China / ÁsiaXi manifesta apoio ao Brasil e rejeita “interferências externas” face a taxas dos EUA Hoje Macau - 28 Jul 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, manifestou ontem apoio ao Brasil na defesa da sua soberania e rejeitou “interferências externas”, durante uma conversa com o homólogo brasileiro, Lula da Silva, em plena tensão comercial entre Brasília e Washington. Xi fez estas declarações durante uma conversa por telefone com Lula, informou o Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC). O chefe de Estado chinês afirmou que Pequim atribui “grande importância” ao estatuto internacional e à influência do Brasil e manifestou apoio para que o país sul-americano continue a dar “contributos” para a paz e a estabilidade regionais e mundiais. Xi defendeu ainda que a China e o Brasil, enquanto “membros importantes do Sul Global”, devem posicionar-se do “lado certo da história”, da “civilização e do progresso”, desempenhando um papel “mais construtivo” na reforma do sistema de governação global e na “defesa da justiça internacional”. Lula afirmou que a cooperação bilateral “desenvolveu-se rapidamente” em vários domínios, que o comércio entre os dois países voltou a atingir um máximo histórico e que o Brasil pretende reforçar a colaboração com a China nas áreas da inteligência artificial, energia e minerais, além de atrair mais investimento de empresas chinesas, segundo o Diário do Povo. Malditas tarifas A conversa ocorreu depois de os Estados Unidos terem anunciado recentemente tarifas de 25 por cento sobre determinados produtos brasileiros, na sequência de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974. O Brasil rejeitou a legitimidade dessa investigação, anunciou que vai acionar a sua Lei da Reciprocidade e afirmou que vai voltar a apresentar o caso ao mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Governo de Lula defendeu que “não existe qualquer justificação” para medidas unilaterais contra o Brasil e acusou a família do ex-líder Jair Bolsonaro (2019-2023) de colaborar com a narrativa que, na sua perspectiva, conduziu ao novo agravamento das tarifas norte-americanas. Bons parceiros A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e as trocas comerciais bilaterais atingiram, em 2025, um máximo histórico de 171 mil milhões de dólares, mais 8,2 por cento do que no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Governo brasileiro. O Brasil foi também o país que mais investimento chinês recebeu nesse ano, com 6,1 mil milhões de dólares, e, em Abril de 2026, tornou-se o principal destino das exportações chinesas de automóveis, veículos de novas energias e automóveis totalmente eléctricos, num contexto de crescente presença de empresas chinesas nos sectores automóvel, energético, mineiro e das infraestruturas.