Rock Reflection 1

Nesta rubrica «Uma Asa no Além» já escrevi dois ou três textos acerca de livros norte-americanos que fazem parte de uma nova corrente literária chamada «rock reflection». Esta nova corrente, surgida em São Francisco, mas que se espalhou ainda com mais expressividade na costa leste – vimos aqui recentemente um pequeno ensaio de James Goodman «O Futuro Eterno Agora» – são compostos maioritariamente por ensaios acerca da música ou das bandas rock. O universo onde a reflexão se centra, nestes textos, é o rock. Embora de modo geral, os textos tenham uma carácter ensaístico-poético, também há também textos que dividem a reflexão com a ficção, como foi o caso do livro que vimos aqui de um autor de São Francisco, Howard C. Jones, «White Punks On Dope».

O livro que nos traz hoje aqui vem da costa leste, mais propriamente de Nova Iorque, e chama-se «O Futuro de Ontem», escrito por Louise Stanley, que nos leva por um dos discos mais importantes na minha juventude: «Remain in Light», da mítica banda nova-iorquina Talking Heads. Mas o livro é também um livro charneira para a linha mais radical da «rock reflection», que pensa o movimento como essencialmente musical e cultural, contrariamente ao ponto de vista defendido por James Goodman. Mas a isto voltaremos na segunda parte desta nossa incursão ao mundo de «O Futuro de Ontem».

Acerca de «Remain in Light», só recentemente tive conhecimento de que a minha experiência com o disco foi muito similar à de um importante músico pop-rock norte-americano, mais conhecido como vocalista e mentor dos Nine Inch Nails, Trent Raznor. Numa entrevista em 2020, Raznor disse que «Remain in Light» era o melhor disco de sempre. Não apenas o melhor da década de 80, como escreve Louise Stanley – «Estou convicta de que “Remain in Light” é o melhor disco da década de 80.”» –, mas o melhor de sempre. Leia-se o que Raznor disse na entrevista, acerca daquele que é para ele o melhor disco de sempre da história da pop-rock: «Trata-se de um dico que não entendo quando o ouvi pela primeira vez, no início dos anos 80. Nessa altura, vivia numa pequena cidade do interior, sem quaisquer actividades culturais. E, vindo do nada, chega este disco. Uma obra de arte estranha, sintética, polirrítmica, com influências africanas, que me baralharam todo. […] O que acontece com bons discos quando os ouvimos pela primeira vez, como neste caso, é que nunca sabemos bem com o que estamos a lidar. Não temos medida de comparação. Mas ficamos fascinados por eles, e depois de o ouvirmos seis vezes o disco começa a revelar-se. À décima audição estamos completamente apanhados. Mas mesmo quando o ouves pela trigésima vez, descobres coisas novas. Foi com “Remain in Light” que aprendi tudo isto e o vivi pela primeira vez.» A experiência que Trent Raznor descreve é muito similar à minha, embora nem por um momento duvide de que ele escute melhor esse disco do que eu, pois não duvido que tenha melhor ouvido e saiba mais de música pop-rock do que eu, além de ter sido considerado imortal por David Bowie, que tinha grande admiração por Trent. Bowie e Raznor fizeram uma tournée juntos em finais de 1995 início de 1996 e também uma música e vídeos, «I’m Affraid of Americans». É muito provável que a musicalidade de Trent Raznor, e o encontro entre ambos, tenha escurecido o coração de Bowie para sempre. Podem assistir aqui a uma das canções dessa tournée «Reptile», dos Nine Inch Nail, ao vivo com David Bowie: https://www.youtube.com/watch?v=wJIJzmcc4MY. Ou ao concerto inteiro, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=j4sP1CTuIjs. Curiosamente, ou talvez não, dez anos mais tarde Trent Raznor cantaria esta mesma canção, «Reptile» com Peter Murphy: https://www.youtube.com/watch?v=gvClJOA5lqA

Esta breve viagem aos Nine Inch Nails e a David Bowie teve apenas como objectivo sublinhar a importância da escolha do quarto álbum dos Talking Heads como o melhor disco de sempre. Trent Raznor poderia ter escolhido um dos discos Bowie do período de Berlim, que ele tanto gosta, poe exemplo, mas escolheu «Remain in Light». Poderia ter escolhido algo mais obscuro, como a sua música ou aquela que usualmente ouve mais, mas escolheu um disco que é o oposto disso. O que tem este disco de tão especial afinal?

Regressando ao livro de Louise Stanley, que foi publicado em 2018, a escritora não pôde ter tido acesso às declarações do vocalista dos Nine Inch Nails acerca do disco dos Talking Heads, embora muito do que Trent Raznor disse musicalmente acerca do disco, ela o tenha dito. Mas além de uma análise musical do disco em geral e das canções em particular, Louise Stanley explora aquilo que ela considera «a grande fenda nacional». Esta fenda nacional, explorada ao longo do livro, é retirada de uma entrevista dada pelo vocalista dos Talking Heads, David Byrne, quando se refere a «Remain in Light»: «Financeiramente, levámos uma grande tareia com esse disco. Na época, foi muito difícil vendê-lo. Aquilo que nos diziam é que o disco soava demasiado “negro” para as rádios “brancas” e demasiado “branco” para as rádios “negras”.» Aquilo que Louise Stanley nos quer mostrar, ao citar logo no início este excerto de uma entrevista de David Byrne acerca de «Remain in Light», é que «[…] no início dos anos 80, os Estados Unidos da América ainda não se tinham libertado do preconceito que atingira o seu confronto máximo nos anos 60. No início dos anos 89 continuava a haver um fosso a separar a sociedade negra da sociedade branca, assim como os apreciadores de música. “Remain in Light” era um disco revolucionário, não pelas letras, independentemente de serem boas, mas pela música, pelo som. “Remain in Light” desmascarava as divergências, sem palavras, fazia com a falsa divergência fosse ouvida. Os americanos não estavam preparados para um disco sem fronteiras de cor. Seria na Europa que o disco ganharia a reputação de obra prima. Musicalmente, o disco estava muito à frente do seu tempo, principalmente pelas guitarras de Belew, culturalmente expressava uma utopia: ouvidos que não escutassem a cor da música.»

Para além dos quatro membros dos Talking Heads – David Byrne na voz e guitarra, Tina Weymouth no baixo e nos teclados, Chris Franz na bateria e Jerry Harrison na guitarra e teclados (nas percussões, todos) –, a banda teve as preciosas colaborações de Brian Eno e do icónico guitarrista Adrian Belew, que tinha tocado com Frank Zappa e David Bowie (no período de Berlim). Além de vários trabalhos de guitarra ritmo, foi responsável pelos estranhos solos de guitarra sintetizadora. Mais do que com notas, Belew solava com sons. Brian Eno, que além de produtor foi também co-compositor de todas as músicas e co-letrista das duas primeiras canções do disco – «Born Under Punches (The Heat Goes On)» e «Crosseyed and Painless» –, tocou todos os instrumentos, excepto bateria, e foi responsável pelos arranjos vocais. Nas vozes secundárias aparecia a incontornável Nona Hendryx, o indiscutível lado negro da voz.

Tenho a noção de que não cheguei sequer a falar metade do que poderia, acerca do livro de Louise Stanley. Felizmente no «Hoje Macau» temos espaço e tempo. Continuarei na próxima semana, de modo a vermos melhor o livro que não é apenas acerca da importância musical e cultural de um disco, mas também tenta ser um divisor de águas no movimento «rock reflection». Asseguro-vos que vale a pena continuar a acompanhar este livro da escritora nova-iorquina. Este trabalho propedêutico que aqui foi feito hoje era fundamental. Para que tenham uma melhor noção deste disco e da importância de Adrian Belew, vejam os Talking Heads ao vivo na Alemanha, em 1980, a tocar «Crosseyed and Painless»: https://www.youtube.com/watch?v=ul7I3Z5LA5M. Dois baixos em palco; além de Tina, Busta Jones. A fazer o trabalho que Nona Hendryx fizera em estúdio está Dolette McDonald. Nos teclados, Bernie Worrel. Nas percussões, Steve Scale.

23 Fev 2021

A amante de David Bowie e de Iggy Pop

Nos últimos anos da década de 70 do século passado, Claudia Schneider foi amante de David Bowie e de Iggy Pop, em Berlim. O seu livro «Desentidade», centrado nesse tempo, não trata apenas disso. É um livro que põe em ferida a identidade humana. Repare-se como começa o livro: «Como todas as pessoas, nenhum de nós tinha identidade e procurávamos nos outros o que nos faltava. Fosse com quem fosse, nunca se atingia ou alcançava uma identidade. Nem somente comigo. Fui tantas vezes mais homem com Iggy e com David do que fui mulher com outros. Fui também muito mais mulher com qualquer um deles do que fui com outros. O que nunca fui foi igual. Igual a quê? A quem? Nós somos tão diferentes uns dos outros, e de nós mesmos, quanto a música que ouvimos.»

O livro leva-nos numa viagem através da música e da vida da jovem Claudia, que desde os cinco anos estudava piano clássico e sempre foi afastada da cultura popular pela família. O nome da autora e da protagonista assemelham-se de modo a criar uma maior confusão ou confluência narrativa no leitor, entre as duas realidades, do livro e da vida. O livro foi publicado em 1981, quando a autora tinha apenas 26 anos. Mais tarde, numa entrevista, David Bowie referir-se-ia ao livro, deste modo, quando lhe perguntaram acerca da veracidade do relato em que ele aparece: «É muito provável que Claudia tenha aligeirado os acontecimentos.

Não nos podemos esquecer de que nenhum de nós se lembra bem desses dias. Mas o mais importante do livro de Claudia não é o que ela narra, mas o que nos impele a pensar.» Bowie costumava também dizer que os dias de Berlim não tinham sido tão loucos como os dias nos EUA – aos quais ele se refere como uma espécie de irrealidade vivida –, mas suficientemente fora de qualquer possibilidade de resgate quanto à factualidade. À página 39 lê-se: «Nenhum de nós [Claudia, Iggy e David] acreditava na vida para lá da droga.

Gostávamos de beber, mas bebíamos apenas no intervalo entre linhas e seringas. Viver sem drogas era como viver numa cadeira de rodas ou numa cama de onde não nos pudéssemos levantar e dependêssemos dos outros para tudo.» Nesta altura, diga-se em abono da verdade, o mundo também se prestava a estes modos de o entender. No final dos anos 70 confluíram dois modos populares e radicais de entender o mundo, que apesar de se desprezarem mutuamente partilhavam o gosto pelos excessos: o velho hippy e novo punk. Como escreve Claudia: «Era aqui, na confluência do hippy e do punk, que desaguaram em Berlim, Iggy e David.»

Neste mesmo período vive a jovem Christiane F., que escreveria um testemunho pessoal e deste tempo, do ponto de vista dos mais jovens e desfavorecidos. Publicado primeiramente na revista Stern, em 1978 – e que teve a tradução portuguesa em livro, já no início dos anos 80, de «Os Filhos da Droga» –, tem uma narrativa centrada na cidade de Berlim e onde também aparece Bowie, ainda que em concerto. Christiane F. viria mais tarde a conhecer e a privar com Claudia, Bowie e Iggy.

Se trago aqui este livro de F. é para que não se pense que o livro de Claudia é da mesma cepa. A narrativa de F. é crua, jornalística, ao passo que a de Claudia é reflexiva, filosófica ou, como disse Bowie, o mais importante não é o que ela narra, mas o que nos impele a pensar. Para além da questão da droga, que aproxima os dois livros – tão diferentes entre si –, Claudia tece uma profunda reflexão acerca de três questões distintas, mas com um laço profundo em comum: a de Bowie como actor de si mesmo, que pode ser extensivo a todas as estrelas pop e rock, isto é, a diferença entre Bowie a sós consigo ou com alguém íntimo e no espaço público; a de um rapaz que fazia covers de Bowie, nos subúrbio de Berlim, e vivia a sua vida como se não fosse ele mesmo mas outro; e a vida dos actores de teatro que todas as noites são outros e durante o dia ensaiam para isso mesmo. Ao longo do livro percorremos estas personagens que vivem na busca de serem outros, como se ao transformarem-se naquilo que não são fossem eles mesmos.

Evidentemente, há diferenças substanciais nas três modalidades de se ser outro, e elas surgem no livro, mas o horizonte narrativo que surge no livro é, acima de tudo, a interrogação acerca daqueles que mais visivelmente deixam de ser quem são, deliberadamente, e não a crueza dos acontecimentos. Lê-se à página 110: «Sept Breitner vestia-se e agia como Bowie nos tempos de Ziggy Stardust. A semelhança física era evidente e a voz não andava longe, principalmente nos registos mais altos. Desde que se levantava até deitar-se agia como se não fosse Sept, mas David ou Ziggy. Era muito estranho. Eu conhecia bem David e estava agora ali a tomar café com um antepassado dele, como se viajasse no tempo. A tomar café com David cinco anos atrás. Cinco anos pode não parecer muito tempo para uma pessoa normal, mas para David era duas eternidades. Estava agora tão longe de Ziggy quanto a Terra está de Centauro. Sept estava evidentemente satisfeito em confundirem-no com David, em dizer que parecia mesmo com David Bowie, não apenas em palco a cantar, mas quando andava nas ruas. Ser outro era aquilo que ele mais gostava de ser na vida.» Acerca da diferença entre David nas entrevistas, nos clubes, nos restaurantes, isto é, onde quer que houvesse público, e quando estava a sós com Claudia ou com esta e Iggy, há inúmeras passagens. Magda, amiga de Claudia e actriz, é outra das personagens que aparece muitas vezes no livro, onde a escritora explora a reflexão da paixão da amiga pela representação. «Magda passava os dias a ensaiar, a tentar chegar à perfeição de ser outra, que fazia aparecer à noite no palco. Embora diferente de Sept, aproximava-o o fascínio pela perda da identidade. Mas Magda não gostava sequer de ouvir esses raciocínios de Claudia, dizia que Sept tentava ser a cópia de um se humano e ela tentava ser uma personagem, um ser irreal.

Acrescentava que o sonho de qualquer actor é superar a realidade, a de Sept era tornar-se uma cópia igualzinha ao real.»

Além de todas estas reflexões sobre a identidade, ou melhor, sobre a busca de outras identidades, há ainda o cenário de fundo da Berlim dos finais de 70 do século passado. E Bowie e Pop. Um livro que marcou, e ainda marca, gerações.

14 Jul 2020

Concerto | Filarmónica de Hong Kong toca sinfonia de Philip Glass inspirada em Bowie

A Orquestra Filarmónica de Hong Kong apresenta este fim-de-semana a sinfonia composta por Philip Glass inspirada no disco “Heroes” do imortal David Bowie. Os concertos estão marcados para o auditório do Tsuen Wan Town Hall, em Hong Kong

 

Avizinham-se duas noites de excelência para os amantes da música clássica, do pop-rock e da intersecção entre estes dois universos. A Orquestra Filarmónica de Hong Kong apadrinha na sexta-feira e no sábado, pelas 20h, dois concertos onde serão interpretadas composições escritas por músicos com raízes fundas no rock alternativo. Os espectáculos estão marcados para o auditório do Tsuen Wan Town Hall, nos Novos Territórios em Hong Kong.

O prato principal das duas promissoras noites musicais é a apresentação da sinfonia composta por Philip Glass baseada no seminal disco “Heroes” de David Bowie, um dos registos do genial camaleão que inspirou uma trilogia de adaptações sinfónicas. Os outros registos de Bowie adaptados por Philip Glass são “Low” e, mais recentemente, “Lodger”, os três discos que compõem a Trilogia de Berlim composta por David Bowie entre 1977 e 1979.

O encontro entre a pop e a música clássica tem um dos seus momentos mais altos nas adaptações que o compositor minimalista norte-americano fez dos discos de David Bowie dos finais da década de 1970. Aliás, os dois músicos foram amigos durante décadas, assim como admiradores mútuos e este fim-de-semana os amantes da música da região têm a rara oportunidade de disfrutar do fruto da sinergia entre duas das mais brilhantes mentes da música contemporânea.

Peças de abertura

Para aguçar o apetite dos melómanos que planeiam dirigir-se ao Tsuen Wan Town Hall, a Orquestra Filarmónica de Hong Kong tem preparados dois aperitivos imperdíveis. Em primeiro lugar, será interpretado “There Will be Blood”, composição de autoria de Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead. A música faz parte da banda sonora do filme com o mesmo nome, realizado por Paul Thomas Anderson.

Ainda na primeira parte do concerto, serão interpretadas mais duas composições escritas para o cinema. “Lachrimae”, uma obra com contornos atmosféricos, composta por Bryce Dessner, um dos guitarristas dos norte-americanos The National, para a banda sonora do filme “The Revenant”, realizado por Alejandro Iñárritu. Finalmente, “Three Movements”, escrito por Steve Reich para a banda sonora de “The Hunger Games” será também interpretado pela Orquestra Filarmónica de Hong Kong.

Os concertos vão ser dirigidos por Andre de Ridder, um maestro de música clássica alemão que se distinguiu dos seus pares não só pelo gosto que tem pelo experimentalismo, como pelas surpreendentes colaborações artísticas que fez ao longo da carreira. O germânico conta no currículo com parcerias com bandas e artistas como These New Puritans, Uri Caine, Nico Muhly & Owen Pallett.

As noites de sexta-feira e sábado avizinham-se especiais para gostos ecléticos, ou simplesmente para quem tiver curiosidade em ouvir novas roupagens estilísticas de marcos incontornáveis da pop contemporânea.
Quem estiver interessado deve apressar-se a comprar os bilhetes, que custam 320 dólares de Hong Kong.

13 Fev 2019

Primeira gravação conhecida de David Bowie valeu 45 mil euros em leilão

A primeira gravação conhecida de David Bowie, que na altura tinha 16 anos e era vocalista da banda The Konrads, foi vendida esta terça-feira num leilão na Grã-Bretanha por cerca de 45 mil euros.

A Omega Autions, especialista em leilões relacionados com a música, disse que o leilão foi “frenético”, por uma gravação que remonta a 1963. O registo foi descoberto este ano num sótão.

A música, intitulada “I Never Dreamed”, foi gravada num estúdio em 1963, quando o grupo pediu a David Bowie, então conhecido pelo seu nome verdadeiro David Jones, que a cantasse.

Esboços promocionais feitos por David Bowie, na época um desconhecido, fotografias e documentos do grupo também foram vendidos por 19.235 euros, enquanto um poster do grupo The Konrads, também de 1963, valeu 6.737 euros, disse a casa de leilões.

David Bowie deixou a banda e apenas seis anos depois, em 1969, atingiu o sucesso com a música “Space Oddity”.

Bowie morreu em 10 de janeiro de 2016, dois dias depois de lançar o seu último álbum, “Blackstar”, por ocasião do seu 69.º aniversário.

12 Set 2018