China / ÁsiaExecuções na Coreia do Norte aumentaram desde pandemia de covid-19 Hoje Macau - 29 Abr 2026 Um relatório divulgado ontem por uma organização não-governamental sul-coreana concluiu que a Coreia do Norte intensificou consideravelmente as execuções desde a pandemia, em particular por consumo de produtos culturais estrangeiros e infracções políticas. Pyongyang fechou as fronteiras em Janeiro de 2020 para travar a propagação do coronavírus e, nos anos seguintes, empenhou-se em reforçar a segurança, como atestam regularmente estudos de investigação e artigos da imprensa. Organizações não-governamentais (ONG) afirmam que o confinamento agravou as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte, considerado um dos Estados mais repressivos do mundo. O relatório da ONG sul-coreana Transitional Justice Working Group (TJWG) revela que as condenações à morte e as execuções mais do que duplicaram nos quase cinco anos que se seguiram ao encerramento das fronteiras, em comparação com o mesmo período anterior a este. O TJWG recolheu dados junto de centenas de norte-coreanos que fugiram do país e de vários meios de comunicação social que mantêm redes de fontes no interior deste Estado isolado, desprovido de imprensa independente. Desde a pandemia, as autoridades intensificaram o recurso à pena capital para infracções como o consumo de filmes, séries e música sul-coreanos, indicou a organização. As condenações à pena de morte relacionadas com a cultura estrangeira, a religião e “a superstição” aumentaram 250 por cento após o encerramento das fronteiras, de acordo com o documento. Críticas fatais Além disso, o forte aumento das execuções por crimes políticos, tais como críticas ao líder Kim Jong-un, pode sugerir que o Governo “está a reagir a um descontentamento interno crescente ou a intensificar a violência de Estado para reprimir a contestação política”, estima a ONG. Quase três quartos das execuções foram realizadas em público, tendo a maioria das pessoas sido mortas a tiro, indica ainda o relatório. O Governo norte-coreano é também acusado de tortura, trabalhos forçados e restrições consideráveis à liberdade de expressão e de circulação. Além disso, á acusado de explorar quatro campos de prisioneiros políticos onde até 65 mil pessoas seriam sujeitas a trabalhos forçados, de acordo com um relatório de 2025 do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.