VozesMas… Hoje Macau - 6 Out 2026 Por Nuno Gomes, psicólogo e docente O General manda, pensa e escreve. Os guerreiros executam. Mas… Há guerreiros que se distinguem tanto, que por um conjunto de astutas características físicas, mentais e emocionais, chegam a patamares únicos no campo da batalha. Neste patamar, muito elevado, fazem feitos inacreditáveis e tornam-se verdadeiras lendas. São reconhecidos e admirados em todo o lado. Mas… Até as lendas envelhecem e na guerra contra o tempo, inevitavelmente perdem algumas capacidades. Chega a uma fase em que há que ser muito brioso e auto-disciplinado para ainda subir ao campo de batalha. Só uma extraordinária fome de vencer, uma eterna fonte de competitividade interna mantêm o guerreiro em boa forma, de pé, firme e convicto de que, passados tantos formidáveis anos, esta próxima batalha também é para ganhar e pode-se ser importante na obtenção da vitória. Mas… É o General quem manda, pensa e escreve. E escolhe quais guerreiros avançam para o campo da batalha. Dos guerreiros espera-se o bater da continência e o executar, se se for chamado a. Se não se for chamado, espera-se um carácter emocionalmente controlado, obediente e receptivo ao detrimento. Também se espera que se fique de guarda, caso se seja chamado mais à frente. Mas… Também é legítimo entender que, para com aquele guerreiro que se elevou ao patamar de Lenda se espere um nível de comunicação fora do comum. Há muitíssimos belíssimos guerreiros, que ficam para a história. Mas depois há as Lendas. Contam-se globalmente em toda a História talvez apenas pelos dedos de uma mão. Não se consegue chegar ao estatuto de Lenda. Não se consegue, ponto. E depois, contra todas as probabilidades, há quem consiga. Ao lidar com um guerreiro dum nível deste calibre, é inevitavelmente esperado que a comunicação seja sempre pensada, clara, frontal, e acima de tudo consistente. A consistência forja carácter. Senão pense-se: O que faz de um homem um líder? Nesta definição surgem sempre palavras como a já mencionada consistência, depois visão, inteligência, resiliência. E também integridade e empatia. Empatia. Num cargo onde se lidera, há sempre a tentação de, em confrontação, puxar dos galhardetes e virar-se “Porque sim! Porque sou eu quem manda aqui.” – e assim perder-se a capacidade de explicar claramente os porquês e perder-se empatia. Mas… Nas batalhas, acontece tudo tão rápido e de forma tão intensa, que o General tem de tomar decisões muito difíceis e em contra-relógio. A empatia aqui perde prioridade para a execução, para a defesa do batalhão, para o foco estratégico no ataque. Chega a ser caótico, e no caos há que reagir. E fazer escolhas por vezes entre o mal menor. Difícil e exigente, esta função de General… Mas… Ainda assim, é também, e sempre, da Responsabilidade do General cumprir com a sua palavra durante a batalha. Este tem de saber que, além da batalha que decorre, há que gerir o coração dos seus guerreiros. Faz parte das suas funções. E no final da batalha, se algo tiver corrido fora dos planos, ter a capacidade de conseguir comunicar claramente com os guerreiros e de recuperar tudo o que se perdeu em consistência, clareza e em empatia, sem se virar para a guerra dos egos onde todos sabem que quem manda é o General. Em especial, com uma Lenda.