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As autoridades chinesas publicaram ontem os resultados de uma investigação segundo a qual chineses da minoria étnica muçulmana Uigur, da região do Xinjiang, nordeste do país, foram formados “como terroristas” em campos de treino no Afeganistão.
Num despacho difundido ontem pela agência oficial Xinhua, que noticia que os tribunais comutaram as penas de 11 cidadãos chineses condenados por “separatismo” e “participação em ataques terroristas no Xinjiang”, são revelados detalhes da investigação.
Um dos condenados, Memet Tohti Memet Rozi, terá criado no Afeganistão um campo de treino para formar “terroristas” naturais daquela região chinesa com uma área quase 18 vezes superior à de Portugal.
Memet “manteve estreito contacto com grupos talibãs e o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental”, uma organização classificada de extremista por Pequim, assinala a Xinhua.
O Xinjiang é frequentemente palco de conflitos entre os Uigur e a maioria Han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional.
O Governo chinês assegura que organizações estrangeiras, oriundas sobretudo do Paquistão e Afeganistão, pactuam com os muçulmanos do Xinjiang.

Penas e tensões

Peritos e grupos de defesa dos Direitos Humanos consideram que a política repressiva de Pequim relativamente à cultura e religião dos uigures alimenta as tensões.
Segundo o anúncio dos tribunais, sete dos condenados viram a sua pena à prisão perpétua comutada com uma sentença de entre 19 anos e meio e 20 anos na cadeia, enquanto a sentença dos outros quatro – 8, 13 e 15 anos – foi reduzida em seis meses.
Entre os convictos consta Huseyin Celil, um Uigur que fugiu da China após ser acusado de terrorismo e conseguiu o estatuto de refugiado da ONU na Turquia, emigrando depois para o Canadá, onde obteve a nacionalidade local.
Em 2006, foi detido no Uzbequistão e extraditado para a China, onde foi condenado à prisão perpétua, entretanto comutada em pena de prisão.
 

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