Pequim vai garantir aplicação firme de “Um País, Dois Sistemas”

O Presidente chinês sublinhou que Pequim vai garantir a aplicação “com firmeza” do princípio “um país, dois sistemas” em Hong Kong.

O Governo de Hong Kong “deve manter-se fiel a esta direcção e respeitar integralmente” aquele princípio, afirmou Xi Jinping, perante mais de dois mil convidados que assistiram, momentos antes, à cerimónia de posse da chefe do Executivo, Carrie Lam, primeira mulher a desempenhar o cargo.

Este conceito foi criado para defender a unidade do país e qualquer desafio à soberania ou apoio à oposição representa uma ruptura do princípio “um país, dois sistemas”, acrescentou Xi. “Qualquer tentativa que ponha em perigo a soberania e segurança da China, desafie o poder do Governo central e a autoridade da Lei Básica de Hong Kong ou usar Hong Kong para infiltrações ou actividades de sabotagem contra a China é um acto que passa a linha vermelha é absolutamente inadmissível”, declarou. ”. A questão da soberania, lembrou, não esteve em discussão durante as negociações com Londres.

Xi Jinping defende ainda que é importante manter a estabilidade social: “Hong Kong é uma sociedade plural.” Por isso, observou, “não surpreendem as diferentes opiniões ou mesmo grandes diferenças em questões específicas”.  Ainda assim, “fazer de tudo política, ou deliberadamente criar diferenças e provocar a confrontação, não vai resolver problemas”.

O presidente diz que o Governo Central está preparado para o diálogo com quem “ame o país, Hong Kong e que apoie, genuinamente, o princípio ‘um país, dois sistemas’, não importa a posição política” dos interlocutores.

Xi Jinping considerou que o princípio “um país, dois sistemas” foi a melhor solução para Hong Kong e que, há vinte anos, “acabou um passado de humilhação”. O respeito e aplicação do princípio “um país, dois sistemas” responde às necessidades da população de Hong Kong, de manter a prosperidade e estabilidade de Hong Kong, serve os interesses fundamentais da nação e as aspirações partilhadas de todos os chineses, disse, de acordo com a agência noticiosa chinesa Xinhua.

Mas o Governo de Hong Kong deve fazer mais para responder aos desafios colocados pela economia, habitação, segurança e aumentar a educação patriótica, considerou. Xi Jinping ofereceu a ajuda e força económica da China como “uma oportunidade” para revitalizar Hong Kong, numa altura em que o preço das habitações é incomportável para os residentes e a competitividade internacional do território diminuiu. “Criar deliberadamente divergências políticas e provocar a confrontação não vai resolver os problemas. Pelo contrário, só vai impedir gravemente o desenvolvimento económico e social de Hong Kong”, advertiu.

Ontem, o Presidente chinês terminou a sua visita de três dias a Hong Kong, com uma inspecção aos trabalhos da futura ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai, indicou a Rádio Televisão de Hong Kong (RTHK). Este mega-projecto, que se prevê ser a maior travessia do mundo sobre o mar, tem registado derrapagens orçamentais e acidentes industriais e, no mês passado, o governo de Hong Kong anunciou que a empresa contratada para realizar testes de segurança ao betão usado na ponte apresentou mais de 200 resultados falsificados.

Depois da visita à ponte, Xi dirigiu-se ao aeroporto de Chek Lap Kok, tendo deixado o território cerca da 13:00, a bordo de um avião da Air China.

 

Nova chefe do Executivo empossada

O Presidente chinês, Xi Jinping, empossou no sábado a nova chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, primeira mulher a exercer o cargo. Em seguida, os titulares dos principais cargos do governo prestaram juramento perante Carrie Lam, sob o olhar do Presidente da China. Mais de dois mil convidados assistiram à cerimónia de investidura do quinto executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong desde transferência de soberania do Reino Unido para a China, em Julho de 1997. O chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, estava entre os convidados oficiais.

Durante a manhã, decorreu a cerimónia do hastear das bandeiras da China e de Hong Kong, a marcar o 20.º aniversário da transferência, na praça Bauhinia, no centro da cidade.

Novos acordos económicos e culturais

Pequim e Hong Kong assinaram este fim de semana acordos sobre investimento e cooperação económica e técnica (Ecotech) no marco do Acordo de Parceria Económica entre a Parte Continental e Hong Kong (CEPA, em inglês). Segundo o acordo de investimento, a parte continental está comprometida a oferecer tratamento mais favorável a Hong Kong. Hong Kong também pode gozar de tratamento preferencial nos sectores de carga marítima, produção de aviões e exploração de energia. O acordo sobre Ecotech assinala especialmente o apoio da parte continental a Hong Kong na participação da iniciativa Uma Faixa, uma Rota.

O presidente Xi também participou da cerimónia de assinatura de um acordo de cooperação para o desenvolvimento do Museu do Palácio de Hong Kong. Segundo o acordo, a cooperação estende-se a áreas como a exibição de relíquias, formação de pessoal e trocas de pessoas. Assim, a colecção de obras de arte do Museu do Palácio será exibida no Museu do Palácio de Hong Kong.

Xi mostrou grande interesse no desenvolvimento cultural e artístico de Hong Kong, e foi informado sobre o planeamento do Distrito Cultural de Kowloon Ocidental e sobre a selecção e construção do local do Museu do Palácio de Hong Kong.

“O distrito não apenas oferecerá aos residentes locais um conveniente local cultural e de entretenimento, mas também favorecerá o desenvolvimento da indústria cultural e de inovação na RAEHK”, assinalou Xi. O presidente disse esperar que a RAEHK possa “impulsionar a cultura tradicional, desempenhar seu papel como uma plataforma que facilite as trocas culturais entre a China e o Ocidente e promover os intercâmbios e a cooperação culturais com a parte continental”.

Xi também assistiu a algumas selecções de ópera cantonense interpretadas por crianças. O presidente comentou que as formas de cultura tradicional, incluindo a ópera cantonense, apresentam novas oportunidades de desenvolvimento depois do retorno de Hong Kong à pátria. O presidente chinês incentivou ainda os actores de Hong Kong e da parte continental a realizar mais trocas e aprender uns com os outros.

Presidente inspecciona guarnição do ELP

O presidente chinês Xi Jinping inspecionou na sexta-feira a guarnição do Exército de Libertação Popular (ELP) na Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) no quartel de Shek Kong, na véspera do 20º aniversário do retorno de Hong Kong à China. Xi, também secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, analisou as tropas com a companhia de Tan Benhong, comandante da Guarnição do ELP na RAEHK. Mais de 3100 oficiais e soldados participaram da actividade e mais de 100 equipamentos militares, incluindo mísseis de defesa aérea e helicópteros, foram exibidos. Cerca de quatro mil espectadores de todos os sectores da sociedade em Hong Kong compareceram como espectadores.

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