Rússia, China e Irão pedem diálogo entre Afeganistão e Paquistão

Os governos da Rússia, China e Irão pediram sexta-feira ao Afeganistão e ao Paquistão que dialoguem para conseguir paz, após o início de um novo conflito bilateral.

O apelo dos três países surge depois de o Governo paquistanês ter declarado “guerra aberta” contra os talibãs, após uma onda de ataques das forças afegãs na quinta-feira, que levou Islamabad a lançar ataques aéreos contra a capital, Cabul, e outras cidades afegãs como Kandahar.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Sakharova, manifestou, num comunicado, a sua “preocupação” com a “escalada dramática dos confrontos armados” entre os dois países, que “envolvem unidades do exército regular, capacidades aéreas e armamento pesado”, provocando “baixas de ambos os lados, incluindo civis”.

“Apelamos ao Afeganistão e ao Paquistão, ambos nossos aliados, a abandonarem este confronto perigoso e a regressarem à mesa das negociações para resolver todas as diferenças por meios políticos e militares”, declarou Sakharova.

A Rússia é o único país do mundo que reconheceu oficialmente o Governo talibã. Deixou de considerar o Estado Islâmico um grupo terrorista em Abril de 2025 e recebe frequentemente delegações do Afeganistão. Já a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, enfatizou que Pequim “está a acompanhar de perto a situação”, durante uma conferência de imprensa.

“O Paquistão e o Afeganistão são vizinhos próximos e ambos são vizinhos da China. Como vizinha e amiga, a China está profundamente preocupada com a escalada do conflito e profundamente entristecida pelas vítimas que este causou”, observou Mao Ning.

A porta-voz chinesa sublinhou que o seu país “apoia a luta contra todas as formas de terrorismo” e pediu que os dois lados “mantenham a calma e a moderação, resolvam adequadamente as suas diferenças e disputas através do diálogo e das consultas, alcançando um cessar-fogo o mais rapidamente possível para evitar mais sofrimento”.

O diálogo “está em consonância com os interesses fundamentais de ambos os países e dos seus povos e ajudará a manter a paz e a estabilidade na região”, referiu a responsável chinesa.

“A China tem estado a mediar [o conflito] entre o Paquistão e o Afeganistão através dos seus canais e está preparada para continuar a desempenhar um papel construtivo na redução das tensões e na melhoria das relações entre os dois países”, argumentou Mao, observando que Pequim “prestará assistência aos seus cidadãos, se necessário”, sem comentar, para já, a possibilidade de iniciar um processo de retirada.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, declarou nas redes sociais, ainda antes de ver o seu país atacado por americanos e israelitas, que “no mês sagrado do Ramadão, mês de moderação e fortalecimento da solidariedade no mundo islâmico, é apropriado que o Afeganistão e o Paquistão resolvam as suas diferenças no âmbito da boa vizinhança e através do diálogo”.

“A República Islâmica do Irão está pronta para prestar toda a assistência necessária para facilitar o diálogo e reforçar o entendimento e a cooperação entre os dois países”, acrescentou o ministro iraniano.

Mortes anunciadas

O ministro da Informação do Paquistão, Ataullah Tarar, declarou sexta-feira que os ataques paquistaneses, parte da Operação “Ira da Verdade”, mataram mais de 130 alegados combatentes talibãs, antes de sublinhar que “estima-se que haja muitas mais vítimas em ataques contra alvos militares em Cabul, Paktia e Kandahar”.

O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeamentos, embora tenha negado qualquer número de vítimas, depois de as autoridades afegãs terem afirmado que a sua onda de ataques na quinta-feira resultou na morte de mais de 50 soldados paquistaneses ao longo da Linha Durand — a fronteira de 2.640 quilómetros entre os dois países.

As hostilidades eclodiram dias depois de as autoridades afegãs terem denunciado os ataques aéreos paquistaneses perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que os ataques mataram mais de uma dezena de civis.

Islamabad argumentou que os ataques aéreos visavam “campos terroristas e esconderijos” do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como talibã paquistanês, e do grupo Estado Islâmico (EI), em resposta aos recentes ataques suicidas em solo paquistanês.

2 Mar 2026

Língua | Crioulos de base portuguesa na Ásia resistem como “símbolos de identidade”

Hugo Cardoso, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, chama a atenção para a importância da preservação dos crioulos de língua portuguesa na Ásia como “símbolos de identidade” das povoações. Falamos, por exemplo, dos modos de falar associados à presença do Cristianismo, como é o caso do “papiá kristáng”, em Singapura

Do ressurgimento em Singapura, ao isolamento na Índia, os crioulos de base portuguesa na Ásia sobrevivem hoje como uma língua simbólica das comunidades luso-asiáticas que recusam esquecer a sua identidade linguística, defendeu o linguista Hugo Cardoso.

Em entrevista à Lusa, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa explicou que, ao contrário do que aconteceu em África, os crioulos no continente asiático nunca “se chegaram a impor como língua de grande difusão”, enfrentando uma constante competição de línguas locais estabelecidas, como o malaio e o gujarati, e, durante o período colonial, competiam com o português.

“As línguas locais são línguas que estavam estabelecidíssimas muito antes sequer destas línguas crioulas se formarem. E, portanto, o crioulo nunca chegou a tomar o seu lugar”, sublinhou, acrescentando que as línguas ficaram circunscritas até e durante o período colonial e pós-colonial.

Em Singapura, o ‘papiá kristáng’ (língua cristã ou língua dos cristãos), que tem base lexical portuguesa, está a ser alvo de um processo de revitalização através do projecto ‘Kodrah Kristang’ (Acordar o Cristão), co-fundado pelo linguista Kevin Martens Wong.

Sobre esta língua neste local do mapa, Hugo Cardoso explicou que, no século XIX, “houve uma transferência de pessoas malacas [habitantes da cidade de Malaca, na Malásia] para Singapura, para trabalharem nas estruturas coloniais britânicas”, levando, assim, o ‘papiá kristáng’ para este país asiático, acabando depois por desaparecer da “comunidade luso-asiática de Singapura, mas nos últimos anos tem estado a ser reavivada, revitalizada”.

Segundo o especialista, a língua já não é vista como materna ou do dia a dia, mas sim como uma “língua simbólica da comunidade luso-asiática de Singapura”, sendo que o mesmo fenómeno de afirmação ocorre em Macau.

“A comunidade macaense, ao longo dos tempos, foi-se apercebendo de que o crioulo [patuá] era um activo importante da sua identidade e da sua especificidade por oposição à população portuguesa e chinesa, e a todos os outros grupos”, referiu, acrescentando que, nos dias de hoje, o patuá serve para constituir laços de solidariedade e “projectar essa identidade própria que não é portuguesa, não é chinesa, é muitas coisas misturadas”.

Esta resistência em Macau manifesta-se em peças de teatro anuais [com os Doci Papiaçam di Macau], projectos editoriais e aulas para aprender os “rudimentos” da língua.

Os casos da Índia

No oeste da Índia, em Diu e Damão, também se fala crioulos de base portuguesa, variedades linguísticas urbanas, e o cenário é de fragilidade devido à migração das comunidades, especificamente católicas e hindu-portuguesas, para Portugal ou para o Reino Unido, levando, assim, a um declínio do número de falantes.

Hugo Cardoso destacou ainda a existência de um território pouco estudado, o Dadrá e Nagar Aveli, no oeste da Índia e que foi administrado por Portugal, onde também se fala um crioulo que é “muito parecido com o crioulo de Damão”, algo que “nunca tinha sido recolhido” e que é quase ou nada estudado.

Mais a sul de Bombaim, na Índia, em Korlai, a língua sobreviveu graças ao isolamento geográfico após a queda da antiga cidade de Xaú no século XVIII.

“Esta é uma situação um bocadinho diferente de Diu e Damão, porque o crioulo ainda é falado aí, também está num processo de declínio, mas ainda é falado. E é falado, essencialmente, porque aquela comunidade esteve durante muito tempo praticamente isolada”, referiu.

O linguista também trabalha com uma das maiores línguas de base lexical portuguesa na região asiática, que se situa no Sri Lanka.

“O crioulo do Sri Lanka é falado por uma comunidade luso-asiática, que ali é conhecida pelo nome de ‘Burger’, em holandês significa cidadão, e eles são conhecidos como os ‘Burgers’ portugueses, e é falado por várias centenas de pessoas, sobretudo na costa oriental do Sri Lanka”, referiu.

Até ao século XIX, o crioulo do Sri Lanka era falado em toda a ilha, sendo “uma língua com uma difusão tão grande” que “começaram a ser produzidas obras sobre essa língua como, por exemplo, gramáticas, dicionários, traduções de textos bíblicos ou de textos litúrgicos, que estavam disponíveis na igreja”.

Apesar da riqueza histórica, o professor alertou para a falta de salvaguarda jurídica, lamentando que nos casos asiáticos as “línguas não têm um estatuto de proteção nos Estados onde são faladas” e notando que a valorização pública é apenas pontual.

Para Hugo Cardoso, a sobrevivência destes falares deve-se à memória colectiva das comunidades, que “entendem ter algum tipo de ligação ancestral a Portugal” e que utilizam a língua para preservar uma identidade luso-asiática única no mundo.

2 Mar 2026

Ucrânia | China vê esperança nas negociações sobre apesar de divergências

A China afirmou sexta-feira que existe esperança nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, apesar das divergências entre as partes, e indicou que os contactos em curso começaram a centrar-se em “questões substantivas” do conflito.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning declarou que “a via para a paz não será alcançada da noite para o dia, mas enquanto houver diálogo, há esperança”, ao comentar as recentes rondas de conversações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia e outra prevista para o início deste mês.

Segundo Mao, embora persistam diferenças, as partes “estão empenhadas no diálogo” e começaram a focar-se em matérias de fundo relacionadas com a crise.

A responsável acrescentou que, durante o encontro desta semana entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, o líder chinês reiterou a “posição de princípio” de Pequim, baseada na procura de uma solução por via do diálogo e da negociação.

Mao defendeu a necessidade de assegurar a “participação equitativa de todas as partes”, atender às suas “preocupações legítimas” e promover uma “segurança comum” como base para um quadro de paz duradouro. A porta-voz reiterou que a China continuará a desempenhar “um papel construtivo à sua maneira” no apoio aos esforços de paz.

As declarações coincidem com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia e surgem após acusações dos Estados Unidos nas Nações Unidas de que Pequim estaria a “facilitar” a máquina de guerra russa, alegações rejeitadas pelas autoridades chinesas.

Na véspera da visita de Merz, a diplomacia chinesa sublinhou ainda que a crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se um assunto entre a China e a Europa” e reiterou que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial”, não sendo parte no conflito.

2 Mar 2026

Mar do Sul | Autoridades expulsam navios filipinos das águas de Huangyan Dao

A Guarda Costeira da China (GCC) expulsou na sexta-feira navios filipinos que invadiram ilegalmente as águas territoriais da China nas proximidades de Huangyan Dao, no Mar do Sul da China, indica a Xinhua.

Um grande número de navios filipinos entrou ilegalmente nas águas próximas a Huangyan Dao em 27 de Fevereiro. Ignorando riscos de colisão, cortaram repentinamente a rota de navegação à frente dos navios de patrulha da GCC, um acto deliberado de provocação, acrescenta a agência estatal chinesa.

Os navios da GCC permaneceram consistentemente e contidos durante todo o incidente e, de acordo com a lei, emitiram avisos verbais e controlaram as rotas de navegação, antes de expulsar com sucesso os navios filipinos invasores, de acordo com a GCC.

Os actos perigosos dos navios filipinos não só constituíram uma grave provocação contra as operações de protecção dos direitos e aplicação da lei da GCC, como também reflectiram irresponsabilidade em relação à segurança pessoal dos tripulantes filipinos, afirmou a GCC. A China tem cumprido consistentemente as suas responsabilidades de resgate marítimo, mas nunca permitirá que qualquer país infrinja a sua soberania sob qualquer pretexto, acrescentou.

2 Mar 2026

USAID | Recuo dos EUA criou situações humanitárias trágicas

O antigo dirigente de Hong Kong e actual vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Leung Chun-ying, critica o súbito abandono americano de organizações humanitárias e reafirma o compromisso da China na ajuda global aos países mais necessitados

Vitor Quintã, agência Lusa

Leung Chun-ying, antigo líder do Governo de Hong Kong, disse à Lusa que o encerramento da agência de ajuda internacional dos Estados Unidos (EUA) aumentou a necessidade de assistência humanitária no mundo, criando situações “de partir o coração”.

Em Julho, Washington anunciou o fim das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), afectando dezenas de países que dependiam dessa assistência. “Estamos realmente tristes por ver países que dependiam da assistência dos EUA a serem apanhados de surpresa”, disse, em entrevista à agência Lusa, o presidente da fundação GX, que opera em 10 países.

O desmantelamento da USAID, que por si só representava 42 por cento da ajuda humanitária em todo o mundo, começou em Fevereiro de 2025, pouco depois de Donald Trump regressar à presidência dos EUA. “Os EUA não os avisaram com antecedência suficiente, pelo que estes países não estavam preparados”, lamentou Leung, que liderou o Governo da região chinesa entre 2012 e 2017.

Moçambique foi o Estado de língua portuguesa que mais ajuda recebeu da USAID em 2023, totalizando 664,1 mil milhões de dólares, seguido de Angola, Brasil e Timor-Leste. “Quando alguém está doente, precisa de tratamento imediato. Mas quando os médicos não têm os recursos necessários, é uma situação muito triste, de partir o coração, realmente”, lamentou Leung Chun-ying.

“Em alguns países, devido à retirada repentina dos norte-americanos, até falta o paracetamol, um simples analgésico”, sublinhou o antigo político. Outros doadores ocidentais tradicionais também seguiram o exemplo dos EUA e reduziram as contribuições.

“As necessidades aumentaram. Mas esta mensagem não foi realmente transmitida às pessoas, porque há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no mundo”, lamentou Leung. “A comunicação social tem estado muito ocupada com as notícias do dia-a-dia. Mas as necessidades são enormes”, referiu o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Compromisso chinês

O responsável sublinhou que “a China já declarou publicamente que fará mais para demonstrar o seu compromisso como um dos maiores países do mundo”, mas defendeu que “isso não deve recair sobre os ombros de um só país”.

Em 07 de Janeiro, Donald Trump retirou os EUA de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas, já depois de cortado o financiamento à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Leung Chun-ying recordou que, em Maio, a China prometeu dar mais 500 milhões de dólares à OMS nos próximos cinco anos, para mitigar o impacto da saída dos EUA. “A China apoia o sistema da ONU. A ONU não é perfeita, mas também não é substituível. Continuamos a depender da ONU e das agências da ONU, incluindo a OMS”, referiu o dirigente.

Questionado sobre o possível impacto do Conselho da Paz, criado por Donald Trump, que avisou que pode tornar a ONU obsoleta, Leung Chun-ying disse apenas que este novo órgão “ainda está em formação”.

2 Mar 2026

Maternidade | Galaxy, Wynn, Melco e MGM alargam licenças

Seguindo o anúncio do aumento das licenças de maternidade e paternidade feito pela Sands China na passada quinta-feira, as concessionárias Galaxy, Wynn, Melco e MGM fizeram anúncios semelhantes.

A Galaxy, Melco e MGM vão assim aumentar a licença de maternidade de 70 para 90 dias, e a licença de paternidade de cinco para sete dias.

Já o comunicado da Wynn Macau, apenas menciona o aumento de 70 para 90 dias da licença de maternidade, mas salienta já ter aumentado a licença de paternidade para sete dias em 2018. Até ao fecho desta edição, apenas faltava a SJM anunciar a alteração às licenças referidas.

2 Mar 2026

Unionpay | Aumento dos gastos em Macau e no Interior

Os titulares de cartões UnionPay do Interior da China intensificaram o consumo em Macau durante o período do Ano Novo Lunar, segundo dados da UnionPay, citados pela Rádio Macau.

De acordo com as estatísticas da empresa, as transações dos visitantes do interior nas joalharias e ourivesarias da RAEM aumentaram quase cinco vezes em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os comerciantes de equipamentos de telecomunicações duplicaram as vendas face ao mesmo período de 2024.

Por outro lado, nos primeiros três dias do Ano do Cavalo (17 a 19), os titulares de cartões UnionPay de Macau aumentaram em cinco vezes os gastos no Interior da China. As transações na província de Hainan cresceram duas vezes, Pequim registou um aumento próximo do dobro, e Guangdong e Xangai apresentaram crescimentos de aproximadamente 30 por cento.

Taxas de Juro | Custo da pataca desceu no final de 2025

No quarto trimestre de 2025, o custo do capital da Pataca de Macau dos bancos de Macau diminuiu em comparação com o trimestre anterior.

No entanto, o custo do capital do Dólar de Hong Kong aumentou, de acordo com os dados mais recentes da AMCM, publicados na sexta-feira. No final de Dezembro de 2025, a taxa de juro composta da pataca desceu de 1,21 por cento, nível registado no final de Setembro de 2025, para o nível de 1,18 por cento.

Por outro lado, a taxa de juro composta do dólar de Hong Kong aumentou de 2,32 por cento para o nível de 2,47 por cento. As taxas de juros compostas de Macau representam as taxas de juros médias ponderadas de todos os passivos remunerados e de depósitos à ordem sem juros, inscritos nas contas bancárias de Macau.

2 Mar 2026

NAPE | Leong Hong Sai quer esplanadas, espectáculo e luzes

O deputado Leong Hong Sai, dos Moradores, pretende conhecer os planos do Governo para dinamizar a economia do NAPE. A questão faz parte de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira.

No documento, Leong começa por defender o encerramento de vários casinos-satélite que eram os principais centros económicos desta zona do território, por considerar que o fim destes casinos contribui para a transição de uma economia dependente do jogo, para uma nova fase em que a zona vai ter um tecido económico mais diversificado e integrado.

Como alternativa, Leong Hong Sai defende a aposta na “economia nocturna”, com base em restaurantes, esplanadas e feiras e quer saber se esta vai ser a aposta do Executivo, uma vez que considera que não só vai beneficiar o NAPE, como podem também chegar as outras zonas circundantes.

Além disso, o legislador quer ainda saber se vão ser realizados “eventos temáticos nocturnos regulares” ligados com restaurantes e museus “para criar um ecossistema de consumo 24 horas por dia”.

O deputado inquiriu ainda o Governo sobre se as autoridades vão instalar “luzes, fontes musicais e outros elementos de espectáculo ao longo da costa em frente ao Centro Cultural, bem como nas áreas à beira dos lagos de Nam Van e Sai Van, para enriquecer a experiência cultural e turística nocturna da região”.

2 Mar 2026

Mulheres | Ano focado no patriotismo e predominância do Executivo

A Associação das Mulheres traçou como grandes objectivos para o novo ano lunar a promoção do patriotismo, o estudo dos discursos de Xi Jinping sobre as mulheres e as crianças e o apoio à predominância do Executivo na sociedade de Macau. As metas foram anunciadas na passada sexta-feira, durante um almoço com alguns órgãos de comunicação social, no discurso de Lau Kam Ling, presidente da associação.

De acordo com a informação citada pelo jornal Ou Mun, a promoção do patriotismo vai passar por “estudar aprofundadamente” o espírito da Quarta Sessão Plenária do 20.º Comité Central do Partido Comunista Chinês e também os discursos do Presidente da China sobre as mulheres e as crianças.

Em segundo lugar, a associação compromete-se a consolidar a segurança nacional em Macau e a educação a população sobre a constituição da China e sobre a Lei Básica.

Entre os objectivos, a associação comprometeu-se ainda a “apoiar as mulheres, crianças e famílias” e a promover a construção de um comunidade de serviços “moderna e profissional” com serviços de excelência para as mulheres, crianças e idosos. A associação que conta com as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng comprometeu-se também com o apoio à Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha.

2 Mar 2026

Economia | Criado fundo de 11 mil milhões para diversificação

O Governo anunciou a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas, para promover a “diversificação económica” e apoiar o “desenvolvimento de quadros qualificados” no território

O Executivo liderado por Sam Hou Fai anunciou na sexta-feira a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas com o objectivo de cumprir a missão de diversificar a economia de Macau e desenvolver quadros qualificados.

O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, explicou, em conferência de imprensa, que o Fundo de Orientação Governamental “visa congregar (…) e orientar capitais privados para o investimento” em sectores prioritários, num modelo que deverá “atingir uma dimensão total de 20 mil milhões de patacas” com a primeira parcela de financiamento privado. “O fundo, ao mesmo tempo que cria condições favoráveis à participação proactiva do mercado no desenvolvimento dos sectores prioritários, privilegiará uma implantação de longo prazo e de carácter sistemático”, disse o secretário.

As áreas de investimento do fundo, explicou o responsável, são as contempladas num modelo criado nos últimos anos pelo Governo, como resposta à necessidade de diversificação económica, e focado em quatro áreas principais de desenvolvimento: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto. “Áreas-chave como as estratégias nacionais, a modernização industrial, a inovação tecnológica e o bem-estar da população”, especificou o dirigente.

Tai Kin Ip adiantou que o objectivo é impulsionar a elevação da qualidade e a modernização dos sectores prioritários, atraindo empresas de qualidade e quadros qualificados para Macau e a vizinha Hengqin e para a área da Grande Baía.

O fundo, continuou Tai, visa criar “mais postos de trabalho de qualidade”, “reforçar a diversificação” das oportunidades de emprego em Macau e “atrair quadros qualificados para promover o desenvolvimento coordenado regional”, “contribuindo para o objectivo nacional de construir uma potência científica e tecnológica”.

Este fundo vai ser supervisionado directamente pelo Chefe do Executivo e contar com uma entidade gestora governamental, disse, por sua vez, Tam Chi Neng, assessor do gabinete do secretário para a Economia e Finanças.

Orientar o fundo

Como tal, vai ser criado o Conselho de Orientação do Fundo, composto por dirigentes do Governo, profissionais, académicos e representantes de diferentes áreas, “com competência para emitir pareceres sobre orientações de política, planeamento estratégico e matérias de especial relevância”, indicou Tam.

O assessor explicou que o fundo prosseguirá os princípios do “’longtermism’” (posição ética que prioriza a melhoria do futuro a longo prazo) e do “capital paciente” (investimento que aceita um retorno mais demorado), orientando diferentes tipos de capitais privados para investimentos em indústrias emergentes, sectores de transformação e modernização industrial, projectos de transformação de resultados científicos e tecnológicos e empresas tecnológicas em fase inicial.

O Governo prevê concluir ainda este ano a constituição deste fundo. “Paralelamente, serão promovidos os trabalhos de criação da entidade gestora e a publicação do regulamento administrativo e diplomas complementares que enquadrarão o funcionamento da nova estrutura,” acrescentou Tam Chi Neng.

2 Mar 2026

Irão | Guerra rebenta no Médio Oriente com ataques que mataram Khamenei

Os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra o Irão. Uma das vítimas mortais foi o aiatola Ali Khamenei, assim como vários líderes militares iranianos. O herdeiro do Xá, Reza Pahlavi, acredita num futuro risonho, numa altura em que os contra-ataques de Teerão se alastram pelo Médio Oriente

Israel e os Estados Unidos das América (EUA) uniram-se numa operação conjunta para derrubar o regime iraniano, numa altura em que, no país, já aconteciam algumas manifestações contra as autoridades. No sábado foi lançada uma série de bombardeamentos contra o Irão, com o objectivo declarado de forçar uma mudança de regime.

O país respondeu com ataques sobre Israel e bases militares norte-americanas, tendo também sido confirmada a morte do líder religioso supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, que estava no poder há 36 anos.

Segundo a Lusa, o anúncio foi feito pela televisão estatal iraniana às 05h, hora local, com um repórter a chorar devido ao sucedido. Khameinei tinha 86 anos e, para Trump, a sua morte oferece agora à população iraniana uma “maior chance” de “recuperar” o país. O regime iraniano declarou 40 dias de luto pela morte do líder religioso.

Além de Khamenei, também foi morto o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Mousavi, juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou ontem a televisão estatal iraniana.

Entretanto, a China manifestou “grande preocupação” pela situação no Médio Oriente e pediu o respeito pela soberania e integridade territorial do Irão. “A soberania, a segurança e a integridade territorial do Irão devem ser respeitadas”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês num comunicado citado pela agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).

Pequim pediu “o cessar imediato das acções militares e que não haja uma maior escalada de uma situação tensa”. Apelou também à “retoma do diálogo e da negociação” e dos esforços para “manter a paz e a estabilidade no Médio Oriente”, segundo o comunicado também citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

A China recomendou a saída dos seus cidadãos do Irão, aconselhando os seus cidadãos a não viajar para a região, devido ao “aumento acentuado dos riscos de segurança”, dado que o país enfrenta repetidas ameaças de ataques dos EUA.

“Os cidadãos chineses que se encontram actualmente no Irão devem reforçar as suas precauções de segurança e sair do país o mais rapidamente possível”, afirmou o Departamento de Assuntos Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em comunicado.

Uma questão nuclear

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado atacar o Irão, devido à repressão das autoridades aos protestos contra o regime e alegando que Teerão está a desenvolver armas nucleares, apesar de ter atacado em Junho locais em solo iraniano precisamente com o propósito de travar o alegado programa nuclear. No final da campanha, Trump afirmou que o programa nuclear iraniano teria sido completamente obliterado.

Na terça-feira – e apesar das conversações em Genebra sobre um acordo relativo ao programa nuclear do Irão -, Trump voltou a dizer, durante o discurso sobre o estado da Nação no Congresso, que não vai permitir que o Irão tenha armamento nuclear.

O Irão assinou, em 2015, um acordo para limitar o seu desenvolvimento nuclear – em troca do alívio das sanções económicas ao país – com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido e também com a Alemanha e a União Europeia. No entanto, o acordo perdeu efeito depois de o próprio Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do tratado, em 2018, durante o seu primeiro mandato (2017-2021).

As recomendações da China juntam-se às de vários outros países que elevaram os seus alertas de segurança, como a Suécia, a Sérvia, a Alemanha, a Índia, a Coreia do Sul, o Brasil, a Austrália, o Reino Unido ou o Canadá.

Tensão no Médio Oriente

A morte de Ali Khamenei coloca em dúvida o futuro da República Islâmica e aumenta o risco de instabilidade regional. “Khamenei, uma das pessoas mais malvadas da história, está morto”, escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de “bombardeamentos pesados e precisos” ao longo da semana e mesmo depois desse período.

O ataque deste sábado abriu um novo capítulo na intervenção dos EUA no Irão, trazendo consigo o potencial para violência retaliatória e uma guerra mais ampla. A verdade é que já se verificam focos de tensão graças à resposta iraniana, com ataques a cerca de dez países, incluindo os Emirados Árabes Unidos. No Dubai ocorreu uma forte explosão numa zona de hotéis de luxo, provocando quatro feridos, enquanto que o Aeroporto Internacional do Dubai também foi alvo de um ataque, levando ao cancelamento de todos os voos.

Outro foco de tensão ocorreu em Karachi, Paquistão, resultando na morte de seis pessoas e 20 feridos no âmbito de um protesto junto à zona fortificada do Consulado dos Estados Unidos. De acordo com o porta-voz da polícia local, Rehan Ali, à CNN, “centenas de pessoas apareceram subitamente nas imediações” da missão diplomática, levando a uma rápida mobilização das forças de segurança. Os gritos captados nas gravações sugerem que o protesto terá sido motivado pelos ataques envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o vizinho Irão.

Um país sem líder

A morte de Khamenei no segundo ataque da Administração Trump ao Irão em oito meses cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido, e também porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder. Khamenei liderava o “establishment” clerical do Irão e a sua Guarda Revolucionária paramilitar, os dois principais centros de poder na teocracia governante.

Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão, disse no sábado que Israel e os Estados Unidos “se arrependerão das suas acções”. “Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais”, publicou Larijani na rede social X.

A operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel, que segundo autoridades foi planeada durante meses, ocorreu este sábado, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão e no início da semana de trabalho iraniana, e seguiu-se a negociações e advertências de Trump, que no ano passado alardeou o sucesso do seu governo na incapacitação do programa nuclear do país.

Cerca de 12 horas após o início dos ataques, as forças armadas dos EUA informaram que não houve vítimas norte-americanas e que os danos nas bases dos EUA foram mínimos, apesar das “centenas de ataques com mísseis e drones iranianos”.

Segundo as forças norte-americanas, os alvos no Irão incluíram instalações de comando da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e aeródromos militares.

Sobre a morte de Khamenei, Trump declarou que o aiatola “não conseguiu escapar aos sistemas de inteligência e rastreamento altamente sofisticados”. “Trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos com ele, pudessem fazer”, afirmou o Presidente norte-americano. “Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país”, disse.

Um diplomata iraniano afirmou no Conselho de Segurança das Nações Unidas que centenas de civis foram mortos e feridos nos ataques. O Irão retaliou disparando mísseis e drones contra Israel e bases militares dos EUA na região, e os combates continuam durante a noite.

Os democratas norte-americanos criticaram o facto de Trump ter tomado medidas sem autorização do Congresso, mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a Administração informou antecipadamente vários líderes republicanos e democratas no Congresso.

O que diz o filho do Xá

Numa altura em que a mudança do regime parece estar iminente no Irão, mas sem se perceber bem como irá acontecer, uma das vozes que tem defendido a acção dos EUA e Israel é Reza Pahlavi, filho do antigo Xá. Há décadas radicado nos EUA, desde a revolução iraniana de 1979, Pahlavi vem agora defender que é altura de ir para as ruas.

Segundo a Lusa, o herdeiro afirmou, num editorial publicado no jornal The Washington Post, que pretende assumir um papel no processo de transição no Irão. “Muitos iranianos, muitas vezes apesar das balas, pediram-me para liderar esta transição. Estou impressionado com a sua coragem e respondi ao seu apelo”, escreveu. “O nosso caminho a seguir será transparente: uma nova Constituição redigida e ratificada por referendo, seguida de eleições livres sob supervisão internacional. Quando os iranianos votarem, o governo de transição será dissolvido”.

Nos últimos 47 anos Pahlavi tem sido uma voz crítica do regime iraniano, estando agora do lado de Trump e Israel. Em termos internos e regionais, Pahlavi é amplamente considerado como um fantoche de Washington e Telavive. No artigo, elogia toda a trajectória que Trump tem feito face ao Irão, dizendo que o “renascimento” do país “marcará o início de uma era de paz e prosperidade”.

Pahlavi destacou ainda que “o Irão não é o Iraque”. “Não repetiremos os erros que se seguiram a esse conflito [do Iraque]. Não haverá dissolução das instituições, nem vazio de poder, nem caos”, adiantou, lembrando que desde o ano passado que defende o chamado “Projecto de Prosperidade do Irão”. Trata-se de um plano político e económico nacional para instaurar um Governo provisório de transição após a queda dos aiatolas.

O activista iraniano garante que “este roteiro detalhado para a recuperação nacional” inclui um plano para “os primeiros 100 dias após o colapso do regime e a reconstrução e estabilização a longo prazo” do país e “conta com o apoio de numerosos líderes empresariais de todo o mundo”.

“Um Irão democrático transformaria o Médio Oriente, convertendo uma das fontes de agitação mais persistentes do mundo num pilar da estabilidade regional”, afirma ainda Pahlavi, que elogia os acordos “históricos” de Abraão, impulsionados por Trump no seu primeiro mandato.

2 Mar 2026

ODH | Uigures deportados em paradeiro desconhecido

O Observatório de Direitos Humanos (ODH) denunciou ontem que 40 uigures – minoria muçulmana chinesa – deportados há um ano da Tailândia para a China estão “em paradeiro desconhecido”, após Banguecoque ter interrompido as visitas periódicas a que se comprometeu.

As autoridades tailandesas deportaram em 27 de Fevereiro de 2025 os 40 uigures que se encontravam há cerca de uma década na Tailândia, ao abrigo de um acordo com Pequim. A decisão foi criticada pelas Nações Unidas e por organizações de defesa dos direitos humanos.

“Colocaram 40 uigures em camiões com vidros escurecidos e enviaram-nos à força para a China”, recordou o Observatório de Direitos Humanos (Human Rights Watch, em inglês), na véspera de se cumprir um ano da deportação.

Segundo o ODH, a Tailândia suspendeu em Junho as visitas que se tinha comprometido a realizar periodicamente à região de Xinjiang, no noroeste da China, com o objectivo declarado de garantir o bem-estar dos deportados.

A última visita oficialmente comunicada por Banguecoque ocorreu em Março do ano passado, quando uma delegação liderada pelos então ministros da Defesa e da Justiça visitou 14 dos deportados.

27 Fev 2026

Hong Kong | Jimmy Lai vence recurso contra condenação

O ex-magnata de Hong Kong Jimmy Lai ganhou o recurso contra uma condenação por fraude de 2022, poucos dias após ser condenado a 20 anos de prisão por conluio com o exterior e publicação sediciosa.

“Validamos os recursos, anulamos os veredictos e suspendemos as penas” no processo por fraude, declarou o juiz do Tribunal Superior de Hong Kong Jeremy Poon. Lai não compareceu em tribunal, permanecendo detido. A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, actualmente com 78 anos.

O caso de fraude pelo qual foi condenado em 2022 teve origem numa disputa sobre um contrato de arrendamento e não estava relacionado com as acusações que enfrentava ao abrigo da lei de segurança nacional. Jimmy Lai tinha sido condenado neste caso a cinco anos e nove meses de prisão por um esquema “planeado, organizado e de vários anos”, como qualificou na altura o juiz de primeira instância.

Durante o julgamento, a acusação argumentou que uma empresa de consultoria operada por Lai a título pessoal ocupava escritórios que o Apple Daily tinha arrendado para as operações de publicação e impressão do jornal. Lai foi condenado por violar os termos do contrato de arrendamento que o Apple Daily assinou com uma empresa estatal, o que a acusação caracterizou como fraude.

Os advogados de defesa argumentaram que o caso deveria ter sido tratado na esfera cível e não na criminal, acrescentando que a dimensão dos locais em causa era mínima.

O ex-executivo do Apple Daily Wong Wai-keung foi também acusado no mesmo caso e condenado a 21 meses de prisão. Em 10 de Fevereiro, um tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.

27 Fev 2026

Japão | Natalidade desce pelo décimo ano consecutivo

O número de nascimentos no Japão diminuiu em 2025 pelo décimo ano consecutivo, de acordo com dados publicados ontem pelo Ministério da Saúde japonês, acentuando os desafios enfrentados pela primeira-ministra, Sanae Takaichi.

No total, 705.809 bebés nasceram no arquipélago no ano passado, de acordo com os dados preliminares, uma queda de 2,1 por cento em relação a 2024. As estatísticas também incluem nascimentos de estrangeiros no Japão, bem como bebés nascidos no exterior de pais japoneses.

Notícias mais positivas são os 505.656 matrimónios, um número que representa um aumento de 1,1 por cento. O número de divórcios diminuiu 3,7 por cento, para 182.969 casos. Dados revelam ainda que o Japão registou 1.605.654 óbitos, ou seja, menos 13.030 do que em 2024, uma diminuição de 0,8 por cento.

De acordo com o Ministério dos Assuntos Internos, a população total do país era estimada em Fevereiro em 122,86 milhões de habitantes, uma queda de 0,47 por cento (580.000 pessoas) num ano. A quarta maior economia mundial apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do planeta e uma população em declínio.

Esta evolução já está a causar uma série de problemas no país, incluindo escassez de mão-de-obra, custos cada vez mais pesados com a segurança social e um número reduzido de activos a pagar impostos. Contribui também para agravar a elevada dívida do país, que já apresenta o rácio de endividamento mais elevado entre as grandes economias.

Sem sucesso

Números publicados no ano passado mostraram que o país tinha cerca de 100 mil centenários, dos quais quase 90 por cento eram mulheres.

Os sucessivos líderes japoneses, incluindo Takaichi, a primeira mulher à frente do país, prometeram travar a queda das taxas de natalidade, mas com sucesso limitado. A prefeitura de Tóquio chegou a desenvolver uma aplicação de encontros, que exige que os utilizadores forneçam documentos a comprovar que são solteiros e assinem uma carta a atestar que querem casar-se.

“A queda da taxa de natalidade e a diminuição da população constituem uma situação de emergência silenciosa que irá corroer progressivamente a vitalidade do nosso país”, afirmou Takaichi na semana passada no parlamento.

O Partido Liberal Democrático (PLD), que a dirigente lidera, obteve uma maioria de dois terços na câmara baixa do parlamento nas eleições legislativas de 08 de Fevereiro. Recorrer à imigração contribuiria para reverter o declínio demográfico do Japão e os problemas decorrentes no mercado de trabalho.

Sob pressão do partido anti-imigração Sanseito e do slogan desta formação política “os japoneses primeiro”, a primeira-ministra ultraconservadora prometeu, no entanto, um endurecimento das medidas em matéria de imigração.

27 Fev 2026

JD.com | Magnata quer democratizar posse de iates

O fundador do gigante chinês do comércio electrónico JD.com criou uma nova marca de iates com a qual espera que, a longo prazo, passem a existir na China embarcações que deixem de ser percepcionadas como “inalcançáveis”.

Liu Qiangdong apresentou a iniciativa após assinar esta semana acordos estratégicos com os governos das cidades de Shenzhen e Zhuhai (cidade vizinha de Macau), na província de Guangdong, onde a empresa prevê instalar a sua sede chinesa e construir uma base de fabrico de iates, noticiou o jornal económico 21st Century Business Herald.

Segundo declarações citadas pelo diário, o empresário afirmou que, embora a marca se posicione no segmento de gama alta, o desenvolvimento da cadeia de abastecimento nacional e a coordenação industrial poderão tornar plausível que “os iates entrem em milhares de lares, como os automóveis”.

O milionário estimou um custo de venda ao público de 14.000 dólares. Liu recordou que, há 40 anos, o automóvel também era considerado um bem “fora do alcance da maioria”. O empresário salientou ainda que, apesar de a China já ultrapassar os Estados Unidos no número de automóveis em circulação, o país conta com cerca de 12.000 iates, face aos 13 milhões registados nos EUA, diferença que, no seu entender, revela um “enorme potencial de desenvolvimento” no mercado náutico chinês.

O projecto prevê um investimento de 5.000 milhões de yuan para competir com fabricantes internacionais e promover o desenvolvimento da cadeia de abastecimento local, numa altura em que mais de 90 por cento dos componentes de iates de gama alta são actualmente importados da Europa e dos Estados Unidos.

27 Fev 2026

Comércio | Países lusófonos importaram valor recorde de produtos chineses em 2025

Os países lusófonos importaram em 2025 produtos da China no valor de 88,1 mil milhões de dólares, uma subida homóloga de 3,1 por cento e o montante mais alto de sempre, segundo dados oficiais quarta-feira divulgados.

O valor, que corresponde a 74,8 mil milhões de euros, é o mais elevado desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar estes dados, em 2013.

O Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, apesar das importações vindas da China terem caído 0,7 por cento em comparação com 2024, para 71,6 mil milhões de dólares, de acordo com a informação dos Serviços de Alfândega da China.

Pelo contrário, o segundo na lista, Portugal, comprou à China mercadorias no valor de 7,19 mil milhões de dólares, um aumento de 17,7 por cento. Na direção oposta, as exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 1,4 por cento em 2025, para 137,7 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde 2021, no pico da pandemia de covid-19.

27 Fev 2026

Merz: Segundo dia de visita à China centrado na tecnologia

O chanceler alemão, Friedrich Merz, chegou ontem à cidade chinesa de Hangzhou para cumprir uma última etapa da sua visita oficial centrada na vertente tecnológica, depois de na véspera, em Pequim, ter defendido o aprofundamento da cooperação económica.

Merz deslocou-se à capital da província oriental de Zhejiang após uma manhã em Pequim, onde visitou a Cidade Proibida e instalações do construtor automóvel Mercedes-Benz, antes de viajar para um dos principais polos tecnológicos da China, sede de gigantes do comércio electrónico como a Alibaba.

Em Hangzhou, o chanceler deverá reunir-se com autoridades locais e visitar empresas ligadas à inovação tecnológica e à robótica, numa agenda focada em sectores considerados estratégicos para a cooperação industrial e digital entre os dois países.

Merz encontra-se na China acompanhado por uma delegação de cerca de 30 grandes empresas alemãs, incluindo Volkswagen, BMW, Siemens e Bayer.

O director executivo e membro do conselho da Câmara de Comércio Alemã no norte e nordeste da China, Oliver Oehms, afirmou ao jornal 21st Century Business Herald que a delegação “reflecte bem a estrutura geral dos negócios alemães na China”, incluindo grandes grupos e um número significativo de empresas de média dimensão, conhecidas na Alemanha como “campeões ocultos”.

Segundo Oehms, em comparação com visitas de anteriores chanceleres, “o tamanho da delegação, com cerca de 30 empresas, é maior e o nível dos seus dirigentes também é mais elevado”, o que demonstra a importância atribuída pelo sector empresarial à deslocação.

Quanto aos resultados da visita, considerou que “não devem ser avaliados apenas pelo número de acordos assinados”, mas pela capacidade de aprofundar e elevar as relações comerciais bilaterais, acrescentando que a deslocação poderá funcionar como um “botão de reinício” para abrir uma nova fase na cooperação entre a China e a Alemanha.

Na quarta-feira, O chanceler alemão anunciou uma encomenda de “até 120” aviões feita pela China ao construtor aeronáutico europeu Airbus”, indo ao encontro da vontade do Presidente chinês de novos progressos nas relações bilaterais.

Parceiros de confiança

Também na quarta-feira, em Pequim, Merz reuniu-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, que afirmou que a China apoia uma Europa “independente e auto-suficiente”, num contexto de tensões comerciais entre Pequim e a União Europeia.

O líder chinês defendeu que ambas as partes actuem como “parceiros fiáveis” e apelou à preservação da estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento, numa altura em que a Alemanha enfrenta pressões económicas internas e um défice orçamental recorde que reacendeu o debate político em Berlim.

Antes do encontro com Xi, Merz reuniu-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. Após a reunião, as duas partes assistiram à assinatura de cinco acordos nas áreas da cooperação climática, prevenção de doenças animais e comércio de produtos avícolas.

27 Fev 2026

EUA / China | Marco Rubio destaca “estabilidade estratégica” nas relações

Em contagem decrescente para a visita Donald Trump a Pequim, o secretário de Estado norte-americano destaca o um alívio das tensões entre as duas nações

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos e a China alcançaram “estabilidade estratégica” nas relações, marcadas por tensões prolongadas.

“Penso que alcançámos pelo menos uma espécie de estabilidade estratégica nas nossas relações”, declarou Rubio aos jornalistas, antes da visita prevista do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, no final de Março.

O chefe da diplomacia norte-americana considerou, durante uma deslocação às Caraíbas, que ambos os países concluíram que uma guerra comercial global total entre Washington e Pequim seria “profundamente prejudicial” para as duas partes e para o resto do mundo. Marco Rubio e Donald Trump têm considerado a China um adversário estratégico no plano internacional.

Rubio sublinhou, contudo, que os Estados Unidos continuarão a manter cautela em relação a Pequim e a procurar diversificar cadeias de abastecimento, de forma a reduzir a dependência da China. Comprometeu-se também a prosseguir os esforços para que a China aceite negociar um acordo nuclear tripartido com os Estados Unidos e a Rússia.

Encontro em Genebra

Um alto responsável norte-americano reuniu-se esta semana, em Genebra, com homólogos russos e chineses, após o fim da validade do tratado New START sobre controlo de armamento nuclear.

Washington apelou ainda para o lançamento de negociações multilaterais que incluam a China. “Eles disseram publicamente que não querem fazê-lo”, afirmou Rubio, referindo-se a Pequim.

“Mas continuaremos a pressionar, porque acreditamos que seria positivo para todos alcançarmos um acordo dessa natureza”, acrescentou. A Rússia e os Estados Unidos detêm, de longe, os maiores arsenais nucleares do mundo, embora o da China esteja a crescer rapidamente.

Donald Trump deverá deslocar-se à China no final de Março, naquela que será a sua primeira visita ao país desde o início do segundo mandato.

Marco Rubio indicou que tenciona acompanhar o Presidente. Em 2020, quando era senador, foi alvo de sanções impostas por Pequim devido ao seu apoio aos direitos humanos em Hong Kong e junto da minoria chinesa de origem muçulmana uigur.

27 Fev 2026

MIECF | Gigantes dos sectores de energia e ambiente até domingo no Venetian

Teve início esta quinta-feira mais uma edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026 (MIECF, na sigla inglesa), terminando no próximo domingo, 28. O evento, que decorre no Venetian Macau, tem este ano como tema “Cidades de Baixo Carbono e com Zero Resíduos: Embarcando numa Colaboração Global”, tendo por objectivo principal a discussão em torno da construção de cidades mais sustentáveis e com menos produção de resíduos.

Pretende-se que Macau tenha um papel crescente a este nível, através do “intercâmbio de tecnologias verdes e exploração de oportunidades de negócio no mercado”.

Um dos destaques da agenda deste ano, é o Fórum Verde, focado “em cidades sem resíduos e finanças verdes”, tendo sido convidados especialistas, académicos e líderes do sector ambiental de diversos países e regiões.

O público poderá ver também a “Mostra Verde”, que não é mais do que uma exposição alusiva à economia circular, uso de objectos em segunda mão e uma mobilidade mais ecológica.

Segundo um comunicado do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental, para esta exposição “prevê-se a participação de empresas gigantes internacionais do sector energético classificadas na Fortune Global 500, empresas de referência no sector ambiental do Interior da China, organizações ambientais dos Países de Língua Portuguesa e empresas líderes em tecnologia, entre outras”. Terá ainda lugar o Centro de Sinergia Verde para contactos empresariais.

27 Fev 2026

MNE | Sam Hou Fai dá as boas-vindas à comissária Bian Lixin

O Chefe do Executivo afirmou ontem que o Governo conta com o apoio e assistência do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM, num discurso proferido por ocasião do início de funções da nova comissária Bian Lixin.

“O Governo da RAEM continuará a reforçar a comunicação e a articulação com o Comissariado e espera continuar a contar com a orientação, o apoio e a assistência do Comissariado para que a RAEM implemente mais eficazmente os seus trabalhos, reforçando assim ininterruptamente a competitividade e a influência internacionais de Macau”, afirmou ontem Sam Hou Fai.

Em termos de relações externas, o líder do Governo reiterou que a RAEM irá aproveitar as suas vantagens de conectividade interna e ligação ao exterior, “bem como da fusão das culturas chinesa e ocidental, para intensificar ainda mais a abertura bilateral e expandir continuamente o seu círculo de amigos internacional.”

Sam Hou Fai expressou ainda “elevada consideração e agradecimento” ao anterior comissário Liu Xianfa pelos “contributos valiosos ao desenvolvimento de Macau no domínio das relações externas”.

27 Fev 2026

Coreia do Sul | Subida de 6% nos nascimentos

A Coreia do Sul anunciou ontem um aumento de mais de 6 por cento no número de nascimentos em 2025, mas a taxa de fecundidade mantém-se abaixo do mínimo necessário para travar o declínio populacional. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério de Dados e Estatísticas da Coreia do Sul, o número de nascimentos cresceu pelo segundo ano consecutivo e registou o maior aumento anual desde 2010.

Em resultado, a taxa de fecundidade da Coreia do Sul, ou seja, o número médio de filhos por mulher, subiu ligeiramente, de 0,75 para 0,8. Um valor que permanece abaixo do mínimo de 2,1 necessário para manter a população actual da Coreia do Sul.

A diretora da divisão de tendências demográficas do ministério, Park Hyun-jeong, disse que o aumento do número de casamentos na Coreia do Sul desempenhou um papel importante nesta tendência.

A Coreia do Sul tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo. O Governo tem gasto milhares de milhões de euros para incentivar as mulheres a terem mais filhos, com pouco sucesso até agora. De acordo com várias projecções, ao ritmo actual, a população da Coreia do Sul passará dos actuais 51 milhões para quase metade, 26,8 milhões, até ao final do século.

Especialistas dizem que existem várias razões para a baixa taxa de natalidade da Coreia do Sul, incluindo o elevado custo de criar filhos e uma economia competitiva, que dificulta o acesso a empregos bem remunerados.

No início de Fevereiro, o autarca de Jindo (sudoeste), Kim Hee-soo, gerou controvérsia ao sugerir que as comunidades rurais poderiam combater o declínio demográfico atraindo mulheres do Vietname ou do Sri Lanka.

26 Fev 2026

FMI | China deve priorizar crescimento liderado pelo consumo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem à China para tornar a transição para um modelo de crescimento assente no consumo uma “prioridade central”, instando também Pequim a reduzir uma “política industrial injustificada”, face a crescentes desequilíbrios externos.

As recomendações da equipa técnica do FMI, divulgadas antes das reuniões anuais da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo da China), reforçam os apelos a um reequilíbrio económico, sobretudo depois de o excedente comercial recorde registado pela China no ano passado ter intensificado preocupações globais.

“A China precisa de avançar de forma decisiva para um crescimento liderado pelo consumo”, afirmou Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

A responsável acrescentou que o FMI acolhe positivamente a ênfase dada ao consumo nas propostas do 15.º Plano Quinquenal e no comunicado da Conferência Central de Trabalho Económico de dezembro, que definiu as prioridades para o ano.

No relatório anual sobre a economia chinesa – a chamada consulta ao abrigo do Artigo IV – o FMI defende um estímulo orçamental mais robusto para impulsionar o consumo e aliviar as fragilidades do sector imobiliário, a par de maior protecção social, novo alívio monetário e maior flexibilidade cambial.

“O modelo de crescimento liderado pelo consumo deve ser a prioridade central”, sublinhou o conselho executivo do FMI, acrescentando que deve ser mantida uma orientação expansionista até que as pressões deflacionistas diminuam de forma duradoura.

O relatório considera que as medidas adoptadas até agora “permanecem insuficientes face à dimensão dos desafios” e recomenda uma expansão orçamental adicional equivalente a 0,8 por cento do PIB em 2026, face ao cenário de base.

O FMI projecta que o crescimento económico chinês abrande para 4,5 por cento em 2026, após uma expansão de 5 por cento no ano passado.

26 Fev 2026

Japão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro.

Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos.

A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025.

Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”.

Também tu, Takaichi?

O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo.

Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos.

Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”.

A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.

26 Fev 2026

Nuclear | Pequim nega ter realizado testes e acusa EUA de querer pretexto para os retomar

A China qualificou ontem como infundadas as acusações dos Estados Unidos sobre alegados ensaios nucleares explosivos no seu território e acusou Washington de procurar pretextos para retomar os próprios testes atómicos.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que as acusações norte-americanas são “infundadas e evasivas” e “não têm qualquer fundamento”, reagindo a declarações recentes de uma delegação dos EUA na Conferência do Desarmamento, em Genebra.

Segundo Mao, a China “apoia firmemente os propósitos e objectivos” do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares e tem respeitado o compromisso dos cinco Estados com armas nucleares de manter uma moratória sobre testes.

A porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de “incriminar e difamar outros países” para escapar às suas obrigações internacionais em matéria de controlo de armamento, prática que, afirmou, “prejudica gravemente a sua credibilidade internacional”.

Pequim instou Washington a cumprir a moratória e a “defender o consenso internacional sobre a proibição de ensaios nucleares”.

As declarações surgem após o secretário de Estado adjunto norte-americano para o Controlo de Armamento e Não Proliferação, Christopher Yeaw, ter afirmado na segunda-feira, em Genebra, que os EUA dispõem de dados que apontam para um alegado teste chinês em 2020 no deserto de Lop Nur, além de alertar para a rápida expansão do arsenal nuclear chinês.

A troca de acusações coincide com a expiração, a 05 de Fevereiro, do tratado New START entre Estados Unidos e Rússia e com novos contactos diplomáticos em Genebra sobre o futuro do controlo de armamento nuclear, nos quais Washington defende que um eventual novo acordo inclua também a China.

26 Fev 2026