Universidade de Coimbra | Aberta hipótese de estágios na Função Pública

A RAEM tem interesse em receber na função pública estagiários dos cursos de Administração Pública da Universidade de Coimbra. A possibilidade foi avançada pelo vice-reitor para Relações Internacionais da universidade portuguesa, que defende que a cooperação é “boa para ambas as partes”

O Governo de Macau está aberto à possibilidade de dar acesso à função pública a estagiários dos cursos de Administração Pública da Universidade de Coimbra (UC), revelou ontem à Lusa um dirigente da instituição.

O vice-reitor para Relações Internacionais e Alumni da Universidade de Coimbra (UC), João Nuno Calvão da Silva, disse que se reuniu na quarta-feira com o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng. Calvão da Silva disse que “o objectivo primeiro” do encontro foi tentar garantir estágios na função pública de Macau para os estudantes da licenciatura e mestrado em Administração Pública da UC.

O dirigente defendeu que a possibilidade de os alunos terem em Macau “uma parte do seu percurso formativo” seria “boa para ambas as partes”, assim como “muito importante para a internacionalização da Universidade de Coimbra”. Kong Chi Meng “mostrou vontade política de operacionalizar” o programa de estágios, confirmou Calvão da Silva, acrescentando que o seu interlocutor garantiu “flexibilidade para também encontrar as melhores soluções que sirvam” a Macau.

A Lusa pediu mais informações à DSEDJ e à Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, mas não obteve até ao momento qualquer resposta.

A ideia, explicou Calvão da Silva, é alargar a rede de estágios disponíveis para os estudantes de Administração Pública da UC, que já conta com mais de 90 entidades, não só em Portugal, mas também noutros países lusófonos. O dirigente revelou ainda que a UC ofereceu ao Governo de Macau a possibilidade de “jovens quadros qualificados da Administração Pública” da RAEM poderem aceder à rede de estágios profissionais da instituição.

Herança histórica

Calvão da Silva aproveitou ainda a viagem para “pôr em prática” um acordo com a Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UM), patrocinado pela operadora de casinos MGM. O protocolo, válido durante quatro anos, prevê a realização anual de dois eventos científicos internacionais, um em Coimbra e outro em Macau, referiu o vice-reitor da UC. “Em breve vai também ser concretizado com bolsas de investigação”, acrescentou Calvão da Silva, permitindo a estudantes de Direito da UC fazerem mestrados ou doutoramentos em Macau e vice-versa.

O dirigente falava à margem da abertura de uma conferência internacional que vai debater as reformas jurídicas de Macau, organizada em conjunto pela UC e pela UM, com juristas de Portugal, Interior da China, Angola, Moçambique e Brasil. A conferência é um exemplo do “diálogo entre culturas jurídicas”, que, defendeu Calvão da Silva “vai propiciar que Macau mantenha uma cultura jurídica de cruzamento entre Portugal e a República Popular da China”.

Calvão da Silva disse acreditar que o sistema jurídico de Macau “perdurará muito para além do compromisso internacional” que “une” a região e Portugal “neste período transitório até 2049”.

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