João Paulo Cotrim

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João Paulo Cotrim é um jornalista, escritor e editor português. Fundou e dirige a editora Abysmo.

A ironia é um passaporte

A arte da mesa fez-se sinal enorme de civilização, um gosto atento aos detalhes, capaz de retirar de cada grão o essencial.

Ventos de Verão

Podes vir, que não tenho chacais no quarto.

Pode o corpo ser destino?

Abrimos portas a uma boa ideia. «All About» faz nascer de definição de dicionário um conjunto, entre o solto e o selvagem, de ilustrações.

Cadeiras que não se sentam

  Facebook, nenhures, 15 Julho Morreu Martin Landau, mas não morrerá nunca o comandante John Koening, da base lunar Alpha, que continuará eternamente a navegar nas...

Desenhar com lâmina

Abre anunciando-se sem nome ou corpo, mas não encontro na poesia contemporânea outra boca que diga assim corpo, uma forma de o ser inteiro pela palavra com que desenha e rasga.

Viver as paisagens

Naquele tempo, não via necessidade de fazer colecções na abysmo. Ei-las que surgem, de modo orgânico, ou não se tratasse de silvestre jardim.

Contar o tempo

Tenho pelo menos um leitor. A pensar em noites desinspiradas como esta, fui atirando notas para uma página. E sendo a tendência escrever mais do que a medida, ali arquivei entrada excedente sobre desarrumação.

Noites todos os dias

De vez em quando, mergulho em apneia no grande oceano da música brasileira. As redes permitem pescar com fartura e nas profundezas do passado.

Tempos e lugares

A Inês [Fonseca Santos] entrevistou dezenas de escritores em busca de resposta para a pergunta: «Vale a Pena?».

Paisagens dispersas

A galeria está impossível, parece o anticiclone dos Açores, o cruzamento das mais díspares correntes de ar.

Sombras e vento frio

Ainda no REALIZAR:poesia, durante o lançamento de Vertem-se Bíblias em Quimbundo (ed. Miasoave), o João Paulo Esteves da Silva explicou muito explicadinho a origem do volume: um amigo hebreu e poeta ofereceu-lhe um tablet e ele pôs-se a «andar pela cidade com os polegares»

Angústia do não conseguir

Habituei-me a ser surpreendido a torto e a direito pelo Norte, não tanto pela arquitectura ou pelo modo como as gentes se fazem casa (...). Surpreendem-me na singeleza com que fazem acontecer

Afinar os acasos

Horta seca, 15 Maio Há muito que deixei de ser dono da agenda. Fico quedo a mirar o animal indomável, a afastar-se da minha vontade,...

Gastar mundos

Óbidos, feita de tempo parado, abriu as portas aos viajantes e suas viagens. Nada parece fazer mais sentido, de tão gastas as ruas pelo arrastar dos pés dos visitantes, se até as casas parecem amaciadas pelo correr das câmaras, cada vez mais elas, que os olhos vivem presos aos ecrãs

Obsessão pela transparência

Não encontro melhor maneira de celebrar Abril. Gargalhadas e ideias trocadas ao longo do dia, sobre sol, silêncio e importâncias, tão natural como sombra de respeitável pinheiro na Senhora da Pena

Desacertos na recta do tempo

E 30 anos passaram desde a morte do Zeca. Quantas décadas contém cada canção sua? Sopram nelas ventos que confluem em espiral, forças de assombrar futuros.

Pessoas privadas

A literatura portuguesa, à escala da literatura todos os dias praticada em cada recanto da terra, pelos milhões de bichos esquisitos que a povoam, um nada desse nada.

Os olhos e a carne

Não deixa de me surpreender a quantidade de inéditos, de degraus que podem ser mundos, de minudências capazes de mudar a vida.

Tango de créditos e de débitos

A passagem pelas Caldas da Rainha resgatou do meu Esquecimento a Antologia do Henrique Fialho, ficou já escrito. Entre outras preciosidades lá descobri melancólico elogio ao anónimo e tombado em combate editor maila sua vocação, a pretexto do tristonho-como-qualquer-obrigação Dia Mundial da Poesia.

Mortais e outros voos

Última reunião de um grupo de trabalho sobre livrarias independentes, a ideia da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, que reuniu profissionais do sector para reflectir e sugerir medidas práticas ao Ministro da Cultura capazes de travar o seu definhamento e morte.

Leitor de autores

Não devia dizê-lo tantas vezes em público, para manter aquele orvalho das primeiras madrugadas.

Sei de rios

Que sei eu? Talvez por isso afirme que o fado atingiu agora extrema maturidade, sabor e saber entre figo e pão saído do forno, entre o vigor da técnica e o perfume do espírito.

Desejos de mais luz

Perdido nas correrias, nem vi chegar a festa da carne. Não consegui a pausa, apenas o bálsamo de umas quantas páginas editadas por outros.

Subidas

Com tanta palavra atirada ao ar, o chão dos festivais literários muda com os dias consoante o lento desfiar dos oradores. Pode ser tapete, conforto baço que abafa o som dos passos, onde só o pó contém memória de vida.