Manchete SociedadeImobiliário | Associação opõe-se a novos apoios do Governo João Santos Filipe e Nunu Wu - 27 Jul 2026 A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios pediu ao Executivo para desistir da ideia de criar novos apoios para as empresas responsáveis pela construção imobiliária. A associação defende um Governo que ajude antes a população a ter acesso à habitação A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios apelou ao Governo para acabar com os apoios às empresas que promovem a construção de imobiliário em Macau. O pedido da associação que anteriormente se denominava Poder do Povo foi feito na sexta-feira, através da entrega de uma carta na sede do Chefe do Executivo. Na missiva, a associação critica o facto de os apoios do Governo ao sector imobiliário apenas incentivarem lucros exorbitantes e tornarem os preços da habitação mais caros, ao ponto de não serem acessíveis para a grande maioria da população. A Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios defendeu que os preços dos imóveis devem regressar a “níveis razoáveis”, como acontecia no passado, para permitir que as novas gerações consigam comprar casa. A associação recordou que, em 2000, antes de o Governo adoptar a política de imigração por investimento, os preços da habitação na zona do bairro do Iao Hon eram “bastante razoáveis”. A associação exemplifica que, nessa altura, um apartamento T2 nos edifícios Seng Lei, Hong Tai, Lok Fu e Man On custava cerca de 100 mil patacas. “Todos os residentes conseguiam suportar o custo de uma habitação e a população tinha uma boa qualidade de vida”, pode ler-se na carta. Nos últimos anos, a Associação dos Empresários do Sector Imobiliário, ligada ao ex-deputado e empresário Ung Choi Kun, e os deputados Song Pek Kei e Nick Lei, que pertencem à lista da comunidade de Fujian, que no passado também elegeu Ung Choi Kun, têm defendido o regresso da política de acesso ao bilhete de identidade de residente para quem investe no imobiliário. Contra a especulação No documento, a associação responsabiliza ainda a política de imigração por investimento pelo descontrolo do mercado imobiliário, ao mesmo tempo que os promotores aproveitaram para “obter lucros exorbitantes através da especulação”. “Os preços das fracções passaram de 100 mil patacas para milhões de patacas devido à especulação”, acusaram. A associação argumenta ainda que, actualmente, é impossível para a maioria dos jovens acederem à habitação, porque muitos têm ordenados de cerca de 10 mil patacas. A política de imigração foi adoptada pelo Executivo de Edmundo Ho e oferecia Bilhete de Identidade de Residente a quem investisse um determinado montante no imobiliário. No entanto, Fernando Chui Sai On acabou com a política, devido ao impacto para os preços da habitação. Segundo a Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, também Ho Iat Seng, ex-líder do Executivo, afirmou que a especulação imobiliária em Macau teve origem na política de imigração por investimento. Segundo os números da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, em 2002 o preço médio do metro quadrado da habitação era de 6.261 patacas. O valor médio anual mais elevado foi atingido em 2018, quando o metro quadrado chegou a 108.427 patacas. No ano passado, o valor médio do metro quadrado foi de 70.935 patacas, o mais baixo desde 2013, quando o metro quadrado custava 81.811 patacas.