Manchete PolíticaLAG | Restauração e Associação Comercial pedem mais apoios Nunu Wu e João Santos Filipe - 30 Out 2026 Representantes do comércio local mostram-se preocupados com o ambiente de negócios para as pequenas e médias empresas e pedem soluções para a fuga do consumo para o outro lado da fronteira A União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau defendem a necessidade do Governo adoptar mais medidas de apoio à economia. As posições foram tomadas por dirigentes das associações, em declarações ao jornal Ou Mun, como antevisão das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. Segundo o vice-presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Fong Kin Fu, a esperança é que o Governo de Sam Hou Fai inclua nas LAG medidas que beneficiem directamente as empresas de restauração, bem como planos a médio e longo prazo para apoiar a economia local em cada zona da cidade. Este aspecto é visto como uma necessidade para assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento das empresas. “Não devemos depender de uma única política que possa mudar imediatamente a situação. É necessário um plano para desenvolver gradualmente a confiança do mercado”, afirmou Fong. O dirigente associativo e empresário considerou ainda que o Governo deve ouvir a sociedade, assim como os médicos auscultam os pacientes, antes de fazerem um diagnóstico. Neste sentido, Fong sugeriu ao Governo realizar estudos para compreender as razões pelas quais os residentes não querem consumir em Macau e preferem gastar dinheiro no Interior. O responsável apontou que estes trabalhos são também importantes para se compreenderem as novas formas de voltar a atrair os consumidores para a RAEM. Fong Kin Fu apontou ainda que os Prémios de Consumo nas Zonas Comunitárias, programa de atribuição de vales de desconto, não estão a ter impacto no mercado. O empresário exemplificou que observou que um restaurante com 70 mesas para banquetes só conseguiu ocupar cinco, durante o período de normal funcionamento. Além disso, os horários nocturnos tornaram-se um período com falta crónica de clientes. Problemas públicos Por sua vez, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, considera que as pequenas e médias empresas estão a enfrentar vários desafios para continuarem a operar e que o consumo dos residentes fora de Macau se tornou uma questão de “interesse público”. Ng Wah Wai alertou ainda que, dada a maior conectividade entre Macau e a Grande Baía, as empresas locais precisam de melhorar a qualidade dos serviços e dos produtos para atrair o consumo de residentes e turistas e se manterem competitivas. Quanto ao relatório das LAG, Ng Wah Wai espera medidas que apoiem as empresas na exploração de mercados externos, uma vez que, nos últimos anos, muitas pequenas e médias empresas têm manifestado interesse em expandir-se para fora de Macau. No que diz respeito ao investimento externo em Macau, o responsável considerou que o ambiente de investimento está mais animado em comparação com o ano passado. Ng Wah Wai afirmou ainda que as visitas de prospecção realizadas por “muitos investidores internacionais” a Macau mostram uma maior vontade de investir no território.