Polícia já agride bombeiros


PORTUGAL, PORTUGAL, DE QUE É QUE ESTÁS À ESPERA?

De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória
Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória.

A canção “Ai, Portugal, Portugal”, de Jorge Palma, faz uma análise directa e crítica sobre a identidade nacional portuguesa, confrontando o orgulho do passado com as consequências negativas desse mesmo legado.

No verso “Tiveste gente de muita coragem / E acreditaste na tua mensagem / Foste ganhando terreno / E foste perdendo a memória”, Palma mostra como as conquistas históricas, embora motivo de orgulho, também trouxeram uma perda de autocrítica e de consciência sobre erros cometidos, especialmente ligados ao colonialismo e à imposição religiosa.

O refrão repetido “Ai, Portugal, Portugal, de que é que tu estás à espera?” funciona como um apelo urgente para que o país reflicta e mude a sua postura diante do passado e do presente. Metáforas como “Tens um pé numa galera / E outro no fundo do mar” ilustram o sentimento de estar preso entre o passado glorioso das navegações e um presente de incerteza ou estagnação. Palma também aborda temas como a repressão social e a perda de liberdade, evidenciados em versos como “Quiseste impor a tua religião / E acabaste por perder a liberdade” e “Fizeste cegos de quem olhos tinha / Quiseste pôr toda a gente na linha”.

Muitos dos leitores do meu blogue onde publico todas as crónicas do Hoje Macau, têm-me perguntado se o título que escolhi para estas crónicas teve algo a ver com a canção de Palma. Respondo que teve a ver totalmente.

Quando Carlos Morais José, há cerca de cinco anos, me convidou, fiquei orgulhoso e a pensar no título para as crónicas e ao ouvir a canção, disse para comigo: já está! Seria ‘Ai, Portugal, Portugal’ porque este nosso país continua há muito tempo à espera de melhores dias. Haveria de descrever o que se vai passando neste rectângulo à beira-mar plantado.
E o panorama não tem sido agradável.

O país parece regredir. Parece que ficamos mais pobres. Parece que governar é pensar nas grandes empresas, nos grandes lóbis, nos grandes grupos económicos. Ainda na semana passada o Governo quis prejudicar os pobres inquilinos, obviamente com o apoio do Chega, dando a maior cobertura ao aumentando do número de despejos, alguns inquilinos com idade avançada.

No âmbito da Saúde a governação estatal apenas tem estado virada para a destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com directrizes ligadas ao apoio dos hospitais privados e à promoção dos seguros de saúde, à boa maneira americana e que têm deixado milhares de cidadãos norte-americanos na miséria sem apoio na saúde.

O actual Governo de Montenegro preocupa-se imenso com a construção de um aeroporto megalómano que deverá estar concluído lá para o ano de 2045. Preocupa-se com um TGV Lisboa-Porto, quando o importante será um comboio de alta velocidade a caminho de Espanha. Preocupa-se com mais uma ponte entre Lisboa e a Margem Sul. Preocupa-se com um Orçamento para 2027 que em nada beneficia os reformados que recebem 200, 300 ou 400 euros mensais.

Preocupa-se em enviar recados para as autarquias que sejam estas a realizar progresso na habitação social. As autarquias respondem que precisam de mais dinheiro. O Governo sublinha que mais dinheiro não há. Então, como é que a vida dos munícipes pode melhorar? Preocupa-se em inaugurar umas centenas de habitação social, todos os projectos que vieram do governo de António Costa.

Preocupa-se em enviar a polícia de choque para agredir uma manifestação pacífica dos bombeiros, que simplesmente protestavam contra o Governo que há mais de dois nem lhes responde às reivindicações de melhores condições de trabalho.

Igualmente na semana passada o país ficou em estado de choque e de luto porque uma jovem bombeira de 24 anos morreu a combater de noite um fogo posto durante a noite. Pirómanos que vão a tribunal e são enviados em liberdade, os quais regressam ao terreno para continuar a atear fogo. Uma morte revoltante porque os bombeiros continuam a manifestar falta de meios suficientes para combater incêndios praticamente impossíveis de apagar.

Muitas populações sofrem com o pânico de que os fogos destruam as suas habitações e aqueles que já ficaram sem nada esperam anos por serem ressarcidos. Ai, Portugal, Portugal de que estás à espera de baixar o preço inadmissível dos combustíveis e que assistimos a uma ministra a dizer aos condutores para que poupem combustível ou para pedirem boleia… absurdo!

Portugal está melhor, diz Montenegro. Portugal está no caminho certo, adianta o primeiro-ministro. Tem razão. Está melhor para quem é ministro, secretário de Estado, assessor ministerial cujos pecúlios mensais rondam os cinco mil euros ou mais. Para esses, está muito melhor.

Está melhor para os grandes grupos económicos, como os que são proprietários de hipermercados, que escandalosamente ainda recebem benesses governamentais e o que fazem é aumentar semanalmente os preços dos produtos essenciais para a alimentação dos portugueses.

O custo de vida está insuportável e o número de cidadãos a viver ao nível da pobreza voltou a aumenta em 2025. No entanto, gastam-se milhares de milhões de euros na compra de fragatas do mais alto nível tecnológico. E sem prestar esclarecimentos sobre essa compra de navios de guerra no que toca a contratos, comissões e custos de manutenção futura.

Portugal caminha a passos largos para uma vida melhor, sem dúvida, mas somente quando o povo acordar e pensar seriamente que não será uma nova ditadura que lhe resolve os problemas de sobrevivência. Povo, de que é que estás à espera?

P.S. – Os portugueses ficaram triste com a atitude da Federação Portuguesa de Futebol em ter permitido que um dos melhores jogadores do futebol mundial, o CR7, tenha abandonado a selecção nacional, um acto que deixou a imagem de Portugal ao nível do Terceiro Mundo.

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