Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteEnsino | Estudo sugere exemplo de Singapura às autoridades de Macau Um estudo indica que Macau deve apostar na digitalização e fomento da criatividade para melhorar os resultados dos alunos do ensino não superior, tendo por base os dados do PISA 2022. O académico responsável pelo estudo sugere às autoridades da RAEM que aprendam com alguns aspectos do sistema de ensino de Singapura Os estudantes de Macau costumam apresentar excelentes resultados na área da matemática no PISA – Programme for International Student Assessment, que analisa o desempenho dos alunos de vários países consoante os padrões estabelecidos pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Porém, um estudo do académico Wanying Zhong, do Lyceum of the Philippines University-Batangas, intitulado “Brief Description of the Performance of Tertiary Macau in the PISA 2022 Assessment”, estabelece uma comparação com os resultados dos estudantes de Singapura e conclui que Macau pode e deve aprender com o sistema da Cidade-Estado. O estudo, publicado no Journal of Education and Educational Research em Setembro, afirma que “Macau pode beneficiar de adaptações a nível pedagógico e de um foco na resolução criativa de problemas verificadas em Singapura e outras nações europeias, melhorando os resultados educativos”. Para o académico, Macau depara-se, à semelhança de outros países” e territórios, com “obstáculos para colmatar as disparidades e adaptar-se à necessidade mundial de mais mentes inovadoras e adaptáveis”. O autor entende que deve ser feito um “investimento estratégico” nas áreas da ciência, tecnologia, engenharias e matemática”, a fim de “assegurar a optimização do equipamento nos laboratórios e uma integração de ferramentas científicas e tecnológicas actualizadas no ensino prático”. Sugere-se também a actualização anual dos conteúdos curriculares “para que haja um desenvolvimento contínuo” destas áreas de ensino. Em termos gerais, as recomendações incidem sobre “o reforço da educação” nas áreas das ciências, tecnologia, engenharias e matemática”, bem como “a melhoria do desenvolvimento profissional dos professores, da equidade educativa e a integração da tecnologia e da formação contínua”. Apesar das sugestões, o estudo reconhece que as autoridades de Macau têm feito diversos investimentos nos últimos anos. “O currículo educativo de Macau incentiva a integração efectiva de recursos e ferramentas digitais em todas as disciplinas para melhorar as experiências de aprendizagem interactiva dos alunos. No decurso da reforma curricular, o Governo da RAEM começou a tentar integrar as tecnologias da informação noutras disciplinas, como a utilização de material didáctico multimédia ou de vídeo para apresentar várias informações e dados na sala de aula de disciplinas como as ciências geográficas e matemática”. Maior conexão A integração tecnológica deve incluir outro tipo de ferramentas para “aumentar a participação dos alunos e promover activamente a aprendizagem experimental”, é indicado no estudo. Sugere-se também a conexão com entidades exteriores à escola, tendo em conta a ideia de que “as políticas e práticas educativas podem ser continuamente monitorizadas e melhoradas através de avaliações sistemáticas regulares e do incentivo à inovação educativa”. Assim, “o apoio a projectos-piloto” ou parcerias com empresas de tecnologia irão “ajudar a explorar novos métodos de ensino e ferramentas de aprendizagem que promovam a inovação e o progresso globais do sistema educativo”. O estudo académico indica também que os resultados do PISA 2022 obtidos por Macau “sugerem uma maior adaptabilidade, abrangência e inovação no que respeita à concepção do currículo e ao quadro educativo geral”. Impõem-se também “maiores exigências aos professores, preparando o terreno para que estes participem em futuras práticas de ensino com o objetivo de obter os mesmos resultados”. “Um melhor sistema educativo em Macau seria uma forma de reforçar o desempenho académico, assegurando que os estudantes tenham uma boa preparação para serem bem-sucedidos num ambiente que se tornou muito mais desafiante e com inter-relações”, pode ler-se. Os números do sucesso Os resultados do PISA 2022 demonstraram que “o desempenho de Macau é superior à média da OCDE em matemática e ciências, mas há ainda margem para melhorias no domínio da leitura”. Macau atingiu, em matemática 552 pontos, um aumento médio de 15,7 pontos numa década, face ao PISA de 2012, é destacado na investigação. O estudo conclui que “a notável tendência de expansão indica um investimento sustentado e os resultados alcançados pelo sistema educativo de Macau no ensino da matemática”. Porém, há sinais de alerta. “É crucial reconhecer um pequeno decréscimo no último semestre em relação a 2018 (-5,7 pontos), possivelmente indicando o surgimento de novos desafios ou alterações nas políticas ultimamente.” O sistema de ensino local é descrito no estudo como “robusto e eficaz”, performance conseguida através do estatuto que Macau atingiu a nível internacional. Porém, na leitura, os resultados não são tão animadores, com Macau a alcançar, no PISA de 2022, “510 pontos na avaliação de competências de leitura”, performance que ainda assim representa uma subida de 4,4 pontos em dez anos. É certo que houve um avanço, mas entre 2018 e 2022 “registou-se uma descida de 14,7 pontos nas classificações de leitura, o que evidencia a luta de Macau para ajustar as abordagens educativas em resposta à evolução do panorama de aprendizagem e das exigências”. Assim, “o sistema educativo de Macau tem de aprender com a experiência bem-sucedida dos países e regiões que apresentam um excelente desempenho na avaliação do PISA e formular estratégias eficazes de melhoria dos seus problemas”, a fim de “melhorar continuamente a qualidade da educação e atingir o objectivo da equidade educativa e desenvolvimento integral dos estudantes”. Uma reforma precoce Ao analisar os dados apresentados pelos alunos de Singapura no PISA 2022, Wanying Zhong explicita que ambas as regiões “destacam-se no domínio da matemática, sendo que Singapura está frequentemente fora do alcance dos rankings mundiais de matemática”. Porém, o autor destaca o investimento precoce na área das tecnologias e sistemas digitais. “Desde o começo, Singapura tem estado profundamente empenhada na educação das ciências, engenharias, tecnologia e matemática, centrando-se na promoção da inovação e explorações científicas. O seu ambiente cultural nestes domínios é notoriamente mais sólido do que o de Macau, o que pode contribuir para a disparidade” entre os territórios. Destaca-se que Singapura cedo implementou reformas curriculares, “alcançando resultados notáveis”, com “um forte empenho na resolução de problemas e aplicação de conhecimentos, o que demonstra bem a robustez das suas estruturas educativas”. O estudo conclui que “o sucesso de Macau depende sobretudo das suas escolas”, pois “a elevada classificação de Singapura em relação a Macau deve-se aos seus métodos de ensino inovadores e à utilização activa da tecnologia na educação, que constituem uma parte essencial dos seus objectivos educativos”.
Hoje Macau Manchete SociedadePISA | Alunos de Macau e Hong Kong menos criativos O relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), intitulado “Resultados do PISA 2022 (Volume III): Mentes Criativas, Escolas Criativas”, conclui que sistemas com um desempenho bem acima da média da OCDE em Matemática, Leitura e Ciências, como os da “República Checa, Hong Kong (China), Macau (China) e Taipé Chinês”, ficaram próximos ou abaixo da média em pensamento criativo, descreve a Lusa. O relatório avaliou as capacidades de pensamento criativo de estudantes em 64 países e economias em todo o mundo, tratando-se da primeira vez que a questão é analisada nesta avaliação da OCDE. Destaque para o facto de os estudantes de Singapura terem ficado em primeiro lugar, com “pontuações significativamente mais altas do que todos os outros países/economias participantes”, tendo atingido a média de 41 pontos num total de 60. De um modo geral, os sistemas onde o desempenho em pensamento criativo é melhor estão entre aqueles que também tiveram um desempenho acima da média da OCDE nos conhecimentos a Matemática, Leitura e Ciência. No caso de Singapura, os estudantes tiveram sucesso em vários tipos de tarefas, sobretudo na resolução de problemas sociais, e na Coreia pontuaram mais que os restantes na resolução de problemas científicos e “em tarefas que exigiam que (…) avaliassem e melhorassem ideias”.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePISA 2022 revela resultados “excepcionais” dos alunos de Macau Os alunos de Macau com 15 anos de idade obtiveram bons resultados no PISA 2022 [Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla inglesa)], um relatório de cariz anual ontem divulgado e que mede o nível de literacia dos estudantes do ensino não superior nas áreas do português, ciências e matemática. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), “verificou-se que de entre 81 países ou economias participantes no PISA 2022 os alunos de Macau obtiveram um desempenho excepcionalmente bom nas literacias em matemática, ciência e leitura”, tendo ficado, respectivamente, em segundo, terceiro e sétimo lugares na tabela de classificação de literacia do PISA. A DSEDJ realça os resultados obtidos em matemática, “a principal área de testes deste ciclo, em que os alunos de Macau alcançaram um registo histórico e a segunda posição globalmente”. A DSEDJ destacou também que o relatório, elaborado pela OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos], “salientou que o sistema educativo de Macau alcançou um sucesso notável na redução do fosso entre alunos provenientes de antecedentes socioeconomicamente favorecidos e desfavorecidos”. Desta forma, de entre os países ou economias com um alto desempenho, “Macau tem a relação mais fraca entre o desempenho na literacia dos alunos e o estatuto socioeconómico”, ou seja, “o impacto do contexto socioeconómico e cultural no desempenho dos alunos em literacia em matemática é relativamente menor”. Além disso, “Macau tem uma das menores proporções de alunos que não atingiram o nível de base (Nível 2) nas três literacias fundamentais, em comparação com os sistemas educativos de todo o mundo”. No relatório do PISA 2022 “os alunos com elevado desempenho em Macau representam 28.6 por cento em matemática, 14.7 por cento em ciências e 8.9 por cento em leitura”. Números que fazem a OCDE “elogiar o sistema escolar de Macau pelo seu excelente desempenho na literacia, bem como pela sua elevada qualidade na educação, em termos de justiça e inclusão”, esclarece a DSEDJ. Resistir à covid Relativamente ao desempenho escolar no contexto covid, o comunicado da DSEDJ aponta que “os resultados da investigação do PISA 2022 mostram que o desempenho médio dos países da OCDE diminuiu significativamente devido ao impacto da pandemia”, mas que Macau “está entre os poucos países e economias que conseguiram desafiar a tendência e melhorar o seu desempenho”. “A OCDE reconhece que o sistema de educação básica de Macau demonstrou resiliência e adaptabilidade durante a pandemia. As escolas de Macau garantiram que os alunos continuassem a receber uma educação de qualidade mesmo na adversidade e mantivessem um desempenho excepcional.” Apoio crucial Lê-se ainda no mesmo comunicado da DSEDJ que a OCDE “acredita que o investimento e o apoio do Governo de Macau na educação foram cruciais para o sucesso do sistema educativo de Macau no PISA 2022. Estas medidas incluem programas adaptativos de ensino à distância, recursos de ensino online e apoio abrangente aos alunos e às famílias”. Em Singapura, 41 por cento dos estudantes demonstrou conhecimentos bastante elevados em matemática, assim como 32 por cento dos estudantes de Taiwan. Por sua vez, 27 por cento dos alunos de Hong Kong apresentaram bons resultados nesta disciplina, tal como 23 por cento dos alunos do Japão e da Coreia do Sul, respectivamente.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEducação | Macau alcança o terceiro lugar nos testes PISA Na avaliação da leitura, matemática e ciências, os alunos locais conseguiram levar o território ao terceiro lugar do pódio, apenas atrás da China, que só contabiliza duas cidades e duas províncias, e de Singapura [dropcap]M[/dropcap]acau ficou em terceiro lugar no ranking mundial da educação medida pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos, conhecido como PISA. Os resultados foram apresentados durante a tarde de ontem com Macau a ficar no pódio em todas as competências analisadas, nomeadamente leitura, matemática e ciências. Nos exames realizados no ano passado, na área da leitura os alunos locais conseguiram uma média de 525 pontos, quando no último teste, de 2015, tinha sido de 508 pontos. Em matemática a média foi de 558 pontos, uma subida face aos 544 pontos. Em ciências a média foi de 544 face aos 529 pontos de 2015, quando foram publicados os resultados do teste anterior. De acordo com os resultados apresentados, Macau ficou apenas atrás da China (avaliada pelas cidades de Pequim, Xangai, e as província de Jiangsu e Zhejiang) e Singapura. O Interior ficou em primeiro com 555 pontos em literatura, 591 em matemática e 590 em ciências, já Singapura alcançou um resultado de 549 pontos em literatura, 569 pontos em matemática e 551 pontos em ciências. “Os resultados são encorajadores. Entre os 79 países e economias, estamos em terceiro logo a seguir à China e a Singapura. Pela primeira vez alcançamos nas três áreas avaliadas o terceiro lugar a nível mundial”, afirmou Lou Pak Sang, Director da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), na apresentação dos resultados. “Segundo a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, responsável pelo teste] Macau é uma das economias com um progresso contínuo e rápido da qualidade educativa”, acrescentou. Macau ficou acima da média da OCDE, que registou resultados de 487 pontos em literatura e 489 pontos a matemática e ciências. Portugal também ficou acima da média, com 492 pontos em todos os três aspectos analisados. Na apresentação, esteve igualmente o académico Cheang Kwok Cheung, da Universidade de Macau que desempenha as funções de Administrador do Projecto Nacional do PISA de Macau. Cheang afirmou que os resultados obtidos vão ser uma referência para as restantes economias e países. “Macau vai servir de exemplo a países e economias, vão querer reunir-se connosco para aprenderem”, considerou. O calcanhar d’Aquiles O pior registo para as escolas de Macau está relacionada com o bullying, como tradicionalmente acontece. A região saltou do grupo dos piores ambientes escolares para um grupo médio, ainda assim abaixo da médica da OCDE, e por isso a DSEJ prometeu continuar a trabalhar nesta área, através de um grupo de trabalho que foca a felicidade dos alunos. Nos testes PISA de 2018 participaram mais de 600 mil alunos, de 79 economias participantes, entre os quais 37 países membros da OCDE e 42 que não fazem parte da organização. Já em Macau, foram 45 as escolas envolvidas, com 3775 alunos a fazerem parte do teste, ou seja 99,1 por cento dos estudantes das instituições participantes.
admin Manchete SociedadeEducação | Macau alcança o terceiro lugar nos testes PISA Na avaliação da leitura, matemática e ciências, os alunos locais conseguiram levar o território ao terceiro lugar do pódio, apenas atrás da China, que só contabiliza duas cidades e duas províncias, e de Singapura [dropcap]M[/dropcap]acau ficou em terceiro lugar no ranking mundial da educação medida pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos, conhecido como PISA. Os resultados foram apresentados durante a tarde de ontem com Macau a ficar no pódio em todas as competências analisadas, nomeadamente leitura, matemática e ciências. Nos exames realizados no ano passado, na área da leitura os alunos locais conseguiram uma média de 525 pontos, quando no último teste, de 2015, tinha sido de 508 pontos. Em matemática a média foi de 558 pontos, uma subida face aos 544 pontos. Em ciências a média foi de 544 face aos 529 pontos de 2015, quando foram publicados os resultados do teste anterior. De acordo com os resultados apresentados, Macau ficou apenas atrás da China (avaliada pelas cidades de Pequim, Xangai, e as província de Jiangsu e Zhejiang) e Singapura. O Interior ficou em primeiro com 555 pontos em literatura, 591 em matemática e 590 em ciências, já Singapura alcançou um resultado de 549 pontos em literatura, 569 pontos em matemática e 551 pontos em ciências. “Os resultados são encorajadores. Entre os 79 países e economias, estamos em terceiro logo a seguir à China e a Singapura. Pela primeira vez alcançamos nas três áreas avaliadas o terceiro lugar a nível mundial”, afirmou Lou Pak Sang, Director da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), na apresentação dos resultados. “Segundo a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, responsável pelo teste] Macau é uma das economias com um progresso contínuo e rápido da qualidade educativa”, acrescentou. Macau ficou acima da média da OCDE, que registou resultados de 487 pontos em literatura e 489 pontos a matemática e ciências. Portugal também ficou acima da média, com 492 pontos em todos os três aspectos analisados. Na apresentação, esteve igualmente o académico Cheang Kwok Cheung, da Universidade de Macau que desempenha as funções de Administrador do Projecto Nacional do PISA de Macau. Cheang afirmou que os resultados obtidos vão ser uma referência para as restantes economias e países. “Macau vai servir de exemplo a países e economias, vão querer reunir-se connosco para aprenderem”, considerou. O calcanhar d’Aquiles O pior registo para as escolas de Macau está relacionada com o bullying, como tradicionalmente acontece. A região saltou do grupo dos piores ambientes escolares para um grupo médio, ainda assim abaixo da médica da OCDE, e por isso a DSEJ prometeu continuar a trabalhar nesta área, através de um grupo de trabalho que foca a felicidade dos alunos. Nos testes PISA de 2018 participaram mais de 600 mil alunos, de 79 economias participantes, entre os quais 37 países membros da OCDE e 42 que não fazem parte da organização. Já em Macau, foram 45 as escolas envolvidas, com 3775 alunos a fazerem parte do teste, ou seja 99,1 por cento dos estudantes das instituições participantes.
João Paulo Cotrim h | Artes, Letras e IdeiasDar nós no horizonte CCB, Lisboa, 3 Novembro [dropcap]O[/dropcap] novo poiso do Obra Aberta, a sala Ribeiro da Fonte, deixa que o olhar parta rio afora, acompanhando as ondas que a conversa lança, do lado de cá do vidro. Desta, convocados estavam o Pedro Mexia e o João Paulo [Esteves da Silva], que levou obras de e sobre Pessoa, com passagem por Mário Cesariny mai-lo seu Virgem Negra, que desconsidera como escarninho menor. Oiça quem possa, no útil podcast, que o Pedro, do seu lugar de grande leitor, também acrescenta sempre perspectiva. Serve o intróito para registar a metáfora que por ali se instalou e nos acompanhou na breve viagem sob chuva, ali do quase-foz até ao quase-centro. Pessoa enquanto buraco negro que suga a energia que o rodeia, que apaga as estrelas que se avizinhem. E confidenciou que, em certas Quintas de Leitura, orquestradas pelo João [Gesta] em torno dos Poetas do Desassossego, e enquanto acompanhava ao piano inúmeros poetas fortes, mal se agigantou o Lisbon Revisited, logo o resto se apagou ou, pelo menos, acinzentou. Estranha quântica, esta. O João Paulo contou que só agora e a medo foi regressando ao poeta múltiplo, após fase antiga em que (quase) nada mais leu, deixando contaminar as suas múltiplas expressões. Pranto-me quedo a ouvir os seus álbuns (sem palavras), em busca do que de pessoano possam conter. E perco-me com facilidade nestas paisagens que nunca por nunca se fazem agrestes, mesmo nas asperezas de certos nós, de ritmos incertos, cadências a desfazerem-se, a multiplicarem-se. «Ó macio Tejo ancestral e mudo,/ Pequena verdade onde o céu se reflecte!/ Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!/ Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta./ Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…/ E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!» Apesar da extrema solidão, não estamos sós da mesma maneira, isto conservo das conversas sobre a toalha da timidez que vou tendo e de raspão com o João Paulo. Vejo na sua recolha poética mais recente, «O Coração de Adão» (ed. Douda Correria), a unidade ser sacrificada em prol da variedade jazzística habitual, do encontro bruto com o quotidiano, do esforço para capturar o espiritual, da investigação incessante da palavra e de composição da métrica. A estafada e tão desperdiçada, por estes dias, expressão «Ser do Contra», ergue-se título de poema, no interior do qual lavro trilho. «Compara-se a vida/ a um caminho;/ percebo a ideia./ Mas, por algum motivo, recuso,/ sinto o contrário, sinto/ a vida como um não caminho;/ antes um fundo latejante,/ de frequência altíssima/ a tender para o infinito/ sobre o qual os caminhos se abrem/ com passos de morte.» Horta Seca, Lisboa, 6 Novembro A surpresa ganha forma de um anel e nunca assim tinha visto um arco-íris feito jóia, como deviam ser todas. Há uns três anos, uma amiga anunciava-me a paixão pela joalharia e logo se atreveu a medir-me os dedos com papel. O papel impresso enquanto medição dos passos e do horizonte parece ser território comum, agradou-me o momento no reboliço de feira literária e esqueci-me. Acontece-me bastas vezes o esquecimento, forma sagaz de sobreviver. Voltou agora mesmo com singelo embrulho que acamava um anel. E estas linhas pertencem ao espanto: o objecto mudou-me a mão e portanto o mundo. Vários círculos de tonalidades prateadas, cavalgando-se em redondo e plano, com espessuras dissonantes a desassossegarem-se no fecho, marcam-me doravante o médio da mão direita. Diz a Ana [Castro] que partiu do ípsilon e do que nele encontrou de profundidade, escuridão, mistério, e ofereceu-se na mesma frase para limar arestas. Desnecessárias. A peça aconchegou-se que nem ser vivo e marca-me os dias com presença inusitada. Pego no copo com a mão direita e logo vejo o entrançado a comunicar-me uma força que vou perdendo. Tamborilo na mesa a melodia e um certo toque assinala mais do que a carne muda. Dou por mim a rodá-lo com os dedos da mão esquerda enquanto penso, a modos que sintonizando. E se fecho as mãos em apoio de cabeça há um perfume acre que me atinge. Dois pontos vizinhos no círculo interior que toca a pele estabelecem meridianos com ligações sensíveis às veias, as que nos irrigam mesmo em tempo de deserto. Trago as páginas aos olhos com estes dedos, pousado o livro na mão esquerda. Como afectará a leitura as sombras que do anel se emanam? Depois, e por exemplo, a mão entrando no bolso pede mais cuidado, sinal de que possuo saliência extra. Poderia continuar, fascinado por nunca me ter ocorrido que o metal trabalhado nos poderia afectar assim. E conter retrato (sinuoso). Aeroporto, Pisa, 7 Novembro Detesto viajar. Melhor, detesto o absurdo vazio de tempo e espaço em que transfiguraram os hiatos entre cada lugar. À chegada ao aeroporto de Lisboa, notícia agreste quase me faz ficar. Arrisco impotente, deixando para trás parte de mim. Não quero enumerar as muitas peripécias antes e durante o voo em lata de sardinhas confirmando esta minha sensação de que sou árvore da qual são voarão sementes. Que brilhe, então, o momento quando atravessando como qualquer passageiro frio e chuva chego à Toscânia e sou travado pela farda: de onde vem?, para quê?, quanto dinheiro traz? Hesitei em beijá-la na boca para saber o gosto da guarda e do castigo, mas fiquei-me cobardemente. Há sempre uma fronteira para malfeitores como este vosso criado, nem que seja de giz. Palazzo dei Congressi, Pisa, 8 Novembro O beijo na face, por aqui, começa-se da esquerda para a direita. Diverte-me, o embaraço com que começam os encontros desencontrados. Ergo o capacete colonial saudando a Valeria Tocco, que isto de feiras e festivais tem o seu quê de selva e areias movediças, versão Salgari, no caso. (Eis um que, sem sair do sítio, tanto fez viajar). Logo se perfilam Marco Bucaioni e Riccardo Grego na qualidade de editores de risco, a domar demónios em nome de uma paixão exaltante pela língua portuguesa que se ergue como praça medieval. Do lado de lá edificam-se os tradutores, Vincenzo Barca, Roberto Francavilla, ou a Francesca Leotta, e de par, oriundos de uma academia com invejável dinâmica, pontuam a Valeria, o Andrea Ragusa ou o Giorgio De Marchis. E os lados não se tocam apenas, sobrepõem-se, misturam-se, festejam-se. Na companhia do gentilíssimo Almeida Faria e do não menos afável Luís Cardoso entrámos ecossistema adentro. O chão que se pisou foi sempre o da avassaladora paixão pelo português, que merecia política de língua capaz de a amplificar. Vi salas cheias a sofrer explicação meticulosa sobre acessos institucionais, a beber cada palavra dos escritores que se entregaram com sabedoria. Quase me comovi com os tradutores do Valério [Romão] a partilhar dificuldades, a revelarem-se evangelistas da prosa de um «mondo disperato». Ouvi discutir equivalências de sericaia para evocar planícies do sul. E estou preparado para testemunhar que os apoios oficiais são seiva essencial nesta floresta. Percebi ainda a falta de exploradores da dimensão de um Antonio Tabucchi, apesar dos herdeiros. Palazzo dei Congressi, Pisa, 9 Novembro A última sessão, repetindo protagonistas, mas orientados pelo Giorgio, tinha a intenção de pintar futuros para a literatura portuguesa. Preferia um qualquer lirismo, beato que fosse, ao tecnicismo tristonho acerca do mercado, da ausência de curiosidade, da morte dos embaixadores em que nos deixámos cair. Até que o moderador trouxe, com a ajuda sempre fértil de Bruno Munari, a metáfora perfeita para o assunto da edição, dos livros, da literatura: «una poltrona scomoda» (imagem na página).
Sofia Margarida Mota SociedadePISA | Estudantes locais no top do ranking internacional O relatório internacional de avaliação de desempenho dos alunos, divulgado ontem pela OCDE, coloca os estudantes do território nos lugares cimeiros. Com os alunos entre as 15 melhores posições nas três áreas de avaliação, Macau é ainda uma das cinco regiões com os níveis mais altos de equidade nos resultados [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap]s alunos de Macau conseguiram ficar entre os 15 melhores lugares no ranking das classificações médias em literacia científica, matemática e literatura no Programme for International Student Assessment (PISA, na sigla inglesa). Os resultados referentes aos testes de 2015 do programa de avaliação internacional promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) foram ontem divulgados pelos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), em simultâneo com o anúncio mundial que ocorria às 11 da manhã em Paris. Os alunos de Macau ficaram em 12.° lugar no que respeita a competências de leitura, com 509 pontos, em 6.° lugar na literacia científica, com 529 pontos, e em 3.° lugar na literacia matemática, com 544 pontos. O teste do PISA teve lugar em todas as escolas do território e avaliou o desempenho de 4476 alunos que, no ano passado, tinham 15 anos. “Os alunos nascidos em 1999 fizeram o teste em Maio de 2015. A avaliação ocorreu em 45 escolas de Macau e abrangeu o ensino das escolas chinesas, inglesas e portuguesa”, disse a responsável máxima pela DSEJ, Leong Lai. Em Macau, a realização da avaliação ficou a cargo da Universidade de Macau (UM) que também fez a primeira interpretação e análise de resultados. Segundo Cheung Kwok Cheung, administrador do projecto nacional do PISA de Macau e investigador na UM, os dados agora conhecidos revelam que, “comparativamente com o teste do PISA em 2006, a literacia científica teve um aumento estável em que mais de 90 por cento dos alunos locais foram aprovados”. Já na matemática, os alunos de Macau obtiveram o melhor resultado entre todos os ciclos anteriores em que participaram. Registou-se uma subida significativa da percentagem de alunos nos níveis médio e superior, bem como na literacia em leitura, em que as melhorias foram registadas “de forma contínua”. Simultaneamente, os alunos com baixo desempenho diminuíram. Meninas à frente Da análise do relatório, Cheung Kwok Cheung destacou ainda o facto de os estudantes de sexo feminino terem apresentado, nas três áreas de avaliação, médias superiores aos do sexo masculino. Macau é ainda, de entre os 72 países e regiões participantes na avaliação, a região que menos associa a variação dos resultados ao estatuto socioeconómico e cultural das famílias o que mostra que, “de acordo com o relatório da OCDE, o Canadá, a Dinamarca, a Estónia, Hong Kong e Macau são os cinco países e regiões que apresentam uma educação de alta qualidade e justa”. Apesar de os resultados mostrarem Singapura no primeiro lugar do pódio em todas as áreas de avaliação, em Macau, bem como nos restantes quatro países e regiões, os resultados não são condicionados pelo estatuto socioeconómico dos alunos, o que faz com que “não se registem diferenças de resultados baseadas neste factor e que a região esteja apontada como tendo “altos níveis de equidade”. De entre as escolhas profissionais que os alunos de Macau projectam para o futuro, as carreiras científicas, não obstante o aumento do desempenho feminino, continuam a ser as mais antevistas pelos rapazes. Já as raparigas preferem carreiras ligadas aos cuidados de saúde.