Urbanismo | Embelezamento da cidade segue espírito de Xi

O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, liderou o primeiro encontro do ano do Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade e realçou que as tarefas a serem desempenhadas servem para “implementar o espírito dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping” durante a passagem por Macau, em Dezembro e 2024.

Com base nestas declarações, Wong Sio Chak exigiu que o grupo faça “um trabalho cada vez mais profissional”, ao mesmo tempo que “reforça a cooperação, implementa um sistema de responsabilização, salvaguarda a segurança, ouve as opiniões da população e melhora a qualidade de vida dos residentes”.

Em relação às principais tarefas para este ano, Wong definiu cinco requisitos: primeiro, refinar as responsabilidades e garantir a implementação [dos trabalhos]; segundo, controlar rigorosamente a qualidade e garantir a segurança; terceiro, trabalhar de forma diligente e pragmática para criar um novo panorama; quarto, reforçar a coordenação e a cooperação; e quinto, aumentar a sensibilização do público e promover a colaboração entre o Governo e a população.

Wong Sio Chak deixou ainda a esperança que todo grupo de trabalho seja guiado pelo espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping de forma a contribuir em conjunto para o embelezamento da cidade.

12 Fev 2026

Voos | Defendidas ligações directas entre Macau e PLP

A deputada Song Pek Kei defendeu ontem a criação de ligações aéreas directas entre o território e os países de língua portuguesa, com o objectivo de “enriquecer a rede aérea” de território.

“Importa lançar medidas de incentivo para estimular os operadores do sector [aéreo] a explorarem mais rotas directas internacionais, podendo dar prioridade à expansão da rede de voos directos com os países de língua portuguesa e espanhola,” afirmou Song Pek Kei, numa intervenção na Assembleia Legislativa (AL).

A Lei da Actividade da Aviação Civil de Macau entrou em vigor este ano, abrindo portas à liberalização do sector. Song Pek Kei afirmou que, com a entrada em vigor desta legislação, o Governo “deve acelerar” o ajustamento da estrutura de serviços e “aproveitar bem” os recursos para desenvolver mais rotas com escalas e conexões.

“Tendo como referência as experiências de outras regiões, importa lançar medidas de incentivo para estimular os operadores do sector a explorarem mais rotas directas internacionais,” acrescentou.

Outros pedidos

Song Pek Kei não é a primeira deputada a propor ao Governo a criação de novas rotas aéreas que liguem a região chinesa à Europa. Em Dezembro, também Ip Sio Kai defendeu o estabelecimento de uma ligação aérea directa com Lisboa, para promover os negócios entre os países de língua portuguesa e a Europa.

Ip sugeriu que o Governo conceda subsídios para a abertura deste voo de longo curso e que lance promoções de alojamento, transporte e atividades culturais para atrair turistas para Macau.

Em resposta a Ip Sio Kai no hemiciclo, o presidente da Autoridade de Aviação Civil, Pun Wa Kin, afirmou que o Governo “atribui grande importância” ao desenvolvimento da aviação, “em particular ao seu papel na promoção da diversificação económica”.

“No entanto, nas operações comerciais, as companhias aéreas consideram frequentemente a procura do mercado, os custos operacionais, os benefícios a longo prazo e a competitividade da rota, antes de decidirem lançar novos voos”, declarou Pun Wa Kin, a quem o titular do Governo para os Transportes e Obras Públicas, Tam Vai Man, tinha entregado a prerrogativa de responder ao deputado.

Quando Ip sugeriu que o Governo poderia subsidiar a rota, Pun respondeu que esse apoio “envolve políticas sectoriais diferentes” e que “o Governo da RAEM precisa de analisar a questão de forma abrangente, sob todos os aspectos”.

11 Fev 2026

Seul | Autoridades investigam caso de drones enviados para o Norte

As autoridades sul-coreanas declararam ter ontem feito buscas nos serviços secretos civis e militares do país no âmbito de uma investigação sobre o roubo de um drone que atravessou a fronteira com o Norte em Janeiro.

A Coreia do Norte acusou o Sul de ter enviado um drone no início de Janeiro para o seu território e afirmou ter abatido o aparelho perto da cidade de Kaesong, não muito longe da fronteira intercoreana. A KCNA, agência oficial da Coreia do Norte, estabeleceu uma ligação com outro voo de drones sul-coreanos realizado, segundo Pyongyang, perto da cidade fronteiriça de Paju, em Setembro.

Seul negou qualquer envolvimento do Governo ou do exército, sugerindo que civis poderiam ser os responsáveis, mas ontem as autoridades sul-coreanas anunciaram que estão a investigar três soldados e um funcionário dos serviços de inteligência suspeitos de envolvimento.

Mandados de busca e apreensão foram executados “em 18 locais no total, incluindo o Comando de Inteligência da Defesa e o Serviço Nacional de Inteligência”, de acordo com um comunicado.

Três civis foram acusados por suposto papel no escândalo do drone. Um deles reivindicou publicamente a responsabilidade, afirmando ter pilotado o aparelho para medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados em torno de uma fábrica de processamento de urânio no Norte.

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung denunciou esse sobrevoo, alertando que se tratava de uma iniciativa que poderia desencadear uma guerra.

O seu antecessor deposto, Yoon Suk-yeol, está actualmente a ser julgado por ter ordenado ilegalmente sobrevoos de drones sobre a Coreia do Norte, na esperança de provocar uma reacção de Pyongyang e usá-la como pretexto para uma tentativa, entretanto frustrada, de impor a lei marcial. Yoon Suk-yeol foi destituído em Abril passado por essa tentativa.

11 Fev 2026

Japão | Partido de Takaichi assegura dois terços do Parlamento

O partido ultraconservador de Sanae Takaichi obteve uma vitória categórica nas eleições de domingo, esmagando as representações centristas e da esquerda nipónicas. O amigo Donald já enviou felicitações

O Partido Liberal Democrático (PLD) da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, conquistou 315 assentos nas eleições legislativas antecipadas de domingo, obtendo sozinho uma maioria de dois terços na Câmara Baixa do Parlamento, segundo os resultados oficiais publicados ontem.

Este resultado é o melhor da história do PLD e permite à líder ultraconservadora consolidar o seu mandato para implementar o programa económico expansivo no arquipélago de 123 milhões de habitantes durante os próximos quatro anos.

Tornada em Outubro a primeira mulher a liderar o Governo japonês e aproveitando desde então um estado de graça, Takaichi dissolveu no final de Janeiro a Câmara Baixa do Parlamento, onde a sua coligação governamental tinha a maioria.

Aposta amplamente ganha: a coligação formada pelo PLD e o Ishin (Partido para a Inovação, centro-direita) obteve um total de 351 cadeiras das 465 que compõem a Câmara Baixa, de acordo com dados do Ministério do Interior.

Na legislatura anterior, o PLD tinha apenas 198 cadeiras, enquanto o Ishin detinha 34. As eleições também viram o partido anti-imigração Sanseito aumentar o número de assentos, passando de dois para quinze, segundo os resultados.

A nova Aliança Centrista para a Reforma, formada pelo principal partido da oposição, o Partido Democrático Constitucional (centro-esquerda), e pelo antigo parceiro do PLD, o pequeno partido budista Komeito, sofreu uma derrota esmagadora, com o número de assentos a cair de 167 para 49.

Takaichi foi calorosamente felicitada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, com quem deverá encontrar-se em meados de Março, em Washington.

Desordem regional

A vitória coloca-a na esteira do seu mentor, Shinzo Abe (primeiro-ministro em 2006-2007 e depois em 2012-2020), que marcou profundamente o país com posições nacionalistas e um programa económico, que incluía, nomeadamente, medidas de relançamento orçamental.

Do ponto de vista externo, a região Ásia-Pacífico estará atenta ao desenvolvimento das tensões sino-japonesas, que assumiram uma nova dimensão desde que Sanae Takaichi sugeriu, em Novembro, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque da China a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Os mercados financeiros também podem ficar preocupados com o desequilíbrio das finanças públicas nipónicas e, sobretudo, com a escalada da já enorme dívida pública, se Takaichi continuar a reforçar as medidas de estímulo orçamental para impulsionar a quarta maior economia mundial.

Fortalecida pela perspectiva de maiores gastos orçamentais e benefícios fiscais, a Bolsa de Tóquio subiu mais de 5 por cento na sessão de segunda-feira e voltou ontem a abrir em ganhos e novos níveis recordes.

11 Fev 2026

Automóveis | China ultrapassa Argentina como maior exportador de veículos para o Brasil

As fabricantes chinesas consolidam a sua presença no maior mercado automóvel da América do Sul, deixando para trás a Argentina

A China ultrapassou a Argentina em Janeiro para se tornar o maior exportador de automóveis para o Brasil, consolidando o domínio das marcas chinesas no maior mercado automóvel da América do Sul, segundo dados divulgados por fontes do sector.

De acordo com a plataforma especializada Autoweb, a China exportou 16.800 veículos para o Brasil em Janeiro, face a 13.400 unidades oriundas da Argentina. Trata-se de uma inversão histórica na balança automóvel entre os dois principais parceiros do Mercosul, que já se vinha a esboçar desde o primeiro trimestre de 2024.

Ao contrário dos carros argentinos, que geralmente incluem uma percentagem elevada de peças produzidas no Brasil, os automóveis chineses chegam totalmente montados, contornando a cadeia de fornecimento local.

Em valor, as importações de automóveis da China para o Brasil atingiram os 375 milhões de dólares (cerca de 315 milhões de euros) em Janeiro – mais de dez vezes o valor registado no mesmo mês do ano anterior – e representaram cerca de 65 por cento do total das importações do sector.

Este padrão segue a estratégia global das marcas chinesas, que iniciam a presença através da exportação e, posteriormente, investem em unidades de montagem e produção local. No Brasil, os fabricantes Great Wall Motors e BYD têm liderado este processo. A BYD investiu 5,5 mil milhões de reais (cerca de 890 milhões de euros) na conversão da antiga fábrica da Ford em Camaçari, no estado da Bahia, onde pretende produzir veículos com base no modelo “semi-knocked down” – em que os automóveis chegam quase prontos da China e são finalizados localmente, maioritariamente com peças importadas.

Críticas e elogios

A prática tem gerado críticas por parte da associação nacional dos fabricantes de veículos (Anfavea), que alerta para a menor geração de emprego nas cadeias de valor locais face ao modelo tradicional de produção completa. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, elogiou recentemente a decisão do Governo brasileiro de não renovar a isenção fiscal para a importação de ‘kits’ desmontados, medida que expirou em Janeiro e visa incentivar uma produção nacional mais sofisticada.

Segundo dados da Anfavea, a produção automóvel brasileira caiu 12 por cento em Janeiro face ao mesmo mês de 2025, enquanto as vendas registaram uma ligeira descida. A quota de mercado dos veículos electrificados atingiu um máximo histórico de 16,8 por cento, embora apenas cerca de 35 por cento destes tenham sido produzidos no Brasil. As exportações recuaram 18 por cento, afectadas sobretudo pela menor procura argentina.

Apesar da forte expansão das marcas chinesas no mercado brasileiro, o Brasil ocupa apenas o quinto lugar entre os principais destinos das exportações automóveis da China, atrás de México, Rússia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. Segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros, a China exportou 8,32 milhões de veículos em 2025, um aumento de 30 por cento face ao ano anterior, confirmando a tendência de crescimento global do sector.

11 Fev 2026

Ex-dirigente da indústria de Defesa acusado de corrupção

Pequim anunciou ontem acusações de corrupção contra Zhang Jianhua, ex-dirigente da indústria de defesa, e uma investigação a Yi Lianhong, alto responsável do órgão legislativo, no mais recente desenvolvimento da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.

De acordo com a televisão estatal CCTV, o Ministério Público da China apresentou acusações contra Zhang Jianhua, antigo subdirector na Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional, por subornos, alegando que o ex-funcionário terá usado os cargos que ocupou no organismo responsável pela indústria de defesa para beneficiar terceiros em troca de vantagens indevidas.

Segundo a mesma fonte, Zhang terá abusado da sua posição em áreas como avaliação de projectos, finanças e auditoria para receber “bens de valor especialmente elevado”. Após abandonar funções públicas, terá continuado a explorar a influência dos cargos anteriormente exercidos para obter benefícios através de outros funcionários.

Olhos na Defesa

Este processo surge num momento de maior escrutínio sobre o sector da defesa na China, alvo de várias investigações a altos quadros militares nos últimos meses, embora as autoridades não tenham estabelecido qualquer ligação entre essas investigações e o caso de Zhang.

Num anúncio separado, a Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC) e a Comissão Nacional de Supervisão – os principais organismos anticorrupção do país – informaram que Yi Lianhong, vice-presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional Popular, está a ser investigado por “graves violações da disciplina e da lei”.

A nota oficial, divulgada ontem no portal da comissão partidária, não especifica a natureza das infrações, o que é habitual nas fases iniciais deste tipo de investigações.

Ambos os casos inscrevem-se na vasta campanha anticorrupção, contra “tigres” e “moscas” lançada por Xi Jinping desde que assumiu o poder em 2012, e que já atingiu dirigentes de todos os níveis – de quadros locais a líderes provinciais, chefias militares e responsáveis por grandes empresas públicas – tigres – a funcionários de baixo estatuto, moscas.

11 Fev 2026

APEC | Defendidos “consensos a favor da integração” na Ásia-Pacífico

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, defendeu ontem o reforço da integração económica na região Ásia-Pacífico, ao discursar na primeira reunião de altos funcionários do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), realizada em Cantão.

Wang apelou à construção de consensos em favor da integração e à expansão dos caminhos para o estabelecimento da Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico, uma das principais ambições do bloco, que reúne 21 economias da região.

“A coordenação das políticas macroeconómicas deve ser reforçada e a liberalização e facilitação do comércio e investimento promovida”, afirmou Wang Yi, sublinhando também a importância de proteger o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como “núcleo”.

A defesa do papel da OMC tem sido uma posição recorrente da diplomacia chinesa, face às crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos, exacerbadas desde a presidência de Donald Trump.

De acordo com o chefe da diplomacia chinesa, o trabalho da APEC em 2026 girará em torno de três prioridades: abertura, inovação e cooperação. A reunião ontem inaugurada marca o início formal dos trabalhos do APEC neste ano, em que a China assume, pela terceira vez, o papel de economia anfitriã do fórum.

A cimeira de líderes da APEC está marcada para Novembro, na cidade de Shenzhen, e contará, segundo o Governo chinês, com a presença do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que já aceitou o convite do homólogo chinês, Xi Jinping.

As preparações do encontro decorrem num contexto internacional tenso, marcado por disputas comerciais e rivalidades geopolíticas. Pequim tem procurado destacar a APEC como uma plataforma essencial para garantir um ambiente económico regional estável e previsível.

11 Fev 2026

HK | Classificada como ingerência externa críticas à condenação de Jimmy Lai

A China classificou ontem como ingerências externas as críticas dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países à condenação do activista Jimmy Lai a 20 anos de prisão, em Hong Kong.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian acusou, em conferência de imprensa, “certos países e instituições” de aproveitarem casos judiciais em Hong Kong para “difamarem maliciosamente” a cidade, desacreditarem o seu sistema judicial e interferirem nos assuntos internos da China.

“Hong Kong é regido pelo Estado de direito, e este não deve ser questionado. Nenhum país estrangeiro tem o direito de fazer comentários irresponsáveis”, declarou o porta-voz, apelando aos governos envolvidos para que respeitem a soberania chinesa, cumpram o direito internacional e cessem qualquer forma de interferência.

As declarações surgem um dia depois de um tribunal de Hong Kong ter condenado Lai, de 78 anos, a 20 anos de prisão por conspiração com forças estrangeiras e por divulgar publicações consideradas sediciosas – uma sentença que motivou apelos à sua libertação por parte de governos ocidentais, da União Europeia e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Em resposta a essas críticas, Pequim vincou que os tribunais de Hong Kong actuam de forma independente e em conformidade com a lei, no âmbito da Lei de Segurança Nacional imposta em 2020, após os protestos em massa de 2019.

Também ontem, o Governo chinês reforçou essa posição com a publicação de um livro branco, no qual defende a legislação de segurança e rejeita as acusações de deterioração das liberdades na ex-colónia britânica.

A China afirmou que a aplicação da lei permitiu restaurar a estabilidade em Hong Kong e sublinhou que a segurança nacional e os direitos e liberdades “não são incompatíveis” – uma formulação que tem sido contestada pelas Nações Unidas e por diversas organizações internacionais.

11 Fev 2026

FRC | Desafios da gastronomia macaense hoje em debate

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, mais uma sessão do novo ciclo de conferências subordinadas ao tema “Ser Macaense no Século XXI – Cultura, Tradição, Identidade, Desafios”, com a terceira mesa-redonda intitulada “Gastronomia Macaense e os Desafios da sua Divulgação”.

A sessão será conduzida por José Luís de Sales Marques, Presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, reunindo como oradoras convidadas as chefs Antonieta Manhão (Neta), professora de culinária macaense na Universidade de Turismo de Macau; Florita Alves, do Restaurante La Famiglia; Marina Senna Fernandes, do Restaurante Macaísta; e Sónia Palmer, da Cozinha D. Aida, quatro distintas representantes locais das artes de confecção da culinária tradicional.

A gastronomia macaense é descrita num comunicado sobre o evento por ter “originalidade, transportando os seus sabores e aromas aos quatro cantos do Mundo, por onde viajaram os portugueses”, sendo resultado da “colheita do mundo global e, por isso, merecidamente considerada a primeira cozinha de fusão do Mundo”.

“É, por esta razão, também um marco singular da identidade Macaense, e património intangível de Macau e da República Popular da China, prestando um significativo contributo para a classificação de Macau, pela Unesco em 2017, como Cidade Criativa da Gastronomia. Todavia, vai ainda uma grande distância entre o reconhecimento e a sua divulgação, tornando-a acessível ao grande público”, refere a organização do evento

A sessão pretende abordar “o modo de vida dos macaenses, a comunidade ou as comunidades, em Macau e na diáspora, e os seus desafios diários para manter o ser e o sentir da realidade macaense”. O propósito da conferência é promover uma “discussão construtiva a olhar para o presente e o futuro, sem esquecer a tradição e os diferenciados marcos identitários, em especial a Gastronomia e o Teatro em Patuá, ambos Património Imaterial da RAEM e da República Popular da China”.

11 Fev 2026

Aren Noronha recolheu testemunhos que remetem para o período colonial em Goa

Aren Noronha frequenta o mestrado em Português e Estudos Lusófonos na Universidade de Goa e lembrou-se de recolher testemunhos de pessoas que tivessem alguma ligação à língua; esta quinta-feira apresenta um livro que dava 45 filmes, intitulado “Lusophone Goa”.

Quando, no ano passado, o jovem de 22 anos, então no primeiro ano do mestrado, visitou a Biblioteca Central de Goa, deparou-se com “livros extremamente interessantes de Goa e de Macau, todos em português e datados do período colonial”, que o confrontaram com “questões sobre a história da língua portuguesa em Goa de hoje”, disse à Lusa.

“Tal como outros da minha geração, tinha apenas uma ideia superficial sobre a situação em Goa e o declínio da língua”, reconheceu Aren, quando se deparou com aquele espólio bibliográfico, que mal conseguia ler.

Os pais sugeriram-lhe que aprofundasse “essas questões” e foram eles que lhe deram a ideia de recolher “relatos na primeira pessoa, que poderiam vir a tornar-se um livro, caso houvesse respostas suficientes”, diz o mestrando, explicando que o pai tem uma pequena editora independente em Pangim, capital do estado de Goa.

Boa surpresa

Em Fevereiro de 2025, Aren enviou “uma nota conceptual” a “muitas pessoas que tinham alguma ligação à língua, perguntando se gostariam de partilhar os seus testemunhos” e recebeu “um número surpreendente de respostas positivas”, 45 no total, que depois organizou num igual número de capítulos ao longo das 294 páginas do “Lusophone Goa”, escrito em inglês.

Os testemunhos recolhidos são tão diversos quanto dispersas são as fontes, tanto em termos geográficos, como pela ocupação de cada uma das vozes ou faixa etária dos relatores, unindo-as apenas o facto de serem goesas ou descendentes de goeses e terem uma história para contar sobre a “relação com a língua”, que em todos os casos ultrapassa largamente as fronteiras da linguística.

Aren Noronha recolheu 45 histórias de vida e cada uma dava um filme. O cardiologista e escritor radicado nos Estados Unidos, Anthony Gomes, e a antiga curadora da Biblioteca Central de Goa, Pia Rodrigues, falam da vida escolar e universitária na antiga colónia portuguesa antes de 1961, bem como dos livros e revistas que então circulavam.

Estórias de vida

O médico goês no Brasil Carlos Peres da Costa, também recorda os tempos de estudante, mas sublinha que os manuais que usou para concluir o curso na então Escola Médico-Cirúrgica de Goa eram escritos em francês, espanhol e inglês.

O escritor Ben Antão, radicado no Canadá, enfrentou dificuldades na aprendizagem do português na escola, antes de 1961, porque o método assentava no recurso à memória. O músico Dilip Chico, radicado na Austrália, recorda que a família lia o diário “O Heraldo” em português e escrevia cartas e postais em português a familiares em Bombaim, corrigidos pela avó.

O pretexto de cada uma das histórias é a língua, mas todas revelam intimidade, mesmo as de teor mais científico, como a de Sandra Ataíde Lobo, investigadora do Centro de Humanidades, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que, com base nos escritos da avó, analisa o papel que os jornais e periódicos em língua portuguesa desempenharam em Goa enquanto espaço intelectual, e a forma como a literacia em português contribuiu para o desenvolvimento da escrita do concani em carateres romanos.

“Uma língua não é apenas palavras e frases”, escreve Sharmila Pais, professora de História no St Xavier’s College, em Mapuçá, no estado de Goa. “O português faz de mim eu”, parece responder Omar de Loiola Pereira, um músico de Goa.

Aren Noronha não é descendente de portugueses. Faz parte de uma família de “convertidos locais de Goa” há umas “oito ou dez gerações”. “Venho de uma família maioritariamente anglófona, mas multilingue. Os meus pais não falam português; os meus avós, porém, falavam português do Brasil, pois viveram em Cubatão [município do estado de São Paulo] durante uma década”, diz à Lusa, ou melhor, escreve, porque consegue “pensar melhor e responder”.

Aren também nunca visitou qualquer país lusófono. Está a pensar “ir a Damão” em breve” – diz -, mas está “em contacto com a Universidade Aberta e com a Universidade de Macau para explorar possibilidades de realizar um doutoramento em Estudos Lusófonos” numa das duas instituições, acrescenta. “Se tiver oportunidade, gostaria muito de ir a um país lusófono”, solta.

11 Fev 2026

Turismo | Lançada “ofensiva promocional” na Tailândia e Indonésia

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) participou em Janeiro e Fevereiro em duas feiras internacionais de turismo da Tailândia e da Indonésia, “para prosseguir com a ofensiva promocional no Sudeste Asiático”, e “consolidar a imagem de Macau como destino turístico de curta distância”, indicou ontem a entidade liderada por Helena de Senna Fernandes.

A primeira paragem foi Banguecoque, onde decorreu entre 22 e 25 de Janeiro, a Feira Internacional de Turismo de Tailândia. A DST revela que o stand de Macau atraiu cerca de 24 mil visitantes durante os quatro dias da exposição.

A paragem seguinte foi Jacarta, onde a DST participou na Feira Internacional de Turismo da Indonésia, entre os dias 5 e 8 de Fevereiro, com sessões de apresentação e interacção com o público, assim como estabelecendo cooperação com operadores para promover produtos turísticos de Macau.

A direcção de serviços vinca que o mercado do Sudeste Asiático está em expansão. No ano passado, os visitantes provenientes da Tailândia e da Indonésia estavam entre os cinco principais mercados internacionais de visitantes de Macau, com 208 mil visitantes indonésios e 186 mil visitantes tailandeses, mais 13,6 e 38,1 por cento, em termos anuais.

11 Fev 2026

Jogo | Fevereiro arranca com quebra mensal

Nos primeiros oito dias de Fevereiro as receitas do jogo apresentaram uma quebra de cerca de 14 por cento, quando a comparação é feita com o mês anterior. Os números constam do relatório sobre o jogo em Macau do banco de investimento Citi, que cita fontes da indústria.

“As receitas de Macau nos primeiros oito dias de Fevereiro terão atingido aproximadamente 5,0 mil milhões de patacas” afirmou a instituição no relatório. “Isto implica uma taxa diária de aproximadamente 625 milhões de patacas, cerca de 14 por cento inferior à taxa de receita bruta do jogo em Janeiro (cerca de 730 milhões de patacas por dia) e cerca de 11 por cento inferior à de Fevereiro de 2025”, quando era de cerca de 705 milhões de patacas por dia. “O registo de uma taxa das receitas brutas mais moderada reflecte provavelmente um abrandamento sazonal, nada surpreendente, dos volumes das apostas antes do Ano Novo Chinês”, foi acrescentado.

“Com base em fontes do sector, os volumes VIP caíram aproximadamente 12 a 14 por cento em relação ao mês anterior, e o as receitas brutas do jogo de massas caíram aproximadamente 11 a 13 por cento em relação ao mês anterior”, foi destacado.

Apesar do início mais lento em Fevereiro, o banco espera que o somatório das recentes de Janeiro e Fevereiro apresente um aumento de 13,5 por cento em comparação com o que aconteceu em 2025. No ano passado, o festival do Ano Novo Lunar, uma das épocas altas do jogo, coincidiu com o final de Janeiro e o início de Fevereiro.

11 Fev 2026

Advogados têm de ser consultados sobre lei para comissão da Segurança de Estado

Juristas alertaram para a obrigatoriedade de o Governo consultar a Associação dos Advogados (AAM) sobre a proposta de lei que vai regular a Comissão da Defesa de Segurança do Estado (CDSE).

A Lusa interrogou a AAM sobre se foi contactada e se emitiu algum parecer relativo à proposta de lei em causa, mas até ao momento não obteve qualquer resposta. A secretaria para a Segurança também não respondeu de imediato a um pedido de esclarecimento semelhante.

A lei que foi discutida e votada ontem na generalidade na Assembleia Legislativa (AL) determina as atribuições, composição e funcionamento da CDSE, órgão responsável pelos assuntos relativos à defesa da segurança do Estado em Macau, e sujeito a supervisão do Governo Popular Central.

Antes de apresentar a proposta de lei, “o Governo estava legalmente obrigado a ouvir” a AMM, por força do Estatuto do Advogado, sublinha o jurista António Katchi. O artigo 30.º deste estatuto estabelece que a AAM “será obrigatoriamente ouvida sobre propostas ou projectos de diplomas que regulem a organização judiciária, o exercício da advocacia, o processo civil e o processo penal”.

Tiros no escuro

“A nota justificativa não faz menção dessa consulta. Não sei se essa formalidade foi ou não cumprida e, em caso afirmativo, qual teria sido o conteúdo do parecer da Associação”, diz Katchi.

O advogado Pedro Leal, que considera esta “uma questão pertinente”, diz que “é possível que [a AAM] não tenha sido” consultada. “Normalmente é público saber-se quem a contactou”, refere. “É possível que não tenha sido, eu gostaria que tivesse, para olhar para a Associação dos Advogados como uma associação pública, mas independente do poder político. É assim que tem de ser, é assim que devia ser”, constata.

De acordo com esta proposta, a escolha de um advogado para casos de segurança nacional está sujeita à aprovação de um juiz, que remete o requerimento à CDSE para que a mesma emita um parecer de verificação vinculativo e não passível de recurso.

O pedido de autorização tem de vir, expõe o documento, “acompanhado da procuração forense, do comprovativo da qualidade de mandatário do requerente, das informações relativas aos membros do agregado familiar, nacionalidade e ligação com os organismos ou indivíduos no exterior e de outras”.

Ainda segundo esta primeira versão legislativa, a exclusão dos advogados pode ocorrer em processos penais, mas também de outra natureza, quando “a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.

11 Fev 2026

Comissão de Segurança | Juristas alertam para contrariedade à Lei Básica

Apesar do apoio às questões da segurança nacional, as exigências da proposta de lei da Comissão da Defesa da Segurança do Estado são tidas como contrárias e incompreensíveis à luz do quadro legal de Macau

Analistas ouvidos pela Lusa consideram inconstitucional a proposta de lei para a Comissão da Defesa da Segurança do Estado, votada ontem na Assembleia Legislativa, assinalando “aspectos perturbadores”, como restrições à nomeação de advogado em casos de segurança nacional.

A proposta de lei que vai enquadrar a Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) foi ontem discutida e votada na generalidade pelos deputados à Assembleia Legislativa.

O documento, de acordo com o advogado radicado em Macau Luís Almeida Pinto, “comporta em si aspectos perturbadores do funcionamento constitucional de vários poderes, e também em algumas matérias de direitos, liberdades e garantias consagrados na ‘Constituição’ de Macau: a Lei Básica”.

Antecipando alterações à Lei de Bases da Organização Judiciária, a proposta determina que a escolha de um advogado para casos de segurança nacional está sujeita à aprovação de um juiz, que remete o requerimento à CDSE, para que esta emita um parecer, vinculativo e não passível de recurso.

A autorização especial, propõe o Governo, pode acontecer em processos penais ou de outra natureza, quando se “tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.

Almeida Pinto evoca a Lei Básica, que garante “o acesso ao Direito, aos tribunais, e à assistência por advogado na defesa dos seus legítimos direitos e interesses”, para apontar que cabe ao arguido “escolher de livre vontade o advogado que melhor o sirva”. “Parece uma norma que será inconstitucional quando aprovada, e quando aplicada em concreto”, expõe.

Colisão com Estatuto do Advogado

Além de se tratar de “uma violação da Lei Básica”, com força constitucional em Macau, Pedro Leal, a exercer advocacia no território há várias décadas, aponta “nitidamente, uma colisão” entre o proposto e “o decreto que regula a Associação dos Advogados e o próprio Estatuto” do Advogado, no que diz respeito à livre escolha de um defensor.

Esta é a “questão mais discutível” da proposta, assume Leal, que diz concordar com a iniciativa legislativa. “A China dá especial atenção às questões de segurança, é uma potência mundial, como tal não quer interferências de forma alguma. Entendo a posição e entendo que não quer alterações no ‘status quo’. (…) Agora, querem fazer as coisas, façam-nas bem”, acrescenta.

À Lusa, Almeida Pinto considera ainda “inaceitável o regime previsto” para “a sindicância a fazer aos advogados” que pretendam representar judicialmente um arguido em casos de segurança nacional. Anexado ao pedido feito pelos mandatários ao juiz, têm de estar, entre outros elementos, informações relativas aos membros do agregado familiar do advogado, nacionalidade e ligação com os organismos ou indivíduos no exterior.

Trata-se de uma “verdadeira investigação à vida pessoal”, quando “o que apenas está em causa é o exercício da profissão para que se encontra devidamente inscrito e autorizado na Associação dos Advogados de Macau”, refere.

A exigência, “além de extremamente vaga, é perfeitamente impossível” de concretizar, avalia Leal, que sugere “estar implícito” que a um advogado não chinês não será autorizada representação nestes casos – sublinhe-se que em casos de segurança nacional já só é permitida a intervenção de juízes chineses.

Questão de tempos

Outra dúvida, levantada à Lusa pelo jurista António Katchi, prende-se com o tempo que a CDSE vai levar a emitir o parecer. A proposta não esclarece este aspecto, pelo que “deverá” ser aplicado o Código do Procedimento Administrativo, que fixa em 15 dias o prazo para os actos a praticar pelos órgãos administrativos.

Mas, lança Katchi, “irá a CDSE seguir este mesmo entendimento ou irá ela considerar (sem possibilidade de tal lhe ser negado por qualquer tribunal) que pode simplesmente deixar a questão para a sua reunião ordinária semestral seguinte?”.

Caso o parecer seja negativo e seja necessário repetir o processo, com um novo representante legal, “quantos meses ou anos estará o arguido, que continua privado da sua liberdade, sem advogado”?

Aludindo ao princípio da independência judicial, que lembra estar garantido pela Lei Básica, António Katchi deduz “com toda a segurança, a inadmissibilidade de sujeitar uma decisão judicial a um parecer vinculativo de um órgão administrativo, nomeadamente da CDSE”.

O docente fala ainda sobre a importância de uma relação de confiança entre constituinte e advogado e o “quão vital é, para uma pessoa em risco de condenação a pena de prisão, ser defendida por um advogado sinceramente motivado para a causa e bem versado na matéria envolvida”.

Além da Lei Básica e da Declaração Conjunta, assinada por Lisboa e Pequim, em 1987, e que definiu regras para Macau após a transição de administração, Katchi resgata outra disposição legal que a proposta vem contrariar: o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), segundo o qual, cita, “toda a pessoa acusada de um delito terá direito, em plena igualdade, (…) a apresentar-se em julgamento e a defender-se pessoalmente ou ser assistida por um defensor da sua escolha”.

O PIDCP é um dos instrumentos que constituem a Carta Internacional dos Direitos Humanos da ONU. Em 1992, quando Macau era ainda um território administrado por Portugal, Lisboa procedeu à extensão desta convenção à região. Embora a China tenha assinado o tratado em 1998, nunca o ratificou, não estando vinculada às normas aí presentes.

A Lei Básica, explica António Katchi, assinala que as restrições a direitos fundamentais, incluindo o direito de ser assistido por advogado, “não podem contrariar o disposto no PIDCP”.

11 Fev 2026

Irão | Líder pede demonstração de força nas ruas contra EUA

O líder supremo do Irão apelou ontem aos iranianos para que usem o 47.º aniversário da Revolução Islâmica na quarta-feira para uma demonstração de força contra o inimigo, num contexto de tensões com os Estados Unidos.

Desde 1979, “as potências estrangeiras procuraram sempre restabelecer a situação anterior”, declarou Ali Khamenei, numa referência à influência externa durante a dinastia Pahlavi (1925-1979), aliada dos norte-americanos, que foi afastada do poder pela revolução.

Liderados pelo então ‘ayatollah’ Ruhollah Khomeini, fundamentalistas xiitas instauraram a República Islâmica na sequência da revolução de 1979, que depôs Mohammad Reza Pahlavi, o último xá do Irão, formalmente denominado Pérsia até 1935.

“A potência de uma nação não reside tanto nos seus mísseis e aviões, mas na vontade e na resiliência do seu povo”, disse Khamenei, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“Mostrem-no novamente e frustrem os planos do inimigo”, afirmou o líder supremo, ao apelar à participação dos iranianos no aniversário da revolução.

“A presença do povo na marcha e a expressão de lealdade à República Islâmica farão com que o inimigo recue na ambição contra o Irão e os interesses nacionais”, disse Khamenei, também citado pela agência espanhola EFE.

A máxima autoridade política e religiosa do país assegurou que a demonstração de “poder nacional” através da unidade levará ao “desânimo do inimigo”.

Khamenei avisou que, enquanto o inimigo não estiver desalentado, “não deixará de causar incómodos” aos iranianos. Referiu ainda que o povo iraniano alcançou em 11 de Fevereiro de 1979 uma “grande vitória ao libertar o país da intervenção estrangeira”.

Khamenei não participou no domingo no encontro anual com os comandantes da Força Aérea, o primeiro corpo militar a aderir à revolução de 1979.

Sangue nas ruas

O discurso surge num dos momentos de maior fragilidade da República Islâmica, após a repressão violenta de protestos contra o regime e perante a ameaça de uma intervenção militar norte-americana caso não se alcance um acordo nuclear.

As manifestações, iniciadas em 28 de Dezembro devido à desvalorização da moeda em Teerão, estenderam-se a todo o país e foram esmagadas em 08 e 09 de Janeiro. O Governo iraniano admitiu a morte de 3.117 pessoas, atribuindo a violência aos Estados Unidos e a Israel.

A organização não-governamental HRANA, sediada em território norte-americano, contabilizou 6.961 mortos, estando ainda a verificar mais de 11 mil possíveis óbitos e 51 mil detenções.

A relatora especial da ONU para o Irão, Mai Sato, disse que relatórios médicos apontam para a possibilidade de terem ocorrido até 20 mil mortes, embora as Nações Unidas sublinhem a dificuldade de corroborar os dados. Após a repressão, as autoridades lançaram uma vaga de detenções de figuras políticas moderadas e ativistas.

Simultaneamente, o Irão e os Estados Unidos retomaram na semana passada as negociações para um acordo nuclear, no primeiro encontro após a guerra de 12 dias entre Teerão e Telavive. Os Estados Unidos participaram no conflito com o bombardeamento de instalações nucleares iranianas.

10 Fev 2026

Nuclear | Reactivada maior central nuclear do mundo

A eléctrica japonesa TEPCO (Tokyo Electric Power Company) reactivou ontem a central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa (KK), a maior do mundo em capacidade e fechada em 2011 após o acidente em Fukushima.

“Às 14:00, hora, as barras de controlo foram retiradas e o reactor número 6 da central nuclear foi colocado em funcionamento”, indicou a TEPCO num comunicado. O reinício do reactor tinha sido suspenso em Janeiro último depois de um alarme ter disparado. A empresa acrescentou que continuará a verificar “a integridade dos equipamentos da central” e afirmou que responderá “com sinceridade” às inspecções da Autoridade Reguladora Nuclear.

A empresa planeia aumentar gradualmente a quantidade de energia gerada em Kashiwazaki-Kariwa até retomar as operações comerciais a partir de 18 de Março.

Com uma capacidade superior a 8.000 megawatts (MW), a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma peça fundamental no plano de fornecimento de energia da TEPCO e está em linha com a estratégia promovida pelo Governo japonês de Sanae Takaichi de impulsionar as centrais nucleares e cumprir metas de redução de emissões.

10 Fev 2026

Japão | PM com poder reforçado aberta ao diálogo com a China

Sanae Takaichi, que saiu com poderes reforçados após as eleições de domingo, admite dialogar com a China após as declarações sobre Taiwan que incendiaram as relações entre as duas nações

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, vencedora das eleições no domingo, admitiu ontem dialogar com Pequim, depois de ter suscitado a ira chinesa ao admitir uma reacção militar do Japão se a China atacar Taiwan.

“O nosso país está aberto a diversos diálogos com a China. Já temos trocas de pontos de vista. Prosseguiremos com essas trocas. Mas fá-lo-emos de forma ponderada e apropriada”, declarou Takaichi, citada pela agência France-Presse (AFP).

A declaração foi feita um dia depois de o Partido Liberal Democrático (LDP, como é conhecido internacionalmente), liderado por Takaichi, ter conseguido uma vitória expressiva nas eleições legislativas antecipadas. O resultado vai permitir a Takaichi prosseguir com o programa do Governo que chefia desde 0utubro de 2025, incluindo um forte investimento na defesa.

Takaichi afirmou em Novembro que o exército japonês poderia intervir em caso de um ataque militar chinês contra Taiwan, por considerar que estaria em causa a segurança do Japão. A declaração, durante um debate no parlamento, gerou um forte protesto por parte da China e represálias tanto económicas como políticas, mas Takaichi recusou retratar-se.

O porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian afirmou ontem que as autoridades do Japão devem seguir uma agenda pacifista na região e reafirmou a exigência de que a primeira-ministra retirasse as “declarações erradas” sobre Taiwan. Lin pediu também a Takaichi que demonstrasse com “acções concretas” a intenção de manter a base política das relações bilaterais, segundo declarações citadas pela agência espanhola Europa Press (EP).

Maioria absoluta

A líder conservadora, de 64 anos, obteve uma vitória histórica no domingo ao conquistar 316 dos 465 assentos que compõem a câmara baixa do parlamento, segundo dados oficiais divulgados pela televisão NHK. A primeira mulher a liderar o Japão garantiu assim uma maioria absoluta de dois terços, que totaliza 352 assentos quando contabilizado o apoio do aliado Partido da Inovação do Japão (Ishin).

Em conferência de imprensa em Tóquio, Takaichi descreveu ontem a vitória eleitoral como um “impulso forte” dado pelo povo japonês “para realizar mudanças políticas independentemente do custo”, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

A primeira-ministra reiterou que os resultados permitirão à coligação implementar “mudanças importantes”, incluindo uma “política fiscal proactiva e responsável”, bem como um “reforço fundamental das políticas de segurança”. Entre as metas anunciadas, está a promessa de reduzir a zero, durante dois anos, o imposto sobre alimentos e bebidas para aliviar a pressão da inflação sobre as famílias.

Prometeu também um pacote de estímulos de 21,3 biliões de ienes (cerca de 115 mil milhões de euros, ao câmbio actual). Esta postura favorável ao aumento da despesa pública gera preocupação sobre a saúde financeira da potência desenvolvida mais endividada do mundo.

Desde que Takaichi assumiu o poder em Outubro, o iene tem registado uma trajectória de desvalorização, situando-se actualmente nas 156 unidades por dólar no mercado de Tóquio. Já o rendimento das obrigações da dívida, atingiu máximos de várias décadas, segundo a EFE.

O amigo americano

No plano externo, Takaichi disse também que pretende consolidar a “unidade inabalável” entre Tóquio e Washington, quando visitar os Estados Unidos em 19 de Março, para se reunir com o Presidente Donald Trump.

“Relativamente ao encontro com o Presidente Trump, reafirmaremos a unidade inabalável entre o Japão e os Estados Unidos e reforçaremos ainda mais a cooperação num amplo leque de áreas, nomeadamente a diplomacia, a economia e a segurança”, afirmou ontem. “Abriremos, depois, um novo capítulo na história da aliança nipo-americana”, acrescentou, citada pela AFP.

Trump, que visitou o Japão em Outubro, anunciou na semana passada que Takaichi visitará Washington em 19 de Março, e descreveu a líder japonesa como “uma dirigente forte, poderosa e sábia, que ama verdadeiramente o seu país”.

10 Fev 2026

HK | Pequim defende “castigo severo” para Jimmy Lai

A pesada pena aplicada ao antigo magnata da imprensa recebeu o aplauso de Pequim por concluir que Jimmy Lai pôs seriamente em perigo a segurança nacional

O Governo chinês defendeu ontem que o empresário e activista Jimmy Lai merece um “castigo severo” por ter colocado “gravemente em perigo” a segurança nacional, após a sua condenação a 20 anos de prisão em Hong Kong.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou que Lai “foi um dos principais organizadores e participantes de uma série de incidentes anti-China que desestabilizaram Hong Kong”, numa referência às manifestações antigovernamentais de 2019.

Segundo Lin, as acções do fundador do jornal Apple Daily, entretanto encerrado, “prejudicaram gravemente a prosperidade, estabilidade e bem-estar de Hong Kong”. O Governo central “apoia firmemente” as autoridades da Região Administrativa Especial “na salvaguarda da segurança nacional, conforme a lei, e na punição de crimes que a ponham em risco”, acrescentou.

Em resposta às críticas internacionais à sentença, Lin Jian exortou “a respeitar a soberania da China e o Estado de direito em Hong Kong”, pedindo que “se evitem declarações irresponsáveis” e “se deixe de interferir nos assuntos judiciais de Hong Kong e internos da China”.

Críticas e apelos

A organização de defesa dos direitos humanos Chinese Human Rights Defenders (CHRD) reagiu à decisão classificando a condenação como “política” e sublinhando que Jimmy Lai, de 78 anos, foi alvo de um processo judicial longo, tendo sido declarado culpado em Dezembro de 2025.

A CHRD recordou que peritos das Nações Unidas consideraram, em 2024, a detenção de Lai como “arbitrária” e apelaram à sua libertação por razões humanitárias após o veredicto de Dezembro.

O julgamento decorreu perante três juízes designados especificamente para casos relacionados com a Lei de Segurança Nacional. A acusação atribuiu ao empresário uma campanha sustentada para promover sanções internacionais contra a China e Hong Kong, através do Apple Daily e da sua rede de contactos.

A defesa argumentou que os conteúdos publicados se inseriam no debate público protegido pelo direito à liberdade de expressão.

UE condena sentença

A União Europeia (UE) condenou ontem a sentença de 20 anos de prisão imposta a Jimmy Lai, empresário ligado aos meios de comunicação, por um tribunal de Hong Kong e exigiu a sua libertação imediata. “A UE deplora a severa pena de prisão de 20 anos imposta ao cidadão britânico e empresário dos ‘media’ Jimmy Lai pelo Superior Tribunal de Hong Kong, em 9 de Fevereiro de 2026”, lê-se no comunicado publicado pelo Serviço de Ação Externa da União Europeia.

Segundo o serviço diplomático do bloco europeu, “a UE reitera o seu apelo à libertação imediata e incondicional de Jimmy Lai, tendo também em conta a sua idade avançada e o seu estado de saúde”. “A perseguição política de Jimmy Lai e dos ex-executivos e jornalistas do [jornal] Apple Daily prejudica a reputação de Hong Kong”, sublinhou o comunicado.

Pena “merecida”

O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, afirmou ontem que o fundador do jornal Apple Daily, Jimmy Lai, “mereceu” a pena de 20 anos de prisão que lhe foi imposta. Lai foi condenado por três crimes de conspiração para conluio com forças estrangeiras e publicação de material sedicioso. Outros oito arguidos no mesmo processo receberam penas que variam entre seis anos e três meses e dez anos de prisão.

Em comunicado, John Lee afirmou que os 156 dias de audiências públicas “com grande volume de provas apresentadas” comprovaram que Jimmy Lai foi “um cabecilha desprezível e sem escrúpulos anti-China”. “O arguido cometeu vários crimes hediondos e os seus actos maliciosos não têm medida”, acrescentou o responsável.

Para Lee, a pena pesada “demonstra que o Estado de Direito é respeitado e que a justiça foi feita”, o que “traz alívio a todos”. O Chefe do Executivo admitiu, no entanto, que Hong Kong “já pagou um preço elevado”, afirmando que muitos residentes, especialmente jovens, foram “enganados” pelo Apple Daily durante os protestos de 2019, tornando-se “radicais”.

10 Fev 2026

Taiwan | Rejeitada transferência de 40% da produção de ‘chips’ para os Estados Unidos

A vice líder de Taiwan afirmou ontem ser “impossível” transferir 40 por cento da produção de semicondutores da ilha para os Estados Unidos, defendendo que a investigação e desenvolvimento de tecnologias avançadas deve continuar a ser feita em Taiwan.

As declarações de Cheng Li-chiun surgem após o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, ter indicado no mês passado que a Administração do Presidente Donald Trump pretende deslocar para os Estados Unidos cerca de 40 por cento da cadeia de fornecimento de semicondutores de Taiwan, no seguimento de um acordo comercial assinado entre Washington e Taipé.

“Disse claramente à parte norte-americana que isso é impossível”, declarou Cheng no domingo, durante uma entrevista ao canal de televisão CTS.

A governante salientou que os processos avançados de fabrico de ‘chips’ em Taiwan, essenciais para o desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial, representam cerca de 90 por cento do valor da produção mundial. Este domínio resulta de um ecossistema de semicondutores construído ao longo de décadas e “não pode ser transferido”.

Cheng sublinhou que, embora não seja possível “redistribuir a capacidade”, poderá haver expansão da presença industrial nos Estados Unidos. Para que a cooperação bilateral na construção da cadeia de fornecimento seja viável, o modelo taiwanês deve ser adoptado, algo que, segundo afirmou, foi bem acolhido por Washington.

A responsável garantiu também que os parques científicos existentes em Taiwan não terão equivalente nos Estados Unidos, assegurando que a capacidade da indústria taiwanesa de fabrico e embalagem avançada de ‘chips’ será “muito superior” às instalações nos Estados Unidos ou noutros países.

“É essencial primeiro estabelecer fábricas em Taiwan e confirmar a viabilidade da produção em massa. Só depois as empresas expandirão com novos investimentos no estrangeiro”, defendeu Cheng, reiterando que a inovação tecnológica deve continuar a ser feita em solo taiwanês.

10 Fev 2026

Turismo | Associações querem actividades nos bairros para atrair visitantes

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, acha que o Governo pode melhorar os planos para atrair turistas para os bairros residenciais, que ficam à margem em termos de comércio dos muitos visitantes que chegam a Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o também empresário defendeu que apesar de no ano passado o Governo ter lançado várias actividades em bairros residenciais, a curta duração das iniciativas não permitiu criar entre os turistas impressões duradouras. Sem pedir uma programação diária nestas zonas da cidade, Andy Wu gostaria de ver actividades regulares todos os fins-de-semana, de forma a meter “no mapa” dos turistas lugares que normalmente não são visitados. Além disso, o responsável entende que os transportes para os bairros comunitários devem ser melhorados para facilitar o acesso de turistas.

Com os feriados do Ano Novo Chinês na próxima semana, também o empresário de agências de viagens Paul Wong indicou que o Governo deve continuar a fechar zonas da cidade ao trânsito para desviar visitantes dos pontos turísticos mais concorridos.

10 Fev 2026

UTM | Criada empresa de consultadoria e promoção cultural

A Universidade de Turismo de Macau (UTM) criou uma nova empresa que vai dedicar-se ao exercício de consultadoria em áreas como turismo, cultura, investigação, cursos de formação e ainda gestão de investimentos comerciais.

A empresa foi baptizada Desenvolvimento de Cultura e Turismo da Universidade de Turismo de Macau e a informação consta no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos. A UTM é a única accionista, com uma quota de 500 mil patacas.

O Conselho de Administração é constituído, por escolha de Sam Hou Fai, por Diamantina Luíza do Rosário Sá Coimbra, como presidente, Fátima Henrique Boyol Ngan e Cindia Lam, que desempenham as funções em regime de cumulação de funções. Lau Vai Lan é a fiscal única e vai receber 56.400 patacas por ano. Os restantes membros do conselho de administração não têm prevista remuneração fixa.

10 Fev 2026

Pearl Horizon | Só 338 residentes compraram fracções de substituição

Apenas 338 residentes dos 1.923 lesados com a não construção do Pearl Horizon avançaram para a compra dos apartamentos de substituição, disponibilizados pela Macau Renovação Urbana. Os dados foram divulgados ontem pelo canal chinês da Rádio Macau.

Os apartamentos de substituição visavam auxiliar os residentes que ficaram sem as fracções que estavam a pagar quando o Governo recuperou o terreno onde iria ser construído o empreendimento de luxo Pearl Horizon.

O prazo para a compra terminou no final de Janeiro, de acordo com o despacho do Chefe do Executivo publicado em Novembro do ano passado. O número, representa 17,6 por cento dos residentes lesados. Os apartamentos de substituição ficam localizados no edifício Pearl Metropolitan, composto por seis blocos de apartamentos com 50 andares, fornecendo 2.064 fracções autónomas.

9 Fev 2026

Segurança nacional | Calvin Chui defende nova lei

Calvin Chui, advogado e presidente da Federação de Juventude de Macau, defendeu a proposta de lei do Governo que vai permitir afastar os mandatários judiciais de qualquer processo que tenha elementos entendidos como relevantes para a segurança nacional.

“A transformação [do diploma] num sistema jurídico concreto e o aperfeiçoamento da ‘arquitectura’ de alto nível da estrutura de funcionamento da segurança nacional estão em consonância com os requisitos fundamentais da governação de Macau, de acordo com a lei”, afirmou Chui, filho do deputado Chu Sai Peng e sobrinho do ex-Chefe do Executivo Chui Sai ON, em declarações citadas pelo Canal Macau. “Esta abordagem promove também o estado de direito e a institucionalização e a normalização do trabalho de segurança nacional, com o objectivo último de estabelecer uma salvaguarda jurídica mais robusta e estável para a estabilidade a longo prazo e a prosperidade sustentada da RAEM”, acrescentou.

Segundo as exigências futuras do diploma que ainda vai ser votado na Assembleia Legislativa, a comissão vai ter todos os poderes para vetar a participação dos advogados de processos. Além disso, os mandatários judiciais têm de apresentar informação detalhada sobre as suas vidas, ligações com o exterior e também do agregado familiar.

9 Fev 2026

Paternidade | Governo rejeita apelos a reforço da licença

O Governo de Macau rejeitou ontem apelos ao aumento da licença de paternidade, apesar da região pretender reforçar a licença de maternidade e das férias anuais, para inverter a mais baixa natalidade do mundo.

Na primeira sessão de uma consulta pública, representantes de duas das mais importantes associações tradicionais do território defenderam a extensão da licença de paternidade, actualmente fixada em apenas cinco dias úteis.

Um dirigente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau disse que a licença de paternidade deveria ser prolongada até 15 dias ou, em alternativa, parte da licença poderia ser gozada pelo pai.

O representante, de apelido Sit, defendeu que a medida poderia ajudar o pai a ter um papel mais activo, nomeadamente nos primeiros meses de vida do bebé, sobretudo se a mãe ainda estiver a recuperar de parto por cesariana.

Também uma representante da Associação Geral das Mulheres de Macau apelou ao reforço da licença de paternidade, para encorajar os pais a tomar conta dos filhos e “promover a igualdade de género”.

Mas Maria Chu Pui Man, dirigente da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), rejeitou os apelos e disse apenas que o pai poderá, como já acontece actualmente, tirar dias para apoiar a família após o nascimento.

A consulta pública, a decorrer até 16 de Março, tem como base uma proposta da DSAL para estender a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias – um valor já aplicado aos funcionários da administração pública – com os custos a serem divididos entre o Governo e os empregadores.

Férias na agenda

As autoridades querem também aumentar as férias anuais no sector privado, por antiguidade. Há 40 anos que os residentes permanentes de Macau têm direito a apenas seis dias remunerados de descanso anual. Os funcionários públicos têm direito a 22 dias úteis.

O Executivo do território propõe que os trabalhadores tenham direito a mais um dia útil de férias por cada dois anos que passam na mesma empresa, até um máximo de 12 dias úteis por ano.

Um dos objectivos das alterações, disse em 30 de Janeiro o director da DSAL, Chan Un Tong, é permitir à população de Macau “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”.

O Governo encomendou em 2025 um estudo “a uma terceira entidade” – cuja identidade não foi revelada – sobre o eventual aumento da licença de maternidade e de férias anuais, que foi concluído no final de ano. O estudo incluiu um inquérito, segundo o qual os trabalhadores consideram tanto a actual licença de maternidade como o período de férias anuais “insuficiente para atender às necessidades familiares”.

Líderes do mundo

Questionado pela Lusa sobre o potencial impacto das alterações na taxa de natalidade em Macau, que em 2024 foi a mais baixa do mundo, Chan Un Tong respondeu que o objectivo é “aperfeiçoar o direito dos trabalhadores ao descanso”.

Em 2025, Macau registou 2.871 recém-nascidos, uma queda de 20,4 por cento e o menor número de nascimentos em quase 50 anos, disse em 01 de Janeiro o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou.

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.

Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em Julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.

Apesar de mais optimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.

9 Fev 2026