Macau confirma que correio para Portugal voltou ao normal

Os Correios de Macau confirmaram ontem que os serviços de cartas e encomendas da região chinesa com destino a Portugal foram retomados após as tempestades que afectaram o território português.

Num comunicado, a Direção dos Serviços de Correios e Telecomunicações disse que “o serviço de entrega de objectos postais, anteriormente afectado por condições meteorológicas adversas no país, já retomou a normalidade”, de acordo com indicação dos CTT – Correios de Portugal.

O comunicado dos Correios de Macau surge horas depois do Hongkong Post, o departamento que assegura o serviço postal na vizinha região chinesa Hong Kong, ter dito que a entrega de correio a Portugal já estava a decorrer sem constrangimentos.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Em 02 de Fevereiro, os serviços de correio de Macau e Hong Kong tinham alertado que as cartas e encomendas com destino a Portugal poderiam sofrer atrasos devido à destruição causada pela depressão Kristin. Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afectados terminou a 15 de Fevereiro.

25 Fev 2026

Ásia | Tailândia acusa Camboja de violar cessar-fogo na fronteira

O exército da Tailândia denunciou ontem uma troca de tiros com as forças cambojanas ao longo da fronteira e acusou o país vizinho de violar as tréguas de Dezembro, alegação que o Camboja negou categoricamente.

Segundo um comunicado militar tailandês, as forças cambojanas dispararam ontem uma granada de 40 milímetros contra uma patrulha na província fronteiriça de Sisaket, o que desencadeou uma resposta da Tailândia.

Não foram registados feridos entre as tropas de Banguecoque, segundo o comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“As forças tailandesas responderam disparando um [lança-granadas] M79 na direcção de onde provieram os disparos, de acordo com as regras de conduta militar, a título de aviso e em legítima defesa”, acrescentou o exército.

O porta-voz militar tailandês, Winthai Suvaree, declarou no comunicado que “as acções do Camboja violaram o acordo de cessar-fogo” de 27 de Dezembro de 2025, que pôs fim a três semanas de confrontos mortais na fronteira.

“Estas alegações são totalmente falsas, inventadas e distorcem grosseiramente os factos com a intenção deliberada de enganar a opinião pública e provocar tensões ao longo da fronteira entre o Camboja e a Tailândia”, reagiu o ministro da Informação cambojano.

Neth Pheaktra reiterou à AFP o “compromisso inabalável” de Phnom Penh com a trégua de Dezembro e com um acordo de cessar-fogo anterior, de curta duração, assinado em Outubro na presença do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo o comunicado tailandês, o incidente pode ter resultado de uma “rotação de tropas cambojanas”, em que o novo pessoal, não familiarizado com os regulamentos, terá cometido “falhas operacionais”. Os dois reinos do Sudeste Asiático disputam há muito o traçado da fronteira de 800 quilómetros, definida durante o período colonial francês.

25 Fev 2026

Ano Novo Lunar | Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes

A região de Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes durante os nove dias de feriados do Ano Novo Lunar na China continental, a maior migração anual do mundo, foi ontem anunciado. A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau disse que as fronteiras do território registaram a passagem de mais de 1,55 milhões de visitantes entre 15 e 23 de Fevereiro, uma média de 172.737 visitantes por dia.

De acordo com dados oficiais divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a média diária representa um aumento de 5,5 por cento em comparação com o Ano Novo Lunar de 2025. A DST tinha previsto uma média diária de entre 158 mil e 175 mil visitantes e um total de visitantes de 1,4 milhões durante este período.

O terceiro dia do Ano Novo Lunar, 19 de Fevereiro, fixou um novo máximo histórico, com quase 228 mil turistas a chegarem ao território chinês.

Perto de seis milhões de pessoas atravessaram os postos de controlo fronteiriços de Macau durante os nove dias, uma média de 663.032 travessias diárias, ainda assim abaixo da previsão de 670 mil feita pela PSP na semana passada.

De acordo com a última estimativa feita pelo Governo local, a população total residente na Região Administrativa Especial de Macau era de 686.600 pessoas.

Bater recordes

A 08 de Fevereiro, Macau registou um novo máximo histórico de entradas e saídas nas fronteiras da cidade, quando faltavam dez dias para o Ano Novo Lunar, com cerca de 867 mil passagens.

De acordo com os dados da PSP, a maior fronteira do território, nas Portas do Cerco, registou a passagem de quase 463 mil pessoas, o valor diário mais elevado dos últimos cinco anos, desde o início da pandemia de covid-19.

As autoridades da China prevêem que centenas de milhões de pessoas viajem durante a maior migração anual em todo o mundo para celebrar o Ano Lunar do Cavalo de Fogo. A época destas deslocações, o chamado ‘chunyun’, um período de 40 dias antes e depois do início do Ano Novo Lunar, começou em 02 de Fevereiro.

Em 29 de janeiro, Li Chunlin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o principal organismo de planeamento económico do país, anunciou que as estimativas para este ano prevêem que os chineses façam até 9,5 mil milhões de viagens durante o ‘chunyun’.

Caso esta previsão esteja correcta, constituirá um novo recorde histórico, ultrapassando o máximo registado em 2024: 9,02 mil milhões de viagens.

De acordo com as estimativas oficiais, as viagens de comboio podem atingir 540 milhões, enquanto as viagens aéreas deverão rondar 95 milhões, ambos potenciais máximos históricos para este período.

O ‘chunyun’ é frequentemente usado como indicador da actividade económica do país, num contexto em que a China procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia.

25 Fev 2026

Coreia do Sul | Ex-presidente recorre da condenação a prisão perpétua

O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol, condenado na semana passada à prisão perpétua por ter imposto a lei marcial no final de 2024, recorreu ontem da sentença, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

“Pretendemos revelar os erros nos factos e a incompreensão dos princípios legais na decisão do primeiro julgamento”, afirmaram os advogados do ex-presidente preso.

Yoon foi condenado em primeira instância à prisão perpétua pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que na quinta-feira passada considerou que os seus actos constituíram insurreição ao mobilizar tropas no Parlamento nacional e mergulhar o país na sua pior crise em décadas.

O recurso do ex-presidente surge depois de a equipa especial do Ministério Público que conduziu o caso ter anunciado que também iria recorrer da sentença, uma vez que tinha pedido a pena de morte, para a qual existe uma moratória no país.

Yoon, que já se encontrava na prisão enquanto aguardava a decisão, declarou a lei marcial na noite de 03 de Dezembro de 2024, um decreto que foi bloqueado pelo Parlamento algumas horas depois. O ex-presidente foi destituído em Abril do ano passado pelo Tribunal Constitucional, por considerar que não havia indícios de uma situação de emergência que justificasse o decreto.

25 Fev 2026

Japão pede tratamento justo face à nova tarifa global de 15% dos EUA

O Japão pediu aos Estados Unidos que garantam que o impacto da nova tarifa global de 15 por cento, que deverá entrar agora em vigor, não seja superior ao do acordo comercial bilateral assinado em 2025.

O ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, insistiu, numa conversa telefónica com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que “o tratamento dado ao Japão seja garantido como não menos favorável” do que o previamente acordado, informou o ministério, em comunicado.

O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, declarou em conferência de imprensa que o arquipélago vai estudar “de forma minuciosa” a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que na sexta-feira travou a anterior política comercial da Casa Branca.

Kihara acrescentou que o Japão está a seguir “de perto e com interesse” as ramificações da nova tarifa global sobre o acordo comercial bilateral assinado em Julho. O acordo prevê compromissos de investimento japoneses avaliados em 550 mil milhões de dólares e a redução de 25 por cento para 15 por cento das tarifas sobre produtos japoneses, incluindo automóveis.

Os primeiros projectos anunciados na semana passada, avaliados em 36 mil milhões de dólares, incluem a maior infraestrutura de gás natural no estado de Ohio, no oeste dos EUA, uma instalação de exportação de petróleo bruto e uma unidade de diamantes sintéticos.

Donald anuncia

No sábado, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a nova tarifa alfandegária global iria aumentar de 10 por cento para 15 por cento, “com efeito imediato”.

Esta taxa vai somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”, afirmou o Presidente republicano, acrescentando que “todos os acordos” continuam válidos e que Washington apenas vai “proceder de forma diferente”.

O anúncio aconteceu um dia depois de Trump ter anunciado uma tarifa global de 10 por cento sobre todos os países, por um período de 150 dias.

Horas antes, o Supremo Tribunal dos EUA determinou, por seis votos contra três, que o Governo norte-americano excedeu os poderes invocados para impor as chamadas “tarifas recíprocas” aos parceiros comerciais de Washington.

25 Fev 2026

Diplomacia | Pequim quer Ucrânia fora do foco antes de visita de Merz

A visita do chanceler alemão à China deverá servir para aproximar as segunda e terceira maiores economias mundiais através da assinatura de vários acordos comerciais. Pequim reitera a sua posição “objectiva e imparcial” sobre o conflito na Ucrânia

A crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se uma questão entre China e Europa”, afirmou ontem a diplomacia chinesa, na véspera de o chanceler alemão, Friedrich Merz, iniciar a sua primeira visita oficial ao país asiático.

A porta-voz do ministério Mao Ning declarou em conferência de imprensa que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial” sobre o conflito e apoia uma solução política através de esforços diplomáticos, mas “não é parte na questão da Ucrânia”.

Mao respondia a uma pergunta sobre a possibilidade de Merz abordar com as autoridades chinesas, durante a visita, a guerra na Ucrânia e o papel de Pequim no conflito, afirmando que os líderes “trocarão opiniões sobre assuntos de interesse comum”.

Segundo a porta-voz, a visita de Merz permitirá reforçar a “cooperação e o benefício mútuo” entre os dois países. Mao assinalou que se trata da primeira deslocação do líder alemão desde que assumiu funções e assegurou que Pequim está disposta a aproveitar a ocasião para “melhorar o entendimento e a confiança mútua”.

Durante a visita, que decorrerá entre amanhã e quinta-feira, o governante alemão reunir-se-á com o Presidente chinês, Xi Jinping, e manterá conversações oficiais com o primeiro-ministro, Li Qiang, para abordar o estado das relações bilaterais e temas de interesse comum.

Grandes expectativas

Mao salientou que, enquanto segunda e terceira maiores economias mundiais, o desenvolvimento estável das relações bilaterais “corresponde aos interesses de ambas as partes e às expectativas da comunidade internacional”.

De acordo com o Governo alemão, Merz abordará em Pequim questões económicas, comerciais e de segurança, sendo acompanhado por uma delegação empresarial. Em 2025, a China foi o principal parceiro comercial da Alemanha, com um volume de trocas de 251,8 mil milhões de euros, segundo dados oficiais alemães.

A visita de Merz junta-se à série de deslocações de líderes ocidentais à China nos últimos meses, incluindo os presidentes ou primeiros-ministros de Espanha, França, Canadá, Irlanda, Reino Unido e Portugal.

25 Fev 2026

Mais de mil assinaturas contra a expulsão de aluno que pediu inquérito a incêndio em Hong Kong

Mais de mil pessoas já assinaram uma petição a pedir a uma universidade de Hong Kong a reintegração do estudante que foi expulso após pedir uma investigação independente a um incêndio que causou 168 mortos. Docentes, alunos e antigos alunos da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK, na sigla em inglês) já tinham assinado a petição online até domingo à noite, avançaram os promotores da iniciativa.

De acordo com um comunicado enviado à imprensa e citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP), a petição foi lançada na sexta-feira por “um grupo de estudantes, docentes e alumni” da universidade.

Em 12 de Fevereiro, Miles Kwan Ching-fung, que lançou uma petição a pedir uma investigação independente ao incêndio que causou em Novembro 168 mortos num complexo habitacional em Hong Kong, anunciou que tinha sido expulso da CUHK. A petição lançada na sexta-feira critica a decisão de um comité disciplinar da CUHK de expulsar Miles Kwan, de 24 anos, como uma “injustiça processual”.

Em 14 de Fevereiro, o jovem disse ao HKFP que foi convocado para uma reunião do comité disciplinar, em 07 de Janeiro, devido a “múltiplos actos de má conduta”, mas que o comité nunca relevou quais os alegados actos. A petição alega que o comité “parece ter privado (…) Kwan do seu direito fundamental, constitucionalmente garantido, a um julgamento justo”.

Os promotores da iniciativa recordaram que as regras internas da CUHK prevêm que “os casos sob investigação policial/processos judiciais (…) devem ser tratados após o conhecimento do resultado da investigação/sentença judicial”.

Tragédia em Tai Po

Em 26 de Novembro, 168 pessoas morreram no complexo de habitação social Wang Fuk Court, no pior incêndio a atingir Hong Kong em quase oito décadas.

Três dias depois, a polícia de Hong Kong deteve Kwan por suspeita de sedição – um crime que pode acarretar a pena de prisão perpétua – depois de o jovem ter lançado uma petição, que chegou a reunir mais de mil assinaturas.

O estudante sublinhou que a CUHK admitiu “falta de informação” sobre a detenção e justificou a expulsão com a “atitude indelicada e desrespeitosa para com o comité” e uma alegada violação das regras de confidencialidade.

“Quando o comité considerou as provas insuficientes”, isso “deveria ter levado à suspensão do processo”, refere a petição lançada na sexta-feira. As duas novas acusações foram “impostas sem notificação prévia” a Miles Kwan e apenas “após a conclusão da audiência”, lamenta o documento.

Além disso, o estudante foi acusado de ter uma “atitude indelicada e desrespeitosa” apenas por questionar “a base jurídica do processo disciplinar”, acrescenta a petição.

Dias depois do incêndio, o líder do governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou uma comissão de inquérito independente, presidida por um magistrado, para esclarecer as causas do fogo e da sua rápida propagação.

25 Fev 2026

Harbin | Tigres siberianos em dieta após excessos de Ano Novo

Cerca de duzentos tigres siberianos de uma reserva no norte da China estão a cumprir um “jejum intermitente” para contrariar os efeitos do excesso de alimentação durante o Ano Novo Lunar, quando recebem grandes quantidades de comida dos turistas.

A direcção do Parque do Tigre Siberiano de Harbin, na província de Heilongjiang, anunciou em comunicado que o programa de dieta estará em vigor até 31 de Março, com o objectivo de melhorar a saúde e o bem-estar dos felinos, que terão recebido uma média recorde de 10.000 visitantes diários durante as férias recém-terminadas, segundo a imprensa local.

O parque permite aos visitantes comprar no local tiras de carne crua ou mesmo aves vivas para alimentar os tigres através de aberturas nas janelas dos autocarros que percorrem as instalações, uma das atrações mais populares do espaço.

Durante o período de dieta, será proibida, de forma rotativa, a alimentação dos animais num dos onze espaços ao ar livre onde vivem, no recinto com uma área total de 800 mil metros quadrados.

Para além da vertente turística e pedagógica, as instalações de Harbin desenvolvem também programas de investigação, conservação e reprodução, no âmbito dos esforços da China para preservar o tigre siberiano, espécie ameaçada de extinção.

Estima-se que existam apenas cerca de 500 exemplares deste felino em estado selvagem em todo o mundo, dos quais cerca de 70 na China, segundo dados do World Wildlife Fund (WWF).

25 Fev 2026

Taiwan | Japão planeia deslocar mísseis terra-ar para perto da ilha

O Japão anunciou ontem planos para deslocar mísseis terra-ar para uma ilha japonesa perto de Taiwan até 2031, ao mesmo tempo que as autoridades japonesas aumentam os alertas sobre as ambições militares da China na região.

“O nosso plano é deslocar “mísseis terra-ar de médio alcance” durante o ano fiscal de 2030″ — ou seja, durante o período de 12 meses que termina em Março de 2031 — para a ilha de Yonaguni, a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan, anunciou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, durante uma conferência de imprensa regular.

A ilha de Yonaguni, isolada e localizada a aproximadamente 2.000 quilómetros de Tóquio, já alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão.

Este anúncio surge quando a China tem tomado uma série de medidas económicas, políticas e simbólicas contra o Japão desde Novembro, em retaliação a comentários feitos pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. A líder do Japão sugeriu que uma intervenção militar do seu país seria possível no caso de um ataque chinês a Taiwan.

Desde então, a China tem desencorajado os seus cidadãos a viajar para o Japão. Ontem, anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 destas de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

25 Fev 2026

Concertos | Polícia nega estar a recusar vistos a artistas japoneses

O Corpo de Polícia de Segurança Pública afirma não ter recebido qualquer pedido de visto para artistas japoneses, pelo que nega ter recusado qualquer autorização de trabalho

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) negou estar a recusar vistos a artistas japoneses, afirmando que “não recebeu qualquer pedido” oficial, após o cancelamento de um festival de música na região. Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento.

O festival estava marcado para 7 e 8 de Fevereiro, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo.

A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”.

Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau.

Em resposta às questões colocadas pela Lusa, a polícia esclareceu que o processo dos artistas japoneses nunca chegou à sua alçada.

“Este serviço não recebeu qualquer pedido ou consulta por parte da entidade competente”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), na resposta emitida pelo CPSP à Lusa.

Nos termos da lei, explicam as autoridades, as entidades patronais que pretendam contratar trabalhadores sem estatuto de residente para funções em Macau, incluindo pessoal para espectáculos, “devem apresentar, em primeiro lugar”, um pedido de autorização de trabalho à DSAL.

“Caso o pedido seja autorizado, a entidade patronal deve posteriormente solicitar ao Corpo de Polícia de Segurança Pública a emissão de título de residência para o trabalhador não residente, conferindo-lhe o estatuto de trabalhador não residente. O não residente só pode iniciar o exercício de funções em Macau após a emissão desse título de residência”, acrescenta.

Calados e a ignorar

A Lusa pediu, em 26 de Janeiro, esclarecimentos junto da DSAL e Instituto Cultural (IC) de Macau para os Assuntos Laborais, mas até agora, não obteve qualquer resposta. Em 7 e 8 de Fevereiro, o grupo masculino sul-coreano Riize actuou na cidade sem um dos seus membros, o cantor japonês Shotaro, devido a “circunstâncias imprevisíveis”, disse a organização dos dois concertos, a empresa IME Macau.

Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa.

Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador”.

Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau.

Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.

Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.

25 Fev 2026

Construção urbana | Obras ilegais de baixo risco podem ficar sem multa

Os deputados que integram a terceira comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) pediram esta terça-feira mais explicações sobre como vão acontecer, na prática, as alterações ao regime jurídico da construção urbana, diploma que está a ser analisado na especialidade.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o deputado Leong Sun Iok, que preside à comissão, descreveu que os deputados questionaram o entendimento do Governo sobre obras ilegais de baixo risco e perguntaram que critério que preside à classificação das construções.

A fim de incentivar os residentes a destruírem construções ilegais, a proposta de lei sugere que, para obras ilegais de baixo risco, haja isenção da emissão de licença e de entrega da notificação prévia junto dos serviços públicos. Além disso, a demolição voluntária de obras ilegais e o restauro das estruturas originais podem ficar isentas de multas.

Os deputados da comissão analisaram ainda os procedimentos dos pedidos de licença para obras nos formatos digital e em papel, nomeadamente no que diz respeito a prazos de aprovação e entrega ou direitos dos requerentes.

25 Fev 2026

Tarifas | Pequim anuncia que está a “avaliar” decisão do Supremo dos EUA

O ministério chinês do Comércio anunciou ontem que está a “avaliar” o conteúdo e impacto da decisão da Supremo Tribunal dos Estados Unidos sobre as tarifas impostas pela Administração de Donald Trump, reiterando a oposição às medidas “unilaterais”.

Num comunicado, o ministério indicou que “tomou nota” da decisão judicial no litígio sobre as tarifas e que está a realizar uma “avaliação integral” das suas implicações.

A China “opõe-se sistematicamente às medidas tarifárias unilaterais” e reitera que “a guerra comercial não tem vencedores e o proteccionismo não tem saída”, indicou o ministério, depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter decidido que a Administração Trump excedeu os seus poderes ao invocar a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) como base jurídica para impor as taxas tarifárias.

O ministério acrescentou que as chamadas “tarifas recíprocas” e as tarifas relacionadas com o fentanil constituem medidas ‘unilaterais’ que, segundo Pequim, “não só violam as regras económicas e comerciais internacionais”, como também o “direito interno” dos Estados Unidos, e “não atendem aos interesses de nenhuma das partes”.

Pequim insiste ainda que as relações entre as duas potências devem ser geridas com base na cooperação. “Os factos têm demonstrado repetidamente que a China e os Estados Unidos beneficiam quando cooperam e são prejudicados quando se confrontam”, afirmou o ministério, que instou Washington a “cancelar” as tarifas unilaterais impostas aos seus parceiros comerciais.

Pequim afirmou ter observado que os Estados Unidos “se preparam” para recorrer a medidas alternativas, como “investigações comerciais”, com o objetivo de manter a imposição de taxas aos seus parceiros, e advertiu que a China “manterá uma vigilância estreita” e “protegerá firmemente” os seus interesses.

24 Fev 2026

ONU | Direitos humanos sob ataque em grande escala

Os direitos humanos “estão sob ataque em grande escala em todo o mundo”, levado a cabo “por aqueles que detêm o maior poder” e, por vezes, até “com orgulho”, denunciou ontem o secretário-geral das Nações Unidas.

“O Estado de direito está a ser substituído pelo Estado de força. E este ataque não vem das sombras nem é uma surpresa. Está a acontecer à vista de todos e, muitas vezes, liderado por aqueles que detêm o maior poder. Em todo o mundo, os direitos humanos estão a ser deliberada e estrategicamente reprimidos, e, por vezes, com orgulho”, declarou Guterres, intervindo, em Genebra, na sessão de abertura da 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O secretário-geral advertiu que as consequências deste ataque “são devastadoras”, apontando que as pessoas sofram assim “duas vezes: primeiro com a violência, a opressão ou a exclusão, e, depois, novamente com a indiferença do mundo”.

“Vivemos num mundo onde o sofrimento em massa é ignorado, onde os seres humanos são usados como moeda de troca, onde o direito internacional é tratado como um mero inconveniente. Os conflitos multiplicam-se e a impunidade tornou-se contagiosa. Isso não se deve à falta de conhecimento, ferramentas ou instituições. É o resultado de escolhas políticas”, deplorou o antigo primeiro-ministro português.

Segundo António Guterres, “esta crise de respeito pelos direitos humanos não é um caso isolado” e “reflecte e amplia todas as outras fraturas globais”, já que “as necessidades humanitárias estão a explodir, enquanto o financiamento entra em colapso”, “as desigualdades estão a aumentar a uma velocidade impressionante, os países estão a afogar-se em dívidas e desespero, e o caos climático está a acelerar”.

O líder das Nações Unidas sublinhou também que “a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, está a ser cada vez mais utilizada de formas que suprimem direitos, aprofundam a desigualdade e expõem pessoas marginalizadas a novas formas de discriminação, tanto online como offline”.

“Em todas as frentes, aqueles que já são vulneráveis estão a ser empurrados ainda mais para as margens. E os defensores dos direitos humanos estão entre os primeiros a serem silenciados quando tentam alertar-nos”, lamentou, reforçando que, “nesta ofensiva coordenada, os direitos humanos são as primeiras vítimas”.

Retrato deplorável

Expondo um retrato devastador a nível global, o secretário-geral da ONU apontou que é hoje evidente um “aperto cada vez maior do espaço cívico”, com “jornalistas e activistas presos, ONG [Organizações Não-Governamentais] fechadas, direitos das mulheres em retrocesso, direitos das crianças ignorados, pessoas com deficiência excluídas e democracias em erosão”.

“O direito de reunião pacífica é esmagado – e condeno mais uma vez a recente repressão violenta aos protestos no Irão. Os migrantes são perseguidos, detidos e expulsos, com total desrespeito pelos seus direitos humanos e pela sua humanidade. Os refugiados são transformados em bodes expiatórios. As comunidades LGBTIQ+ são difamadas. As minorias e os povos indígenas são alvo de ataques. As comunidades religiosas são atacadas”, prosseguiu.

Aludindo à sua história pessoal, na última vez que discursou como secretário-geral na abertura de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos, apontou que “crescer sob a ditadura de Salazar” lhe ensinou que “a negação dos direitos humanos corrói todos os aspectos da sociedade.

“Quando o Conselho de Segurança está paralisado, quando os vetos servem de escudo político, quando as rivalidades geopolíticas prevalecem sobre a protecção dos civis, o resultado é o mesmo: a impunidade espalha-se, o sofrimento multiplica-se e os direitos humanos são pisoteados”, disse. “Precisamos de um Conselho de Segurança que reflicta o mundo de hoje, não o de 1945”, acrescentou.

24 Fev 2026

A Publicidade ou a Exclusão da Publicidade desde o Início até ao Julgamento dos Processos

Por Iau Teng Pio

Subdirector da Faculdade de Direito da Universidade de Macau

​Este texto discute os limites da publicidade e a sua exclusão desde o início do processo até ao julgamento. Foi elaborado levando em consideração a aplicação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (doravante “PIDCP”) ex vi Lei Básica de Macau, e a tutela dos bens jurídicos, clarificando que o princípio de exclusão da publicidade não equivale a segredo, em conjugação com a experiência internacional e a legislação relativa a Macau.

I. O pilar do PIDCP: Os limites legais da publicidade e a sua exclusão

​O artigo 14.º do PIDCP estabeleceu o cerne da publicidade dos processos em que a regra geral é o princípio da publicidade, sendo a sua exclusão excepcional, e ainda que todas as sentenças e acórdãos devem ser públicos. O valor essencial do julgamento público reside na garantia do direito do público à informação e à transparência judicial, evitando o abuso de poder.

A exclusão da publicidade deve ser baseada num fundamento legal, incluindo moral pública, ordem pública, segurança nacional, o interesse da vida privada das partes em causa, etc., sempre restringido aos “limites da necessidade e adequação”. A publicidade das sentenças é uma garantia necessária da credibilidade judicial. Apenas em raros casos que envolvam os interesses dos menores poderão ser impostas restrições a determinados conteúdos, não havendo excepção da exclusão total.

II. Equilibro dos bens jurídicos: A orientação essencial dos valores da publicidade e a sua exclusão

​A distinção entre a publicidade e a sua exclusão reside essencialmente no equilíbrio dos diferentes bens jurídicos. Os julgamentos abertos, através da transparência processual, não só asseguram a fiscalização pública do poder judicial, como também proporcionam um ambiente judicial justo para os arguidos ou para as partes, e servem ainda como forma de educação judicial e de dissuasão social salvaguardando, assim, os interesses públicos e o Estado de Direito.

O objecto da exclusão da publicidade é o de proteger bens jurídicos de nível superior, incluindo a segurança nacional, a vida privada das partes, os interesses legítimos dos menores, os segredos comerciais, etc. A sua aplicação deve aderir estritamente aos princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade, não podendo ser arbitrariamente expandida.

III. Limite processual: A exclusão da publicidade não equivale a segredo

​A “exclusão da publicidade” num processo apenas diz respeito à participação do público e da comunicação social, bem como à divulgação da informação a estes sujeitos, pelo que não se trata de um segredo absoluto.

A proteção essencial consiste na intervenção obrigatória dos defensores (especialmente dos advogados): quer se trate da confidencialidade na fase do inquérito, quer se trate da exclusão da publicidade na fase do julgamento, o defensor e o mandatário judicial do ofendido têm diferentes direitos processuais, incluindo, entre outros, o de se reunir com os seus clientes, o de comunicar, de consultar os autos, de investigar e de produzir provas, bem como o de participar em debates.

A sua intervenção serve tanto para supervisionar o exercício do poder judicial, como para proteger os direitos e interesses legítimos das partes, mantendo o equilíbrio da estrutura da acusação, defesa e julgamento, e prevenido as “negociações segredas”. Este é o principal fundamento de um processo justo com exclusão da publicidade.

IV. Prática internacional: Práticas comuns e adaptação às diferenças em vários Estados

​Diferentes Estados têm estabelecido, geralmente, a “regra geral de publicidade, a sua exclusão como uma excepção, e a obrigatoriedade de publicidade das decisões judiciais”. A diferença reside principalmente nas definições e no âmbito da discricionariedade da exclusão da publicidade.

Os sistemas de common law (como os dos EUA, do Reino Unido e da Canadá) baseiam-se principalmente na discricionariedade, com excepções que consideram o interesse público; os sistemas de direito civil (como os de França e da Alemanha) baseiam-se principalmente na exclusão legal da publicidade, com excepções estritamente limitadas. A UE exige que as decisões judiciais sejam tornadas públicas apenas depois de se terem ocultado informações privadas. Apesar dos diferentes modelos, todos incluem o segredo do Estado, bem como os interesses da vida privada e dos menores como circunstâncias essenciais para a exclusão da publicidade. E todos garantem o direito dos advogados a participar em processos fechados.

V. Regime jurídico de Macau: Um sistema de prática local em conformidade com o PIDCP

​O regime processual vigente de Macau adopta um modelo de “regra geral de publicidade e sua exclusão como uma excepção”, em conformidade com o PIDCP. Por exemplo, nas fases de inquérito e de julgamento aplica-se o princípio do segredo de justiça, vinculando as pessoas com acesso às informações do caso, impedindo acções prejudiciais à investigação. Mas não impede a participação de defensores qualificados, em conformidade com a lei, e também a participação dos ofendidos, quando devidamente representados pelos advogados, na qualidade de assistentes.

Nas circunstâncias previstas na lei, quando os processos penais estipulados na actual Lei relativa à defesa da segurança do Estado envolvam acções que prejudicariam os interesses da segurança nacional se conduzidas publicamente, os juízes competentes podem determinar a exclusão da publicidade de certos actos processuais. Independentemente de os procedimentos serem públicos ou não, as sentenças devem ser anunciadas publicamente, respeitando-se rigorosamente o princípio de “exclusão da publicidade não equivale segredo”, garantindo, assim, a eficiência judicial e salvaguardando a justiça processual.

A publicidade e a sua exclusão dos processos não são ideias contraditórias, mas sim relacionadas com o objectivo fundamental da justiça verdadeira, cujo cerne é o equilíbrio entre a protecção dos diferentes bens jurídicos. A prática nos diversos Estados e em Macau demonstram que a aplicação do princípio da exclusão da publicidade deve ser estritamente legal e adequada, protegendo bens jurídicos específicos e evitando, ao mesmo tempo, o sacrifício excessivo da transparência judicial.

O modelo de Macau que prevê a “regra geral de publicidade + excepção da exclusão + intervenção possível dos defensores + publicidade das sentenças”, não só está em conformidade com o espírito do PIDCP, como se adapta às tradições judiciais locais, constituindo um modelo de referência prático do equilíbrio entre a publicidade e o segredo nos processos judiciais.

24 Fev 2026

Prémios Macau | Studio City acolhe em Maio edição de 2026

Decorre a 12 de Maio deste ano a nona edição dos Prémios Macau 2026, promovidos pela revista Macau Business e que visam premiar figuras e projectos locais que se destacam nas mais variadas áreas. A cerimónia de entrega dos prémios será acolhida pelo Studio City.

Paulo Azevedo, empresário de media e fundador do grupo Project Asia Corp., e que preside a esta iniciativa, refere, citado num comunicado, que “os Prémios Macau são reconhecidos como o maior evento multisectorial, intercomunitário e multilingue do género em Macau”.

O responsável acredita ainda que “este programa anual de enorme prestígio continuará a celebrar as notáveis conquistas de instituições, empresas e indivíduos que contribuem excepcionalmente para o desenvolvimento da cidade”.

A cerimónia de entrega dos prémios, transmitida em directo no ano passado, alcançou uma audiência de mais de 110.000 pessoas através de notícias online e plataformas de transmissão em directo, refere a mesma nota oficial. Para este ano, estão já abertas as candidaturas, com data limite de submissão de 31 de março.

A novidade reside na criação de duas novas categorias: os prémios “Minha Cidade – Minha Marca”, que “celebra o contributo daqueles que, durante gerações, mantiveram viva uma ideia, um negócio ou um sonho, enfrentando muitas vezes desafios económicos e sociais”. Já os prémios “Sustentabilidade” reconhecem “aqueles que se destacam por ajudar Macau a tornar-se mais sustentável, agindo de forma mais de acordo com a energia ‘verde'”.

Além disso, há 11 categorias a concurso, nomeadamente “Liderança pelo Exemplo”, “Empreendedorismo” ou “Grande Baía, entre outras. A votação do júri decorre em Abril.

24 Fev 2026

Cooperação | Coreia do Sul e Brasil elevam relação bilateral a “parceria estratégica”

Coreia do Sul e Brasil acordaram ontem elevar as relações bilaterais ao nível de “parceria estratégica”, numa cimeira realizada em Seul entre os presidentes sul-coreano, Lee Jae-myung, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Decidimos elevar a nossa relação bilateral a uma ‘parceria estratégica'”, anunciou Lee, numa conferência de imprensa após o encontro. O Presidente sul-coreano explicou que o “Plano de Acção Quinquenal Coreia do Sul-Brasil”, adoptado ontem, servirá como roteiro integral em áreas como política, economia, cooperação prática e intercâmbios entre cidadãos.

Entre os principais resultados das conversações, destacou o impulso à retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bem como a assinatura de onze memorandos de entendimento em sectores como PME, saúde, agricultura, espaço, defesa e aviação.

Em matéria económica, os dois países concordaram com a necessidade de ampliarem a cooperação mutuamente benéfica e apoiaram a pronta retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul.

Lula da Silva lembrou que o Brasil abriga a maior comunidade de origem coreana da América Latina, com cerca de cinquenta mil pessoas, e que o K-pop, as telenovelas e a culinária da Coreia do Sul têm milhões de consumidores no Brasil.

24 Fev 2026

Presidência timorense da ASEAN em 2029 é “grande responsabilidade”, defende Xanana

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a presidência timorense da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), prevista para 2029, é uma grande responsabilidade e vai definir a percepção que a região terá do país.

“Trata-se de uma grande responsabilidade para a nossa nação e para todo o nosso povo. Devemos garantir que correspondemos à confiança em nós depositada pelos nossos parceiros regionais”, afirmou Xanana Gusmão.

O líder do executivo timorense falava na primeira reunião do Conselho Nacional de Organização da Presidência ASEAN (ACNOC), realizada no Ministério das Finanças, em Díli. “Presidir à ASEAN não se resume apenas a acolher reuniões. Trata-se de um teste à capacidade do Estado para coordenar, definir prioridades, orçamentar e executar com disciplina”, salientou Xanana Gusmão.

“Em 2029, o nosso desempenho definirá a forma como a região percepcionará Timor-Leste durante a próxima geração. Em 2029, os olhos do mundo estarão postos em nós. Será, de longe, o maior evento internacional que alguma vez realizámos”, destacou o primeiro-ministro.

Plano em acção

O Conselho de Ministros aprovou no início de Fevereiro a criação do Conselho Nacional para a Organização da Presidência de Timor-Leste da ASEAN em 2029.

Este Conselho Nacional é um órgão central de coordenação interministerial responsável pela orientação estratégica, planeamento, acompanhamento e supervisão de todos os trabalhos preparatórios e da realização da Presidência da ASEAN.

“Neste primeiro encontro decidimos e aprovámos o nosso plano de acção para 2026 e também escolhemos os sectores que precisam de definir a sua liderança para conduzir o processo e os respectivos comités”, afirmou a vice-ministra para os Assuntos da ASENA, Milena Rangel.

Segundo Milena Rangel, os preparativos de Timor-Leste irão abranger questões de protocolo, a definição do tema do país, infraestruturas, comunicação, hospitalidade, entre outros aspectos. Timor-Leste tornou-se estado-membro da ASEAN em Outubro do ano passado.

A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas, que assume actualmente a presidência da organização, e integrada mais tarde pelo Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Myanmar e Vietname.

24 Fev 2026

Coreia do Norte | Xi felicita Kim Jong-un por reeleição como líder do partido no poder

O Presidente da China, Xi Jinping, felicitou ontem o homólogo norte-coreano, Kim Jong-un, pela reeleição como secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, ao mesmo tempo que destacou as “relações amigáveis” entre Pequim e Pyongyang.

Xi destacou na sua mensagem que a reeleição de Kim reflecte a “grande confiança e o apoio sincero” do “partido, do Governo e do povo da Coreia do Norte”, segundo a agência estatal Xinhua, sublinhando que o nono congresso do partido, realizado numa fase que descreveu como “crucial”, se reveste de “importante significado”.

O líder chinês expressou ainda o desejo de que a Coreia do Norte aproveite a ocasião como ponto de partida para impulsionar a agenda política e económica.

A felicitação chega um dia depois de o Partido dos Trabalhadores ter reeleito Kim no quarto dia do congresso, numa sessão em que, segundo a agência norte-coreana KCNA, se destacou a melhoria “radical” da dissuasão bélica do país, com as forças nucleares como seu eixo central. Xi afirmou que a China e a Coreia do Norte são “vizinhos socialistas amigos, que se apoiam mutuamente” e sustentou que manter, consolidar e desenvolver os laços bilaterais é uma política constante de Pequim.

O Presidente chinês indicou que, numa “situação internacional complexa e volátil”, está “disposto” a “fortalecer o bem-estar e a amizade” entre a China e a Coreia do Norte e a “contribuir positivamente para a promoção da paz, estabilidade, desenvolvimento e prosperidade regional e mundial”.

A China continua a ser o principal parceiro comercial da Coreia do Norte, país com o qual partilha uma fronteira de mais de 1.400 quilómetros, num cenário marcado pelas sanções internacionais a Pyongyang e pela crescente cooperação militar norte-coreana com a Rússia.

24 Fev 2026

Racismo | Real Madrid divulga desculpas de Huijsen na China

O Real Madrid publicou na rede social chinesa Weibo uma mensagem de desculpas do seu defesa Dean Huijsen, após uma polémica gerada pela republicação na conta do jogador no Instagram de comentários considerados ofensivos para os cidadãos asiáticos.

“Peço sinceras desculpas aos meus amigos chineses. Anteriormente, reenviei sem intenção um conteúdo que incluía mensagens ofensivas. Foi totalmente involuntário e lamento o mal-estar causado”, diz o texto divulgado em chinês pelo clube madrileno na referida plataforma.

A controvérsia teve origem este fim de semana, quando Huijsen, jogador holandês-espanhol de 20 anos, republicou no Instagram uma imagem que os utilizadores chineses consideraram racista por aludir à forma dos olhos das pessoas asiáticas.

A captura, já apagada da conta do defesa na rede social, mostra uma pessoa de origem asiática e dois comentários de internautas que diziam “até os chineses o chamam de chinês” e “podes vendar-lhe os olhos com fio dental”.

A nota do Real Madrid foi publicada na conta oficial do clube no Weibo, rede social usada principalmente na China, o que provocou reacções críticas entre os fãs chineses, que questionam o alcance do pedido de desculpas e exigem uma declaração pública nas plataformas internacionais ou um vídeo, em vez de um comunicado escrito.

24 Fev 2026

HK | Tribunal da Relação ratifica condenação de doze activistas

O Tribunal da Relação de Hong Kong rejeitou ontem os recursos interpostos por doze activistas, que pretendiam anular as respectivas condenações ou reduzir as penas por conspiração para subverter o poder estatal.

O juiz-presidente do tribunal, Jeremy Poon, ratificou as sentenças proferidas em primeira instância no maior julgamento aberto até à data ao abrigo da Lei de Segurança Nacional, e confirmou a absolvição de um dos 47 arguidos, concluindo que as primárias não oficiais realizadas em Julho de 2020 constituíram uma “arma letal” destinada a conquistar a maioria no Conselho Legislativo, vetar sistematicamente os orçamentos públicos e forçar a demissão do Chefe do Executivo.

Jeremy Poon classificou o plano — idealizado pelo ex-professor de Direito Benny Tai — como “abuso de poder”, proibido pelo artigo 22.º da Lei Básica, e rejeitou como atenuante a alegada “impossibilidade” de sucesso, dada a “volatilidade política” desencadeada pelos protestos em massa de 2019.

O movimento procurava impor cinco exigências: retirada da lei de extradição para a China continental, anulação da qualificação das manifestações enquanto “revoltas”, libertação dos detidos, investigação independente da violência policial e aplicação e a realização de eleições através de sufrágio universal.

As instalações do tribunal foram fortemente protegidas por uma centena de agentes, que instalaram barricadas e controlos rodoviários nas zonas circundantes.

A decisão do juiz-presidente foi ouvida por uma dezena de diplomatas ocidentais presentes na sala, onde os acusados se mostraram calmos, cumprimentando familiares e simpatizantes.

O magistrado validou os 118 dias de julgamento entre Fevereiro e Dezembro de 2023, rejeitou queixas por “intervenção judicial excessiva” e sublinhou o dever dos legisladores de alinharem os fundos públicos com o interesse geral.

Três juízes de primeira instância declararam no final do processo 14 culpados, dando como provadas as respectivas acusações, e ainda mais 31, que admitiram as mesmas. As penas variaram entre quatro anos e dois meses e os dez anos impostos a Benny Tai como líder do movimento.

Campo minado

A sentença inicial considerou a estratégia uma conspiração para “minar gravemente” o Executivo, citando declarações de 2020 de um alto funcionário chinês sobre “forças anti-chinesas”, que pretendiam paralisar o poder legislativo por meio de vetos orçamentais.

Entre os recorrentes destacam-se os ex-deputados Helena Wong, Lam Cheuk-ting, Raymond Chan e Leung Kwok-hung; os ex-vereadores Clarisse Yeung, Kalvin Ho e Tat Cheng, e os activistas Gwyneth Ho, Owen Chow e Gordon Ng. A activista Prince Wong também não conseguiu reduzir a pena de 53 meses de prisão.

Até agora, 18 condenados já cumpriram as respectivas penas. O caso suscitou críticas de países ocidentais e de organizações não-governamentais de direitos humanos, que consideram a Lei de Segurança Nacional um instrumento contra a dissidência.

A lei prevê penas de até prisão perpétua e confere amplos poderes policiais. Desde a sua entrada em vigor, foram registadas mais de 300 detenções e a dissolução de organizações. As autoridades de Hong Kong defendem que o articulado permitiu restabelecer a estabilidade no território.

24 Fev 2026

Burla | Idoso perde 1,6 milhões em esquema ilegal

Um idoso foi burlado em cerca de 1,6 milhões de dólares de Hong Kong, depois de acreditar que estava a investir num alegado esquema de um casino de Macau, que prometia ganhos garantidos aos apostadores.

O caso foi relatado ontem pela Polícia Judiciária (PJ) com o homem a ser atraído para a burla por um contacto que conheceu online. Segundo o burlão, se o idoso jogasse com ele, através de uma aplicação móvel, ia ganhar sempre.

Os jogos decorriam alegadamente num dos casinos locais. Depois de ganhar 2.400 dólares de Hong Kong, após uma aposta de 1.000 dólares de Hong Kong, o homem acreditou que o esquema era verdadeiro e transferiu 870 mil dólares de Hong Kong para uma conta indicada pelo contacto online. No entanto, quando a aplicação começou a indicar ganhos de 2 milhões de dólares de Hong Kong o homem não conseguiu aceder ao dinheiro.

Foi-lhe dito que o acesso estava dependente de mais transferências para a conta, o que o homem fez até acumular perdas de 1,6 milhões de dólares de Hong Kong. Nessa altura, e sem conseguir levantar o dinheiro, apresentou queixa na PJ.

Crime | Pede dinheiro para exibir online e acaba em discussão

Um homem com 26 anos, do Interior, foi detido depois de se ter tentado apropriar de 170 mil dólares de Hong Kong, com a desculpa de que queria fazer um vídeo para se mostrar nas redes sociais. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ) e aconteceu no passado sábado, num casino no Cotai.

Segundo os contornos apresentados, o detido abordou o membro de um grupo de troca de dinheiro, e pediu-lhe autorização para filmar com 170 mil dólares de Hong Kong em fichas e exibir-se nas redes sociais. Em troca, o suspeito prometia trocar dinheiro, mais tarde, no respectivo valor.

No entanto, quando recebeu as fichas o homem tentou fugir, o que levou a uma discussão com a vítima. O caso chamou a atenção da segurança do casino, o que alertou as autoridades, que fizeram a detenção do suspeito. O membro do grupo também está a ser investigado pelo crime de troca ilegal de dinheiro.

CPSP | Mulher detida ao entrar em Macau

Uma mulher do Interior foi detida pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública, depois de se ter apropriado de um telemóvel que encontrou no interior de um autocarro, em Dezembro. O caso foi divulgado ontem, e a mulher foi detida na quinta-feira, quando tentou entrar em Macau através das Portas do Cerco. Questionada pelas autoridades, a mulher reconheceu o crime, que justificou com “ganância momentânea”.

A detida confessou também que o telemóvel estava a ser utilizado no Interior e que no regresso a Macau não trouxe o resto do equipamento. Por sua vez, a proprietário do telemóvel, uma turista, igualmente do Interior, avaliou o objecto em cerca de 4.500 patacas, quando apresentou queixa sobre a perda.

O caso foi remetido para o Ministério Público e a mulher está indiciada pelo crime de apropriação ilegítima em caso de acessão ou de coisa achada, que implica uma pena de prisão que pode chegar a um ano.

24 Fev 2026

CEM | Instalação de cabos afecta vias e estacionamentos

A instalação de cabos e condutas, bem como ajustes em parques de estacionamento de motociclos a cargo da CEM, Macao Water e Direcção Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), vão levar ao encerramento temporário de várias vias e locais de estacionamento.

O estacionamento vai ser proibido em parte dos lugares com parquímetro na Rua da Alegria e na Rua de Brás da Rosa, entre 22 de Fevereiro e 14 de Março; nos lugares de estacionamento para motociclos, lugares reservados a veículos de pessoas com deficiência e zonas de cargas na Travessa do Bem-Estar e parte dos lugares de estacionamento com parquímetro na Rua de Brás da Rosa entre 22 de Fevereiro e 24 de Março; e ainda em parte dos parquímetros, lugares para motociclos e zona de cargas/descargas na Rua de Tomé Pires, 14 e 24 de Março.

Entre 23 e Fevereiro e 14 de Março, o trânsito vai ser limitado no troço da Rua da Alegria entre a Rua de Brás da Rosa e o Beco dos Ferreiros; no troço da Travessa do Bem-Estar entre a Rua de Brás da Rosa e a Rua de Tomé Pires e no troço da Rua de Brás da Rosa perto do Jardim Cheong Meng.

No dias de 15 a 24 e Março, o troço da Rua de Tomé Pires entre a Rua de Brás da Rosa e a Rua de Tomé Pires e o troço da Travessa do Bem-Estar entre a Avenida do Almirante Lacerda e a Travessa do Bem-Estar vão estar encerrados ao trânsito.

24 Fev 2026

DSAL | Melco oferece mais de 60 vagas para recepcionista e porteiro

Abriram hoje as candidaturas ao “Plano de Práticas de Operação Hoteleira da Melco Resorts & Entertainment”, que irá disponibilizar 62 vagas de emprego, 15 para recepcionista, duas para concierge, cinco para empregado do centro de atendimento ao cliente e 40 para encarregado de concierge.

Segundo informação divulgada ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), o plano de emprego segue o conceito “primeiro contratação, depois formação”.

Os candidatos admitidos receberão formação durante dois anos, providenciada pela Melco, sobre conhecimento do hotel, serviços e operação do balcão de atendimento, competências interdepartamentais. No final, os formandos recebem um certificado do sistema de reconhecimento de competências profissionais de Macau.

As inscrições vão estar abertas até 6 de Março e as candidaturas podem ser apresentadas através do portal da DSAL. Para o dia 10 de Março, está marcada uma palestra para dar a conhecer o conteúdo da formação e do plano de desenvolvimento da carreira profissional. As entrevistas terão lugar após a palestra.

24 Fev 2026

Segurança nacional | Defendida base jurídica da ausência de defesa

Wang Yu, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, defendeu num artigo de opinião do jornal Ou Mun que está bem sustentado juridicamente o facto de não se poder recorrer das decisões e pareceres da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM.

A proposta de lei para a sua reformulação está actualmente em análise na especialidade na Assembleia Legislativa.

O académico defende ainda que a ausência de recurso tem fundamento constitucional, referindo os casos de França e dos EUA, onde existe um regime em que os tribunais não têm jurisdição sobre litígios decorrentes de questões políticas. Este defende ainda que, no mundo, existe um consenso geral sobre o facto de os actos altamente políticos não poderem ser processados em tribunais comuns.

Wang Yu falou ainda da lei de bases da organização judiciária de Macau, que determina estarem “excluídas do contencioso administrativo, fiscal e aduaneiro as questões” do foro político, bem como os “actos praticados no exercício da função política e responsabilidade pelos danos decorrentes desse exercício”. Tal significa, para o professor, que os tribunais não podem tratar actos decorrentes do exercício de funções políticas.

24 Fev 2026