China / ÁsiaCooperação | China trabalha com Rússia para proteger rotas marítimas e abastecimento energético Hoje Macau - 14 Out 2026 As parcerias entre os dois vizinhos ganham novos contornos face à crise global desencadeada pelas guerras no Irão e na Ucrânia A China defendeu o reforço da cooperação com a Rússia para garantir a segurança das principais rotas marítimas internacionais e a estabilidade do abastecimento energético, num contexto de perturbações no transporte mundial de petróleo e tensões geopolíticas. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim está disposta a coordenar as estratégias marítimas com Moscovo, durante um encontro realizado na segunda-feira na capital chinesa com Nikolai Patrushev, assessor do Presidente russo, Vladimir Putin. “A China está disposta a trabalhar com a Rússia para reforçar a coordenação das estratégias marítimas, aproveitar as vantagens complementares de ambos os países e proteger os respectivos interesses marítimos legítimos”, afirmou Wang, segundo um comunicado divulgado ontem pela diplomacia chinesa. O ministro defendeu que os dois países devem “salvaguardar a segurança marítima na região Ásia-Pacífico e garantir a circulação normal nos principais corredores marítimos mundiais”. Wang sublinhou a necessidade de respeitar a soberania e a segurança dos Estados costeiros e de assegurar a estabilidade do abastecimento de energia e matérias-primas, bem como o funcionamento das cadeias de produção e abastecimento. As declarações surgem num contexto de fortes perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais vias de abastecimento energético mundial, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. As sanções ocidentais impostas à Rússia têm também aumentado a importância de rotas comerciais alternativas para Moscovo e Pequim. Durante o encontro, Wang destacou a convergência entre a iniciativa chinesa da “Rota da Seda Polar” e os planos russos para desenvolver as rotas marítimas do Ártico. “Ambas as partes devem alargar os intercâmbios nos assuntos marítimos e do Ártico, atcivando um ‘motor azul’ para o desenvolvimento das relações entre a China e a Rússia”, acrescentou. Do outro lado Patrushev, que preside ao Conselho Marítimo da Rússia, manifestou a disponibilidade de Moscovo para reforçar a cooperação com Pequim na construção de um corredor internacional de transporte através do Ártico e na governação marítima multilateral. Segundo um comunicado do organismo russo, o assessor de Putin considerou que o crescimento das relações comerciais e energéticas entre os dois países exige rotas de transporte fiáveis e resistentes a perturbações. “Com a concretização destas iniciativas, os nossos países podem transformar o mapa geoeconómico mundial, tornando o comércio marítimo mais barato, acessível e seguro face a quaisquer riscos, incluindo a escalada militar, a pirataria e as sanções”, afirmou Patrushev. A Rússia procura desenvolver o potencial económico das regiões árticas, através da criação de uma rede integrada de transportes que ligue portos, caminhos de ferro, vias fluviais e instalações industriais no norte do país, na Sibéria e no Extremo Oriente. A China considera as rotas marítimas do Ártico uma alternativa aos corredores comerciais tradicionais, particularmente num contexto de agravamento das tensões internacionais. Em Agosto, a transportadora Sea Legend lançou o primeiro serviço regular chinês de transporte de contentores para a Europa através do Ártico. Em Xangai, “capital” económica da China, o assessor presidencial russo visitou o estaleiro Waigaoqiao Shipbuilding, um dos maiores do país, e defendeu a construção conjunta de navios preparados para navegar em águas geladas, incluindo embarcações destinadas ao transporte marítimo no Ártico. Patrushev reuniu-se também em Pequim com o ministro chinês dos Transportes, Liu Wei, para discutir o desenvolvimento conjunto de novas ligações marítimas e fluviais, sobretudo nas regiões polares. Patrushev considerou que a parceria estratégica entre Moscovo e Pequim é “mais importante do que nunca” perante a instabilidade internacional.