EventosMúsica | Achun lança dois novos singles em plataformas digitais Andreia Sofia Silva - 14 Out 2026 O músico local Achun tem novidades no mercado discográfico, com dois novos singles. “Energetic” já está disponível nas plataformas digitais de streaming desde o dia 2 de Outubro; “A Lonesome Soul”, será lançado posteriormente. Eis Achun em nome próprio a explicar as influências destas composições, que vão da dança ao cinema Achun está de regresso às canções, mas não com um disco. Em entrevista ao HM, o músico de Macau disse que decidiu lançar apenas dois singles, um deles apresentado no passado dia 2, e de nome “Energetic”, já disponível em várias plataformas de streaming, como é o caso do “Spotify”. Será também lançado “A Lonesome Soul”. As origens destas produções são diferentes, mas a génese está na mesma pessoa que assume fazer música por pura paixão. E essas influências vagueiam entre géneros musicais ligados às lides culturais urbanas, como é o caso de “Chicago Ghetto House”. “No passado, a minha estratégia de lançamentos baseava-se nos EPs e nos álbuns. Agora, simplesmente quero mudar a minha abordagem e manter cada lançamento com uma só faixa. O impulso criativo por detrás de ‘Energetic’ surgiu da minha paixão de longa data [pelos géneros] Chicago Ghetto House, Footwork e Juke. Esta categoria está dentro da linhagem House, e já fiz este ‘estilo Footwork’ antes. Desta vez, ‘Energetic’ está direccionado para o House.” “Também sou um apaixonado por filmes, e já tenho alguma experiência em aparecer em algumas produções. ‘A Lonesome Soul’ cresceu a partir da influência de determinados filmes e séries”, acrescentou. Em meados de 2023, Achun lançou um outro single, intitulado “The Dance of a Heart Alone”, música na qual trabalhou por mais de dois anos. Aí começou a pensar mais na possibilidade de fazer canções e, simplesmente, disponibilizá-las em meios digitais. “No final estava a ficar cada vez menos motivado; e o único caminho que restou, enquanto ainda não queria desistir da canção, era fazer o ‘upload’ para as plataformas de streaming e deixá-la lá. Depois de ter saído, não fiz nenhuma promoção. Se o algoritmo trouxe [a canção] para uma plataforma de ‘streaming’, era esse o seu destino; se nunca for ouvida, não se perde nada. Pode-se dizer que esta foi a forma mais passiva de sempre de lançar uma canção, ou a mais experimental, ou ainda numa forma de tentativa-erro”, admitiu. Porém, com “‘Energetic’ e ‘A Lonesome Soul’ a abordagem foi completamente diferente, e quis que o lançamento destes dois singles fosse organizado, com alguma extensão desta espécie de experiência”, explicou. Acto de um crente Um dos primeiros álbuns de Achun data de 2014, e intitula-se “The Gloaming Time”, contando com faixas como “Here Comes the Moon”, “Yesteryear” ou “Hologram World”. “Everywhere”, por sua vez, surgiu em 2022 e contém oito faixas, nomeadamente a que dá nome ao álbum; “I Can’t Stand” e “I Forgot to React”. Por entre faixas e discos, fazer música é mesmo o grande amor de Achun. “Não é um mero hobby para mim, e existe quase com um sentido religioso, no sentido em que me defino como músico como um crente se define como alguém com fé.” Porém, ser músico em Macau acarreta lidar com desafios e tomar decisões. “O maior desafio de fazer música em Macau é que a maioria do público tem pouco entusiasmo pelos músicos ou mesmo um baixo nível de aceitação”, começa por dizer. “A música quase não é vista como tendo valor comercial a nível local, e algumas pessoas até a detestam e encaram-na como barulho. O Governo e alguns entusiastas, e as pessoas da indústria que estão na comunidade já recorreram a todos os métodos que podem para promover actividades relacionadas com a música, e lançamentos, incluindo bandas estrangeiras e músicos que chegam a Macau, [apostando-se também] no crescimento de bandas locais e músicos, mas nenhum foi adoptado pelo mercado.” A acrescentar a este cenário, os espaços para concertos ao vivo “têm encerrado um atrás do outro” e, no final, “sem terem mais onde tocar, as pessoas vão para a rua, e a polícia costuma aparecer para as impedir”. Desta forma, “estes factores objectivos constituem, sem dúvida, um grande obstáculo e desafio para os músicos de Macau. Nestas condições difíceis, tentei entrar no mercado da China continental”. Álbum na China Foi, assim, na China que Achuna lançou todas as cartas de que dispunha ao editar “On The Other Side”, o seu primeiro álbum, em 2012. “Na altura, até os meus amigos de Macau pensavam que eu me tinha mudado para Xangai de vez. Quanto a Hong Kong, em tempos considerei-a uma cidade onde era mais fácil desenvolver-me como músico do que em Macau, e também mais favorável à música, embora os músicos locais possam não ver as coisas dessa forma.” Achun actuou na região vizinha pela primeira vez em 2010, “quando Lai Fai, que dirigia o ‘Heavy HK’, colectivo de baixo/reggae de Hong Kong, e que na altura ainda não se tinha focado no reggae, me convidou para dar o meu primeiro concerto em Hong Kong no ‘Backstage Live House, em Lan Kwai Fong, um espaço que já fechou há muito tempo”. Esse tempo levam Achun a recordar a origem de um outro projecto, de 2021. Trata-se do LP de vinil de 180 g “Keep Da Vibez Goin’”, pela XXX Records. “Lembro-me que naquela noite, por entre a multidão, um estrangeiro andava a circular pelo público a distribuir panfletos para outra festa musical. O panfleto era mais pequeno do que a palma da mão. Essa pessoa era o Enso (Cassady Winston), que dirigia outro espaço de espectáculos [em Hong Kong], a ‘XXX Gallery’. Independentemente dos rumos que a ‘XXX Gallery’ tenha tomado mais tarde em Hong Kong, ela ainda me proporcionou, nos dez anos seguintes, muitas oportunidades de fazer atcuações ao vivo ou sessões de DJ nesse espaço”. Foi assim que Enso o ajudou a lançar o LP de 2021.