Venezuela | China critica licenças mineiras dos EUA

A China acusou ontem os Estados Unidos de interferirem na sua cooperação com a Venezuela, após a emissão de uma licença que permite investimentos no sector mineiro do país sul-americano, mas exclui empresas chinesas.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou em conferência de imprensa que Pequim “se opõe firmemente” ao uso, por parte de Washington, de “alegadas licenças gerais para interferir na cooperação entre a China e a Venezuela”, sublinhando que os “direitos e interesses legítimos” do país asiático devem ser protegidos.

Mao acrescentou que os Estados Unidos deveriam “levantar imediatamente as suas sanções unilaterais ilegais contra a Venezuela”, em vez de utilizarem estas licenças para “encobrir acções que prejudicam os direitos e interesses legítimos da Venezuela e de outras partes”.

As declarações surgem depois de o Departamento do Tesouro norte-americano ter emitido nos últimos dias uma licença que autoriza empresas dos Estados Unidos a negociar, assinar contratos e investir no sector mineiro venezuelano, incluindo a exploração e comercialização de minerais como o ouro, até agora sujeitos a sanções.

2 Abr 2026

Comércio | Eurodeputados analisam em Pequim concorrência comercial

Uma delegação da comissão do Mercado Interno do Parlamento Europeu reuniu-se ontem em Pequim com empresas europeias para analisar a concorrência com a China, incluindo desequilíbrios comerciais, comércio electrónico e inteligência artificial.

Segundo a comissão, o encontro com a Câmara de Comércio da União Europeia na China centrou-se no “desequilíbrio comercial”, no impacto da inteligência artificial no emprego e produção, na evolução do comércio electrónico e nas oportunidades de mercado, durante a primeira visita de eurodeputados ao país em oito anos.

A missão é liderada pela eurodeputada alemã Anna Cavazzini e começou na terça-feira com reuniões com o embaixador da União Europeia na China, Jorge Toledo, e outros representantes europeus em Pequim. Os eurodeputados reuniram-se também com altos responsáveis chineses, a quem transmitiram preocupações sobre a entrada na União Europeia de produtos “perigosos” provenientes da China.

A delegação tem previsto reunir-se ainda com representantes das plataformas Shein e Alibaba, antes de seguir para Xangai, onde deverá encontrar-se com a Temu e visitar o aeroporto internacional de Pudong. Durante a visita, os eurodeputados vão também acompanhar, com autoridades aduaneiras chinesas e empresas de logística, o funcionamento dos controlos de exportação e importação.

A deslocação ocorre num contexto de crescente atenção de Bruxelas à entrada massiva de pequenos pacotes provenientes de plataformas fora da União Europeia, sobretudo chinesas. Segundo o Parlamento Europeu, em 2024 entraram no mercado europeu 4.600 milhões de pequenos pacotes, 91 por cento dos quais com origem na China.

A instituição considera ainda que a relação económica com Pequim continua assimétrica, devido à desigual abertura dos mercados, num contexto de défice comercial europeu de 359,8 mil milhões de euros com a China em 2025.

2 Abr 2026

Irão | China e Paquistão reforçam coordenação e apelam a cessar-fogo

A China anunciou que vai reforçar a “coordenação estratégica” com o Paquistão sobre a crise no Irão, defendendo diálogo e um cessar-fogo, durante uma visita do chefe da diplomacia paquistanesa a Pequim.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com o homólogo paquistanês, Ishaq Dar, na terça-feira, para discutir formas de reduzir as tensões regionais e lançar uma iniciativa conjunta de cinco pontos destinada a restaurar a estabilidade no Golfo Pérsico e no Médio Oriente.

O plano inclui um apelo a um cessar-fogo imediato, à suspensão de ataques contra civis e infraestruturas críticas – como instalações energéticas e de dessalinização – e à reabertura do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio global de energia. A via marítima tem sido afectada por um bloqueio de facto por parte de Teerão, em resposta a ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel iniciados a 28 de Fevereiro, que perturbaram cadeias de abastecimento e os mercados petrolíferos.

Segundo o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi sublinhou que um cessar-fogo é essencial para evitar a propagação do conflito, reduzir vítimas e garantir a segurança das cadeias globais de energia. “A China está disposta a trabalhar com o Paquistão para ultrapassar dificuldades, eliminar interferências, travar o conflito o mais rapidamente possível e abrir uma janela para negociações de paz”, afirmou.

Do outro lado

Ishaq Dar agradeceu o apoio chinês aos esforços de mediação de Islamabade, salientando que o conflito está a afectar de forma particular os países em desenvolvimento. “Alcançar a paz é uma causa justa e uma prioridade urgente”, declarou, reafirmando a disponibilidade do Paquistão para aprofundar a cooperação com Pequim e promover o diálogo entre as partes.

A visita de Dar, a segunda à China em três meses, ocorre após contactos diplomáticos com países como Arábia Saudita, Turquia e Egipto, e num momento em que Islamabade se posiciona como mediador entre Washington e Teerão. A porta-voz da diplomacia chinesa Mao Ning afirmou que Pequim e Islamabade vão “reforçar a comunicação e coordenação estratégicas” e “promover o diálogo, pôr fim ao conflito e salvaguardar a estabilidade regional”.

Analistas citados pela imprensa chinesa consideram que a cooperação bilateral vai além da crise iraniana, abrangendo também projectos económicos e questões regionais mais amplas, incluindo o corredor económico China – Paquistão. Ainda assim, especialistas sublinham que o apoio de Pequim deverá ser sobretudo político e diplomático, afastando a hipótese de garantias de segurança formais ao Irão, em linha com a política chinesa de não-alinhamento.

2 Abr 2026

Paquistão e talibãs afegãos retomam negociações para cessar-fogo

O Paquistão e o Governo talibã do Afeganistão retomaram negociações na China, que está a mediar entre as duas partes para alcançar um cessar-fogo duradouro após mais de um mês de combates, disseram ontem dois responsáveis paquistaneses.

Uma terceira fonte com conhecimento do processo indicou que as conversações visam pôr termo aos confrontos em curso, segundo a agência Associated Press. Representantes de ambos os países estão reunidos em Urumqi, no noroeste da China, segundo os responsáveis, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a prestar declarações à comunicação social.

A China não comentou oficialmente o processo, enquanto o ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão não confirmou nem desmentiu o desenvolvimento. As fontes referiram que as conversações, vistas como um possível alívio para milhões de pessoas no Paquistão e no vizinho Afeganistão, já tiveram início.

Islamabade acusa Cabul de dar abrigo a militantes responsáveis por ataques em território paquistanês, em particular ao grupo Talibã paquistanês, aliado dos talibãs afegãos, que tomaram o poder em 2021 após a retirada das tropas lideradas pelos Estados Unidos. O Afeganistão rejeita as acusações.

Ataques mútuos

As tensões agravaram-se no mês passado, quando Cabul denunciou que um ataque aéreo paquistanês atingiu um hospital de tratamento de toxicodependência na capital afegã, provocando mais de 400 mortos, número que as Nações Unidas dizem ainda estar por verificar. O Paquistão negou ter visado civis, afirmando ter atingido um depósito de munições.

O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, afirmou recentemente que o país “apenas visou infraestruturas terroristas” e não qualquer hospital. Embora as duas partes tenham acordado um cessar-fogo temporário durante a festividade muçulmana do Eid al-Fitr, os combates foram retomados posteriormente, ainda que com menor intensidade face aos confrontos registados em Fevereiro e Março.

O conflito tem sido particularmente violento nos últimos anos. Em Fevereiro, o Paquistão declarou estar em “guerra aberta” com o Afeganistão, aumentando a preocupação da comunidade internacional, sobretudo devido à presença de grupos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico na região.

Segundo as fontes citadas pela AP, a actual ronda de negociações iniciou-se após ambas as partes aceitarem a proposta de mediação da China. As tensões persistem há meses e os recentes combates fragilizaram um cessar-fogo mediado pelo Qatar em Outubro, que tinha interrompido confrontos anteriores que fizeram dezenas de mortos. Conversações de paz realizadas em Novembro em Istambul não conseguiram produzir um acordo duradouro.

2 Abr 2026

Japão | Pequim afirma que novos mísseis vão “além da autodefesa”

A China acusou ontem o Japão de ultrapassar o âmbito da autodefesa com o destacamento de novos mísseis de longo e manifestou preocupação com o que considera uma mudança na política de segurança japonesa. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou em conferência de imprensa que Tóquio está a instalar “armas ofensivas que vão muito além do alcance da autodefesa e do princípio de uma política exclusivamente defensiva”.

Segundo Mao, estas medidas reflectem que “forças de direita no Japão estão a impulsionar a política de segurança numa direcção ofensiva e expansionista”, advertindo que tal orientação “ameaça a paz regional” e apelando à comunidade internacional para manter “elevada vigilância”. A responsável instou ainda o Japão a “reflectir profundamente sobre a sua história de agressão militarista”, a respeitar os compromissos em matéria de segurança e a agir com prudência.

O Japão destacou na terça-feira os seus primeiros mísseis de longo alcance de fabrico nacional em bases nas prefeituras de Kumamoto, no sul do arquipélago, e Shizuoka, no centro, com um alcance de cerca de 1.000 quilómetros, o que lhe confere capacidade de contra-ataque.

O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou que estes sistemas visam reforçar a capacidade de dissuasão do país, classificando-os como uma “iniciativa crucial para fortalecer as capacidades de dissuasão e resposta”, num contexto de segurança que descreveu como “o mais complexo e severo desde o final da Segunda Guerra Mundial”.

Esta semana, as autoridades japonesas anunciaram que o contratorpedeiro Chokai passou a ter capacidade para lançar mísseis norte-americanos Tomahawk, após modificações realizadas nos Estados Unidos.

2 Abr 2026

Timor-Leste | Aprovado Regime Jurídico da Prática de Artes Marciais

O parlamento de Timor-Leste aprovou ontem na generalidade o Regime Jurídico da Prática de Artes Marciais, suspenso desde 2023, com 38 votos a favor e a abstenção da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin). A Fretilin, através da deputada Nurima Alkatiri, justificou com a abstenção com o facto de não compreender o que o Estado entende sobre organizações de artes marciais.

“São desporto, representam um risco para a segurança pública ou constituem uma base de mobilização político-partidária”, questionou a deputada, salientando que só quando o Estado tiver uma “posição clara poderá definir políticas, leis e regulamentos adequados”. A deputada considerou também que a legislação foi feita com base no preconceito de que os cidadãos timorenses são criminosos ou agentes de comportamentos negativos.

“É verdade que existem casos isolados de comportamento inadequados, mas a generalização e o estigma podem gerar discriminação e exclusão”, afirmou. Em terceiro lugar, a Fretilin questiona a apresentação temporal da lei.

“Só agora surge uma proposta de lei com este objectivo. Porquê agora? Num contexto de crescente sensibilidade política, incluindo ciclos eleitorais, importa questionar se estamos perante uma resposta estruturada ou uma iniciativa motivada por interesses de curto prazo”, questionou a deputada.

O Governo de Timor-Leste prolongou, em Dezembro de 2025, até Junho de 2026 a suspensão do ensino, aprendizagem e prática de artes marciais, bem como o encerramento dos locais e instalações destinados ao seu ensino. A suspensão do ensino, aprendizagem e práticas de artes marciais foi pela primeira vez imposta em Novembro de 2023, na sequência de graves incidentes registados em todo o território nacional, que provocaram pelo menos quatro mortos e 26 feridos.

1 Abr 2026

Índia |Pelo menos oito mortos e oito feridos numa cerimónia religiosa

Pelo menos oito pessoas morreram ontem e outras oito ficaram feridas durante uma cerimónia religiosa num templo hindu do estado de Bihar, no norte da Índia, devido ao calor intenso e excesso de participantes.

“Infelizmente, oito pessoas morreram. Outras oito ficaram feridas e foram transportadas para receberem tratamento, encontrando-se estáveis”, disse o responsável policial local, Kundam Kumar. As autoridades da região informaram que havia uma maioria de mulheres nas imediações e dentro do templo por se tratar de um ritual dedicado à deusa Shitala, protectora da saúde e das crianças.

“Juntou-se um grande número de mulheres, muitas delas ainda em jejum. Depois de tomarem um banho sagrado, estavam a entrar para o templo. A combinação do calor intenso, desidratação e dificuldades em respirar fez com que a multidão ficasse incontrolável”, descreveu Kumar. O acidente coincide com a visita oficial da presidente indiana, Droupadi Murmu, à mesma zona, o que terá feito com que os meios de segurança fossem aplicados à sua comitiva e deslocações, desguarnecendo o evento religioso daquele templo hindu.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, manifestou “profunda tristeza” pelo sucedido e anunciou indemnizações de 200.000 rupias (cerca de 2.100 euros) para as famílias das vítimas mortais, bem como a criação de uma comissão para investigar as causas do acidente.

1 Abr 2026

China espera que visita de eurodeputados contribua para desenvolvimento das relações

O Governo chinês afirmou ontem esperar que a visita ao país de eurodeputados da comissão do Mercado Interno do Parlamento Europeu, que começou ontem, “contribua para o desenvolvimento saudável e estável” das relações entre Pequim e a União Europeia. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning disse, em conferência de imprensa, que “os intercâmbios legislativos constituem uma componente importante das relações entre a China e a UE”.

Mao acrescentou que “esta visita vai promover os intercâmbios e a cooperação entre os órgãos legislativos da China e da UE”. “A deslocação permitirá melhorar o conhecimento que o Parlamento Europeu tem da China”, indicou a porta-voz.

Nove eurodeputados (três alemães, três franceses, um holandês, um polaco e uma dinamarquesa) iniciaram ontem a visita para conhecer melhor os sectores tecnológico e do comércio electrónico do país, bem como avaliar o cumprimento das normas aplicáveis ao envio de encomendas para a União Europeia, naquela que é a primeira deslocação de eurodeputados ao país asiático em oito anos.

Novos desafios

Num comunicado, o Parlamento Europeu descreveu a visita como “uma oportunidade importante” para abordar desafios comuns nas áreas digital e do comércio electrónico e promover uma concorrência leal entre a UE e a China, esperando transmitir aos interlocutores chineses a posição europeia em matéria de regulação digital, protecção do consumidor e segurança dos produtos.

“Uma das principais preocupações [dos eurodeputados] são as infrações sistemáticas das normas europeias e o elevado volume de pequenas encomendas que não cumprem essas regras provenientes de plataformas não europeias, incluindo chinesas”, lê-se na mesma nota. Na capital chinesa, os deputados vão reunir-se com a Câmara de Comércio da UE para conhecer os desafios de acesso ao mercado enfrentados pelas empresas europeias no país e terão encontros com representantes dos gigantes do comércio digital Shein e Alibaba.

Em Xangai, os eurodeputados reunir-se-ão com representantes da Temu para discutir o cumprimento das normas europeias relativas aos mercados digitais e à concorrência leal, e visitarão o aeroporto internacional de Pudong com as autoridades aduaneiras chinesas e uma empresa local de logística.

A visita representa mais um passo na normalização das relações entre a China e o Parlamento Europeu, depois de ambas as partes terem levantado, em 2025, as sanções que tinham imposto mutuamente em 2021, quando Pequim adotou medidas contra dez pessoas e quatro entidades da UE em resposta às sanções europeias contra responsáveis chineses acusados de violações dos direitos humanos de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur.

A China é o terceiro maior parceiro comercial da União Europeia, mas a relação económica é assimétrica devido ao desequilíbrio na abertura dos respectivos mercados, segundo o Parlamento Europeu.

1 Abr 2026

Ormuz | Pequim confirma que três navios chineses atravessaram Estreito

O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês congratulou-se com a passagem das três embarcações, apelando ao mesmo tempo a um cessar-fogo urgente na região

O Governo chinês confirmou ontem que três navios do país asiático conseguiram atravessar recentemente o Estreito de Ormuz, num sinal de alívio parcial para o tráfego nesta via estratégica, que se encontra bloqueada pelo Irão. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que, “após coordenação com as partes relevantes, três navios chineses transitaram recentemente pelo Estreito de Ormuz”.

Mao sublinhou que a China “agradece a assistência prestada pelas partes envolvidas” e destacou a importância estratégica desta rota marítima para o comércio internacional.

“O Estreito de Ormuz e as suas águas adjacentes são uma importante via internacional para o comércio de mercadorias e de energia”, acrescentou a porta-voz, apelando a “um cessar-fogo o mais rapidamente possível” e ao restabelecimento “da paz e da estabilidade no Golfo Pérsico”.

As declarações de Mao surgem depois de dados do portal de monitorização marítima MarineTraffic indicarem que os cargueiros da Cosco “Indian Ocean” e “Arctic Ocean”, bem como o “Mac Hope”, um navio com bandeira do Panamá que se declarou de propriedade e tripulação chinesas, atravessaram na segunda-feira esta via e se encontram já a leste de Ormuz.

Segundo órgãos de comunicação chineses, os dois cargueiros da Cosco transportavam contentores maioritariamente vazios e tinham ficado retidos no Golfo Pérsico desde o final de Fevereiro, quando começaram os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, seguidos da retaliação de Teerão.

Os navios já tinham tentado anteriormente atravessar o estreito na passada sexta-feira, mas tiveram de voltar atrás depois de a Guarda Revolucionária iraniana ter-lhes negado a passagem, de acordo com informações da consultora Lloyd’s List Intelligence.

Caso sério

A confirmação oficial chinesa surge dias depois de a Cosco ter anunciado a retoma da aceitação de novas reservas de contentores convencionais com destino a vários países do Médio Oriente, embora tenha então alertado para a “volatilidade” regional e para o facto de os custos, a programação e as condições do transporte continuarem “sujeitos a alterações”.

A passagem por Ormuz é particularmente sensível para a China, dado que cerca de 45 por cento das suas importações energéticas transitam por essa via.

A perturbação do tráfego marítimo e a subida dos preços do petróleo já tiveram impacto no mercado interno chinês, onde os combustíveis registaram recentemente uma das maiores subidas dos últimos anos, levando o regulador a intervir de forma excepcional para limitar esse aumento.

1 Abr 2026

Alerta para “graves consequências” face a ataques contra instalações nucleares no Irão

A China alertou ontem que acções contra “instalações nucleares pacíficas” podem ter “graves consequências para a paz e estabilidade” regionais, após o Irão ter denunciado ataques dos Estados Unidos próximo da central nuclear de Bushehr.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que “os ataques armados contra instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas e supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica violam os propósitos da Carta das Nações Unidas, o direito internacional e o Estatuto da AIEA”.

Mao sustentou que estas operações “minam gravemente a autoridade do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e enfraquecem os esforços para manter o regime internacional de não proliferação nuclear”. “A China defende uma solução pacífica para a questão nuclear iraniana por via política e diplomática”, acrescentou a porta-voz.

A campanha de bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel incluiu, nos últimos dias, três instalações nucleares, duas universidades, o edifício de uma televisão do Catar e zonas residenciais de Teerão, ataques que causaram mais de 70 mortos. Nos últimos dias, Estados Unidos e Israel têm centrado as suas acções nas indústrias do país, no seu programa nuclear e nos seus centros de conhecimento.

Degradação contínua

Ao final da passada sexta-feira, registou-se um ataque nas proximidades da central nuclear de Bushehr (sul) – o terceiro em dez dias – pelo que a instalação “continua a degradar-se”, segundo a Rússia, que construiu a central e está a retirar parte do seu pessoal.

A guerra opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde 28 de Fevereiro, quando estes lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra Israel, vários países do Golfo e posições associadas a Washington na região.

Pequim tem condenado reiteradamente as acções dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, por considerar que “violam a soberania” do país persa, embora também tenha apelado ao respeito pela integridade territorial dos países do Golfo, com os quais mantém laços estreitos.

1 Abr 2026

Comissão Reguladora de Valores | Ex-vice-presidente chinês acusado de corrupção

O ex-vice-presidente da Comissão Reguladora de Valores da China (CSRC, na sigla em inglês) Wang Jianjun foi ontem formalmente acusado pelo ministério Público chinês de ter recebido “subornos milionários”. Após uma investigação conduzida pela principal agência anticorrupção do país, a Comissão Nacional de Supervisão, o ministério Público informou que apresentou acusações contra o arguido pelo crime de corrupção passiva, segundo órgãos de comunicação locais.

Segundo a acusação, Wang terá aproveitado os cargos que ocupou – como subdirector do Gabinete-Geral da CSRC ou diretor do Departamento de Supervisão de Mercado – para obter benefícios para terceiros e aceitar, de forma ilegal, dinheiro e bens em troca.

“A quantia envolvida é milionária e Wang deve ser responsabilizado criminalmente pelo crime de corrupção passiva”, indicou o ministério Público. Wang foi vice-presidente do regulador desde 2021 e liderou anteriormente a Bolsa de Valores de Shenzhen, onde impulsionou, em 2020, a reforma do índice tecnológico ChiNext, considerado um dos mais relevantes do setor.

A sua destituição ocorreu em Maio, um mês após a abertura de uma investigação disciplinar contra si pelos dois principais órgãos anticorrupção do país: a Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido Comunista da China (PCC) e a sua congénere estatal, a Comissão Nacional de Supervisão.

Desde que chegou ao poder em 2012, o actual secretário-geral do PCC e Presidente da China, Xi Jinping, tem promovido uma vasta campanha anticorrupção que atingiu responsáveis de todos os níveis, desde quadros locais até dirigentes provinciais, altos responsáveis militares e líderes de conglomerados estatais.

1 Abr 2026

Líbano | Pequim condena ataques contra capacetes azuis

O Governo chinês condenou ontem os recentes ataques contra o contingente da missão de paz das Nações Unidas no Líbano, nos quais morreram três soldados indonésios, classificando-os como “absolutamente inaceitáveis”.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que a acção de segunda-feira constitui um “ataque deliberado contra as forças de paz da ONU” e “uma grave violação do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU”.

Mao instou “as partes envolvidas” a declararem um “cessar-fogo e o fim das hostilidades o mais rapidamente possível” e a “adoptarem medidas concretas para garantir a segurança dos capacetes azuis da ONU”. A missão de paz da ONU no Líbano (FINUL) anunciou que dois dos seus membros morreram na segunda-feira devido a uma explosão enquanto seguiam num veículo no sul do país, elevando para três o número de capacetes azuis mortos nos últimos dias.

“Dois capacetes azuis da FINUL morreram tragicamente hoje (segunda-feira) no sul do Líbano, quando uma explosão de origem desconhecida destruiu o seu veículo perto de Bani Hayyan (…) Este é o segundo incidente mortal nas últimas 24 horas”, denunciou o organismo, em comunicado. A área de operações da missão estende-se desde a fronteira de facto com Israel até ao rio Litani, região onde decorrem actualmente intensos combates entre o grupo xiita libanês Hezbollah e o exército israelita, que estará a tentar estabelecer uma zona tampão.

A criação desta faixa de território no sul do Líbano teria como objetivo afastar o Hezbollah da fronteira com Israel, entre outros factores, embora o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, tenha defendido há poucos dias a alteração da fronteira do seu país para anexar parte do território libanês.

1 Abr 2026

Timor-Leste | Grupo empresarial lança construção de parque industrial

A empresa Esperança Timor Oan (ETO) iniciou ontem em Manatuto, a leste de Díli, a construção de um parque industrial para promover o desenvolvimento da indústria em Timor-Leste e reduzir a dependência das importações.

“A intenção deste investimento não é apenas realizar actividade empresarial, mas reflecte um forte compromisso da ETO em contribuir para a diversificação da economia de Timor-Leste, alinhado com a visão estratégica do Governo para o desenvolvimento económico e o Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional”, afirmou o director-executivo da ETO, Nilton Gusmão.

Nilton Gusmão, que falava na cerimónia de lançamento da primeira pedra do Parque Industrial ETO, afirmou que o projecto pretende diversificar a economia ao apostar em sectores produtivos que vão criar empregos para os timorenses.

“Acreditamos que, através de investimentos contínuos e estratégicos, é possível construir uma economia mais forte, diversificada e sustentável”, disse o director-executivo da ETO. O grupo vai investir entre 13 e 15 milhões de dólares na construção de cinco unidades industriais, que deverão criar directamente cerca de 700 postos de trabalho e 1.300 empregos indiretos.

O parque industrial vai incluir uma fábrica de produção de caixas, uma fábrica de estruturas metálicas do tipo ‘H-Beam’ (em forma da letra H), uma fábrica de sardinha enlatada, um matadouro moderno com unidade de processamento de carne e uma unidade industrial para processamento de arroz. A construção deverá estar concluída em agosto de 2027.

31 Mar 2026

Japão pondera “medidas decisivas” com iene no nível mais baixo desde 2024

Tóquio informou ontem que considera tomar “medidas decisivas” face à desvalorização do iene, que caiu para 160 unidades por dólar, o nível mais baixo em mais de 18 meses, devido à subida dos preços do petróleo.

“Estamos a constatar que a especulação está a aumentar no mercado cambial, para além do mercado de futuros do petróleo. Se esta situação persistir, em breve serão necessárias medidas decisivas”, declarou o vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais do Japão, Atsushi Mimura, citado pelo jornal económico Nikkei.

O principal diplomata japonês em matéria de divisas utilizou, pela primeira vez desde que assumiu o cargo em Julho de 2024, o termo “decisivo”, uma expressão que os operadores costumam interpretar como um sinal de que as autoridades estão dispostas a intervir.

As declarações de Mimura, que constituem o aviso mais enérgico até ao momento sobre uma possível intervenção, surgem depois de o iene ter atingido na sexta-feira, em Nova Iorque, o nível mais baixo desde Julho de 2024, altura em que as autoridades japonesas intervieram pela última vez.

Efeitos da guerra

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou na comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes que o banco central continuará a “acompanhar de perto” as tendências no mercado cambial, mas que, em comparação com 2025, as empresas estão a ser mais proactivas no que diz respeito ao aumento dos salários, o que faz com que as flutuações da taxa de câmbio influenciem as tendências dos preços.

Neste contexto, a Bolsa de Tóquio abriu ontem em forte queda, a perder mais de 4,5 por cento devido a preocupações com uma escalada da guerra no Médio Oriente e eventuais repercussões no abastecimento energético, numa altura em que os rebeldes Huthis do Iémen se juntaram ao conflito e há relatos que apontam para uma possível incursão terrestre dos Estados Unidos no Irão.

31 Mar 2026

Hong Kong | Detidas 42 pessoas em operação contra máfias na construção imobiliária

A autoridade anticorrupção e a polícia de Hong Kong anunciaram ontem a detenção de 42 pessoas por suspeita de infiltração de organizações criminosas em projectos de manutenção de edifícios residenciais.

A operação decorreu em 26 e 27 de Março, na sequência de uma investigação iniciada a partir de denúncias de cidadãos, recebidas desde meados de 2025, que apontavam uma empresa de consultoria de projectos por facilitar adjudicações através de subornos, segundo um comunicado da Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC, na sigla em inglês).

As investigações revelaram que a consultora teria obtido contratos de consultoria com honorários “irrazoavelmente baixos” e, posteriormente, teria recorrido a intermediários ligados a grupos da máfia chinesa, conhecidos como tríades, para manipular os processos de concurso por meios corruptos. As tríades surgiram entre 1842 e 1930, quando membros de sociedades secretas da China emigraram para Hong Kong e formaram organizações de ajuda mútua.

Um dos casos centra-se num grande projecto de renovação de um empreendimento nos Novos Territórios, com um valor estimado em mais de 160 milhões de dólares de Hong Kong. A consultora conseguiu o contrato de consultoria por um preço “muito abaixo” do razoável, estimado pela ICAC em 0,5 por cento do total.

“Embora o concurso em questão ainda se encontre na fase preparatória, acredita-se que a intervenção precoce da ICAC tenha impedido que as práticas corruptas se concretizassem e tenha impedido a infiltração da tríade no grande projecto de renovação do bairro”, segundo o comunicado da ICAC.

Projectos duvidosos

Num outro processo consta que a consultora obteve, em 2022, o contrato de consultoria para a renovação integral de outro edifício na ilha. O projecto foi posteriormente adjudicado por 20 milhões de dólares de Hong Kong a um empreiteiro, com vários milhões classificados como despesas duvidosas.

As autoridades detiveram 10 homens, entre os quais o proprietário e um inspector registado da consultora, bem como intermediários com antecedentes de ligações às tríades. Além disso, foram detidas outras 32 pessoas em rusgas paralelas. A intervenção ocorre no auge de uma investigação aberta na sequência do devastador incêndio em 26 de Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, que custou a vida a 168 pessoas.

A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude, todas ligadas ao incêndio. O ICAC deteve ainda outras 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo, por suspeitas de homicídio involuntário, negligência grave e corrupção, incluindo possíveis manipulações nas propostas e utilização de materiais não ignífugos.

A tragédia desencadeou um intenso escrutínio sobre as práticas no sector da manutenção de edifícios, onde se têm acumulado queixas sobre concursos opacos, custos excessivos e riscos para a segurança dos vizinhos.

31 Mar 2026

Hailin | Colapso parcial de edifício faz pelo menos sete mortos

Pelo menos sete pessoas morreram na sequência do colapso parcial de um edifício ocorrido domingo na cidade de Hailin, na província chinesa de Heilongjiang, no nordeste do país. O incidente ocorreu por volta da meia-noite de sábado para domingo, quando um imóvel sofreu um desabamento parcial por causas ainda por apurar, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

As operações de busca e resgate foram concluídas cerca do meio-dia de ontem, após terem sido localizadas nove pessoas que ficaram presas sob os escombros. Destas, sete morreram, enquanto outras duas foram transportadas para unidades hospitalares, encontrando-se fora de perigo.

As autoridades locais abriram uma investigação para apurar as causas do colapso, não tendo sido, até ao momento, divulgados detalhes sobre a origem do incidente nem sobre eventuais responsabilidades. Em Julho de 2023, 11 pessoas morreram após o desabamento do teto de um centro desportivo escolar na cidade de Qiqihar, na mesma província.

Nesse mesmo ano, em Novembro, três pessoas morreram na sequência do colapso do tecto de outro centro desportivo na cidade de Jiamusi, também em Heilongjiang.

31 Mar 2026

MNE | Sancionado deputado japonês por “cooperar com forças separatistas” de Taiwan

A China anunciou ontem sanções contra o deputado japonês Keiji Furuya, a quem acusa de ter visitado repetidamente Taiwan “apesar da oposição” de Pequim e de “cooperar com forças separatistas” da ilha.

Em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que este comportamento “viola gravemente o princípio de uma só China”, “interfere de forma flagrante” nos seus assuntos internos e “compromete seriamente a sua soberania e integridade territorial”.

Ao abrigo da Lei contra Sanções Estrangeiras, Pequim pode congelar os bens móveis, imóveis e outros activos de Furuya em território chinês, além de recusar-lhe vistos e impedir a sua entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau. Organizações e indivíduos chineses ficam também proibidos de realizar qualquer tipo de transação, cooperação ou outras actividades com o deputado japonês.

Durante uma visita a Taipé, a 17 de Março, Furuya, deputado do Partido Liberal Democrático, actualmente no poder no Japão, reuniu-se com o líder taiwanês, William Lai Ching-te. A agência de notícias pública taiwanesa CNA indicou que, durante a visita, entre outras actividades, o político japonês propôs “estabelecer intercâmbios entre as bandas militares do Japão, dos Estados Unidos e de Taiwan”.

Pequim e Tóquio atravessam uma crise diplomática, depois de, no final de 2025, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter admitido a possibilidade de uma intervenção militar em Taiwan em caso de conflito na ilha, por considerar que tal poderia representar uma “ameaça à sobrevivência” do Japão.

31 Mar 2026

Taiwan | Líder da oposição confia que visita à China reduza tensões militares

A presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, Cheng Li-wun, manifestou ontem a esperança de que a sua visita à China, prevista para entre 07 e 12 de Abril, contribua para reduzir tensões militares.

A deslocação à China “mostrará ao povo de Taiwan e ao mundo uma coisa: que os dois lados do estreito não estão destinados à guerra, nem precisam de permanecer à beira de um conflito militar”, afirmou Cheng numa conferência de imprensa na sede do partido, em Taipé, citada pela agência noticiosa CNA.

O Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e o seu secretário-geral, Xi Jinping, convidaram Cheng a liderar uma delegação do KMT numa visita a Jiangsu, Xangai e Pequim entre 07 e 12 de Abril, anunciou ontem o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Song Tao.

A viagem será a primeira de um líder do partido da oposição à China desde que a então presidente do KMT, Hung Hsiu-chu, realizou uma visita semelhante em Novembro de 2016. Durante a sua intervenção, Cheng Li-wun afirmou que qualquer esforço para melhorar as relações entre Taipé e Pequim deverá basear-se nos termos do “Consenso de 1992” e na oposição à independência de Taiwan.

Esse consenso corresponde a um alegado entendimento entre o PCC e o então Governo taiwanês, liderado pelo Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês), segundo o qual ambas as partes reconhecem a existência de “uma só China”, embora com interpretações distintas. No entanto, o Partido Democrático Progressista (PDP), de orientação soberanista e no poder em Taiwan desde 2016, nunca reconheceu essa interpretação, por considerar que implicaria legitimar a reivindicação chinesa sobre a ilha.

31 Mar 2026

Tailândia diz ter chegado a acordo com Irão sobre estreito de Ormuz

Banguecoque declarou sábado ter chegado a um acordo com Teerão para permitir a passagem dos petroleiros tailandeses pelo estreito de Ormuz, praticamente paralisado desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão.

“Foi agora celebrado um acordo para permitir que os petroleiros tailandeses transitem em segurança pelo estreito de Ormuz, contribuindo assim para acalmar as preocupações relativas ao transporte de combustível para a Tailândia”, declarou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, em conferência de imprensa. “Com este acordo, estamos confiantes de que não teremos de enfrentar mais perturbações como as observadas no início de Março”, acrescentou.

Os países do Sudeste Asiático estão a sofrer as consequências das dificuldades de abastecimento de combustível provocadas pela guerra do Irão. Depois de ter sido inicialmente limitado a 30 bahts (0,79 euros) por litro pelo Governo, o preço do gasóleo aumentou a semana passada seis bahts por litro. A escassez e as filas de espera são cada vez mais frequentes nas estações de serviço.

Batalhas navais

Um navio mercante tailandês foi atacado em 11 de Março quando navegava no estreito de Ormuz. Três dos tripulantes continuam desaparecidos. A Guarda Revolucionária iraniana anunciou na sexta-feira ter obrigado três porta-contentores a voltarem para trás no estreito de Ormuz, precisando que esta rota estratégica estava fechada a navios provenientes ou com destino a portos ligados “ao inimigo”.

O tráfego no estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20 por cento do petróleo bruto mundial, caiu 95 por cento em relação ao normal entre 01 e 26 de Março, de acordo com a plataforma de monitorização marítima Kpler. Desde 01 de Março de 2026, 24 navios comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou relataram incidentes no Golfo, no estreito de Ormuz ou no golfo de Omã, de acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

30 Mar 2026

Cooperação | RDCongo e China assinam acordo no sector mineiro

Os minerais africanos ganham cada vez mais relevância no desenvolvimento das novas tecnologias

A República Democrática do Congo (RDCongo) e a China assinaram um memorando de entendimento para reforçar a sua cooperação no sector mineiro, numa época marcada pela concorrência global pelo acesso aos minerais estratégicos africanos.

O acordo estabelece um “quadro de cooperação estruturado baseado na consulta contínua, no respeito pelo quadro jurídico e normativo congolês, na protecção dos investimentos e na promoção do processamento local dos recursos naturais”, afirmou o Governo deste país africano num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“As partes acordaram também estabelecer um mecanismo de diálogo e acompanhamento para acompanhar a execução dos projectos, em particular no que diz respeito ao cumprimento normativo, num ambiente de investimento estável, transparente e seguro”, acrescenta-se ainda no documento. O acordo foi assinado na quinta-feira em Pequim pelo ministro das Minas da RDCongo, Louis Watum Kabamba, e pelo ministro dos Recursos Naturais do gigante asiático, Guan Zhi’ou, cujo país já detém um amplo controlo do sector mineiro congolês.

Com este documento, afirmou o Executivo congolês, a RDCongo “reafirma o seu compromisso de construir um sector mineiro moderno, responsável e gerador de valor, plenamente integrado nas dinâmicas económicas mundiais, ao serviço da sua industrialização, da sua soberania económica e do bem-estar sustentável da sua população”.

Concorrência global

O acordo foi assinado num contexto de tensão geopolítica e de concorrência global pelo acesso aos minerais africanos, especialmente congoleses, como o cobalto, fundamental para a indústria tecnológica de fabrico de telemóveis. Em Dezembro, os Estados Unidos patrocinaram a assinatura, em Washington, de um acordo de paz entre a RDCongo e o vizinho Ruanda, país que apoia o poderoso grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) nos seus combates no leste congolês.

Este acordo de paz inclui também uma componente económica, ao conceder aos EUA acesso preferencial a minerais estratégicos da região.

Outro exemplo da competição entre os EUA e a China em África é o Corredor do Lobito, uma ferrovia que ligará o Atlântico às minas da RDCongo e da Zâmbia através de Angola e com a qual o Ocidente procura ganhar terreno a Pequim no abastecimento de minerais africanos.

A China, no entanto, tem apoiado a construção de numerosas infraestruturas através da Nova Rota da Seda, uma iniciativa adoptada em 2013 como projecto emblemático da política externa do Presidente chinês, Xi Jinping, para além de ser um dos principais credores do continente.

30 Mar 2026

Comércio | Anunciadas investigações contra “barreiras comerciais” dos EUA

A China anunciou sexta-feira o início de uma investigação sobre “barreiras comerciais” impostas pelos Estados Unidos a várias economias, como a chinesa, com base no excesso de capacidade de produção e em alegações de trabalho forçado.

Em comunicado, um porta-voz do ministério do Comércio chinês explicou que, em resposta às investigações iniciadas pelos Estados Unidos em meados deste mês, a China lança, “de forma recíproca”, duas investigações sobre as barreiras comerciais impostas por Washington.

A primeira deve-se às práticas e medidas dos EUA que, segundo Pequim, “prejudicam as cadeias globais de produção e abastecimento”; e a segunda visa as acções de Washington que “obstruem o comércio de produtos ecológicos”, de acordo com o comunicado.

O ministério do Comércio da China avançará nestas investigações de acordo com a Lei do Comércio Externo e as normas de investigação sobre barreiras ao comércio externo, e “adoptará as medidas correspondentes em função dos resultados, com o objectivo de salvaguardar firmemente os seus direitos e interesses legítimos”, indicou o porta-voz.

Estas investigações são anunciadas um dia após a reunião realizada nos Camarões entre o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na véspera da cimeira prevista para meados de Maio em Pequim entre os presidentes de ambos os países.

Durante o encontro, Wang expressou a “firme preocupação” de Pequim com as investigações lançadas pelos EUA ao abrigo da Secção 301 contra várias economias, incluindo a China, com base em acusações de “excesso de capacidade” e alegado uso de trabalho forçado.

O ministro chinês instou também o responsável norte-americano a “evitar uma concorrência prejudicial” entre ambos os países, a “manter uma comunicação estreita” e a avançar em conjunto “olhando para o futuro” para impulsionar “um desenvolvimento saudável, estável e sustentável” das relações bilaterais.

30 Mar 2026

BYD | Lucros caem 19% para 4.086 ME em 2025

Os lucros do grupo automóvel chinês BYD desceram 19 por cento em 2025 para 32.619 milhões de yuans devido ao crescimento da concorrência na China.

Nos documentos financeiros enviados sexta-feira à Bolsa de Hong Kong, onde a empresa está cotada, o fabricante de carros eléctricos indicou que a sua facturação, que no ano passado tinha ultrapassado a da norte-americana Tesla, cresceu 3,46 por cento em comparação com 2024, atingindo 803.965 milhões de yuans.

“Perante ventos contrários a nível macroeconómico e uma concorrência cada vez mais intensa, a marca BYD reforçou continuamente a sua competitividade, apostando na integração de tecnologias-chave, consolidando a sua liderança no mercado nacional e registando um desempenho excecional no estrangeiro”, lê-se no documento.

No ano passado, o volume de negócios no estrangeiro passou de 28,55 por cento do total para 38,65 por cento, após um crescimento de 40,05 por cento ao longo de 2025, enquanto aquele registado na China, o seu principal mercado, diminuiu 11,17 por cento. “Reconhecemos que a concorrência no sector chinês dos veículos eléctricos atingiu um ponto culminante e encontra-se actualmente numa fase eliminatória” indicou o fundador e presidente da BYD, Wang Chuanfu.

O sector, de acordo com o documento, enfrentou em 2025 problemas a nível internacional, como “o proteccionismo comercial e a reestruturação das cadeias de abastecimento”. Ao longo do exercício, a BYD vendeu um total de 4,6 milhões de veículos, dos quais 1,05 milhões se destinaram a outros mercados, o que representa um crescimento de 140 por cento em relação ao ano anterior.

Concretamente, Wang classificou a América Latina como o “pilar principal” do crescimento da sua empresa no estrangeiro. “A BYD manteve um crescimento sustentado em 2025, mantendo a sua posição como maior vendedor mundial de veículos eléctricos pelo quarto ano consecutivo, situando-se entre os 10 principais grupos automóveis em vendas pelo terceiro ano consecutivo e subindo para o quinto lugar em vendas entre os grupos automóveis globais, uma posição acima do ano anterior”, afirmou o fundador.

30 Mar 2026

Brasil | Centro sino-lusófono abre gabinete em Junho

Um novo centro de serviços económicos entre a China e os países lusófonos e hispânicos vai abrir em Junho um gabinete no Brasil, com outra delegação planeada para Portugal, disse ontem à Lusa uma dirigente. A vice-coordenadora do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola, conhecido como CECP, anunciou que o gabinete no Brasil já foi registado.

Ng In Cheong acrescentou que outra delegação deverá abrir no México “no Outono”, enquanto os trabalhos para abrir um gabinete em Portugal – que também cubra a vizinha Espanha – “estão a progredir”. A dirigente falava à margem de uma visita de jornalistas de Macau ao CECP, que foi criado em Dezembro, na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha de Montanha), no município de Zhuhai.

Nesse mesmo mês, o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, revelou que o novo centro já estava a operar, disponibilizando serviços “a nível jurídico e contabilístico” a empresas estrangeiras. O centro trabalha ainda com o Fundo de Orientação Industrial para atrair empresas para Hengqin. O valor do fundo foi em Janeiro reforçado de 10 para 30 mil milhões de yuan, disse Ng In Cheong.

Visita a Portugal

Sam Hou Fai, o primeiro Chefe do Executivo da região chinesa a dominar a língua portuguesa, irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação internacional desde que tomou posse, no final de 2024. Ng In Cheong disse que o líder de Macau irá ser acompanhado por “mais de uma dúzia” de companhias locais e da China continental, incluindo perto de uma dezena já com operações em Hengqin.

O objectivo, explicou a dirigente, é ajudar os grupos chineses a “compreender o mercado local, realizar inspecções no terreno [e] entrarem em contacto com as autoridades e as empresas locais”. Ng deu como exemplo uma empresa de Pequim que produz “instrumentos oftalmológicos de alta precisão”, já usados para cirurgias no Hospital Kiang Wu, em Macau.

A companhia “quer mesmo expandir-se para o mercado português e abrir uma fábrica em Portugal”, sublinhou a directora-adjunta da Direção de Assuntos Jurídicos da zona económica especial. Durante a visita de Abril, o CECP pode ajudar a encontrar terrenos para a fábrica, identificar potenciais parceiros, recrutar pessoal, registar uma sucursal e contratar “advogados de confiança”, disse Ng.

A dirigente disse que Portugal é, para as empresas chinesas, “um ótimo ponto de partida para a expansão no mercado europeu”, porque os custos são mais baixos, mas os portugueses são “altamente qualificados”.

Reportagem de Vítor Quintã, agência Lusa, que viajou a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin

27 Mar 2026

Irão | MNE apela aos países do Médio Oriente para “manter a calma”

A China mantém a luta contra escalada do conflito no Médio Oriente através de conversas com os responsáveis da diplomacia da região

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, exortou os países do Médio Oriente a “responderem com racionalidade” à situação causada pela guerra do Irão, durante duas chamadas telefónicas realizadas com os homólogos do Egipto e da Turquia.

Durante a conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, Wang reiterou que “a comunidade internacional deve promover activamente o diálogo entre as partes em conflito” e sublinhou o papel do Conselho de Segurança da ONU neste sentido, segundo um comunicado da diplomacia chinesa.

As acções deste organismo “devem contribuir para aliviar as tensões e promover o diálogo, ajudando a prevenir a escalada do conflito, e não devem dar cobertura ao uso da força”, apontou. Wang manifestou ainda apoio ao papel mediador do Egipto com vista à retoma das conversações de paz e declarou que a China “está disposta a continuar a desenvolver esforços construtivos nesse sentido”.

À beira do caos

O responsável egípcio, por sua vez, expressou “profunda preocupação” do seu país com a situação, “em particular com o potencial de ataques contra infraestruturas energéticas, que poderão gerar caos em toda a região”, e mostrou-se disponível para “manter uma estreita coordenação com a China” na tentativa de reduzir as tensões regionais.

Na conversa com o homólogo turco, Hakan Fidan, o chefe da diplomacia chinesa considerou que “os acertos e erros” do conflito são claros, ao mesmo tempo que insistiu que, dada a rapidez com que a crise se está a propagar na região, a prioridade deve ser “promover o diálogo de paz e trabalhar para alcançar uma redução das tensões”.

Esta é a segunda ronda de conversações que Wang mantém com os seus homólogos do Médio Oriente, com quem já tinha falado quando o conflito começou, no final de Fevereiro, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aos quais Teerão respondeu com vagas de mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.

Perante a crise, Pequim enviou o seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, num périplo por vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Qatar e Egito, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.

27 Mar 2026