João Luz Manchete PolíticaCultura | Mais dois concertos com artistas japoneses cancelados Depois do cancelamento do concerto da diva japonesa Ayumi Hamasaki, um espectáculo no Studio City que iria incluir a girls band Say My Name, que conta com duas japonesas na formação, também foi cancelado devido a “circunstâncias imprevistas”. A mesma razão foi usada para cancelar o concerto dos Hi-Fi Un!corn no, que também tem membros japoneses “Devido a circunstâncias imprevistas, lamentamos anunciar que o concerto 2025 iNKODE TO PLAY, espectáculo de Natal, agendado para 25 de Dezembro no Studio City Event Center, foi cancelado. Pedimos sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado pelo cancelamento e agradecemos a todos pelo apoio a este espectáculo.” Foi desta forma que a empresa promotora do concerto justificou que afinal o sul-coreano Kim Jaejoong, a americana de origem sul-coreana Nicole e a girls band Say My Name não iriam actuar em Macau, como estava previsto. Importa referir que a artista mais conhecia da banda, constituída por jovens sul-coreanas e duas nipónicas, é a japonesa Hitomi Honda, mais famosa que a sua compatriota e colega de palco Terada Mei. O cancelamento do espectáculo dos artistas da iNKODE Entertainment foi anunciado um dia depois do concerto da diva do pop japonês Ayumi Hamasaki ter sofrido o mesmo destino em Macau e Xangai. Aliás, as justificações vagas para a não realização do concerto das Say My Name em Macau e de Ayumi em Xangai foram as mesmas: “circunstâncias imprevistas”. Uma outra banda de jovens da iNKODE Entertainment, com membros japoneses, tinha um encontro com fãs marcado para o meio-dia de 6 de Dezembro em Xangai. O encontro foi cancelado duas horas antes do início devido a “circunstâncias imprevistas” O cancelamento do evento dos artistas da iNKODE Entertainment em Macau foi comentado nas redes sociais como um exemplo do “efeito Ayumi”. A papel químico “Devido a circunstâncias imprevistas, a CQ (Macau) Entertainment lamenta anunciar que o espectáculo Hi-Fi Un!corn ASIA Tour 2025 “Teenage Blue” em Macau, originalmente agendado para 21 de Dezembro no G Box do Galaxy Macau, foi cancelado.” O cancelamento do concerto dos Hi-Fi Un!corn, que também têm artistas japoneses no grupo, foi anunciado na quarta-feira, aumentando o número de concertos em Macau que não se vão realizar na sequência de “circunstâncias imprevistas”. Os comunicados repetem a mesma fórmula de pedidos de desculpa pela inconveniência e indicações para pedir reembolsos. Tudo começou quando o Venetian Macau anunciou na tarde de terça-feira que o concerto da rainha da pop japonesa Ayumi Hamasaki fora cancelado. Apesar de não ter sido dada qualquer justificação, o cancelamento não apanhou de surpresa os fãs, que já antecipavam a tomada de posição depois de o mesmo ter acontecido em Xangai no passado dia 29 de Novembro.
João Luz EventosComédia | Jimmy O. Yang regressa a Macau no Ano Novo Chinês Depois da estreia em Julho, o comediante Jimmy O. Yang vai regressar a Macau no dia 21 de Fevereiro, para um espectáculo que irá além do stand-up, com actuações musicais e dança. Os bilhetes serão colocados à venda no próximo dia 4 de Dezembro e custam entre 380 e 880 dólares de Hong Kong “Tenho uma grande novidade para dar. Vou regressar ao Galaxy Macau no dia 21 de Fevereiro para um mega-espectáculo de Ano Novo Chinês, que não vai ter apenas comédia. Eu vou fazer stand-up, mas haverá música, dança e alguns convidados especiais incríveis. Vai ser uma mega-festa de Ano Novo Chinês.” Foi desta forma que Jimmy O. Yang, o comediante de Hong Kong que fez carreira nos Estados Unidos, anunciou nas redes sociais o seu regresso a Macau, depois de ter esgotado uma série de seis espectáculos no início de Julho no Broadway Theatre, que foi visto por mais de 13 mil espectadores. Para já, foi só anunciado um espectáculo, mas em moldes que escapam ao tradicional show de comédia, incorporando “música ao vivo, múltiplos convidados especiais e surpresas divertidas”, adiantou ontem a Galaxy Macau. Os bilhetes serão colocados à venda no próximo dia 4 de Dezembro, às 11h, e custam entre 380 e 880 dólares de Hong Kong, e podem ser comprados através da Galaxy Ticketing, e das plataformas Trip.com, Damai, Maoyan, uutix e MPay. Porém, os portadores de cartões de crédito do Banco da China terão direito a comprar bilhetes 24 horas antes através da plataforma Klook. O comediante termina hoje a sua passagem por Singapura, depois de ter actuado em Kuala Lumpur. A tournée continua na Austrália com vários espectáculos, a partir de sábado, em Brisbane, Sydney, Melbourne, com uma paragem na Nova Zelândia, Auckland para dois espectáculos. De seguida, segue para o Japão e regressa a Singapura antes de uma série de espectáculos nos Estados Unidos a partir de Fevereiro. Uma vida a fazer rir Com 38 anos de idade, o comediante tem já uma carreira longa, não só na comédia de palco, mas principalmente em séries de televisão e cinema. A popularidade da comédia da HBO “Silicon Valley” apresentou Jimmy O. Yang ao mundo, interpretando um membro de uma equipa de programadores informáticos que tenta a sua sorte no mundo bilionário das aplicações móveis. Outro papel recorrente no currículo de Jimmy O. Yang, foi na série da Netflix “Space Force”, onde contracena com actores como Steve Carell, John Malkovich, Ben Schwartz, Diana Silvers, Lisa Kudrow e o seu pai Richard Ouyang. O comediante de Hong Kong entrou ainda em séries como “Os Simpsons”, “It’s Always Sunny in Philadelphia”, “American Dad”, entre outras. Em cerca de 12 anos, Jimmy O. Yang entrou em mais de duas dezenas de filmes. Na sua filmografia contam-se algumas longas metragens incontornáveis, como “Crazy Rich Asians”, “Love Hard”, “Like a Boss” e animações como “The Monkey King”, onde dá voz ao protagonista, “Minions: The Rise of Gru”, “The Lego Movie 2” e “Wish Dragon”. No meio da uma carreira no palco e nos grandes e pequenos ecrãs, Jimmy O. Yang ainda teve tempo para escrever um livro: “How to American: An Immigrant’s Guide to Disappointing Your Parents”. A obra não só descreve um pouco a sua vida, enquanto alguém que no início da adolescência se muda de Hong Kong para a Califórnia, onde já tinha família, mas também desvenda os temas que costuma abordar nos espectáculos de stand-up. Jimmy O. Yang nasceu em Hong Kong no Verão de 1987, depois de os seus pais se terem mudado de Xangai para a região vizinha. Em 2000, quando o comediante era um jovem de 13 anos, a família mudou-se para Los Angeles, onde vivia uma tia e uma avó do jovem.
Hoje Macau EventosMICAF traz “Annie, O Musical” e teatro para bebés este fim-de-semana O MICAF – Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau continua este fim-de-semana a disponibilizar espectáculos para os mais pequenos. É o caso de “O Bosque dos Sonhos”, peça de teatro para bebés que sobe ao palco do Estúdio I do Centro Cultural de Macau (CCM) até domingo, tendo a primeira sessão decorrido esta quarta-feira. Há três horários disponíveis: 11 horas, 14h45 e 17 horas. A ideia é, segundo a sinopse do espectáculo, construir “pequeninos passos sensoriais”, levando os bebés “a viver uma nova aventura e a descobrir as boas sensações das quatro estações do ano”. Neste palco, “a luz do sol brilha nas cavernas para detectar animais em hibernação, e a neve e o lago congelado derretem gradualmente”, sendo também possível “acordar com a brisa e a luz da Primavera, antes de entrar nas alegrias de Verão com novos amiguinhos”. “O Bosque dos Sonhos” é uma produção local, que conta com produção de Chan Si Kei e a coreografia de Wendy Choi e Anette Ng. Trata-se de um espectáculo que se realiza há quatro temporadas destinado a bebés dos quatro aos 15 meses. Annie marca presença O grande destaque do cartaz do MICAF para este fim-de-semana é a apresentação do espectáculo internacional “Annie, O Musical”, que sobe ao palco do Grande Auditório do CCM amanhã, domingo e segunda-feira. Este é um espectáculo que funciona como uma máquina do tempo que nos leva à Broadway e à cidade de Nova Iorque dos anos 30. “Annie é um musical perfeito para toda a família que nos conta as exaltantes aventuras de uma pequena e corajosa menina. Encenada ao som de uma banda sonora memorável, incluindo canções clássicas como ‘Tomorrow’ e ‘It’s the Hard Knock Life’, esta é uma das mais amadas produções, vencedora de sete prémios Tony, incluindo, claro, o de Melhor Musical”, lê-se na sinopse. “Annie, O Musical” já foi transformado em filme, nomeado para os Óscares, nos anos 80, tendo partido em digressão, primeiro nos EUA e depois pelo mundo, chegando agora a Macau. A história centra-se em Anne, que decide ir procurar os pais e escapar às garras de Miss Haningan, a malvada directora do orfanato. É assim que Annie vai parar a Nova Iorque, sendo que “na mansão de Oliver Warbuck, um solitário e excêntrico bilionário, encontra uma nova família, mudando para sempre a sua vida”. “Desfiando impecáveis dotes vocais e enérgicos movimentos coreográficos, este esfusiante espectáculo retrata de forma colorida a tensão entre a espontaneidade infantil e a malícia dos mais crescidos”, descreve a mesma sinopse.
Hoje Macau SociedadeZona de Espectáculos | Aberto concurso para restauração O Instituto Cultural (IC) abriu ontem as candidaturas para atribuir os lugares de restauração na Zona de Espectáculos ao Ar Livre de Macau para o concerto de DJ Alan Walker, que se realiza a 15 de Junho. As candidaturas podem ser apresentadas até às 17h30 de 30 de Maio. O Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau situa-se no cruzamento da Avenida do Aeroporto com a Rua de Ténis, na Taipa, perto do hotel Lisboeta. Os espaços de restauração vão ficar instalados em seis contentores, onde vai ser possível disponibilizar “refeições ligeiras” no dia do concerto. De acordo com o IC, os candidatos escolhidos vão ter de assumir “a responsabilidade exclusiva pelos seus próprios lucros e perdas”, assim como tratar, por si, de eventuais licenças para operar naquele local. Alan Walker é um DJ e produtor norueguês que tem como músicas mais conhecidas os temas Faded, Sing Me To Sleep e Alone.
João Luz Manchete SociedadeEspectáculos | Zona ao ar livre pode estar concluída em Novembro A presidente do Instituto Cultural revelou que a construção da zona de espectáculos ao ar livre no Cotai poderá estar concluída em Novembro e que serão organizados concertos e espectáculos para testar a capacidade das instalações, o fluxo de trânsito e ouvir opiniões da população. Para já, estão a ser ultimados regulamentos para o arrendamento do espaço Os primeiros acordes a soarem na zona para espectáculos ao ar livre no Cotai podem estar para breve. Segundo a presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong, a construção da área, ao lado do Grand Lisboa Palace, poderá estar concluída no próximo mês. A responsável pela área cultural adiantou ainda que o IC está a ultimar a regulamentação que irá estabelecer as regras para o arrendamento e uso do espaço. Em declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Deland Leong revelou ainda que o Governo irá organizar espectáculos não só para celebrar a inauguração do espaço com a população, mas também afinar detalhes e testar os equipamentos. Sem especificar a natureza dos eventos, ou quantos serão organizados, a presidente do IC indicou que os principais objectivos passam por testar os equipamentos do recinto, reunir sugestões e permitir que a população se familiarize com os transportes e os acessos à zona. Além disso, a lotação do recinto irá ser aumentada gradualmente, depois dos eventos que irão testar a capacidade da zona. Recorde-se que o recinto foi pensado para acolher cerca de 50 mil espectadores. A zona de espectáculos ficará situada num terreno do Governo, com uma área de 94 mil metros quadrados, “na intersecção entre a Avenida do Aeroporto e Rua de Ténis, virada a norte para a Rua de Ténis e a nordeste para a Avenida do Aeroporto”, perto do Grand Lisboa Palace. No final de Julho, foi adjudicada à Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung a empreitada para a construção do recinto. A empresa apresentou a proposta mais barata, no valor de 84,8 milhões de patacas. Ruínas e estaleiros Deland Leong confirmou também que vão continuar a ser organizados concertos nas Ruínas de São Paulo até às vésperas do Ano Novo Chinês, também porque estamos a atravessar a época ideal para assistir a concertos ao ar livre. Apesar de ainda não existirem planos concretos, a presidente do IC indicou que será organizado um concerto da Orquestra de Macau no Natal. Sobre os progressos das obras de recuperação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun, Deland Leong referiu que a concessionária responsável pela revitalização do local, o grupo Galaxy, deverá concluir, até ao fim do ano, a instalação de equipamentos destinados à diversão familiar. No próximo ano, será iniciada a segunda fase da obra de revitalização da área, incluindo a reparação dos estaleiros navais restantes, cujo plano de design está a ser desenvolvido.
Gisela Casimiro Estendais h | Artes, Letras e IdeiasUm espectáculo, digo eu! [dropcap]N[/dropcap]o caminho para a paragem, onde se cruzam eléctricos e autocarros, distraída e com sono, quase piso a passadeira ainda a ser pintada de fresco. Há operários, cones de sinalização, luzes amarelas e coletes reflectores. Alguns metros à frente, os homens do lixo fazem a recolha. Levo a mão à cabeça para ter a certeza de que não trouxe um capacete em vez do gorro. Fico confusa por momentos; poderia julgar que o ensaio acabara e que já não estava em directo do grande auditório do CCB, onde o público aguarda o início de mais uma criação da mala voadora e sim na rua, em Lisboa. O autocarro chega e a viagem é feita aos solavancos. O cheiro a frango assado que o passageiro sentado atrás de mim devora torna tudo mais real. É o descanso do trabalhador, a marmita tradicional, o piquenique em movimento para quem ainda tiver forças para comer a esta hora da noite. As últimas semanas foram intensas e exigentes, e nesta viagem que nunca começa para todos ao mesmo tempo, apenas termina, encontramo-nos cada vez mais lado a lado para ensaiar, jantar quando conseguimos, fumar um cigarro, tocar piano a quatro mãos, apertar um botão da camisa ou acertar colarinhos no último segundo, mandar calar, matar os colegas cem vezes na nossa cabeça, apenas para depois com eles dançar em conjunto entre cada cena, fazer rir e trocar histórias, para desesperar e zangar. Temos pouco tempo e no entanto há sempre tempo para atrasos, faltas, momentos de diva, para ficar doente, mudar de ideias, perder e reaver objectos, habituar-se a que tudo mude todos os dias e mais do que uma vez por dia, cortar e acrescentar cenas, cimentar e criar amizades, e ainda cobiçar todo o guarda-roupa do director artístico. Não importa como se chegou aqui, agora estamos juntos nisto. Sábado de tarde: turistas e locais passeiam, fotografam, lancham e apanham sol, como sempre ou talvez com maior fervor, pois afinal é um feriado religioso. Técnicos fazem greve, como é de seu direito. O espectáculo é cancelado. Sucedem-se as mensagens, telefonemas, suspiros e brados de revolta, tristeza, desilusão e frustração. Como manda o figurino, há uma reunião de última hora com quem de direito e com direito a explicação, que sabe naturalmente a pouco, sabe talvez a algum do material usado na construção do cenário. Existe solidariedade de parte a parte, só tenho pena que o “crítico” não tenha escolhido o dia de hoje para vir ao teatro. Provavelmente teria apreciado mais esta versão. Fausto não é para todos, não agrada a todos (de qualquer um dos lados do palco, pois acreditem que é possível fazer um espectáculo de que não se gosta) mas é, inegavelmente, sobre todos e dá um lugar e visibilidade a todos. Sou suspeita mas, pessoalmente, é isso o que me interessa na arte. E o respeito por quem trabalha, claro. Em Fausto, trabalhou-se e aprendeu-se muito. Um coro, um rancho e um stripper entram num palco… Ganhamos mais do que perdemos. Para trás ficam lantejoulas, folhos, escudos, luvas e cacetetes, azulejos e leques, camas de hospital e os vinte cinco anos do Centro Cultural de Belém. Fica a festa possível, sem esquecer que são as pessoas que fazem as instituições. As recentes greves demonstram isso, sejamos estivadores ou actores na tv ou no teatro. Ou todas as profissões que estes últimos representam, por vezes até fora do blueroom. Alguém disse que a ambição é necessária para a realização. Eu penso nos Apanhados TVI e RTP e em maquilhagem que serve para nos fazer parecer que estamos sem maquilhagem e, de algum modo, tudo isto parece fazer sentido. Conto, para que vocês acreditem. Talvez este seja o final, o único final possível. Mais irónico e genial do que qualquer um de nós poderia ter criado intencionalmente. Nós, a equipa, saímos de malas e bagagens como tantas vezes estivémos em cena. Talvez a arte não imite a vida, apenas a amplifique, pois em Fausto houve manifestações, revoluções, feridos e queimados, migrantes e desempregados. Talvez esta greve tenha o seu quê de justiça poética, não houvesse também um grupo de juízes em cena. Mas agora é hora de arrumar tudo, apagar as luzes, apanhar novo eléctrico, novo autocarro, e voltarmos a ser as pessoas de todos os dias, sem fronteiras e quase sem limites. Caótica e elegantemente, como um povo e uma família de artistas que se preze.