João Paulo Cotrim

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João Paulo Cotrim é um jornalista, escritor e editor português. Fundou e dirige a editora Abysmo.

Fragmentos de políptico

Andam aos trabalhões em mim, feito caixa de bolos classic nouveau da Confeitaria Moderna, as palavras de Cesariny dirigidas, em 1958, «Aos Escritores Por Causa do Que Se Lê», ditas em toada Precipício para a nação friorenta

À queima-roupa

Ano volvido, a cadência da crónica não deixa de perturbar a agenda...

Buracos do mundo

Assisto deliciado ao Obra Aberta da semana (http://www.abysmo.pt/obra-aberta/), com páginas folheadas pelos nómadas Patrícia Portela e Mário Gomes. Ambos me pareceram tímidos, mas de modos distintos

Girar Sobre o Eixo

ó a propaganda soube aproveitar o pretexto para pintar aura de santo inoxidável no ditador. Tudo perante a passividade dos jornalistas e do arremedo da opinião pública.

Musas sem metafísica

Tenho andado com o meio século do Zé Luiz [Tavares] iluminado pela melancolia, que não falho de humor

Corpos celestes

Dia gordo, este, que acaba sob o signo da perturbação.

Desconcertos concertantes

Circula há um mês, mais coisa menos coisa, o N.º 4 de Cidade Nua – Revista de Poesia e Palavra que o Alex [Cortez] e o Nuno [Miguel Guedes] animam

Da sorte que o azar trás

Neste outonal Verão, acolhidos pela sombra expressionista do limoeiro, a que o Manel [San Payo] chama bonsai, montámos banca na EDIT, a Feira de Edições de Lisboa, erguida pela Filipa Valadares, da STET, pela terceira vez

Os dias cobram dívidas

Que obituário escreveria o coelho, personagem principal da crónica mais pequena da nação, tantas vezes surrealista em toda a potência e delícia do termo, para dizer da vida e obra do seu criador, Jorge Listopad?

Arrojado esforço

De súbito, a mensagem: chegou o Carlos Lopes. Dava jeito aqui que usasse relógio que escrever que o olhei, mas vivemos mergulhados nas horas, sendo impossível escapar-lhes

Jardim de sombras

Desenvolvi uma alergia a reuniões. São indispensáveis, bem sei, até para, aqui e ali, ganhar o tempo da organização, mas preciso de um intervalo, de parar a torrente

Feridas de combate

Não queria acreditar, apesar de todos os sinais: a «nossa» distribuidora anunciou a insolvência, ao fim de meio ano com atrasos nos pagamentos, entre outros disfuncionamentos

Dois efes a conversar

Não há luz mais intensa que a de um pensamento, nem nada mais brilhante que o gesto da escrita.

«É o xuá das ondas a se repetir»

Salto para «As Caravanas» com Chico a viajar pelos reflexos dos hojes. Melhor, vou para Chico, sítio que continua único

Recuos, mais que avanços

Com esforço (nada é sem ele agora), procuro experimentar o tempo de modo distinto para o travestir de férias, essa invenção pequeno-burguesa

Lâminas em busca de coração

Acontece com estranha frequência que uns dias se fazem buraco negro e sorvem o à volta.

A ironia é um passaporte

A arte da mesa fez-se sinal enorme de civilização, um gosto atento aos detalhes, capaz de retirar de cada grão o essencial.

Ventos de Verão

Podes vir, que não tenho chacais no quarto.

Pode o corpo ser destino?

Abrimos portas a uma boa ideia. «All About» faz nascer de definição de dicionário um conjunto, entre o solto e o selvagem, de ilustrações.

Cadeiras que não se sentam

  Facebook, nenhures, 15 Julho Morreu Martin Landau, mas não morrerá nunca o comandante John Koening, da base lunar Alpha, que continuará eternamente a navegar nas...

Desenhar com lâmina

Abre anunciando-se sem nome ou corpo, mas não encontro na poesia contemporânea outra boca que diga assim corpo, uma forma de o ser inteiro pela palavra com que desenha e rasga.

Viver as paisagens

Naquele tempo, não via necessidade de fazer colecções na abysmo. Ei-las que surgem, de modo orgânico, ou não se tratasse de silvestre jardim.

Contar o tempo

Tenho pelo menos um leitor. A pensar em noites desinspiradas como esta, fui atirando notas para uma página. E sendo a tendência escrever mais do que a medida, ali arquivei entrada excedente sobre desarrumação.

Noites todos os dias

De vez em quando, mergulho em apneia no grande oceano da música brasileira. As redes permitem pescar com fartura e nas profundezas do passado.