Indústria | Produção industrial na China cresce 4,1% em Abril

A produção industrial da China cresceu 4,1 por cento em Abril, em termos homólogos, representando uma desaceleração de 1,6 pontos face ao valor de Março, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) do país. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção industrial aumentou 5,6 por cento, abaixo dos 6,1 por cento registados no primeiro trimestre.

Dos três grandes sectores em que o GNE divide este indicador, o que mais aumentou a produção em Abril foi o de produção e fornecimento de eletricidade, aquecimento, gás e água (+5,3 por cento), seguido do sector manufatureiro (+4 por cento) e da indústria mineira (+3,8 por cento).

Entre os sectores industriais, a produção de equipamentos informáticos, de comunicações e outros equipamentos electrónicos cresceu 15,6 por cento em termos homólogos, à frente da indústria automóvel (+9,2 por cento) e da produção de material ferroviário, naval, aeroespacial e outros equipamentos de transporte (+8,2 por cento).

A produção de circuitos integrados aumentou 22,1 por cento em termos homólogos e a de robots industriais 15,1 por cento, enquanto a de veículos de energias renováveis avançou 3,8 por cento, para 1,29 milhões de unidades.

Como é habitual, os números revelaram um contraste marcado entre a evolução positiva do investimento em infraestruturas (+4,3 por cento) e na manufactura (+1,2 por cento) e o destinado à promoção imobiliária, que caiu 13,7 por cento.

19 Mai 2026

China vai adquirir 17 mil milhões de dólares por ano de produtos agrícolas aos EUA

A Casa Branca anunciou domingo que a China vai gastar pelo menos 17 mil milhões de dólares anuais em produtos agrícolas dos Estados Unidos em 2026, 2027 e 2028.

Em comunicado, a administração norte-americana indica tratar-se de um resultado das reuniões realizadas nos últimos dias entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o homólogo dos EUA, Donald Trump, adiantando que os vários acordos que assinaram “vão melhorar a estabilidade e a confiança para as empresas e os consumidores de todo o mundo”.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o país reduziu as suas exportações agrícolas para a China em 65,7por cento em 2025, após a imposição de tarifas recíprocas. Além de produtos agrícolas, Pequim comprometeu-se ainda a comprar 200 aviões Boeing para companhias aéreas chinesas.

Este lote de aeronaves promoverá a criação de “empregos bem remunerados e altamente qualificados no sector da indústria transformadora dos EUA” e permitirá aos cidadãos chineses viajar “em aviões fabricados nos Estados Unidos”, refere o comunicado.

Outros compromissos

Além disso, após as reuniões, a China renovou as licenças expiradas de mais de 400 matadouros nos Estados Unidos e retomou as importações de aves de capoeira de estados norte-americanos livres de gripe aviária “altamente patogénica”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Os dois países decidiram ainda criar duas novas instituições para optimizar a sua relação económica: “a Junta Comercial, para gerir o comércio bilateral de bens não sensíveis, e a Junta de Investimentos, que proporcionará um fórum intergovernamental para discutir questões relacionadas com o investimento”.

Concordaram igualmente que o Irão “não pode ter armas nucleares”, tendo defendido a reabertura do Estreito de Ormuz e reafirmado o seu objectivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte, sublinhou a Casa Branca.

Trump vai receber Xi em Washington este Outono e os países apoiar-se-ão mutuamente como anfitriões das cimeiras do G20 (fórum de cooperação económica entre as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo) e da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realizarão ainda este ano.

19 Mai 2026

Guangxi | Sismo de magnitude 5,2 faz dois mortos e um ferido

Um sismo de magnitude 5,2 na escala de Richter atingiu ontem o sul da China, causando dois mortos e um ferido, e obrigando à retirada de sete mil pessoas, informou a imprensa estatal. O abalo foi sentido em várias cidades de Guangxi, como Liuzhou, Guilin e a capital regional, Nanning, chegando mesmo até Hong Kong a 500 quilómetros de distância.

O epicentro do abalo ocorreu na província de Guangxi, às 00:21 locais, a uma profundidade de oito quilómetros, segundo o Centro de Redes Sismológicas da China. A agência de notícias oficial chinesa Xinhua avançou inicialmente duas mortes e uma pessoa desaparecida no condado de Liunan, que faz parte da cidade de Liuzhou.

A emissora estatal CCTV indicou posteriormente que as equipas de resgate localizaram a última pessoa presa nos escombros na área afectada da comunidade de Taiyangcun, às 11:10. De acordo com a estação, o sobrevivente foi resgatado em condição estável e levado para um hospital para tratamento.

O tremor foi sentido em várias cidades de Guangxi, incluindo Liuzhou, Guilin e a capital regional, Nanning, segundo os meios de comunicação estatais. O abalo também foi sentido em Hong Kong, a 500 quilómetros de distância, referiu a agência meteorológica do território semiautónomo.

Protocolos e réplicas

O Centro de Resposta e Socorro ao Terramoto de Liuzhou activou um protocolo de emergência após o sismo e coordenou os serviços de emergência, bombeiros e agentes de segurança pública para os esforços de busca, resgate e evacuação da população afectada.

As autoridades começaram também a inspeccionar casas, sistemas de abastecimento de água e eletricidade, estradas principais, pontes, minas e áreas com risco de desastres geológicos. Num balanço anterior, o chefe da polícia local afirmou que, até às 04:00, o sismo tinha provocado o desabamento de 13 casas e quatro pessoas foram levadas para o hospital, todas fora de perigo.

As autoridades acrescentaram na altura que mais de sete mil residentes tinham sido retirados e que as comunicações, a electricidade, o abastecimento de água, o gás e as estradas na área afectada estavam a funcionar normalmente.

Além do sismo principal, foram registados vários tremores secundários de menor intensidade. As autoridades reportaram cinco abalos de magnitudes entre 2,2 e 3,2 na escala de Richter antes e depois do tremor principal. O Centro de Redes Sismológicas da China registou um tremor secundário de magnitude 3,3 às 07:41, em Liunan, a uma profundidade de 10 quilómetros.

19 Mai 2026

Administração Trump “não gosta claramente” da UE

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou ontem que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, “não gosta” claramente da União Europeia (UE), pois receia que os 27 Estados-membros em conjunto possam tornar-se uma potência equivalente.

“Claramente não gostam da UE”, declarou Kaja Kallas, alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, numa entrevista realizada no âmbito da Conferência Lennart Meri sobre política externa e segurança, que decorre este fim de semana em Talin, capital da Estónia.

Kallas comparou esta atitude à da Rússia e da China. “É porque, se nos mantivermos unidos e actuarmos em conjunto, então somos potências equivalentes, somos fortes”, afirmou, advertindo que estas potências “querem desmantelar” o bloco comunitário.

Neste contexto, disse estar “muito preocupada” com a resposta de alguns países da UE, que transmitem a Washington a mensagem de que a relação é boa. “Se não gostam da UE, falem connosco [individualmente]”, permitindo assim que a estratégia de divisão dos Estados Unidos produza efeitos.

Outros temores

Por outro lado, a chefe da diplomacia europeia manifestou também preocupação com a tendência revelada pelas sondagens, segundo as quais a percepção pública europeia se torna cada vez mais crítica em relação a Washington, ao ponto de apenas 14 por cento considerarem os Estados Unidos um aliado. “Não nos devemos deixar levar por isso, precisamos uns dos outros. As nossas economias estão interligadas e a nossa segurança também”, sublinhou.

Kallas criticou também a posição norte-americana no âmbito das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, estagnadas há vários meses, considerando que esta passou por “pressionar a Ucrânia a ceder territórios que nem sequer perdeu militarmente”.

Guerra de sexos

De forma geral, acrescentou a alta representante, a estratégia de Trump – usada também em outras regiões do mundo – consiste em “fazer chocar as cabeças” dos rivais e impor-lhes a paz, mas, argumentou, “um conflito não termina sem aceitação social”.

Kallas considerou que, nesse sentido, é necessário lidar com as raízes do problema e garantir que exista justiça pois, caso contrário, uma parte da população “procurará vingança e o ciclo continuará”.

“Aliás, há também estudos que mostram que, quando as mulheres participam nas negociações, os acordos de paz são mais duradouros. E… a imagem que vimos das conversações entre os Estados Unidos e a China… havia muita masculinidade na sala, não era?”, comentou.

Quanto à estratégia adequada perante a guerra na Ucrânia, a alta representante insistiu na necessidade de se “continuar a pressionar a Rússia”, para que Moscovo perceba que a táctica de recorrer aos Estados Unidos para alcançar os objectivos não funcionou e que tenha de se sentar verdadeiramente à mesa das negociações com Kiev e com os europeus.

18 Mai 2026

Visita | Putin na China a partir de amanhã

O Presidente russo, Vladimir Putin, vai realizar uma visita à China amanhã e quarta-feira para reforçar a “parceria” e “cooperação” entre os dois países, anunciou sábado o Kremlin em comunicado.

Durante a visita, que ocorrerá poucos dias após a do Presidente americano, Donald Trump, o líder russo discutirá com seu homólogo chinês, Xi Jinping, formas de “fortalecer ainda mais a parceria abrangente e a cooperação estratégica” entre a Rússia e a China, lê-se no documento.

Segundo detalha, Putin e Xi “vão trocar opiniões sobre questões internacionais e regionais importantes” e assinar uma declaração conjunta no final das conversações. No âmbito da visita, está previsto um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, para discutir a cooperação económica e comercial entre Moscovo e Pequim, acrescenta.

Esta viagem do líder do Kremlin acontece numa altura em que os esforços diplomáticos, liderados por Washington, para encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia estão paralisados, em grande parte devido à guerra no Médio Oriente.

Uma breve trégua intermediada por Donald Trump permitiu uma pausa na campanha de bombardeamentos maciços longe das linhas da frente, mas os ataques foram retomados assim que expirou, na noite de segunda-feira. Parceiro económico fundamental da Rússia, a China é o maior comprador mundial de combustíveis fósseis russos, incluindo produtos petrolíferos.

18 Mai 2026

Diplomacia | China e EUA acordam aprofundar cooperação comercial

Após o encontro entre Xi e Trump em Pequim, os dois países comprometeram-se a dar seguimento aos acordos comercias já existentes e a criar novos canais para estimular o investimento bilateral

A China e os Estados Unidos acordaram continuar a implementar os acordos comerciais existentes e criar novos conselhos bilaterais de comércio e investimento, anunciou sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.

Após a cimeira entre os presidentes chinês e norte-americano, Xi Jinping e Donald Trump, em Pequim, e segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, as delegações dos dois países alcançaram “resultados positivos no geral”, incluindo o compromisso de continuar a aplicar “todos os acordos assinados durante as consultas anteriores”.

As duas potências decidiram ainda estabelecer um conselho de comércio e um conselho de investimento, numa tentativa de aprofundar os mecanismos de diálogo económico bilateral.

A diplomacia chinesa informou também que Pequim e Washington concordaram em abordar “as preocupações mútuas relativas ao acesso aos mercados agrícolas” e promover o crescimento do comércio bilateral através de “reduções tarifárias recíprocas”.

A cimeira de dois dias terminou sexta-feira com a partida de Trump de Pequim, após uma visita marcada por sinais de aproximação diplomática, mas sem avanços significativos nas principais divergências geopolíticas entre os dois países, incluindo a crise no Médio Oriente e a questão de Taiwan.

Trump classificou os entendimentos económicos alcançados como “fantásticos”, embora não tenham sido anunciados acordos concretos de grande dimensão nem detalhadas novas promessas de investimento chinês nos Estados Unidos.

O Presidente norte-americano viajou acompanhado de uma ampla delegação de empresários e dirigentes económicos, numa deslocação em que Washington procurava obter compromissos comerciais tangíveis, nomeadamente nos sectores agrícola e industrial.

Sem progressos

Até várias horas após a partida de Trump, não tinham sido divulgados novos acordos específicos. Vários analistas consideravam pouco provável que o encontro produzisse progressos substanciais nas questões mais sensíveis, mas acrescentavam que Trump necessitava de regressar aos Estados Unidos com sinais de estabilidade económica, numa altura em que enfrenta inflação persistente, a crise no Médio Oriente e a aproximação das eleições intercalares.

Pequim anunciou ainda que Xi Jinping realizará uma visita de Estado aos Estados Unidos no próximo Outono, a convite de Trump, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

Compras no pacote

A China anunciou um compromisso de princípio com os Estados Unidos para reduzir as tarifas alfandegárias sobre produtos de igual importância para ambos os lados e confirmou também a compra de aviões norte-americanos.

As duas maiores economias do mundo concordaram em reduzir as barreiras não tarifárias sobre determinados produtos agrícolas, incluindo o marisco e os produtos lácteos chineses, bem como a carne de bovino e de aves norte-americanas, além de expandir o comércio agrícola bilateral através de reduções tarifárias mútuas numa gama definida de produtos. O Ministério do Comércio chinês confirmou ainda um acordo referente à compra de aviões norte-americanos e à garantia de Washington de fornecimento de motores e componentes aeronáuticos à China.

Na sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o líder chinês Xi Jinping prometeu a compra de 200 aviões Boeing, número inferior às encomendas de 500 aparelhos 737 MAX e cerca de uma centena de modelos de longo curso (787 Dreamliner e 777) referidas pela imprensa nos últimos meses.

18 Mai 2026

Taiwan | Wang Yi diz que EUA compreendem posição chinesa e pede “acções concretas”

O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, declarou que os Estados Unidos (EUA) compreendem a posição de Pequim e rejeitam a independência de Taiwan, e pediu a Washington “medidas concretas” para garantir a paz.

Após a partida do Presidente norte-americano, Donald Trump, que esteve menos de 48 horas em Pequim, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês reiterou na sexta-feira que a questão de Taiwan é “a questão mais importante nas relações China-EUA”.

“Manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum para ambos os lados. O pré-requisito para isso é nunca apoiar ou tolerar a ‘independência de Taiwan’”, afirmou Wang, em declarações à imprensa.

O ministro indicou que, durante o encontro com o líder chinês Xi Jinping, ficou claro que os Estados Unidos compreendem a posição da China e valorizam as preocupações chinesas. Horas antes, Donald Trump referiu que não está a incentivar Taiwan a procurar a independência da China e garantiu que não deseja uma guerra com Pequim por causa deste tema.

“Não quero que ninguém se torne independente. E sabe que mais? Será que vamos viajar 15.300 quilómetros para travar uma guerra? Não quero isso”, sublinhou o republicano em entrevista à emissora norte-americana Fox News.

Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping terá avisado Trump de que a “má gestão” da questão pode levar a China e os Estados Unidos a um confronto ou mesmo a um ataque. Donald Trump confirmou na sexta-feira ter discutido com Xi Jinping a eventual venda de armas norte-americanas a Taiwan, mas afastou a possibilidade de um conflito iminente.

O chefe de Estado norte-americano afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a venda de armamento a Taiwan, uma medida fortemente criticada por Pequim, acrescentando que deverá decidir “em breve”.

18 Mai 2026

Agência Europeia e Academia Chinesa das Ciências lançam satélite SMILE

Com o satélite SMILE da Agência Espacial Europeia (ESA), cujo lançamento está previsto para terça-feira, será possível observar pela primeira vez o confronto entre os ventos solares e o escudo magnético da Terra.

SMILE – sigla de Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer – é uma missão preparada e desenvolvida em colaboração com a Academia Chinesa das Ciências (ACS).

Na terça-feira, às 05:52 de Paris, o satélite partirá do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do Vega-C, o lançador ligeiro da ESA. Inicialmente previsto para 09 de Abril, o lançamento foi adiado por razões técnicas. “O que queremos estudar com o SMILE é a relação entre a Terra e o Sol”, explica Philippe Escoubet, cientista do projeccto na ESA.

Os ventos solares têm origem nas ejecções de massa coronal (CME, na sigla em inglês) que ocorrem à superfície do Sol. Estas ejecções de plasma provocam fluxos de partículas que se propagam até à Terra a velocidades que podem atingir os dois milhões de quilómetros por hora.

Ao entrarem em contacto com o campo magnético do planeta, que funciona como um escudo, estes fluxos são em grande parte desviados. Porém, quando os ventos são intensos, partículas carregadas penetram na atmosfera terrestre e interagem com as partículas atmosféricas, dando origem ao conhecido fenómeno das auroras boreais.

Ao detectar a radiação X emitida quando as partículas carregadas do vento solar interagem com partículas neutras da alta atmosfera terrestre, os investigadores poderão estudar pela primeira vez, a partir do espaço, o escudo protector da Terra.

Graças ao SMILE, os investigadores poderão observar este fenómeno em dois locais privilegiados: a magnetopausa, isto é, a região onde o escudo do campo magnético desvia os ventos solares, e também os cornetos polares, acima dos polos, onde são visíveis os fotões de raios X, explica Dimitra Koutroumpa, investigadora do LATMOS, o laboratório Atmosphères Observations Spatiales do CNRS.

Quando estes ventos são particularmente fortes, podem provocar tempestades solares e representar um perigo para os satélites e outros equipamentos em órbita, como a Estação Espacial Internacional (ISS). Também afetam os sistemas de telecomunicações.

Desafios vitais

Melhorar os modelos que regem esta meteorologia espacial constitui, por isso, um desafio crucial em matéria de segurança para estas infraestruturas, bem como um objectivo científico de grande relevância. Na terça-feira, o satélite será inicialmente colocado a 700 quilómetros de altitude antes de prosseguir, pelos seus próprios meios, a viagem até alcançar uma órbita elíptica em torno da Terra.

Desta forma, sobrevoará o polo Sul a apenas 5.000 quilómetros de altitude – para poder transmitir os dados recolhidos para a base O’Higgins, na Antártida – mas atingirá os 121.000 quilómetros acima do polo Norte, obtendo assim uma visão global.

Esta órbita elíptica permitirá aos investigadores observar “regiões importantes do espaço próximo da Terra durante mais de 40 horas consecutivas”, refere a ESA.

O satélite transporta quatro instrumentos: um dispositivo de imagiologia de raios X (fabricado em Leicester, no Reino Unido), bem como um dispositivo de imagiologia UV, um analisador de iões e um magnetómetro, desenvolvidos pela Academia Chinesa das Ciências.

Todos os dados serão partilhados e disponibilizados tanto aos investigadores da ESA como aos da Academia Chinesa das Ciências. O SMILE terá capacidade para recolher os primeiros dados apenas uma hora após entrar em órbita. Está previsto que opere durante três anos e meio, período renovável uma vez.

18 Mai 2026

Cuba | Marco Rubio defende mudança dos dirigentes

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendeu ontem a mudança dos dirigentes cubanos, após a diplomacia dos Estados Unidos da América ter renovado na quarta-feira uma oferta de ajuda de 100 milhões de dólares.

O arquipélago de Cuba, localizado a 150 quilómetros da costa da Florida, enfrenta uma grave crise económica, agravada pela escassez de energia, que deixou novamente 65 por cento do país às escuras na terça-feira. Os líderes cubanos culpam as sanções americanas, mas Rubio, de ascendência cubana e crítico do regime comunista cubano, considera que o verdadeiro problema reside no próprio sistema político do país caribenho.

“É uma economia arruinada e disfuncional e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente”, disse o chefe da diplomacia dos EUA, que acompanha o presidente norte-americano, Donald Trump, na visita à China. Para Rubio é impossível “mudar a trajectória de Cuba enquanto aquelas pessoas estiverem no poder.”

Na semana passada, após uma visita ao Vaticano, o secretário de Estado norte-americano tinha afirmado que Cuba recusou a oferta de ajuda dos EUA, declaração negada por fontes diplomáticas de Havana.

Cuba acusou os EUA de serem responsáveis pela situação da rede eléctrica da ilha. As trocas de argumentos intensificaram-se nas últimas semanas entre os dois países, embora estejam em curso negociações e tenha havido uma reunião diplomática de alto nível em 10 de Abril.

15 Mai 2026

Encontro | Trump convida Xi a visitar Casa Branca a 24 de Setembro

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou ontem o homólogo chinês, Xi Jiping, a visitar a Casa Branca a 24 de Setembro, após considerar “extremamente positivas e produtivas” as discussões entre ambos em Pequim.

“Tenho a honra de o convidar e à senhora Peng para nos visitarem na Casa Branca a 24 de Setembro”, disse Trump, ao dirigir-se a Xi e à sua mulher, Peng Liyuan, durante o discurso no banquete de Estado realizado em Pequim, no âmbito da visita oficial do líder norte-americano à China.

Na sua intervenção, Trump descreveu as conversações que manteve com Xi Jinping antes como “extremamente positivas e produtivas”, no primeiro dia da cimeira bilateral. “Mais cedo hoje, tivemos conversas e reuniões extremamente positivas e produtivas com a delegação chinesa”, disse.

O líder republicano descreveu a relação entre os Estados Unidos e a China como “uma das mais importantes da história” e definiu-a como “muito especial”, brindando à “prosperidade” de ambos os países e a um futuro “promissor” para as relações bilaterais.

Trump também analisou diferentes episódios históricos para sublinhar os laços entre as duas nações e assegurou que a relação entre os dois povos foi construída sobre “250 anos de comércio e respeito mútuo”.

O Presidente norte-americano evocou referências históricas que vão desde a publicação de textos de Confúcio por Benjamin Franklin até à participação dos trabalhadores chineses na construção da ferrovia dos Estados Unidos ou ao apoio de Theodore Roosevelt à criação da Universidade Tsinghua, alma mater de Xi.

“Americanos e chineses partilham muitas coisas em comum. Valorizamos o trabalho árduo, a coragem e as conquistas. Amamos as nossas famílias e os nossos países”, disse Trump. “Temos a oportunidade de construir sobre esses valores para criar um futuro de maior prosperidade, cooperação, felicidade e paz para as nossas crianças”, acrescentou.

15 Mai 2026

Teerão autoriza passagem de navios chineses no estreito de Ormuz

As forças navais do Irão autorizaram desde quarta-feira a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, anunciou a agência noticiosa iraniana Tasnim. “Na sequência de uma decisão da República Islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o estreito de Ormuz no âmbito de protocolos de trânsito geridos pelo Irão”, informou a Tasnim, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A agência iraniana Fars divulgou com informações semelhantes, enquanto a televisão estatal do Irão referiu que “mais de 30 navios” receberam autorização para cruzar o estreito, sem especificar se pertencem exclusivamente à China.

A República Popular da China é o principal país importador do petróleo iraniano. As notícias foram divulgadas no dia em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou encontros em Pequim com o homólogo chinês, Xi Jinping, no âmbito de uma visita oficial que está a realizar à China.

Os dois líderes falaram esta quarta-feira sobre a situação no estreito de Ormuz, de acordo com a Casa Branca, a presidência norte-americana. Trump exige ao Irão o fim do bloqueio do estreito de Ormuz como uma das condições para cessar a guerra contra o regime da República Islâmica.

O Irão bloqueou o estreito por onde passa habitualmente 20% do comércio internacional de produtos petrolíferos em reação à ofensiva militar de que é alvo desde 28 de fevereiro por parte dos Estados Unidos e Israel.

O bloqueio iraniano à única ligação do golfo Pérsico com o mar aberto tem perturbado os mercados globais e conferido a Teerão uma vantagem estratégica, segundo a AFP. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos navios e portos iranianos, apesar de estar em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril.

A trégua foi mediada pelo Paquistão para permitir negociações entre Teerão e Washington, que foram infrutíferas até agora. A guerra causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, e afeta quase todos os países da região.

15 Mai 2026

Cimeira | Revitalização da China é compatível com movimento MAGA

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que as aspirações da “grande revitalização” da China são compatíveis com as de “tornar a América grande novamente”, como é conhecido o movimento MAGA (“Make America Great Again”) promovido por Donald Trump.

Na abertura do banquete de Estado durante a visita oficial do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, Xi traçou paralelos entre o plano para os próximos 15 anos, de “avançar a modernização da China através de um desenvolvimento de alta qualidade”, e a celebração dos 250 anos de independência dos Estados Unidos e o espírito de “patriotismo, inovação e pioneirismo” que representa.

“Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, defendeu.

Mais tarde, Trump brindou à “prosperidade da China e dos Estados Unidos” e a um futuro “promissor” para as relações amistosas entre os dois países, enquanto Xi afirmou que ambos acreditam manter a “relação bilateral mais importante do mundo”. “Temos de garantir que funciona e nunca se estraga”, disse Xi, no final do primeiro dia de visita oficial de Trump.

O jantar de gala realiza-se num salão do Grande Palácio do Povo e entre os participantes encontram-se altos funcionários de ambos os países, bem como empresários de grandes empresas chinesas e norte-americanas.

Trump enfatizou o “laço de respeito” entre os dois países, que pode ser rastreado até à origem dos Estados Unidos, e afirmou que é “uma das relações mais transcendentais da história” e que definiu como “especial”.

“Ambos valorizamos o trabalho árduo, o valor, a coragem e a conquista”, disse Trump, acrescentando: “Ambos temos a oportunidade de nutrir esses valores para criar um futuro de grande prosperidade, cooperação e felicidade”. A visita de Trump prossegue esta sexta-feira com um almoço de trabalho.

15 Mai 2026

Cimeira Xi-Trump | Analista destaca a tentativa de evitar a escalada de conflitos

O HM convidou o analista e especialista em assuntos da China, Jorge Tavares da Silva, a comentar a visita de Donald Trump à China. O professor da Universidade da Beira Interior entende que, nestes dias, “a China vai aproveitar a oportunidade de diálogo para cooperar, estudar a posição norte-americana e defender o seu próprio posicionamento”, sendo que esta cimeira é como as “conversas de um casal em fase de divórcio, mas que ainda precisa de falar”. Serve, sobretudo, “para acertar posições e, sobretudo, evitar a escalada de um conflito entre os dois lados”, adiantou.

“Em cima da mesa estão temas como ajustamentos no domínio comercial, o acesso a terras raras e a venda de semicondutores avançados, bem como a eventual criação de um ‘conselho do comércio’ e a redução — ou pelo menos não aumento — de algumas tarifas. Os dois países procuram, acima de tudo, gerir a tensão sem a agravar, num equilíbrio cada vez mais frágil entre competição e interdependência”, considerou Jorge Tavares da Silva.

Neste contexto, Trump “poderá precisar de apresentar algum resultado com impacto interno, capaz de atenuar a onda de descontentamento e reforçar a sua posição política doméstica”, defendeu.

Agenda Médio Oriente

Entretanto, e relativamente ao conflito no Médio Oriente, que tem gerado uma crise energética mundial e tensões no Estreito de Ormuz, “não se espera nada de substancial”. Na visão de Jorge Tavares da Silva, “parte do envolvimento dos Estados Unidos no Médio Oriente pode trazer vantagens para a China”.

“Os Estados Unidos reduzem o seu envolvimento e atenção no espaço asiático, o que é favorável a Pequim. A posição chinesa deverá manter-se na sua linha habitual: defesa da paz, apelo ao fim das hostilidades e ao entendimento entre as partes, ao mesmo tempo que mantém um apoio informal ao Irão enquanto parceiro estratégico”, disse ainda.

Na mesma altura da visita de Trump à China foi lançado o relatório “Achievements, Opportunities, and Prospects of China-Arab Cooperation in the New Era” [Conquistas, oportunidades e perspectivas da cooperação entre a China e os países árabes na nova era], por parte do Xinhua Institute, um “think-tank” ligado à agência Xinhua.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira a propósito deste documento, lê-se como o país pretende “construir uma comunidade China-Árabe com um futuro partilhado na nova era promovendo a cooperação em vários domínios”, isto desde que se realizou, em 2022, a primeira Cimeira China-Estados Árabes.

Tendo em conta o actual desenvolvimento tecnológico, a China diz estar “a trabalhar activamente com os Estados árabes para promover projectos de cooperação emblemáticos em áreas relacionadas com a inovação”, lê-se no relatório.

Fragilidades e cedências

Tendo em conta outro tópico da agenda desta cimeira – a questão de Taiwan – Jorge Tavares da Silva adiantou que face à “posição relativamente fragilizada de Donald Trump nesta deslocação, em parte devido ao seu envolvimento no conflito no Irão”, poderão ocorrer “margens de cedência à China em algumas matérias”.

Uma das áreas onde pode haver cedências será “a questão da venda de armamento a Taiwan, caso seja possível obter contrapartidas noutros domínios, como o acesso a terras raras, um eventual recuo ou abandono do programa nuclear iraniano, ou o aumento das compras de produtos norte-americanos”.

“Trata-se, no entanto, de um quadro marcado por elevada imprevisibilidade na postura dos Estados Unidos, o que impede excluir, à partida, possíveis ajustamentos na abordagem à questão de Taiwan”, concluiu o analista.

15 Mai 2026

Ásia | ONU critica Pyongyang por investir em armas em vez de serviços sociais

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos criticou ontem a Coreia do Norte por dar prioridade ao investimento militar em detrimento dos serviços sociais necessários no país, durante uma visita oficial à Coreia do Sul.

“Estou particularmente preocupado com a extrema prioridade atribuída aos investimentos em segurança e defesa, em prejuízo dos serviços sociais e do desenvolvimento sustentável que são desesperadamente necessários” na Coreia do Norte, afirmou Volker Turk aos jornalistas, em declarações divulgadas pelo seu gabinete.

O alto-comissário considerou que o país, que classificou como hermético, vive uma situação de “crise de direitos humanos” e afirmou que o seu gabinete documentou abusos que poderão constituir “crimes contra a humanidade”.

“É evidente que tem de haver responsabilização sob todas as formas, incluindo não judiciais, pelas graves violações que assolaram a República Popular Democrática da Coreia [designação oficial da Coreia do Norte] durante décadas”, declarou o alto-comissário. Ainda assim, Turk incentivou à procura de vias de contacto com as autoridades norte-coreanas sempre que possível, com o objectivo de criar espaços de diálogo e promover a confiança.

Nesse sentido, saudou a notícia de que a equipa de futebol norte-coreana Naegohyang FC vai disputar, em 20 de Maio, na Coreia do Sul, a fase final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol (AFC), defrontando nas meias-finais uma equipa sul-coreana, após oito anos sem visitas desportivas de Pyongyang ao país vizinho.

“São necessárias medidas urgentes para encontrar formas de trocar cartas, retomar os contactos e os reencontros familiares, e divulgar informações que permitam esclarecer o paradeiro e o destino das pessoas desaparecidas e sequestradas”, sublinhou o alto-comissário. Turk chegou terça-feira à Coreia do Sul para uma visita de três dias.

14 Mai 2026

Japão | Softbank quadruplica lucro para 27.045 ME

O grupo japonês Softbank quadruplicou o lucro líquido, atingindo 5.002 mil milhões de ienes (cerca de 27,045 mil milhões de euros), no exercício fiscal de 2025, encerrado em Março passado, anunciou ontem o grupo.

O Softbank, que tem apostado fortemente na Inteligência Artificial (IA), registou 7,3 biliões de ienes (cerca de 39.463 milhões de euros) em ganhos de investimentos durante o último exercício, que decorreu de Abril de 2025 a 31 de Março, de acordo com o relatório financeiro do grupo.

O resultado operacional líquido (EBIT) da empresa foi de 6,1 biliões de ienes (cerca de 32.990 milhões de euros), o que representa um aumento de 259,9 por cento. O volume de negócios do conglomerado aumentou 7,7 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 7,8 biliões de ienes (cerca de 41.650 milhões de euros).

O aumento dos lucros em 334 por cento é justificado pelo grupo principalmente com os investimentos multimilionários na OpenAI, a criadora do ChatGPT, que ascenderam a 6,7 biliões de ienes (cerca de 36.220 milhões de euros).

A SoftBank, cuja participação na OpenAI estaria avaliada em cerca de 55.000 milhões de dólares, tem centrado os seus investimentos em indústrias de inteligência artificial, como o sector dos semicondutores e os centros de dados.

14 Mai 2026

Laboratório China-Portugal com impacto na saúde pública global

Uma investigadora do Laboratório Conjunto China-Portugal para Inteligência Artificial e Tecnologias da Saúde Pública disse ontem à Lusa que o projecto está a ter “impacto directo na saúde pública global”, com várias inovações de combate a epidemias.

“Este laboratório é a prova de que a ciência pode ser um elo de ligação entre culturas e sistemas de saúde distintos,” afirmou à Lusa Lara Lopes, também directora clínica do Hospital de Medicina Chinesa em Portugal.

Segundo a investigadora, o objectivo é desenvolver “soluções práticas, acessíveis e eficazes para responder às necessidades reais das comunidades lusófonas”, através de “tecnologias simples, de baixo custo e com capacidade de resposta rápida, desenhadas para contextos onde os recursos são limitados, mas a urgência é elevada”.

Criado em Dezembro de 2024, o laboratório resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento, a Universidade de Medicina de Guangzhou, o Laboratório Nacional de Guangzhou e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O laboratório opera em regime de co-gestão, com equipas em Lisboa, Porto, Coimbra, e nas cidades chinesas de Macau, Cantão e Chengdu.

A missão é integrar dados multimodais, desenvolver tecnologias de previsão epidemiológica e diagnóstico de precisão, além de construir uma plataforma inteligente para a prevenção e controlo de epidemias relevantes para os países de língua portuguesa.

Segundo comunicados anteriores, trata-se do único laboratório do género a ligar instituições de investigação da China com um país da Europa ocidental.

A directora do laboratório indicou à Lusa que o projecto já desenvolveu uma linha de produtos de saúde pública classificados como soluções de baixo custo e operação simplificada, destinadas sobretudo ao Brasil e aos países lusófonos em África.

“O laboratório está a introduzir esta linha também na própria China, numa rara inversão do fluxo tecnológico habitual”, destacou, sublinhando que a decisão reconhece Portugal como uma porta de entrada da China para a Europa e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Referências mundiais

A investigadora destacou a tradução para português de um manual clínico do Oitavo Hospital Popular da Dengue de Guangzhou, e que apresenta “uma taxa de sucesso de 98 por cento em casos graves, integrando diagnósticos de medicina chinesa e ocidental”.

“A experiência clínica do Hospital (…) é, em volume e em resultados, a referência mundial em dengue. Receber este protocolo em português, formar os nossos clínicos e construir a partir daí um circuito de gestão integrada para Portugal e países lusófonos é um ganho concreto de saúde pública”, indicou Lopes.

O protocolo, que integra medicina convencional e tradicional chinesa, foi traduzido para português e está a ser distribuído a profissionais de saúde em Portugal, nos seis Estados-membros da CPLP em África e junto da comunidade clínica brasileira.

O laboratório desenvolveu também um sistema de testes modular descrito como um “laboratório numa mala” recarregável via USB, e desenvolvido especificamente para deteção de vírus (Gripe, covid-19, Nipah) em países lusófonos com infraestruturas limitadas.

Outras descobertas incluem um “repelente fitoaromático puro, sem químicos sintéticos e já em distribuição internacional”, uma máquina integrada de previsão epidemiológica, capaz de prever surtos em tempo real com base em dados multimodais, e um robot de triagem para doentes febris.

14 Mai 2026

China e Estados Unidos iniciam discussões comerciais na Coreia do Sul

Delegações chinesa e norte-americana iniciaram ontem discussões económicas e comerciais na Coreia do Sul, antes da chegada do Presidente norte-americano Donald Trump à China, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As conversações decorreram no aeroporto de Incheon, perto de Seul, segundo a mesma fonte, e antecederam os encontros entre os líderes dos dois países, agendados para quinta e sexta-feira em Pequim.

A presença do vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e do secretário norte-americano do Tesouro Scott Bessent foi confirmada na Coreia do Sul. As relações comerciais deverão dominar as reuniões em Pequim entre os dirigentes das duas maiores economias mundiais.

Em 2025, Estados Unidos e China envolveram-se numa intensa guerra comercial com repercussões globais, marcada pela imposição de tarifas alfandegárias elevadas e múltiplas restrições, após o regresso de Trump à Casa Branca. Trump e o homólogo chinês Xi Jinping concluíram em Outubro uma trégua temporária, cujos desenvolvimentos deverão estar em destaque nas próximas discussões.

Comércio em foco

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

Vários analistas apontaram igualmente para a possibilidade de criação de um comité bilateral de comércio, destinado a facilitar trocas em áreas consideradas não sensíveis, como a electrónica de consumo. O domínio da China na produção de terras raras, essenciais para indústrias tecnológicas e de defesa, deverá ser um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Estes recursos são fundamentais para cadeias de abastecimento globais, desde a electrónica de consumo até aos sistemas militares avançados.

14 Mai 2026

Governo da China saúda visita do Presidente Donald Trump ao país

Donald Trump chegou ontem à noite a Pequim para uma visita oficial de três dias. Hoje encontra-se com Xi Jinping

A China saudou ontem a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou ontem ao país asiático para uma visita oficial, desejando reforçar a cooperação para injectar “mais estabilidade” nas relações internacionais. “A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para “expandir a cooperação e gerir as diferenças, trazendo assim mais estabilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa regular.

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), publicou ontem um editorial afirmando que a relação entre a China e os Estados Unidos “não pode voltar ao passado” e pode ter “um futuro melhor”, apresentando a cimeira como uma oportunidade para ambas as potências trazerem “estabilidade” a um mundo “turbulento”.

Trump viaja com um grupo de selectos executivos nortes-americanos, incluindo Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Larry Fink, da BlackRock; Kelly Ortberg, da Boeing; e executivos de empresas como a Mastercard, Visa, Goldman Sachs e Meta. O encontro dos dois líderes foi precedido pelas negociações económicas e comerciais que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizaram ontem em Seul.

No entanto, o editorial do Diário do Povo enquadrou o encontro como parte de uma diplomacia entre líderes que funciona como “âncora” para a relação, argumentando que cada novo encontro entre Xi e Trump pode ajudar a garantir que os laços “não se desviem do rumo e não percam o ímpeto”, ao mesmo tempo que alertou que Taiwan é “a linha vermelha” nas relações bilaterais.

Segurança reforçada

Pequim amanheceu ontem com sinais visíveis da visita de Trump: bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo da estrada para o aeroporto, uma presença reforçada de segurança em vários pontos da capital e postos de controlo em vários locais relacionados com a agenda do Presidente norte-americano.

A segurança foi especialmente reforçada em redor do Hotel Four Seasons, junto à Embaixada dos EUA e onde Trump ficará hospedado, com presença policial nas proximidades, bem como medidas de segurança visíveis em importantes cruzamentos da cidade, onde alguns militares estão em constante vigilância.

A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes.

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

14 Mai 2026

Malásia | 14 desaparecidos após naufrágio de embarcação

As autoridades da Malásia estão à procura de 14 pessoas desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação que alegadamente transportava migrantes indonésios sem documentos, ocorrido na segunda-feira no estado de Perak, no noroeste do país.

“O alerta para o naufrágio, que ocorreu na segunda-feira de manhã, foi dado por um pescador local que avisou as autoridades para a presença de várias vítimas a flutuar no mar”, segundo o diretor da Guarda Costeira de Perak, Mohamad Shukri bin Khotob.

Após o alerta, foi iniciada uma operação de busca e salvamento, com o apoio da Polícia Marítima, da Marinha Real da Malásia e da comunidade piscatória local, para encontrar os desaparecidos da embarcação, que alegadamente transportava 37 “migrantes indonésios em situação irregular”.

Um barco de pesca resgatou 23 pessoas, 16 homens e sete mulheres, todos cidadãos indonésios, enquanto as restantes 14 continuam desaparecidas. As autoridades “vão continuar a intensificar os esforços de busca até que todas as vítimas sejam localizadas”, segundo Shukri.

As investigações preliminares indicam que o grupo partiu no sábado de Kisaran, no norte de Sumatra, na Indonésia, muito perto da costa oeste da Malásia, com destino a cidades malaias como Penang, Terengganu, Selangor e Kuala Lumpur, de acordo com o Quartel-General Marítimo de Perak.

As autoridades recuperaram três malas com roupas que se acredita pertencerem às vítimas e estão a realizar procedimentos de identificação com os sobreviventes do naufrágio. As autoridades malaias indicaram que três tripulantes birmaneses operavam a embarcação. Em novembro passado, 27 pessoas morreram quando um barco que transportava migrantes rohingya, uma minoria muçulmana perseguida em Myanmar, se afundou ao largo da costa da Malásia e da Tailândia.

13 Mai 2026

EUA | China reafirma oposição à venda de armas a Taiwan

A China reafirmou ontem a sua oposição à venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que iria abordar o assunto esta semana durante a sua visita a Pequim.

“A oposição da China à venda de armas dos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é constante e inequívoca”, disse Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, durante uma conferência de imprensa regular.

Guo Jiakun afirmou ainda que Pequim “opõe-se firmemente” às sanções unilaterais dos Estados Unidos, “sem fundamento no direito internacional” e não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, contra entidades chinesas e de Hong Kong.

O porta-voz referiu que a China “tomará medidas firmes para salvaguardar os direitos e interesses legítimos” das suas empresas e cidadãos, embora não tenha especificado quaisquer medidas de retaliação concretas.

O responsável chinês reiterou ainda que a prioridade em relação à situação no Irão é “fazer todos os esforços para evitar o reinício da guerra” e acusou Washington de tentar “difamar a China” ligando-a “maliciosamente” ao conflito.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira, sanções contra 12 indivíduos e entidades acusados de facilitar a venda e o transporte de petróleo iraniano para a China pela Guarda Revolucionária iraniana. Entre os sancionados estão empresas sediadas em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, segundo Washington.

Estas novas sanções vêm juntar-se a outras medidas adoptadas nos últimos dias por Washington contra empresas chinesas e de Hong Kong acusadas de colaborar com sectores ligados ao petróleo, às armas e às operações militares iranianas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai iniciar amanhã uma visita de Estado à China para se reunir com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, quando há tensões persistentes decorrentes da guerra no Irão e de uma frágil trégua comercial entre as duas potências.

13 Mai 2026

Cooperação | Brasil e China com isenção de vistos para viagens até Dezembro de 2026

O Brasil e a China aprovaram uma isenção recíproca de vistos, que entrou segunda-feira em vigor e é válida ate final do ano, informaram os ministérios das Relações Exteriores e do Turismo do Brasil.

Segundo o comunicado, os dois países “chegaram a entendimento para a isenção recíproca de vistos aos seus cidadãos para viagens de até 30 dias” de duração. A medida tem validade até o dia 31 de Dezembro para viagens entre os dois países com as seguintes finalidades: turismo, negócios, actividades artísticas, culturais, recreativas e desportivas, além de visita a familiares, participação de conferências, congressos ou reuniões.

Com a isenção, informou o Governo brasileiro, o país espera um “incremento significativo no número de turistas chineses”. A iniciativa, refere-se ainda ano comunicado, representa “mais um passo no fortalecimento das relações bilaterais” e deverá contribuir para ampliar os fluxos turísticos e empresariais entre Brasil e China.

Em 2025, o gigante da América do Sul registou um recorde histórico no número de turistas estrangeiros, com a entrada de 9,28 milhões de viajantes estrangeiros no Brasil, informou o Ministério de Relações Exteriores brasileiro.

13 Mai 2026

Irão | Teerão apoia plano chinês de segurança no golfo Pérsico

O Irão aprova plano para garantir a segurança na região apresentado por Xi Jinping

O Irão está disponível para apoiar um plano apresentado pelo Presidente da China, Xi Jinping, para estabilizar a situação no golfo Pérsico, anunciou segunda-feira o embaixador iraniano em Pequim, Abdolreza Rahmani Fazli.

“A República Islâmica do Irão anunciou a disponibilidade para apoiar o plano de quatro pontos do Presidente da China, com o objectivo de estabelecer uma segurança duradoura e o desenvolvimento partilhado na região”, disse Fazli.

A posição de Teerão foi transmitida na reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países realizada em 06 de Maio, em Pequim, referiu o diplomata nas redes sociais, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Nesse encontro, o ministro Wang Yi disse ao homólogo iraniano, Abbas Araghchi, que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão era ilegítima e que a declaração de um cessar-fogo era “necessária e inevitável”. O plano de quatro pontos foi proposto por Xi ao príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, numa reunião em Pequim em meados de Abril.

A proposta de Xi inclui o respeito pela coexistência pacífica, o princípio da soberania nacional, o direito internacional e a coordenação entre desenvolvimento e segurança para criar um ambiente favorável para os países da região.

Rejeições e condenações

O anúncio do diplomata iraniano ocorre logo após Teerão ter enviado uma mensagem a Washington, através de Islamabad, na qual rejeitou a última proposta de paz norte-americana por a considerar “unilateral e irracional”.

A China tem condenado reiteradamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciados em 28 de Fevereiro. Pequim também tem defendido o respeito pela soberania dos países do golfo, com os quais mantém estreitos laços políticos, comerciais e energéticos, que têm sido alvo de represálias iranianas.

O Irão reagiu à ofensiva israelo-americana com ataques contra os países da região e com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa habitualmente um quinto dos hidrocarbonetos que abastecem os mercados globais, incluindo a China.

Além de milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, a guerra no Médio Oriente tem causado instabilidade nos preços do petróleo e o receio de uma recessão económica mundial.

13 Mai 2026

Irão | Executado estudante acusado de espiar para a Mossad e CIA

O Irão executou um homem por espionagem para os serviços secretos israelitas e norte-americanos, anunciou ontem a justiça iraniana, na mais recente de uma série de execuções desde o início da guerra desencadeada por Israel e Estados Unidos.

Erfan Shakourzadeh “foi enforcado por colaboração com os serviços de informações dos Estados Unidos e a Mossad”, os serviços secretos externos israelitas, escreveu a Mizan, órgão de comunicação do poder judicial de Israel.

Segundo as organizações não-governamentais Hengaw e Iran Human Rights (IHR), ambas com sede na Noruega, o homem era estudante na prestigiada Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerão. Antes da execução, cuja data não foi avançada, redigiu uma mensagem na qual rejeitou as acusações.

“Não deixem que outra vida inocente desapareça em silêncio e sem atenção pública”, escreveu, citado por aquelas organizações. O estudante de mestrado em engenharia aeroespacial foi “submetido a nove meses de severas torturas físicas e psicológicas em isolamento para extorquir confissões forçadas”, pormenorizou a Hengaw.

Segundo a Mizan, Shakourzadeh foi acusado de transmitir “deliberadamente” informações classificadas à CIA e à Mossad enquanto trabalhava numa “das organizações científicas do país activas no sector espacial”. A República Islâmica é há muito alvo de acusações por parte dos países ocidentais, que suspeitam que utilize o programa espacial para desenvolver capacidades em matéria de mísseis balísticos.

Cada vez pior

As detenções e execuções multiplicaram-se no Irão desde o ataque israelo-norte-americano de 28 de Fevereiro, que desencadeou uma guerra regional.

A IHR contabilizou cerca de 30 desde essa data: cinco execuções por espionagem, 13 por alegadas ligações aos protestos de Janeiro, uma relacionada com a vaga de contestação de 2022 e outras 10 por pertença a grupos de oposição proibidos.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional (AI), o Irão é o país que mais recorre à pena de morte depois da China. As autoridades executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, indicaram recentemente as IHR e a organização não-governamental Ensemble Contre la Peine de Mort (ECPM – Juntos Contra a Pena de Morte).

12 Mai 2026

Filipinas | Parlamento envia processo de destituição da vice-presidente

Os parlamentares filipinos aprovaram ontem o envio do processo de destituição contra a vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, para o Senado, que poderá impedi-la de se candidatar à Presidência em 2028.

A filha do antigo Presidente Rodrigo Duterte (2016-2022) é acusada de fraude e corrupção, assim como de ameaças de morte contra o Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos, seu antigo aliado, e outros membros da sua família. Os legisladores votaram 255 a 26 a favor da destituição, com nove abstenções.

De acordo com a Constituição filipina, a aprovação do processo de destituição pela Câmara dos Representantes desencadeia um julgamento no Senado. Uma condenação levaria à destituição de Duterte do cargo e à proibição vitalícia de ocupar cargos públicos.

“Esta já não é apenas uma questão política. É uma questão de consciência, dever e do futuro da nossa nação”, disse o deputado Bienvenido Abante após a votação. “Não se trata de 2028, não se trata de alianças políticas, trata-se de saber se ainda acreditamos que ninguém está acima da lei”, acrescentou.

Minutos antes da votação, os senadores elegeram um novo presidente, Alan Peter Cayetano, um aliado de longa data de Sara Duterte.

Cayetano, que desempenhou as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros durante o governo do ex-Presidente Rodrigo Duterte, negou qualquer ligação entre a sua candidatura à presidência do Senado e a votação na Câmara sobre o processo de impeachment.

Em Abril último, uma comissão do Congresso filipino declarou ter encontrado motivos suficientes para iniciar um processo de destituição contra a vice-presidente Sara Duterte, o que poderia impedi-la de se candidatar à Presidência em 2028.

Amplamente cotada para suceder ao pai, Rodrigo Duterte, nas eleições presidenciais de 2022, desistiu na altura em favor de Ferdinand Marcos Jr., com quem se aliou quando assumiu a vice-presidência.

12 Mai 2026