João Santos Filipe Manchete PolíticaSubemprego | Pedido apoio a residentes com quebra de salários Num contexto em que os trabalhadores na área dos transportes e armazéns têm cada vez mais dificuldades em encontrar emprego a tempo inteiro, a deputada Wong Kit Cheng pede soluções ao Executivo A deputada Wong Kit Cheng pediu ao Governo para lançar novos apoios para fazer face à subida do subemprego, ou seja, das situações em que as pessoas trabalham menos horas do que as que desejam. O apelo foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa. “Embora a taxa de desemprego se tenha mantido num nível baixo, a taxa de subemprego registou um aumento significativo, verificando-se esta situação principalmente nos ramos dos transportes e armazenagem, das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas e do comércio a retalho”, descreveu a legisladora. “Isto demonstra, por um lado, que os trabalhadores residentes estão a enfrentar o problema de subemprego no mercado de trabalho, o que tem um impacto substancial nos seus rendimentos e, por outro, que a procura no mercado está a diminuir, sendo que os referidos sectores estão a deparar-se com dificuldades operacionais”, apontou. Segundo os dados citados pela deputada, entre Novembro do ano passado e Janeiro, a taxa de subemprego foi de 2,2 por cento, um aumento de “0,2 por cento” em comparação com o período anterior. A taxa de desemprego foi de 2,2 uma redução de “0,1 por cento”. Face a esta situação, Wong Kit Cheng pretende saber como é que o Executivo vai utilizar os planos de formação e a plataforma com a oferta de cursos de requalificação para providenciar um “apoio concreto para a mudança de profissão” e “planos de formação técnica”. A legisladora, ligada à Associação da Mulheres, pediu também ao Governo ajudas para quem não consegue encontrar uma profissão num sector diferente daquele em que trabalhava, antes de ficar numa situação com rendimentos reduzidos: “Quanto aos indivíduos que não consigam mudar de profissão devido à idade, ao nível de competências, ao contexto familiar ou a outros factores, o Governo deve resolver o problema de subemprego, através da conjugação de emprego e de outras medidas de apoio. Como vai fazer isto?”, questionou. Licenciados à vista Ao mesmo tempo, Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com os próximos meses devido ao ingresso no mercado do trabalho dos alunos do ensino superior que terminam os seus estudos e entram no mercado de trabalho. A deputada aponta assim que “a procura de emprego vai aumentar”, pelo que pede explicações de como o Executivo “pode planear melhor e implementar medidas adequadas para fazer face à situação” para “reduzir o desfasamento com as competências práticas exigidas no local de trabalho”. Wong pediu também a “divulgação das informações” sobre o mercado de trabalho para que haja uma “transição suave” para os recém-licenciados que entram no mundo do trabalho. “É uma questão que merece atenção contínua por parte das autoridades competentes”, vincou.
Hoje Macau PolíticaDemografia | População idosa atingiu mais de 15 por cento em 2025 A população idosa de Macau cresceu para 15,3 por cento em 2025, de acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A população da RAEM atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, mas com a população idosa a aumentar 0,7 pontos percentuais dos 14,6 por cento registados em 2024. Da população total, 80.300 eram jovens entre os 0 e os 14 anos (11,7 por cento) e 105.200 tinham 65 ou mais anos (15,3 por cento). Em 2025, registaram-se 2.870 nascimentos, e observaram-se 2.424 óbitos. Analisando as causas da morte, a DSEC refere que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores malignos”, seguindo-se “doenças do coração” e “doenças cerebrovasculares”. Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais. A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em Macau em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.
João Luz Manchete PolíticaAL | Orçamento reforçado para obras de “grande escala” O orçamento da Assembleia Legislativa foi alterado pela terceira vez, com um aumento de 31,4 milhões de patacas, para 255,4 milhões de patacas. O edifício da assembleia terá obras de “grande escala”, os serviços serão informatizados, e o orçamento com pessoal e formação também irá subir O orçamento da Assembleia Legislativa (AL) para 2026 vai ser rectificado, pela terceira vez, aumentando 14 por cento dos 224 milhões de patacas inicialmente propostos, para quase 255,4 milhões de patacas, ou seja, mais cerca de 31,4 milhões de patacas. A informação, publicada no portal da AL, consta de uma deliberação assinada pelo presidente do órgão legislativo, André Cheong, e os restantes membros da mesa. O aumento do orçamento para este ano foi justificado com a necessidade de obras no edifício, informatização, aperfeiçoamento de equipamentos e aumento das despesas com pessoal e formação. As duas rectificações anteriores envolveram apenas a transferência de verbas orçamentadas para outros gastos, sem alterar o valor do orçamento anual. As maiores despesas no extrato relativo à alteração do orçamento são relativas a “edifícios e estabelecimentos”, com uma despesa de quase 13,6 milhões de patacas, mais de um terço do valor total do aumento. A factura relativa a gastos com mobília está estimada em dois milhões de patacas, enquanto as despesas com equipamentos informáticos e sistemáticos estão orçamentadas em mais de 5,6 milhões de patacas, e para software e direitos estão destinados 9,3 milhões de patacas. Em relação aos custos com pessoal, a rectificação adiciona 2 milhões de patacas, subindo para 186,7 milhões patacas, o que representa um aumento de 1,08 por cento. Nesta área, os maiores aumentos são nas rúbricas das ajudas de custo diárias (+65,1 por cento) e ajudas de custo de embarque (+ 87,4 por cento). As causas Na lista de fundamentos para a rectificação orçamental para promover a “mudança do espaço de trabalho e das obras de remodelação do Edifício da AL”, os deputados começam por indicar que, apesar de terem um edifício próprio, sofrem com a insuficiência de espaço de trabalho. Como tal, ficam impedidos de “oferecer serviços mais diversificados de melhor qualidade”. Com a mudança do gabinete do presidente do Tribunal de Última Instância, prevista para este ano, que funciona no edifício do Fórum Macau, para as novas instalações na Avenida da Praia Grande, serão transferidos para o espaço vago no Fórum Macau cerca de 80 trabalhadores dos serviços de apoio da AL. Este volume representa cerca de dois terços dos recursos humanos da AL. A transferência irá implicar “obras fundamentais de remodelação” no Complexo do Fórum Macau, assim como a compra de equipamentos de escritório. Uma vez concluída a transferência, vão arrancar as “obras de remodelação e renovação em grande escala no Edifício da AL, em especial no primeiro andar, optimizando a configuração funcional”. O objectivo é criar novos espaços de trabalho com o intuito, como exemplificado pela mesa, de “reforçar a comunicação e ligação entre a AL e a população, especialmente a juventude, e melhorar a compreensão do público sobre as funções e trabalho concreto AL”. No capítulo da informatização, será criada uma plataforma para trabalhos internos para eliminar o uso do papel, assim como um sistema auxiliar com inteligência artificial e um sistema de gestão de gestão financeira electrónica. Além disso, o portal da AL será actualizado. Em relação à mão-de-obra, é indicado que o número de trabalhadores “vai aumentar ligeiramente” e serão organizadas mais sessões de formação internas.
Hoje Macau Manchete PolíticaGeopolítica | Alerta para impacto económico de conflitos internacionais Sam Hou Fai alerta para as “recentes alterações geopolíticas” e “conflitos internacionais” que constituem “ameaças ao desenvolvimento económico da cidade” O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, alertou ontem para as “perturbações na cadeia de abastecimento” e outros desafios que as recentes alterações geopolíticas e conflitos internacionais geraram enquanto ameaças ao desenvolvimento económico da cidade. Macau, “enquanto pequena economia aberta e fortemente dependente do exterior, enfrenta múltiplas incertezas e desafios”, afirmou Sam Hou Fai no discurso de abertura da primeira sessão de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Económico, apelando aos empresários presentes para que estejam preparados para os enfrentar e que incentivem ao investimento e diversificação da economia local, fortemente dependente da indústria do jogo. “Actualmente, no contexto da evolução acelerada e da transformação sem precedentes do último século em todo o globo, os conflitos geopolíticos continuam a intensificar-se, a recuperação económica mundial enfrenta entraves e diversos factores de incerteza, assim como se sobrepõem as perturbações nas cadeias de abastecimento, tornando o ambiente externo de desenvolvimento significativamente mais complexo, grave e incerto”, disse o chefe do Executivo. Sam Hou Fai indicou ainda que o Governo vai avaliar os “pontos de convergência” possíveis com o 15.º Plano Quinquenal do país aprovado este mês durante os encontros da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), denominados como “Duas Sessões”, em Pequim. Metas baixas A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4,5 por cento a 5 por cento para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade, e priorizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4,3 por cento em 2025, ultrapassando 63.600 euros, o segundo valor mais elevado da Ásia. No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB do território irá desacelerar para 4 por cento em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”. “Macau enfrenta numerosos desafios ao seu desenvolvimento, mas esperamos avançar em conjunto. A construção da Grande Baía avança com resultados bem visíveis, e a nova vaga de tecnologia tem injectado uma nova dinâmica de desenvolvimento. Devemos ter em consciência a adversidade prevenindo os riscos e avaliando o pulso do desenvolvimento nacional”, destacou Sam. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com um produto interno bruto (PIB) superior a um bilião de euros. “Espero que vocês, como empresários, estejam preparados para agarrar as oportunidades, reforçando o investimento em Hengqin de maneira a injectar nova vitalidade. Espero que possam também acompanhar de perto os assuntos de desequilíbrio e dificuldades enfrentados pelas Pequenas e Médias Empresas”, destacou. O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (Ilha da Montanha), adjacente a Macau, como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia da região administrativa especial. Aposta no futuro Criado em 2023, o Conselho de Desenvolvimento Económico de Macau, que ontem realizou a primeira reunião do ano, é um organismo consultivo do Governo da RAEM, cuja finalidade é disponibilizar pareceres e apresentar propostas sobre a formulação de estratégias para o desenvolvimento económico da região assim como políticas relacionadas com a economia. Além do Chefe do Executivo e do secretário para a Economia, o organismo inclui representantes de associações de interesses económicos e profissionais assim como “individualidades de reconhecido mérito” na respectiva área.
Hoje Macau PolíticaFutebol | Macau convoca jogador do Portimonense para FIFA Series A selecção de futebol masculina de Macau convocou Nuno Pereira, jogador do Portimonense, para a segunda edição da FIFA Series, anunciou na sexta-feira a Associação de Futebol da região chinesa. A capital do Ruanda, Kigali, irá acolher duas séries da competição amigável para selecções criada pela FIFA, incluindo a série B, que inclui Macau, Aruba, Liechtenstein e Tanzânia. A série B arranca a 26 de Março, com Aruba a defrontar Macau, enquanto Tanzânia enfrenta Liechtenstein. Três dias depois, os vencedores dos dois primeiros jogos encontram-se no Estádio Amahoro, o mesmo acontecendo com os derrotados. A segunda edição da FIFA Series vai contar com 36 selecções masculinas, divididas em oito séries, e 12 equipas femininas, divididas em três séries, uma das quais a realizar no Brasil. A selecção masculina de Cabo Verde vai participar na série organizada em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, que inclui, além da equipa da casa, Chile e Finlândia. A edição inaugural da FIFA Series, realizada em 2024 como um teste-piloto, tinha contado apenas com 24 selecções masculinas, divididas em seis séries, sem qualquer equipa feminina. Nuno Pereira, que actua no Portimonense, da II Liga de futebol portuguesa, é o único futebolista a actuar no estrangeiro que faz parte da lista de 30 jogadores convocados pelo seleccionador de Macau, Kenneth Kwok Kar-lok. A seleção masculina de Macau está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás de Macau, em 198.º.
Hoje Macau PolíticaNova feira comercial leva empresas lusófonas a zona económica especial O Governo de Macau disse à Lusa que uma nova feira comercial vai, em Outubro, ajudar empresas dos países lusófonos a explorar oportunidades de negócio na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha). O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) disse que irá levar expositores dos mercados de língua portuguesa e espanhola a eventos em Hengqin, “ajudando-os a identificar uma vasta gama de oportunidades de negócio”. Em 4 de Março, o IPIM referiu que vai organizar, entre 21 e 24 de Outubro, a Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX), em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos. Em resposta a questões da Lusa, o IPIM explicou que a PLPEX irá decorrer “em simultâneo e no mesmo local” com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), para “manter e evidenciar os elementos lusófonos”. Isto porque este ano não será realizada a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a MIF. A cada dois anos O IPIM sublinhou que esta feira sino-lusófona, cuja primeira edição decorreu em 2023, foi “concebida preliminarmente para se realizar de dois em dois anos”. Em Outubro de 2024, o então presidente do IPIM não confirmou se o certame passaria a ser bienal. “Temos ainda de discutir com os outros organizadores. Se tivermos bons resultados [em 2025], iremos avaliar”, disse à Lusa Vincent U U Sang. A nova feira comercial vai incluir espaços de exibição de “produtos e serviços de qualidade” dos países de línguas portuguesa e espanhola, assim como sessões de bolsas de contacto “para promover a cooperação empresarial”, disse o IPIM. O caderno de encargos do concurso para a coordenação da PLPEX prevê que a feira ocupe uma área de seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”. A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, sendo que 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento vindas de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”. O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos. A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha.
Nunu Wu Manchete PolíticaEconomia | Sugerida importação de gasolina sem chumbo 95 Nick Lei quer que o Governo assuma com maior acutilância o papel de supervisão e protecção dos direitos dos consumidores face às flutuações de preços dos combustíveis. Em virtude do aumento dos preços, o deputado sugere a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata, à semelhança das práticas do Interior da China Desde o início do ano, os preços dos combustíveis têm aumentado várias vezes, com a intensidade da inflação a intensificar-se desde a guerra do Irão. Tendo em conta esta realidade, Nick Lei defende que o Governo tem de assumir um papel mais determinante na supervisão da venda de combustíveis, de acordo com a lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, intervindo para impedir flutuações acentuadas ou excessivamente elevados. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou no sábado o preço médio da gasolina sem chumbo 98 subiu para 15,73 patacas por litro e que no espaço de uma semana, as gasolineiras impuseram aumentos sucessivos, com a média de um litro a passar de 15,09 para 16,01 patacas. Uma das formas de atenuar as flutuações de preços apontadas pelo deputado foi a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata do que a gasolina sem chumbo 98, permitindo alargar a escolha dos consumidores à semelhança do que se passa no Interior da China. Aliás, a possibilidade de passar a encher o depósito do outro lado da fronteira é um dos argumentos de Nick Lei. “No passado, não havia escolha possível, mas desde que passou a ser permitida a circulação de veículos com matrícula de Macau em Guangdong, muitos condutores passaram a abastecer lá”, vincou. Novas condições O deputado lembrou que o Governo já havia prometido incluir nos critérios de candidatura a concursos públicos para a concessão dos terrenos destinados a postos de abastecimento de combustíveis a exigência de fornecimento de gasolina sem chumbo 95 nos postos de venda. Com o desenvolvimento da Zona A dos Novos Aterros Urbanos em curso, Nick Lei sugeriu ao Governo que aplique esse critério para os postos de abastecimento de combustíveis que vão servir aquela zona da cidade. Outro argumento do legislador, prende-se com a transparência da forma como o preço dos combustíveis varia, em particular sobre as razões pelas quais, por vezes, os preços aumentam subitamente, mas baixam lentamente, raramente recuperando completamente. Como tal, Nick Lei gostaria de saber que princípios estão no cerne das flutuações de preços de combustíveis, entre a importação e a chegada às bombas de abastecimento. Além disso, como os combustíveis afectam quase todos os aspectos da economia e da vida da população, Nick Lei entende que o Governo deveria fazer mais para controlar os preços.
Hoje Macau PolíticaPlano quinquenal | Consulta pública arranca em meados de Abril A consulta pública sobre o terceiro plano quinquenal da RAEM vai começar em meados de Abril, indicou na sexta-feira o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, num discurso que proferiu numa sessão de “transmissão do espírito das Duas Sessões”. O governante apontou que a “elaboração e implementação científica” do terceiro plano quinquenal é “a primeira prioridade do Governo” este ano, e que o Governo fez “36 estudos prévios de projectos temáticos” que proporcionam “alicerces sólidos para a elaboração científica do plano quinquenal. “Trata-se de um assunto importante que nos diz respeito a todos. Espero que cada um de vós, senhores deputados e membros, e as associações de amor pela Pátria e por Macau, desempenhem um papel de liderança, promovendo a participação de toda a sociedade”, afirmou Sam Hou Fai dirigindo-se aos deputados da RAEM à Assembleia Popular Nacional, e membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Uma das “lições” aprendidas nas sessões de Pequim foi a necessidade de articular as linhas políticas do plano de governação de Macau com o 15.º plano quinquenal nacional. Sam Hou Fai garantiu que vai “persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo”, defender a segurança nacional e a estabilidade social e “promover o crescimento das forças patrióticas e pró-Macau.” Além disso, a interpretação do governante do espírito das Duas Sessões apontou para outras metas de longa data que Pequim indicou para a governação da RAEM, nomeadamente diversificar a economia e aprofundar a integração com Hengqin, lutar pelo “bem-estar da população com medidas pragmáticas” e “aproveitar o papel fundamental de Macau como uma janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”.
Hoje Macau Manchete PolíticaSegurança Nacional | Admitida limitação de direitos de defesa O deputado dos Operários Leong Sun Iok admite que os direitos dos arguidos vão ser limitados devido aos “interesses do Estado”, mas garante que os direitos de defesa vão ser respeitados Leong Sun Iok garantiu na sexta-feira que os direitos dos arguidos acusados em julgamentos de crimes contra a segurança nacional da China serão garantidos, apesar de limitações impostas pelos “interesses do Estado”. A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa finalizou na sexta-feira a apreciação da proposta de lei que reforça os poderes da Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE). O presidente da comissão, Leong Sun Iok, indicou aos jornalistas que os direitos do arguido, incluindo presunção de inocência “continuam a ser protegidos pela lei”, “incluindo poder contratar um advogado” ou ser designado um caso não consiga. No entanto, ressalvou o deputado, existem “limitações” aos direitos quando contrabalançados com “os interesses do Estado”. O documento prevê, por exemplo, que os juízes encarregues de processos ligados à lei de segurança nacional no território podem decidir manter a sessão do julgamento à porta fechada. A lei foi aprovada na generalidade pelo plenário a 10 de Fevereiro e vai ser agora enviada para votação na especialidade na Assembleia Legislativa. Caso seja aprovada, entrará em vigor no dia seguinte à publicação no Boletim Oficial de Macau. A pensar em Au As alterações poderão já ser aplicadas no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional, que entrou em vigor em 2009 e cujo âmbito foi alargado em 2023. Em 31 de Julho de 2025, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado e activista Au Kam San, cidadão português. Em 5 de Fevereiro, o director da Polícia Judiciária de Macau, Sit Chong Meng, garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San, mas até hoje não é conhecido o nome do advogado do ex-deputado, assim como também nada se sabe sobre a acusação nem quando será julgado. A lei, se aprovada na especialidade no plenário, vai reforçar a CDSE criada em 2018 para apoiar o líder do Governo na tomada de decisões relativas à segurança nacional da China. Esse organismo passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e ‘patriotismo’ das personalidades candidatas ao exercício de cargos de poder em Macau. A proposta de lei prevê que se existir a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado, o advogado deve obter a autorização do juiz antes de intervir no processo. Linha de defesa nacional Segundo as autoridades, esta alteração visa salvaguardar “a linha de defesa da segurança nacional, e não priva o direito de defesa do interessado, nem retira a qualificação profissional do advogado ou do mandatário judicial”. Os pareceres e as decisões da CDSE não poderão ser objecto de impugnação ou acção judicial, com a comissão parlamentar a considerar que isto é prática corrente “mesmo nos países ocidentais”. No entanto, as autoridades concordaram alterar a proposta de lei para passar a prever que só as decisões e os pareceres da própria CDSE é que não serão objecto de qualquer impugnação ou acção judicial.
Sérgio Fonseca Desporto PolíticaF1 | Construtores chineses avaliam entrada Nas vésperas do décimo nono Grande Prémio da China de Fórmula 1, a disputar no Circuito Internacional de Xangai, surgiu na imprensa internacional o rumor de que o gigante chinês de veículos eléctricos BYD está a analisar opções para entrar no automobilismo, tendo como hipóteses o Mundial de Formula 1 ou o Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC). Segundo a Bloomberg, a BYD estará “a analisar várias opções após o seu rápido crescimento fora do mercado doméstico e perante a contínua mudança das corridas de competição para motores híbridos”, citando fontes familiarizadas com o assunto que pediram anonimato. Até ao momento, não surgiu qualquer comentário oficial da BYD Auto Company Limited sobre estas informações. O momento é significativo. Os regulamentos da Fórmula 1 para 2026, apesar de controversos aos olhos de alguns pilotos, conseguiram atrair a alemã Audi e a norte-americana Cadillac para a grelha de partida. A Fórmula 1 vive actualmente um dos períodos de maior crescimento da sua história, conquistando novos mercados, incluindo o chinês, sobretudo junto das gerações mais jovens. O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Mohammed Ben Sulayem, não esconde a ambição de ver um construtor chinês no campeonato. Em declarações ao jornal francês Le Figaro, afirmou: “Tem sido o meu sonho, nos últimos dois anos, que os grandes países estejam representados na Fórmula 1. Os Estados Unidos estarão presentes com a General Motors. O passo seguinte é acolher um construtor chinês. Já temos um piloto”, acrescentou, numa referência ao piloto de reserva da Cadillac, Guanyu Zhou. Entre as opções em análise pela BYD estará tanto a criação de uma equipa de raiz como a aquisição de uma das onze existentes. Qualquer das vias implicaria um investimento considerável: a Cadillac pagou uma taxa anti-diluição de cerca de 3,6 mil milhões de patacas às equipas actuais apenas para entrar na grelha este ano. Além disso, o processo de entrada na Fórmula 1 é longo e complexo. O mais recente “Concorde Agreement”, em vigor até 2030, deixa, contudo, espaço para uma 12ª equipa. Passado nos ralis Fundada em 1995 na cidade de Shenzhen, a BYD ultrapassou recentemente a Tesla como principal fornecedora mundial de veículos eléctricos e tem vindo a expandir-se de forma agressiva na Europa, na América Latina e noutros mercados automóveis importantes. Ainda assim, existe a consciência de que falta à marca um historial de vitórias no automobilismo capaz de rivalizar com o prestígio das construtoras europeias, norte-americanas e japonesas. Tal como a compatriota Chery, o interesse da BYD no WEC, incluindo a possibilidade de desenvolver um protótipo Hypercar para as 24 Hours of Le Mans. já tinha sido noticiado no final do ano passado. Esta poderia ser uma forma relativamente mais acessível de entrar no automobilismo de alto nível, evitando um investimento demasiado elevado numa fase inicial. A BYD nunca esteve presente no Grande Prémio de Macau, mas possui algum historial no automobilismo chinês, sobretudo em provas de ralis. Em 2016, muito antes de o mundial de ralis (WRC) adoptar sistemas híbridos, a marca participou no Campeonato de Ralis da Ásia-Pacifico com um veículo híbrido, tornando-se o primeiro construtor automóvel a competir num rali sob a égide da FIA com uma viatura de motorização híbrida. Geely também está atenta Não é a primeira vez que um construtor chinês manifesta ambições de chegar à Fórmula 1. Ainda no ano passado, delegações do poderoso grupo Geely marcaram por diversas vezes presença no paddock do “Grande Circo”. A empresa, que mantém ligações estreitas com a Aston Martin e com a Mercedes-Benz, terá avaliado a possibilidade de entrar no campeonato através do “rebranding” de uma equipa já existente. Contudo, os representantes da Geely, cujo portefólio inclui a histórica Lotus, marca com um enorme legado na Fórmula 1, não conseguiram concretizar qualquer parceria que viabilizasse essa estratégia. G.P. China – Estatísticas A edição deste ano será a décima nona edição do Grande Prémio da China disputado no circuito de Xangai. A primeira corrida, vencida pelo brasileiro Rubens Barrichello, teve lugar em 2004. O evento manteve-se no calendário de forma ininterrupta até 2019, regressando posteriormente em 2024. Lewis Hamilton e a Mercedes detêm o recorde de vitórias no circuito chinês, com seis triunfos cada. O piloto britânico, agora a defender as cores da Scuderia Ferrari, é também o recordista de presenças no pódio, com nove, seguido por Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel, ambos com seis.
João Luz PolíticaRota das Letras | Cartaz dos últimos dias com teatro, poesia e cinema Com a última sessão marcada para o fim da tarde de domingo, o Rota das Letras tem uma programação recheada com mais de duas dezenas de eventos nos últimos três dias. Hoje, o dia arranca com três sessões simultâneas, às 18h30, em três espaços distintos da Casa Garden. Na sessão “Versos em Trânsito” o escritor chinês Lu Jian irá juntar-se aos autores locais Si Tou Chi U e Lei Ka Io. À mesma hora e local, Thomas Bird apresenta o livro “Harmony Express”, um testemunho pessoal da transformação do sistema ferroviário da China que aconteceu quase por acaso. Sem namorada, com uma banda de rock em dissolução e com o emprego como editor numa revista em Shenzhen no espelho retrovisor, as linhas de comboio passaram a ser as musas de Thomas Bird. Da vertigem da linha de alta velocidade entre Shenzhen e Xiamen, ao comboio de levitação magnética até Xangai, à travessia de Sichuan a bordo de um comboio a vapor, o autor traça um retrato de um país em transformação. À mesma hora, também na Casa Garden, João Miguel Tavares fala dos livros que têm o poder para marcar vidas. A programação do festival literário prossegue hoje à noite com uma proposta cinematográfica, com a exibição de “Restos do Vento” no Cinema Alegria às 21h15. O filme de Tiago Guedes tem como pano de fundo uma tradição pagã que se cumpre numa vila do interior de Portugal e a forma como afecta um grupo de jovens. A noite de hoje termina com uma festa de arromba no DD3, na Doca dos Pescadores, com a celebração dos 40 anos da RUC (Rádio Universidade de Coimbra), com o início das festividades marcado para as 23h. Fim-de-semana largo O dia começa amanhã com o festival literário na rua, com mais uma edição de “Um Passeio com História”, desta vez liderado por Jason Wordie, que promete relevar os segredos dos bairros antigos da cidade. O passeio tem como ponto de partida a Casa Garden às 11h. As hostilidades literárias de sábado na Casa Garden arrancam às 15h com a sessão “Escrever o Futuro”, conduzida por Wang Nuonuo que irá discorrer sobre “a importância da ficção especulativa num mundo em rápida transformação”. À mesma hora e local, está marcada uma sessão sobre a obra e influência de José Maneiras na arquitectura e gestão urbana de Macau, com Rui Leão, Luís Sales Marques e Jorge Neto Valente a conduzirem a conversa. A partir das 16h, arrancam mais três painéis no epicentro do Rota das Letras. Bi Feiyo e Xie Youshun vão discutir os limites entre escrita, humanidade e inteligência artificial. Também às 16h, a jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresenta o seu primeiro livro “O Lápis Vermelho: A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. À mesma hora, no auditório da Casa Garden é exibido o documentário “Maneiras”, realizado por António Sanmarful, sobre o pioneiro do modernismo arquitectónico do território. Às 17h segue-se a sessão “Do Engano ao Populismo. Paralelos e contrastes de como líderes carismáticos exploram o descontentamento social”, que irá incidir sobre os livros “José Sócrates: Ascensão”, de João Miguel Tavares, “Por Dentro do Chega”, de Miguel Carvalho, numa conversa entre os autores. À noite, é a vez do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau emprestar o palco à peça “À Primeira Vista”, com interpretação de Margarida Vila-Nova e encenação de Tiago Guedes. A peça terá duas sessões, amanhã às 20h30 e no domingo às 16h. O dia da despedida No domingo, o derradeiro dia da edição deste ano do festival literário, a primeira sessão, marcada para as 14h30, conta com um dos pólos do turismo sul-coreano: Sokcho. Elise Shua Dusapin vai discutir o legado cinematográfico da região, com base no seu primeiro romance. A palestra será um preâmbulo para a apresentação do filme baseado em “Inverno em Sokcho”, que terá lugar na Cinemateca Paixão, às 16h30. O legado europeu e celta na história de Hong Kong estará em evidência numa sessão dirigida por Mark O’Neill a partir das 15h. Meia hora depois, será a vez Dora Gago apresentar as múltiplas visões sobre a obra de Rodrigo Leal de Carvalho. O meio século da morte de Luís Gonzaga Gomes será o mote para a sessão que, a partir das 16h, irá focar-se no legado do “camonista de Macau”. O orador convidado é José Carlos Canoa. Às 16h45 de domingo será apresentado o livro “Fractures” de Carlos Andrés Gómez, que irá discutir identidade, masculinidade e o poder da poesia. Antes da derradeira sessão, haverá ainda tempo para apresentar obras lançadas pelo Instituto Internacional de Macau, como “Oseo Acconci e as suas obras”, de Jane Lei, ou “A Vitória de Macau” de Rodrigo de Matos”, e “A Canção de um Deslumbrante Poeta Menor”, de Lu Jian, com a chancela da Livros do Meio. O festival termina de forma apropriada, com uma sessão de poesia conduzida por Carlos Morais José, Carlos Andrés Gomez, Lu Jian e Yao Feng.
Nunu Wu PolíticaTrabalho | Poder do Povo volta a pedir substituição de TNR ao Governo A antiga Associação Poder do Povo, que mudou o nome para Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo a pedir ao Governo de Sam Hou Fai para apostar na formação de quadros qualificados entre os jovens locais. Apesar da mudança de nome, a associação continua a insistir na substituição de trabalhadores não-residentes (TNR). Na missiva entregue a Sam Hou Fai, o presidente da associação, Lam Weng Ioi, criticou o programa de captação de quadros qualificados por atribuir “centenas” de BIR de Macau por ano, quando existem trabalhadores locais que correspondem aos critérios do programa. O responsável mencionou o programa para a indústria de big health como exemplo da uma medida que não privilegia os locais, que tem como critérios dois anos de experiência profissional na área e formação universitária. Além disso, o dirigente pediu paciência às empresas, apelando à aposta em residentes recém-licenciados, e criticou a desactualização das políticas de gestão de TNR.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Preços a aumentar entre 1 e 17 por cento Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, e das restrições à navegação no estreito de Ormuz, também em Macau o preço dos combustíveis ficou mais caro. Segundo os cálculos feitos pelo HM, com base na informação divulgada pelo Conselho dos Consumidores (CC), que não é actualizada de forma regular, os preços cresceram entre 1 e 17 por cento. O maior aumento aconteceu ao nível da gasolina premium, nos postos de abastecimento da marca Shell. No dia 4 de Março, o litro de gasolina premium custava 15,42 patacas, mas subiu para 17,69 patacas, ao dia de ontem, uma diferença de 2,27 patacas por litro, ou 16,69 por cento. Em relação à outra operadora presente neste segmento do mercado de gasolina, a Esso, no dia 4 de Março o preço por litro era de 16,90 patacas, que aumentou para 17,10 patacas, ao dia de ontem, um crescimento de 29 avos ou de 1,1 por cento. No mercado de gasolina sem chumbo, os preços ficaram mais caros entre 1,3 por cento e 6,3 por cento. Os clientes da Nam Kwong sentiram o maior crescimento, tendo em conta uma comparação que começa a 28 de Fevereiro. Nesse dia, a gasolineira vendia o litro de gasolina sem chumbo por 14,20 patacas. No entanto, na quarta-feira, o litro da gasolina era vendido a 15,03 patacas, mais 89 avos, uma subida de 6,3 por cento. A marca tem dos preços mais baratos do mercado. Em relação à Caltex, existe um preço diferente no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, mais barato, face aos restantes. No primeiro caso, houve um aumento de 4,4 por cento do preço, de 14,06 patacas por litro, a 3 de Março, para 14,68 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 62 avos. Nos restantes postos, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro para 16,09 patacas por litro. Na Esso, a gasolina ficou 1,3 por cento mais cara, dado que a 4 de Março era vendida a 15,30 patacas por litro, e no dia 11 era comercializada a 15,50 patacas, um aumento de 20 avos por litro. Na Shell, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro, a 3 de Março, para 16,09 patacas por litro, a 11 de Março. Também a Total teve um aumento do preço de 5,6 por cento de 15,14 patacas por litro para 15,99 patacas por litro, um aumento 85 avos por litro. Diesel mais caro Em relação ao gasóleo, os aumentos para os consumidores variaram entre 2,4 por cento e 6,8 por cento. A Nam Kwong apresentou o maior preço para os clientes, com o litro a subir para 16,94 patacas, na quarta-feira, quando no dia 28 de Fevereiro era comercializado por 15,68, um aumento de 1,26 patacas por litro (6,8 por cento). Estes aumentos foram acompanhados de perto pela Caltex e Shell, com o preço do diesel a subir 6,7 por cento. No caso da Caltex, a maioria dos preços aumentou 6,7 por cento para 17,89 patacas por litro, a 11 de Março, quando a 3 de Março custava 16,76 por cento, com o preço do litro a ficar 1,13 patacas mais caro. A excepção foi o posto de abastecimento da Estrada Marques Esparteiro, onde o preço subiu 5,6 por cento, de 15,41 patacas por litro para 16,28 patacas (mais 87 avos). Na Shell os preços cresceram de 16,76 patacas por litro, a 11 de Março, para 17,89 patacas, uma diferença de 1,13 patacas por litro. Na Total o preço do diesel subiu 4,8 por cento, de 16,61 patacas por litro para 17,40 patacas, uma diferença de 79 avos. A Esso apresentou o menor crescimento, o que não significa que pratique os preços mais baratos. A 4 de Março, a gasolineira cobrava 16,60 patacas por litro, mas na quarta-feira o preço estava nas 17,10 patacas uma diferença de 2,4 por cento, ou 50 avos.
Hoje Macau PolíticaEmpresário propõe Macau como ‘hub’ da moeda chinesa para países lusófonos e hispanófonos Um delegado de Macau no maior órgão consultivo da China propôs transformar o território numa plataforma financeira de ligação entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, com medidas “para impulsionar a internacionalização do yuan chinês”. O objectivo é “estabelecer gradualmente em Macau um centro de fixação de preços offshore do yuan chinês face às principais moedas da América Latina”, afirmou o empresário Lao Ngai Leong, num discurso na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), em Pequim. Lao esteve presente na capital chinesa nas “Duas Sessões”, o maior evento político anual do país e em que se reúnem simultaneamente a Assembleia Popular Nacional (APN) e a CCPPC em Pequim. A iniciativa proposta por Lao visa reduzir a dependência das empresas de Macau em relação ao dólar norte-americano e mitigar os riscos cambiais associados, de acordo com o delegado. “Devemos apoiar as instituições financeiras de Macau para gerarem mercado para estas moedas, concedendo-lhes o necessário apoio de liquidez e benefícios fiscais”, defendeu ainda Lao Ngai Leong, propondo “estabelecer acordos directos de compensação com os bancos centrais do México, Chile, Argentina e Peru, os principais parceiros comerciais da China na América Latina”. O delegado propôs ainda a criação de um centro de compensação de yuan chinês para os países de língua portuguesa e espanhola na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa, no entanto, esse âmbito tem vindo a ser alargado para os países de língua espanhola nos últimos anos. O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada, adjacente a Macau, para diversificar a economia do território, com foco em tecnologia, finanças e turismo. “Este centro deve ter acesso prioritário ao Sistema Transfronteiriço de Pagamentos Interbancários e explorar ligações técnicas com sistemas locais de compensação na América Latina, como o PIX do Brasil e o SPEI do México”, referiu o empresário. Aposta nas infra-estruturas Em relação às infra-estruturas financeiras, Lao defendeu “uma melhoria dos mecanismos de interconexão” para tornar Macau “mais atractivo para o capital estrangeiro”, utilizando a ligação directa existente entre a Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau e a Unidade Central de Mercados Monetários de Hong Kong para emitir obrigações na moeda chinesa. “Esta iniciativa visa atraí-los [investidores estrangeiros] para investir em activos continentais de alta qualidade através do mercado de Macau, diversificando assim os canais para a repatriação do yuan chinês”, explicou. Lao citou dados que mostram que as trocas comerciais da China com os países de língua portuguesa atingiram 225,8 mil milhões de yuan em 2025. O comércio com a América Latina foi ainda mais substancial, ultrapassando os 518,5 mil milhões de yuan em 2024, prevendo-se um crescimento contínuo para 2025. “A China tornou-se o segundo maior parceiro comercial da América Latina e um dos principais mercados de crescimento”, sublinhou.
Nunu Wu Manchete PolíticaEconomia | Hengqin quer atrair lojas centenárias de Macau As autoridades de Hengqin querem atrair as lojas centenárias e com características de Macau para a Ilha da Montanha. Para tal, lançaram apoios como a entrega de um subsídio de 300 mil renminbis. As medidas foram divulgadas na quarta-feira, durante uma apresentação das novas políticas de apoio à economia, que decorreu no Centro de Convenções e Exposições IFC de Hengqin. O evento de quarta-feira visou informar a audiência sobre os benefícios para a economia dos novos apoios, que começaram a ser distribuídos no início do mês e se vão prolongar até ao final de 2029. Também como parte das medidas, consta a intenção de promover uma integração mais profunda entre Hengqin e Macau. É neste contexto que surgem os apoios para atrair para a Ilha da Montanha as lojas em Macau classificadas pelo Governo da RAEM como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” ou “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Segundo o Executivo, que atribui as distinções, as marcas centenárias são as que têm “um legado histórico centenário, uma base cultural profunda e distintiva e possuem técnicas únicas”. As marcas típicas têm “uma longa história” ou “produtos, técnicas ou serviços herdados e transmitidos de geração-em-geração”. Finalmente, a classificação das Lojas com Características Especializadas e Delicadas distingue as lojas com “boa qualidade e integridade” que obtêm “uma reputação favorável”. De acordo com as novas medidas aplicadas em Hengqin, se as subsidiárias destas lojas se estabelecerem no território e cumprirem os requisitos do programa, depois de operarem durante um ano têm direito a um apoio financeiro de 300 mil renminbis, pago de uma vez. As medidas de apoio visam também a economia de baixa altitude, como a distribuição de drones, passeios turísticos de helicóptero e espectáculos de drones. Tudo orquestrado Segundo o comunicado da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o chefe da Divisão de Cultura, Turismo, Convenções e Exposições e Comércio, Lam In Kit, destacou que as medidas estão alinhadas com os objectivos da segunda fase de desenvolvimento da zona de cooperação, que passa por uma melhor integração de Hengqin e Macau. O responsável apontou que as medidas constituem um sistema de apoios de “modernização industrial, diversificação negocial e actualização dos serviços”, que assim vai abranger mais pessoas e empresas, na esperança de que se injecte uma nova dinâmica na transformação de Hengqin numa Ilha Internacional de Turismo e Lazer e numa zona turística com classe mundial. Durante a apresentação das medidas, foi também anunciado que o acesso aos apoios para as Pequenas e Médias Empresas vão ser facilitados. No caso das PME com volumes de negócios de 300 mil a um milhão de renminbi, haverá um pagamento de um apoio no valor de 5 por cento do volume de negócios, que não pode ser superior a 50 mil renminbis. Se o volume de negócios ultrapassar um milhão de renminbis, as empresas podem obter um bónus de dez por cento do volume, limitado a um máximo de 100 mil renminbis.
João Santos Filipe PolíticaPrisão | Guarda aceitava subornos para deixar entrar bens O principal visado pela investigação do CCAC terá recebido “pelo menos” 17 mil patacas para deixar entrar produtos na prisão, que depois eram vendidos por um recluso, que lucrava com o esquema O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) anunciou ter descoberto o caso de um guarda prisional da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) que aceitava subornos para ajudar um recluso a “contrabandear produtos para o estabelecimento prisional”. A investigação focou também um outro guarda prisional, que está actualmente aposentado. “Na sequência da investigação, o CCAC verificou que o guarda prisional no activo terá aproveitado as suas funções para ajudar um recluso a contrabandear produtos para a zona prisional”, foi divulgado. Quando os bens chegavam ao recluso, este fazia a venda no interior da prisão para lucrar com a ilegalidade. “O recluso em causa pagou, através da sua esposa, ao guarda prisional um valor de pelo menos 17 mil patacas como contrapartida pela sua ajuda”, foi explicado. Este guarda prisional é suspeito da prática dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, que tem uma pena que pode chegar aos oito anos de prisão, e do crime de falsificação de documento, cuja penalização pode chegar aos três anos de prisão. A investigação não se ficou pelo suborno nem pelo contrabando no interior da prisão. As autoridades também anunciaram que o guarda prisional “já tinha cometido, por duas vezes, infracções por excesso de velocidade”. No entanto, foi descoberto que o guarda, “para se eximir das responsabilidades”, “terá recorrido a um membro da família e a um amigo para assumirem a culpa”. Os familiares e o amigo, que segundo a investigação foram utilizados como bodes expiatórios, são suspeitos da prática do crime de falsificação de documento, cuja pena pode chegar ao três ano de prisão. Outro envolvido Em relação ao segundo guarda prisional investigado, que agora se encontra aposentado, foi indicado que “terá prestado auxílio, durante a altura de exercício das suas funções, a um outro recluso no contrabando de produtos para o estabelecimento prisional”. Este guarda prisional foi ainda investigado por ter “ajudado” o recluso “a trocar mensagens, secretamente e por várias vezes, com a sua família”. Face à investigação, o aposentado é suspeito da prática do crime de abuso de poder, punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos. Segundo o CCAC, os casos foram encaminhados para o Ministério Público e comunicados à DSC. Em reacção à investigação, a DSC declarou estar “profundamente triste pelo facto de alguns guardas prisionais terem conscientemente infringido a lei e violado os seus deveres, prejudicando gravemente a reputação da polícia prisional”. A DSC indicou ainda que “leva este assunto muito a sério e cooperará plenamente com as autoridades judiciais na investigação criminal”. “A DSC reitera que tem tolerância zero para quaisquer violações ilegais ou disciplinares por parte de qualquer membro do pessoal e que irá lidar com elas de forma séria, de acordo com a lei, a fim de defender o primado da lei e manter a reputação e credibilidade do serviço correccional”, foi acrescentado.
João Santos Filipe Manchete PolíticaShuttle Bus | Governo diz que pediu mais serviços às operadoras Após a polémica com a falta de alternativas para assegurar os serviços shuttles dos condomínios, o Governo defende-se e indica que pediu às operadoras de autocarros públicos para disponibilizarem mais viaturas Em relação às dificuldades dos edifícios residenciais em disponibilizarem serviços de shuttle, o Governo indica que pediu às operadoras de transportes públicos para disponibilizarem mais autocarros. As explicações surgem numa resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng, que vem assinada por Chan U Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). As dificuldades de contratação de serviços de autocarros pelos condomínios dos grandes complexos habitacionais tornaram-se uma preocupação dos deputados, com a entrada em vigor da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico, onde consta a proibição das agências de viagem disponibilizarem este tipo de serviço de transporte. Agora o Governo vem dizer que pediu às operadoras dos autocarros públicos para disponibilizarem mais autocarros. “O Governo da RAEM, através de coordenação interdepartamental, promoveu junto das duas operadoras de autocarros o aluguer dos seus ‘veículos não operacionais’ para a prestação de serviços de transporte, com vista a dar resposta às necessidades de deslocação dos moradores dos complexos habitacionais em causa”, foi indicado. Ao mesmo tempo, o Governo defendeu que pediu mais autocarros a circular junto dos edifícios: “A DSAT solicitou ainda às operadoras de autocarros que reforçassem a atenção à situação de espera nas paragens na envolvente dos complexos, aumentando atempadamente a frequência dos serviços para melhor escoar o fluxo de passageiros”, foi acrescentado. Apesar da resposta, em que o director da DSAL cita a posição da DSAT, a questão do aumento dos custos do transporte não é abordada pelos governantes. Proibição anterior Quanto à proibição dos autocarros das agências de viagem serem contratados para este serviço de shuttle, o Governo insiste que a medida estava em vigor, ainda antes da nova lei, apesar da prática generalizada. “Entre 2015 e 2025, registaram-se mais de 140 procedimentos instaurados contra as agências de viagens que violaram as normas relativas ao uso de veículos, incluindo a prestação ilegal de autocarros de turismo como autocarros para trabalhadores ou como autocarros de ligação para os complexos habitacionais”, foi indicado. Os números apresentados representam uma média de 12,7 “procedimentos instaurados” por ano. “Enquanto entidade fiscalizadora, a DST tem supervisionado, nos termos da lei, a actividade das agências de viagens, e desde que se verifique a prestação ilegal de serviços por parte das agências de viagens, será instaurado o respectivo procedimento”, foi frisado.
Tânia dos Santos PolíticaO sexo e o amor no fim do mundo Uma das coisas que mais prazer me dá em escrever sobre sexo é que nos transporta para um universo de curiosidade e conexão sócio-cutural. É uma atividade séria e divertida, nem que seja para ver aquela cara trancada ficar ainda corada e desconfortável porque há menção a vulvas e pénis. O sexo tem essa qualidade: o seu secretismo torna a sua exposição sedutora. É um território cheio de minas, mas que só podemos evitá-las se a dançarmos aos pulos. Mas o mundo parece mais sombrio a cada dia que passa, e nem sei como me conectar com essa leveza. Já escrevi aqui várias vezes sobre acontecimentos da actualidade que me pareceram relevantes para discutir a temática da sexualidade. Sobre o estado dos direitos humanos, sobre o sexo como arma de violência, sobre a misoginia e desinformação como uma praga que nos afronta. Sobre os rapazes adolescentes que têm o desejo de matar raparigas, sobre as pessoas que são violadas e violentadas em Gaza, sobre as mulheres e homens que resistem às guerras neste mundo, sobre as mulheres que não conseguem acesso a um aborto seguro, nem quando disso depende a sua vida. Sobre a homofobia, a bifobia e a transfobia que está viva. Vivemos tempos tão esquisitos que custa pensar no sexo como algo divertido. Nem sei se temos o direito de nos divertir quando parece estarmos à beira de uma terceira guerra mundial. Ou talvez este seja o momento certo. Talvez a melhor forma de resistência seja pensar no prazer e na conexão quando tudo se desfaz diante dos nossos olhos. Eu escolho pensar ainda sobre sexo porque talvez o Freud tivesse razão. A pulsão sexual é a pulsão de vida – confusa e desorganizadora, mas com vitalidade e desejo. E diante da catástrofe, é no sexo que vejo um porto seguro. Fisiologicamente o acto sexual transporta para esse lugar de intimidade e conexão profundas. O contacto íntimo activa sistemas neuroquímicos associados à segurança e à vinculação. A libertação de oxitocina, endorfinas e dopamina durante a intimidade não é apenas uma questão de prazer; é também uma forma de regulação emocional. Num mundo saturado de ameaça, o corpo humano procura experiências que restabeleçam a sensação de segurança. Também é no sexo – e no amor – que consigo ver propósito identitário e político no caos. O sexo poderá ser contestado e fustigado de formas repreensíveis, mas é no sexo que também está a comunidade, essa coisa maior do que os próprios genitais. Quando bell hooks falava de amor, falava desse sítio que eu considero que o sexo se encontra. Um sítio que não é guiado pela emoção e atração somente, mas por escolhas que são eticamente informadas. Para a autora, amor não é uma experiência individual, mas um ato radical de ética social capaz de transformar as relações e a sociedade. Também Audre Lorde descreveu o erótico como uma forma de poder — não apenas sexual, mas existencial. Para ela, o erótico é aquilo que nos recorda que estamos vivos e que o prazer não precisa de pedir autorização ao mundo para existir. Talvez seja por isso que regimes autoritários sempre tenham tentado controlar a sexualidade: porque corpos que sentem prazer são também corpos que reclamam autonomia. Por isso, se vos pareço leviana porque as coisas do amor e do sexo sempre pareceram secundárias no grande esquema da vida, é porque não compreendem as minhas prioridades. Estou saturada do conflito e do sofrimento no mundo. Ando sedenta de uma boa notícia, de um desenvolvimento que contrarie o estado das coisas. Mas sabendo que tenho de viver no sítio que não quero ignorar, também me refugio nesta possibilidade de escrever sobre o sexo – como disse, de forma divertida e séria – como ato político de cuidado. Falar de sexo quando o mundo parece desabar não é necessariamente uma forma de distração. Pode ser exactamente o contrário: talvez seja uma maneira de lembrar que, enquanto houver corpos que procuram intimidade, ainda não desistimos completamente uns dos outros.
João Santos Filipe PolíticaNovo Bairro | Pedida maior circulação de empregadas domésticas A deputada Wong Kit Cheng está em Pequim, para participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), onde pediu que as empregadas domésticas contratadas em Macau possam trabalhar em toda a Zona de Cooperação, e não apenas no Novo Bairro de Macau Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau, defendeu a facilitação da política que permite aos residentes locais levarem as empregadas domésticas estrangeiras para a Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. A posição foi tomada por Wong em Pequim, onde se encontra a participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), como representante da RAEM. Segundo a sua intervenção, que foi partilhada através do portal da Associação das Mulheres, Wong começou por destacar a importância da implementação desta política, limitada ao Novo Bairro de Macau, e indicou que este resultado tido como positivo só foi possível devido aos governantes do Interior. No entanto, a legisladora sugeriu que o processo se torne mais abrangente, uma vez que actualmente só existem 62 trabalhadoras não-residentes a desempenhar funções de empregadas domésticas neste bairro de Hengqin, onde apenas podem viver residentes de Macau. Com base nos dados oficiais, Wong indicou que apenas 14 por cento dos residentes de toda a Zona de Cooperação Aprofundada recorrem a trabalhadores não-residentes contratados em Macau. Todavia, os estudos sobre o assunto, mencionados pela deputada, apontam que mais de metade dos residentes de Macau em Hengqin pretende recorrer a trabalhadores não-residentes contratados em Macau, em vez de mão-de-obra disponível no Interior. Próximo nível Com base no cenário descrito, Wong Kit Cheng indicou que a maior utilização de trabalhadores não-residentes contratados em Macau no Interior pode ser alcançada através de duas alterações nas políticas actuais. A primeira forma, passa por facilitar a circulação na Zona de Cooperação Aprofundada com as empregadas domésticas contratadas em Macau a poderem circular por toda a Zona, em vez de ficarem limitadas ao Novo Bairro de Macau. Segundo Wong, desta forma os residentes de Macau a viver e a trabalharem no outro lado da fronteira podem sentir melhor os benefícios das políticas nacionais. Em segundo lugar, a deputada ligada à Associação das Mulheres admite a criação de um novo sistema de segurança entre Macau e o Guangdong, para controlar as entradas e a circulação destas empregadas. Segundo Wong Kit Cheng, esse novo mecanismo permitiria aos residentes recorrerem a esta mão-de-obra, ao mesmo tempo que se mitigavam os riscos para a segurança no Interior. A deputada sublinhou ainda que um mecanismo deste género tem igualmente de garantir a protecção laboral destes trabalhadores.
Hoje Macau Manchete PolíticaMP | Assumido papel de interlocução entre a China e PLP Tong Hio Fong promete que Macau vai desempenhar o papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público (MP) da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos. Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa. O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover “prosperidade e estabilidade a longo prazo”. Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reacção às Duas Sessões, a RAEM será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa. O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspectiva de que Macau deve servir como “cabeça-de-ponte” para a abertura da China ao mundo lusófono. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023. Objectivo definido Segundo Tong, o objectivo é que Macau se afirme cada vez mais como “elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa”, contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’. Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluída a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola. Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde. De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Macau quer também começar a negociar um “acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial” com Portugal. No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal. Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa. O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República.
Nunu Wu PolíticaHong Kong | Roubados 10 milhões a residente de Macau e familiar Um residente de Macau e um familiar de Hong Kong foram alvo de um roubo de cerca de 10 milhões de dólares de Hong Kong, na sexta-feira, na estação do metro Sheung Wan. O caso foi revelado pela polícia de Hong Kong, e os ladrões detidos logo no local. Segundo a informação divulgada em conferência de imprensa, as vítimas foram roubadas por dois ladrões, depois de serem ameaçadas com uma faca. O roubo aconteceu logo depois de o residente de Macau e o familiar terem trocado moeda numa loja de câmbio em Hillier Street. Nessa operação, as vítimas trocaram dólares americanos e renminbi pelos 10 milhões de dólares de Hong Kong. Após o assalto, os ladrões foram detidos, porque os agentes apareceram rapidamente no local. Também um polícia interceptou um carro que se encontrava nas proximidades e deteve o condutor, que é tido como cúmplice dos detidos. O superintendente de polícia, Lo Ka Chun, revelou que durante o assalto e a detenção, apenas o residente de Macau ficou ferido, de forma ligeira, numa mão. Os ferimentos aconteceram durante a resistência inicial face ao roubo, e apesar de não serem graves, o residente de Macau foi conduzido ao Hospital Queen Mary. Lo Ka Chun reconheceu ainda que a polícia já tinha recebido uma denúncia para a possibilidade de uma associação criminosa estar a planear este roubo. Segundo a investigação inicial, os três detidos são portadores do bilhete de identidade de residente de Hong Kong e um dos deles tem passaporte filipino. Além disso, alguns detidos têm ligações com as tríades. Este é o terceiro caso do género, nos últimos três meses, em Sheung Wan.
Hoje Macau Manchete PolíticaCigarros | Governo quer proibição total de cigarros electrónicos A proposta de lei em consulta visa os cigarros electrónicos, as bolsas de nicotina e o tabaco para os cachimbos de água. Os infractores apanhados na posse destes produtos vão ter de pagar multas que chegam às 1.500 patacas O Governo de Macau apresentou na sexta-feira uma proposta de lei que prevê a proibição da posse e consumo de cigarros electrónicos, “face aos riscos associados à saúde pública”. Os Serviços de Saúde anunciaram o lançamento de uma consulta pública, entre 8 de Março e 8 de Abril, sobre a revisão da lei de prevenção e controlo tabágico. Desde 2018, que já é proibida em Macau a venda, publicidade e promoção a cigarros electrónicos. Em 2022, a região proibiu também o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte destes dispositivos. Mas o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde admitiu que os residentes têm continuado a usar cigarros electrónicos, que “devido ao seu tamanho reduzido são facilmente ocultáveis”. “Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, lamentou Lam Chong. “Algumas pessoas, depois de algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou, numa conferência de imprensa. Drogas ilegais Além disso, o dirigente alertou que os cigarros electrónicos têm sido usados “como utensílio” para o consumo de drogas ilegais, como o caso de uma nova droga sintética, conhecida como ‘petróleo espacial’. “A população, de modo geral, demanda o fortalecimento da fiscalização sobre o consumo dos cigarros electrónicos”, defenderam os Serviços de Saúde, no documento de consulta pública. O ‘petróleo espacial’, produzido a partir do anestésico etomidato, já terá causado pelo menos três mortes na região vizinha de Hong Kong. Em Macau, a primeira apreensão foi feita numa escola local, em Outubro de 2023. A substância é conhecida em Hong Kong como ‘droga zombie’ porque pode causar graves danos físicos e mentais, incluindo dependência, perda de memória, convulsões, perda de consciência e até morte. Os Serviços de Saúde sublinharam que a posse de cigarros electrónicos já está proibida em Singapura desde 2018 e que Hong Kong irá banir o consumo em locais públicos a partir de 30 de Abril. “Esperamos que a revisão possa entrar em vigor no próximo ano, embora vá haver um período de transição”, disse Lam Chong. Após a entrada em vigor, quem for apanhado em público com cigarros electrónicos, irá enfrentar uma multa de até 1.500 patacas. Cachimbos de água visados A proposta de lei prevê também a proibição do fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte na entrada e saída de Macau de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e tabaco ou pasta para cachimbos de água. O objectivo, explicou Lam Chong, é banir estes produtos alternativos de tabaco, que não são abrangidos pela actual legislação, “antes que se generalizem” no território, nomeadamente entre os jovens consumidores. O dirigente avisou que os fabricantes têm descrito estes produtos, de forma errónea, como “livres de tabaco”, “sem malefícios” ou como “substitutos saudáveis” dos cigarros convencionais. Lam deu como exemplo o consumo de um cachimbo de água durante 45 a 60 minutos, algo que disse ser “equivalente a fumar 100 cigarros”, com “uma maior quantidade de monóxido de carbono”.
João Luz Manchete PolíticaDuas Sessões | André Cheong diz que deputados não são “apenas espectadores” Todos os secretários e responsáveis de altos cargos da RAEM garantiram que vão “implementar seriamente o espírito das duas sessões nacionais”. O princípio da predominância do poder Executivo e a defesa da segurança nacional foram compromissos partilhados pelas principais figuras políticas da RAEM Depois das sessões inaugurais da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e do encontro da delegação da RAEM com Ding Xuexiang, membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China e Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado encarregado dos assuntos de Hong Kong e Macau, todas as principais figuras políticas locais garantiram que vão implementar o espírito das duas sessões. O presidente da Assembleia Legislativa (AL), André Cheong, afirmou que o órgão legislativo “vai tomar como orientação as declarações e instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi Jinping durante a sua visita a Macau e a Hengqin no final de 2024, (…) e estudar a fundo e implementar o espírito das duas sessões nacionais”. André Cheong indicou que a “Assembleia Legislativa tomará medidas concretas para concretizar o princípio da predominância do poder executivo, para não ser apenas um ‘comentador’ ou ‘espectador’”, com os deputados serem os representantes da opinião pública. O líder da AL salientou a responsabilidade dos deputados na salvaguarda da segurança nacional e no impulso ao desenvolvimento económico e social de Macau”. Além da segurança nacional, André Cheong apontou a necessidade produzir legislação que facilite a vida dos residentes de Macau que vivem ou trabalham em Hengqin, e o reforço da colaboração com os órgãos legislativos da Província de Guangdong e do Município de Zhuhai. Por seu turno, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, salientou que o sistema jurídico de defesa da segurança do Estado será aperfeiçoado e consolidado e que será “intensificada a educação do amor pela pátria e por Macau junto dos trabalhadores dos serviços públicos”. Cultura nacionalista Também a pasta da área dos Assuntos Sociais e Cultura sublinhou que “estudará com afinco o espírito das instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi durante as ‘Duas Sessões’, o relatório de trabalho do Governo, bem como as instruções do Vice-Primeiro-Ministro Ding”. A tutela liderada por O Lam apontou a importância do desenvolvimento integrado da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados. Neste ponto, o gabinete da secretária salientou a inclusão no 15.º Plano Quinquenal Nacional do desenvolvimento da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. No plano cultural, O Lam defende que a cultura deve “transmitir os valores essenciais do amor à Pátria e amor a Macau e contar bem a história de Macau”. Já a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, afirmou que a realização das Duas Sessões apontou o rumo para o desenvolvimento futuro de Macau, e que os tribunais da RAEM irão apoiar firmemente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM na sua governação”. A mais alta magistrada da RAEM afirmou ainda que “os tribunais da RAEM irão exercer o poder judicial nos termos da lei, pautando-se pelo conceito de justiça imparcial, apoiando firmemente o Chefe do Executivo na sua governação em conformidade com a lei. Além disso, os crimes contra a segurança nacional serão punidos “severamente”. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que a “predominância do poder executivo é a orientação das decisões do Governo Central que conta com a colaboração e o apoio do Governo da RAEM, da população em geral e dos diversos sectores da sociedade”. Mensagens semelhantes foram partilhadas pelos restantes secretários, e comissárias Contra a Corrupção e Auditoria, os Serviços de Alfândega e o Procurador do Ministério Público.
Olavo Rasquinho PolíticaAs tempestades e a falta de cultura meteorológica em Portugal Já muito se falou e escreveu sobre a tempestade Kristin que afetou Portugal na madrugada do 28 de janeiro de 2026, causando graves prejuízos, em especial nas regiões do centro do país. Começou como núcleo depressionário associado a uma depressão muito mais vasta, designada por Joseph, tendo sofrido uma diminuição brusca da pressão no seu centro, o que se pode classificar como ciclogénese explosiva, visto que a queda da pressão ultrapassou 24 hPa em 24 horas. Este fenómeno meteorológico é também designado por ciclone-bomba. Note-se que, na Europa, à semelhança do que é prática corrente nas regiões tropicais relativamente aos ciclones tropicais, são atribuídos nomes próprios às depressões sempre que se prevê que poderão ter impactos significativos. Esta prática foi iniciada pela Irlanda e Reino Unido, em 2015. Mais tarde, em 2017, Portugal, Espanha, França, Bélgica e Luxemburgo também passaram a elaborar listas de nomes próprios. Entretanto, outros grupos regionais foram formados, elaborando cada grupo a sua própria lista de nomes, alternadamente femininos e masculinos. O critério principal está relacionado com a severidade que justifique a emissão de avisos meteorológicos de nível laranja ou vermelho. Em Portugal, o principal parâmetro a considerar é o vento, podendo também ser justificação para avisos outras variáveis, como precipitação intensa e agitação marítima. Durante um período de algumas semanas, entre meados de janeiro e meados de fevereiro de 2026, ocorreu uma sequência inusitada de depressões às quais foram atribuídos nomes. Destacam-se, além de Kristin, as depressões Joseph e Cláudia que, embora tenham provocado estragos, não tiveram consequências tão acentuadas. Quando as depressões com nomes próprios não têm consequências significativas, os seus nomes permanecem na lista de acontecimentos futuros. Contrariamente, como no caso de Kristin, serão banidos e substituídos por outros. O facto de se ter formado um bloqueio anticiclónico entre a Gronelândia e a Península Escandinava, e o Anticiclone dos Açores se encontrar bem a sul do paralelo 40º N, fez com que se estabelecesse uma espécie de corredor nas vizinhanças deste paralelo, o que favoreceu o rápido percurso de oeste para leste de uma sequência de depressões em geral associadas a ondulações frontais. Habituados à amenidade do clima, os portugueses surpreenderam-se com a gravidade das consequências, que se traduziram no derrube de centenas de milhares de árvores, cheias, inundações, deslizamentos de terras, danificação de edifícios, postes de eletricidade, diques e outras infraestruturas. A região centro, que já havia sofrido graves danos com a passagem de uma depressão extratropical resultante do furacão Leslie, em 2018, foi a mais fustigada. As imagens de satélite da depressão Kristin apresentam uma configuração com o aspeto de gancho ou cauda de escorpião, o que denota a existência de uma forte corrente de ar descendente que se designa por “sting jet” (“sting” em inglês significa ferrão). Este tipo de corrente, ao atingir a superfície, origina ventos extremamente fortes, numa faixa de dezenas de quilómetros, frequentemente superiores ao grau 12 da escala de Beaufort (ventos superiores a 118 km/h). No caso da depressão Kristin, foram registadas rajadas superiores a 150 km/h, nomeadamente na Base Aérea de Monte Real, onde uma rajada atingiu valor superior a 170 km/h. Vem este texto não só a propósito da tempestade Kristin, mas também sobre a linguagem inadequada que se usa quando se fala do tempo e do clima. Num dos despachos assinados pelo Primeiro-Ministro (despacho n.º 1335-A/2026, de 4 de fevereiro) a tempestade Kristin é classificada como “fenómeno climatérico adverso”. Também no Despacho n.º 1218/2026 de 3 de fevereiro, referente à depressão Cláudia, assinado pelo Ministro da Agricultura e Mar, aquele fenómeno meteorológico foi também classificado da mesma maneira. Mesmo em documentos oficiais da União Europeia, as expressões “phénomenes climatiques défavorables” e “adverse climatic events” são traduzidas para português como “fenómenos climatéricos adversos”, o que se pode considerar, no mínimo, uma tradução inadequada. É o caso, por exemplo, da versão portuguesa do Regulamento (UE) 2021/2115 do Parlamento Europeu, relativo a regras para apoiar planos estratégicos a elaborar pelos Estados-Membros relativos à política agrícola comum. Ainda no âmbito das consequências da depressão Kristin, numa entrevista à CNN Portugal, em 4 de fevereiro de 2026, a Ministra do Ambiente e Energia referiu-se à tempestade declarando explicitamente “isto foi um furacão” e afirmando que se tratava de um “evento como não há memória”. Claro que se trata de afirmações feitas por alguém que não é especialista nas áreas da meteorologia e do clima. Seria conveniente, no entanto, um mínimo de coerência nas afirmações sobre eventos que caem no âmbito do seu ministério, que tutela o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e que, por sua vez, é a autoridade meteorológica nacional. Kristin não se pode classificar como furacão, pois trata-se de uma depressão extratropical. Na realidade, os furacões formam-se nas regiões tropicais e os processos de formação são distintos. Infelizmente a legislação portuguesa adotou a designação “fenómenos climatéricos adversos” para se referir a eventos meteorológicos com consequências devastadoras, evidenciando uma falta de cooperação entre os legisladores e o IPMA. Provavelmente este Instituto nem terá sido consultado sobre a tradução do documento da União Europeia atrás referido. Sobre a afirmação “evento como não há memória”, foi de facto um dos mais gravosos nas últimas dezenas de anos, mas ainda há cidadãos portugueses que se lembram do “Ciclone de 1941”, considerado a tempestade mais mortífera que afetou Portugal desde que se fazem observações regulares. Causou graves danos em todo o país, tendo provocado uma quantidade elevada de mortos, que se estima ter sido entre 150 e 200, não se sabendo o número exato devido à censura que caracterizava o regime então vigente. Outras imprecisões de linguagem ocorrem com alguma frequência. Por exemplo, não é raro ouvir e ver escrito “metereologia”, “metereologista”, “metereológicas”, etc., em vez de “meteorologia”, “meteorologista” e “meteorológicas”. Trata-se de uma falta de conhecimento da etimologia da palavra “meteorologia”, termo que designa a ciência que estuda a atmosfera terrestre. Entre outros assuntos, esta ciência estuda os meteorosi, os quais, segundo a Organização Meteorológica Mundial, se definem como sendo todos fenómenos observados na atmosfera que resultam da existência de partículas líquidas ou sólidas, ou de processos óticos ou elétricos. Provavelmente, devido a haver uma certa dificuldade em articular corretamente as sílabas da palavra “meteorologia” e seus derivados, e à tendência natural de simplificar a fala, alguns profissionais da comunicação social preferem recorrer à expressão “condições climatéricas” em vez de “condições meteorológicas”. Cometem, no entanto, um outro erro, atendendo a que pretendem relacionar a palavra “climatéricas” com o tempo que faz, ou fez, num determinado momento ou durante um período relativamente curto. São frequentes frases como esta: “o espetáculo foi interrompido devido às condições climatéricas”. Ora o termo “climatérico” poderá estar relacionado com o clima ou com o tempo, como mencionam alguns dicionários, mas esta expressão não é adequada para referirmos às condições meteorológicas num determinado momento, visto que “tempo” e “clima” têm significados diferentes. Quando pretendemos referir-nos ao tempo devem ser usadas as expressões “condições meteorológicas”, “condições atmosféricas”, “estado do tempo” ou simplesmente “tempo”. Quando falamos do clima de uma determinada região estamos a referir-nos às condições meteorológicas médias durante um vasto período, no mínimo de 30 anos. Ao escrever “metereologia” estamos a cometer um erro ortográfico, enquanto chamar “clima” ao “tempo” incorremos num erro semântico. O termo “climático” (e não “climatérico”) é mais adequado, quando nos queremos referir ao clima. Mais uma razão para não usar o termo “climatérico” consiste no facto de, no âmbito da medicina e da botânica, se referir, respetivamente, ao “período de transição fisiológica e psicológica que antecede e sucede a menopausa ou a andropausa” e ao “processo de maturação de certos frutos” (segundo os Dicionários Infopédia da Porto Editora). Em resumo, é de evitar termos, como “metereologia” (erro ortográfico) e seus derivados, e “climatérico” (erro semântico) sobre fenómenos meteorológicos como o que infelizmente é frequente em reportagens e em documentos oficiais. Por respeito à língua portuguesa e ao público em geral é fundamental que se recorra a termos precisos para evitar equívocos.