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Alexis Tam reage ao caso da reprovação da médica macaense, garantindo que irá resolver aquilo que acha ser “um problema de comunicação”. A médica diz não compreender como é que o responsável não sabia do caso, mas mostra-se “aliviada”

OSecretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, admitiu que irá resolver o não reconhecimento das qualificações da médica macaense, chumbada pelo júri médico do Hospital Conde de São Januário. Como o HM avançou, na terça-feira, a macaense Ana Silva (nome fictício), uma médica com especialidade em Medicina Interna, avaliada em 19,6 pela Universidade de Coimbra, não foi aceite pelos Serviços de Saúde (SS).
Ontem, questionado sobre o assunto, Alexis Tam admitiu desconhecer o caso.

“Só soube pelo jornal. Fiquei surpreendido. A senhora é macaense, filha da terra, acabou o curso de Medicina na Universidade de Coimbra com boa nota, 19,6. Fiquei surpreendido porque precisamos de médicos. A senhora é de Macau, conhece bem Macau”, disse Alexis Tam, à Rádio Macau na manhã de ontem.

Confirmando que não teve acesso à carta enviada – dirigida a si e entregue em mãos aos seus assessores pela médica -, o Secretário afirmou que tudo fará para resolver a situação, adiantando que já começou a tratar da questão.

“Depois de ler a notícia liguei para o director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, a perguntar como é, porque fiquei surpreendido e acho que temos de dar oportunidade aos filhos da terra. Esta senhora tem boa formação académica, por isso temos de repensar”, declarou ao meio de comunicação.

Alexis Tam explicou ainda que espera que tudo não passe de um mal entendido, um problema de comunicação. “Estou em alerta”, disse, reforçando a sua atenção ao assunto. “Eu quero resolver este problema”, frisou.

Em linha de espera

“É um pouco estranho o Secretário dizer que não tem conhecimento do caso se o próprio assinou a homologação do meu chumbo”, começou por afirmar a médica ao HM em reacção às declarações de Alexis Tam. O facto de os próprios assessores do Secretário terem garantido, à própria, que a carta teria sido entregue em mãos é outro mistério ainda por desvendar.

Ainda assim, Ana Silva sente-se feliz pela reacção de Alexis Tam. “Estou completamente aberta para a resolução do caso. Se assim for, fico aliviada, sinceramente”, sublinha ao HM.

Depois da publicação da sua experiência, a médica conta que foram inúmeros os telefonemas e as mensagens que recebeu de apoio e relatos de experiências idênticas. “Estou feliz, confesso. Feliz porque estava receosa com tudo o que poderia acontecer, mas o feedback por parte da sociedade tem sido muito positivo e de muito apoio”, conta, sublinhando a dificuldade em manter o anonimato.

“Há tantas histórias como a minha que nunca saíram para a rua. Não é suposto isto acontecer. São mesmos muitas”, partilha com o HM, apontando a necessidade de tornar público estes casos.

Até à hora do fecho desta edição, Ana Silva ainda não fora contactada pelo gabinete do Secretário, ou pelos SS.

2 COMENTÁRIOS

  1. Bem compreendo que o discurso político nem sempre é coincidente com a vontade política. É notória a falta de médicos qualificados nos serviços de saúde de Macau. É evidente que o desenvolvimento económico de qualquer sociedade não pode viver divorciada das boas condições de saúde da população, seja no campo do tratamento médico, em que ainda se notam demasiadas carências, em total desajustamento com a riqueza produzida localmente, seja no campo da prevenção primária, área onde muito há ainda para desenvolver para a melhor qualidade de vida das suas gentes. Tudo isto constrói-se com profissionais de mérito, entre os quais existem muitos interessados, mesmo entre pessoas nascidas em Macau e que desejariam regressar para das os seus contributos. Mas existe uma muralha que impede o ingresso. Na minha óptica são preteridos os naturais, e apenas são tolerados outros, mais para a fotografia do que para as reais necessidades, porque desaproveitados. Faz falta o know-how. Todavia preferem mergulhar a população na miragem de uma terra onde nada falta, quando, sem saúde, todo o resto não passa de uma quimera. Abram-se vagas na RAEM, e escolham-se os médicos com adequada qualificação para as necessidades. Sou natural da terra. Concorri, noutros tempos, para as vagas abertas, e fui selecionado por concurso. Dei provas do meu trabalho, e posso, sem falsa modéstia, afirmar que fui um dos obreiros que muito contribuiu para a melhor qualidade de saúde e de vida em Macau. Ainda muito existe por fazer. Ofereçam-se oportunidades. E alarguem-se os horizontes. É preciso ter-se consciência que sem saúde tudo é falsa riqueza e atraso de desenvolvimento. É imperioso que se crie uma equipa de saúde capaz de dar um outro impulso a favor da Saúde na RAEM. É preciso menos conversa de circunstância e mais acção eficaz. Mãos à obra! Que a terra também é minha e onde ainda moram muitos familiares e grandes amigos meus!

  2. O importante é calar para evitar manifestações.
    Também sou filho da terra e como muitos outros deixei Macau farto de compadrios e falta de transparência

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