Tailândia | Novo colapso de guindaste faz dois mortos e um ferido

Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após um guindaste ter caído sobre uma estrada, nos arredores da capital da Tailândia, um dia depois de um incidente semelhante que fez pelo menos 32 mortos.

“Duas pessoas morreram e uma ficou ferida”, disse o polícia Saranyapong Aonsingh à agência de notícias EFE, acrescentando que os agentes de segurança estavam no local do acidente, onde estava a ser construído um viaduto.

De acordo com relatos dos serviços de resgate e bombeiros tailandeses na rede social Facebook, o guindaste colapsou por volta das 09:15, por razões ainda desconhecidas, num estaleiro de construção na autoestrada Rama II, na província de Samut Sakhon, nos arredores de Banguecoque, atingindo dois automóveis.

Este acidente aconteceu um dia depois de um outro guindaste ter caído sobre um comboio de passageiros, com 171 pessoas a bordo, no nordeste da Tailândia, causando pelo menos 32 mortos e mais de 50 feridos.

Em ambos os casos, os projectos estavam ligados à empresa local Italian-Thai Development, de acordo com o ministro dos Transportes tailandês, Phiphat Ratchakitprakarn, numa entrevista concedida hoje a uma televisão.

“Não sabemos exactamente o que aconteceu à empresa (…). Se a situação se mantiver, poderemos ter de anunciar uma paragem temporária de todas as suas operações em todo o país”, acrescentou.

 

17 Jan 2026

Pelo menos 25 mortos após guindaste cair sobre comboio na Tailândia

Pelo menos 25 pessoas morreram ontem na sequência da queda de um guindaste de construção sobre um comboio de passageiros no nordeste da Tailândia, disseram as autoridades.

O guindaste caiu numa altura em que o comboio viajava da capital Banguecoque para a província de Ubon Ratchathani, causando o descarrilamento e um incêndio, de acordo com o Departamento de Relações Públicas da província de Nakhon Ratchasima.

O acidente ocorreu por volta das 09:00, envolvendo um guindaste que estava a ser utilizado na construção de uma ferrovia elevada de alta velocidade. O departamento informou numa publicação nas redes sociais que o incêndio estava controlado e que as equipas de resgate estavam agora a procurar pessoas dentro do comboio, muitas das quais estavam presas em vagões de comboio tombados.

As operações de resgate tinham sido temporariamente suspensas devido a uma “fuga química”, informou a polícia local, sem especificar a origem. “Mais de 80” pessoas ficaram feridas, disse à agência de notícias France-Presse Thatchapon Chinnawong, responsável de uma esquadra de polícia de Nakhon Ratchasima, a nordeste de Banguecoque.

O ministro dos Transportes, Piphat Ratchakitprakan, disse que estavam 195 pessoas a bordo do comboio e afirmou ter ordenado uma investigação sobre o acidente, que ocorreu em Ban Thanon Kho, a 32 quilómetros de Banguecoque. Os meios de comunicação da Tailândia e os cibernaturas publicaram nas redes sociais inúmeras imagens do desastre, mostrando parte do incêndio e dezenas de socorristas no local.

“Ouvi um barulho forte (…) seguido de duas explosões”, disse Mitr Intrpanya, de 54 anos, um habitante que estava no local. “Quando fui ver o que tinha acontecido, encontrei o guindaste apoiado num comboio de passageiros de três vagões. O metal do guindaste parecia ter partido o segundo vagão ao meio”, acrescentou.

Pouca fiscalização

O guindaste fazia parte de um vasto projecto de construção de comboios de alta velocidade na Tailândia, iniciado em 2017, com uma década de atraso. O projecto de 5,4 mil milhões de dólares tem como objectivo ligar Banguecoque a Kunming, no sul da China, passando pelo Laos. O primeiro troço está previsto ser inaugurado em 2028 e o segundo em 2032.

A linha é apoiada pela China como parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, lançada para impulsionar o comércio na região. Os acidentes industriais, de construção e de transporte são relativamente frequentes na Tailândia devido à fiscalização, por vezes pouco rigorosa, das normas de segurança.

Em 2020, 18 pessoas morreram na Tailândia quando um comboio de mercadorias colidiu com um autocarro que transportava passageiros para uma cerimónia religiosa. Oito pessoas morreram também em 2023, numa colisão entre um comboio de mercadorias e uma carrinha que atravessava uma ferrovia no leste do país.

15 Jan 2026

Guerra | Tailândia acusou Camboja de violar espaço aéreo com 250 drones

A Tailândia acusou ontem o Camboja de violar o acordo de cessar-fogo em vigor, ao enviar 250 aparelhos aéreos não tripulados (drones) sobre o território tailandês

O Exército da Tailândia indicou que mais de 250 drones foram detectados a entrar no país na zona de fronteira. Para as Forças Armadas tailandesas, a acção do Camboja constituiu uma provocação e uma violação das medidas “destinadas a reduzir as tensões” entre Banguecoque e Phnom Penh. Até ao fecho desta edição as autoridades do Camboja não se pronunciaram sobre a acusação da Tailândia sobre a violação do espaço aéreo.

Os dois países alcançaram um cessar-fogo no sábado, após três semanas de confrontos ao longo da fronteira comum de 800 quilómetros, depois de dois dias de negociações na China. O acordo de cessar-fogo prevê o fim de semanas de combates ao longo da fronteira contestada, que já fizeram mais de 100 mortos e mais de meio milhão de deslocados em ambos os países. O ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, Sihasak Phuangketkeow, e o seu homólogo cambojano, Prak Sokhonn, reuniram-se na província de Yunnan, no sudoeste da China, para negociações mediadas pelo homólogo chinês, Wang Yi.

O chefe da diplomacia chinesa afirmou que Pequim “não deseja ver a Tailândia e o Camboja em campos de batalha”. Durante um encontro com o homólogo tailandês, Sihasak Phuangketkeow, no domingo, Wang Yi expressou a “profunda preocupação” da China com a “tensa situação na fronteira” e defendeu que, uma vez cessados os combates, “a diplomacia deve assumir protagonismo”.
“Reconstruir a paz é o desejo dos povos e a expectativa de todas as partes”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, acrescentando que os esforços de mediação de Pequim “nunca se impõem aos outros, nem extravasam os limites” e visam criar “uma plataforma descontraída para o diálogo”.

Um historial fatal

O Presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou suspender os privilégios comerciais caso a Tailândia e o Camboja não concordassem com um cessar-fogo em Julho, sugeriu ontem que os combates entre a Tailândia e o Camboja “cessarão momentaneamente” e afirmou que os Estados Unidos “se tornaram as verdadeiras Nações Unidas”. Os limites territoriais são disputados há décadas e foram herdados do período colonial francês.

De acordo com números oficiais, reconhecidos pelas Nações Unidas, os últimos confrontos provocaram 47 mortes: 26 do lado tailandês e 21 do lado cambojano. Em Julho, a primeira fase de confrontos fez 43 mortos em cinco dias, antes de ser acordado um cessar-fogo.

Um outro acordo foi posteriormente assinado a 26 de Outubro em Kuala Lumpur, Malásia, na presença do presidente dos Estados Unidos, mas foi suspenso pela Tailândia, depois de vários soldados de Banguecoque terem ficado feridos na explosão de uma mina militar terrestre na zona de fronteira.

30 Dez 2025

Mortos no confronto em curso entre Tailândia e Camboja já ultrapassam os de Julho

O conflito armado entre Tailândia e Camboja na região fronteiriça deixou, pelo menos, 52 mortos, número que ultrapassou o de vítimas dos confrontos de Julho, que mataram 50 pessoas, de acordo com um balanço ontem actualizado.

O Comando de Operações de Segurança Interna da Tailândia elevou o número de soldados tailandeses mortos para 19 e manteve o número de mortes entre civis em 16. Já a porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, contabilizou 17 mortes entre civis, incluindo uma criança.

O conflito decorre de uma antiga disputa entre os dois países pela soberania de territórios próximos da fronteira comum, que se estende por aproximadamente 820 quilómetros e foi mapeada por França em 1907, quando o Camboja fazia parte da Indochina francesa. Phnom Penh afirmou ontem que as forças tailandesas “intensificaram os ataques” em certos pontos ao longo da fronteira nas últimas horas e enfatizou que realizaram novos bombardeamentos com caças F-16.

Além do conflito armado, os dois países vizinhos travam uma guerra de números: o Camboja evita divulgar informações sobre mortes de soldados, enquanto as autoridades tailandesas afirmam que há mais de 500 baixas do lado oposto. Na semana passada, as autoridades cambojanas rejeitaram as notícias sobre mortes entre soldados, divulgadas pela Tailândia.

O Ministério da Defesa tailandês aludiu, por sua vez, a uma “guerra de informação” também em curso, noticiou ontem a comunicação social local.

Donald ao barulho

A nova onda de fogo cruzado, que ambos os lados se acusam mutuamente de ter iniciado, eclodiu em 07 de Dezembro, com os 11 dias de conflito a ultrapassarem já em quase uma semana os cinco dias de violência em Julho, que cessaram após a mediação de vários países, liderada pela Malásia e incluindo Estados Unidos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, vangloria-se de ter posto fim – ainda que temporariamente – às hostilidades entre os dois países num acordo assinado em 26 de Outubro, e interveio novamente no conflito, sem aparente sucesso, após o ressurgimento deste.

“[Trump] deveria pedir ao Camboja que pare de disparar primeiro contra a Tailândia, porque a Tailândia nunca atirou primeiro”, disse o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, de acordo com a imprensa local, após uma conversa telefónica com o líder norte-americano na semana passada.

18 Dez 2025

Tailândia quer que Camboja seja o primeiro a assumir uma trégua

A Tailândia declarou ontem que tem de ser o Camboja a assumir um cessar-fogo entre ambos, num conflito fronteiriço que já fez pelo menos 32 mortos em 10 dias e cerca de 800 mil deslocados.

“O Camboja deve anunciar o cessar-fogo primeiro, por ser o agressor em território tailandês”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros tailandesa, Maratee Nalita Andamo, em conferência de imprensa. Aquela responsável governamental frisou que, “em segundo lugar, o cessar-fogo deve ser implementado e deve ser mantido”. “Em terceiro lugar, o Camboja deve cooperar sinceramente com os esforços de desminagem (nas áreas de fronteira)”, acrescentou.

De acordo com os últimos números oficiais, 17 pessoas foram mortas do lado tailandês (16 soldados e um civil) e 15 do lado cambojano, todos civis. O Camboja acusou na segunda-feira a Tailândia de bombardear a província de Siem Reap, onde estão localizados os célebres templos de Angkor, pela primeira vez desde o reinício dos confrontos fronteiriços em 07 de Dezembro.

“O exército tailandês ampliou o alcance do seu violento ataque, utilizando um caça F-16 para lançar duas bombas perto de um campo de civis deslocados no distrito de Srei Snam”, indicou o Ministério da Defesa do Camboja em comunicado. A Tailândia confirmou que os combates continuavam ontem nas regiões fronteiriças, sem mencionar, porém, a província de Siem Reap.

O distrito de Srei Snam fica a cerca de 70 quilómetros da fronteira disputada e a menos de uma hora e meia de carro do complexo de Angkor Wat, joia da arquitetura khmer e principal atração turística do Camboja.

Dedos apontados

Os dois países acusam-se mutuamente de terem desencadeado as hostilidades, que levaram à retirada de cerca de 800 mil pessoas de ambos os lados da fronteira. Um primeiro episódio de violência causou 43 mortes em Julho, antes de uma trégua e da assinatura de um acordo de cessar-fogo em Outubro, que teve a intervenção do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.

Trump afirmou na sexta-feira que os líderes da Tailândia e do Camboja aceitaram uma trégua após um telefonema, mas o Governo tailandês negou e os combates continuaram durante o fim de semana.

17 Dez 2025

Camboja/Tailândia | Mais de meio milhão de pessoas deslocadas

Os conflitos fronteiriços entre os dois países do Sudeste Asiático ameaçam a segurança dos habitantes da zona fronteiriça. Milhares de pessoas de ambos os lados foram retiradas de casa e levadas para abrigos

Mais de meio milhão de pessoas foram retiradas das regiões fronteiriças entre a Tailândia e o Camboja desde o recomeço dos confrontos, no domingo, entre os vizinhos do Sudeste Asiático, anunciaram ontem as autoridades dos dois países.

“Mais de 400 mil pessoas foram deslocadas para abrigos”, declarou em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério da Defesa da Tailândia, Surasant Kongsiri, após um primeiro balanço do Governo que referia 180 mil deslocados tailandeses. “Os civis tiveram de ser retirados em massa, devido ao que avaliámos como uma ameaça iminente à sua segurança”, acrescentou o responsável.

Do lado cambojano, “20.105 famílias, num total de 101.229 pessoas, foram retiradas para abrigos e casas de familiares em cinco províncias”, de acordo com o porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata. Os dois países acusam-se mutuamente de terem desencadeado o recomeço das hostilidades, que causaram até agora pelo menos 11 mortos: sete civis cambojanos e quatro soldados tailandeses, de acordo com os últimos balanços das autoridades.

Disputas antigas

O Camboja e a Tailândia, que há muito disputam partes do território ao longo da fronteira, já se tinham enfrentado em Julho. Cinco dias de combates, em terra e ar, causaram 43 mortos e obrigaram à retirada de cerca de 300 mil pessoas. O conflito baseia-se em disputas antigas sobre o traçado de certas partes da fronteira de mais de 800 quilómetros de extensão, que remonta à colonização francesa.

As duas partes assinaram em 26 de Outubro um acordo de cessar-fogo, sob a égide do Presidente norte-americano, Donald Trump, mas o acordo foi entretanto suspenso. O chefe de Estado disse esta terça-feira que pensa “fazer uma chamada” e “acabar com a guerra”.

Num discurso, durante um comício com apoiantes na Pensilvânia (nordeste), esta terça-feira, Trump enumerou vários conflitos nos quais se envolveu, incluindo este entre Banguecoque e Phnom Penh e depois anunciou: “Amanhã [hoje], tenho de fazer uma chamada e acho que eles vão resolver a situação”. “Quem mais poderia dizer: ‘vou fazer uma chamada e acabar com uma guerra entre dois países muito poderosos?'”, questionou.

11 Dez 2025

Tailândia / Camboja | Um soldado morto e quatro feridos na fronteira

Um soldado tailandês foi morto e outros quatro ficaram feridos durante confrontos na fronteira com o Camboja, anunciou ontem o exército tailandês, com ambas as partes a atribuírem a responsabilidade pelos combates uma à outra. Forças cambojanas atacaram o exército tailandês na província de Ubon Ratchathani, “matando um soldado e ferindo quatro”, disse o porta-voz do exército tailandês, Winthai Suvaree, num comunicado.

Por seu lado, o Ministério da Defesa cambojano afirmou que as forças tailandesas lançaram um ataque nas províncias fronteiriças de Preah Vihear e Oddar Meanchey na madrugada de segunda-feira, garantindo que o Camboja não ripostou. A Tailândia está a usar aviões para “atingir alvos militares” e “acabar com o fogo de apoio cambojano”, informou, entretanto, o exército tailandês.

Banguecoque garante que a sua aviação atacou “apenas infraestruturas militares, depósitos de armas, centros de comando e rotas de apoio ao combate” associadas a actividades consideradas como uma ameaça à segurança nacional tailandesa. Relatórios militares de ambos os lados dão conta de numerosos confrontos entre domingo e segunda-feira em vários pontos dos quase 820 quilómetros de fronteira, onde ambos os governos começaram a evacuar civis e a mobilizar pessoal e material de defesa.

As autoridades da província cambojana de Oddar Meanchey informaram que foram relatados tiros nas proximidades dos templos centenários de Tamone Thom e Ta Krabei, e que os aldeões fugiram “para se protegerem”.

O exército tailandês afirmou também que cerca de 35.000 pessoas foram evacuadas das zonas fronteiriças com o Camboja durante a noite. Os dois países vizinhos do Sudeste Asiático mantêm uma antiga disputa sobre o traçado de certas partes da fronteira, com 800 quilómetros de extensão, estabelecida durante a era colonial francesa. As zonas disputadas abrigam vários templos.

9 Dez 2025

Tailândia | Ex-PM demite-se de liderança do partido fundado pelo pai

A ex-primeira-ministra tailandesa Paetongtarn Shinawatra, destituída em Agosto pelo Tribunal Constitucional, renunciou ontem ao cargo de presidente do Pheu Thai, partido fundado pelo seu pai, Thaksin Shinawatra, também ele ex-chefe do Governo. “A minha demissão permitirá que o partido se modernize para que possamos finalmente vencer as eleições”, afirmou Paetongtarn num comunicado divulgado pelo Pheu Thai.

A política de 39 anos acrescentou que se manterá, no entanto, como membro do partido e “continuará a trabalhar arduamente” pela Tailândia. Filha do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, Paetongtarn foi suspensa de funções em Julho, depois de ser acusada de não ter defendido a Tailândia durante um contacto telefónico em Junho com o ex-poderoso líder cambojano Hun Sen, que foi divulgado online.

Num veredicto proferido no final de Agosto, nove juízes do Tribunal Constitucional do país consideraram que a ex-primeira-ministra não respeitou as normas éticas exigidas a um chefe do Governo durante essa chamada. Paetongtarn Shinawatra tornou-se assim o terceiro membro da família a abandonar a chefia do governo, depois do pai e da tia Yingluck, ambos derrubados por golpes militares.

“Não importa quem presida o Pheu Thai, sempre será dirigido pela família nos bastidores”, disse em declarações à AFP Yuttaporn Issarachai, cientista político da Universidade Aberta Sukhothai Thammathirat.

Segundo o analista, esta demissão visa principalmente proteger o partido contra processos judiciais. Durante décadas, a dinastia Shinawatra partilhou o poder com a elite conservadora da Tailândia, mas reveses jurídicos recentes fizeram com que a sua influência diminuísse.

22 Out 2025

Fronteiras | Tailândia acusa Camboja de violar cessar-fogo

O exército da Tailândia voltou ontem a acusar o Camboja de violação do acordo de cessar-fogo assinado entre ambos os países asiáticos após o conflito fronteiriço que ocorreu em Julho e que provocou meia centena de mortos.

“Verificou-se que as forças militares cambojanas continuam a fazer diversas acções que constituem violações do acordo de cessar-fogo em vários aspectos”, declarou a instituição tailandesa, citando o recurso a minas antipessoais.

As Forças Armadas tailandesas denunciaram igualmente o uso de população civil como ‘escudo’, incluindo mulheres e crianças e monges budistas, por parte dos responsáveis do Camboja, em parcelas do território que estão em disputa entre os dois países.

No início da semana, militares tailandeses dispararam balas de borracha e lançaram gás lacrimogénio “em legítima defesa” contra cidadãos cambojanos, “armados com paus de madeira”, a fim de dispersarem o ajuntamento de pessoas, alegadamente hostis.

As autoridades de Phnom Pen lamentaram que a Tailândia use “a força para ficar com mais território” e que 23 civis tenham ficado feridos no último incidente, numa floresta, que ambas as partes reclamam como parte do seu território.

No dia 28 de Julho, Banguecoque e Phnom Penh assinaram na Malásia um cessar-fogo relativo ao confronto armado, embora ambas as partes se tenham depois acusado mutuamente de violar o acordo.

22 Set 2025

Supremo tailandês decreta prisão para ex-PM Thaksin Shinawatra

O Supremo Tribunal da Tailândia ordenou ontem que o influente ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra cumpra um ano de prisão, depois de, em 2023, ter passado parte de uma pena por corrupção num hospital em vez de na prisão.

Os 180 dias que Thaksin, figura-chave da política tailandesa nas últimas décadas, passou hospitalizado sob custódia policial alegando problemas de saúde “não podem ser contabilizados na sua pena”, explicou o tribunal num comunicado.

O poderoso ex-governante foi detido para cumprir várias penas pendentes por corrupção em Agosto de 2023, quando regressou à Tailândia, coincidindo com o regresso ao poder do seu partido, o Pheu Thai, depois de ter passado 15 anos no Dubai em fuga da justiça, mas foi-lhe permitida uma hospitalização sob custódia policial.

Thaksin permaneceu no hospital por seis meses e depois aceitou um regime de prisão domiciliária, que terminou em Agosto de 2024.

“O réu beneficiou com a permanência no hospital”, quando “sofria apenas de doenças crónicas que podiam ter sido tratadas em regime ambulatório, sem necessidade de internamento”, decidiu hoje o Supremo Tribunal. O tribunal salientou ainda que Thaksin optou por “submeter-se a cirurgias não urgentes” devido a problemas num dedo e no ombro direito, o que “resultou no prolongamento da sua hospitalização”.

Na sombra

A Justiça tailandesa analisou o argumento de Thaksin sobre os problemas de saúde num momento em que o ex-líder, de 76 anos, mantém uma agenda recheada de viagens ao exterior e aparições em eventos públicos, e é considerado o líder na sombra dos governos do clã político da família Shinawatra, entre eles o de sua filha Paetongtarn.

Na noite da última quinta-feira, o magnata voou de Tailândia para Dubai no seu jacto particular, alegando, mais uma vez, motivos de saúde, o que gerou rumores de que poderia ter fugido novamente. No entanto, Thaksin retornou esta segunda-feira ao país para cumprir a obrigação de comparecer na audiência agendada pelo Supremo Tribunal.

A viagem do ex-governante, inicialmente planeada para realizar um exame médico na vizinha Singapura, ocorreu horas antes da votação realizada na sexta-feira no Parlamento para a eleição de um novo primeiro-ministro depois da destituição de Paetongtarn, da qual saiu vencedor o conservador Anutin Charnvirakul.

Paetongtarn, afastada do poder pelo Tribunal Constitucional por ter criticado o Exército, disse ontem à imprensa à saída do tribunal, onde se deslocou para acompanhar o pai que a “família agradece a clemência real ao reduzir a pena” de Thaksin para um ano.

O patriarca dos Shinawatra passará, em princípio, um ano na prisão, depois de ter sido absolvido no passado dia 22 de Agosto de uma acusação de lesa-majestade, um crime que protege a Casa Real da Tailândia de qualquer insulto e que, nos últimos anos, tem sido utilizado como uma arma legal para desacreditar adversários políticos.

10 Set 2025

Tailândia | Phumtham Wechayachai assume cargo de primeiro-ministro

Após a deposição de Paetongtarn Shinawatra da liderança do Governo tailandês devido à divulgação de uma conversa telefónica considerada pouco ética com o antigo primeiro-ministro do Camboja, o vice-primeiro ministro, de 71 anos, assumiu interinamente o poder

 

O até agora vice-primeiro ministro da Tailândia, Phumtham Wechayachai, assumiu sábado, de forma interina, o cargo de primeiro-ministro, na sequência da destituição da chefe de Governo Paetongtarn Shinawatra, por decisão do Tribunal Constitucional. Phumtham Wechayachai, de 71 anos, tomou posse durante uma reunião especial do Conselho de Ministros, após a destituição do anterior governo, que continua em funções, conforme explicou Chousak Sirinil, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, citado pelo Bangkok Post.

A primeira-ministra da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, foi deposta na sexta-feira pelo Tribunal Constitucional por falta de ética num telefonema com o antigo primeiro-ministro do Camboja Hun Sen, cujo teor foi divulgado ‘online’. Phumtham Wechayachai já exercia funções de primeiro-ministro interino desde 01 de julho, data em que Paetongtarn Shinawatra tinha sido suspensa do cargo.

De acordo com o porta-voz do governo tailandês, a Câmara dos Representantes vai reunir-se entre quarta-feira e sexta-feira para eleger um novo primeiro-ministro, cargo que poderá ser ocupado pelo partido Pheu Thai ou pelo partido Bhumjaithai. O Tribunal Constitucional destituiu Paetongtarn Shinawatra, após considerá-la culpada de “negligência ética grave”, por críticas à actuação do Exército numa conversa telefónica com o ex-primeiro-ministro cambojano Hun Sen, em plena tensão entre os dois países, cujo conteúdo foi recentemente divulgado.

No áudio de cerca de 17 minutos, Paetongtarn Shinawatra referiu-se a Hun Sen como “tio”, em sinal de respeito, e “opositor” ao tenente-general Boonsin Phadklang, que dirige um comando militar tailandês, posicionado na fronteira com o Camboja.

Paetongtarn, que admitiu que a voz divulgada na rede social Facebook era a sua, pediu desculpa publicamente pelo áudio, e explicou que, com o que disse, tentava diminuir a tensão na fronteira entre os dois países, que havia aumentado desde o final de março, após um breve confronto entre os exércitos, no qual um soldado cambojano morreu.

Tradição familiar

Depois de semanas de tensão entre os dois países, começou a 24 de Julho um confronto armado entre os exércitos da Tailândia e do Camboja em vários pontos da fronteira, que durou cinco dias e causou pelo menos 44 mortos. Há uma semana, o pai de Paetongtarn e antigo primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra foi absolvido no processo em que era acusado de crime de lesa-majestade.

O bilionário, de 76 anos, podia ter sido condenado a 15 anos de prisão. Paetongtarn é o terceiro membro da família Shinawatra a ser afastado da chefia de governo, depois do pai e da tia Yingluck Shinawatra, ambos derrubados por golpes militares.

1 Set 2025

Ásia | Tailândia e Camboja assinam desminagem da fronteira comum

A Tailândia e o Camboja concordaram em remover as minas ao longo da fronteira que separa os dois países e em proceder à “atribuição clara” de territórios cuja soberania é disputada por Banguecoque e Phnom Penh.

A decisão resulta de uma reunião extraordinária sexta-feira do Comité Regional de Fronteiras (RBC), integrado por ambos os países, revelou ontem o porta-voz do gabinete do primeiro-ministro da Tailândia, Jirayu Huangsap.

Vários incidentes com explosões de minas terrestres em zonas junto à fronteira foram registados recentemente, o mais recente dos quais ocorreu no dia 12 de Agosto, quando um militar tailandês ficou ferido.

Outros dois incidentes, em 16 e 23 de Julho, precederam o confronto armado que eclodiu no dia 24 desse mês entre a Tailândia e o Camboja, que se prolongou por cinco dias e deixou pelo menos 44 mortos, incluindo civis, em vários pontos dos quase 820 quilómetros de fronteira.

Ao acordo para a remoção das minas e “atribuição clara” das zonas fronteiriças disputadas junta-se um pacto para a “desarticulação conjunta” de redes criminosas dedicadas à ciberfraude global, fortemente implantadas ao longo da fronteira dos dois países.

Precisamente, esses locais de ciberfraude, operados por máfias muito poderosas foram apontados pela primeira-ministra suspensa da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, como um dos possíveis gatilhos do confronto armado em que Tailândia e Camboja se envolveram no mês passado.

Paetongtarn afirmou que o conflito poderia estar relacionado com os planos do seu governo para combater esses centros, com grande presença no Camboja e são determinantes para a sua economia.

No dia 28 de julho, Banguecoque e Phnom Penh assinaram na Malásia um cessar-fogo relativo ao confronto armado, embora ambas as partes se tenham depois acusado mutuamente de violar o acordo. A fronteira entre estes países vizinhos foi cartografada pela França em 1907, quando o Camboja era colónia francesa.

25 Ago 2025

Tailândia | PM suspensa apresenta defesa perante tribunal

A gravação de uma chamada telefónica entre a primeira-ministra tailandesa e um poderoso político cambojano comprometeu Paetongtarn Shinawatra, acusada de falta de ética grave

A primeira-ministra da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, que se encontra suspensa de funções devido à divulgação de um áudio no qual supostamente questionava o Exército, compareceu ontem perante o Tribunal Constitucional para apresentar a sua defesa.

Paetongtarn, que ontem completou 39 anos e assumiu o cargo há pouco mais de um ano, compareceu perante o tribunal, no norte de Banguecoque, para apresentar testemunho devido à divulgação de uma gravação de um telefonema em 18 de Junho entre ela e o influente político cambojano Hun Sen, que publicou o áudio na rede social Facebook.

Durante a audiência de ontem, estava também previsto o depoimento do secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, Chatchai Bangchuad.

No áudio de cerca de 17 minutos, a primeira-ministra referiu-se a Hun Sen como “tio”, em sinal de respeito, e classificou como “opositor” o tenente-general Boonsin Phadklang, que dirige um comando militar tailandês, posicionado na fronteira com o Camboja.

Paetongtarn, que admitiu que a voz reproduzida no Facebook é a sua, pediu desculpa publicamente pelo áudio, e explicou que, com o que disse, tentava diminuir a tensão na fronteira entre os dois países, que havia aumentado desde o final de Março, após um breve confronto entre os exércitos, no qual um soldado cambojano morreu.

Demissões e suspensões

O conteúdo do diálogo levou o segundo partido com maior representação na coligação governamental, o conservador Bhumjaithai, a abandonar o Executivo, e um grupo de senadores a solicitar ao Tribunal Constitucional que analisasse se a governante tinha cometido uma “falta ética grave” ao questionar o comando militar.

Em 01 de Julho, os juízes do Tribunal Constitucional decidiram suspender temporariamente a primeira-ministra do exercício de funções enquanto analisavam o caso, que pode resultar na destituição, uma decisão que está prevista para sexta-feira da próxima semana.

Após semanas de tensão entre os dois países, em 24 de Julho eclodiu um confronto armado entre os exércitos da Tailândia e do Camboja em vários pontos da fronteira, que durou cinco dias e custou a vida a, pelo menos, 44 pessoas.

A audiência de Paetongtarn ocorre um dia antes do seu pai, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, comparecer perante outro tribunal em Banguecoque para conhecer a decisão de um caso em que é arguido por suposto crime de lesa-majestade, punível com até 15 anos de prisão.

22 Ago 2025

Tailândia / Camboja | Trégua perturbada por explosão de mina

Um soldado tailandês ficou ferido na sequência da explosão de uma mina terrestre perto da fronteira entre a Tailândia e o Camboja, tendo o exército de Banguecoque admitido exercer o direito de legítima defesa.

O incidente ocorreu ontem, perturbando a trégua entre a Tailândia e o Camboja que pôs fim à guerra entre os dois países, no passado mês de Julho. Em comunicado, o general Winthai Suvari, porta-voz do exército tailandês, disse que “se a situação o exigir” as Forças Armadas de Banguecoque podem exercer o direito de “legítima defesa”, de acordo com as leis internacionais.

O militar ferido encontrava-se numa missão de patrulhamento perto do templo Ta Muen Thom, uma área reivindicada por ambos os países e localizada entre a província tailandesa de Surin e a província cambojana de Oddar Meanchey, quando ocorreu a explosão.

O soldado tailandês, que estava acompanhado por um grupo de outros sete militares, está “fora de perigo” depois de ter sofrido “graves ferimentos no tornozelo esquerdo”.

Dois incidentes anteriores, a 16 e 23 de Julho, levaram à deterioração das relações diplomáticas entre os dois países e desencadearam os violentos confrontos que se prolongaram por cinco dias em vários pontos ao longo da fronteira comum de quase 820 quilómetros.

A guerra fez, pelo menos, 44 mortos. O governo cambojano rejeitou as acusações e afirmou que “não ‘plantou’, nem vai ‘plantar’, novas minas terrestres”, afirmando que os engenhos militares foram colocados há décadas, durante a guerra civil cambojana.

Luta antiga

A 28 de Julho, os governos de Banguecoque e de Phnom Penh assinaram um cessar-fogo, que se mantém em vigor apesar das acusações de violação do cessar-fogo. Na passada quinta-feira, os dois países concordaram em permitir que os observadores da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) monitorizem o cumprimento do acordo no terreno.

Banguecoque e Phnom Penh, cuja fronteira foi cartografada pela França em 1907, quando o Camboja era uma colónia ultramarina francesa, estão envolvidos numa contenda territorial de longa data.

13 Ago 2025

Camboja e Tailândia reiteram na China compromisso com cessar-fogo

Representantes do Camboja e da Tailândia garantiram ontem ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Sun Weidong, que os seus países estão “comprometidos com o consenso alcançado para o cessar-fogo” após um conflito fronteiriço.

Sun recebeu ontem em Xangai representantes do Camboja e da Tailândia que, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, reiteraram a Pequim “o seu compromisso com o consenso sobre o cessar-fogo” e expressaram “o seu agradecimento pelo papel positivo da China” para amenizar a situação.

O comunicado indica que a reunião decorreu num ambiente “franco, amigável e harmonioso” e que o encontro demonstra “o último esforço diplomático da China”, que continua a desempenhar “um papel construtivo no apoio ao Camboja e à Tailândia para resolver pacificamente a sua disputa fronteiriça”.

A Tailândia voltou a acusar ontem o Camboja de “violar” o cessar-fogo devido ao conflito na fronteira, enquanto Pnhom Penh nega e garante que está “comprometida” com o acordo de cessação das hostilidades.

A Tailândia e o Camboja concordaram na segunda-feira com um cessar-fogo após cinco dias de confrontos que deixaram mais de 40 mortos de ambos os países, depois de uma disputa territorial histórica terminar num confronto militar em vários pontos de sua fronteira comum. Banguecoque já denunciou na terça-feira a violação do pacto por parte do país vizinho.

Para cumprir

O porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, rejeitou ontem as acusações e afirmou que o seu país está comprometido com o acordo assinado que entrou em vigor à meia-noite entre segunda e terça-feira.

Após semanas de tensões na sua fronteira, na quinta-feira, 24 de Julho, eclodiu o confronto por questões territoriais entre os exércitos dos dois países, que se acusaram mutuamente de ter iniciado os ataques.

Durante os cinco dias de conflito, pelo menos 43 pessoas morreram, 30 do lado tailandês e 15 do lado cambojano, enquanto cerca de 300.000 pessoas foram deslocadas, de acordo com os últimos balanços oficiais.

O acordo de cessar-fogo foi selado na segunda-feira com a mediação da Malásia, país que detém a presidência rotativa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), enquanto os Estados Unidos e a China participaram como coorganizador e observador, respectivamente.

31 Jul 2025

Camboja e Tailândia suspenderam os movimentos de tropas na fronteira

Os exércitos da Tailândia e do Camboja concordaram ontem suspender o movimento de tropas na fronteira, cumprindo o cessar-fogo alcançado na segunda-feira após cinco dias de confrontos. A suspensão do movimento de efectivos militares foi anunciada pelas autoridades tailandesas referindo-se às zonas perto da fronteira entre a Tailândia e o Camboja.

O porta-voz do Exército tailandês, Winthai Suvaree, explicou que os comandantes regionais dos dois países realizaram ontem três reuniões, que terminaram com o acordo que determinou a paragem do movimento de tropas. Devido aos combates dos últimos dias, cerca de 300 mil civis foram obrigados a abandonar os respectivos locais de residência.

Além da paralisação das tropas, as partes concordaram estabelecer comunicações directas entre os chefes militares assim como se vai facilitar o regresso dos feridos e a entrega de restos mortais.

De acordo com fontes militares e governamentais da Tailândia, 15 civis e 14 militares perderam a vida na última semana devido ao agravamento do conflito. Segundo a mesma fonte, 126 militares e 53 civis ficaram feridos, alguns com gravidade.

O Ministério da Defesa do Camboja não actualizou o balanço comunicado no passado fim-de-semana. Os militares do Camboja disseram na altura que cinco militares morreram e 21 ficaram feridos tendo-se registado oito mortes entre a população civil.

Cessar, mas pouco

O exército tailandês acusou ontem o Camboja de violar o cessar-fogo, afirmando que os confrontos continuaram, apesar de a trégua ter entrado em vigor à meia-noite.

“Após a declaração do cessar-fogo, foram relatados distúrbios na área de Phu Makua, causados pelo lado cambojano, levando a uma troca de tiros entre os dois lados, que continuou até esta manhã”, escreveu ontem num comunicado o porta-voz adjunto do exército tailandês, Ritcha Suksuwanon. Além disso, “ocorreram também confrontos na área de Sam Taet e continuaram até as 05h30 (06h30 em Macau)”.

As reuniões de ontem fazem parte do acordo de cessar-fogo alcançado na segunda-feira entre Banguecoque e Phnom Pen, com a mediação da Malásia. O cessar-fogo foi anunciado pelo primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, na qualidade de presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Os combates começaram na quinta-feira passada, após várias semanas de tensões em vários pontos dos 820 quilómetros da fronteira comum entre os dois países.

O Camboja e a Tailândia estão em conflito há muito tempo sobre o traçado da fronteira de mais de 800 quilómetros, definida em grande parte por acordos celebrados durante a ocupação francesa da chamada Indochina, entre final do século XIX e meados do século XX.

30 Jul 2025

Tailândia/Camboja | Cessar-fogo “imediato e incondicional” aceite pelas duas partes

A Tailândia e o Camboja concordaram com o cessar-fogo proposto ontem numa reunião na Malásia, após os piores combates da última década. Horas antes do início das negociações, representantes dos dois países trocaram acusações

 

A Tailândia e o Camboja concordaram com um cessar-fogo “imediato e incondicional”, anunciou ontem ao final da tarde o primeiro-ministro da Malásia após realizar negociações de paz. Anwar Ibrahim, que recebeu os líderes de ambos os países, disse que o cessar-fogo terá início à meia-noite de segunda-feira, hora local.

“Tanto o Camboja como a Tailândia chegaram a um entendimento comum”, disse Ibrahim após as negociações de mediação na Malásia. Os embaixadores dos Estados Unidos e da China na Malásia também estiveram presentes na reunião na capital administrativa da Malásia, Putrajaya.

Recorde-se que a Malásia detém a presidência rotativa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da qual Banguecoque e Phnom Penh são membros, e já interveio como mediadora entre as partes no segundo dia do diferendo.

Pelo menos 35 pessoas foram mortas e mais de 270.000 deslocadas pelos piores combates em mais de uma década entre os países vizinhos. Os confrontos continuaram na madrugada de segunda-feira, poucas horas antes do início das negociações.
Além do confronto físico, os dirigentes dos dois países também trocaram acusações horas antes da negociações que parecem apontar para o fim do conflito.

O primeiro-ministro interino tailandês acusou o Camboja de falta de “boa fé”, ao partir para a Malásia. “Não achamos que o Camboja esteja a agir de boa-fé, tendo em conta as acções para resolver o problema. Eles têm de demonstrar uma intenção sincera”, disse Phumtham Wechayachai aos jornalistas no aeroporto em Banguecoque.

Também o Camboja afirmou que os ataques continuaram na madrugada de segunda-feira nos templos disputados de Ta Moan Thom e Ta Krabey, a mais de 400 quilómetros de Banguecoque e Phnom Penh. A porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, disse, numa conferência de imprensa, que a Tailândia atacou o território cambojano entre domingo e a madrugada de ontem com obuses de artilharia e bombas de fragmentação.

“Sublinhamos a necessidade de ambas as partes exercerem a máxima contenção e se comprometerem com um cessar-fogo imediato, abstendo-se de qualquer acção que o possa prejudicar”, lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Malásia ainda antes da reunião.

“Exortamos ambas as partes a cessarem todas as hostilidades, a regressarem à mesa das negociações para restaurar a paz e a estabilidade e a resolverem os diferendos e as divergências por meios pacíficos”, declarou ainda o Governo de Kuala Lumpur.

Potências atentas

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, exortou os dois países a diminuírem as tensões “de imediato” e a concordarem com um cessar-fogo na disputa fronteiriça. “Tanto o Presidente [Donald] Trump como eu estamos em contacto com os nossos homólogos de cada país e estamos a acompanhar a situação de muito perto. Queremos que este conflito termine o mais rapidamente possível”, apontou Rubio na rede social X.

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês apelou à paz. “Camboja e Tailândia são vizinhos próximos e também amigos da China. A paz e a boa vizinhança são do interesse comum de ambas as partes”, declarou o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, em conferência de imprensa.

As declarações surgem após o primeiro-ministro interino tailandês, Phumtham Wechayachai, ter citado a China, juntamente com os Estados Unidos e a Malásia, como um dos países que “intervieram para ajudar” a viabilizar o encontro entre Banguecoque e Phnom Penh, em confronto desde quinta-feira passada devido a uma disputa territorial na fronteira comum.

Além de Washington, Pequim e da ASEAN, também a ONU, União Europeia, Japão e Rússia, entre outros, apelaram à contenção e ao diálogo entre as partes.

29 Jul 2025

Diplomacia | Tailândia concorda em princípio com cessar-fogo com Camboja

O primeiro-ministro interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, disse ontem que o país concordou, em princípio, com um cessar-fogo, mas enfatizou a necessidade de “intenções sinceras” por parte do Camboja

 

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros tailandês, Phumtham Wechayachai apelou a negociações bilaterais rápidas para discutir medidas concretas no sentido de uma resolução pacífica do conflito.

O actual líder do Governo da Tailândia agradeceu ainda ao Presidente dos Estados Unidos, com quem falou horas antes, numa conversa por telefone em que Donald Trump apresentou uma proposta de cessar-fogo.

Também o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, disse ontem que o país aceitou negociações para um “cessar-fogo imediato e incondicional”. “Esta é uma boa notícia para os soldados e para o povo de ambos os países”, disse o líder cambojano, num comunicado.

Manet instruiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Prak Sokhonn, a iniciar discussões com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, para pôr fim ao conflito que eclodiu na quinta-feira.
Ainda assim, jornalistas da agência de notícias France-Presse em Samraong, no Camboja, a cerca de 20 quilómetros da fronteira com a Tailândia, ouviram o som de disparos de artilharia esta madrugada.
Uma porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja afirmou ainda que a Tailândia tinha atacado às 04h50 (05h50 em Macau) perto de dois templos cuja soberania é disputada pelos dois países.

O coronel Richa Suksowanont, porta-voz adjunto do exército tailandês, acusou as forças cambojanas de dispararem ontem de manhã artilharia pesada contra a província de Surin, incluindo contra casas de civis.

Richa Suksowanont disse que o Camboja também lançou ataques com foguetes contra o antigo templo de Ta Muen Thom, reivindicado por ambos os países, e outras áreas, numa tentativa de recuperar o território protegido pelas tropas tailandesas.

As forças tailandesas responderam com artilharia de longo alcance para atingir a artilharia e os lança-foguetes cambojanos. As operações no campo de batalha vão continuar e um cessar-fogo só poderá acontecer se o Camboja iniciar formalmente as negociações, acrescentou Richa Suksowanont.

Do outro lado

A porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, tenente-general Maly Socheata, acusou as forças tailandesas de intensificarem a violência com bombardeamentos em território cambojano na manhã de domingo, seguidos de uma “incursão em grande escala” envolvendo tanques e tropas terrestres em várias áreas. “Tais acções minam todos os esforços para uma resolução pacífica e expõem a clara intenção da Tailândia de intensificar o conflito, em vez de o apaziguar”, afirmou.

Uma histórica disputa fronteiriça entre os dois países conduziu na quinta-feira a confrontos que envolveram caças, tanques, tropas terrestres e artilharia.

Os combates causaram 33 mortes e mais de 130 mil deslocados em ambos os lados da fronteira. O saldo já supera o da série anterior de grandes confrontos fronteiriços entre os dois países, que causaram 28 mortes entre 2008 e 2011.

O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de urgência e, no sábado, o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, condenou a escalada de violência entre a Tailândia e o Camboja, pediu a ambas as partes que se comprometam com um cessar-fogo e ofereceu-se como mediador.

28 Jul 2025

Tailândia | Nove mortos e 14 feridos por ataques aéreos cambojanos

Os ataques aéreos cambojanos mataram nove pessoas, incluindo uma criança de oito anos, e feriram 14, informou ontem o exército tailandês, no dia em que se intensificou o conflito entre os dois países

 

Nove pessoas morreram e 14 ficaram feridas na Tailândia na sequência da ofensiva de ataques aéreos cambojanos. Segundo o exército tailandês, uma das vítimas mortais foi uma criança de 14 anos. A Tailândia afirmou ter lançado ataques aéreos contra dois alvos militares no Camboja, enquanto os soldados cambojanos dispararam vários foguetes contra território tailandês.

Seis pessoas foram mortas num ataques perto de um posto de abastecimento de combustível na província de Sisaket (nordeste), duas na província de Surin (nordeste) e uma na província de Ubon Ratchathani (nordeste).

As autoridades tailandesas anunciaram o encerramento total de todas as passagens fronteiriças terrestres com o Camboja, após confrontos entre os dois exércitos em várias áreas que separam estes países vizinhos.

O nível de segurança nas passagens fronteiriças foi elevado para o 4 — o máximo —, o que constitui um encerramento completo, disse, em conferência de imprensa o porta-voz do centro tailandês que monitoriza a situação na fronteira com o Camboja, o almirante Surasant Kongsiri.

“Dada a situação actual, é necessário que a Tailândia feche as barreiras nas passagens fronteiriças para proteger a nossa soberania, integridade territorial e a segurança das pessoas nas zonas fronteiriças”, disse, na mesma ocasião, o porta-voz dos Negócios Estrangeiros do centro, Maratee Nalita.

Terra cobiçada

Desde o final de Junho, a Tailândia implementou restrições de acesso em todos os postos fronteiriços ao longo dos mais de 800 quilómetros de fronteira que partilha com o Camboja, permitindo a entrada apenas por motivos humanitários, de saúde ou educação.

O encerramento total acontece após os confrontos de ontem entre os exércitos tailandês e cambojano numa zona fronteiriça disputada, segundo indicaram os dois lados, que se acusam mutuamente de iniciar o conflito após semanas de tensão.

Entretanto, o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, solicitou ontem uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. “Considerando as recentes agressões extremamente graves da Tailândia, que ameaçaram gravemente a paz e a estabilidade na região, peço sinceramente que convoque uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para pôr fim à agressão da Tailândia”, escreveu Hun Manet numa carta dirigida ao presidente do Conselho de Segurança, Asim Iftikhar Ahmad.

O conflito de longa data entre os dois países reacendeu-se a 28 de Maio, após um confronto entre os dois exércitos em torno de uma zona fronteiriça não demarcada reivindicada pelas duas nações, que resultou na morte de um soldado cambojano.

A Embaixada da Tailândia no Camboja solicitou ontem aos cidadãos tailandeses que abandonem o país vizinho, após os confrontos e dada a possibilidade de os ataques “continuarem e espalharem-se”. A tensão territorial tem sido geralmente abordada diplomaticamente, embora entre 2008 e 2011, cerca de 30 pessoas tenham morrido em confrontos militares entre os dois países num território adjacente ao templo hindu de Preah Vihear.

25 Jul 2025

DST | Turismo da RAEM vai a Banguecoque promover a Grande Baía

Entre amanhã e domingo, o Governo da RAEM irá realizar uma “promoção de grande escala”, intitulada “Sentir Macau”, na capital da Tailândia, para dar “continuidade à ofensiva promocional nos mercados internacionais do Sudeste Asiático”.

Segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a campanha arranca hoje com um seminário preliminar para mostrar novos produtos do “turismo + convenções e exposições” de Macau, que irá contar também com uma bolsa de contactos.

Entre sexta-feira e domingo, a campanha irá desenvolver no centro comercial Siam Paragon, iniciativas que vão incluir “ofertas especiais para promover viagens multi-destinos de visitantes internacionais na Grande Baía”. Os descontos incluem viagens em promoção para quem compre bilhetes de avião com um determinado cartão de crédito de um banco tailandês, com descontos em bilhetes de regresso à Tailândia em voos que partam das cidades da Grande Baía.

No esforço para promover a Grande Baía, o Governo de Macau irá financiar actuações em palco de “estrelas tailandesas” e a participação de influenciadores digitais.

Foram também instalados na zona comercial do centro de Banguecoque, em estações de metro e canais multimédia, um total de 128 ecrãs electrónicos de publicidade. Entre Janeiro e Abril, a Tailândia ocupava o oitavo lugar entre os 10 principais mercados de visitantes e o quinto lugar entre os mercados de visitantes internacionais de Macau.

4 Jun 2025

Fronteiras | Soldados tailandeses e cambojanos em confronto

Soldados da Tailândia e do Camboja trocaram ontem disparos numa zona fronteiriça disputada, informaram os exércitos dos dois países.

De acordo com um comunicado da parte tailandesa, os soldados cambojanos entraram na área disputada e os tailandeses aproximaram-se para negociar. No entanto, devido a um mal-entendido, o lado cambojano abriu fogo e os soldados tailandeses retaliaram. O porta-voz do exército do Camboja, Mao Phalla, afirmou que as tropas do país estavam a efectuar uma patrulha de rotina ao longo da fronteira quando o outro lado abriu fogo.

O confronto durou cerca de dez minutos até que os comandantes locais comunicaram e ordenaram um cessar-fogo. O exército tailandês afirmou que as duas partes estavam a negociar e que o confronto não fez vítimas.

Já o representante de Phnom Penh notou não haver até ao momento informações sobre quaisquer vítimas. O ministro da Defesa tailandês, Phumtham Wechayachai, afirmou que a situação está resolvida e que as duas partes não tencionavam fazer os disparos. A Tailândia e o Camboja, países vizinhos, têm uma longa história de disputas territoriais. O incidente foi registado em vídeo e tornou-se viral nas redes sociais.

29 Mai 2025

Sismo | Macau com alerta para a Tailândia e CE expressa condolências

O Executivo emitiu um sinal de alerta de viagem para a Tailândia, na sequência do sismo de magnitude 7.7 na escala de Richter e recebeu um pedido de assistência e sete de informação. Sam Hou Fai enviou uma mensagem de condolências à população do Myanmar, onde a contagem de mortos ultrapassava ontem os 1.600

 

Na noite de sábado, Sam Hou Fai endereçou “uma mensagem de condolências ao dirigente do Myanmar, Min Aung Hlaing, na sequência do sismo que abalou” a região, “expressando os seus sentidos pêsames, condolências e a atenção e solidariedade aos feridos e familiares das vítimas”.

Às 14h50, hora de Macau, um tremor de terra de magnitude 7.7 na escala de Richter, e com epicentro perto da capital do Myanmar, abalou a terra, e 11 minutos depois seguiu-se uma réplica de 6.7 na escala de Richter. O sismo sentiu-se na Tailândia e em várias províncias chinesas, com maior intensidade em Yunnan, mas também em Guizhou, Guangxi e Sichuan, no Laos, Vietname, Bangladesh e Índia. Porém, o Myanmar foi o país mais afectado, com a contagem fatal a chegar ontem aos 1.644 mortos.

Na nota publicada no sábado à noite, o Chefe do Executivo demonstrou o pesar e salientou a os fortes laços de amizade entre os povos de Macau e do Myanmar.

“Foi com grande consternação que recebi a informação da ocorrência do sismo de forte intensidade no Myanmar. (…) Em nome do Governo da RAEM e da população, endereçamos os nossos mais sentidos pêsames, condolências e solidariedade, a toda a população do Myanmar, com atenção especial para as famílias dos falecidos, os feridos e os residentes nas zonas mais afectadas”.

Sam Hou Fai afirmou também que “os residentes de Macau têm empatia e estão solidários”, e “disponíveis para providenciar, dentro das nossas capacidades, todo o apoio necessário aos trabalhos de salvamento e reconstrução posterior”.

Com toda a atenção

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) reagiu passado pouco mais de uma hora ao primeiro abalo, referindo que as pessoas que se encontram em viagem devem “prestar atenção à sua segurança pessoal, estarem vigilantes e acompanhar atentamente a evolução da situação”.

Ainda na noite de sexta-feira, a RAEM emitiu para a Tailândia o nível 1 de alerta de viagem, o mais baixo de um total de três escalões, e que já estava em vigor para Myanmar, mas devido à guerra civil no país. De acordo com a DST, este nível “representa o surgimento de uma ameaça à segurança pessoal”.

A DST revelou ainda ter recebido um pedido de ajuda de um residente de Macau que perdeu um voo devido ao encerramento de estradas que o impediu de chegar ao aeroporto, e sete pedidos de informação.

Embora não haja excursões organizadas vindas de Macau nem na Tailândia nem em Myanmar, a DST enviou mensagens a 1.475 telemóveis registados no território que estavam a aceder a serviços de roaming nos dois países ou no vizinho Laos.

Sem excursões

Depois do sismo de sexta-feira, que teve epicentro no Myanmar, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, confirmou que não existia nenhuma excursão de Macau no Myanmar, na Tailândia nem na província chinesa de Yunnan, na altura do abalo.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável revelou que a Direcção dos Serviços de Turismo contactou imediatamente as agências de viagem do território para saber se decorriam excursões nas regiões afectadas.

No entanto, Andy Wu sublinhou a inevitabilidade de existirem residentes nas zonas afectadas e revelou que, apesar do volume significativo do pedido de informações, não houve desistências de excursões para as zonas afectadas pelo sismo, que se vão realizar durante os feriados da Páscoa e Cheng Ming.

Réplica de 5,1

Um sismo de magnitude 5,1 na escala de Richter abalou ontem Mandalay, no centro de Myanmar (ex-Birmânia), sendo uma réplica do terramoto de magnitude 7,7 que provocou mais de 1.600 mortos e 3.400 feridos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) declarou que o tremor de ontem teve o seu epicentro a 28 quilómetros a noroeste da cidade de Mandalay e um hipocentro a uma profundidade de 10 quilómetros. Até ao fecho desta edição, não havia registo de vítimas ou danos materiais deste mais recente sismo. Com Lusa

31 Mar 2025

Primeira-ministra tailandesa sobrevive a moção de desconfiança

A primeira-ministra da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, sobreviveu ontem a uma moção de desconfiança no Parlamento, que questionava a gestão da economia e as ligações ao ex-líder e pai, Thaksin Shinawatra, condenado por corrupção.

Paetongtarn, 38 anos, que assumiu o cargo em Agosto, foi apoiada por 319 deputados, contra 161, que votaram contra ela, num total de 500 membros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do parlamento

Tal como previsto, a líder foi apoiada pelos 11 partidos da coligação governamental, liderada pelo Puea Thai (Povo Tailandês), uma plataforma ligada ao clã Shinawatra. A moção foi apresentada na segunda-feira pelo Partido Popular, na oposição, herdeiro do partido Avanzar, dissolvido em Agosto passado por uma decisão judicial controversa.

Durante as duas sessões que antecederam a votação, o debate girou em torno do fraco desempenho da economia tailandesa e da alegada influência de Thaksin, que governou o país entre 2021 e 2006, ano em que foi afastado do poder por um golpe militar.

Paetongtarn, candidata a primeira-ministra pelo Puea Thai nas eleições de Maio de 2023, chegou ao poder em Agosto de 2024, depois de o então líder Srettha Thavisin, também do Puea Thai, ter sido destituído por ordem do Tribunal Constitucional, depois de ter nomeado ministro um dirigente condenado por corrupção.

Faz o que eu digo

Thaksin, o político mais influente e polarizador da Tailândia nos últimos 20 anos, regressou ao país depois de ter passado quase 15 anos no exílio, no mesmo dia em que Srettha tomou posse.

O antigo dirigente foi detido à chegada a Banguecoque, acusado de corrupção, mas não chegou a passar uma noite na prisão, tendo sido transferido no mesmo dia para um hospital, onde esteve seis meses, e depois colocado em prisão domiciliária até à sua libertação, dias depois da filha ter ascendido ao poder.

Thaksin, de 75 anos, afirma estar retirado da política, mas admitiu ocasionalmente dar conselhos à actual líder e foi visto a presidir a reuniões com outros proeminentes líderes políticos tailandeses. O partido reformista Advance venceu as eleições de Maio de 2023, mas não conseguiu governar devido a um veto do Senado, então composto por representantes ligados à extinta junta militar.

O partido acabou por ser dissolvido pelo Tribunal Constitucional, na sequência de uma promessa eleitoral de alterar as leis que protegem a Casa Real tailandesa de críticas. O Puea Thai, que inicialmente se aliou ao Advance, acabou por concordar com um governo de coligação em que estão presentes partidos associados aos militares, outrora inimigos dos Shinawatras.

27 Mar 2025

Pequim condena sanções dos EUA contra a Tailândia

A China criticou ontem as sanções impostas pelos Estados Unidos aos funcionários tailandeses envolvidos na deportação de 40 cidadãos chineses e acusou Washington de politizar a cooperação entre os países em matéria de segurança.

“A deportação forçada e indiscriminada de imigrantes ilegais pelos Estados Unidos contrasta fortemente com as suas tentativas de atacar, difamar e impor sanções contra a cooperação legítima entre outros países em matéria de aplicação da lei. Trata-se de um acto típico de assédio”, declarou ontem a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, em conferência de imprensa.

Mao Ning rejeitou o que chamou de “difamação maliciosa” e descreveu as restrições impostas por Washington aos funcionários tailandeses como “ilegais”, afirmando que a cooperação entre a China e a Tailândia foi efectuada “no âmbito das leis chinesas e tailandesas, do direito internacional e das normas globais”.

Mao argumentou que as 40 pessoas repatriadas “deixaram a China ilegalmente” e ficaram “retidas na Tailândia durante 10 anos”. “O Governo chinês tem a responsabilidade de proteger os seus cidadãos, ajudá-los a reunir-se com as suas famílias e facilitar a sua reintegração na sociedade”, acrescentou.

A porta-voz também criticou a posição de Washington, lembrando que, no ano fiscal de 2024, as autoridades norte-americanas deportaram mais de 270.000 imigrantes ilegais de 192 países, o número mais elevado desde 2014. “Os EUA usam os Direitos Humanos para manipular questões sociais, interferir nos assuntos internos da China e interromper a cooperação normal no âmbito da aplicação da lei”, disse.

Respeito mútuo

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou recentemente sanções contra funcionários e ex-funcionários tailandeses pelo seu papel na deportação de 40 membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur para a China, argumentando que Washington está “empenhado em combater os esforços da China para pressionar os governos a deportar à força os uigures e outros grupos” que os EUA dizem enfrentar abusos no gigante asiático.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia defendeu no sábado a deportação, afirmando que o processo foi realizado “seguindo os princípios humanitários” e reiterou que Banguecoque “esclareceu este assunto em várias ocasiões com os países que manifestaram preocupação”, sublinhando que a relação com os EUA deve basear-se no “respeito mútuo”.

18 Mar 2025