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Aactual Universidade de Macau não nasceu ontem e alguns dos seus problemas talvez estejam relacionados com um erro histórico e não meramente com as desconformidades do presente.
Fundada sob o nome de Universidade da Ásia Oriental, uma instituição privada comprada mais tarde pelo Governo, mudando o nome para Universidade de Macau, foi sempre estruturada a partir de modelos anglo-saxónicos de ensino, se exceptuarmos o curso de Direito.
Ainda hoje, o reitor e a sua equipa estão muito mais perto dos modelos americanos e britânicos, do que dos praticados no continente europeu, em países como a Alemanha, França, Itália, Espanha ou Portugal.
Ora Macau nunca foi anglo-saxónico. Disso, no seu ADN, tem apenas a língua (?) e alguns maneirismos. O modo de ser e de fazer não se aproxima nem se assemelha. É distinto em inúmeras vertentes.
De um modo subtil, em Macau a cultura chinesa operou muitíssimo bem no cenário que lhe foi proporcionado pelo enquadramento europeu, prosperando e tomando, desde há muito, conta da cidade.
Talvez porque o estabelecimento de ensino olha o mundo através de uma lente americana, com outros ritmos, exigências (ou falta delas) e valores diferentes, sempre tenha existido este desajuste entre a universidade e a cidade que alberga. Ambiente agravado pela falta de entendimento das políticas estratégicas da RAEM, que atingiu um lamentável pico nas últimas semanas a propósito da Língua Portuguesa.
Uma vez mais, um desajuste entre visões do mundo, cuja justificação economicista, no seu imediatismo, pouco fica a dever ao espírito chinês e parece beber, sobretudo, noutras influências. Sempre e desde o início, anglo-saxónicas.
Aqui temos um caso em se aplicaria o ditado popular: “o que nasce torto, nunca se endireita”; se não encontrássemos nos actuais e futuros responsáveis pelas políticas de ensino locais a capacidade de entender as especificidades de Macau e a sua identidade, encontrando medidas que permitam ter uma universidade homóloga da sociedade para a qual foi criada.
Por enquanto, está torta.

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