PARTILHAR
Depois de Alexis Tam ter prometido que vai resolver o chumbo da médica macaense, os SS reagem. Em causa nunca esteve o recrutamento da médica – tal como já se sabia – mas sim o reconhecimento da sua especialidade. Essa que continua a não ser suficiente…

Depois de se recusarem a prestar declarações, os Serviços de Saúde (SS) voltam atrás na sua decisão e apresentam a sua versão sobre o caso da médica chumbada no exame de reconhecimento da especialidade. “Até ao momento os Serviços de Saúde não expuseram a público nenhuma questão pelo facto da interessada, ter optado pela via judicial para resolver a situação”, começam por explicar as autoridades de saúde num esclarecimento enviado por e-mail ao HM.

Na resposta, os SS esclarecem que a médica em causa solicitou um pedido de reconhecimento da equivalência da especialidade médica – em Medicina Interna –, adiantando que nunca esteve em causa um processo “de recrutamento relativo a esta médica”, como a própria anteriormente confirmou ao HM.

Sem negar a necessidade de recrutar recursos humanos, os SS explicam que a aprovação do exame “não significa a admissão directa nos Serviços de Saúde”, indicando ainda que a mesma aprovação serve apenas para autorizar “o exercício da actividade médica na RAEM”.

Dos requisitos

Relativamente ao recrutamento, que os próprios SS assumem não estar em causa, as autoridades explicam que o processo para os profissionais de saúde residentes permanentes da RAEM para “exercício de funções públicas deve decorrer de acordo com os procedimentos concursais previstos na lei”, respeitando alguns requisitos, como por exemplo, ter pelo menos cinco anos de especialidade, exercidos como experiência profissional e não apenas académica. Requisito este que poderá ser contornado caso o processo de recrutamento decorra em regime de convite, informação anteriormente confirmada pelos próprios SS.

As ilegalidades no exame, apontadas pela médica na exposição enviada a Alexis Tam – resultando num processo jurídico contra os SS – continuam por esclarecer, assim como a justificação da avaliação, de 9,3 valores, a uma médica avaliada em 19,6 valores, pela Universidade de Coimbra.

Questionada pelo HM, a médica em causa confirma que até à data ainda não recebeu qualquer tentativa de contacto, nem pelo gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, nem pelos próprios SS.

2 COMENTÁRIOS

  1. Reputo ser irrefutável a má vontade política no recrutamento de médicos naturais da terra, sobretudo de quem domina a língua cantonense. Pode parecer um paradoxo. O facto de não haver nenhuma iniciativa no “recrutamento em regime de convite” a que fazem referência demonstra a verdade do que afirmo.
    Claro que fui um dos visados porque manifestei intenção de continuidade, mas não foi dado provimento apenas porque me recusei a desistir da opção de integração nos quadros da República Portuguesa. Como se a prestação, e as provas dadas localmente que eram e são do conhecimento público, não fossem critérios bastantes para uma decisão distinta caso houvesse maior preocupação dos governantes locais em assegurar a qualidade dos serviços de saúde.
    Estranho a explicação dada, e sobretudo os fracos argumentos a que se agarram para justificar o injustificável, como é o caso da contratação da médica em questão, com quem manifesto total solidariedade. Ao mesmo tempo que repudio qualquer atitude que possa induzir, mesmo que erradamente, a um gesto de xenofobia. Congratulo-me com a perseverança do vosso jornal em dar voz a quem parece quererem fazer calar. Obrigado.

  2. – Sugiro que o Governo Português tenha em atenção a mais valia – profissional e sociocultural, em se admitir Cidadãos de outra nacionalidade, em regime de contrato remunerado e/ou colaboração como voluntário. Desde que, estes profissionais, dominem, alem da sua língua materna, também a língua portuguesa. – As áreas da Saúde, Educação e Segurança Pública, deveriam ser uma prioridade. – O motivo calca-se na melhor compreensão do dialogo estabelecido entre este profissional e o utente, cuja origem seja semelhante. – Desta forma Portugal poderá dar um exemplo que não há “racismo” – no terreno e na pratica, no país. – Eu mesmo já me ofereci, como voluntário não remunerado, à varias entidades de Segurança Pública de Portugal, desde 1993, após ter realizado o mesmo trabalho profissional, durante 3 anos, no Brasil. – Para maiores detalhes estou à disposição para colaborar, pois – esta é minha especialidade – Promover o dialogo profissional, ao criar um modelo de Escola do Futuro – em 1974, em São Paulo, no Brasil. Este é o meu e-mail geo@geolingua.org

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here