16,4%

As transferências de clientes com contas bancárias em Portugal para instituições financeiras localizadas em paraísos fiscais aumentaram 16,4 por cento em 2025, para 9.400 milhões de euros, com a Suíça como primeiro destino dos fluxos, segundo estatísticas do fisco.

A praça helvética concentra um terço do montante transferido (33,6 por cento), num total de 3.166 milhões de euros, enquanto que em Hong Kong, o segundo destino preferido do dinheiro que escapa ao fisco nacional, recebeu 22,2 por cento do total (2.088 milhões de euros). A lista de territórios de destino em 2025 engloba mais de 70 jurisdições. A Suíça e Hong Kong continuam a ser as duas para onde seguem mais fluxos de capital.

Os dados mais recentes da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) sobre transferências para jurisdições com um regime fiscal considerado mais favorável, publicados ontem no Portal das Finanças, mostram que os fluxos de capitais aumentaram 1.325 milhões de euros num ano, de 8.078,6 milhões de euros em 2024 para 9.403,3 milhões de euros em 2025.

Por força da Lei Geral Tributária, a AT é obrigada a publicar todos os anos no Portal das Finanças informação estatística sobre qual o valor que os clientes com contas bancárias abertas em Portugal transferiram para territórios de baixa ou nula tributação nos quatro anos anteriores, baseando-se nos dados que as instituições financeiras têm de comunicar ao fisco até até ao final do mês de Março de cada ano.

Os dados que a AT publicou ontem dizem respeito ao dinheiro transferido entre 2022 e 2025.
No ano passado, o número de operações bancárias cresceu 10,4 por cento, com os clientes portugueses a dar 144.644 ordens de transferências, mais 13,6 mil do que em 2024. As transferências foram realizadas por 18.244 ordenantes, dos quais 9.629 são pessoas em nome individual e 8.615 são empresas e outras pessoas colectivas.

Embora haja mais particulares a realizar transferências para paraísos fiscais, 87 por cento do valor tem origem em entidades comerciais, totalizando 8.209 milhões. Em contraponto, o montante associado a fluxos de capitais movimentados por pessoas em nome individual vale corresponde a 1.194 milhões de euros.

A medalha de bronze

No terceiro lugar surgem territórios considerados paraísos fiscais nos Estados Unidos da América, num valor que ascende a 879 milhões de euros. Os Emirados Árabes Unidos, que em 2024 apareciam em terceiro lugar como destino das transferências, surgem agora em quarto. Em 2025, foram para ali transferidos 767 milhões de euros.

Os territórios imediatamente abaixo na lista são destinatários de fluxos anuais inferiores a 500 milhões de euros, casos de Singapura (475,9 milhões de euros), Macau (314,9 milhões de euros), Maurícias (239,5 milhões) Cabo Verde (157,0 milhões) Liechtenstein (141,9 milhões), Egipto (106, 6 milhões) e Mónaco (81,8 milhões).

A maior parcela das operações relativas a 2025 corresponde a transferências de gestão de tesouraria, que incluem transferências executadas para equilibrar saldos, centralizar liquidez ou optimizar fundos empresariais, movimentações gerais de fundos em que o ordenante e o beneficiário final são a mesma entidade ou pessoa, e o envio de dinheiro entre diferentes bancos (desde que não represente o pagamento de uma factura comercial, serviço ou investimento a um terceiro).

1 Jul 2026

O Labirinto do Licenciamento

Por Manuel Silvério

Analista independente do desporto e consultor em desenvolvimento regional
(Antigo dirigente público com experiência internacional, com longa dedicação às políticas públicas e ao desenvolvimento desportivo)

 

Porque continua o futebol de Macau fora das competições asiáticas. Uma reflexão sobre os verdadeiros obstáculos ao regresso internacional dos clubes de Macau

 

Pelo terceiro ano consecutivo, os clubes da Liga de Elite de Macau ficaram afastados das competições oficiais da Confederação Asiática de Futebol (AFC). A recente confirmação de que nenhuma candidatura local foi aprovada para participar na AFC Challenge League voltou a suscitar desilusão entre dirigentes, atletas e adeptos.

A reacção pública é compreensível, mas continua frequentemente centrada na qualidade competitiva das equipas ou na escassez de recursos financeiros. A realidade é hoje bastante diferente. O principal obstáculo deixou de estar dentro das quatro linhas e passou a situar-se na capacidade institucional de cumprir um sistema internacional de licenciamento cada vez mais rigoroso.

Actualmente, o futebol asiático já não avalia apenas quem joga melhor. Avalia igualmente se os clubes possuem estruturas jurídicas sólidas, gestão profissional, transparência financeira, recursos humanos qualificados e capacidade administrativa compatíveis com os padrões internacionais de governação do futebol.

Ao longo dos últimos anos, a AFC consolidou o Club Licensing Administration System (CLAS), plataforma eletrónica através da qual cada clube deve demonstrar o cumprimento dos critérios desportivos, jurídicos, administrativos, financeiros e de infra-estruturas antes de poder participar nas competições continentais.

A margem de flexibilidade que anteriormente podia existir para associações de menor dimensão praticamente desapareceu. O cumprimento dos requisitos passou a ser verificado de forma sistemática, dentro de prazos rigorosos e com reduzida possibilidade de correção posterior. O licenciamento deixou, assim, de ser uma simples formalidade administrativa para se transformar numa verdadeira certificação internacional da qualidade institucional dos clubes.

As exigências abrangem cinco grandes áreas: critérios desportivos, infra-estruturas, organização administrativa, enquadramento jurídico e sustentabilidade financeira. Não basta apresentar contas simplificadas de uma associação desportiva. A AFC exige Annual Financial Statements auditadas, controlo do Reporting Perimeter, demonstrações financeiras consolidadas sempre que exista Significant Influence de um financiador relevante e o cumprimento do princípio do No Overdue Payables, que impede a participação de clubes com salários ou outras obrigações vencidas.

Ao mesmo tempo, exige uma estrutura administrativa permanente, com responsáveis claramente identificados para áreas como direção executiva, gestão financeira, assessoria jurídica, licenciamento, comunicação, segurança, medicina desportiva e desenvolvimento do futebol jovem. Em muitos casos, funções como Chief Executive Officer (CEO), Chief Financial Officer (CFO), Club Licensing Officer, Legal Adviser, Media Officer, Security Officer, Medical Officer e Youth Development Director deixam de constituir uma opção e passam a integrar um modelo moderno de governação. No plano desportivo, exige-se igualmente que o treinador principal possua a Licença AFC A ou AFC Pro, bem como uma estrutura permanente de formação de jovens.

Também as infra-estruturas são avaliadas segundo normas internacionais constantes dos AFC Stadium Regulations, incluindo requisitos relativos a salas VAR, Mixed Zone, Media Centre, áreas de transmissão televisiva, salas de controlo antidopagem e outros equipamentos indispensáveis para competições internacionais.
Nada disto constitui um obstáculo intransponível.

Mas exige organização, planeamento e uma cultura de gestão muito diferente daquela que caracterizou tradicionalmente muitos clubes de pequena dimensão. Macau possui dirigentes dedicados, voluntários empenhados e atletas com qualidade. O problema é que o modelo de funcionamento do futebol local continua assente, em grande medida, numa lógica associativa e de voluntariado, enquanto o sistema de licenciamento da AFC exige hoje estruturas profissionais, responsabilidades claramente definidas e mecanismos permanentes de controlo administrativo.

A dimensão territorial também não explica, por si só, esta situação. Existem exemplos que demonstram precisamente o contrário. Timor-Leste conseguiu colocar o Karketu Dili nas competições asiáticas após um processo de reorganização administrativa apoiado pelos programas de desenvolvimento da FIFA, adaptando a sua estrutura às exigências regulamentares da AFC.

Também o Butão, o Bangladesh, o Nepal e a Mongólia têm vindo, com ritmos diferentes, a reforçar os seus sistemas nacionais de licenciamento e a preparar os respetivos clubes para responder aos critérios internacionais. Nenhum destes países dispõe de recursos muito superiores aos de Macau. O factor diferenciador tem sido, sobretudo, a capacidade de adaptação institucional e a prioridade atribuída à modernização da governação do futebol.

Este é talvez o principal ensinamento para Macau. A solução dificilmente dependerá de uma única entidade.
Ao Instituto do Desporto compete continuar a assegurar condições para que as infra-estruturas públicas utilizadas nas competições internacionais acompanhem os requisitos técnicos actualmente exigidos pela AFC, bem como estudar mecanismos de apoio que facilitem a profissionalização administrativa dos clubes com potencial competitivo, incluindo a realização de auditorias independentes e a qualificação técnica dos recursos humanos.

À Associação de Futebol de Macau cabe um papel igualmente determinante. Mais do que acompanhar processos administrativos, importa criar uma estrutura técnica permanente que acompanhe os clubes durante todo o ano, prestando apoio nas áreas jurídica, financeira, contabilística e regulamentar, antecipando dificuldades muito antes dos prazos finais de submissão das candidaturas.

Os próprios clubes terão igualmente de continuar a evoluir. A crescente complexidade do futebol internacional exige uma gestão mais profissional, maior transparência financeira, melhor organização documental e uma aposta consistente na formação de jovens e na qualificação dos recursos humanos.
Importa igualmente esclarecer um equívoco que por vezes surge no debate público.

O apoio institucional do Governo ao desenvolvimento do futebol não colide, por si só, com o princípio da autonomia das associações desportivas consagrado pela AFC. O que os regulamentos internacionais proíbem é a interferência política nas decisões desportivas e nos órgãos de licenciamento. Diferente é o apoio à modernização administrativa, ao desenvolvimento das infra-estruturas ou à capacitação técnica, áreas em que existe amplo espaço para cooperação institucional.

Macau possui condições para regressar às competições asiáticas. Dispõe de estabilidade institucional, infra-estruturas desportivas de qualidade, capacidade financeira pública e uma comunidade desportiva que continua empenhada no desenvolvimento do futebol. O verdadeiro desafio consiste agora em transformar essas condições numa estratégia integrada de modernização institucional.

Ao fim de três anos consecutivos de exclusão, talvez tenha chegado o momento de alterar o foco da discussão. O problema deixou de ser saber se os nossos jogadores têm qualidade suficiente para competir na Ásia. A questão fundamental é saber se o nosso sistema administrativo está preparado para responder às exigências do futebol internacional contemporâneo.

Porque, no futebol moderno, o primeiro jogo começa muito antes do apito inicial. Começa no licenciamento. E é esse desafio institucional que Macau terá de vencer para voltar a representar, com regularidade, o seu nome nas competições asiáticas.

1 Jul 2026

Japão | Iene bate recordes e cai para o valor mais baixo em quase 40 anos

A moeda japonesa caiu ontem para 162 ienes por dólar, atingindo o nível mais baixo desde 1986, após uma intervenção falhada das autoridades japonesas que apenas teve efeitos temporários perante a valorização da divisa norte-americana

 

Desde 1986 que o iene não desvalorizava para o valor que atingiu ontem: 162 ienes por dólar. Mesmo com as medidas lançadas pelo Governo, a estabilidade cambial foi sol de pouca dura devido à valorização do dólar.
Durante a madrugada de ontem, o iene chegou a ser transaccionado a 161,98 por dólar, registando valores entre 161,90 e 162,36 mesmo após a abertura da bolsa de Tóquio, segundo a emissora pública NHK.

Este patamar representa a queda mais acentuada em 39 anos e meio, desde Dezembro de 1986, quando a moeda oscilava entre 158 e 163 por dólar no mercado cambial.

A desvalorização do iene reflecte as expectativas de que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos avance nos próximos meses com uma subida das taxas de juro, que em Junho se mantiveram inalteradas entre 3,5 e 3,75 por cento, acompanhadas da divulgação do relatório trimestral de projecções económicas.

Assim, a divisa nipónica apagou os ganhos obtidos após a intervenção no mercado cambial entre Abril e Maio pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e pelo Banco do Japão, que tinham levado a uma valorização do iene de 160 para 155 por dólar nos primeiros dias de Maio.

Firme e hirto

“Tomaremos as medidas adequadas em qualquer momento e conforme necessário”, afirmou ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, em conferência de imprensa, acrescentando que o Executivo pretende “construir uma estrutura económica resistente” às flutuações cambiais.

As autoridades japonesas não excluíram uma nova intervenção na semana passada, depois de a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, ter mantido conversações com o homólogo norte-americano, Scott Bessent, garantindo que ambos os países actuariam “com firmeza quando fosse necessário”.

A nova queda ocorreu apesar de o Banco do Japão ter aumentado a taxa de juro de referência de curto prazo para 1 por cento, o nível mais alto em mais de três décadas, prosseguindo os esforços para controlar os riscos inflaccionistas derivados da subida dos preços do petróleo e da fraqueza do iene.

1 Jul 2026

Partido Comunista ultrapassa 101 milhões de membros antes do 105º aniversário

O Partido Comunista Chinês (PCC) contabilizava 101,28 milhões de membros no final de 2025, mais 1 por cento do que um ano antes, segundo dados divulgados ontem, na véspera do 105º aniversário da fundação da organização.

De acordo com um relatório publicado pelo Departamento de Organização do Comité Central do partido, 31,91 milhões de militantes eram mulheres, o equivalente a 31,5 por cento do total, enquanto 7,87 milhões pertenciam a minorias étnicas, representando 7,8 por cento. O documento indica ainda que 59,76 milhões de membros, ou 59 por cento do total, possuíam formação superior.

Por faixas etárias, o maior grupo continuava a ser o dos militantes com 61 ou mais anos, com 29,91 milhões de membros, seguido pelos que tinham entre 36 e 40 anos, com 12,19 milhões, e pelos que tinham até 30 anos, com 12,09 milhões. O PCC admitiu em 2025 cerca de 2,08 milhões de novos membros, dos quais 1,75 milhões, ou 84 por cento, tinham 35 anos ou menos.

Muitos anos de vida

Fundado em 1921 e no poder desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, o partido assinala hoje o 105º aniversário, num contexto marcado pela crescente centralização do poder em torno do Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping.

Sob a liderança de Xi, o partido reforçou o controlo sobre as instituições do Estado, as Forças Armadas e o sector privado, num processo que incluiu a eliminação, em 2018, do limite constitucional de dois mandatos presidenciais, a obtenção de um terceiro mandato como secretário-geral do PCC, em 2022, e a recondução na Presidência da China, em 2023.

Xi, que também preside à Comissão Militar Central, o principal órgão dirigente das Forças Armadas chinesas, elevou o seu pensamento político a orientação ideológica central do partido, enquanto o PCC consolidou um modelo em que a autoridade se concentra cada vez mais na direcção da organização e na figura do líder. Este processo foi acompanhado por uma intensa campanha de disciplina interna e combate à corrupção, que serviu simultaneamente para afastar quadros do partido e consolidar a liderança de Xi.

1 Jul 2026

Indústria | Expansão em Junho, na China, graças às exportações de tecnologia

A actividade industrial na China acelerou em Junho, segundo um inquérito oficial divulgado ontem, impulsionada pela forte procura externa de equipamento relacionado com a inteligência artificial (IA).

O índice oficial de gestores de compras (PMI) da indústria transformadora subiu para 50,3 pontos, face aos 50 registados em Maio, superando as previsões dos economistas, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas. Numa escala de zero a 100, um valor acima de 50 indica expansão da actividade, enquanto um resultado inferior sinaliza contracção.

O subíndice de novas encomendas aumentou para 51,2 pontos em Junho, depois dos 49,9 de Maio, enquanto o indicador da produção avançou para 51,4 pontos, face aos 51,2 do mês anterior. “O dinamismo da economia chinesa recuperou algum ímpeto recentemente. Mas continua a depender fortemente das exportações e da tecnologia ligada à inteligência artificial”, escreveu ontem Julian Evans-Pritchard, economista para a China da consultora Capital Economics. “O principal motor de crescimento da indústria transformadora chinesa continua a ser a procura externa”, acrescentou.

Huo Lihui, estatístico do Gabinete Nacional de Estatísticas, afirmou, em comunicado, que os dados de Junho mostram que “o clima económico da China está a melhorar”. Ainda assim, vários economistas alertaram que os consumidores chineses continuam cautelosos, após vários anos de crise no sector imobiliário, e que a procura interna permanece fraca.

Os dirigentes chineses fixaram para este ano uma meta de crescimento económico entre 4,5 e 5 por cento, objectivo que, segundo os economistas, deverá ser alcançado com o apoio do forte crescimento das exportações relacionadas com a inteligência artificial.

1 Jul 2026

União Europeia | Pequim disponível para reforçar diálogo comercial

O Governo chinês manifestou-se ontem disponível para reforçar a comunicação com a União Europeia (UE) em matéria comercial, um dia depois de ambas as partes terem acordado manter abertos canais de diálogo para evitar uma guerra comercial.

Numa conferência de imprensa regular, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que “a essência da cooperação económica e comercial entre ambas as partes é o benefício mútuo” e que Pequim e Bruxelas são “parceiros, não rivais”.

Guo sustentou que os problemas enfrentados pela UE “não têm origem na China” e defendeu que as questões nas relações económicas e comerciais entre as duas partes devem ser resolvidas através do aprofundamento da cooperação para alcançar um desenvolvimento comum.

“A China está disposta a reforçar a comunicação e as consultas com a parte europeia e, com base nos princípios da igualdade, do respeito mútuo e da reciprocidade, gerir adequadamente as divergências comerciais de forma construtiva”, acrescentou o porta-voz.

Na segunda-feira, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, comprometeram-se a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar uma guerra comercial, durante uma reunião realizada em Bruxelas.

Šefčovič e Wang participaram na primeira sessão das Consultas sobre Comércio e Investimento, o novo mecanismo criado para procurar “soluções práticas” em quatro áreas: o equilíbrio entre comércio e investimento, os controlos às exportações, a propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio.

1 Jul 2026

China | Previsão de vendas de habitações novas revista em baixa

A Fitch Ratings reviu em baixa a previsão de vendas de habitações novas na China em 2026, estimando uma queda entre 11 e 13 por cento, devido à “persistente fraqueza nas cidades de menor dimensão”. A estimativa anterior antecipava uma redução de vendas entre 7 e 8 por cento

 

O mercado imobiliário chinês deverá continuar a enfrentar dificuldades este ano. A agência Fitch Ratings reviu as estimativas para 2026 relativas a vendas de casas novas, projectando uma descida anual entre 11 e 13 por cento. A anterior previsão apontava para uma quebra entre 7 e 8 por cento.

Segundo a agência de notação financeira, a revisão reflecte a persistente debilidade do mercado imobiliário nas cidades de menor dimensão, que continua a anular a recuperação observada num número reduzido de mercados mais fortes.

A Fitch aponta ainda para um aumento da procura de habitação usada, sobretudo nas cidades de maior dimensão, em detrimento das casas novas, devido a “uma maior parcela da procura habitacional estar a ser absorvida pelas transações de habitação existente”.

Apesar da revisão, a agência considera que a contração será menos acentuada do que em 2025 e prevê uma nova moderação da queda em 2027, apoiada na continuidade das medidas de estímulo e na “melhoria gradual da confiança”, liderada pelas cidades de primeira linha.

A Fitch assinala que a descida dos preços da habitação usada abrandou desde o início do ano nas 70 maiores cidades chinesas e que a diferença entre a evolução dos preços da habitação nova e usada também diminuiu, sinalizando “menos vendas motivadas pelo pânico” no mercado de habitação usada.

Poder de concentração

A recuperação, contudo, permanece desigual. Xangai continua a apresentar o mercado residencial mais resiliente entre as cidades de primeira linha desde o início da crise imobiliária, na segunda metade de 2021, seguida por Pequim e Shenzhen, enquanto Cantão enfrenta maiores dificuldades devido à maior oferta de terrenos.

Segundo a agência, esta polarização levou muitas promotoras imobiliárias classificadas pela Fitch a abandonarem cidades mais fracas para concentrarem a actividade em 10 a 15 mercados considerados estratégicos, onde a oferta e a procura estão mais equilibradas.

A Fitch acrescenta que todas as promotoras estatais classificadas pela agência que divulgam dados mensais registaram crescimento das vendas nos primeiros cinco meses do ano, com excepção da Yuexiu Property, cuja quebra deverá, ainda assim, atenuar-se ao longo do segundo semestre.

A agência prevê igualmente que as margens de lucro do sector permaneçam sob pressão em 2026, devido à necessidade de escoar projectos desenvolvidos em terrenos adquiridos nos anos de maior expansão do mercado, antecipando uma recuperação gradual apenas nos próximos anos. O fluxo de caixa operacional deverá estabilizar com a recuperação das vendas e uma política mais prudente de aquisição de terrenos, aponta.

1 Jul 2026

Macau participa na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba

Macau participa pela primeira vez na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba, um dos maiores eventos na América Latina, levando ao Brasil obras que evocam a portuguesa Helena Almeida, disse à Lusa a curadora.
A portuguesa Margarida Saraiva, curadora do Museu de Arte de Macau (MAM), disse esperar que a estreia em Curitiba crie um “precedente para futuras colaborações” e “abra portas para o intercâmbio com o Brasil e a América Latina”.

O Instituto Cultural (IC) montou um pavilhão no espaço principal da bienal, o Museu Oscar Niemeyer, dedicado ao célebre arquitecto brasileiro, que morreu em 2012. A 16ª edição da bienal – de regresso ao formato presencial depois de a última, em 2021, ter decorrido online devido à pandemia – arrancou em 14 de Junho e decorre até 15 de Novembro na capital do estado de Paraná, no sul do Brasil.

O pavilhão de Macau é composto por três trabalhos digitais encomendados pelo IC para a primeira retrospectiva na Ásia de Helena Almeida (1934-2018), que reuniu no MAM, entre Janeiro e Abril, 190 peças da artista portuguesa.
A obra “Cinco Língu-Língu”, da artista de Macau Bianca Lei Sio Chong, junta cinco línguas: cantonês, mandarim, inglês, português e patuá.

O lugar das tecnologias

Numa altura em que a inteligência artificial normaliza a tradução universal, o trabalho de Bianca Lei “resiste à homogeneização linguística num mundo de inteligência artificial”, sublinhou Margarida Saraiva. Noutra obra, “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, do chinês Gao Fuyan, o rosto do espectador é capturado, projectado, impresso e triturado, para questionar “o que resta do ser humano na era do reconhecimento facial”.
“WU . Stone . Sardapass”, de Peng Yun, mergulha no “limiar entre o humano e a máquina”, ao mostrar a artista chinesa radicada em Macau a trabalhar, observada por um cão-robô.

Margarida Saraiva sublinhou que a presença de Macau na bienal de Curitiba faz parte das actividades do Ano Cultural Brasil-China 2026, que assinala os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

A mostra reflecte “a política de reforço dos laços com os países de língua portuguesa” e reafirma a “posição única de Macau entre os mundos chinês e lusófono”, defendeu a investigadora. A presença em Curitiba é “um marco de diplomacia cultural”, sendo a primeira vez que Macau cria um pavilhão num grande evento artístico da América Latina, recordou Saraiva.

A bienal de Curitiba, organizada pela primeira vez em 1993, reúne este ano mais de 300 artistas de 38 países e territórios. O evento, com uma área de exposição de 35 mil metros quadrados, atrai mais de um milhão de visitantes por edição, disse Saraiva. O público poderá descobrir “uma Macau que não é apenas destino turístico, mas lugar de reflexão profunda sobre o nosso tempo”, disse a curadora.

1 Jul 2026

Carga aérea | Assinado acordo para ligar Macau à América Latina

A plataforma sino-brasileira ganhou um novo impulso com a assinatura de vários acordos nos sectores da inovação tecnológica, finanças e aeronáutica. As parcerias incluem uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina

 

Empresas chinesas e latino-americanas assinaram acordos para desenvolver uma plataforma sino-brasileira de inovação aeronáutica e uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina.

Segundo um comunicado publicado na segunda-feira, o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), em Zhuhai, organizou uma cerimónia em que foram assinados acordos estratégicos de internacionalização com 16 empresas nos sectores da inovação tecnológica e das finanças.

Os acordos envolveram empresas como a Huawei Macao, Mercado Libre, JD.com, Kuaishou Technology, Banco da China e China Southern Airlines Technology. Um dos acordos envolve a empresa chinesa WGL Group, que segundo o CECPS tem prestado apoio em matéria de investimento e financiamento, contribuindo para impulsionar a abertura, por Macau, de uma rota aérea directa de carga para a América Latina.

O WGL Group é um grupo sediado em Shenzhen de logística e soluções para cadeias de abastecimento de comércio electrónico transfronteiriço internacional. A empresa é especializada no transporte de mercadorias da China directamente para mercados globais, com foco principal nas regiões da América Latina e dos Estados Unidos. Actualmente, opera cinco voos de ida e volta por semana na rota China-México.

Cargas em Hengqin

Existe actualmente um projecto do terminal de carga de Hengqin para o Aeroporto Internacional de Macau com conclusão prevista para o final de 2026 e entrada em operação em meados de 2027. O terminal, com 66.700 metros quadrados de área logística e investimento de cerca de 700 milhões de yuan, é financiado pelo Aeroporto de Macau e pela China COSCO Shipping Logistics Supply Chain.

De acordo com o CECPS, os contratos assinados visam apoiar empresas na expansão para mercados da América Latina e países lusófonos, através de serviços de crédito, avaliação de riscos, financiamento transfronteiriço, registo de investimento directo no exterior e promoção de tecnologias avançadas.

No mesmo comunicado, Ng In Cheong, vice-presidente do CECPS, destacou que, além das 16 entidades agora envolvidas, o centro já estabeleceu parcerias com cerca de 200 empresas e prestadores de serviços, sobretudo na área da inteligência artificial.

“A complementaridade entre a posição de vanguarda da China e as lacunas tecnológicas dos países de língua portuguesa e espanhola abre amplo espaço para cooperação”, afirmou.

Os primeiros passos

O centro foi lançado em Abril de 2025 pelo Governo da RAEM e pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, com o objectivo de criar uma plataforma integrada de serviços de internacionalização que liga a China aos países de língua portuguesa e espanhola.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial de Hengqin oferecem também uma via para a entrada de empresas de países de língua espanhola na China.

As áreas prioritárias do centro abrangem economia digital, saúde, manufactura avançada, comércio de matérias-primas, comércio electrónico transfronteiriço e indústrias culturais e desportivas.

Entre os resultados práticos, o centro destacou a redução de riscos na exportação de equipamentos de simulação de voo, a instalação de centros de entrega digitais em Espanha e Brasil pela companhia Beyondsoft e o apoio a empresas na expansão para mercados externos através de soluções integradas de conformidade, logística e financiamento.

O CECPS destacou também ter vindo a apostar em missões empresariais ao Brasil, como a realizada em Junho durante a Web Summit Rio, onde reuniu mais de 200 empresas brasileiras. Até Março deste ano, a Zona de Cooperação de Hengqin contava com 27 plataformas de inovação científica e tecnológica, 238 empresas de alta tecnologia reconhecidas nacionalmente e 18 unicórnios registados.

O CECPS planeia também desenvolver um Centro de Inovação em Inteligência Artificial Incorporada, cuja primeira fase ocupará 3.400 metros quadrados em Hengqin, com capacidade anual de produção de dados superior a 10 PB (petabyte).

1 Jul 2026

Habitação | Governo quer rever políticas para aproveitar recursos

O Governo admite rever as políticas de habitação pública para garantir o melhor aproveitamento dos recursos existentes. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação do deputado Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“O Governo da RAEM encontra-se, neste momento, a proceder à revisão do relatório do estudo sobre a optimização das políticas habitacionais de Macau para o período entre 2026 e 2030, com vista a uma análise integrada do desenvolvimento futuro da habitação pública e à afectação racional dos recursos habitacionais”, foi indicado. “O respectivo conteúdo será divulgado em tempo oportuno”, foi prometido.

Na interpelação, Leong procurava que o Executivo ajustasse as políticas de habitação, dada a redução de interesse na aquisição de habitações económicas, após estas terem deixado de poder ser vendidas no mercado livre com lucro, ao contrário do que acontecia no passado. No entanto, o deputado indicou que a procura de habitação no mercado privado também está em quebra.

No documento, o legislador queria igualmente saber o destino do terreno localizado no lado Norte do Bairro Social de Iao Hon, para o qual tinha sido prevista a construção de habitação intermédia. Este é um tipo de habitação pensado para quem teria rendimentos superiores aos limites para comprar uma habitação económica, mas que não tinha fundos para comprar uma casa no mercado privado. Apesar de planeado, devido à nova realidade do mercado imobiliário, o Governo nunca chegou a construir este tipo de habitação.

Face ao assunto, o Executivo apenas indicou que “está a reavaliar o rumo de desenvolvimento do terreno situado a norte do Edifício Son Lei, com vista à criação de condições favoráveis à reconstrução dos sete conjuntos de edifícios do Bairro de Iao Hon”. A informação sobre o assunto foi prometida para “tempo oportuno”.

1 Jul 2026

Turismo | Lee Koi Ian pede mais hotéis com preços acessíveis

O deputado Lee Koi Ian considera que Macau precisa de mais hotéis com acessíveis e pede ao Governo que tome medidas para suprir a escassez no mercado. A posição foi tomada numa interpelação escrita, na qual o legislador pede apoios para este tipo de hotéis.

“A actual escala de oferta hoteleira continua a revelar dificuldades em satisfazer a procura crescente e multifacetada dos turistas durante a época alta do turismo”, escreveu Lee Koi Ian. “Quais as medidas adicionais previstas para reforçar o apoio ao ‘alojamento de baixo custo’, de modo a responder de forma mais adequada ao crescimento diversificado da procura turística”, perguntou.

Ao mesmo tempo, Lee Koi Ian sugeriu que muitos destes hotéis, que indicou terem elementos ligados à cultura e à história de Macau, sejam integrados nos roteiros turísticos, para encorajar os turistas a pernoitarem na RAEM. “As autoridades vão considerar, sobre a base actual da promoção do turismo comunitário, integrar de forma efectiva estas acomodações económicas de carácter histórico e identidade local nas rotas turísticas oficiais, de modo a que os visitantes para além de visitarem os bairros comunitários, também ali pernoitem”, questionou.

Finalmente, o deputado considera que os artistas locais devem ser apoiados pelo Governo para elaborarem trabalhos de decoração para estas unidades hoteleiras.

1 Jul 2026

Deficiência | DSAL recebe pedidos de apoio a rendimentos

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aceita, a partir de hoje, pedidos de trabalhadores portadores de deficiência para o “Plano do subsídio complementar aos rendimentos do trabalho para trabalhadores portadores de deficiência”.

Os pedidos dizem respeito ao segundo trimestre deste ano e visam a concessão de apoio financeiro como complemento salarial. O objectivo da DSAL é “ajudar as pessoas portadoras de deficiência a encontrar emprego e garantir o direito dos trabalhadores portadores de deficiência a um salário mínimo”.

Os pedidos decorrem até 31 de Julho, devendo ser feitos por trabalhadores residentes, que detenham o cartão válido de registo de avaliação de deficiência emitido pelo Instituto de Acção Social (IAS), e que tenham um número total de horas de trabalho abaixo das 128 horas mensais, ou que tenham um rendimento de trabalho mensal inferior ao do salário mínimo por hora, no valor de 35 patacas.

No cálculo do salário mínimo mensal, estes trabalhadores devem ganhar menos de 7.280 patacas para ter direito ao apoio. As candidaturas são feitas junto da DSAL, podendo o impresso ser obtido nos postos de atendimento da DSAL, do IAS e no Fundo de Segurança Social, estando também disponível no portal da DSAL.

1 Jul 2026