PR tailandês encontra homólogo malaio para relançar processo de paz no sul da Tailândia

O primeiro-ministro tailandês encontrou-se ontem em Banguecoque com o seu homólogo malaio para relançar o processo de paz no extremo sul da Tailândia, de maioria muçulmana e que vive há quase quinze anos um conflito separatista.

O diálogo entre as diferentes partes “será retomado imediatamente e a Malásia será o intermediário”, disse o chefe da junta militar tailandesa, Prayut Chan-o-Cha, no poder desde 2014, numa conferência de imprensa conjunta.

“Estamos comprometidos em ajudar de todas as maneiras para pôr fim à violência no sul do país”, afirmou o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, que realiza a sua primeira visita a Tailândia desde a sua surpreendente vitória em maio.

“Com os nossos países a trabalhar com sinceridade para resolver o problema, este será reduzido, se não totalmente eliminado”, acrescentou Mohamad.

Nenhum detalhe ou calendário foi disponibilizado pelos dois chefes de Governo.

Desde 2004, a Tailândia, maioritariamente budista, enfrenta uma rebelião separatista em várias províncias de maioria muçulmana que fazem fronteira com a Malásia, num conflito que já fez quase 7.000 mortos, na maioria civis.

Os atentados tornaram-se mais raros desde o golpe de 2014, quando a junta militar reforçou as patrulhas e o recolher obrigatório.

Duzentas e trinta e cinco pessoas foram mortas em 2017 contra quase 900 em 2007, segundo dados da organização Deep South Watch.

Apesar disso, as negociações foram interrompidas, as autoridades tailandesas não conseguiram reunir em torno da mesma mesa a rebelião, dispersa em várias entidades.

Há algumas semanas, a Malásia e a Tailândia nomearam novos representantes para liderar as discussões.

“[A chegada dessas novas equipas] dá-nos esperança de avançar no processo de paz”, disse Panitan Wattanayagorn, assessor de segurança do vice-primeiro-ministro tailandês, Prawit Wongsuwan.

Segundo Wattanayagorn, além de as primeiras eleições desde o golpe na Tailândia estarem programadas para o início de 2019, o momento atual “é crucial para tentar fazer as coisas acontecerem”.

Vários especialistas, questionados pela agência de notícias francesa AFP, disseram que permanecem céticos sobre um possível avanço do processo de paz antes das eleições.

O grupo separatista Mara Patani, que costumava dialogar com o Governo tailandês, “disse que não participaria na mesa de negociações até que houvesse um governo democraticamente eleito na Tailândia”, disse Don Pathan, analista independente baseado na Tailândia.

Quanto ao Barisan Revolusi Nasional (BRN), grupo suspeito de estar por trás da maioria dos ataques mais violentos e “que controla praticamente todos os combatentes no terreno, não faz parte das forças com quem o Governo dialoga”, acrescentou Pathan.

Para o especialista em política tailandesa da Universidade de Naresuan Paul Chambers, o progresso das negociações não depende da Malásia, mas da junta tailandesa que “arrastou” as negociações até agora.

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