Visita | XI apela ao reforço da cooperação com a Sérvia

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou esta segunda-feira ao reforço da cooperação com a Sérvia nas áreas da inteligência artificial, energia e infraestruturas, durante a visita à China do homólogo sérvio, Aleksandar Vucic.

“As duas partes devem reforçar a cooperação em novos sectores como a inteligência artificial, economia digital, energia verde e indústria de ponta”, declarou Xi durante um encontro com Vucic no Grande Palácio do Povo, sede dos congressos do Partido Comunista Chinês, segundo os meios de comunicação estatais locais.

Os dois países deverão igualmente cooperar nos setores das infraestruturas de transportes e energia no âmbito da iniciativa chinesa das “Novas Rotas da Seda”, também conhecida como “Faixa e Rota”, que visa construir infraestruturas – pontes, estradas, linhas ferroviárias e aeroportos – em países em desenvolvimento.

A China figura entre os cinco países que mais investem na Sérvia, Estado que é candidato à entrada na União Europeia (UE) e considerado próximo da Rússia. Pequim construiu uma linha ferroviária de alta velocidade, inaugurada em Outubro de 2025, e participa actualmente, segundo o Ministério das Finanças sérvio, na construção do metro de Belgrado e de várias pontes.

Durante o encontro com o Presidente sérvio, Xi Jinping apelou ainda a um “verdadeiro multilateralismo” face às “turbulências” dos assuntos internacionais. As duas partes assinaram uma série de acordos bilaterais nas áreas do comércio, tecnologia e educação.

Embora Vucic já se tenha deslocado várias vezes à China para participar em cimeiras e fóruns internacionais, esta é a primeira visita de Estado oficial ao país. Xi atribuiu-lhe uma “medalha da amizade” durante a visita, sinal da estreita relação entre ambos.

27 Mai 2026

Xi considera que o mundo corre o risco de cair “na lei da selva”

O Presidente Xi Jinping afirmou ontem que o mundo corre o risco de regredir para a “lei da selva” e elogiou a relação entre a China e a Rússia como uma força estabilizadora a nível global, ao receber ontem Vladimir Putin em Pequim, poucos dias depois de ter recebido Donald Trump.

A recepção ao líder russo decorreu com a respectiva pompa e circunstância, antes do início das conversações no Grande Salão do Povo, no coração de Pequim.

As reuniões de trabalho entre Xi e Putin começaram num “formato restrito”, com menos delegados para discutir questões sensíveis. De seguida, o formato das conversações foi alargado aos restantes membros das duas delegações, terminando por volta das 14h.

De seguida, os dois líderes participaram numa cerimónia de assinatura de vários documentos abrangendo áreas como tecnologia, comércio, investigação científica e propriedade intelectual. Entre os documentos, de acordo com a comunicação social estatal chinesa, encontrava-se uma prorrogação do “Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia”, assinado pela primeira vez há 25 anos.

Elevada qualidade

Em declarações proferidas após a cerimónia de assinatura, Xi afirmou que as relações entre Pequim e Moscovo se encontravam no “mais alto nível de parceria estratégica abrangente”, ao mesmo tempo que exortou ambos os países a oporem-se a “todas as formas de intimidação unilateral” na arena internacional.

As palavras de Xi ecoaram as suas observações iniciais, nas quais afirmou que o mundo corria o risco de regressar à “lei da selva”. Acrescentou que novas hostilidades no Médio Oriente eram “desaconselháveis” e que um “cessar-fogo abrangente é da máxima urgência”, segundo noticiou a comunicação social estatal.

Nas suas observações iniciais, Putin elogiou a relação entre os países como estando num “nível sem precedentes”, e afirmou que Moscovo continua a ser um “fornecedor de energia fiável”. Putin também convidou Xi a visitar a Rússia no próximo ano.

O Presidente chinês deverá receber Putin para um chá em Zhongnanhai, o antigo jardim imperial que agora alberga a sede do Partido Comunista Chinês.

21 Mai 2026

Cimeira Xi-Trump | Analista destaca a tentativa de evitar a escalada de conflitos

O HM convidou o analista e especialista em assuntos da China, Jorge Tavares da Silva, a comentar a visita de Donald Trump à China. O professor da Universidade da Beira Interior entende que, nestes dias, “a China vai aproveitar a oportunidade de diálogo para cooperar, estudar a posição norte-americana e defender o seu próprio posicionamento”, sendo que esta cimeira é como as “conversas de um casal em fase de divórcio, mas que ainda precisa de falar”. Serve, sobretudo, “para acertar posições e, sobretudo, evitar a escalada de um conflito entre os dois lados”, adiantou.

“Em cima da mesa estão temas como ajustamentos no domínio comercial, o acesso a terras raras e a venda de semicondutores avançados, bem como a eventual criação de um ‘conselho do comércio’ e a redução — ou pelo menos não aumento — de algumas tarifas. Os dois países procuram, acima de tudo, gerir a tensão sem a agravar, num equilíbrio cada vez mais frágil entre competição e interdependência”, considerou Jorge Tavares da Silva.

Neste contexto, Trump “poderá precisar de apresentar algum resultado com impacto interno, capaz de atenuar a onda de descontentamento e reforçar a sua posição política doméstica”, defendeu.

Agenda Médio Oriente

Entretanto, e relativamente ao conflito no Médio Oriente, que tem gerado uma crise energética mundial e tensões no Estreito de Ormuz, “não se espera nada de substancial”. Na visão de Jorge Tavares da Silva, “parte do envolvimento dos Estados Unidos no Médio Oriente pode trazer vantagens para a China”.

“Os Estados Unidos reduzem o seu envolvimento e atenção no espaço asiático, o que é favorável a Pequim. A posição chinesa deverá manter-se na sua linha habitual: defesa da paz, apelo ao fim das hostilidades e ao entendimento entre as partes, ao mesmo tempo que mantém um apoio informal ao Irão enquanto parceiro estratégico”, disse ainda.

Na mesma altura da visita de Trump à China foi lançado o relatório “Achievements, Opportunities, and Prospects of China-Arab Cooperation in the New Era” [Conquistas, oportunidades e perspectivas da cooperação entre a China e os países árabes na nova era], por parte do Xinhua Institute, um “think-tank” ligado à agência Xinhua.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira a propósito deste documento, lê-se como o país pretende “construir uma comunidade China-Árabe com um futuro partilhado na nova era promovendo a cooperação em vários domínios”, isto desde que se realizou, em 2022, a primeira Cimeira China-Estados Árabes.

Tendo em conta o actual desenvolvimento tecnológico, a China diz estar “a trabalhar activamente com os Estados árabes para promover projectos de cooperação emblemáticos em áreas relacionadas com a inovação”, lê-se no relatório.

Fragilidades e cedências

Tendo em conta outro tópico da agenda desta cimeira – a questão de Taiwan – Jorge Tavares da Silva adiantou que face à “posição relativamente fragilizada de Donald Trump nesta deslocação, em parte devido ao seu envolvimento no conflito no Irão”, poderão ocorrer “margens de cedência à China em algumas matérias”.

Uma das áreas onde pode haver cedências será “a questão da venda de armamento a Taiwan, caso seja possível obter contrapartidas noutros domínios, como o acesso a terras raras, um eventual recuo ou abandono do programa nuclear iraniano, ou o aumento das compras de produtos norte-americanos”.

“Trata-se, no entanto, de um quadro marcado por elevada imprevisibilidade na postura dos Estados Unidos, o que impede excluir, à partida, possíveis ajustamentos na abordagem à questão de Taiwan”, concluiu o analista.

15 Mai 2026

China / EUA | Representantes esperam que encontro entre Xi e Trump relance relações

O encontro entre os dois líderes deverá acontecer entre 14 e 15 de Maio em Pequim

Responsáveis chineses e norte-americanos indicaram ontem, em Hong Kong, esperar que visita prevista de Donald Trump à China, em Maio, relance as relações bilaterais entre os países. Durante numa conferência organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Hong Kong (AmCham), o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China naquele território, Cui Jianchun, afirmou que a forma como as duas maiores economias do mundo “se relacionam vai moldar o panorama global fundamental”.

“O único caminho a seguir é através do diálogo e da consulta”, disse, acrescentando que relações estáveis “servem os interesses comuns da comunidade internacional”.

Trump deverá visitar Pequim nos dias 14 e 15 de Maio para se reunir com Xi, naquela que será a primeira deslocação de um Presidente norte-americano em funções à China em quase uma década. A viagem, destinada a estabilizar as relações económicas e comerciais, estava prevista para Março, mas foi adiada devido à guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão. Está também prevista uma visita de Xi a Washington ainda este ano.

Cui afirmou que a abordagem de Pequim assenta em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica”, incluindo o respeito pelos sistemas políticos e interesses fundamentais de cada parte, bem como a gestão das divergências sem conflito. “Desde que a China e os Estados Unidos respeitem estes princípios, as relações bilaterais terão um futuro melhor”, afirmou.

O responsável confirmou que as duas partes mantêm contactos sobre a visita planeada de Trump, acrescentando que relações “estáveis, sólidas e sustentáveis” irão “reforçar a confiança da comunidade empresarial norte-americana” e aprofundar a cooperação económica.

No mesmo evento, a cônsul-geral dos Estados Unidos em Macau e Hong Kong, Julie Eadeh, destacou tanto as oportunidades como as tensões na relação bilateral. “Os desafios que enfrentamos na relação entre os Estados Unidos e a China são reais e, em alguns casos, estão a aumentar”, afirmou, reiterando o compromisso de Washington com o diálogo.

“Os Estados Unidos procuram uma relação com a China assente na equidade e na reciprocidade, que torne o nosso país mais seguro, mais forte e mais próspero”, acrescentou, sublinhando a necessidade de “condições de concorrência equitativas” e de um “acesso ao mercado justo e recíproco”.

Diálogo e incerteza

Eadeh referiu que mais de 1.400 empresas norte-americanas operam em Hong Kong, atraídas pelos “mercados de capitais e conectividade internacional” do território, descrevendo a cidade como um espaço historicamente propício ao “diálogo construtivo”, embora reconhecendo que “a cidade mudou de forma significativa” e que a política dos EUA se ajustou.

Pequim reforçou, desde 2023, o controlo de Hong Kong ao implementar duras medidas de segurança nacional e ao suprimir a oposição política local. David Butts, responsável pela AmCham em Hong Kong, afirmou que a conferência ocorre num momento de elevada incerteza.

“Não há dúvida que o clima empresarial deste ano é dos mais turbulentos”, disse, classificando 2026 como “um ano decisivo” para as relações económicas entre EUA e China, e considerando que a suspensão de um ano de sanções comerciais impostas pelos EUA está prevista terminar em Novembro.

“Estamos a antecipar desenvolvimentos significativos”, afirmou Butts, apontando para a possibilidade de vários encontros entre Trump e Xi este ano, bem como para marcos políticos importantes, incluindo a aprovação do novo plano económico quinquenal da China e a cimeira de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC na sigla inglesa), prevista para Novembro em Shenzhen.

29 Abr 2026

China apresenta proposta para restaurar paz no Golfo

O Presidente chinês, Xi Jinping, apresentou ontem ao homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al Nahyan, uma proposta de quatro pontos para restaurar a paz no Golfo, em plena tensão no estreito de Ormuz. A iniciativa foi apresentada durante a visita de Al Nahyan a Pequim, visando impulsionar o processo diplomático no Médio Oriente e no Golfo, face à crise desencadeada pela ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de Fevereiro.

Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a proposta define princípios para retomar a estabilidade na região, incluindo a adesão à coexistência pacífica, o respeito pela soberania nacional, pelo direito internacional e a coordenação em matéria de segurança.

A iniciativa surge num momento em que a China rejeitou o bloqueio do estreito de Ormuz anunciado pela administração norte-americana, tendo classificado a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “perigosa e irresponsável” e alertou que a medida pode agravar a tensão e pôr em risco o cessar-fogo na região.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que o reforço do dispositivo militar norte-americano e as acções de bloqueio vão aumentar a tensão e “minar o já frágil cessar-fogo”.

Guo sublinhou que a situação se encontra numa “fase crítica” e frisou que a prioridade deve ser evitar a retoma das hostilidades e preservar a actual trégua, instando todas as partes a respeitar os compromissos assumidos e a avançar pelo diálogo. O responsável acrescentou que apenas um “cessar-fogo abrangente” poderá criar condições para aliviar a situação no estreito e garantir a segurança da navegação, reiterando o apelo à via do diálogo e da negociação.

Sem comentários

Questionado sobre informações relativas a um petroleiro ligado à China que estará a operar na zona, Guo evitou comentar o caso concreto e limitou-se a defender a necessidade de assegurar a segurança e a fluidez do tráfego marítimo.

O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, atravessa um período de elevada tensão, após semanas de restrições impostas pelo Irão ao tráfego marítimo, em resposta ao conflito com os Estados Unidos e Israel, a que se juntou o anúncio de Washington de bloquear e intercetar determinados navios após o fracasso das negociações com Teerão no Paquistão.

15 Abr 2026

Energia | Xi pede novo sistema energético e reforço da segurança

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem a construção de um “novo sistema energético” e o reforço da segurança energética do país, num contexto de perturbações no fornecimento de combustíveis fósseis, causado pelo conflito no Médio Oriente.

Sem referir directamente a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, Xi sublinhou que a China deve “acelerar o planeamento e a construção de um novo sistema energético” e reforçar a segurança, numa fase em que Pequim aposta na diversificação das fontes de abastecimento, noticiou a televisão estatal CCTV.

O chefe de Estado apelou ao desenvolvimento “activo, seguro e ordenado” da energia nuclear e ao reforço de um sistema integrado de produção, fornecimento, armazenamento e comercialização de energia. As declarações surgem após semanas de instabilidade no Médio Oriente, onde a guerra envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos tem afectado o tráfego marítimo e pressionado o preço do petróleo, devido ao bloqueio de facto do Estreito de Ormuz.

Segundo a CCTV, nos primeiros meses do novo plano quinquenal aprovado em Março, que orienta a segunda maior economia mundial nos próximos cinco anos, a China tem acelerado a construção de infraestruturas energéticas de nova geração, com o objectivo de reforçar a cadeia de abastecimento e promover um desenvolvimento mais verde e de baixas emissões.

No final de Fevereiro, a capacidade instalada de energia eólica e solar atingia 1.880 milhões de quilowatts, um aumento de 28,8 por cento em termos homólogos, enquanto a produção eléctrica a partir de fontes renováveis já representa cerca de 40 por cento do total nacional.

Xi Jinping salientou recentemente que o carvão continua a ser a “base energética” da China, devendo desempenhar um papel de suporte.

Impacto global

O conflito, em escalada desde finais de Fevereiro, tem incluído ataques a infraestruturas energéticas e afectado o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, em circunstâncias normais, transita cerca de 20 por cento do petróleo mundial e aproximadamente 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás.

A guerra já teve impacto directo na China, ao aumentar os custos energéticos e logísticos, levando mesmo as autoridades a intervir temporariamente nos preços internos dos combustíveis. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou recentemente que alguns navios chineses conseguiram atravessar o estreito após coordenação com as partes envolvidas.

Pequim tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

8 Abr 2026

CELAC | Xi diz que China “será sempre boa amiga” dos países da América Latina e Caraíbas

O Presidente chinês, Xi Jinping, garantiu que a China “será sempre boa amiga e parceira” dos países da América Latina e das Caraíbas, numa mensagem de felicitações enviada sábado à 10.ª cimeira da CELAC na Colômbia.

No seu comunicado, Xi destacou o papel da Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC), inaugurada sábado, na “promoção da estabilidade, do desenvolvimento” e da “cooperação do ‘sul global'”, e reiterou o apoio de Pequim aos países latino-americanos e caribenhos na “defesa da soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, segundo o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.

O líder chinês sublinhou que a relação entre a China e a CELAC avançou no último ano, na sequência da IV Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC, realizada em Pequim em Maio de 2025, na qual as partes concordaram em impulsionar uma agenda de cooperação centrada em cinco áreas: unidade, desenvolvimento, civilização, paz e intercâmbios entre os povos.

Esse encontro, que contou com a presença de vários líderes latino-americanos, aprovou um plano de acção para o período 2025-2027 com uma centena de projectos e uma linha de crédito de 60 mil milhões de yuans, num contexto de crescentes laços económicos e políticos entre as regiões.

Nesse evento, a China e os países da América Latina e das Caraíbas traçaram um plano de cooperação, num fórum em que presidentes e ministros dos Negócios Estrangeiros defenderam o direito de decidir com quem comercializar, apenas algumas semanas após o início da guerra de tarifas globais desencadeada pelos Estados Unidos.

No sábado, em Bogotá, foi marcado pelo Fórum de Alto Nível CELAC-África, no qual se uniram países de ambas as regiões para rejeitar todas as formas de dominação, desde a escravatura e o colonialismo do passado aos bloqueios e guerras do presente, e durante o qual a Colômbia passou ao Uruguai a presidência ‘pro tempore’ do organismo regional.

23 Mar 2026

CCPPC | Aberta principal reunião política anual

A China deu ontem início à sua principal reunião política anual com a abertura da sessão da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), o órgão consultivo que antecede a inauguração, na quinta-feira, da Assembleia Nacional Popular, órgão legislativo.

O Presidente chinês, Xi Jinping, participou na sessão inaugural realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, acompanhado por outros membros da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). Durante a reunião foram aprovados os trabalhos da agenda e Wang Huning, considerado um dos principais ideólogos do regime e próximo de Xi, apresentou o relatório de actividades do comité permanente do órgão consultivo.

A abertura das chamadas “Duas Sessões”, o maior evento político anual da China, ocorre no início do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030), que definirá as prioridades económicas e estratégicas do país para os próximos cinco anos.

Amanhã, o primeiro-ministro, Li Qiang, deverá anunciar a meta de crescimento económico para 2026, que, segundo analistas, poderá situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento.

A reunião anual decorre também após a expulsão, nas últimas semanas, de vários altos responsáveis militares tanto da Assembleia Nacional Popular como do próprio órgão consultivo, no âmbito da campanha anticorrupção que tem reduzido a cúpula das forças armadas.

O orçamento da Defesa, que na sessão do ano passado aumentou 7,2 por cento em termos homólogos, e as mensagens políticas dirigidas às Forças Armadas deverão igualmente concentrar parte da atenção durante os debates.

 

Tensões globais

A sessão realiza-se ainda num contexto de tensões internacionais crescentes, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, e antes de uma visita prevista do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China, ainda não confirmada oficialmente por Pequim.

Nos primeiros contactos com a imprensa local, alguns membros do órgão consultivo destacaram temas como a modernização industrial e tecnológica.

O presidente da fabricante automóvel Geely, Li Shufu, apelou, em declarações citadas pelo jornal The Paper, a evitar a “competição sem sentido” no sector dos veículos eléctricos, enquanto outros delegados sublinharam avanços na tecnologia quântica e a necessidade de acelerar a regulação de veículos autónomos e da robótica humanoide.

Durante a sessão do órgão legislativo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, deverá realizar a sua habitual conferência de imprensa anual, um evento frequentemente utilizado para antecipar o tom da diplomacia chinesa num contexto internacional cada vez mais volátil.

5 Mar 2026

Moeda | Xi Jinping quer renmimbi com estatuto de divisa de reserva mundial

Xi quer que o renmimbi deixe de ser visto como uma “moeda grande” e passa a ser usado como uma “moeda forte”

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que a China deve construir uma “moeda forte” com utilização alargada no comércio internacional, investimento e mercados cambiais, capaz de atingir o estatuto de divisa de reserva global.

O apelo consta de trechos de um discurso proferido por Xi em 2024, divulgados no fim de semana pela Qiushi, a principal revista teórica do Partido Comunista Chinês.

Na intervenção dirigida a quadros provinciais e ministeriais, Xi traçou os atributos essenciais de uma potência financeira: uma base económica sólida, força tecnológica de topo, instituições financeiras competitivas, centros financeiros internacionais influentes e uma moeda credível e amplamente utilizada.

“A economia da China já se encontra entre as maiores do mundo em activos bancários, reservas cambiais e dimensão dos mercados de capitais, mas continua a ser ‘grande, mas não forte’”, afirmou o líder chinês, sublinhando que transformar o país numa potência financeira será uma tarefa de longo prazo.

A divulgação do discurso surge num momento em que Pequim intensifica os esforços para internacionalizar o renmimbi e reforçar a sua estabilidade, numa conjuntura marcada por incerteza nos mercados globais e crescentes dúvidas sobre a força do dólar norte-americano.

Nos últimos meses, a moeda chinesa tem-se mantido relativamente firme face ao dólar, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, analistas como o banco de investimento Goldman Sachs consideram que o renmimbi permanece subvalorizado – até 25 por cento abaixo do seu valor justo, segundo um relatório de Janeiro.

A posição de Pequim é de cautela: o banco central prefere uma moeda estável, mas evita valorizações rápidas. Apesar disso, a utilização internacional do renmimbi continua limitada. A compensação diária de pagamentos transfronteiriços ronda os 100 mil milhões de dólares, muito abaixo dos cerca de dois biliões movimentados pelo sistema interbancário em dólares.

 

Sinais de avanço

Um sinal recente da expansão do uso do renmimbi foi dado pela Zâmbia, que começou, em Janeiro, a cobrar impostos e dividendos a empresas mineiras chinesas directamente em moeda chinesa, canalizando-a depois para o financiamento de importações e pagamento de dívida a Pequim.

Especialistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post afirmaram que a decisão reflecte, sobretudo, a necessidade urgente da Zâmbia de mitigar a escassez de dólares e gerir melhor a sua dívida. No entanto, representa também um avanço silencioso na estratégia chinesa de promover o renmimbi como alternativa em países com forte dependência comercial da China.

“Ao aceitar a moeda do seu maior credor e parceiro comercial, o governo dá um passo racional para reduzir custos de transação e aliviar pressões na balança de pagamentos”, comentou Charles Mak, docente da Universidade de Bristol.

Xi defendeu que uma verdadeira potência financeira requer, além de estabilidade macroeconómica, “um sistema legal sólido, regulamentação eficaz e um número suficiente de profissionais financeiros com elevada competência”. Acrescentou ainda que o país deve “melhorar continuamente a capacidade de regular os mercados, prevenir riscos sistémicos e manter a estabilidade financeira global”.

3 Fev 2026

Corrupção | Investigado general de alta patente por minar autoridade de Xi

A mais alta figura do Exército Popular de Libertação e aliado próximo do Presidente Xi Jinping está sob investigação, acusado de infligir graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política nas forças armadas

 

O Exército chinês detalhou ontem as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping.

Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”.

“Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

 

Aliado próximo

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949.

De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância.

Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direcção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.

26 Jan 2026

Governo | Secretários empenhados em cumprir orientações de Xi

No rescaldo do balanço de um ano de governação apresentado por Sam Hou Fai em Pequim, os titulares dos principais cargos públicos prometeram empenho na articulação com o 15.º plano quinquenal. Além disso, comprometeram-se em nortear o rumo do desenvolvimento de Macau pelas “importantes instruções” dadas por Xi Jinping

Todo o elenco governativo, e restantes titulares dos principais cargos como a Comissária contra a Corrupção, ou o Procurador da RAEM, emitiram ontem comunicados a demonstrar empenho no cumprimento das orientações dadas pelo Presidente Xi Jinping durante a apresentação do balanço do primeiro ano de governação do Executivo liderado por Sam Hou Fai em Pequim.

Ainda antes de chegar ontem à tarde a Macau, o Chefe do Executivo “expressou a sua sincera gratidão ao Presidente pelo total reconhecimento do trabalho do governo da RAEM, bem como pela orientação valiosa e instruções importantes”. Sam Hou Fai sublinhou que o Governo irá estudar e compreender “seriamente” as orientações dadas por Xi Jinping, “bem como implementá-las, firmemente” nas Linhas de Acção Governativa do próximo ano.

Recorde-se que Xi Jinping indicou que Sam Hou Fai, liderou o novo Governo da RAEM no avanço resoluto e na acção pragmática, na defesa firme da soberania, da segurança e dos interesses do desenvolvimento do país, reconhecendo “plenamente o trabalho desenvolvido pelo Chefe do Executivo e o Governo da RAEM”. O Presidente chinês frisou que a governação se deve articular com o 15.º Plano Quinquenal, “insistir e melhorar a predominância do poder Executivo, impulsionar, de forma sólida, o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, elevar constantemente a eficiência da governação e integrar melhor a conjuntura do desenvolvimento nacional e servi-lo”.

Entusiasmo generalizado

As reacções de todos os secretários seguiram-se numa sucessão de comunicados. O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, “afirmou que as importantes instruções dadas pelo Presidente Xi Jinping nortearam o rumo de desenvolvimento de Macau”, e que todo o pessoal da sua tutela está “bastante entusiasmado” e empenhado em implementar as orientações.

Como todos os secretários, Wong Sio Chak garantiu que “a área da Administração e Justiça irá agir proactivamente na articulação com o 15.º Plano Quinquenal do país”, e continuar a aprofundar a reforma da administração pública, promover a governação electrónica e melhorar o funcionamento dos serviços públicos.

Já a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura afirmou que as “importantes directrizes” de Xi Jinping reforçaram a confiança e foram um “grande estímulo para a equipa” da sua tutela. O Lam acrescentou que as instruções do Presidente “são clarividentes, apresentando uma forte dimensão política, ideológica, estratégica e orientadora”, que serão tomadas como “guia de acção”.

Na mesma linha, o secretário para os Transportes e Obras Públicas afirmou que o 15.º Plano Quinquenal Nacional delineia, de forma sistemática, um grandioso projecto para o desenvolvimento nacional nos próximos cinco anos”. Raymond Tam Vai Man destacou as disposições sobre a optimização do layout económico regional e a Grande Baía, que “fornecem uma orientação fundamental para os trabalhos na área dos Transportes e Obras Públicas”. O governante acrescentou que é preciso ultrapassar os estrangulamentos do desenvolvimento de Macau através de grandes projectos de infra-estruturas de transportes e expandido o espaço urbano por meio de aterros e da renovação urbana.

Guardiões do país

Também o secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, afirmou que implementará as importantes directrizes do Presidente Xi Jinping. Além disso, garantiu que “serão consolidadas as funções de ‘um centro, uma plataforma, uma base’, aproveitando a vantagem única de Macau como ‘interlocutor de precisão’ entre a China e os países lusófonos para promover a cooperação com estes países”. O secretário acrescentou que a sua tutela está empenhada em ampliar intercâmbios internacionais, “narrando bem o capítulo de Macau das Histórias da China”.

Por sua vez, o secretário para a Segurança comprometeu-se em salvaguardar “firmemente a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do Estado, definindo os rumos sob a liderança do 15.º Plano Quinquenal, preparando-se para as adversidades em tempos prósperos”.

A intensificação da prevenção e redução dos efeitos de desastres naturais foi também destacada por Chan Tsz King, que se comprometeu em agir “contribuindo para a construção de um país forte e para a grande causa do rejuvenescimento nacional com a modernização ao estilo chinês”.

Outra prioridade avançada por Chan Tsz King, foi a facilitação das passagens fronteiriças, com particular foco na ligação entre Macau e Hengqin.

Já o director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), Adriano Marques Ho, garantiu que, “como guardiões da segurança nacional”, irá implementar “inabalavelmente os requisitos da “perspectiva geral da segurança nacional”, combatendo “severamente” todas as actividades que ameacem a segurança nacional. O responsável acrescentou que os SA estou “incumbidos da pesada responsabilidade de salvaguardar a ordem económica da RAEM”

A comissária contra a Corrupção, Ao Ieong Seong, optou por destacar que o 15.º Plano Quinquenal exige lucidez e firmeza na luta contra a corrupção e abusos de poder.

À chegada

Durante a apresentação a Xi Jinping do balanço da sua governação, Sam Hou Fai percebeu a grande importância e preocupação que o Presidente chinês e o Governo Central atribuem ao desenvolvimento de Macau, afirmou o Chefe do Executivo à chegada à RAEM, ainda no aeroporto. O governante local reiterou os “sinceros agradecimentos” pelo apoio de Pequim e garantiu que irá unir e liderar todos os sectores da sociedade para estudar, implementar e executar plenamente os discursos e instruções “importantes” de Xi Jinping, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau.

Sam Hou Fai afirmou ainda que as directrizes indicadas pelo Presidente chinês vão guiar o planeamento das tarefas-chave do Executivo para o próximo ano, e anos seguintes. Segundo o Chefe do Executivo, o líder chinês pediu melhorias no sistema jurídico e nos mecanismos de aplicação da lei para salvaguardar a segurança nacional.

18 Dez 2025

Diplomacia | Relação com Moscovo é “escolha estratégica”, diz Xi Jinping

O líder chinês defendeu, num encontro em Pequim com o primeiro-ministro russo, a cooperação com Moscovo apesar do “ambiente turbulento” internacional

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que salvaguardar, consolidar e desenvolver as relações com a Rússia constitui uma “escolha estratégica” para ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, em Pequim.

Xi destacou que a cooperação bilateral “tem avançado com determinação, apesar de um ambiente externo turbulento” e manifestou disponibilidade para alinhar o 15.º Plano Quinquenal da China com as estratégias de desenvolvimento económico e social da Rússia, de modo a “promover um crescimento de maior qualidade e nível”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.

O líder chinês, que também é secretário-geral do Partido Comunista, apelou a uma “coordenação estreita” e à implementação dos consensos alcançados com o Presidente russo, Vladimir Putin, para “expandir o bolo da cooperação” e contribuir para o desenvolvimento global e a paz mundial.

Xi apelou ainda ao reforço dos intercâmbios entre os povos e sectores sociais dos dois países e à consolidação das parcerias em áreas como energia, agricultura, conectividade e indústria aeroespacial, além da exploração de novas frentes de cooperação em inteligência artificial, economia digital e desenvolvimento verde.

Cooperação e consensos

Mishustin transmitiu os cumprimentos de Putin e expressou a vontade de Moscovo em aprofundar a cooperação económica, científica e tecnológica com Pequim, no seguimento dos consensos alcançados pelos dois chefes de Estado. O encontro decorreu um dia depois de Mishustin se ter reunido com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, em Hangzhou (leste), onde afirmou que os laços entre Moscovo e Pequim “continuam a prosperar apesar das sanções ilegais do Ocidente”.

Mishustin participa esta semana no 30.º encontro ordinário entre os chefes de Governo dos dois países, centrado no reforço da cooperação energética, comercial e tecnológica, numa altura em que China e Rússia aprofundam a aliança face à pressão dos Estados Unidos e da União Europeia.

5 Nov 2025

Filosofia e História: Interpretando a “Era Xi Jinping”

Por Jiang Shigong

Jiang Shigong (强世功, nascido em 1967) é professor da Universidade de Pequim e um dos quadros mais importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) na área da filosofia, uma figura central no pensamento que defende um caminho de desenvolvimento distinto para a China, baseado nas suas próprias tradições e realidades, em contraponto com os modelos ocidentais. Uma leitura importante para compreender o modo como a filosofia clássica é integrada na via actualmente percorrida pela liderança chinesa e onde igualmente se referem as diferenças entre o “Ocidente metafísico” e a “China histórica”.

(continuação do número anterior)

O comunismo e o grande renascimento da nação chinesa

O segundo posicionamento da era Xi Jinping realizado no relatório ao 19.º Congresso do Partido é o seu posicionamento na história da civilização chinesa.

A civilização chinesa já alcançou as maiores conquistas da era agrícola da história da humanidade e, por meio das relações comerciais facilitadas pelas Rotas da Seda terrestres e marítimas, trocou e aprendeu com a civilização ocidental. Quando o Ocidente entrou no período sombrio da Idade Média, os europeus em busca de comércio com a Ásia descobriram acidentalmente o novo continente americano, o que deu origem à era do imperialismo europeu em todo o mundo. De acordo com a visão dos «estudiosos da Califórnia» dos Estados Unidos, antes do século XVIII, a China era, no mínimo, o centro da economia mundial. Na época, a cultura chinesa era invejada pelo Ocidente, e a prosperidade da China era uma força importante na criação da globalização. No entanto, desde 1840, a China moderna passou por humilhações e misérias. Desde o Movimento de Autofortalecimento, passando pelas Reformas de 1898 e pela Revolução de 1911, inúmeras almas corajosas buscaram continuamente o caminho para a renovação da nação, mas sem sucesso. Somente em 1921, com a fundação do PCC, a história do povo chinês passou por uma transformação fundamental.

Como partido político marxista, o ideal político mais elevado do PCC sempre foi a chegada do comunismo. Mas, na história real dos esforços para alcançar esse ideal mais elevado, surgiu dentro do partido, desde o início, uma luta entre duas linhas revolucionárias. Uma era «tomar a Rússia como nosso mestre» e, assim, posicionar a revolução chinesa no panorama global do movimento comunista internacional, copiando cegamente a linha revolucionária da Rússia Soviética. A outra linha estava enraizada no solo da China e posicionava a revolução chinesa na história moderna chinesa, com o objectivo de criar uma nova linha revolucionária baseada nas realidades chinesas. Durante a Guerra Antijaponesa, essa contradição tornou-se a questão de se priorizar a luta de classes ou a luta nacional. Após a reunião de Wayaobao 瓦窑堡 em dezembro de 1935, quando foi apresentada a teoria de que o PCC poderia conter «duas vanguardas», representando tanto as classes trabalhadoras como o povo chinês como um todo, a ideologia política do PCC evoluiu para a unidade orgânica do comunismo e do nacionalismo, o que deu início ao gradual desenrolar da sinificação do marxismo.

Após a fundação da Nova China, o PCC baseou-se na sua crença nos ideais do socialismo e do comunismo para arquitectar uma mobilização social abrangente, que libertou uma grande força política para estabelecer a base institucional da República Popular. Mas após a «Revolução Cultural», a China entrou numa crise de confiança sem precedentes. Diante disso, Deng Xiaoping usou a teoria do período inicial do socialismo para projectar o comunismo num futuro mais distante e também apresentou a “teoria do socialismo com características chinesas”. No entanto, como as pessoas em geral não tinham o apoio de uma crença espiritual genuína nessa teoria, os valores do capitalismo ocidental aproveitaram-se da situação e rapidamente passaram a dominar a sociedade, o que provocou uma tempestade política.

Foi neste contexto que Jiang Zemin 江泽民 (nascido em 1926), numa palestra na Universidade de Harvard em 1992, utilizou pela primeira vez o slogan relativo ao «grande renascimento da nação chinesa» 中华民族的伟大复兴 e, pouco depois, também propôs o conceito das «Três Representações». O primeiro consolida a força espiritual de todo o Partido e do povo de toda a nação por meio do nacionalismo, e o segundo permite que o PCC represente os interesses políticos das novas camadas sociais emergentes, evitando com sucesso a crise de representatividade que ocorreria se o Partido pudesse representar apenas os interesses dos trabalhadores e camponeses.

Mais tarde, Hu Jintao 胡锦涛 (nascido em 1942) deu um passo adiante ao oferecer sua noção de “construção avançada” 先进性建设 do Partido, de modo a evitar a situação em que o PCC perderia a confiança nos seus ideais e se tornaria um partido político de grupos de interesse cujo objectivo fosse a simples harmonização de vários interesses, evitando assim tornar-se um «Partido de todo o povo 全民党» como o da antiga União Soviética. Pode-se dizer que, no processo de desenvolvimento da teoria do socialismo com características chinesas, o lançamento do slogan «o grande renascimento da nação chinesa» foi uma mudança fundamental.

Do ponto de vista da história da civilização chinesa, o grande renascimento da nação chinesa significa que a China está a seguir o período Shang-Zhou, o período Qin-Han, o período Tang-Song e o período Ming-Qing, entrando no quinto período de renascimento geral. A brilhante imaginação política de milhares de anos de civilização chinesa preenche com sucesso o vazio espiritual deixado pelo enfraquecimento da visão comunista. Essa confiança política nacionalista tornou-se uma importante força espiritual que consolida todo o Partido e o povo de toda a nação; essa autoconfiança nacional e sentimento de orgulho são benéficos para a estabilidade política da China e impulsionaram a economia chinesa através de sua rápida ascensão. Após o 18.º Congresso do Partido, Xi Jinping deu um passo adiante e elevou o grande renascimento da nação chinesa ao nível do «Sonho Chinês» 中国梦, proporcionando ao povo chinês uma visão futura de uma vida ideal.

É claro que, se não tivermos a orientação dos ideais mais elevados e da fé do comunismo e confiarmos apenas no grande renascimento da nação chinesa, a China poderá muito bem perder o rumo. Do ponto de vista das relações internacionais, slogans nacionalistas simplistas podem facilmente provocar reacções nacionalistas e preocupações noutros países, especialmente nos países próximos da China. É por isso que a teoria ocidental da “ameaça chinesa” é tão atraente. Os ocidentais muitas vezes partem de sua própria experiência histórica como hegemonia e interpretam o grande renascimento da nação chinesa como uma restauração da soberania histórica da China no Leste Asiático, vendo assim a ascensão da China como um desafio à hegemonia ocidental. O “voltar para a Ásia” dos Estados Unidos e os seus ataques à China em questões relacionadas ao Mar da China Oriental e ao Mar da China Meridional usam isso como desculpa.

Os estudiosos ocidentais sempre vêem erroneamente a ascensão da China como uma repetição do desafio da Alemanha à hegemonia inglesa ou do desafio da União Soviética aos Estados Unidos, e começaram a prestar atenção ao que chamam de «armadilha de Tucídides». O que a «Uma Faixa, Uma Rota» propõe é um novo conceito e estrutura para «negociar, construir e partilhar em conjunto» com base na promoção do comércio livre global, que irá recriar a prosperidade e a estabilidade que o comércio entre o Oriente e o Ocidente durante a era da Rota da Seda produziu. Mas, na visão de mundo da hegemonia ocidental, as propostas da «Uma Faixa, Uma Rota» foram entendidas como uma estratégia política regional digna de Halford Mackinder e Alfred Thayer Mahan. Eles usam isso para semear a discórdia entre a China e os países envolvidos na «Uma Faixa, Uma Rota», na esperança de conter o desenvolvimento da China.

Da perspectiva da política interna da China, o grande renascimento da nação chinesa não está necessariamente em contradição com os sistemas democráticos liberais ocidentais. Os liberais chineses viram novas possibilidades políticas nisso, o que resultou em divisões dentro das fileiras liberais, nas quais um grupo começou a ajustar a sua estratégia, vendo a sua fetichização passada dos direitos individuais e dos mercados livres, e a sua consequente oposição à nação e ao povo, como uma espécie de imaturidade política. Este grupo apressou-se a abraçar a ascensão da nação como um sujeito político. Isto estimulou o desenvolvimento do «grupo do grande país» 大国派, que argumenta que só adoptando uma constituição democrática liberal é que podemos realmente levar a cabo o grande renascimento da nação chinesa. Para eles, as constituições inglesa e americana devem tornar-se o modelo para a ascensão da política chinesa, enquanto os fracassos da Alemanha e da antiga União Soviética servem como lições negativas para a ascensão da China.

Ao mesmo tempo, com o lançamento do slogan do grande renascimento da nação chinesa, também surgiu um grupo de conservadores culturais. Eles transformaram-se numa espécie de «grupo de renascimento da antiguidade» 复古派 e defendem a «confucionização do Partido», negando as conquistas históricas da revolução nacionalista liderada pelo PCC em termos de igualdade e chegando ao ponto de negar o Movimento Quatro de Maio e a Revolução Republicana. Nesse contexto, os resquícios do pensamento restauracionista feudal vieram à tona, unindo-se ao capital comercial e ao capital cultural, na esperança de que essas relações e interesses feudais penetrem no Partido. Pode-se dizer que essas duas correntes de pensamento político se uniram ao pensamento liberal sobre a chamada “reforma das instituições políticas” para apresentar um desafio à autoridade política da liderança do PCC no país e ao sistema político. Neste contexto, a renovada insistência de Xi Jinping nos ideais e crenças comunistas determinou os mais altos ideais e crenças e a direção final do desenvolvimento do grande renascimento da nação chinesa.

Tanto o utopismo como o comunismo são ideias que têm as suas origens na tradição civilizacional ocidental. Foi a concepção histórica cristã do tempo linear que mudou a visão clássica do tempo como cíclico. Isto não só plantou as sementes do pensamento utópico que imaginava um futuro belo, como também introduziu a noção do desenvolvimento do progresso social na teoria ocidental. Por esta razão, os estudiosos ocidentais acreditam que a teologia cristã da salvação e as visões do progresso histórico na teoria moderna fazem parte da mesma genealogia, e alguns atribuem a ascensão do comunismo ao gnosticismo cristão. É por isso que o marxismo pode ser interpretado como uma versão secular do determinismo.

Mas Marx enfatizou consistentemente que o «comunismo» deve ser transformado de utopismo em socialismo científico, o que significava que o comunismo tinha de ser realizado na vida real, tornando-se um estado concreto de vida sujeito a testes, no qual o «comunismo» se tornaria uma «sociedade comunista» num sentido verdadeiramente científico. Se dissermos que, na época de Marx, o socialismo ainda não havia sido construído, o que significa que o comunismo só poderia ser uma noção filosófica distante, então, depois que a Rússia Soviética e a China construíram países socialistas, o «cronograma» e o «projecto» para a realização da sociedade comunista tornaram-se mais acessíveis.

O comunismo enfrenta agora o desafio de ser transformado de um conceito filosófico numa «sociedade comunista» com instituições e estruturas concretas. Seja no caso da fantasia de Lenine de «poder soviético mais electrificação» ou da imaginação de Mao Zedong de comer da «panela comunitária» no período das Comunas Populares, os ideais, uma vez que descem ao mundo, perdem o seu brilho original. Foi precisamente a tensão interna entre o comunismo como conceito filosófico e a construção de uma sociedade comunista de maneira genuinamente científica que levou Mao Zedong a começar a questionar-se sobre questões filosóficas básicas, como se a sociedade comunista fosse uma contradição nos seus termos. É como a «busca do milénio» no cristianismo, em que o retorno de Deus à Terra só pode ser repetidamente adiado. Se realmente experimentássemos o julgamento de Deus aqui na Terra, o cristianismo também poderia perder parte do seu brilho.

O que devemos prestar especial atenção é ao facto de que, quando Xi Jinping enfatiza um retorno aos princípios comunistas, ele não está a falar da «sociedade comunista» que era parte integrante do socialismo científico, mas está a usar a ideia de que «aqueles que não esquecem sua intenção original 不忘初心 prevalecerão», extraída da cultura tradicional chinesa. Ao fazer isso, ele remove o comunismo do contexto social específico da tradição científica empírica ocidental e astutamente o transforma no Estudo do Coração da filosofia tradicional chinesa, o que, por sua vez, eleva o comunismo a uma espécie de fé ideal ou crença espiritual.

Por esta razão, o comunismo nunca mais será como era sob Mao Zedong — algo que deveria assumir uma forma social real no aqui e agora — mas é, em vez disso, o ideal e a fé mais elevados do Partido. Tornou-se parte da educação e do cultivo do Partido, o «Estudo do Coração» do PCC. O comunismo não é apenas uma sociedade concreta a ser realizada num futuro distante, mas também o ideal mais elevado que será absorvido pela prática política actual, um estado espiritual vibrante. O comunismo não é apenas uma bela vida futura, mas também, e mais importante, o estado espiritual dos membros do Partido Comunista na sua prática da vida política.

Desta forma, o comunismo funde-se com o processo histórico específico e a vida quotidiana como ideais e lutas. Precisamente no contexto da cultura tradicional chinesa, a compreensão deste ideal mais elevado já não é a de Marx, que pensava dentro da tradição teórica ocidental; já não está no Jardim do Éden da humanidade, «não alienado» pela divisão do trabalho dentro da sociedade. Em vez disso, está intimamente ligado ao ideal de «Grande Unidade sob o Céu» 天下大同 da tradição cultural chinesa. A última secção do relatório ao 19.º Congresso do Partido começa com a frase «quando a Via prevalece, o mundo é partilhado por todos» 大道之行,天下为公, um ideal supremo que encoraja todo o Partido e o povo de toda a nação. E no conteúdo específico do relatório também encontramos a passagem, desenvolvida com base na noção de “Grande Unidade sob o Céu” da tradição chinesa, no sentido de que “os jovens terão educação, os estudantes terão professores, os trabalhadores terão remuneração, os doentes terão médicos, os idosos terão cuidados, aqueles que procuram habitação terão habitação, os fracos terão apoio”.

Por esta razão, voltando ao tema de «não esquecer as intenções originais», no seu discurso de 2016 comemorativo do 95.º aniversário do PCC, Xi Jinping utilizou o termo «intenções originais» para se referir aos grandes ideais do comunismo e, no relatório ao 19.º Congresso do Partido, referiu-se a «procurar a felicidade do povo chinês, procurar o renascimento da nação chinesa». A diferença entre os dois é que, para todo o Partido, o «discurso de 1 de julho», que celebra a fundação do Partido Comunista Chinês, é uma reflexão intelectual altamente filosófica e um baptismo espiritual, razão pela qual ele prestou ainda mais atenção aos mais elevados ideais do comunismo e os transformou no «Estudo do Coração» para os membros do PCC.

Em contrapartida, o relatório ao 19.º Congresso do Partido está mais preocupado com todo o Partido, com a sua missão nesta fase da história e com estratégias concretas de governação, e, por isso, ele dá mais atenção ao grande renascimento da nação chinesa, uma crença e um objectivo mais prementes, em que o comunismo ocupa o seu lugar no trabalho concreto de construção do Partido como um valor socialista fundamental. Podemos dizer que a nova leitura de Xi Jinping dos conceitos comunistas é um modelo da sinificação do marxismo na nova era, na qual o marxismo não deve apenas ser integrado à situação actual da China, mas também absorvido pela cultura chinesa. Por esta razão, a mais elevada busca espiritual do comunismo e a realização do grande renascimento da nação chinesa são mutuamente complementares e, juntas, tornaram-se os pilares espirituais através dos quais Xi Jinping consolidou todo o Partido e os povos de toda a nação.

É precisamente por causa de sua fé nos ideais do comunismo que o grande renascimento da nação chinesa não pode, de forma alguma, retornar ao passado da China, mas deve, em vez disso, «renovar um país antigo». O grande renascimento da nação chinesa deve estar intimamente ligado à construção do socialismo com características chinesas. Se dissermos que, durante a era de Deng Xiaoping, a ênfase no slogan «socialismo com características chinesas» estava nas «características chinesas», então, na era de Xi Jinping, a ênfase está no «socialismo», usando os princípios políticos básicos do socialismo para corrigir tanto as interpretações liberais quanto as conservadoras do grande renascimento da nação chinesa. E isso significa que o socialismo com características chinesas deve assumir novamente uma posição dentro do movimento comunista mundial.

(continua)

16 Out 2025

Filosofia e História: Interpretando a “Era Xi Jinping”

Por Jiang Shigong

Jiang Shigong (强世功, nascido em 1967) é professor da Universidade de Pequim e um dos quadros mais importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) na área da filosofia, uma figura central no pensamento que defende um caminho de desenvolvimento distinto para a China, baseado nas suas próprias tradições e realidades, em contraponto com os modelos ocidentais. Uma leitura importante para compreender o modo como a filosofia clássica é integrada na via actualmente percorrida pela liderança chinesa e onde igualmente se referem as diferenças entre o “Ocidente metafísico” e a “China histórica”.

Em 18 de outubro de 2017, o 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês teve início sem problemas em Pequim. Alguns meios de comunicação proclamaram que o mundo havia entrado na «era chinesa», porque o facto de «o socialismo com características chinesas ter entrado numa nova era» se refere a uma nova era não apenas na China, mas no mundo em geral. Esta nova era já foi apelidada de «era Xi Jinping» por estudiosos perspicazes na China e no exterior.
Se quisermos compreender a era Xi Jinping, devemos primeiro estudar seriamente o grande discurso de Xi no 19º Congresso do Partido, “Garantir uma vitória decisiva na construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos e lutar pelo grande sucesso do socialismo com características chinesas para uma nova era 决胜全面建成小康社会,夺取新时代中国特色社会主义伟大胜利”. Actualmente, os media estão a divulgar análises e interpretações de especialistas, com foco nos novos conceitos, pontos de vista, ideias e medidas pronunciados no discurso, na esperança de que estes entrem nas mentes, discursos e ações de todos os membros do Partido e da sociedade em geral, tornando-se o consenso político de todo o Partido e dos vários povos de toda a nação, alinhando a liderança do Partido com o povo como um agente orgânico, unificado e ativo, realizando assim os desafios estratégicos e os planos da era Xi Jinping. Por esta razão, o relatório de Xi ao Congresso do Partido é o texto central que consolida os corações do povo na nova era e pode até ser visto como uma expressão política de como o PCC responderá à sua missão histórica nos próximos trinta anos.
Se quisermos compreender o relatório ao 19.º Congresso do Partido, devemos primeiro compreender o PCC. O PCC é um partido político orientado por princípios com origem no marxismo. É uma vanguarda colectiva cujo mandato histórico, revelado pelo marxismo, é perseguido com empenho e espírito de sacrifício. É um órgão de ação política altamente secular, racional e organizado. Por esta razão, a primeira missão do Partido é resolver a tensão entre a verdade filosófica e a prática histórica, unir a verdade filosófica universal do marxismo com a realidade histórica concreta da vida política da China, produzindo linhas, orientações e políticas que possam fornecer orientações concretas na prática. Este processo é aquele em que a teoria orienta a prática e a prática testa a teoria, e onde a prática permite a avaliação, melhoramento e criação da teoria.

Este processo de movimento dialéctico entre teoria e prática, filosofia e história, é precisamente a «sinificação do marxismo», que criou uma longa e rica tradição intelectual. O novo pensamento do Partido só pode ser compreendido, herdado e levado adiante quando visto dentro de uma tradição que começa com o marxismo, o leninismo, o pensamento de Mao Zedong, a teoria de Deng Xiaoping, o importante pensamento das «Três Representações», o desenvolvimento científico e o pensamento de Xi Jinping para o socialismo com características chinesas na nova era, revelado no 19.º Congresso do Partido.

A tradição real à qual esta teoria está ligada é a tradição filosófica chinesa criada por Confúcio, por volta de 500 a.E.C. Noções filosóficas como «estudo» e «conhecimento» devem ser integradas com ideias de «prática» e «acção» a partir de práticas concretas da vida, e somente quando «estudamos e, na altura certa, praticamos o que estudamos 学而时习之», somente com «a unidade do conhecimento e da acção 知行合一» podemos obter o verdadeiro conhecimento. Por esta razão, o povo chinês sente que a filosofia não é apenas «conhecimento», tal como entendido na tradição metafísica ocidental como teorias e investigação produzidas por académicos, mas é, em vez disso, algo que revela um mandato histórico e consolida o consenso político de todo o Partido e do povo e que, por esta razão, se torna um guia para a acção.

Uma razão importante pela qual os ocidentais têm dificuldade em compreender as teorias do PCC é que a sua forma filosófica de pensar tem sido condicionada pela tradição metafísica do Ocidente. Estão habituados a um processo lógico que procede de conceito em conceito e, por isso, não conseguem compreender verdadeiramente a tradição filosófica chinesa da «unidade do pensamento e da acção». Não conseguem ligar conceitos teóricos à prática histórica concreta e não conseguem compreender as estratégias interpretativas únicas que a tradição filosófica chinesa sempre empregou.

Por esta razão, se quisermos compreender a era Xi Jinping anunciada pelo seu grande relatório ao 19.º Congresso do Partido, bem como a missão histórica da era Xi Jinping e o Pensamento Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era desenvolvido para cumprir esta missão histórica, então devemos ter não só uma abordagem filosófica, mas também, e mais importante, uma abordagem histórica. Este grande relatório ao 19.º Congresso do Partido foi escrito de forma a integrar filosofia e história, ligando assim reflexões filosóficas universais à prática histórica concreta.

O posicionamento histórico da era Xi Jinping: do tempo natural ao tempo político

Do ponto de vista da minha investigação, o grande relatório do 19.º Congresso do Partido posiciona, na verdade, a era Xi Jinping na história de quatro maneiras. A primeira é a sua posição na história do PCC e na história da RPC. O relatório indica claramente que: «O socialismo com características chinesas entrou numa nova era, o que significa que o povo chinês, que sofreu durante muito tempo na era moderna, deu agora um grande salto, passando de se levantar 站起来, a enriquecer 富起来, a tornar-se forte 强起来.» «Levantar-se», «enriquecer» e «tornar-se forte» são formas de dividir as histórias do nosso Partido e da nossa República, referindo-se, respectivamente, à era de Mao Zedong, à era de Deng Xiaoping e à era de Xi Jinping em que estamos a entrar. Estas divisões não são as compreendidas pelos historiadores académicos, mas devem ser analisadas de um ponto de vista político. Utilizar divisões históricas para expressar o pensamento político é um método básico empregado pela filosofia tradicional chinesa.

A civilização ocidental é construída sobre uma tradição filosófico-teológica de antagonismos binários, entre fenómeno e existência, vida na terra e vida no céu. Na tradição cristã, o objectivo final e o significado da existência humana vêm de Deus no céu, razão pela qual o objectivo final da luta ocidental é chegar à realização de várias versões do “fim da história”. Mas, na tradição da civilização chinesa, os reinos mundano e sobrenatural não estão estritamente separados, e ambos são absorvidos num mundo completo onde o céu e a humanidade são um só. O objectivo e o significado da vida para o povo chinês não era como chegar ao céu, mas sim como localizar um significado universal e duradouro dentro do «universo família-Estado 家国天下» historicamente existente.

Por esta razão, os chineses, e especialmente os políticos, procuravam todos deixar o seu nome na história através de realizações profissionais. E o objectivo dos historiadores chineses não era uma simples pesquisa de factos objectivos, como enfatizado pelos historiadores modernos, mas sim uma busca filosófica por valores universais e significado nos registos factuais. Ditos como «os Seis Clássicos são todos histórias 六经皆史» e «os clássicos e a história são um só 经史不分» confirmam esta ideia.

Por esta razão, a construção da legitimidade na ordem política chinesa deve ser, em primeiro lugar, uma construção histórica. A ordem política clássica na China começou com os Três Soberanos e os Cinco Imperadores [aproximadamente no terceiro milénio a.C.] e os reinados de Yao, Shun e Yu [que governaram durante este período], e a razão pela qual aqueles que conquistaram o poder e governaram se autodenominavam «imperadores» era porque esperavam obter legitimidade política dos Três Soberanos e Cinco Imperadores enquanto trabalhavam para estabelecer um novo regime.

Mas a ordem política moderna deve ser construída com base na história moderna da China desde 1840. Por esta razão, as divergências políticas na China também começam frequentemente a partir de diferenças nas narrativas históricas. Nos últimos anos, as inovações teóricas que vimos na China em áreas como a Nova História Qing, a história da Revolução Republicana, a história da República e a história do Partido contêm, em diferentes graus, exigências políticas veladas. Portanto, as periodizações aplicadas à história do Partido e à história republicana, as posições históricas atribuídas ao Partido e aos líderes nacionais e a construção da ordem política chinesa são extremamente importantes.

Essas periodizações históricas constituem os princípios mais básicos da vida política chinesa no nível mais profundo. O prefácio da Constituição da China começa com uma narrativa histórica e, cada vez que há avanços teóricos ou revisões no Estatuto do Partido, isso requer alterações no prefácio da Constituição, o que, sem dúvida, sinaliza a transformação dos princípios políticos básicos nos princípios básicos da nação em termos da lei fundamental. Por esta razão, todos os relatórios ao Congresso do Partido começam com a história do Partido e a história do país. Eles discutem o desenvolvimento e as mudanças na linha, princípios e políticas do Partido, ajustando a periodização conforme necessário. Esta é a relação dialética entre herança e tradição na tradição teórica do Partido.

A partir do relatório ao 14.º Congresso do Partido, foi empregado um novo estilo de periodização, baseado na política geracional 代际政治, relatando, respectivamente, as contribuições históricas feitas pela primeira geração da liderança coletiva central, com Mao como líder central do Partido, e pela segunda geração da liderança colectiva central, com Deng Xiaoping como líder central do Partido. Posteriormente, os relatórios ao 17.º e 18.º Congressos do Partido deram um passo adiante na sua discussão sobre «a primeira geração da liderança central colectiva com o camarada Mao Zedong como líder central do Partido», «a segunda geração da liderança central colectiva com o camarada Deng Xiaoping como líder central do Partido» e «a terceira geração da liderança central coletiva com o camarada Jiang Zemin como líder central do Partido».

O uso dessa periodização histórica política geracional surgiu do contexto especial associado aos eventos de 1989 e foi eficaz na consolidação da autoridade do secretário do Partido, Jiang Zemin, dentro do Partido e na preservação da continuidade e estabilidade da política de Reforma e Abertura. Foi o desenvolvimento prolongado proporcionado por essa estabilidade política e normativa que permitiu à China realizar a transformação histórica da «China que se levantou» da era Mao Zedong para a «China que ficou rica» da era Deng Xiaoping.

O povo chinês aceita prontamente a política geracional. Por um lado, a cultura confucionista chinesa enfatiza a hierarquia das relações entre mais velhos e mais jovens e, em grande medida, afirma os resultados políticos objectivos alcançados ao longo da passagem natural do tempo. Por esta razão, a política geracional é benéfica para a estabilidade política. Além disso, esta mudança geracional está em perfeita sintonia com a duração dos mandatos atribuídos aos líderes nacionais pela Constituição e constitui objectivamente uma situação política que exige uma mudança geracional.

Mas a história da humanidade não respeita as divisões do tempo natural. A vida política, por sua própria natureza, não é natural, mas criada pelo homem, e a história é, em última análise, produzida pelos seres humanos. O tempo histórico não é absolutamente o tempo natural da física newtoniana, mas sim o tempo político criado pelas pessoas, e até mesmo a forma como periodizamos a história é um produto da política. Na verdade, é precisamente por causa dos diferentes períodos de tempo que se referem a missões e significados históricos desenvolvidos a partir de processos políticos que temos a distinção entre tempos antigos e modernos, ou perspetivas como «desde 1840», «desde 1949» e «desde o período da Reforma e Abertura».

Pode-se dizer que a política geracional baseada no tempo natural não pode facilmente tornar-se a forma básica da construção do tempo político. Por exemplo, figuras ilustres da história política chinesa, como os imperadores fundadores Qinshihuang (秦始皇, r. 247-220 a.C.), Han Wudi (汉武帝, r. 141-87 a.C.), Tang Taizong (唐太宗, r. 626-649 d.C.) ou Song Taizu (宋太祖, r. 960-976 d.C.) não alcançaram o seu lugar na história devido à sua posição geracional, mas sim devido ao espaço histórico que abriram através das suas acções. Foram os seus próprios esforços políticos que criaram o tempo político, que mais tarde se tornou referência à medida que as pessoas estabeleceram divisões históricas.

14 Out 2025

Clima | Xi Jinping anuncia compromissos na luta contra crise global

O presidente chinês anunciou hoje novos compromissos do país na luta contra a ruptura climática global, incluindo reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 7 a 10 por cento até 2035, em relação aos números actuais.

“A China vai reduzir as suas emissões líquidas de gases com efeito de serra no conjunto da sua economia de 7 a 10 por cento em relação ao nível do pico”, que ainda é desconhecido, mas pode ser atingido este ano, disse Xi Jinping, na sua intervenção, transmitida por vídeo, na cimeira sobre o clima que decorre na ONU. “A transição verde e de baixo carbono é a tendência da nossa época”, sustentou. “Se bem que alguns países actuem contra ela, a comunidade internacional deve manter o seu rumo”.

Até hoje, a China nunca se tinha comprometido com um número exacto de curto ou médio prazo. Agora atribui-se como meta alcançar a neutralidade carbónica até 2060 e promete que o seu máximo de emissões será alcançado antes de 2030, o que parece estar em vias de conseguir já em 2025, graças ao sucesso da fileira solar e das viaturas eléctricas.

Entre os novos compromissos chineses para o horizonte 2035 estão também o aumento da parte das energias não fósseis no consumo total de energia acima de 30 por cento. A Agência Internacional de Energia quantificou a parte das renováveis em 12 por cento no ano de 2021. Outro compromisso é o de multiplicar por seis a capacidade instalada de energia eólica e solar, em relação a 2020, para chegar a 3.600 GW, acima dos 1.400 GW de hoje.

Xi mencionou ainda o crescimento dos veículos eléctricos e a extensão do mercado de carbono e da superfície florestal. “Estes objectivos representam os melhores esforços da China, segundo as exigências do Acordo de Paris. Atingir estes objectivos precisa de esforços rigorosos da China, bem como de um ambiente internacional aberto e de apoio”, acentuou.

Uma réplica

A organização ambientalista Greenpeace considerou ontem que as novas metas climáticas da China para 2035 “ficam aquém” dos objectivos globais, embora admita que a descarbonização efectiva do país possa avançar além do apresentado por Pequim.

“A meta para 2035 oferece poucas garantias de manter o planeta seguro, mas o esperançoso é que a descarbonização real da economia chinesa provavelmente exceda o que está no papel”, afirmou Yao Zhe, conselheira de políticas globais da Greenpeace East Asia. Segundo a especialista, “a quantidade de energia eólica e solar que está a entrar na matriz energética” sustenta essa expectativa.

Em comunicado, a ONG sublinhou que a actual expansão das renováveis e o papel da China em soluções para transições energéticas noutros países estabelecem uma “base” para um “eventual reforço” das metas.

“No fim de contas, os factos falam mais alto do que as palavras. Mas sinais políticos firmes e consistentes são um catalisador insubstituível”, disse Yao, acrescentando que “os avanços empresariais e tecnológicos, por si só, não bastam” e defendendo a utilidade de objectivos orientadores, tanto para a transição interna como para a acção climática global.

A Greenpeace apelou a Pequim para “manter a porta aberta” a ajustar as metas “com bastante prontidão”, alertando que “esperar outros cinco anos será demasiado tarde”. Este mês, organizações como a própria Greenpeace tinham já assinalado que o avanço das renováveis e da electrificação está a reconfigurar o sistema energético da China, o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa.

Entre 2015 e 2023, a utilização de combustíveis fósseis no consumo final caiu 1,7 por cento, enquanto a procura eléctrica aumentou 65 por cento. Só na primeira metade de 2025, a capacidade eólica cresceu 16 por cento e a solar 43 por cento, e no ano terminado em Junho a soma de ambas superou pela primeira vez a produção hídrica, nuclear e de bioenergia combinadas, segundo relatórios da Greenpeace e da organização Ember.

De acordo com a Ember, a redução prevista do uso de combustíveis fósseis na China, combinada com a expansão global das tecnologias limpas favorecida pela descida de custos, “pode inclinar a balança” para um declínio estrutural da procura mundial de carvão, petróleo e gás.

A respectiva tréplica

A China afirmou ser “o país mais determinado, enérgico e eficaz do mundo” no cumprimento das metas de redução de emissões, após o anúncio de novos objectivos climáticos feito pelo Presidente Xi Jinping na ONU.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun destacou em conferência de imprensa que “é a primeira vez que a China propõe uma meta absoluta de redução de emissões, abrangendo toda a economia e todos os gases com efeito de estufa”.

Segundo Guo, “a determinação e as acções da China para enfrentar activamente as alterações climáticas tornaram-na constantemente o país mais decidido, enérgico e eficaz no cumprimento dos seus compromissos”. “Continuaremos a defender o conceito de uma comunidade com futuro partilhado para a humanidade e a fazer todos os esforços para implementar os nossos objectivos”, acrescentou.

O porta-voz citou Xi Jinping, que, numa mensagem em vídeo dirigida à cimeira do clima realizada à margem da Assembleia Geral da ONU, admitiu que cumprir as metas “representa um esforço árduo para a China” e exige “um ambiente internacional sólido e aberto”. “Estamos dispostos a cooperar com todas as partes para promover a cooperação internacional em matéria de alterações climáticas e impulsionar a implementação plena e eficaz do Acordo de Paris”, disse Guo.

26 Set 2025

Presidente Xi pede equidade e justiça nas relações internacionais

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu nesta quarta-feira “a firme defesa da equidade e da justiça internacionais”, permanecendo comprometido com o caminho do desenvolvimento pacífico e fazendo esforços incessantes para melhorar o bem-estar das pessoas em todos os momentos.

Xi, também secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, fez as observações ao discursar numa recepção realizada como parte das actividades comemorativas do 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial.

Por volta das 11h30, Xi e a sua esposa, Peng Liyuan, entraram no salão de banquetes juntamente com os líderes estrangeiros e os seus cônjuges presentes na recepção.

Xi observou que a vitória marca uma viragem histórica para a nação chinesa, do abismo da crise em tempos modernos para o caminho da grande revitalização, e também um grande ponto de viragem no desenvolvimento mundial.

“Esta grande vitória foi alcançada por meio da luta conjunta do povo chinês com os aliados e povos antifascistas em todo o mundo”, afirmou Xi. “O governo e o povo chineses jamais esquecerão os governos estrangeiros e os amigos internacionais que apoiaram e auxiliaram o povo chinês em sua resistência contra agressão. Como habitantes do mesmo planeta, a humanidade deve unir-se em tempos difíceis, viver em harmonia e jamais voltar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”, continuou o presidente chinês.

Sublinhando que a modernização chinesa é a modernização do desenvolvimento pacífico, Xi disse ainda que “a China sempre será uma força de paz, estabilidade e progresso no mundo”. “Esperamos sinceramente que todos os países aprendam com a história, valorizem a paz e trabalhem juntos para promover a modernização mundial e criar um futuro melhor para a humanidade, concluiu Xi.

Na recepção, presidida por Li Qiang, Xi Jinping e a sua esposa Peng Liyuan assistiram a uma apresentação cultural com os convidados. Outros altos oficiais, como Zhao Leji, Wang Huning, Cai Qi, Ding Xuexiang, Li Xi e Han Zheng, também participaram do evento.

5 Set 2025

Rússia | Kremlin espera ironia de Trump sobre “conspiração” com Xi Jinping e Kim Jong-un

O Kremlin afirmou ontem esperar que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tenha sido irónico ao acusar os líderes chinês, russo e norte-coreano de “conspirarem contra os Estados Unidos” durante um desfile militar em Pequim.

“Creio que o Presidente [dos EUA] disse isso com uma certa dose de ironia, quando afirmou que os três estariam a conspirar contra os EUA”, declarou Iuri Uchakov, conselheiro diplomático do Presidente da Rússia, citado pela imprensa estatal russa. “Quero esclarecer que ninguém conspirava nem tramava seja o que for”, sublinhou.

O comentário surgiu após uma publicação de Trump na rede Truth Social, em que escreveu: “Peço que transmita os meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos”, dirigindo-se ao Presidente da China, Xi Jinping.

A declaração do Presidente foi feita durante as celebrações em Pequim do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, marcadas por uma parada militar na praça Tiananmen e a presença de diversos líderes mundiais, incluindo Putin, Kim e o Presidente do Irão, Masud Pezeshkian.

Trump acusou ainda a China de “não reconhecer” o sacrifício dos soldados norte-americanos na guerra contra o Japão. Na véspera, Xi e Putin reuniram-se, durante a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, realizada na cidade costeira de Tianjin, onde reiteraram o reforço da parceria estratégica sino-russa.

“As relações entre a China e a Rússia resistiram a mudanças no cenário internacional e tornaram-se um exemplo do que devem ser as relações entre potências”, afirmou Xi, de acordo com a televisão estatal chinesa CCTV.

4 Set 2025

Xi pede ao PM paquistanês que garanta protecção dos projectos chineses

O Presidente da China, Xi Jinping, apelou ontem ao Paquistão para tomar “medidas concretas e eficazes” que garantam a segurança de cidadãos, projectos e instituições chinesas no país, após vários ataques contra trabalhadores chineses.

Durante um encontro em Pequim com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, Xi afirmou que “a China e o Paquistão são amigos na adversidade e irmãos” e que “uma relação sólida entre ambos contribui para a paz e o desenvolvimento regionais”, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa.

O chefe de Estado chinês reiterou o apoio de Pequim à “unidade, ao foco no desenvolvimento e ao fortalecimento nacional do Paquistão”.

Sharif garantiu que o seu Governo “não poupará esforços para proteger a segurança do pessoal, dos projectos e das instituições chinesas” em território paquistanês. “Cada geração de paquistaneses recorda a ajuda desinteressada da China. Nenhuma força pode quebrar esta amizade inquebrantável entre os nossos dois países”, afirmou.

Em Outubro de 2024, dois cidadãos chineses morreram e mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas num atentado suicida no aeroporto de Karachi, no sul do país. Em Março do mesmo ano, outro atentado semelhante causou a morte de pelo menos cinco trabalhadores chineses e um paquistanês, envolvidos na construção de uma central hidroeléctrica em Dasu, na província de Khyber Pakhtunkhwa.

Na mesma região, em Março do ano passado, cinco engenheiros chineses e um condutor paquistanês morreram noutro ataque suicida.

Pedras no caminho

Estes atentados têm sido um obstáculo ao aprofundamento da parceria sino-paquistanesa, sobretudo no plano económico. A China comprometeu-se a investir 64 mil milhões de dólares (em infraestruturas no Paquistão, no âmbito do Corredor Económico China – Paquistão (CPEC), integrado na Iniciativa Faixa e Rota, que visa ligar o sul e o centro da Ásia a Pequim.

Shehbaz Sharif participou no domingo e na segunda-feira na 25.ª cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizada na cidade chinesa de Tianjin. O líder paquistanês assistirá hoje ao desfile militar em Pequim que assinala os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, evento que contará com a presença dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, entre outros.

3 Set 2025

SCO | Xi Jinping lamenta “sombras da Guerra Fria” em cimeira

A cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que reúne em Tianjin figuras como Vladimir Putin, Narendra Modi ou António Guterres, arrancou com um discurso do Presidente chinês a apelar à paz e à equidade e justiça internacionais

 

O Presidente chinês lamentou ontem a persistência de “sombras da mentalidade da Guerra Fria, hegemonismo e proteccionismo”, durante a sessão alargada da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai.

No discurso de abertura da reunião, que contou com líderes de países associados como a Turquia e representantes de organismos internacionais, Xi Jinping defendeu “derrubar muros e não construí-los” e promover “a integração”, numa alusão indirecta aos esforços de dissociação económica liderados pelos Estados Unidos.

O chefe de Estado chinês sublinhou a importância de “opor-se ao unilateralismo”, reforçar a estabilidade global e “defender firmemente o estatuto e a autoridade das Nações Unidas”.

A Organização de Cooperação de Xangai “deve defender a equidade e a justiça internacionais, opor-se claramente ao hegemonismo e à política de poder, e tornar-se um pilar da multipolaridade e da democratização das relações internacionais”, afirmou Xi.

“Queremos, com todas as partes, defender a justiça, seguir o caminho certo e proteger os frutos da vitória na Segunda Guerra Mundial”, acrescentou.

Mais cedo, Xi presidiu à reunião dos líderes dos Estados-membros da organização, onde pediu uma “globalização inclusiva” e defendeu o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como “eixo central”, depois dos efeitos da guerra comercial com os Estados Unidos.

Apelos e agradecimentos

Na mesma sessão, o Presidente russo, Vladimir Putin, agradeceu os “esforços” da China, Índia e outros parceiros da organização para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia, mas voltou a responsabilizar o Ocidente, afirmando que “as tentativas de incorporar a Ucrânia na NATO são uma das causas da crise”.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apelou, por sua vez, para a adopção de uma política de “tolerância zero” face ao “terrorismo transfronteiriço, separatismo e extremismo”.

A Organização de Cooperação de Xangai, fundada em 2001, integra China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, e abrange cerca de 40 por cento da população mundial.

O grupo não possui cláusulas de defesa mútua, ao contrário da NATO, e apresenta-se como um fórum para a cooperação política, económica e de segurança. O bloco conta ainda com países observadores e parceiros de diálogo como Egipto, Turquia, Myanmar (antiga Birmânia) e Azerbaijão.

2 Set 2025

Diplomacia | Xi diz enaltece laços entre China e Rússia

Em vésperas de assinalar o fim da II Guerra Mundial com um desfile militar que contará com a presença do Presidente russo, Xi Jinping voltou a enaltecer a cooperação estável entre as duas nações face à turbulência que agita o mundo

 

O Presidente chinês declarou ontem, num encontro com o presidente da câmara de deputados da Rússia, em Pequim, que o desenvolvimento “de alto nível” das relações sino-russas “é uma fonte de estabilidade para a paz mundial”.

As relações entre a China e a Rússia “são as mais estáveis, maduras e estrategicamente significativas entre as grandes potências no mundo turbulento e em mudança de hoje”, afirmou Xi Jinping na reunião com Vyacheslav Volodin, de acordo com uma declaração publicada pela emissora oficial chinesa CCTV.

“A China e a União Soviética fizeram enormes sacrifícios nacionais para resistir ao militarismo japonês e à agressão fascista alemã, contribuindo significativamente para a vitória na guerra”, continuou Xi, a poucos dias de um desfile, a 03 de Setembro, para assinalar o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, que vai contar com a presença do Presidente russo, Vladimir Putin.

O dirigente chinês declarou que Pequim e Moscovo devem “continuar a amizade tradicional, aprofundar a confiança estratégica mútua, reforçar os intercâmbios e a cooperação em vários domínios”.

Os dois países devem, referiu ainda, “proteger conjuntamente os interesses de segurança e desenvolvimento de ambos os países, unir os países do Sul Global, defender o verdadeiro multilateralismo e promover o desenvolvimento de uma ordem internacional mais justa e equitativa”.

Xi sublinhou que a cooperação legislativa é “uma componente indispensável da parceria estratégica global” entre Pequim e Moscovo.

União de sucesso

Na ocasião, Volodin notou que “sob a orientação estratégica de Xi e Putin, as relações Rússia-China foram aprofundadas e alcançaram resultados notáveis”.

A Duma – câmara baixa do parlamento russo – “está empenhada em reforçar os intercâmbios e a cooperação entre os órgãos legislativos russo e chinês e envidar todos os esforços para promover novas conquistas nas relações bilaterais”, afirmou.

Volodin chegou a Pequim na segunda-feira, com uma agenda que inclui “a resposta à pressão das sanções” contra a Rússia e às “interferências externas”.

A viagem do responsável russo, que visitou recentemente a Coreia do Norte, antecede a deslocação de Putin à China para a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, na cidade de Tianjin, entre 31 de Agosto e 01 de Setembro.

A China, que se opôs repetidamente às sanções ocidentais contra a Rússia, tem mantido, desde o início do conflito, uma posição ambígua sobre a invasão da Ucrânia, apelando ao respeito pela integridade territorial de todos os países e à atenção às preocupações de segurança de Moscovo.

Desde 2022, a China reforçou os laços com a Rússia, negando as acusações dos governos ocidentais de que apoia o esforço de guerra russo.

27 Ago 2025

Suriname | Xi Jinping felicita presidente eleita

O Presidente chinês, Xi Jinping, felicitou ontem Jennifer Geerlings-Simons pela sua eleição como Presidente do Suriname, que considerou como um “parceiro estratégico de cooperação da China na região do Caribe”.

Na sua mensagem de felicitações, citada pela agência oficial chinesa Xinhua, Xi Jinping assinalou que os dois países têm vivido “um crescimento sólido e constante, com uma cooperação prática e frutífera em diversas áreas e uma estreita coordenação em assuntos multilaterais” desde o estabelecimento das relações diplomáticas, há 49 anos.

O chefe de Estado chinês sublinhou a “grande importância” que atribuiu ao desenvolvimento das relações bilaterais entre China e Suriname e, segundo a Efe, mostrou-se disponível para trabalhar com Geerlings-Simons. O trabalho com a Presidente eleita do Suriname pretende “aprofundar a cooperação amigável e mutuamente benéfica, bem como impulsionar a parceria estratégica bilateral de cooperação”, registou.

Jennifer Geerlings-Simons foi eleita Presidente do Suriname no passado fim de semana, tornando-se, aos 71 anos, na primeira mulher a liderar este país sul-americano, num sufrágio em que era a única candidata ao cargo.

Geerlings-Simons foi eleita pelo parlamento, depois de o Partido Nacional Democrático (PND), ao qual pertence, se ter aliado a cinco pequenos partidos para conseguir os dois terços de votos necessários para aceder à Presidência do Suriname.

A investidura de Geerlings-Simons para um mandato de cinco anos à frente do país com cerca de 600.000 habitantes está prevista para 16 de Julho. O Suriname, uma antiga colónia neerlandesa fustigada por rebeliões e golpes de Estado desde que se tornou independente em 1975, dispõe de importantes reservas petrolíferas descobertas recentemente.

14 Jul 2025

UE | Xi pede união contra “intimidação unilateral” e reforço de parceria

Em dia de celebração dos 50 anos de relações diplomáticas, o Presidente chinês pede o reforço das relações bilaterais entre a China e o Velho Continente em resposta aos novos desafios colocados pela administração norte-americana

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que China e União Europeia devem “opor-se ao assédio unilateral”, por ocasião do 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas, que coincide com tensões comerciais com os Estados Unidos.

Xi sublinhou que a relação entre a China e a UE é “uma das relações bilaterais mais influentes do mundo” e enquadrou esse vínculo num cenário global marcado pela incerteza. “A humanidade encontra-se novamente numa encruzilhada histórica”, afirmou o líder chinês, que destacou o papel da cooperação bilateral como um modelo de referência internacional.

“Uma relação saudável e estável entre a China e a UE não só beneficia ambas as partes, como ilumina o caminho do mundo”, assinalou.

Xi disse atribuir grande importância ao desenvolvimento das relações com Bruxelas e expressou a sua vontade de trabalhar com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para “aprofundar a comunicação estratégica, ampliar a abertura mútua e gerir adequadamente as fricções e divergências”.

A mensagem, divulgada ontem, incluiu também uma resposta por parte dos líderes europeus, que destacaram a evolução da relação bilateral e expressaram a sua disposição para “enfrentar juntos os desafios partilhados e promover a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável”, segundo indicou a diplomacia chinesa.

O apelo de Xi surge num momento em que Pequim procura reforçar a cooperação com Bruxelas perante a crescente pressão que diz estar a ser alvo por parte de Washington.

Benefícios mútuos

A China tem criticado repetidamente as medidas económicas impostas pelos Estados Unidos — como tarifas aduaneiras ou restrições tecnológicas — e tem apelado à UE para que mantenha uma política independente, baseada no multilateralismo e no benefício mútuo.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, também trocou mensagens com Costa e von der Leyen, reafirmando o compromisso de Pequim com uma relação “estável, construtiva e de benefício mútuo”. A comemoração do aniversário coincidiu ainda com o anúncio da retoma plena do diálogo legislativo entre Pequim e o Parlamento Europeu, após o levantamento mútuo das restrições impostas em 2021.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês reafirmou ontem que a cooperação com a UE “pesa mais do que a concorrência”, numa altura em que ambas as partes procuram preservar uma agenda comum face ao aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos.

7 Mai 2025

Visita | Xi promete amizade a África apesar das mudanças internacionais

O Presidente queniano de visita à China, William Ruto, recebeu de Xi Jinping garantias de que independentemente dos desenvolvimentos internacionais desencadeados pela política errática de Donald Trump, a boa-fé chinesa face ao continente africano não se vai alterar

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, disse ontem ao seu homólogo queniano, William Ruto, que “independentemente das mudanças internacionais, a política de sinceridade, amizade e boa-fé da China em relação a África não se vai alterar”.

Numa altura de incerteza global devido à guerra comercial desencadeada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Xi disse a Ruto que “a intenção original da China e de África de partilharem a sua riqueza” não vai mudar, de acordo com um comunicado difundido pela imprensa estatal chinesa. O Presidente queniano está a realizar uma visita oficial à China.

Pequim “está disposta a trabalhar com outros países para defender as regras do comércio internacional e proteger a equidade e a justiça internacionais”, disse Xi Jinping, advertindo que “ninguém ganha numa guerra comercial”.

“A China não causa problemas, mas também não tem medo deles”, afirmou o líder chinês, acrescentando que “o enorme mercado da China está sempre aberto aos produtos de alta qualidade do Quénia”. Xi encorajou mais empresas quenianas a investir e a fazer negócios no país asiático.

O Presidente queniano afirmou que “a guerra comercial mina as regras e a ordem internacionais existentes” e garantiu que o seu país “valoriza o papel da China como estabilizador na actual situação turbulenta e como protector dos direitos e interesses legítimos dos países do ‘Sul Global’”, termo que se refere às nações em desenvolvimento.

Ruto afirmou ainda que a China e o Quénia “têm uma visão comum de cooperação, aderem a uma abordagem centrada nas pessoas e são parceiros estratégicos em todos os momentos”, segundo a Xinhua.

Acordos assinados

Após a reunião, os dois líderes presidiram à assinatura de 20 documentos de cooperação em domínios como a alta tecnologia, os intercâmbios culturais, a economia e a imprensa. O Presidente queniano é o primeiro líder africano a visitar a China desde que Trump impôs “tarifas recíprocas” sobre o resto do mundo, abalando o panorama do comércio internacional.

Espera-se que Ruto, cujo país tem sido até agora um aliado próximo dos EUA em África, procure obter apoio económico de Pequim durante a sua visita à China.

“O facto de Pequim receber Ruto num período de escalada de tensões geopolíticas e comerciais com os Estados Unidos é uma vitória para a China em termos de imagem”, afirmou Adhere Cavince, investigador de relações internacionais baseado em Nairobi, citado pelo South China Morning Post, de Hong Kong.

À medida que os EUA “impõem tarifas e retiram a ajuda” aos seus parceiros, “Ruto está à procura de novos mercados, financiamento para projectos e investidores”, disse Cavince, acrescentando que “enquanto a China procura escapar à crescente animosidade comercial com Washington, Nairobi não é apenas uma opção, mas também uma sólida porta de entrada para o resto de África”, um continente onde a China estabeleceu a sua presença nas últimas duas décadas.

25 Abr 2025

Xi Jinping homenageia Ho Chi Minh com visita ao seu mausoléu

O Presidente chinês, Xi Jinping, homenageou ontem o herói da independência do Vietname, Ho Chi Minh, com uma visita ao seu mausoléu em Hanói, no âmbito de uma visita ao país integrada num périplo pelo Sudeste Asiático.

À cabeça de uma delegação chinesa de alto nível e com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietname, To Lam, o principal dirigente do Vietname, Xi Jinping levou oferendas ao mausoléu de Ho Chi Minh (1890-1969) na capital vietnamita.

Ho Chi Minh, o mais importante líder revolucionário do Vietname, foi o primeiro presidente da República Democrática do Vietname (Vietname do Norte) de 1951 até à sua morte e é ainda hoje venerado pela maioria dos vietnamitas.

Apesar da oposição do líder à criação de templos e estátuas em seu nome, seis anos após a sua morte, na sequência da vitória do Norte comunista sobre o Sul pró-americano na Guerra do Vietname, o mausoléu onde repousam os seus restos mortais foi construído em Hanói e tornou-se uma das principais atrações da capital.

Durante a visita de Xi ao país do Sudeste Asiático, o Vietname e a China assinaram 45 acordos de cooperação, em áreas como a inteligência artificial (IA), o comércio de produtos agrícolas e a cooperação aduaneira.

Acertar agulhas

A visita de Xi ao país vizinho, com o qual Pequim também mantém tensões, sobretudo relacionadas com disputas territoriais, está carregada de simbolismo e surge numa altura em que ambas as partes ponderam opções face à guerra comercial do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Pequim enfrenta taxas de 145 por cento, às quais respondeu com taxas de 125 por cento, enquanto o Vietname está a negociar reduções nas tarifas de 46 por cento anunciadas e depois temporariamente suspensas por Washington.

Continuando o seu périplo pelo Sudeste Asiático, que considera uma “prioridade diplomática” dadas as profundas relações comerciais entre os dois actores – a China é o principal parceiro comercial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) – Xi deslocou-se ontem à Malásia, segunda paragem de uma viagem que terminará no Camboja.

16 Abr 2025