Hoje Macau SociedadeNova associação quer contribuir para o estudo de direito em Macau A Associação de Estudos Jurídicos de Macau e Portugal nasceu para dar vida a uma mega empreitada, a publicação do Código de Processo Civil de Macau anotado, e, mais tarde, de obras “fora dos temas mais badalados”. David Sá Machado, advogado português a trabalhar em Macau, é o ideólogo daquela que vai ser a primeira versão anotada, publicada na íntegra, do Código de Processo Civil da região semiautónoma chinesa. Os três volumes, com a contribuição de cerca de 60 autores, entre “advogados, magistrados, professores académicos, assessores e outros juristas de Portugal e Macau”, deverão ver a luz do dia ainda este ano, explica à Lusa o responsável, notando que se encontram em fase de revisão. “Havendo alterações ao código em vista, podemos atrasar um pouco”, acrescenta. Para facilitar a publicação da obra, “uma mais-valia” que pretende ser uma “contribuição para o direito em Macau”, foi criada a Associação de Estudos Jurídicos de Macau e Portugal. “Depois outros projectos vão surgir”, refere à Lusa Sá Machado, presidente da associação, indicando a intenção de, no futuro, organizar “iniciativas mais pedagógicas e mais didácticas”. Ainda sobre este projecto de cerca de três mil páginas e com coordenação de duas mulheres – Maria José Capelo, professora associada da faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e Teresa Leong, magistrada aposentada de Macau – o advogado nota que vai ser produzido em português, embora se projecte também uma versão chinesa, já que “o público-alvo são os juristas de Macau”. “Um código anotado deve servir para esclarecer o leitor dos vários sentidos interpretativos das normas e, se calhar, acrescentar alguma coisa do ponto de vista do direito a constituir”, indica. “Penso que enriquece sempre qualquer ordenamento jurídico”, acrescenta Versões existentes Macau conta com versões anotadas do Código Civil, do Código Penal e do Código de Processo Penal, sendo que chegaram a ser publicados, entre 2006 e 2008, os dois primeiros volumes do Código de Processo Civil anotado e comentado de autoria de Cândida da Silva Antunes Pires e Viriato de Lima. A obra, porém, ficou por concluir, lembra o advogado. Sá Machado, também um dos autores, defende a importância do projecto: “Estamos sempre a recorrer aos códigos de Portugal, às anotações de Portugal. Ficamos com uma coisa nossa”. Ainda sobre o trabalho, que vai ser publicado em Portugal pela Edições Almedina – depois de feitas “algumas abordagens em Macau, informalmente” -, o advogado diz que “gostava que fosse uma obra de referência”.
Hoje Macau InternacionalUE / EUA | Macron pedirá mecanismo anti-coerção se Trump impuser sobretaxas Emmanuel Macron, que esteve ontem “em contacto o dia todo com os homólogos europeus”, pedirá “a activação do instrumento anti-coerção” da UE se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Donald Trump forem executadas, informou fonte próxima do Presidente francês. Esta ferramenta, cuja implementação requer a maioria qualificada dos países da União Europeia, permite, entre outras medidas, o congelamento do acesso aos mercados públicos europeus ou o bloqueio de certos investimentos. As ameaças comerciais norte-americanas “levantam a questão da validade do acordo” sobre tarifas alfandegárias concluído entre a União Europeia e os Estados Unidos em Julho passado, observou fonte próxima do líder gaulês. Entretanto, Berlim anunciou que irá coordenar com os parceiros europeus a reacção da UE, caso as sobretaxas de Trump se concretizem. O porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, disse que a Alemanha “tomou nota” do anúncio de Trump de impor tarifas aos países europeus que enviaram soldados para a Gronelândia e que coordenará a sua reacção com os outros parceiros europeus. O Governo alemão tomou nota do que foi expresso pelo Presidente dos EUA. O Governo está em contacto próximo com os parceiros europeus. “No seu momento decidiremos sobre as sanções adequadas”, disse Kornelius na sua conta do X. Até ontem, no fecho desta edição, nem o chanceler, Friedrich Merz, nem nenhum dos seus ministros se tinham pronunciado. Muda de rumo Na Alemanha, da parte das empresas privadas, houve reacções e, por exemplo, o presidente da Patronal, Dirk Jandura, disse, em declarações recolhidas pelo jornal Handelsblatt, que se a imposição de tarifas se tornar uma arma política, no final só haverá perdedores. O director do Instituto de Estudos Económicos de Berlim, Marcel Fratzscher, defendeu que era hora de a UE e a Alemanha fortalecerem as cooperações globais com a China e outros parceiros para enfrentar Trump. “A Europa cedeu permanentemente a Trump no conflito comercial em vez de defender os seus próprios interesses e o multilateralismo. O erro está a ser pago agora porque Trump viu a fraqueza da Europa”, disse ao Handelsblatt. Donald ameaça O líder americano, Donald Trump, ameaçou no sábado vários países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”. Esta sobretaxa de 10 por cento, que recai sobre os países que enviaram soldados para a Gronelândia, entrará em vigor a partir de 01 de Fevereiro e poderá subir para 25 por cento em 01 de Junho, disse Trump. Donald tem reiterado a intenção de os Estados Unidos assumirem o controlo da Gronelândia, “a bem ou a mal”. A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca, estrategicamente localizado no Ártico, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.
Hoje Macau China / ÁsiaSuspeitos de enviar drones para Coreia do Norte trabalhavam em gabinete de ex-líder do Sul Dois civis suspeitos de estarem envolvidos nos recentes envios de drones para a Coreia do Norte trabalhavam no gabinete do ex-presidente Yoon Suk-yeol, de acordo com uma investigação publicada ontem pela agência de notícias local Yonhap. A notícia foi divulgada numa altura em que está a ser levada a cabo uma investigação em Seul em resposta às acusações de Pyongyang sobre a presença de drones na Coreia do Norte, em Setembro de 2025 e no início deste ano. O primeiro suspeito, um homem com cerca de 30 anos, que aparentemente só terá trabalhado no fabrico do drone, foi durante o Governo de Yoon supervisor de notícias no gabinete do porta-voz presidencial, de acordo com a agência. O outro suspeito, igualmente na casa dos 30 e também com trabalho desempenhado no complexo presidencial durante o governo Yoon, afirmou publicamente ter operado os drones, numa entrevista transmitida na sexta-feira pelo canal local Channel A. O suspeito está neste momento a fazer estudos de pós-graduação em jornalismo numa universidade particular em Seul. Os dois suspeitos estudaram na mesma universidade e fundaram uma empresa de fabrico de drones em 2024, ainda de acordo com a Yonhap. A investigação não especifica os anos exactos em que trabalharam para Yoon, que iniciou o mandato em Maio de 2022 e terminou em Abril do ano passado, depois de ter sido destituído pela breve declaração de lei marcial, em Dezembro de 2024. Yoon Suk-yeol, actualmente em prisão preventiva, enfrenta acusações de abuso de poder e outros crimes relacionados com o suposto envio de drones para a Coreia do Norte, para disseminar propaganda anti-Pyongyang. O Ministério Público alega que o então presidente ordenou a operação para provocar uma reacção do país vizinho e justificar a imposição da lei marcial. Voos da discórdia A Coreia do Norte acusou o Sul na ONU, em Fevereiro do ano passado, de enviar drones em Outubro de 2024 para espalhar propaganda sobre a capital Pyongyang. O trabalho da Yonhap indica ainda que o primeiro suspeito já foi interrogado na sexta-feira pela equipa de investigação das forças armadas e da polícia sul-coreanas. O homem terá sido denunciado às autoridades em Novembro por pilotar um drone não registado na área de Yeoju, a cerca de 70 quilómetros a sudeste de Seul, sendo que o modelo do aparelho coincidia com o que a Coreia do Norte alega ter abatido na mais recente denúncia. Em entrevista a um canal local, o segundo suspeito disse que, desde Setembro do ano passado, realizou diversos voos sobre a Coreia do Norte e que o objectivo era medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados numa fábrica de urânio perto do rio Ryesong, em território norte-coreano. A Coreia do Norte denunciou em 10 de Janeiro que drones sul-coreanos sobrevoaram o território em Setembro do ano passado e novamente em 04 de Janeiro deste ano. O Governo do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, negou que os drones fossem aeronaves militares e iniciou uma investigação esta semana, sem descartar a possibilidade de envolvimento de civis. A acusação norte-coreana foi uma surpresa, visto que Lee tinha declarado à agência de notícias EFE, em Dezembro, que Seul poderia ter de pedir desculpa a Pyongyang pelos supostos voos com drones durante a presidência de Yoon.
Hoje Macau China / Ásia MancheteDiplomacia |Relações “saudáveis e estáveis” serve interesses de China e Canadá A visita do líder do governo canadiano à China marcou o regresso do entendimento saudável entre as duas nações após um período de tensões e divergências. O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que o desenvolvimento de relações “saudáveis e estáveis” com o Canadá serve os interesses de ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro canadiano. Xi reuniu-se em Pequim com Mark Carney, naquela que é a primeira visita de um chefe de Governo canadiano ao país em quase uma década e que visa normalizar as relações bilaterais, que atravessaram períodos de tensão nos últimos anos, devido a disputas diplomáticas e comerciais. Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, Xi afirmou que o “desenvolvimento saudável e estável” das relações entre a China e o Canadá “corresponde aos interesses comuns de ambos os países” e contribui para “a paz, estabilidade e prosperidade mundiais”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV. O líder chinês destacou que o contacto prévio entre ambos, em Outubro, à margem de uma cimeira na Coreia do Sul, deu início a uma nova fase de aproximação. Xi apelou à construção de “um novo tipo de parceria estratégica” capaz de colocar os laços entre Pequim e Otava numa trajectória “sustentável e duradoura”. Carney agradeceu a recepção e manifestou a vontade do Canadá de trabalhar com a China “com base na boa cooperação passada”, para desenvolver uma relação estratégica adaptada ao actual contexto internacional e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a região do Pacífico. Na véspera, o primeiro-ministro canadiano reuniu-se com o homólogo chinês, Li Qiang. Os dois abordaram temas como cooperação económica, energia e comércio, e testemunharam a assinatura de vários acordos nas áreas aduaneira e comercial. Laços reforçados Segundo a CCTV, Carney reiterou o interesse do Canadá em reforçar a cooperação nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos, bem como o compromisso com o multilateralismo e o sistema de comércio internacional. Li Qiang defendeu o alargamento da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura moderna, tecnologias digitais e indústria aeroespacial. Também à margem da visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhando a necessidade de eliminar interferências e fortalecer a confiança mútua para promover uma relação “estável, sólida e saudável”. A visita de Carney é a primeira de um primeiro-ministro canadiano à China desde a deslocação de Justin Trudeau em 2017, e ocorre num contexto de crescente instabilidade no comércio internacional, com Otava a procurar diversificar as parcerias económicas.
Hoje Macau Manchete SociedadeNatalidade | Igualdade e equilíbrio entre vida e trabalho essenciais Uma académica da UPM considera que Macau deve legislar licenças parentais iguais, promovendo a igualdade de género e o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, que afirma serem factores essenciais para reverter a baixa da natalidade. “O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é um factor chave para impulsionar a taxa de fertilidade”, afirmou à Lusa Lok Cheng, académica da Universidade Politécnica de Macau (UPM) que estuda políticas públicas. A investigação de Lok, que compara as políticas parentais de Macau com as de países como Alemanha, Suécia e Estados Unidos, apoia esta conclusão. Macau registou a taxa de natalidade mais baixa do mundo em 2024 e o número mais reduzido de nascimentos em quase 50 anos em 2025, disse, no início do ano, o director substituto do hospital público de Macau, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau. Este declínio persistiu apesar de um orçamento revisto aprovado no ano passado para reforçar apoios sociais, incluindo subsídios para pais com crianças até três anos, aumentos dos abonos de natalidade e subsídios de casamento. Macau oferece actualmente 70 dias de licença de maternidade e apenas cinco dias de licença de paternidade para trabalhadores do sector privado (no público são 90 dias para as mães e cinco para os pais), lembrou a especialista: “Menos do que os 98 dias recomendados pela Organização Internacional do Trabalho”, referiu. Esta disparidade, argumentou Lok, reforça a ideia de que as mulheres têm a principal responsabilidade pelos recém-nascidos, o que também tem impacto na carreira profissional. “Aceitámos tacitamente que as mulheres têm uma responsabilidade maior no cuidado dos recém-nascidos, e isso reflecte-se no local de trabalho”, continuou. Olhar para fora Em contraste, a especialista, que também é funcionária pública, aponta para políticas europeias. “A Suécia tem uma política parental bem estabelecida e registou um aumento na taxa de natalidade no início dos anos 2000”, disse. “Tanto a Alemanha como a Suécia proporcionam licenças de maternidade mais longas e estão a promover activamente a participação do pai”, reforçou. Lok explicou que a Suécia oferece mais de 300 dias de licença parental partilhada, sendo 90 dias reservados exclusivamente para o pai. “Macau actualmente não tem regulamentação relevante quanto ao pai”, observou a académica, sugerindo que a região poderia aprender com este modelo para implementar uma licença parental igualitária e “promover a igualdade de género no local de trabalho”. Tal política, disse, ajudaria as famílias a partilhar o cuidado das crianças e “eliminaria o preconceito de género que coloca as mulheres como as principais cuidadoras”. “Este preconceito é prejudicial para o desenvolvimento profissional das mulheres”, avaliou. De acordo com os últimos dados oficiais da Base de Dados das Mulheres de Macau, o salário médio mensal da população feminina em 2024 era de 16.800 patacas, inferior às 19.300 patacas auferidas pelos homens. Lok explicou que muitas mulheres hesitam em ter filhos, receando o aumento dos deveres familiares e a estagnação das carreiras. Mas quando o cuidado das crianças é partilhado, “isso pode aumentar a vontade de ter filhos e reduzir os custos associados”. Tal mudança também beneficiaria as mulheres profissionalmente, acrescentou. Se os deveres parentais forem distribuídos de forma mais igualitária, “as empresas estariam menos preocupadas com o género ao contratar mulheres em idade fértil, e as mulheres poderiam prosseguir carreiras em pé de igualdade”. Lok reconheceu que pode ser um desafio para Macau adoptar um sistema como o da Suécia, mas é necessário “avançar gradualmente”. “O primeiro passo é aumentar a licença de maternidade para 98 dias, de acordo com o padrão internacional”, concluiu.
Hoje Macau SociedadeOne Oasis | Pedido adiamento de entrada em vigor de nova lei O condomínio do complexo habitacional One Oasis vai entrar em contacto com a administração para tentar adiar a entrada em vigor da nova lei que proíbe a contratação de serviços de agências de turismo para transporte de moradores do edifício. A decisão foi tomada na sexta-feira, depois de uma reunião de condomínio que contou com a participação de mais de 120 pessoas, incluindo representantes das empresas de transportes públicos, e a solução visa ganhar tempo para implementar outras medidas. A polémica com os serviços shuttle dos edifícios surgiu depois do Governo ter proposta uma lei, aprovada pela Assembleia Legislativa no ano passado, por unanimidade, que veio esclarecer o tipo de serviços que podem ser prestados pelas agências de turismo. Como consequência, o Executivo prometeu uma campanha contra estas agências quando disponibilizam o serviço de shuttle bus para prédios habitacionais. Num comunicado, a Direcção de Serviços de Turismo também indicou que a lei não vem mudar nada, e que a proibição já existia. A mudança de lei apanhou muitos residentes desprevenidos. A reunião do condomínio de quinta-feira do One Oasis visou procurar uma solução para o problema. O caminho passa assim por contratar uma das únicas duas empresas que passam a poder disponibilizar o serviço. A Transmac cobra 420 patacas por cada viagem de autocarro, com um veículo com 22 lugares sentados e 38 de pé, uma média 7,1 patacas por pessoa. A TCM não apresentou um orçamento a tempo da reunião. No entanto, o condomínio considerou que precisa de mais tempo para aplicar o novo modelo, e procura obter um adiamento da entrada em vigor da nova lei por parte do Governo.
Hoje Macau SociedadeMacau Legend | Governo cabo-verdiano toma posse de hotel-casino O Governo cabo-verdiano anunciou na sexta-feira que tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a operadora Macau Legend, que enfrenta dificuldades financeiras, começou a construir na capital, Praia, mas abandonou há anos. A posse concretizou-se na sexta-feira, concluindo o processo de reversão relativo ao projecto que teve por base um memorando de entendimento assinado com o Estado, em 2014, para “investimento turístico-imobiliário, na Baía da Cidade da Praia, incluindo o Ilhéu de Santa Maria e a praia da Gamboa”, informou o Governo. Em comunicado, o executivo reiterou que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores. Em 2015, o empresário macaense David Chow anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021. No final de 2023, o presidente da Macau Legend, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e Camboja. Actualmente, existem apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Receitas VIP subiram 24,1% ao longo de 2025 As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, subiram 24,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. O jogo bacará VIP atingiu receitas de 68 mil milhões de patacas no ano passado, revelou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Só no último trimestre, as receitas das grandes apostas aumentaram 45 por cento em comparação com o período entre Outubro e Dezembro de 2024, para 20,3 mil milhões de patacas. No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas em 2025 ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento. As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021. O antigo director executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem vindo a recuperar e atingiu a marca de 30 no final de Julho, número que se mantinha na mais recente actualização, em 15 de Dezembro. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50. Número a aumentar Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, aumentaram 3,4 por cento em 2025, para 137,9 mil milhões de patacas. O bacará de massas representou 57,7 por cento do total das receitas dos casinos no território no ano passado, sendo de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses. As receitas das máquinas de jogos aumentaram 7,3 por cento em comparação com 2024, para 13,9 mil milhões de patacas. Em 2025, os casinos de Macau registaram receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento. O Governo de Macau tinha previsto, no orçamento inicial para 2025, receitas do jogo de 240 mil milhões de patacas, o que representaria um aumento de 6 por cento em comparação com o ano anterior. Mas, em 11 de Junho, a Assembleia Legislativa aprovou um novo orçamento, proposto pelo Executivo, que reduziu em 4,56 mil milhões de patacas a previsão para as receitas públicas. O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, admitiu aos deputados que o corte se deveu ao facto de as receitas brutas do jogo no primeiro trimestre de 2025 terem “ficado ligeiramente abaixo do previsto”.
Hoje Macau Manchete PolíticaEleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico. Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar. Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara. Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador. “É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota. Pretensão antiga A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”. Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”. E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza. Sentir à distância De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática. Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher. Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança. À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma. Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).
Hoje Macau PolíticaSaúde | Reunião junta autoridades de Macau, Hong Kong e Interior da China Na passada quinta-feira, a RAEM acolheu a 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau, onde se discutiu a formação de quadros qualificados, a saúde comunitária e o desenvolvimento dos cuidados de saúde inteligentes. A reunião juntou mais de 70 altos quadros da administração de saúde e especialistas médicos dos três territórios também com os objectivos de “aprofundar o intercâmbio, a partilha de experiências e a discussão sobre o futuro rumo de cooperação”, indicaram na sexta-feira os Serviços de Saúde. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, salientou que o Governo da RAEM irá dar implementar a estratégia de dar “prioridade à saúde” contemplada no “Décimo Quinto Plano Quinquenal Nacional” e executar o “Plano de Acção para Macau Saudável”, integrando os elementos de saúde física e mental nas políticas públicas. A dirigente salientou também o arranque do programa “Estação de Bem-estar e Saúde”, para aproveitar os recursos de saúde dos bairros comunitários. Cumprindo a iniciativa nacional “Ano de gestão do peso”, O Lam afirmou que serão “aumentados os postos de auto-exame da saúde comunitária” e os residentes serão incentivados a “ser os ‘primeiros responsáveis’ pela sua própria saúde”.
Hoje Macau China / ÁsiaTailândia | Novo colapso de guindaste faz dois mortos e um ferido Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após um guindaste ter caído sobre uma estrada, nos arredores da capital da Tailândia, um dia depois de um incidente semelhante que fez pelo menos 32 mortos. “Duas pessoas morreram e uma ficou ferida”, disse o polícia Saranyapong Aonsingh à agência de notícias EFE, acrescentando que os agentes de segurança estavam no local do acidente, onde estava a ser construído um viaduto. De acordo com relatos dos serviços de resgate e bombeiros tailandeses na rede social Facebook, o guindaste colapsou por volta das 09:15, por razões ainda desconhecidas, num estaleiro de construção na autoestrada Rama II, na província de Samut Sakhon, nos arredores de Banguecoque, atingindo dois automóveis. Este acidente aconteceu um dia depois de um outro guindaste ter caído sobre um comboio de passageiros, com 171 pessoas a bordo, no nordeste da Tailândia, causando pelo menos 32 mortos e mais de 50 feridos. Em ambos os casos, os projectos estavam ligados à empresa local Italian-Thai Development, de acordo com o ministro dos Transportes tailandês, Phiphat Ratchakitprakarn, numa entrevista concedida hoje a uma televisão. “Não sabemos exactamente o que aconteceu à empresa (…). Se a situação se mantiver, poderemos ter de anunciar uma paragem temporária de todas as suas operações em todo o país”, acrescentou.
Hoje Macau EventosFAM | IC acolhe propostas para nova edição do festival O Instituto Cultural (IC) está a acolher propostas de espectáculos e iniciativas que possam ser integradas na 36ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que se realiza entre os meses de Maio e Junho deste ano. Segundo um comunicado, a ideia é proporcionar oportunidades a personalidades artísticas e organizações locais. “Ao longo dos anos, o FAM tem procurado incentivar o desenvolvimento das artes locais e disponibilizar uma plataforma de qualidade para a apresentação e o intercâmbio das artes performativas em Macau”, descreve o IC numa nota. Pretende-se, com o FAM, “expandir a plataforma de exibição das artes performativas locais e incorporar mais trabalhos criativos com características locais”. Para a edição deste ano, o tema é “Encontro Cultural na Rota Marítima da Seda”, convidando-se os participantes a “inspirarem-se no património cultural único de Macau”, para apresentar obras centradas no território ou “que incorporem elementos específicos da cidade, como a arquitectura histórica, figuras notáveis, locais e contos populares, explorando o encanto distinto da cidade”. As propostas a concurso devem integrar-se em duas categorias, nomeadamente “Programas Individuais”, que incorpora “todos os géneros de espectáculos, como teatro, ópera cantonense, dança, espectáculos infantis e artes performativas multimédia”. Nesta categoria, o IC encoraja “a inovação e avanços criativos na criação artística”. Por sua vez, a segunda categoria, “Mostra de Espectáculos ao Ar Livre” consiste num “programa comunitário popular que procura apresentações ao ar livre para toda a família e em formatos variados”. Os programas seleccionados pelo IC irão receber apoio financeiro para suportar os custos de produção. As associações locais e indivíduos interessados devem inscrever-se até ao dia 10 de Fevereiro. Os candidatos aprovados na primeira fase de selecção deverão comparecer a uma entrevista com o júri nesse mesmo mês.
Hoje Macau EventosCCM | Musical “Operação Oops!” apresentado no final do mês O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau acolhe, entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, o musical “Operação Oops!”, baseado no romance homónimo do dramaturgo Lawrence Lei I Leong, natural de Macau. O elenco tem como protagonista Jordan Cheng, que venceu o galardão de “Melhor Actor” na 31.ª edição dos Prémios de Teatro de Hong Kong Macau recebe no final do mês um novo espectáculo que decorre no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) e que nasce de uma encomenda do Instituto Cultural (IC) no contexto do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas 2024-2026”. Trata-se do musical “Operação Oops!”, que sobe ao palco entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro. Segundo uma nota do IC, trata-se de uma adaptação do romance homónimo do dramaturgo local Lawrence Lei I Leong, e conta com diversas figuras do teatro já premiadas e com provas dadas no mundo do espectáculo. A música do espectáculo, por exemplo, foi composta por Leon Ko, que já venceu um Cavalo Dourado nos prémios de cinema de Taiwan em 2005, pela banda sonora do filme “Perhaps Love”. Além disso, o público poderá ver de perto o trabalho de interpretação de Jordan Cheng, protagonista do “dinâmico elenco”, natural de Macau e que foi homenageado como “Melhor Actor” nos 31.º Prémios de Teatro de Hong Kong. Por sua vez, o espectáculo será dirigido por Fong Chun Kit, uma das mentes criativas do Teatro Repertório de Hong Kong, enquanto a coreografia é concebida pela criadora de dança local Florence Cheong. “Subir na vida” “Operação Oops!” conta a história de um grupo de pessoas que não consegue orientar-se na vida nem ter estabilidade, e que, “desapontados com os preços exorbitantes das rendas, decidem raptar um promotor imobiliário”, descreve a sinopse do espectáculo. Porém, nem tudo corre como planeado, e “frustrados pela ocorrência de uma série de infelizes peripécias, o grupo vê o seu plano de rapto sem orçamento entrar numa espiral caótica”. Assim, “entre discussões e picardias constantes”, o público é levado a perceber como é que toda essa confusão irá acabar. “Ilustrando uma história deliciosamente absurda ao som de cativantes melodias, num constante tom satírico e humorístico, ‘Operação Oops!’ envolve o público de forma surpreendentemente profunda”, como “descobrir sabedoria num divertido biscoito da sorte”, lê-se ainda na sinopse. A par das apresentações do espectáculo, o IC “irá convidar representantes de várias entidades de produção teatral, companhias e festivais de arte do Interior da China e regiões vizinhas para se deslocarem a Macau a fim de promover intercâmbios e realizar uma ‘Sessão de Apresentação do Programa Local'”, descreve-se em comunicado. O objectivo é “criar uma plataforma de promoção de obras originais do sector das artes performativas de Macau e explorar oportunidades de colaboração”. Esta sessão tem lugar dia 1 de Fevereiro, às 15h15, no Estúdio I do CCM e decorre em mandarim sem tradução, estando aberta a associações ou companhias ligadas às artes performativas, legalmente registadas em Macau, ou a indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que sejam residentes do território. As inscrições abrem hoje e decorrem até ao dia 27 de Janeiro.
Hoje Macau China / Ásia MancheteCanadá | Primeiro-ministro Mark Carney de visita a Pequim Depois de anos marcados por incidentes diplomáticos e divergências, a viagem do primeiro-ministro canadiano à China é encarada como um novo capítulo nas relações entre as duas nações A visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em oito anos, é vista por ambos os países como o início de uma nova fase nas relações bilaterais. Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia Wang Yi considerou a visita de Carney como “ponto de viragem” com potencial para abrir “novas perspectivas” na relação entre Pequim e Otava. A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Anita Anand, que se reuniu ontem com Wang, afirmou que Carney pretende “definir o rumo para o desenvolvimento das relações” e retomar o diálogo em múltiplos domínios, segundo a mesma nota. Carney, que assumiu funções há 10 meses, tenta restabelecer laços com Pequim depois de um período marcado por divergências, que inclui a detenção, em 2018, da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA, e a imposição de tarifas mútuas sobre produtos estratégicos como veículos eléctricos, aço, alumínio, canola e produtos do mar. O primeiro-ministro canadiano reuniu-se ontem com o homólogo chinês, Li Qiang, e deverá encontrar-se com o Presidente Xi Jinping amanhã. Factor Trump A missão ganha urgência num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, agravou as tarifas sobre exportações canadianas. Actualmente, mais de 75 por cento das exportações do Canadá têm como destino os Estados Unidos. Carney definiu como meta duplicar as exportações canadianas para fora do mercado norte-americano na próxima década. “Estamos prontos para construir uma nova parceria, assente no melhor do nosso passado e preparada para os desafios do presente”, escreveu Carney na rede X após a chegada a Pequim, na quarta-feira à noite. As tarifas aplicadas pelo Canadá em 2024, sob o Governo de Justin Trudeau, seguiram o exemplo dos EUA e impuseram taxas de 100 por cento sobre veículos eléctricos chineses e 25 por cento sobre aço e alumínio. Em resposta, Pequim aplicou tarifas de 100 por cento ao óleo e farelo de canola canadianos, 75,8 por cento às sementes de canola e 25 por cento à carne de porco e aos produtos do mar, praticamente encerrando o mercado chinês a estas exportações, segundo fontes do sector. A China tem expressado esperança de que a pressão económica exercida por Trump leve aliados dos EUA, como o Canadá, a adoptar uma política externa mais autónoma. Pequim acusa frequentemente Washington de formar alianças para isolar a China, uma linha de crítica comum sob as administrações de Joe Biden e de Trump. As relações entre os dois países deterioraram-se gravemente em 2018, quando Meng Wanzhou foi detida no Canadá a pedido dos EUA. A China retaliou com a detenção de dois cidadãos canadianos por alegada espionagem, num episódio que congelou o diálogo diplomático durante mais de dois anos.
Hoje Macau Via do MeioPoemas de Meng Haoran 孟浩然 (689-740) 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 春初漢中漾舟 羊公峴山下 神女漢皋曲 雪罷冰復開 春潭千丈綠 輕舟恣來往 探翫無厭足 波影搖妓釵 沙光逐人目 傾杯魚鳥醉 聯句鶯花續 良會難再逢 日入須秉燭 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Tradução Rui Cascais Vogando no Rio Han ao Começar a Primavera À ilharga do Monte Xian de Lorde Yang Hu, [1] Num meandro do Han, dito das donzelas celestes,[2] Agora que a neve cessou e o gelo se abre de novo, Por águas de Primavera verdes e longas, O meu barco vai onde quer, Buscando prazer sem fadiga ou tédio. Há reflexos de ondas no cabelo da concubina E o brilho das areias queima-nos a visão. Inclinamos as taças – estão ébrios os peixes e as aves; Encadeamos versos – papa-figos e flores imitam-nos. Encontros destes são difíceis de repetir; Quando o sol se retira, devemos pegar numa vela.[3] [1] Yang Hu foi governador militar da cidade de Xiangyang em meados do século III. No Monte Xian, alguns quilómetros a sul da cidade, e sobranceira ao Rio Han, existia uma estela em sua homenagem. [2] Diz-se que um tal Zheng Jiaofu teria encontrado aqui duas donzelas que se banhavam e lhe ofereceram os seus pendentes quando se despediram. Voltando-se para trás, Zheng reparou, com sobressalto, que haviam desaparecido sem rasto, concluindo que se tratavam de seres sobrenaturais. [3] Referência a uma copla da dinastia Han tardia: “Curto é o dia, longa a noite amarga. /Melhor pegar numa vela e irmos folgar”. 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 宿來公山房期丁大不至 夕陽度西嶺 群壑倏已暝 松月生夜凉 風泉滿清聽 樵人歸欲盡 煙鳥棲初定 之子期宿來 孤琴候蘿逕 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Tradução Rui Cascais Pernoito e Espero na Casa de Montanha de Lai, mas o Velho Ding Não Chega[1] A incandescência do sol já só lambe a cumeeira a ocidente; As inúmeras ravinas de súbito cinzeladas a negro. Atrás de um pinheiro a lua traz o fresco da noite; Soa uma nascente batida pelo vento, derramando limpidez. Regressando a casa, já quase se foram os lenhadores; Pássaros nevoentos pousam agora nos galhos. Vim ter contigo nesta noite combinada – Uma cítara solitária, vigiando a vereda que as trepadeiras tolhem. [1] Há aqui um jogo óbvio, mas delicioso, entre lái (來, o verbo “vir”, neste caso feito nome do proprietário da casa na montanha) e zhì (至, o verbo “chegar”).
Hoje Macau SociedadeSMG | Alerta para frio na próxima semana e tufão nas Filipinas Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) avisaram ontem que na próxima semana Macau irá ficar novamente sob a influência de uma monção de Inverno, a partir de quarta-feira, que vai arrefecer o território com as temperaturas mínimas a cair para, pelo menos, 12º celsius. O mesmo fenómeno vai resultar em dias de sol, fazendo com que os dias sejam quentes, e as noites frias, com as diferenças térmicas a serem “bastante significativas”. As autoridades indicaram também que uma área de baixa pressão, situada a leste das Filipinas, evoluiu para uma tempestade tropical, “com potencial para se tornar na primeira tempestade tropical, deste ano”. A tempestade, baptizada como “Nokaen” tem probabilidades “bastante baixas” de entrar no Mar do Sul da China e afectar Macau. Os SMG referem que, embora Janeiro seja um mês de Inverno no hemisfério Norte, as temperaturas da superfície do mar no noroeste do Oceano Pacífico permanecem relativamente altas (iguais ou superiores a 28º). De acordo os SMG, desde o início dos registos em 1968, o mês mais precoce em que foram emitidos sinais de ciclones tropicais em Macau foi Abril.
Hoje Macau Manchete SociedadeEconomia | Associação Económica alerta para dificuldades em bairros Casinos com mais receitas e bairros residenciais em que as pequenas e médias empresas enfrentam cada vez mais dificuldades. É este o estado esperado da economia local até Março, de acordo com a previsão mais recente da Associação Económica de Macau Até Março, a economia do território deverá manter-se estável, de acordo com o Índice de Prosperidade mais recente da Associação Económica de Macau, publicado ontem. De acordo com um comunicado da associação, que teve como autor o deputado Joey Lao, a estabilidade não impede que os bairros residenciais atravessem mudanças complicadas. Segundo a previsão, espera-se um desenvolvimento económico desequilibrado, com o ambiente de negócios nos bairros comunitários a sofrer uma mudança “complicada”. Neste contexto, prevê-se que o crescimento da economia se deva quase exclusivamente ao sector do jogo e aos grandes empreendimentos turísticos, enquanto as pequenas e médias empresas (PME) deverão continuar a atravessar um período de sofrimento. Ao mesmo tempo, Lao apontou como riscos para as PME a incerteza económica no exterior, principalmente no Interior da China, e os novos modelos de consumo, mais virados para as compras online. Com os rendimentos dos residentes sob pressão, assim como as PME, não se espera grande disponibilidade para o investimento. Também no Interior da China estima-se que o Índice de Confiança dos Consumidores se mantenha num nível baixo durante algum tempo. Pico de turistas Se para as PME a situação deverá permanecer difícil, para os grandes empreendimentos espera-se a continuidade do crescimento moderado, motivado por novos recordes de visitantes. O deputado recordou que, apesar de os últimos dois meses do ano passado terem trazido alguma estabilidade face ao período homólogo, a indústria do jogo apresentou uma expansão anual das receitas. Por outro lado, é destacado o número de turistas que visitaram Macau em 2025, um novo recorde de 40,06 milhões, que ultrapassou o registo de 2019. Em comparação com a 2024, o número de turistas aumentou 14,7 por cento. Joey Lao apontou que o volume de hóspedes e a taxa de ocupação média hoteleira também se mantiveram num nível elevado, fazendo com que os resorts continuem a ser o principal motor da economia. Em relação à taxa de desemprego, a associação espera que mantenha o nível de 1,7 por cento, por considerar que há muitas vagas por preencher. Nunu Wu (com J.S.F.)
Hoje Macau SociedadeHabitação | Empréstimos por pagar em crescimento No final de Novembro de 2025, o rácio das dívidas não pagas relativas aos empréstimos hipotecários para habitação (EHHs) aumentaram para 3,9 por cento, quando no mês anterior o rácio tinha sido de 3,8 por cento. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), com a publicação das “Estatísticas relativas aos empréstimos hipotecários – Novembro de 2025”. Quando a comparação é feita entre Novembro de 2025 e Novembro de 2024 houve um crescimento do rácio das dívidas não pagas de 0,4 pontos percentuais. O rácio das dívidas não pagas de empréstimos comerciais para actividades imobiliárias (ECAIs) ficou estável entre Outubro e Novembro de 2025, mas quando comparação é feita com Novembro de 2024 houve um aumento de 0,8 pontos percentuais. Em Novembro de 2025, os novos EHHs aprovados pelos bancos de Macau cresceram 6,3 por cento em relação ao mês transacto, até 1,25 mil milhões de patacas. Entre os novos EHHs aprovados, os pedidos de residentes locais, que representavam 98,7 por cento dos empréstimos, cresceram 7,7 por cento e atingiram 1,24 mil milhões de patacas. O componente não-residente decresceu 48,2 por cento para 15,80 milhões de patacas. Os novos ECAIs aprovados caíram 52 por cento relativamente ao mês anterior para um total de 406,17 milhões de patacas. Destes, 97,5 por cento foram concedidos a residentes e decresceram 52,6 por cento para 395,87 milhões de patacas. Os empréstimos de não-residentes mantiveram-se em 10,30 milhões de patacas.
Hoje Macau PolíticaFinanças | Reservas Cambiais atingiram 245,6 mil milhões As reservas cambiais da RAEM cifraram-se em 245,6 mil milhões de patacas, o equivalente a 30,64 mil milhões de dólares americanos, no final de Dezembro, de acordo com a informação mais recente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Os números foram divulgados ontem e fazem parte das estimativas preliminares. O valor de 245,6 mil milhões de patacas representa um aumento de 2 por cento relativamente aos dados rectificados do mês anterior, que atingiram 240,8 mil milhões de patacas, ou 30,05 mil milhões dólares americanos. No final de Dezembro de 2025, as reservas cambiais da RAEM correspondiam a cerca de 11 vezes a circulação monetária, ou 91,8 por cento do agregado monetário M2 em patacas, conforme os dados do final de Novembro de 2025. A taxa de câmbio efectiva da pataca de Macau, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 101,1 em Dezembro de 2025, registando decréscimos de 0,81 pontos e 5,47 pontos, em comparação com os dados registados no mês anterior e com os reportados a Dezembro de 2024. Esta variação significa que a pataca caiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.
Hoje Macau PolíticaParque Industrial | DSEDT quer que projecto acompanhe realidade local A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) diz estar a trabalhar em torno da criação do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, esperando que este projecto “acompanhe as necessidades reais do desenvolvimento de Macau”. Numa resposta à interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a DSEDT considera que se trata “de um projecto importante para impulsionar o desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau”, tendo sido reaqlizada uma consulta pública entre os dias 27 de Novembro e 26 de Dezembro de 2025. Além disso, foi criado um grupo de trabalho interdepartamental “para efeitos de coordenação e concertação” do projecto, tendo sido encomendados “estudos e análises aprofundados” a uma “equipa de estudo profissional”. Tudo para que as autoridades compreendam “o posicionamento, plano de construção e as instalações complementares do Parque”. Foi ainda encomendado outro estudo a uma “equipa de investigação” para “elaborar o planeamento do desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau, tomando como referência as experiências de sucesso internacionais e regionais”.
Hoje Macau China / ÁsiaCorrupção | Filipinas quer repatriação de ex-deputado O Presidente filipino ordenou ao Governo do país que explore todas as opções para que Elizaldy Salcedo Co seja repatriado de Portugal, onde se acredita que o ex-deputado esteja a viver, de acordo com a imprensa filipina. Mais conhecido por Zaldy Co, o antigo deputado do partido Ako Bicol é alvo de um mandado de detenção por alegado envolvimento no escândalo dos “projectos-fantasma” de infraestruturas para o controlo de cheias. Dezenas de proprietários de empresas de construção, funcionários do Governo e representantes eleitos em todo o arquipélago são acusados de desvio de fundos ou de execução de projectos de baixa qualidade. Além de enfrentar três processos criminais decorrentes do escândalo de corrupção, Zaldy Co também fez alegações explosivas numa série de vídeos a acusar Marcos Jr. e um primo deste, o ex-presidente da Câmara dos Representantes das Filipinas Martin Romualdez, de receber milhares de milhões de pesos em subornos, de acordo com o jornal filipino Inquirer. O secretário do Interior, Jonvic Remulla, disse na terça-feira que a directiva do Presidente Ferdinand Marcos Jr. ordena que seja verificado se Zaldy Co pode ser extraditado de Portugal, onde se acredita que esteja localizado. “Ainda estamos a estudar o caso porque a situação é complicada. Não temos um tratado de extradição [com Portugal], mas há outras vias que podemos seguir e que ele quer investigar”, disse Remulla, de acordo com o jornal filipino em língua inglesa. Outras vias O Governo, continuou o responsável, está a ponderar outras opções, incluindo a coordenação com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), a ONU e outras agências internacionais, acrescentou. “Um tratado [de extradição] demoraria demasiado tempo. Um tratado leva anos e anos a ser concluído. Por isso, as outras vias possíveis, conforme instruído pelo Presidente, são sobre como podemos levar a cabo a sua extradição sem passar por um tratado”, referiu ainda na terça-feira. Através da repatriação, refere-se ainda no Inquirer, uma pessoa pode ser devolvida ao país de origem por escolha própria ou à força. No caso da extradição, “trata-se de um processo legal em que um país entrega uma pessoa acusada ou condenada por um crime a outro país para enfrentar um julgamento ou punição”. O jornal lembra ainda que o departamento dos Negócios Estrangeiros (DFA) cancelou o passaporte filipino de Co em 10 de Dezembro do ano passado, por ordem de um tribunal anti-corrupção. Remulla, no entanto, frisou que Co também pode estar a usar um passaporte português obtido há muitos anos. Sem notícias De acordo com o DFA, a Embaixada das Filipinas em Lisboa ainda não recebeu informações sobre o paradeiro de Co nem qualquer confirmação do Governo português de que realmente concedeu um passaporte ao antigo deputado. Também Leila de Lima, deputada do partido Mamamayang Liberal, disse na terça-feira que o Governo de Marcos deveria negociar com Portugal a deportação de Co para as Filipinas, em vez de trabalhar num tratado de extradição “que exige muito mais esforço e mais tempo”. “A deportação pode ser negociada diplomaticamente de imediato, mesmo sem a formalidade de celebrar um tratado de extradição”, indicou Leila de Lima, notando que “um tratado de extradição não é indispensável para o regresso de um fugitivo ao país”. Entre os suspeitos estão aliados e opositores de Marcos Jr. Estão em causa 9.855 projectos de controlo de drenagem, avaliados em mais de 545 mil milhões de pesos filipinos (oito mil milhões de euros), que deveriam ter sido construídos desde que Marcos assumiu o poder, em meados de 2022. Em Setembro, o ministro das Finanças das Filipinas, Ralph Recto, admitiu que, desde 2023, podem ter sido desviados 118,5 mil milhões de pesos (cerca de 1,75 mil milhões de euros).
Hoje Macau China / ÁsiaPelo menos 25 mortos após guindaste cair sobre comboio na Tailândia Pelo menos 25 pessoas morreram ontem na sequência da queda de um guindaste de construção sobre um comboio de passageiros no nordeste da Tailândia, disseram as autoridades. O guindaste caiu numa altura em que o comboio viajava da capital Banguecoque para a província de Ubon Ratchathani, causando o descarrilamento e um incêndio, de acordo com o Departamento de Relações Públicas da província de Nakhon Ratchasima. O acidente ocorreu por volta das 09:00, envolvendo um guindaste que estava a ser utilizado na construção de uma ferrovia elevada de alta velocidade. O departamento informou numa publicação nas redes sociais que o incêndio estava controlado e que as equipas de resgate estavam agora a procurar pessoas dentro do comboio, muitas das quais estavam presas em vagões de comboio tombados. As operações de resgate tinham sido temporariamente suspensas devido a uma “fuga química”, informou a polícia local, sem especificar a origem. “Mais de 80” pessoas ficaram feridas, disse à agência de notícias France-Presse Thatchapon Chinnawong, responsável de uma esquadra de polícia de Nakhon Ratchasima, a nordeste de Banguecoque. O ministro dos Transportes, Piphat Ratchakitprakan, disse que estavam 195 pessoas a bordo do comboio e afirmou ter ordenado uma investigação sobre o acidente, que ocorreu em Ban Thanon Kho, a 32 quilómetros de Banguecoque. Os meios de comunicação da Tailândia e os cibernaturas publicaram nas redes sociais inúmeras imagens do desastre, mostrando parte do incêndio e dezenas de socorristas no local. “Ouvi um barulho forte (…) seguido de duas explosões”, disse Mitr Intrpanya, de 54 anos, um habitante que estava no local. “Quando fui ver o que tinha acontecido, encontrei o guindaste apoiado num comboio de passageiros de três vagões. O metal do guindaste parecia ter partido o segundo vagão ao meio”, acrescentou. Pouca fiscalização O guindaste fazia parte de um vasto projecto de construção de comboios de alta velocidade na Tailândia, iniciado em 2017, com uma década de atraso. O projecto de 5,4 mil milhões de dólares tem como objectivo ligar Banguecoque a Kunming, no sul da China, passando pelo Laos. O primeiro troço está previsto ser inaugurado em 2028 e o segundo em 2032. A linha é apoiada pela China como parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, lançada para impulsionar o comércio na região. Os acidentes industriais, de construção e de transporte são relativamente frequentes na Tailândia devido à fiscalização, por vezes pouco rigorosa, das normas de segurança. Em 2020, 18 pessoas morreram na Tailândia quando um comboio de mercadorias colidiu com um autocarro que transportava passageiros para uma cerimónia religiosa. Oito pessoas morreram também em 2023, numa colisão entre um comboio de mercadorias e uma carrinha que atravessava uma ferrovia no leste do país.
Hoje Macau China / ÁsiaHong Kong | John Lee promete “ir ao fundo” de incêndio Tai Po O líder da antiga colónia britânica reiterou a intenção de punir os responsáveis pela tragédia que fez mais de 160 mortos no bairro social de Tai Po e encontrar soluções adequadas para os desalojados O Chefe do Executivo de Hong Kong prometeu ontem “ir ao fundo” do incêndio mortal em Tai Po, responsabilizar os culpados e encontrar soluções a longo prazo para alojar os afectados, informou a emissora pública. De acordo com a RTHK, John Lee Ka-chiu indicou no Conselho Legislativo (LegCo, na sigla em inglês) que os trabalhos de recuperação pós-desastre são uma “tarefa urgente”, tendo o Executivo apresentado uma moção de apoio na primeira reunião do parlamento. O Governo, indicou o responsável aos deputados, “vai finalizar o plano de alojamento a longo prazo para as famílias afectadas o mais rápido possível, para que se possam estabelecer nas suas novas casas em breve”. Lee garantiu que os culpados pela tragédia de 26 de Novembro vão ser responsabilizados. “As autoridades policiais e o comité independente não deixarão pedra sobre pedra”, disse, prometendo “ir ao fundo desta questão”. “Aqueles que devem ser responsabilizados, sejam eles funcionários públicos ou não e independentemente do seu nível, serão responsabilizados de acordo com os factos”, completou. O incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court, alvo de obras de reparação, começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu entre o rés-do-chão e o primeiro andar do bloco Wang Cheong House se incendiou. O fogo propagou-se com uma rapidez invulgar ao resto do complexo, atingindo seis outras torres e matando um total de 161 pessoas. Ontem, também, o Chefe do Executivo revelou as expectativas que tem em relação aos deputados do LegCo, eleitos em 07 de Dezembro, pouco depois do incêndio. “Terei todo o prazer em ouvir as vossas opiniões, concordem ou não com o Governo”, disse. Estas foram as segundas eleições desde a reforma eleitoral introduzida em 2021 por imposição de Pequim, que reduziu de 35 para 20 os assentos eleitos por sufrágio universal, ampliou o peso dos mecanismos não directos e transformou o escrutínio numa votação na qual “apenas (candidatos) patriotas” podem concorrer. A votação decorreu sem os dois principais partidos pró-democracia: o Partido Cívico, dissolvido em 2023, e o Partido Democrata, em declínio. Siga para LegCo Embora inicialmente o Executivo tenha ponderado a possibilidade de adiar as eleições depois do incêndio e dos três dias de luto e suspensão das atividades de campanha que se seguiram, acabou por decidir mantê-las na data prevista. As autoridades argumentaram que realizar o sufrágio demonstra maturidade institucional e que o processo pode coexistir com o respeito pelas vítimas e a gestão da emergência. No total, 161 candidatos disputaram 90 lugares: 51 em circunscrições territoriais, 60 em circunscrições funcionais e 50 designados pela Comissão Eleitoral, dominada por perfis próximos ao Governo central chinês. Os círculos funcionais representam grupos profissionais, sectores comerciais ou interesses especiais específicos e apenas os eleitores registados nestes sectores podem votar neles, o que tem suscitado críticas pela representatividade limitada a favor dos interesses corporativos e das elites. “Quando discordarem das políticas governamentais, por favor, apontem os problemas e apresentem recomendações e sugestões. Consideraremos as vossas sugestões com seriedade. Quando estivermos a agir correctamente, por favor, sejam justos connosco”, disse Lee, citado pela RTHK. O Chefe do Executivo indicou ainda que os legisladores devem falar com base nos factos e filtrar as informações erradas quando se dirigem ao público.
Hoje Macau China / ÁsiaComércio entre Brasil e China cresce para valor recorde em 2025 As trocas comerciais entre Brasil e China cresceram 8,2 por cento em termos homólogos, em 2025, para o valor recorde de 171 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados ontem pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, superando com larga vantagem os Estados Unidos, com quem o comércio bilateral somou 83 mil milhões de dólares no mesmo período. De acordo com o CEBC, o excedente comercial brasileiro com a China foi de 29,1 mil milhões de dólares, o equivalente a 43 por cento de todo o saldo positivo do país com o mundo. O crescimento das exportações brasileiras foi impulsionado principalmente pelo sector agropecuário e extractivo. Só a venda de petróleo bruto para a China atingiu o valor de 20 mil milhões de dólares, com um volume recorde de 44 milhões de toneladas – representando 45 por cento de todo o petróleo exportado pelo Brasil. As exportações de soja somaram 34,5 mil milhões de dólares, enquanto as de carne bovina cresceram quase 48 por cento, chegando a 8,8 mil milhões de dólares, também um recorde. Em contraste, as vendas de carne de frango e suína caíram 53 por cento e 36 por cento, respectivamente. Por outro lado Do lado das importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma para a exploração de petróleo no valor de 2,66 mil milhões de dólares. As compras de automóveis híbridos também aumentaram 25 por cento, totalizando 1,87 mil milhões de dólares. Por outro lado, os veículos 100 por cento eléctricos sofreram uma queda de 37 por cento nas importações. A China foi ainda o principal fornecedor de bens da indústria de transformação para o Brasil, com destaque para fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, estes últimos com um crescimento de 39 por cento nas compras, impulsionadas especialmente por medicamentos à base de insulina. Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China pelo terceiro ano consecutivo, com 18,1 mil milhões de dólares, 94 por cento dos quais oriundos da venda de petróleo. Com os novos dados, a corrente de comércio Brasil – China representou 27,2 por cento de todo o comércio exterior brasileiro em 2025, consolidando a importância da China na balança comercial do país sul-americano.