Identidade e linguagem na presença da RAEM na Bienal de Curitiba

Macau participa, pela primeira vez, na 16.ª Bienal Internacional de Curitiba, no Brasil, um evento que decorre até 15 de Novembro na capital do Estado do Paraná. Segundo uma nota de imprensa da Bienal, esta mostra resulta de uma “parceria inédita com o Museu de Arte de Macau (MAM) e o Instituto Cultural do Governo da RAEM”, revelando-se obras de três artistas locais que “investigam os desafios da condição humana na era digital”, ou seja, colocando “em perspectiva alguns dos principais dilemas do século XXI”.

Trata-se da exposição “Matéria, Corpo e Linguagem”, que ocupa uma sala no Museu Oscar Niemeyer e que reúne obras de Peng Yun, Bianca Lei e Gao Fuyan. A selecção das obras esteve a cargo de Margarida Saraiva, curadora do MAM, em parceria com Tereza de Arruda. Esta parceria constitui, para a Bienal, “um novo intercâmbio entre Brasil e Ásia e reafirma a vocação internacional da Bienal”.

Três visões diferentes

Em “Matéria, Corpo e Linguagem”, as três artistas tentam responder a uma mesma pergunta: “como permanecemos humanos quando a tecnologia passa a reorganizar a percepção, a linguagem e a identidade?”

Desta forma, “mais do que apresentar respostas, as obras convidam o visitante a reflectir sobre os novos limiares da experiência humana”, observa Margarida Saraiva no texto de curadoria da exposição. Peng Yun explora, em “WU • Stone • Sardapass”, “a relação entre pessoas e máquinas, que aparece de forma delicada”.

A artista realiza “um gesto aparentemente simples: escolhe uma pedra em uma montanha, limpa sua superfície e a cobre com folhas de ouro. Enquanto isso, um cão-robô observa a cena antes de seguir seu caminho”. Desta forma, “entre o cálculo da máquina e a contemplação humana, a artista propõe uma pausa, talvez um dos gestos mais raros do nosso tempo”.

Por sua vez, Bianca Lei apresenta “Uma Miscelânea de “Cinco Língu-Língu”, uma instalação que “aproxima cinco idiomas que compõem a identidade cultural de Macau – cantonês, mandarim, português, patuá e inglês – aos cinco elementos da tradição chinesa”. Transforma-se “a fragilidade do patuá” num “admirável gesto de resistência cultural”.

Já Gao Fuyan apresenta “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, uma “das experiências mais interactivas da Bienal”, em que “o visitante se torna parte da obra ao ter o seu rosto capturado, projectado, impresso e imediatamente triturado”.

“A destruição acontece apenas sobre a imagem, mas basta para provocar uma pergunta inevitável: o que permanece da identidade humana numa sociedade marcada pela vigilância facial e pela circulação permanente de dados?”, é questionado.

O IC encomendou estas obras “para importantes projectos realizados no MAM”, e que integram agora a Bienal. Nesta edição “convivem artistas de 38 países e regiões diferentes”, ampliando-se “o diálogo com a produção artística asiática”.

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