André Namora Ai Portugal VozesÁgua impotável mata milhares. Milhares morrem na estrada Inimaginável. Quem vai comprar umas garrafas de água ao supermercado. Quem diariamente abre a torneira em casa e bebe água. Quem vai à fonte com o jarro recolher água cristalina e fresquinha, ninguém imagina que em Portugal entre 2019 e 2024 morreram 2.850 pessoas por causas associadas a água insalubre e falta de saneamento. Só, em 2024, estas mortes atingiram um pico de 602. Para algo, que acontecerá em países do terceiro mundo, estranha-se que nunca tenha sido dada uma explicação pública, em particular, por parte do Ministério da Saúde. Na verdade, uma vez, levei o meu neto à piscina municipal e o miúdo começou a beber água do chuveiro que se situava perto da piscina e o rapaz salva-vidas que estava por perto, disse logo para que não bebesse daquela água porque não era de confiança. São números que amedrontam e que colocam o cidadão a interrogar-se sobre o tratamento e higiene que é dado nas centrais de distribuição de água, dita potável. Acontece que a água insalubre ou imprópria para consumo é aquela que contém substâncias ou microrganismos prejudiciais à saúde humana, podendo causar doenças graves e a própria morte, tal como anunciámos. Um dos principais motivos para a água se tornar insalubre está directamente ligado à contaminação das fontes de água pelo lançamento de esgotos ou resíduos industriais sem tratamento. E ainda existe um perigo desconhecido, que se prende com pequenas rupturas nos tanques de combustíveis, as quais provocam o vazamento dos tanques subterrâneos de combustível e que vão poluir as águas subterrâneas. Seja como for, o importante é que temos portugueses a morrer devido a beberem água insalubre e as autoridades em mais de sete anos nunca se pronunciaram quando as mortes já ultrapassaram as duas mil e quinhentas. Este número que indicámos de mortos devido a ingerir-se água impotável, está ao mesmo nível do número de portugueses que morrem nas estradas do país. Cerca de 40 em cada mês. E a maioria não são pessoas com mais de 75 anos de idade. É infame. Razão? Conduz-se muito mal em Portugal. Mais de 50 por cento dos condutores nunca deviam ter tido carta de condução. Um grande número apenas conduz ao domingo. Um número ainda maior conduz apenas no Natal, Páscoa e férias de Verão. A instrução dada nas escolas de condução é uma mentira, apenas para enganar examinador. A carta de condução é facilitada a 90 por cento de condutores que nem sequer sabem reduzir a velocidade do veículo da sexta velocidade para a segunda, em caso de risco de acidente. Na última Páscoa, o balanço realizado pela GNR e PSP foi trágico, com um aumento significativo da sinistralidade rodoviária em comparação com o ano passado. 20 vítimas mortais, 53 feridos graves (dos quais nunca se sabe quantos vieram a falecer), mais de 2.600 acidentes. Leiam bem: o número de mortos quadruplicou relativamente à Páscoa de 2025. E sabem quais as causas? Obviamente o excesso de velocidade por intermédio de quem não sabe conduzir, o excesso de álcool ingerido e o uso do telemóvel. Ainda há dias, uma família de dois adultos e dois menores morreu devido a um choque frontal num local onde está pintado no pavimento o risco contínuo e a estrada fazia lomba. Num cenário destes, não existem campanhas de sensibilização que resultem. Tinham era de existir exames de condução muito mais rigorosos e não passeatas a 50 km/h pelos locais previamente mais que treinados. O absurdo. Não queria terminar este contacto convosco sem vos transmitir o impensável que é chocante. Praticamente todas as semanas morrem crianças com doenças várias. Alguns pais têm tido possibilidades de pagarem as despesas dos funerais. Outros, nem pensar. A precaridade de vida obriga-os a pedir dinheiro a amigos ou a uma instituição de apoio social para o pagamento do funeral da criança. E sabem por que razão o Estado não financiava a despesa dos funerais das crianças? Não acreditam. Porque era dito que as crianças nunca tinham descontado para a Segurança Social… Em boa hora, a luta de um casal que ficou sem o filho criança, tudo leva a crer que o Governo mude de atitude e comece a subsidiar os funerais das crianças… Ai, Portugal, Portugal…
Hoje Macau SociedadeÁgua | Cano partido interrompe abastecimento no centro da Península O rebentamento de um cano da rede de água canalizada interrompeu no domingo à noite o abastecimento de água na Rua de Sacadura Cabral, afectando os edifícios adjacentes. A Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau enviou para o local uma equipa de reparação e disponibilizou três pontos temporários de distribuição de água, com tanques em camionetas de caixa aberta, indicou ontem o canal chinês da Rádio Macau. Com o sinal nº8 emitido, devido à proximidade do tufão Talim, o primeiro do ano, os moradores da rua, que fica no coração da península de Macau, foram obrigados a encher baldes e recipientes com água para cozinhar, despejar sanitas e outras necessidades. Muitos dos residentes são idosos e viram-se obrigados a carregar baldes de água para apartamentos em prédios sem elevador. Um dos moradores ouvidos pelo canal chinês da Rádio Macau afirmou ter tomado duche no domingo à noite com água transportada dos tanques de abastecimento provisório, situação que se repetiu ontem. A empresa declarou que os trabalhos de reparação dos canos serão afectados pela passagem do tufão Talim e pediu desculpas pelo inconveniente causado aos moradores.
João Santos Filipe SociedadeÁgua | Autonomia de abastecimento passa para 12 horas A passagem do Tufão Hato colocou a nu as fragilidades do abastecimento de água em Macau e agora a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau está a trabalhar para preparar uma resposta mais eficaz em caso de desastres naturais [dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] território vai passar a ter uma autonomia de 12 horas no abastecimento de água, quando ocorrerem desastres naturais que danifiquem a rede. Actualmente a autonomia é de quatro horas, mas a Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) está a proceder a um estudo para expandir as instalações. O documento, que deve ficar pronto no próximo ano, vai depois ter de ser aprovado pela Direcção de Serviços dos Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). O andamento dos trabalhos foi explicado, ontem, por Nacky Kuan, directora-executiva da SAAM, à margem de um seminário organizado pela empresa sobre “abastecimento de água e plano de contingência durante catástrofes naturais”. “Queremos aumentar a autonomia dos serviços de água de quatro para 12 horas. Consideramos que 12 horas são suficientes para termos tempo de fazer as reparações necessárias e implementar o sistema de resposta em casos de emergências”, afirmou Nacky Kuan. Quando o tufão Hato passou por Macau, houve zonas do território que estiveram mais de 12 horas sem terem fornecimento de água. No entanto, a directora-executiva da SAAM frisou que os atrasos na reposição do abastecimento de água se ficaram a dever às dificuldades de acesso às instalações da empresa, que ficaram inundadas. “A autonomia de 12 horas tem como referência a legislação de países da União Europeia, como o Reino Unido. Os problemas e atrasos na reposição do serviço durante o tufão Hato não tiveram a ver com as obras de reparação da rede”, apontou. “Os principais problemas foram o transporte dos técnicos para a estação de abastecimento da Ilha Verde. Foi um processo que demorou cerca de quatro horas. Depois a estação estava inundada, tivemos de pedir ajuda aos bombeiros para resolver essa questão, porque não tínhamos electricidade para fazer com que as nossas bombas removessem a água da estação”, acrescentou. Nacky Kuan afirmou também que a empresa já implementou medidas para resolver esses problemas e aumentou a capacidades dos geradores para bombear águas. “Instalámos comportas nas nossas estações para prevenir as cheias. Claro que se a subida da maré for muito muito elevada ainda podem ocorrer inundações, mas se a altura for 1,5 metros, estamos bem preparados. Foram medidas temporárias que agora estamos a reforçar para serem permanentes”, clarificou. DSAMA à espera No evento esteve também presente o vice-director da DSAMA, Chou Chi Tak. O responsável explicou que o Governo está neste momento a aguardar pela proposta da SAAM sobre as medidas a adoptar para aumentar a capacidade. “A autonomia vai ser aumentada com a instalação de tanques elevados, por isso precisamos de esperar que a SAAM façam um estudo sobre todas as instalações do fornecimento de água e sugestão de futuras localizações para os tanques. Podem optar por construir os tanques novos ou expandir os actuais”, disse Chou Chi Tak. “Nesta altura temos dois tanques: um fica situado na Colina da Guia o outro na Colina da Taipa Grande. Só temos essas duas localizações e vamos ter de aguardar pela proposta da SAAM”, explicou sobre uma eventual abertura para instalar os tanques em áreas verdes, como Coloane. Chou Chi Tak sublinhou também que na preparação do mecanismo de resposta a situações de catástrofes, que o Governo está a trabalhar para alargar o âmbito da cooperação com as autoridades do Interior da China. Este é um trabalho que deve demorar tempo, mas Chou considerou haver uma boa base com o mecanismo utilizado durante o tufão Hato, quando Zhuhai enviou camiões cisterna para abastecimento de águas nas zonas afectadas.