Nepal | Primeiro-ministro vai discursar na ONU

Um mês depois da enxurrada que abalou o país e fez mais de 1.300 mortos, o primeiro-ministro nepalês vai discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas em busca de apoio internacional

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, intervém a 24 de Setembro na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na sequência das cheias de Agosto.

Naquela que será a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que assumiu o cargo, a 27 de Março passado, a decisão de Shah de liderar pessoalmente a delegação nepalesa responde à urgência de procurar apoio internacional após inundações ocorridas a 26 de Agosto, indicou sábado o jornal local Kathmandu Post.

O próprio Shah compareceu na quarta-feira perante o parlamento nepalês para alertar que a crise no distrito de Rasuwa, desencadeada por um colapso glaciar no rio Bhote Koshi, é o pior desastre deste tipo registado na região.

“Este acontecimento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, afirmou o líder.

Durante a sessão, Shah salientou que o Nepal é incapaz de fazer face a esta escala de destruição sozinho e anunciou que exigiriam que a comunidade internacional assumisse a sua parte naquilo que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático.

O debate geral desta 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas decorrerá de 22 a 28 de Setembro sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que cumpre para todos”.

Neste fórum multilateral, que concede um voto igualitário a cada um dos seus 193 Estados-membros, a intervenção do primeiro-ministro nepalês está agendada para 24 de Setembro, de acordo com o calendário divulgado pela imprensa local.

O último balanço divulgado sábado pelas autoridades nepalesas elevou para mais de 1.300 o número de mortos devido às inundações devastadoras ocorridas a 26 de Agosto, enquanto o total de desaparecidos ronda os 5.000, entre os quais pelo menos 606 cidadãos estrangeiros.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas e mantêm cerca de 8.000 agentes mobilizados, tendo permitido, até ao momento, prestar assistência a 8.962 pessoas.

Catástrofe inédita

As cheias repentinas de 26 de Agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens.

Causaram também danos significativos em centrais hidroeléctricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos. Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações.

A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete.

Resgates continuam

As equipas de resgate no Nepal retiraram sábado com vida um cidadão chinês de um túnel de uma central hidroeléctrica e uma mulher retida em casa desde as cheias de 26 de Agosto, informaram sábado as autoridades nepalesas.

O exército do Nepal informou que o homem foi resgatado com vida de um túnel de 225 metros (e está a ser submetido a uma avaliação médica. As imagens mostraram-no a ser evacuado de helicóptero, com um médico do exército a examiná-lo durante o voo. Já a mulher, encontrada numa casa na cidade de Nuwalot, estava a ser transportada de helicóptero para Katmandu, segundo as autoridades.

O resgate do cidadão chinês eleva para três o número total de trabalhadores retirados com vida do projecto hidroeléctrico de Trishuli. Na sexta-feira, dois trabalhadores nepaleses tinham sido resgatados de um túnel naquela central hidroeléctrica. Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projectos hidroeléctricos em todo o Nepal, acreditando-se que cerca de 500 estejam presos em vários túneis, segundo as autoridades.

7 Set 2026

Donativos da China para vítimas das inundações no Tibete ultrapassam 84 milhões de euros

A ajuda da China às vítimas da enxurrada que atingiu, na semana passada, o condado tibetano de Gyirong, ultrapassa os 660 milhões de yuan, de acordo com dados divulgados sábado pelas autoridades do país.

O Ministério dos Assuntos Civis da China indicou que, na sequência da catástrofe, coordenou 29 plataformas de angariação de fundos ‘online’ e organizações de caridade para canalizar as contribuições destinadas aos trabalhos de emergência, de acordo com as necessidades da zona afectada.

Do total angariado, 50,16 milhões de yuan resultaram de 1,47 milhões de contribuições efectuadas através de plataformas públicas de angariação de fundos na Internet, de acordo com dados ainda provisórios do ministério.

Os donativos somam-se aos fundos públicos mobilizados por Pequim para fazer face à catástrofe. O Governo central destinou 120 milhões de yuan para trabalhos de resgate e assistência no Tibete e outros 100 milhões de yuan para tarefas de recuperação e reconstrução.

Seis operadoras de jogo de Macau também anunciaram na sexta-feira que vão doar o equivalente a 4,8 milhões de euros para apoiar as vítimas afectadas pela enxurrada na região autónoma chinesa do Tibete.

A China também enviou ajuda ao Nepal, onde as inundações causaram a maior parte das vítimas, com contribuições financeiras, vários lotes de material de emergência e equipas especializadas em resgate e identificação por ADN.

Resposta global

A resposta internacional também se intensificou no Nepal, onde as Nações Unidas e os parceiros humanitários lançaram, na sexta-feira, um apelo de emergência no valor de 49,6 milhões de dólares para prestar assistência, durante os próximos quatro meses, a mais de 84 mil pessoas afetadas pela catástrofe.

A ONU já tinha destinado anteriormente 2,5 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências, enquanto o Fundo de Ajuda em caso de Catástrofes do Primeiro-Ministro nepalês ultrapassou as 10 mil milhões de rupias (cerca de 64,1 milhões de euros) angariadas, depois de receber, entre outras contribuições, um donativo de 10 milhões de dólares do director executivo da Nvidia, Jensen Huang.

A inundação de 26 de Agosto, desencadeada por um enorme desmoronamento de gelo e rocha na bacia alta do rio Bhote Koshi, perto da fronteira com a China, arrasou habitações, infraestruturas e povoações no Nepal e atingiu o condado tibetano vizinho de Gyirong.

Os últimos balanços oficiais apontam para 1.295 mortos e 4.898 desaparecidos no Nepal, enquanto a China regista 31 mortos e 531 pessoas desaparecidas no lado tibetano, o que eleva o balanço conjunto para 1.326 mortos e 5.429 desaparecidos.

7 Set 2026

Operadoras de jogo apoiam com 40 milhões de patacas vítimas da enxurrada no Tibete

As seis operadoras de jogo anunciaram que vão doar 40 milhões de patacas para apoiar as vítimas afectadas pela enxurrada na região autónoma chinesa do Tibete.

Em comunicado, a SJM Resorts, S.A. referiu que “respondeu ao apelo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), doando cinco milhões de patacas, através do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, para apoiar as operações de socorro de emergência”.

A administradora-executiva da SJM, Daisy Ho, citada no comunicado, afirma que a empresa “tem acompanhado com atenção” os desenvolvimentos do incidente ocorrido nos Himalaias no passado dia 26 de Agosto e as necessidades sociais.

“Face a esta catástrofe, esperamos que a nossa doação contribua para apoiar os esforços de socorro e recuperação em curso”, acrescentou.

Também em comunicado, a Wynn Macau Limited, anunciou uma doação de cinco milhões de patacas destinada à mesma região, para apoiar as operações de socorro e emergência e os trabalhos de recuperação pós-catástrofe. A administradora-executiva da Wynn Macau, Linda Chen, afirma no texto que a empresa “se mantém solidária” com a comunidade local neste período difícil.

“Esperamos que esta doação proporcione um apoio significativo para os esforços de socorro, realojamento e reconstrução, ajudando os residentes afetados a superar este período difícil”, afirmou Linda Chen.

Galaxy e fundação

Por sua vez, a concessionária Galaxy Entertainment Group (GEG) anunciou uma doação, em conjunto com a Fundação de Caridade da Família Lui Che Woo, de 10 milhões de patacas.

“Estamos profundamente entristecidos pela devastadora enxurrada no condado de Gyirong, em Xigaze, na Região Autónoma do Tibete, e endereçamos as nossas sinceras condolências aos residentes afectados”, afirma Francis Lui, presidente do GEG, citado num comunicado do grupo.

Também a Sands China, doou dez milhões de patacas e a Melco Resorts & Entertainment Limited doou cinco milhões de patacas, este último um montante igual ao da doação da MGM China.

Pelo menos 1.259 pessoas morreram nas inundações de 26 de Agosto, provavelmente causadas pelo colapso de um glaciar, e mais de 5.000 continuam desaparecidas, de acordo com a agência de gestão de catástrofes do Nepal. A China informou na passada quarta-feira à noite que 21 pessoas morreram e 541 estão desaparecidas no lado tibetano da fronteira.

7 Set 2026

Nepal | Parlamento declara alterações climáticas como ameaça à segurança

O Parlamento do Nepal declarou quarta-feira as alterações climáticas como uma ameaça à segurança nacional, na sequência da enxurrada na semana passada, na qual morreram mais de 1.100 pessoas e quase 4.000 desapareceram.

A proposta, agora aprovada, foi apresentada pelo presidente da câmara, Dol Prasad Aryal, e pede ao Governo para afirmar a posição do Nepal no palco internacional face aos crescentes riscos que a região enfrenta, para evitar futuras tragédias.

“O Nepal deve erguer a sua voz de forma mais clara e enérgica no debate internacional sobre os danos e perdas causados pelas alterações climáticas”, de acordo com a proposta, que pede ao governo para que aborde a questão com mais firmeza.

Recordando que o Nepal é “extremamente propenso a desastres, vulnerável tanto a desastres naturais como causados pelo homem”, o texto refere que “a sua diversidade geográfica, estrutura geológica frágil, desenvolvimento não planeado e propenso a riscos, infraestruturas deficientes, escassez de recursos e alterações climáticas contribuíram para a recorrência de vários desastres”.

Mais de 500 desastres ocorrem no Nepal todos os anos, causando perdas humanas e materiais significativas, de acordo com o parlamento.

Aryal disse que os efeitos das alterações climáticas são debatidos há décadas, mas defendeu que as condições em mudança nos Himalaias exigem maior atenção internacional.

O documento também pede uma mudança da resposta pós-desastre para a preparação, notando que o recente desastre evidenciou a necessidade de reforçar os sistemas de monitorização e alerta precoce.

Pior de sempre

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, compareceu perante os deputados para alertar que a recente crise no distrito de Rasuwa (norte), desencadeada por uma avalanche de pedras e neve no rio Bhote Koshi, é o pior desastre do género registado historicamente na região. “Este evento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, disse Shah.

O chefe do governo sublinhou que o Nepal não pode enfrentar esta crise sozinho e anunciou que vai exigir que a comunidade internacional assuma um papel no que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático.

De acordo com o mais recente balanço das autoridades de gestão de emergências do Nepal, as cheias provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas. Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos.

Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afectadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias.

4 Set 2026

Balanço geral das cheias sobe para 1.114 mortos e 3.916 desaparecidos

As cheias que atingiram há uma semana o Nepal, junto à fronteira com a China, provocaram 1.114 mortos e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas, segundo um balanço provisório divulgado ontem pelas autoridades de gestão de emergências.

Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o balanço provisório da catástrofe nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos.

Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Do lado chinês, um português encontra-se também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias. Entre as vítimas no Nepal contam-se dezenas de crianças, enquanto centenas de restos mortais foram recuperados pelas equipas de emergência.

Centenas de cidadãos estrangeiros continuam também desaparecidos. Segundo um balanço anterior das autoridades nepalesas, pelo menos 583 estrangeiros estavam por localizar. As equipas de emergência resgataram mais de 6.500 pessoas, entre as quais cerca de 580 estrangeiros.

Na segunda-feira, o Governo nepalês enviou um pedido urgente de assistência financeira ao conselho do Fundo de Resposta a Perdas e Danos, mecanismo internacional criado para apoiar países vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.

Nunca visto

A inundação, descrita por observadores locais como a maior de que há memória na região, terá feito subir o nível das águas entre 15 e 18 metros acima do habitual, devastando localidades ao longo de cerca de 72 quilómetros do rio Trishuli.

As cheias destruíram também o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, entre o Nepal e a China, uma das principais vias de comércio bilateral, e afectaram dezenas de localidades.

A catástrofe atingiu igualmente o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete, onde as autoridades mobilizaram equipas de emergência para procurar desaparecidos e retirar residentes e turistas das áreas afetadas.

3 Set 2026

Nepal | Um dos três portugueses desaparecidos foi localizado e resgatado

Um dos três portugueses desaparecidos na sequência da inundação devastadora no Nepal e no Tibete foi localizado e resgatado, anunciou ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“De acordo com as autoridades do Nepal, um cidadão nacional terá sido resgatado”, indicou o ministério, acrescentando que “permanecem desaparecidas duas portuguesas”. De acordo com o mais recente balanço, o número total de mortos já ultrapassou os 1.000.

A agência nepalesa de gestão de catástrofes informou que foram contabilizados 987 mortos no país e que 3.916 pessoas continuam desaparecidas, entre as quais 583 estrangeiros. As autoridades chinesas tinham contabilizado 16 mortos na atualização mais recente, divulgada no domingo, elevando para pelo menos 1.003 o número de vítimas mortais nos dois países.

Pelo menos 11.814 pessoas foram até agora resgatadas, de acordo com as autoridades nepalesas. A catástrofe de 26 de Agosto teve origem numa sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias.

O colapso de um glaciar lançou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo para os vales, desencadeando violentas cheias a jusante. A vaga de água e lama atingiu por volta das 09:15 locais o rio Bhotekoshi a partir da zona tibetana e afectou com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, segundo fontes oficiais.

A água atingiu também o território chinês. Dezenas de imagens de câmaras de vigilância mostram pequenas povoações, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem completamente destruídas quando o rio que as atravessa sobe repentinamente, enquanto dezenas de pessoas correm a tentar fugir das inundações.

A cheia atingiu com especial intensidade o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a massa de água varreu as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, junto a uma das principais passagens terrestres para o Tibete.

2 Set 2026

Nepal enterra mortos após devastadoras inundações

O Nepal enterra as vítimas da inundação devastadora ocorrida na fronteira com a China, sem esperar pela identificação de cadáveres nem pelo fim das operações de socorro, devido à magnitude do desastre.

Mais de quatro mil pessoas, incluindo estrangeiros, continuam desaparecidas de ambos os lados da fronteira, nesta região dos Himalaias, isolada e muito procurada por alpinistas e peregrinos. A catástrofe já causou cerca de 900 mortos e danos consideráveis.

As equipas de socorro trabalham incansavelmente, em condições perigosas e apesar dos riscos causados por uma nova subida das águas, na esperança, em particular, de salvar cerca de uma centena de trabalhadores bloqueados num túnel, escreveu a agência de notícias France-Presse (AFP).

Mas cinco dias depois, a esperança de encontrar sobreviventes no mar de lama e detritos que devastou aldeias inteiras vai-se desvanecendo.

Famílias e pessoas próximas dos desaparecidos acorrem aos hospitais e morgues na tentativa de encontrar sobreviventes, nomeadamente em Bharatpur, no sul do Nepal, onde imagens de cadáveres são exibidas num ecrã.

A força das águas levou cerca de 250 cadáveres até á área de Chitwan, a mais de cem quilómetros a jusante do local da catástrofe.

Shobha Adhikary está convencida que o corpo sem vida deitado junto a um rio é de um amigo de infância. “Parece-se com ele”, afirma a um voluntário. Mas só uma identificação por ADN permitirá confirmar a identidade da vítima, adverte o voluntário.

Contra o relógio

Um trabalho longo e difícil realizado sob pressão do tempo: no domingo, por razões sanitárias, as autoridades nepalesas começaram a enterrar vítimas sem sequer esperar pela identificação dos corpos, por motivos de saúde pública.

Estes enterros ocorrem após a recolha de uma amostra de ADN, precisaram as autoridades, e têm carácter provisório para as vítimas de confissão hindu. Isto permitirá que as famílias, após a identificação formal, exumem os corpos e procedem à cremação, conforme manda a tradição.

“Foram recuperados muitos corpos e estes começaram a decompor-se”, justificou o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Amrit Bahadur Rai.

Entre as causas, destacam-se: infraestruturas insuficientes face ao número de corpos. Como a morgue de Bharatpur só tem capacidade para cerca de vinte, as autoridades tiveram de armazenar os cadáveres em instalações com ar condicionado da associação de comerciantes.

Em Devghat, na mesma região, onde foram enterradas vítimas ainda não identificadas, a polícia colocou números nos locais de sepultamento, de acordo com imagens da AFP. Várias dezenas estavam armazenados e prontos a serem utilizados.

Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades nepalesas e chinesas continuam sem notícias de mais de quatro mil outras, entre as quais centenas de estrangeiros.

O trabalho das equipas de salvamento está ameaçado por uma nova catástrofe: no lado chinês, os socorristas que intervêm no Tibete foram “transferidos para um local seguro” após a formação de um novo lago de barragem, provocado por um deslizamento de terra, segundo meios de comunicação estatais.

No Nepal, as autoridades apelaram à prudência devido ao aumento do caudal do rio Bhotekoshi, no zona de Rasuwa (norte).

1 Set 2026

Nepal | Cruz Vermelha doa 1,3 milhões para apoiar vítimas de enxurrada

De acordo com um comunicado publicado no portal da Cruz Vermelha de Macau, a instituição doou um milhão de yuan para o Tibete e 50 mil dólares (405,8 mil patacas) para o Nepal, para apoiar as vítimas nas áreas afectadas pela enxurrada de quarta-feira.

A cheia súbita que atingiu a zona fronteiriça entre o Nepal e o Tibete causou pelo menos 788 mortos, de acordo com um novo balanço divulgado ontem. Além das doações, a Cruz Vermelha de Macau abriu duas contas bancárias para angariar fundos e apelou à população para que estenda uma mão amiga e apoie os esforços de socorro de emergência” nas áreas afectadas, bem como para responder às “necessidades imediatas das vítimas”.

Também a Cáritas de Macau está a criar uma conta para recolher donativos para apoiar o Nepal, disse à Lusa o director da instituição, que apelou à contribuição do público. No entanto, Paul Pun Chi Meng admitiu que, como “a economia não tem estado muito boa ultimamente, talvez não consigamos angariar muito dinheiro”.

1 Set 2026

Nepal | Governo alerta para subida do nível da água da enxurrada

As vítimas causadas pela tragédia no Nepal e Tibete continuam a aumentar. Autoridades alertam os perigos nas áreas afectadas pela enxurrada

 

O Nepal alertou ontem para a subida do nível da água na bacia do rio Bhote Koshi, onde uma enxurrada causou na quarta-feira mais de 700 mortos, no país e na vizinha região do Tibete. “De acordo com o Departamento de Polícia do Distrito de Rasuwa, o caudal do rio Bhote Koshi aumentou”, afirmou a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA, na sigla em inglês).

“Assim, todo o pessoal envolvido nas operações de busca, salvamento e socorro, as pessoas nas zonas ribeirinhas e todas as outras pessoas nas zonas afectadas, incluindo Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Chitwan, é aconselhado a tomar precauções”, disse a NDRRMA.

No entanto, num comunicado divulgado na manhã de ontem, a agência governamental indicou que actualmente não existe o risco de “grandes inundações”. Tanto o Nepal como a China continuam os esforços de resgate contra o tempo para localizar pessoas presas pela enxurrada e começaram a enterrar corpos não identificados.

A sobrelotação das morgues e a rápida decomposição dos corpos retirados dos rios obrigaram as autoridades locais, como no distrito de Nawalparasi East (Nawalpur), a iniciar a recolha em massa de amostras de ADN antes de enterrar corpos não identificados ou irreconhecíveis em áreas florestais comunitárias.

As equipas de resgate, que já assistiram mais de 7.500 pessoas, continuam a tentar localizar os que ficaram presos na lama e os que ficaram isolados depois de pontes e estradas terem sido levadas pela enxurrada.

Pelo menos 750 pessoas morreram e mais de três mil permanecem desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal. Pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros, na sequência da enxurrada de quarta-feira, anunciou ontem a emissora estatal chinesa CCTV.

A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português.

Sempre a somar

A contagem representa mais nove mortes e menos oito desaparecidos do que o balanço anterior divulgado pelas autoridades chinesas.

No sábado à noite, a autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências anunciou que registava 675 mortos e 2.498 desaparecidos, incluindo mais de 500 estrangeiros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa tinha referenciado seis portugueses desaparecidos no Nepal, mas três foram, entretanto, encontrados com vida.

Também ontem, as autoridades chinesas identificaram a causa do desastre, confirmando as avaliações dos cientistas. Os especialistas “concluíram que por volta das 10:52 do dia 26 de Agosto, um glaciar na encosta sul do Pico Lirung, no Nepal”, entrou em colapso, desencadeando uma avalanche de gelo e rochas, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

Uma equipa de especialistas da Academia Chinesa de Ciências disse que a estabilidade do glaciar foi afectada por um “período prolongado de aquecimento climático global”.

O mais recente catálogo nacional de glaciares da China, publicado em 2025, estimou que a extensão dos glaciares na China diminuiu 26 por cento desde a década de 1960, com recuos de até 40 por cento em algumas áreas dos Himalaias e da Trans-Himalaia.

750 vítimas mortais

Pelo menos 750 pessoas morreram e 3.044 continuam desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal, na sequência da enxurrada de quarta-feira, segundo um novo balanço nepalês divulgado ontem.

A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal confirmou ontem a existência de 734 vítimas mortais no país, assim como 2.498 pessoas desaparecidas. A contagem representa mais 59 mortes do que o balanço anterior, divulgado pelas autoridades nepalesas responsável pela gestão de emergências no sábado à noite, enquanto o número de desaparecidos permaneceu inalterado. Do lado da China, a emissora estatal CCTV disse ontem que pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros. A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português.

31 Ago 2026

Cheias | Pelo menos 362 mortos e mais de 1.400 desaparecidos no Nepal e Tibete

Os números de mortos e desaparecidos aumenta à medida que as equipas de salvamento avançam no terreno

Equipas de resgate continuavam ontem a procurar mais de 1.400 pessoas desaparecidas devido às enxurradas que atingiram a região fronteiriça entre o Nepal e a China, onde pelo menos 362 pessoas morreram.

De acordo com o mais recente balanço da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, pelos menos 362 pessoas morreram e 826 estão desaparecidas, incluindo 466 estrangeiros numa altura em que se intensificam as operações nos distritos mais afectados de Nuwakot e Rasuwa.

Sunil Sharma, porta-voz do organismo de turismo do Nepal, afirmou que entre os desaparecidos estavam 133 cidadãos indianos que participavam numa peregrinação ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus.

Estavam também desaparecidos 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, segundo o responsável. O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que pelo menos dois cidadãos portugueses, um homem e uma mulher, estão entre os desaparecidos.

Também ontem, as autoridades da China tinham elevado de 265 para 558 o número de desaparecidos no município de Shigatse, na região do Tibete, onde já foi confirmada a morte de três pessoas.

As encostas íngremes e os vales verdejantes situados abaixo da cordilheira dos Himalaias são particularmente vulneráveis a inundações e deslizamentos de terras, enquanto fenómenos meteorológicos extremos, como monções intensas e o degelo dos glaciares, tornaram-se mais frequentes devido ao aquecimento provocado pelas alterações climáticas de origem humana.

Avisos naturais

A região registou enxurradas semelhantes em Agosto de 2025, quando um lago glaciar no Tibete transbordou devido às temperaturas elevadas. Nove pessoas morreram e infraestruturas essenciais, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China, ficaram danificadas.

Imagens captadas por drone no Nepal mostraram estradas destruídas e edifícios soterrados por torrentes de água. Os vales íngremes da região constituem importantes corredores económicos e de transporte, mas tornam-se particularmente vulneráveis em situações de catástrofe.

Imagens mostraram o que pareciam ser os segundos pisos de edifícios no distrito de Nuwakot, um dos mais afectados no Nepal, cobertos de lama após a passagem das águas. Destroços ficaram presos em ramos de árvores e cabos, veículos foram soterrados e alguns sobreviventes, cobertos de lama, mostravam-se atordoados. As inundações interromperam as deslocações em algumas zonas.

O Governo nepalês ainda não solicitou ajuda, mas a Austrália está a coordenar com o Nepal, as Nações Unidas, a Cruz Vermelha e outras organizações uma eventual resposta humanitária, acrescentou. A cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares.

O que aconteceu

Um forte fluxo de água, lama e detritos desceu a grande velocidade na manhã de quarta-feira de ambos os lados da fronteira montanhosa do Nepal e do Tibete, território chinês. Uma câmara de vigilância instalada do lado chinês filmou uma vaga castanha de vários metros a submergir e a engolir em poucos segundos um edifício de cerca de seis andares enquanto várias pessoas tentavam fugir a correr. No Nepal, a vaga atingiu as localidades situadas no vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, a norte de Katmandu, e no vale do Bhotekoshi, a leste da capital.

Num primeiro momento, as autoridades chinesas falaram de um deslizamento de terras, e as nepalesas de inundações.

As causas

De acordo com o Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos (USGS), a enxurrada pode ter sido causada pelo colapso de um glaciar, com uma violência tal que terá provocado um sismo de magnitude 5,2 e numerosos deslizamentos de terras. A topografia extrema dos Himalaias agravou os riscos. Os cientistas vão tentar perceber se as alterações climáticas aumentam a probabilidade de tais eventos extremos.

Ajuda internacional

Meios de ajuda internacional começaram a ser enviados desde quarta-feira para o Nepal. Os Estados Unidos comprometeram-se a doar 500.000 dólares em ajuda de emergência. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês) desbloqueou pouco mais de um milhão de euros em fundos de emergência. A União Europeia activou o sistema europeu de vigilância por satélite Copernicus para ajudar os socorristas no Nepal e declarou-se pronta para fornecer mais ajuda. A vizinha Índia enviou 10 toneladas de ajuda humanitária, incluindo cobertores, lâmpadas solares e medicamentos.

Nepal | Risco de novas cheias caso detritos bloqueiem rios

Especialistas alertaram que os detritos transportados pelas enxurradas nos Himalaias, que deixaram pelo menos 270 mortos no Nepal e na China, podem criar barragens naturais e desencadear um segundo evento catastrófico caso sejam libertados.

Num comunicado divulgado ontem, o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD, na sigla em inglês), com sede em Katmandu, indicou que as autoridades e os cientistas estão a avaliar se os detritos bloquearam temporariamente o rio num troço estreito, “formando uma barragem natural”, dado que, se esta água for libertada repentinamente, poderá criar “um risco secundário”.

O centro acredita que uma avalanche proveniente de um glaciar terá provavelmente provocado a enxurrada de quarta-feira, que deixou pelo menos 1.300 desaparecidos dos dois lados da fronteira.

“As observações hidrológicas indicam a velocidade e magnitude excepcionais”, afirmou o organismo, indicando que, num determinado ponto do rio Trishuli, o nível da água subiu até nove metros em apenas meia hora.

O rio Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi, registou as maiores cheias, acrescentaram os especialistas. “O Lhende Khola transbordou duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha proveniente de um glaciar do lado nepalês, que bloqueou o rio e libertou subitamente uma enorme massa de água a jusante”, explicou Saswata Sanyal, especialista em redução do risco de catástrofes do ICIMOD.

Sanyal destacou a importância dos sistemas de alerta precoce num contexto de “aquecimento dos Himalaias”. A cordilheira dos Himalaias atravessa vários países do sul da Ásia e alberga alguns dos picos mais altos do mundo e vários glaciares.

28 Ago 2026

Nepal | Pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos em inundações

Pelo menos 95 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas devido a uma avalanche de gelo e rocha que provocou ontem inundações relâmpago no Nepal, disseram as autoridades locais.

Entre as mais de 400 pessoas desaparecidas estão 291 turistas oriundos de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia, noticiou a agência de notícias Associated Press (AP). O transbordamento do rio Bhotekoshi ocorreu cerca das 09:00 e destruiu várias aldeias, estradas e projectos hidroeléctricos.

As autoridades emitiram avisos para os residentes de vários distritos nepaleses, apelando para que se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. “Pedimos apoio tanto à Índia como à China para ajudar nos trabalhos de resgate”, declarou o porta-voz do Governo nepalês, Sasmit Pokharel.

O exército nepalês, que mobilizou meios significativos, incluindo vários helicópteros, anunciou o resgate de 21 pessoas. “As inundações são maciças e susceptíveis de ter afectado muitas zonas habitadas”, disse um porta-voz da polícia à agência de notícias France-Presse (AFP).

A polícia divulgou nas redes sociais imagens impressionantes de uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando vários edifícios. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres.

As inundações afectaram uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e uma rota também utilizada por peregrinos e turistas que se deslocam para o Tibete, informou a agência de notícias espanhola EFE.

China afectada

Uma corrente de lama também causou na China “várias vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong”, na região do Tibete (noroeste), noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua.

Imagens divulgadas pela televisão pública chinesa CCTV mostram águas turbulentas a arrastar ramos e detritos, bem como uma estrada inundada. As autoridades da China ainda não divulgaram qualquer balanço do número de vítimas.

“A prioridade absoluta é a mobilização de todos os meios para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, retirar e realojar os habitantes em perigo, prestar cuidados médicos rápidos aos feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, citado pela Xinhua.

As causas

Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), de Katmandu, admitiram que o sinistro de ontem foi provavelmente provocado por uma avalanche proveniente de um glaciar.

De acordo com o centro de investigação, o rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registou o nível máximo de inundação durante a manhã. “O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rocha vinda de um glaciar (…), que bloqueou o curso do rio e libertou uma vaga repentina de água”, disse Saswata Sanyal, especialista da organização.

“Numa região dos Himalaias em aquecimento, o aviso prévio é a primeira linha de adaptação”, acrescentou. O cientista Qianggong Zhang, da mesma organização, alertou que obstrução causada pela avalanche no rio se manteve e “pode assim ocorrer uma segunda inundação”.

A região dos Himalaias é particularmente vulnerável a chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra por estar a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta devido às alterações climáticas causadas pela acção humana.

Estudos divulgados este ano pelo grupo de investigação de Katmandu revelaram que os glaciares na região do Hindu Kush e dos Himalaias estão a derreter a um ritmo acelerado, tendo a taxa de perda de gelo duplicado desde 2000.

27 Ago 2026

Nepal | China espera “restabelecimento da ordem social o mais rapidamente possível”

A China afirmou ontem esperar que o Nepal “restabeleça a ordem social e a estabilidade o mais rapidamente possível”, após uma vaga de distúrbios que causou dezenas de mortos e levou à demissão do primeiro-ministro, K.P. Sharma Oli.

“China e Nepal são tradicionalmente vizinhos amistosos”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, em conferência de imprensa, acrescentando que Pequim espera que “todos os sectores do Nepal lidem adequadamente com os seus assuntos internos”.

O porta-voz indicou ainda que as autoridades chinesas recomendaram aos cidadãos chineses no Nepal que “estejam atentos à sua segurança”.

O exército nepalês, que assumiu o controlo da segurança no país, anunciou ontem a extensão do recolher obrigatório a nível nacional até hoje, após uma vaga de protestos violentos que provocou pelo menos 25 mortos. As forças armadas manifestaram também disponibilidade para facilitar conversações entre as partes envolvidas, com o objectivo de encontrar uma saída política para a crise.

O ponto de partida da revolta popular foi a controversa proibição de 26 plataformas de redes sociais, mas os protestos reflectem uma frustração acumulada face à corrupção sistémica e ao nepotismo, simbolizados em campanhas virais contra os chamados “Nepo Kids” – filhos da elite – e contra uma classe política que tem alternado no poder ao longo de décadas.

Durante anos, um dos maiores desafios e legados de K.P. Sharma Oli foi a gestão do delicado equilíbrio entre os dois gigantes asiáticos, China e Índia.

Oli ganhou reputação como político próximo de Pequim, com quem o Nepal partilha uma fronteira de quase 1.400 quilómetros nos Himalaias, tendo assinado acordos considerados “históricos” para reduzir a dependência de Nova Deli e ganhado popularidade interna ao “desafiar o irmão mais velho indiano”.

10 Set 2025

Docomomo traz a Macau sessão sobre arquitectura do Nepal

Decorre na próxima segunda-feira, 16, a conferência “Encontros Modernos na Arquitectura: Desafios de Documentação de Edifícios Modernistas no Nepal”, na Fundação Rui Cunha, a partir das 18h30. O evento é organizado pelo Centro de Investigação DOCOMOMO em Macau e a conversa será protagonizada pela arquitecta e docente Jharna Joshi, sendo moderada pelo arquitecto João Nuno marques.

Jharna Joshi é arquitecta, formada na Universidade de Tsinghua, em Pequim, tendo feito especializações em conservação histórica e paisagens culturais. Concluiu recentemente um doutoramento em Gestão (Turismo) na Victoria University of Wellington, Nova Zelândia, com a dissertação “Estética da Paisagem, Turismo e Mudança: Estudos de Caso no Nepal”, onde analisa como residentes e turistas percebem as mudanças estéticas da paisagem em Ghandruk, Bandipur e Sauraha.

Uma larga experiência

Com mais de vinte anos de experiência em arquitectura, conservação, paisagens culturais, turismo e ensino, Jharna trabalhou no Nepal, China, Hong Kong, EUA, Vietname, Grécia e Nova Zelândia. Liderou projectos de restauro e reutilização adaptativa em todo o Nepal, com ênfase em materiais locais, saberes tradicionais e reutilização criativa. Colabora com profissionais nacionais e internacionais em projetos de arquitetura e conservação do património, e leciona como docente convidada, com foco na conservação urbana, arquitetura vernacular, povoamentos e paisagens culturais.

Em relação ao panorama arquitectónico do Nepal, tem havido um foco nos edifícios patrimoniais, que precisam de ter pelo menos 100 anos para obter reconhecimento oficial. Como consequência, a arquitectura moderna inicial — estruturas construídas entre 1945 e 1985 — permanece desvalorizada, não documentada e vulnerável à demolição ou ao abandono.

A ausência de uma tradição consolidada de arquivamento de materiais arquitetónicos dificulta ainda mais a compreensão e o ensino deste período, deixando estudantes e docentes com poucos recursos.

A recente iniciativa do Instituto de Kathmandu para documentar edifícios modernos iniciais evidenciou esta lacuna. Estas construções simbolizavam o impulso de modernização do Nepal, transformando zonas agrícolas em espaços urbanos. No entanto, o desenvolvimento acelerado e a comercialização colocaram-nas em risco de desaparecer.

A recolha de documentação revelou-se difícil, devido à escassez de arquivos e à diversidade de formatos, obtidos de coleções privadas, instituições e arquivos online. Segundo uma nota da DOCOMOMO, esta palestra apresenta as conclusões iniciais do projecto, visando promover o diálogo e a valorização desta era negligenciada da arquitetura nepalesa. Para além da preservação histórica, o projecto tem também uma vertente educativa e de sensibilização pública, lançando as bases para futuras iniciativas de proteção legal e investigação contínua.

11 Jun 2025

Nepal | PM inicia em Pequim a sua primeira deslocação ao exterior

O primeiro-ministro do Nepal, Khadga Prasad Sharma Oli, chegou a Pequim para uma visita oficial que quebra a tradição diplomática nepalesa segundo a qual o novo líder realiza na Índia a sua primeira deslocação ao exterior.

Khadga Prasad Sharma Oli, que regressou ao poder em Julho após dois mandatos como primeiro-ministro, aterrou em Pequim na segunda-feira à noite, de acordo com imagens transmitidas pela televisão estatal CCTV.

Durante a sua estadia de quatro dias, Oli deve encontrar-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang, proferir um discurso na prestigiada Universidade de Pequim e participar num fórum económico bilateral.

O objectivo destes intercâmbios é “reforçar a amizade de longa data” entre os dois países, nomeadamente no que diz respeito à Iniciativa Faixa e Rota, segundo uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Lançada por Pequim em 2013, a Faixa e Rota tem como objectivo criar novas vias comerciais entre a China e o resto do mundo, através da construção de infra-estruturas, incluindo portos, autoestradas ou linhas ferroviárias.

As discussões entre os dois líderes centrar-se-ão em acordos de investimento anteriores, em particular o aeroporto recentemente concluído na cidade turística central de Pokhara, segundo as autoridades nepalesas.

A escolha da China para a sua primeira viagem ao estrangeiro deveu-se à ausência de um convite oficial de Nova Deli, apontou a imprensa nepalesa. O Nepal, situado entre a China e a Índia, procura manter um equilíbrio entre estas duas potências vizinhas.

Khadga Prasad Sharma Oli, um dos principais dirigentes do Partido Comunista do Nepal – Marxista-Leninista Unificado, tem procurado frequentemente Pequim para reduzir a dependência histórica de Katmandu em relação a Nova Deli.

4 Dez 2024

Nepal proíbe TikTok por “perturbar a harmonia social”

O Governo do Nepal anunciou na segunda-feira a proibição da rede social TikTok por “perturbar a harmonia social”, juntando-se à lista de países que proibiram a plataforma, como a sua vizinha Índia. “Apesar da liberdade de expressão ser um direito básico, o Governo decidiu proibir o TikTok pois há uma tendência crescente na perturbação da harmonia social”, disse o porta-voz do Governo nepalês, Rekha Sharma, numa conferência de imprensa.

A data exacta da entrada em vigor da proibição ainda não foi anunciada. A medida foi recebida com várias críticas, inclusive na coligação frágil governamental do país, liderada pelo Partido Centro Maoísta (CPN-Maoísta), do primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal. “Parece que a intenção do Governo é sufocar a liberdade de expressão e a individualidade. O Governo deve recuar”, declarou Gagan Thapa, deputado e secretário-geral do partido do Congresso do Nepal, que faz parte da coligação no poder.

A proibição suscitou ainda queixas entre alguns profissionais da imprensa asiática. “Considero esta decisão caprichosa e prevejo que não irá durar muito tempo, dada a ausência de dados substanciais ou de investigação para apoiar a proibição”, afirmou o jornalista Krishna Acharya.

Nova lei

A medida surge dias após o Conselho de Ministros do Nepal ter aprovado um conjunto de regras para regular as redes sociais. O porta-voz do Ministério das Comunicações e Tecnologias de Informação, Netra Prasad Subedi, informou que as autoridades irão implementar a decisão do gabinete a nível técnico.

As regras incluem, entre outros, a proibição dos utilizadores de criarem perfis falsos ou de publicarem conteúdos relacionados com o trabalho e exploração infantil ou tráfico humano. Redes sociais como o Facebook, o X ou o Youtube terão que abrir gabinetes de ligação no Nepal, sob ameaça de verem o seu acesso bloqueado pelas autoridades, caso não cumpram com a exigência.

Este anúncio assemelha-se às decisões tomadas por outros países, como a vizinha Índia, embora por razões diferentes. Nova Deli proibiu o TikTok em 2020, juntamente com dezenas de outras aplicações desenvolvidas pela China.

A proibição aconteceu após uma crise diplomática com Pequim, na sequência de um confronto fronteiriço entre as forças de segurança dos dois países nos Himalaias ocidentais, que causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e mais de 70 feridos.

15 Nov 2023

Acidente | Recuperadas caixas negras do avião que caiu no Nepal

As autoridades nepalesas declararam ontem que um gravador de dados de voo e um gravador de voz de cabine foram recuperados do local da queda do avião no domingo em Pokhara, no Nepal, que provocou 68 mortos.

O porta-voz da Autoridade da Aviação Civil nepalesa, Jagannath Niraula, disse que as caixas foram encontradas ontem, um dia após a queda da aeronave ATR-72, que matou 68 das 72 pessoas a bordo.
Niraula disse que tudo que foi encontrado será entregue aos investigadores.
Pemba Sherpa, porta-voz da Yeti Airlines, também confirmou que os dados do voo e os gravadores de voz da cabine foram encontrados.

Mais dois corpos foram encontrados na manhã desta segunda-feira, dia de luto nacional decretado pelas autoridades no país.

“Até agora encontramos 68 corpos. Estamos a procurar mais quatro corpos (…). Estamos a rezar para que um milagre aconteça. Mas, a esperança de encontrar alguém vivo é nula”, disse Tek Bahadur KC, responsável pelo distrito de Taksi, onde o avião caiu.

Ainda não está claro quais foram as causas do acidente, o mais mortal do país em três décadas. O tempo estava ameno e sem vento no dia da queda da aeronave, segundo as autoridades locais.

Cenário surreal

Uma testemunha, que filmou a aterragem do avião a partir da varanda de sua casa, disse ter visto a aeronave voar baixo antes de virar repentinamente para a esquerda. “Fiquei chocado”, disse Diwas Bohora, citado pela agência de notícias Associated Press.

A Autoridade de Aviação Civil do Nepal disse que a aeronave estabeleceu contacto com o aeroporto pela última vez perto do desfiladeiro de Seti, no centro do país, às 10:50 antes de cair.

O avião tinha saído da capital Katmandu com destino a Pokhara, por volta das 10:30, e caiu durante a manobra de aproximação ao aeroporto internacional de Pokhara, no vale do rio Seti.

17 Jan 2023

Covid-19 | Cinco pessoas do Nepal testam positivo aos testes anticorpos

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus emitiu este domingo uma nota onde dá conta de que cinco de dez pessoas oriundas da cidade de Katmandu, no Nepal, testaram positivo para os testes anticorpos à covid-19. Um deles “revela a possibilidade de apresentar uma recaída”, pelo que será realizado esta segunda-feira um novo teste.

Quanto às restantes quatro pessoas “foram consideradas como tendo sido infectadas anteriormente”. Quanto às restantes cinco pessoas testaram negativo à covid-19. Os 10 indivíduos foram encaminhados para o Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane para observação e realização de testes mais aprofundados.

Segundo a mesma nota, o Centro de Coordenação alerta para o facto de “a situação epidémica da covid-19 em países estrangeiros ser mais grave e existir alta propagação” de mutações do vírus SARS-Cov-2 “com elevado risco de infecção”.

“Há muitos casos relatados em que o diagnóstico foi confirmado após terem sido realizados vários testes de ácido nucleico negativos, daí que de modo a reduzir o risco para a saúde pública, para a família e a comunidade, [foi tomada a decisão] de realizar a todos os indivíduos que regressam de países estrangeiros o teste de anticorpos contra a covid-19 após a chegada a Macau, de modo a determinar o seu estado geral de infecção”, explica o Centro de Coordenação.

26 Abr 2021

Atleta português vai de bicicleta até ao Nepal em projecto solidário após acidente grave

[dropcap]O[/dropcap]atleta Pedro Bento vai percorrer, de bicicleta, cerca de 11.000 quilómetros, entre Almeirim, em Portugal, e Katmandu (Nepal), em 73 dias, um desafio solidário e de agradecimento para os que o ajudaram a recuperar de um grave acidente.

Pedro Bento, de 40 anos, disse à Lusa que vai partir no próximo dia 13 de Abril, sozinho, na sua bicicleta com o objectivo de reunir 10.000 euros, tendo como lema da aventura “1 euro por 1 quilómetro”.

O destino da verba é assegurar bolsas de estudo e alimentação a dois jovens nepaleses do projecto “Dreams of Katmandu”, do português Pedro Queirós, e comprar equipamentos de protecção contra incêndios para os Bombeiros Voluntários de Almeirim (BVA).

A recuperar de um grave acidente de moto, que sofreu em 1 de Abril de 2017 quando fazia o reconhecimento do percurso para uma prova de BTT que se realizava no dia seguinte, Pedro Bento afirmou que o seu grande objectivo é chegar ao Nepal e reunir a verba que quer oferecer, em agradecimento por todo o apoio dos bombeiros no resgate, e depois durante a recuperação.

Pedro Bento quer também distinguir um projecto que conheceu de perto durante a participação numa prova no Nepal, em 2016, um ano depois do terramoto que atingiu aquele país.

“Em 2017 sofri um grave acidente de moto e agora pretendo devolver e agradecer toda a ajuda que me foi prestada no processo de recuperação. Tenho plena consciência das dificuldades que vou atravessar, mas sou guiado por esta motivação de agradecer e ajudar. Para mim, sonhar enaltece e fortalece, alcançar um sonho faz parte da humanidade”, escreveu na página do seu projeto https://bakonbike2019.wixsite.com/bakonbike2019, onde é possível fazer uma doação.
Técnico superior de desporto na Câmara Municipal de Almeirim (que lhe permitiu o gozo de uma licença sem vencimento e das férias) e membro da secção dos 20kms de Almeirim, Pedro Bento parte sem data prevista de chegada, apenas com a certeza que tem que se apresentar ao trabalho em 1 de Julho.

“Se consigo chegar ao final com o percurso todo completo não sei, mas vou tentar. Tenho pesquisado e não encontrei até agora um desafio solidário deste género, com dias contados e aquela distância todos os dias. É quase como se fosse uma prova todos os dias, porque já encontrei desafios de 5.000, 6.000 quilómetros, mas com mais tempo para fazer”, declarou.

Do total angariado, 80% serão doados aos BVA, com o objectivo de adquirir dez fatos de protecção e combate aos incêndios (800 euros cada) e os restantes 20% “serão atribuídos ao Pedro Queirós do projeto ‘Dreams of Katmandu’, que continua no Nepal a apoiar as crianças do Campo Esperança, vítimas do terramoto de 2015”.

A verba que será doada permitirá pagar bolsas de estudo e alimentação durante um ano aos jovens Mingmar e Tenzing Sherpa, de que Pedro Bento se tornou “irmão” numa cerimónia realizada em 2016 e que “mexeu” consigo.

O acidente interrompeu um projecto que o atleta havia iniciado após participar, em 2007, no que era tida como uma das mais duras provas de BTT do mundo, na Costa Rica, o de “fazer as 10 provas que as revistas diziam ser as mais difíceis do mundo”.

Seis estão cumpridas – Costa Rica, Canadá, Itália, Chile, Nepal (onde foi o primeiro português a chegar aos 5.400 metros de altitude de bicicleta) e Austrália, esta um ano depois do previsto devido ao acidente, mas, “pelo meio”, decidiu fazer este projecto como forma de agradecimento, relatou à Lusa.

Com nove vértebras e a omoplata direitas partidas, Pedro Bento referiu as “peripécias” vividas no Hospital de Santarém, onde esteve 20 dias, e no Hospital de S. José, em Lisboa, onde foi operado, alertando para a necessidade de os profissionais de saúde terem especial cuidado com lesões como as que ele sofreu, lamentando ainda que não tivesse sido feita uma cirurgia para corrigir a fractura na omoplata, que apresenta um desvio de dois centímetros.

Pedro Bento afirmou que, contra todas as previsões, não só não ficou em cadeira de rodas, como conseguiu recuperar fisicamente a ponto de voltar a uma prática desportiva que lhe tinham dito que nunca mais iria fazer, conseguindo, pelo meio, convencer o cirurgião que o operou em S. José a retirar todos os parafusos que tinha ao longo das costas.

Prestes a partir, Pedro tem um orçamento de 8.000 euros para a viagem, contando com alguns apoios em material e de amigos, que fazem questão de doar uma parte para o projecto solidário e outra para as suas despesas pessoais, salientou.

A partir do dia 13, irá atravessar 14 países, apenas evitando passar no Afeganistão e no Paquistão, viajando de avião do Irão para a Índia, por não ter os dias que lhe permitiriam procurar um percurso alternativo.

26 Mar 2019

Live Organic | Loja de Café

Está a começar lentamente e pretende, para já, trazer a Macau o sabor do café real. Para isso traz das terras altas do Nepal o grão que não tem qualquer tipo de processamento mecânico. Não é barato, mas é genuíno e representa o início do que Carla Hoi quer ver como uma loja orgânica e amiga do ambiente

[dropcap style≠‘circle’]A[/dropcap] venda de produtos orgânicos no território tende a crescer e a Live Organic está online para isso mesmo. Ainda em fase de concepção, a plataforma que se dedica à venda de café 100 por cento orgânico traz os melhores grãos produzidos no Nepal e é o resultado de vários amores.

O foco no café tem que ver com uma questão pessoal mas não da proprietária Carla Hoi. A responsável leva muito a sério os gostos do marido, “um apreciador de café”. Com a Live Organic e os conselhos do companheiro quer levar aos clientes o melhor daquela bebida. Para conseguir produtos de qualidade o casal tem viajado um pouco por todo o mundo.

O resultado é a opção por um café 100 por cento orgânico, encontrado nas terras altas do Nepal. “O meu marido prefere o café orgânico e não processado e, de acordo com ele, que é o especialista na matéria, este café tem um sabor especial”. Mas as características particulares não se ficam por aqui. “É um café que apresenta ainda uma textura muito particular bem como as camadas cremosas diferentes de um café mais comum”.

Neste momento há muitas lojas já especializadas em bom café no território, adverte a proprietária. No entanto, ainda lhes falta conseguirem algumas características especificas. “Os produtos que apresentam não são suficientemente fortes, ou suficientemente cremosos, por exemplo”, diz. “Nós apostamos no sabor do café real”.

Mas, “infelizmente”, o mercado de Macau ainda não está completamente receptivo a este tipo de produto. A razão tem que ver, por um lado com o desconhecimento do produto em causa, e por outro, o preço elevado. “Apesar de existir uma cultura de beber café no território, a forma como a população aceita a novidade é ainda muito lenta. Por outro lado, dado o preço elevado, o negócio demora mais tempo a vingar. Estamos ainda a tentar entrar devagar no mercado, mas penso que tem um forte potencial”, diz Carla Hoi.

No entanto, o maior problema tem mesmo que ver, aponta a responsável, com as dificuldades da população local em assimilar a novidade, “Penso que é mais fácil no mercado de Hong Kong que é uma região mais aberta a coisas novas”, explica.

Para já é apenas uma loja virtual e com um tipo de produto, mas o objectivo futuro é outro: que a Live Organic venha a ser uma loja física com café, especiarias e toda uma panóplia de produtos alimentares completamente biológicos. A diversificação tem ainda que ver com uma outra paixão de Carla Hoi, a de cozinhar. Para este hobby a proprietária da Live Organic só utiliza produtos em que confia, “os que têm um sabor verdadeiro”, explica.

A venda de café orgânico é, para já, uma espécie de passatempo até porque tem um emprego que lhe ocupa a maior parte do dia.

 

De olho na ecologia

Além do sabor único e do modo de confecção já raro, o café vendido pela Live Organic quer garantir ainda que é um produto que passa pelo comércio justo. Carla Hoi pretende, sempre que possível, assegurar que o que paga ao seu fornecedor é dirigido aos produtores. “Temos ainda o cuidado de antes de estabelecer um contrato com um fornecedor, ir conhecer o lugar onde é produzido e que esse local tem condições humanas e de qualidade para que possamos utilizar o produto”, diz.

A Live Organic está ainda preocupada em proteger o ambiente. Congruente com a filosofia associada aos produtos orgânicos, Carla Hoi aposta em medidas que garantam a menor pegada ambiental possível. As embalagens são o maior exemplo. “Seguimos a forma de embalar tradicional chinesa, não se usa plástico e não há desperdício em cada pacote de café”, refere. “Pode não ser a embalagem mais bonita mas é aquela que melhor faz ao ambiente e isso pode ser o suficiente para atrair o tipo de clientes que estão realmente interessados em produtos orgânicos e numa forma de vida mais consonante com o ambiente”, remata a responsável.

15 Nov 2017