Feriados | Interior é destino de preferência dos residentes

Andy Wu prevê que durante os feriados dos próximos dias a maioria dos residentes opte por viajar para o Interior, devido aos preços mais baratos e às campanhas agressivas de turismo

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, afirmou que o Interior vai ser o destino mais escolhido pelos residentes que saírem de Macau durante os feriados do Cheng Ming e da Páscoa, assinalados entre 3 e 7 Abril. Em declarações ao jornal Exmoo, o responsável explicou que os preços mais baratos do Interior são muito atractivos para os residentes de Macau e que aos preços competitivos ainda se juntam as grandes campanhas de turismo promovidas pelas autoridades da China.

Quando questionado sobre o impacto do aumento recente dos preços do petróleo e do aumento das sobretaxas de combustível na aviação, Wu desvalorizou o impacto, por agora, por considerar que os residentes fazem viagens menos longas nesta fase do ano, para destinos como Japão, Coreia do Sul ou Tailândia.

No entanto, Andy Wu admitiu que nas viagens de grandes distâncias, como acontece nos voos para a Europa, poderá haver um impacto. Porém, esse efeito só será sentido mais perto do Verão, altura em que os residentes realizam as férias mais longas.

Entradas mais calmas

Quanto aos visitantes vindos do Interior durante os feriados, Andy Wu apontou que apesar de os residentes do Interior da China terem três dias de férias do Cheng Ming, entre 4 e 6 de Abril, as tradições de culto vão limitar as deslocações. Por este motivo, não se espera um pico no número de visitantes.

Andy Wu observou também que as reservas hoteleiras se mantêm num nível considerado normal para a época, não reflectindo uma subida significativa.

Quanto aos turistas de Hong Kong, o agente de turismo recordou que estes têm o hábito de viajar para Macau, devido à distância curta e à facilidade de transporte. Por isso, Wu espera que o volume de visitantes da região vizinha seja igual ao que normalmente acontece aos sábados.

Andy Wu indicou ainda que Macau vai beneficiar com o facto de os bilhetes do comboio de alta velocidade de Hong Kong para outras cidades turísticas do Interior estarem esgotados, o que vai fazer com que as pessoas não tenham tantas opções de escolha. Por isso, Macau aparece como um destino natural, quando se opta por deslocações de curta distância.

Sarampo: Serviços de Saúde pedem cautela durante feriados

Os Serviços de Saúde (SS) alertaram os residentes que viajam para Japão, Indonésia, Filipinas, Europa e Estados Unidos da América que tomem medidas de precaução, devido ao que as autoridades de Macau consideram ser a “situação epidemiológica do sarampo”. “Os Serviços de Saúde apelam os residentes para que tomem medidas preventivas contra o sarampo”, foi escrito.

“As crianças com vacinação incompleta e as mulheres grávidas não imunizadas são consideradas grupos de alto risco e devem evitar as deslocações para as zonas onde o sarampo é prevalente, com o intuito de reduzir o risco de importação e transmissão desta doença em Macau”, foi adicionado. “A vacinação contra o sarampo é a forma mais eficaz de prevenir a infecção e reduzir a propagação da doença”, foi acrescentado.

2 Abr 2026

Logística | Associação pede apoio para comprar veículos alternativos

Samuel Tong alerta que os preços mais baixos do combustível no Interior podem fazer com que mais pessoas optem por consumir em Zhuhai, contribuindo para enfraquecer ainda mais os níveis de consumo local

Em resposta à subida internacional dos preços dos combustíveis, a Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau defendeu que o Governo deve subsidiar a compra de veículos movidos com energias alternativas. A posição foi tomada por Lei Kuok Fai, presidente da associação, em declarações ao jornal Ou Mun.

Segundo o responsável, com os preços do combustível mais caros, devido aos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e ao encerramento do estreito de Hormuz, as empresas transportadoras têm equacionado medidas para evitarem uma subida acelerada dos preços do transporte.

No entanto, o dirigente explicou que existe a esperança de que o Governo possa aumentar o seu apoio ao sector, incluindo o lançamento de subsídios especiais para a compra de veículos movidos com energias alternativas.

Lei Kuok Fai apontou que muitos associados já substituíram os camiões movidos com combustíveis tradicionais para camiões com energias alternativas, o que permite preços mais baratos. No entanto, no sector reconhece-se que como a tecnologia ainda não é muito desenvolvida, os veículos alternativos têm preços considerados muito elevados, o que leva muitos associados a não optarem pela troca. Por isso, acredita-se que a substituição pode ser mais rápida se houver apoios.

Ao mesmo tempo, a associação espera igualmente medidas do Executivo para reduzir os custos dos carregamentos ao nível das infra-estruturas de cargas e descargas, como forma de amortecer o impacto do aumento dos combustíveis, e evitar uma subida maior nos preços finais. Lei Kuok Fai apontou que o transporte marítimo e aéreo ficou mais caro, mas que o transporte terrestre tenta resistir a aumentos significativos. Porém, indicou que o cenário pode mudar, no futuro, se os combustíveis continuarem a encarecer.

Consumo no Interior

Por sua vez, Samuel Tong, presidente da Associação de Estudo de Economia Política, alertou o Governo para que o aumento dos preços de combustíveis, embora comum a toda a China, pode afectar muito negativamente o consumo em Macau.

Segundo o economista, se os preços do combustível no Interior forem muito mais baixos do que os praticados em Macau, vai haver cada vez mais pessoas a abastecer no outro lado da fronteira. E quando as pessoas vão abastecer a Zhuhai, acabam por consumir no outro lado da fronteira, em vez de o fazerem em Macau.

Por este motivo, Tong avisou que existe o perigo de que o consumo da população se transfira ainda mais para o Interior, numa altura em que a economia local atravessa grandes desafios, principalmente ao nível das Pequenas e Médias Empresas.

1 Abr 2026

Taiwan | Estudante de Macau atropelado por autocarro

O jovem de 20 anos foi atingido quando atravessava uma passadeira no campus da Universidade de Chang Gung, em Taoyuan, e teve de ser hospitalizado em estado grave. A empresa assumiu as culpas e garante ir assumir todas as despesas

Foto: Guishan Precinct /FocusTaiwan

Na quinta-feira da semana passada, um estudante de Macau foi atropelado na cidade de Taoyuan, em Taiwan, no campus da Universidade de Chang Gung. A informação de que o aluno foi atropelado ao atravessar na passadeira foi relatada pelos meios de comunicação social da antiga Ilha Formosa. O estudante, com o apelido Wong, ficou numa situação considerada grave, mas manteve-se consciente depois do atropelamento, apesar de ter sofrido fracturas na zona abdominal e pélvica, lacerações perineais e múltiplas escoriações nos membros inferiores.

Os bombeiros chegaram ao local para estancar a hemorragia, tratando depois do transporte para a urgência do hospital. Posteramente, o aluno com 20 anos foi encaminhado para as urgências, estando agora na unidade de cuidados intensivos.

Após o sucedido, as investigações das autoridades de Taiwan concluíram que o acidente aconteceu por volta das 22h, quando o motorista atropelou Wong, que se encontrava a atravessar na passadeira. O aluno foi atingido pela roda dianteira esquerda. Só nessa altura o condutor se apercebeu do atropelamento.

O motorista alegou que quando virou à esquerda, não viu ninguém. Depois de verificar a videovigilância, a polícia concluiu que o atropelamento aconteceu quando o estudante local se encontrava num ângulo morto, e por não ter sido cedida a passagem numa passadeira. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, e o condutor está indiciado dos crimes de ofensa à integridade física por negligência.

Limites para cumprir

Em reacção ao acidente, a Universidade de Chang Gung afirmou que o limite de velocidade no campus é de 30 quilómetros por hora, e que no campus foram instalados radares de velocidade e lombas de redução de velocidade. Além disso, a instituição indicou que pediu às companhias de autocarros e a outros veículos que cumpram as regras impostas e que conduzam de forma defensiva, ao cederem a passagem nas passadeiras ou quando mudam de direcção.

A universidade garantiu ainda que contactou imediatamente com a família do Wong, para explicar o sucedido, apresentar à família o plano de realojamento do estudante, quando tiver alta, para a continuar a recuperação, além de prestar medidas de apoio. A instituição afirmou ainda ter começado a tratar dos procedimentos para accionar o seguro.

Por sua vez, a companhia de autocarros, a San Chung Bus, afirmou que pede sempre aos motoristas para cumprirem as regras de trânsito. A SanChung Bus revelou ainda que o motorista trabalha há mais de 12 anos na empresa que o seu desempenho foi sempre considerado “bom”.

Apesar disso, enquanto prosseguem as investigações, o condutor foi suspenso. A empresa afirmou ainda ter pedido desculpas à família de Wong e à universidade, indicando que vai assumir o pagamento da indemnização pelo acidente, assim como as despesas médicas. Ao canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicaram ter comunicado com a família do Wong para acompanhar o caso.

31 Mar 2026

Crime | Psicoterapeuta detido por suspeitas de assédio e abuso sexual

As alegadas vítimas do profissional de saúde mental, são uma paciente, que durante vários anos se manteve em silêncio por temer que a informação emocional partilhada nas consultas fosse utilizada contra si, e ainda quatro estagiárias, orientadas pelo detido

Um psicoterapeuta, com 47 anos, foi detido, por suspeitas de assédio e abusos sexuais, com as vítimas a serem uma paciente e quatro estagiárias. O caso foi divulgado pela Polícia Judiciária (PJ), na sexta-feira, e envolve um residente local. O homem trabalhava numa clínica de terapia há mais de 10 anos e todas as vítimas são residentes locais. No caso das estagiárias, os crimes foram alegadamente cometidos no último ano. O detido, além de psicoterapeuta, era o supervisor dos estágios das vítimas.

No caso da paciente, de acordo com o relato da PJ, os alegados crimes terão começado em 2021, quando a vítima procurou ajuda para ultrapassar problemas emocionais. Com a desculpa de que pretendia aliviar o stress da vítima, o psicoterapeuta começou por aplicar uma massagem corporal à paciente, em que colocou as mãos dentro da roupa interior ao nível do peito e na cintura.

Apesar do incidente, a vítima não apresentou queixa imediatamente, e afirmou temer que a informação pessoal e emocional recolhida pelo detido fosse utilizada contra si. No entanto, como com o passar dos anos nunca conseguiu ultrapassar a raiva do sucedido, e acabou mesmo por apresentar queixa criminal.

Em relação às estagiárias, o orientador é acusado de lhes tocar repetidamente na cintura, ancas e braços, como a desculpa de que as estava a orientar. As estagiárias não apresentaram queixa imediatamente, por temerem represálias ao nível da avaliação. Contudo, depois de comentarem entre si o sucedido, decidiram em conjunto apresentar uma queixa criminal.

Instituição protegida

Durante a conferência de imprensa, a PJ recusou libertar qualquer tipo de informação relacionada com a clínica, segundo o jornal Ou Mun, utilizando como desculpa o segredo de justiça. A PJ recusou também divulgar se a instituição onde o psicoterapeuta exercia a profissão era pública ou privada, o que foi justificado com o facto de a investigação ainda estar em curso.

O homem foi detido no local de trabalho e está indiciado dos crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, que tem uma pena mínima de um ano e máxima de 10 anos, e de importunação sexual, que prevê uma pena que pode chegar a um ano de prisão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Associação expressa “raiva”

A Associação Geral das Mulheres de Macau afirmou sentir “raiva”, depois do caso ter sido divulgado pelas autoridades. Em comunicado, a associação, através da vice-administradora executiva Chu Oi Lei sublinhou que as vítimas sentiram medo de sofrer retaliações, no momento de apresentarem queixa criminal.

Por isso, Chu apelou às vítimas deste tipo de crimes que confiem na capacidade da polícia e não se deixem intimidar, para evitar que os infractores façam mais vítimas. A responsável defendeu também que o Governo se deve coordenar com a população para criar um mecanismo de apoio para dar aconselhamento psicológico e assistência às vítimas destes crimes.

30 Mar 2026

Economia | Mulheres pedem ronda do Grande Prémio para o Consumo

Face ao reduzido impacto nas zonas residenciais do número recorde de turistas, a Associação das Mulheres pede mais iniciativas para beneficiar estas zonas e promover a recuperação económica. Entretanto, Governo anuncia hoje novo grande prémio de consumo

A Associação Geral das Mulheres de Macau defende que é necessário o Governo lançar uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo e melhorar os moldes do programa de promoção do consumo interno. A ideia consta num comunicado da associação, em que é indicado que apesar de o número de turistas ter sido superior a 10 milhões até 21 de Março, a economia comunitária continua a sofrer com a queda do consumo.

Segundo o comunicado, os membros do Gabinete de Estudo das Políticas da associação, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng, justificaram que actualmente o ambiente de consumo nos bairros comunitários é pouco dinâmico. Como tal, será necessário repetir as iniciativas do passado, com a atribuição de cupões para consumir e organizar mais festas nos bairros residenciais.

Ip e Chan também indicaram que recentemente a associação realizou um inquérito junto de comerciantes e residentes, que pediram ao Governo que pondere os modelos do Grande Prémio para o Consumo com a adopção de novos formatos.

Como parte das sugestões para o novo formato, os inquiridos pediram cupões com um prazo mais prolongado e ainda a possibilidade de fazer o sorteio dos descontos durante o fim-de-semana. Uma vez que os cupões são distribuídos através de sorteios nas aplicações móveis, os inquiridos defenderam ainda a implementação de maiores probabilidades de ser premiado no sorteio.

Tendo em conta as sugestões de comerciantes e residentes, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng defenderam que os sorteios de sejam realizados aos sábados e domingos, para o consumo acontecer durante os dias úteis e criar um “ciclo de consumo que se prolonga toda a semana”.

Vida mais cara

Entretanto, e já depois da divulgação desta nota, o Governo anunciou a criação de uma nova ronda do “Grande Prémio para consumo nas zonas comunitárias 2026”, cujos detalhes serão anunciados hoje em conferência de imprensa. Entre os motivos que levam a Associação das Mulheres de pedirem mais incentivos ao consumo, consta também o facto de a organização se mostrar preocupada com a subida dos preços, que tem atingido principalmente os grupos vulneráreis, como os idosos.

Em relação aos mais velhos, Ip e Chan defenderam também um novo modelo. Em vez dos idosos terem de carregar o cartão de consumo, para poderem obter descontos, como aconteceu nas versões mais recentes, a associação quer que os carregamentos deixem de ser obrigatórios. Segundo esta fórmula, os idosos receberiam um subsídio para gastar.

Ao mesmo tempo, a associação defende que o Executivo deve alargar a rede de benefícios do actual Cartão de Benefícios Especiais para Idosos, criada pelo Instituto de Acção Social. Com este esforço foram também pedidos mais apoios de divulgação e redução de custos e impostos a comerciantes, para gerar descontos permanentes para os idosos.

27 Mar 2026

Hengqin | Mais um dirigente de empresa estatal acusado de corrupção

O antigo gerente-geral da Da Heng Qin Investment, Wu Pusheng, foi acusado de receber subornos e abuso de recursos públicos. Wu Pusheng é o segundo dirigente da empresa responsável pelo desenvolvimento de Hengqin a cair nas malhas da justiça chinesa em menos de um ano

Wu Pusheng, que foi dirigente-geral da empresa estatal Da Heng Qin Investment, vai ser julgado pela suspeita aceitar subornos, abuso de poder e de recursos públicos para proveito próprio, depois de ter sido anunciado que corre um processo criminal que já foi encaminhado para o Ministério Público.

As informações foram divulgadas na segunda-feira pela Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em comunicado, as autoridades da cidade vizinha referem que Wu Pusheng teve uma crise ideológica, traindo as missões políticas originais, demonstrou deslealdade e desonestidade perante o Partido Comunista Chinês (PCC) e não colaborou com a investigação. Acção que terão determinado a expulsão do partido.

A entidade acusou o empresário de violar “princípios fundamentais de integridade, receber prendas, dinheiro e violar as regras do PCC. Além disso, foi acusado de receber subornos, abusar de recursos públicos para o uso privado, concorrência desleal, abuso de poder para beneficiar terceiros em contratação de projectos de obras e aceitar ilegalmente grandes somas de dinheiro e bens materiais de elevado valor.

A Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai acrescentou que Wu Pusheng “não se conteve” em continuar acções graves, mesmo depois do 18.º Congresso Nacional do PCC, em 2012, onde Xi Jinping deu início à campanha anti-corrupção.

Disco riscado

As acusações que recaem sobre Wu Pusheng são semelhantes às que incidiram sobre Hu Jia, o ex-presidente da Da Heng Qin Investment e seguem a linha habitual da campanha anti-corrupção.

Em Maio do ano passado, o antigo presidente do grupo empresarial, Hu Jia foi acusado de violações à disciplina e à lei e ficou sob investigação da Comissão Municipal de Inspecção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai. Em Setembro, o organismo anunciou que Hu Jia recebeu subornos entre 2015 e 2024, acabando também por ser expulso do PCC e a investigação seguiu para o Ministério Público.

Após a divulgação do caso de Hu Jia, o vice-director do Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Su Kun demitiu-se do cargo por “motivos pessoais”. Su Kun está desde 4 de Fevereiro a cumprir um período experimental de seis meses como técnico superior assessor no gabinete do secretário para Administração e Justiça Wong Sio Chak.

25 Mar 2026

Hengqin | Homicídio perto de Novo Bairro de Macau

Uma estudante da MUST morreu na sexta-feira na sequência de um assalto a um apartamento que dista 3 quilómetros do Novo Bairro de Macau e menos de 1 quilómetro do posto fronteiriço. O suspeito está detido e a universidade local garantiu estar a acompanhar o caso

Na passada sexta-feira, um assalto a um apartamento acabou tragicamente com a morte de uma das vítimas, uma jovem estudante da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) que dividia casa com mais três jovens, todas do sexo feminino.

O Departamento de Segurança Pública de Hengqin emitiu um comunicado a confirmar a detenção de um homem de 26 anos de idade, suspeito de ter atacado as duas mulheres e morto uma delas. “Na noite de 20 de Março, o suspeito entrou numa área residencial em Hengqin e roubou duas vítimas, uma delas morreu. O caso continua em investigação”, indicaram as autoridades num comunicado emitido no domingo, sem acrescentar mais detalhes. Até ontem, não foram divulgadas mais informações sobre o caso, tanto das autoridades chinesas como das congéneres de Macau, incluindo se a vítima era residente da RAEM.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, a MUST confirmou no domingo que a vítima mortal era uma estudante da universidade. “A universidade está a levar o assunto muito a sério e criou um grupo de trabalho para acompanhar o caso. Uma vez que a polícia do Interior da China está actualmente a investigar, não há mais informações disponíveis neste momento”, indicou a MUST.

Preencher lacunas

Com a limitada informação divulgada pelas autoridades de Hengqin, começaram a circular online dados não confirmados sobre o caso. O jornal Cheng Pou cita internautas que referiram que o apartamento onde ocorreu o crime era habitado por quatro jovens, e que duas estariam fora de casa na altura em que o suspeito entrou na residência.

Segundo o que o HM conseguiu apurar, o crime ocorreu no complexo habitacional de luxo Acesite Mansion, que fica a cerca de 3 quilómetros de distância do Novo Bairro de Macau em Hengqin e a cerca de meio quilómetro do posto fronteiriço entre a Ilha da Montanha e Macau.

O homicídio da jovem estudante ocorreu três meses depois de um ataque com faca no centro comercial Ponto Legend, também perto da fronteira com a RAEM. Cerca de um mês antes do ataque, em meados de Novembro, verificou-se uma situação semelhante em Zhuhai com um homem que terá agredido com uma faca transeuntes na área de Xiangzhou.

24 Mar 2026

Concertos | Song Pek Kei pede detalhes sobre descontos

Depois de o Governo ter anunciado um plano para incentivar, através de descontos, espectadores de concertos a gastar dinheiro nos bairros residenciais, Song Pek Kei pergunta quando arranca o programa. Os transportes para os bairros também merecem a atenção da deputada

A atracção de turistas para as zonas afastadas dos pontos turísticos mais populares de Macau continua a ser uma questão para a qual tem sido difícil encontrar soluções.

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano, o Executivo introduziu o “Programa de Concertos + Benefícios de Consumo nos Bairros Comunitários”. A ideia pode resumir-se à distribuição de cupões de descontos, que só podem ser usados no comércio e restauração dos bairros residenciais, a turistas e residentes que comprem bilhetes para espectáculos em Macau através de determinadas plataformas online.

Uma vez que não foram divulgadas mais informações desde a menção nas LAG, Song Pek Kei escreveu uma interpelação a pedir detalhes sobre este programa. A deputada, ligada à comunidade de Fujian, sublinhou a intenção do Governo de fazer de Macau uma cidade de concertos, apesar da vaga de eventos cancelados nos últimos meses.

Corrida de barreiras

A legisladora salienta que a “economia de concertos” tem sido um importante factor para a diversificação da economia da região. Porém, as alterações nos padrões de consumo, a forma como as autoridades referem o baixo consumo e quebra de poder de compra dos turistas, e a instabilidade internacional acrescentam barreiras adicionais à economia dos bairros afastados dos pontos quentes de turismo. Estas mudanças tornaram a vida mais cara e retiraram confiança aos consumidores.

Song Pek Kei destaca também a importância de optimizar infra-estruturas comunitárias, que acabem com o “isolamento” dos bairros em relação às rotas turísticas. “Actualmente, os transportes em Macau envolvem principalmente deslocações entre a península e o Cotai, ou viagens directas para locais de concertos, com percursos de ponto a ponto”, argumenta.

Para que os bairros residenciais sejam mais visitados por turistas, a deputada recordou que Sam Hou Fai prometeu optimizar os transportes públicos para permitir que quem visita Macau para ver um espectáculo passe pelas zonas “esquecidas”, impulsionando a economia comunitária. Como tal, a legisladora pergunta quais os planos do Governo para atingir essa meta.

24 Mar 2026

Trânsito | Acidente entre carros e autocarro causa quatro feridos

Após uma ultrapassagem pela esquerda, uma viatura com sete lugares perdeu o controlo e atingiu outro carro e um autocarro. Apesar do impacto, e de um dos condutores ter ficado encarcerado, todos os feridos foram considerados ligeiros

Quatro pessoas ficaram feridas, depois do condutor de um carro de sete lugares ter perdido o controlo da viatura e embatido noutra viatura e num autocarro público. O caso aconteceu na noite de quarta-feira, por volta das 19h30, obrigou a cortar o trânsito no local do embate, na Avenida da Amizade, em frente do Edifício do Grande Prémio de Macau. O vídeo do acidente tornou-se viral nas redes sociais.

De acordo com as imagens divulgadas online, quando circulava na recta em frente ao Edifício do Grande Prémio, em direcção ao centro de Macau, o condutor da viatura que se despista, de cor branca, começa por fazer uma ultrapassagem pela esquerda ao veículo que está a captar as imagens. Feita a primeira manobra, o homem muda de faixa de rodagem para tentar ultrapassar uma moto.

No entanto, a mudança de direcção é feita antes de uma curva para a esquerda, que coincide com a primeira curva do Circuito da Guia, pelo que o condutor perde o controlo da viatura, embate nos separadores de plástico e atinge um outro carro de sete lugares e um autocarro.

Como consequência do embate, o condutor do veículo de sete lugares atingido ficou preso e teve de ser desencarcerado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o jornal Ou Mun, quando foi transportado para o hospital, o homem estava consciente e as autoridades indicaram que não corria perigo de vida. Os restantes feridos, com menor gravidade, são o condutor do autocarro e uma passageira, que se queixaram de dores no peito, e ainda o condutor do veículo responsável pelo acidente.

Álcool zero

Segundo as autoridades, os testes do álcool realizados ao condutor da viatura branca e do autocarro no local do acidente apresentaram resultados negativos, com o encarcerado a ser testado apenas mais tarde. Todos os condutores são residentes de Macau.

Numa investigação preliminar ao acidente, as autoridades consideraram que o embate se deveu ao facto de o condutor do carro branco ter feito uma ultrapassagem ilegal e ter entrado em velocidade excessiva na curva onde perdeu o controlo da viatura.

Nas imagens que circularam online, o carro branco, com matrícula de Macau, Hong Kong e do Interior, surge carregado de caixas brancas, o que levantou suspeitas de poder estar envolvido em actividades de contrabando. Todavia, este aspecto não foi abordado pelas autoridades na conferência de imprensa no local do acidente.

Dispositivo mobilizado

Após o registo do acidente, as autoridades enviaram para o local dois veículos de resposta a emergências e quatro ambulâncias, num total de 26 bombeiros. No local, três dos quatro feridos encontravam-se à beira da estrada a aguardar por auxílio, enquanto o outro condutor estava preso dentro da viatura.

A operação de desencarceramento demorou cerca de 40 minutos, com os trabalhos a serem dificultados pelo facto de o condutor estar preso pela parte inferior do corpo. Por volta das 20h12, foi possível remover o homem e levá-lo para o hospital. As equipas de salvamento trataram também de encerrar a estrada ao trânsito, que se manteve fechada até por volta das 20h45, altura em que as operações de reboque das viaturas danificadas e de limpeza da estrada ficaram concluídas.

20 Mar 2026

Moradores | Pedidos de ajuda de estudantes a aumentar

O Centro de Aconselhamento aos Estudantes da associação dos Moradores tem registado um aumento de casos de apoio psicológico nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Cada profissional pode ter em média entre 30 a 40 casos, acima do limiar recomendado pelo Governo

O acompanhamento psicológico a alunos, em especial do secundário, tem seguido uma tendência de aumento nos últimos anos, com particular incidência depois da pandemia da covid-19. Um dos exemplos dessa realidade vive-se no Centro de Aconselhamento aos Estudantes da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM). A chefe de coordenação dos serviços sociais da associação, Chau Un Ian, revela que a procura de serviços de psicologia e saúde mental aumentou significativamente.

Em declarações ao jornal Ou Mun, a responsável admitiu que o centro dos Moradores passou a disponibilizar mais actividades e serviços relacionados com saúde mental. Porém, a sobrecarga dos assistentes de aconselhamento é um factor de preocupação. Importa referir que entre os critérios de admissão destes profissionais estão licenciaturas em psicologia ou serviço social.

Hoje em dia, cada profissional acompanha em média entre 30 a 40 casos, volume que Chau Un Ian sublinha estar acima das recomendações da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. Em 2018, foi publicado um estudo sobre a organização da prestação de serviços de apoio psicológico, a pedido do Governo, em que se recomenda que cada profissional acompanhe até 30 casos de curto prazo e 20 de longo prazo.

A febre da IA

A responsável dos Moradores indicou ainda que há profissionais do centro que acompanham cerca de 40 casos graves. Sobre a forma como os jovens entram no radar das equipas de apoio psicológico do centro, Chau Un Ian explica que por vezes são identificados pelo pessoal destacado nas escolas, através de pedidos directos dos alunos, ou quando são referenciados pelas escolas.

A coordenadora realça também o papel negativo que o ambiente económico pode ter na saúde mental dos jovens. Por exemplo, se um dos pais fica desempregado, com horário de trabalho e salário reduzido, ou sofre pressões económicas, essa ansiedade pode ser passada para a criança ou jovem. Estes factores tornaram-se também foco da intervenção dos profissionais do centro de aconselhamento dos Moradores.

Para lidar com os problemas suscitados por relações familiares, Chau Un Ian indicou que o centro está a estudar a possibilidade de usar ferramentas tecnológicas de Inteligência Artificial, como jogos para aliviar a carga emocional e o stress das jovens, métodos que já são familiares para os mais novos.

20 Mar 2026

Tabaco | Governo acha difícil proibir fumo a quem anda nos passeios

Num período em que decorre a consulta pública sobre o aumento de restrições ao consumo de tabaco, o Governo afasta a possibilidade de uma proibição total de fumar e de aumentar os impostos sobre o tabaco

O chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo dos Serviços de Saúde (SS), Lam Chong, considera difícil de implementar uma proibição de fumar para quem caminha nas ruas. A limitação foi reconhecida durante o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

“Estudamos as práticas a nível mundial em relação às pessoas que fumam enquanto caminham e nenhum país ou região conseguiu implementar este tipo de proibição”, afirmou Lam Chong, depois de ser confrontado com uma ouvinte que ligou para o programa a defender a proibição. “As práticas mais aplicáveis, que também estão previstas nas alterações propostas, passam pela classificação das zonas com maior fluxo de visitantes como locais em que é proibido fumar”, indicou.

Lam Chong reconheceu que as medidas não satisfazem a pretensão de parte da população de proibir quem caminha de fumar. No entanto, existe a esperança entre o Governo de contribuir para diminuir o impacto do fumo nos locais ao ar-livre com maior concentração de pessoas.

Ao mesmo tempo, Lam Chong destacou que as classificações de certas zonas como locais em que é proibido fumar pode transformar-se numa mensagem para os fumadores que o seu vício é tido como um acto indesejável.

Luta anti-tabaco

No programa de ontem do Fórum Macau foram discutidas as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, uma vez que decorre uma consulta pública até 8 de Abril.

Segundo as medidas propostas pelo Executivo, vai ser implementada uma proibição total de qualquer contacto com cigarros electrónicos, assim como outros produtos de tabaco, como xixa. Anteriormente, o Executivo explicou esta opção por considerar que este tipo de produtos de tabaco são portas de entrada para o mundo das drogas.

No entanto, o Executivo vai continuar a proibir os cigarros tradicionais, mesmo que ontem alguns ouvintes tenham defendido uma proibição de todos os produtos de tabaco ou um aumento enorme do imposto sobre o tabaco. Contudo, Lam Chong defendeu os cigarros tradicionais: “A proibição total não é apropriada, porque as pessoas vão andar a fumar às escondidas”, frisou.

Actualmente, o imposto sobre o tabaco ocupa 60 por cento do preço a retalho. Lam Chong argumentou que não se deve aumentar mais o preço através dos impostos, porque o valor é menor nas regiões vizinhas, o que vai fazer com que haja cada vez mais contrabando.

Sem revistas

Quanto à proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos, Lam Chong apontou que vai visar todos os fumadores, mesmo os que apenas tenham este tipo de equipamentos guardados numa bolsa. No entanto, o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo indicou que os inspectores não vão ter competência para realizar buscas, por isso, as situações em que os cigarros estão escondidos não devem levar a multas.

Um outro ouvinte mostrou-se preocupado com a gravação de vídeo pelos inspectores que pode violar a privacidade pessoal. Na resposta, o subdirector dos SS, Cheang Seng Ip, garantiu que os inspectores só ligam as câmaras de vídeo se houver um conflito e ameaças durante o processo de aplicação de lei. O responsável também explicou que antes de ligarem os equipamentos de gravação, os inspectores terão de informar os indivíduos envolvidos. E se não houve ocorrências anormais, a gravação vai ser eliminada após sete dias.

19 Mar 2026

Caso Kong Chi | Pena aumentada para 24 anos de prisão

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) concluiu ontem o segundo julgamento de Kong Chi, ex-Procurador-Adjunto da RAEM, e aumentou-lhe a pena de 21 anos de prisão para 24 anos. O colectivo de juízes considerou Kong culpado de vários crimes de corrupção, prevaricação e abuso de poder.

Em relação aos outros arguidos, o advogado Ho Kam Meng foi condenado com uma pena de prisão de 15 anos e a empresária Choi Sao Ieng com uma pena de 16 anos e 9 meses de prisão. A advogada e quarta arguida Kuan Hoi Lon, que nunca esteve presente durante o julgamento, foi absolvida de todas as acusações.

Segundo o jornal Ou Mun, durante a leitura da sentença, o juiz Choi Mou Pan considerou ter ficado provado que Kong Chi utilizou a sua posição no Ministério Público para arquivar ou pedir a absolvição de arguidos em vários casos, recebendo vários benefícios em troca. Esta actividade foi desenvolvida em conjunto com o advogado Ho Kam Meng e a empresária Choi Sao Ieng.

Choi Mou Pan apontou também que aquando da transferência de soberania, Kong Chi fez um juramento do cumprimento dos princípios legais, de integridade e de salvaguarda dos interesses da RAEM. Contudo, para os juízes ficou provado que Kong abusou seus poderes para obter ganhos pessoais, violando as leis.

O tribunal destacou ainda que os vários crimes dados como provados só foram possíveis devido à postura do ex-Procurador-Adjunto e que sem ele não teriam ocorrido. Choi Mou Pan afirmou também que a conduta de Kong Chi “teve um impacto profundo em Macau”.

Rol de acusações

O ex-Procurador-Adjunto da RAEM estava acusado de 79 crimes, entre os quais 56 crimes de prevaricação, todos em co-autoria com Ho Kam Meng, e outros 23 crimes de corrupção passiva para acto ilícito.

Ho Kam era acusado de criar/fazer parte de uma associação secreta. Esta associação envolve Kong Chi e Choi Sai Ieng, que foram condenados por este crime no primeiro julgamento. O advogado estava ainda acusado de outros 68 crimes, entre os quais 12 crimes de corrupção passiva para acto ilícito e 56 crimes de prevaricação em co-autoria com Kong Chi.

No caso do advogado Ho Kam Meng, o tribunal deu como provado que integrava e prestava apoio à associação ou sociedade secreta, à qual pertenciam também Kong Chi e Choi Sao Ieng, crime pelo que já tinham sido condenado no primeiro julgamento.

Quanto a Kuan Hoi Lon, a advogada foi dada como inocente, por se considerar que não ficou provado ter agido além das suas competências legais.

18 Mar 2026

Macao Water | Esperada subida de 3% no consumo

O ano passado ficou marcado por uma redução do consumo de água, ao contrário das expectativas. A deslocação dos residentes para fora do território durante as férias e fins-de-semana foi indicada como a causa da contracção

A directora executiva da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (Macao Water), Nacky Kuan Sio Peng, prevê um aumento do consumo de água em Macau ao longo deste ano a rondar os 3 por cento. O cenário foi traçado pela gestora da sociedade à margem de um Almoço de Ano Novo Lunar com órgãos de comunicação social.

A dirigente justificou a estimativa com inauguração de mais hotéis e habitações. “Apesar das obras de construção terem ficado concluídas [o que leva a uma redução do consumo], prevemos um aumento anual de três por cento no consumo de água, porque os habitantes da Zona A dos Novos Aterros Urbanos e do lote P na Areia Preta vão mudar-se para as habitações, e também porque alguns projectos hoteleiros nas ilhas vão ser inaugurados e vão entrar em funcionamento”, afirmou Nacky Kuan.

Quanto à utilização de água reciclada, que começou a ser fornecida a 1 de Março às habitações públicas em Seac Pai Van e à Universidade de Macau, Nacky Kuan fez um balanço positivo dos serviços e indicou que actualmente a média diária de fornecimento deste tipo de água é de 1,5 mil metros cúbicos. A água reciclada é um tipo de água não potável, que recebe um tratamento mínimo para ser utilizada nos autoclismos e na rega de espaços verdes.

Menor consumo

Em relação ao balanço do consumo de água no ano passado, a empresa reconheceu que houve uma redução de 0,7 por cento. “Apesar de se realizarem muitos eventos e concertos, e o número de turistas ter registado um aumento ideal, o que resultou num aumento do fornecimento de água nas ilhas de 3 por cento, o número foi afectado pela quebra no consumo de água pelos residentes e com o fim de várias construções”, explicou a responsável.

A redução do consumo de água contraria as expectativas da empresa, que em 2025 previa um aumento de 3 por cento no consumo, o que acabou por não se verificar. Nacky Kuan considerou que o consumo de residentes no exterior foi a razão que resultou na queda do consumo de água, particularmente durante as férias e os fins-de-semana. A responsável também apontou que o consumo de água pelas pequenas e médias empresas ainda não recuperou para os níveis pré-pandemia.

A nível da cooperação inter-regional, no ano passado, a Macao Water aderiu à Aliança do Sector de Conservação de Água da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, com o objectivo de promover conjuntamente a inovação no âmbito da conservação da água. Além disso, a empresa também participou, pela primeira vez, como membro da comissão organizadora num simpósio promovido pela Associação Internacional da Água.

A empresa fez ainda o balanço sobre várias obras terminadas no ano passado, como, por exemplo, a ampliação da Barragem de Seac Pai Van, assim como a instalação da rede de abastecimento de água e de condutas subterrâneas partilhadas na Zona A. Também no início deste ano, entrou em funcionamento a segunda fase da obra de ampliação da Estação Elevatória de Pinggang, em Zhuhai.

18 Mar 2026

Obesidade | Associação alerta para riscos da comida “ocidental”

Vice-presidente de nova associação médica culpa os novos “hábitos alimentares ocidentalizados” pelo crescimento da obesidade em Macau, e pede à população que consuma menos take-away e faça mais exercício

 

A vice-presidente da Associação Médica de Obesidade de Macau, Chou Mei Fong, considera que a adopção de “hábitos alimentares ocidentalizados” pela população está a levar a um aumento da obesidade. A posição foi tomada durante a cerimónia de fundação da Associação Médica de Obesidade de Macau, que aconteceu no domingo, e representou também a primeira sessão académica sobre o tema.

Segundo o jornal Ou Mun, a vice-presidente da associação, Chou Mei Fong, alertou que, com base em inquéritos realizados no passado, mais de metade dos adultos em Macau têm excesso de peso. E entre as razões apontadas pela associação para uma tendência que se está a tornar cada vez mais comum, encontram-se os “hábitos alimentares ocidentalizados”.

No âmbito desta posição, Chou Mei Fong sugeriu à população que preste mais atenção aos hábitos da vida, pratique mais exercício e evite ao máximo encomendar take-away, porque indicou ser um hábito propício ao desenvolvimento da obesidade.

No âmbito da promoção de regimes de alimentação mais saudáveis, Chou Mei Fong prometeu uma associação em coordenação com o Governo para contribuir para a implementação do Plano de Acção para Macau Saudável.

A associação espera assim contribuir com iniciativas como actividades para pesar os residentes, e promover um maior controlo, realização de intercâmbio com associações locais e instituições médicas.

 

Mais investigação

Por sua vez, a presidente da associação, Mónica Cristina Pon, apontou que a fundação da associação não só é a concretização das estratégias do Plano de Acção para Macau Saudável, mas também serve para integrar os recursos médicos, promovendo a cooperação de vários partes e uma plataforma inovadora.

Os objectivos definidos pela profissional de saúde para a associação, passam também por elevar o nível académico dos médicos, divulgar as medidas de gestão saudável do peso e promover a prevenção da obesidade. A associação espera igualmente contribuir para que haja serviços médicos de maior qualidade.

Na cerimónia esteve também presente o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, que reconheceu o impacto da obesidade em Macau, apontado que o fenómeno não é recente, como acontece um pouco por todo o mundo.

Alvis Lo elogiou ainda a fundação da associação, que considerou ser uma necessidade, desejando que este movimento se possa assumir como uma plataforma profissional para promover os estudos em Macau sobre fenómenos como a obesidade, metabolismo, ou outras áreas como a nutrição, farmacologia, e medicina comportamental.

A prevenção e controlo da obesidade fazem parte dos objectivos do Plano de Acção para Macau Saudável do Governo.

17 Mar 2026

Economia | Sugerida importação de gasolina sem chumbo 95

Nick Lei quer que o Governo assuma com maior acutilância o papel de supervisão e protecção dos direitos dos consumidores face às flutuações de preços dos combustíveis. Em virtude do aumento dos preços, o deputado sugere a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata, à semelhança das práticas do Interior da China

 

Desde o início do ano, os preços dos combustíveis têm aumentado várias vezes, com a intensidade da inflação a intensificar-se desde a guerra do Irão. Tendo em conta esta realidade, Nick Lei defende que o Governo tem de assumir um papel mais determinante na supervisão da venda de combustíveis, de acordo com a lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, intervindo para impedir flutuações acentuadas ou excessivamente elevados.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou no sábado o preço médio da gasolina sem chumbo 98 subiu para 15,73 patacas por litro e que no espaço de uma semana, as gasolineiras impuseram aumentos sucessivos, com a média de um litro a passar de 15,09 para 16,01 patacas.

Uma das formas de atenuar as flutuações de preços apontadas pelo deputado foi a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata do que a gasolina sem chumbo 98, permitindo alargar a escolha dos consumidores à semelhança do que se passa no Interior da China.

Aliás, a possibilidade de passar a encher o depósito do outro lado da fronteira é um dos argumentos de Nick Lei.

“No passado, não havia escolha possível, mas desde que passou a ser permitida a circulação de veículos com matrícula de Macau em Guangdong, muitos condutores passaram a abastecer lá”, vincou.

 

Novas condições

O deputado lembrou que o Governo já havia prometido incluir nos critérios de candidatura a concursos públicos para a concessão dos terrenos destinados a postos de abastecimento de combustíveis a exigência de fornecimento de gasolina sem chumbo 95 nos postos de venda.

Com o desenvolvimento da Zona A dos Novos Aterros Urbanos em curso, Nick Lei sugeriu ao Governo que aplique esse critério para os postos de abastecimento de combustíveis que vão servir aquela zona da cidade.

Outro argumento do legislador, prende-se com a transparência da forma como o preço dos combustíveis varia, em particular sobre as razões pelas quais, por vezes, os preços aumentam subitamente, mas baixam lentamente, raramente recuperando completamente. Como tal, Nick Lei gostaria de saber que princípios estão no cerne das flutuações de preços de combustíveis, entre a importação e a chegada às bombas de abastecimento.

Além disso, como os combustíveis afectam quase todos os aspectos da economia e da vida da população, Nick Lei entende que o Governo deveria fazer mais para controlar os preços.

16 Mar 2026

Trabalho | Poder do Povo volta a pedir substituição de TNR ao Governo

A antiga Associação Poder do Povo, que mudou o nome para Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo a pedir ao Governo de Sam Hou Fai para apostar na formação de quadros qualificados entre os jovens locais. Apesar da mudança de nome, a associação continua a insistir na substituição de trabalhadores não-residentes (TNR).
Na missiva entregue a Sam Hou Fai, o presidente da associação, Lam Weng Ioi, criticou o programa de captação de quadros qualificados por atribuir “centenas” de BIR de Macau por ano, quando existem trabalhadores locais que correspondem aos critérios do programa. O responsável mencionou o programa para a indústria de big health como exemplo da uma medida que não privilegia os locais, que tem como critérios dois anos de experiência profissional na área e formação universitária.
Além disso, o dirigente pediu paciência às empresas, apelando à aposta em residentes recém-licenciados, e criticou a desactualização das políticas de gestão de TNR.

13 Mar 2026

Economia | Hengqin quer atrair lojas centenárias de Macau

As autoridades de Hengqin querem atrair as lojas centenárias e com características de Macau para a Ilha da Montanha. Para tal, lançaram apoios como a entrega de um subsídio de 300 mil renminbis. As medidas foram divulgadas na quarta-feira, durante uma apresentação das novas políticas de apoio à economia, que decorreu no Centro de Convenções e Exposições IFC de Hengqin.
O evento de quarta-feira visou informar a audiência sobre os benefícios para a economia dos novos apoios, que começaram a ser distribuídos no início do mês e se vão prolongar até ao final de 2029. Também como parte das medidas, consta a intenção de promover uma integração mais profunda entre Hengqin e Macau.
É neste contexto que surgem os apoios para atrair para a Ilha da Montanha as lojas em Macau classificadas pelo Governo da RAEM como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” ou “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Segundo o Executivo, que atribui as distinções, as marcas centenárias são as que têm “um legado histórico centenário, uma base cultural profunda e distintiva e possuem técnicas únicas”. As marcas típicas têm “uma longa história” ou “produtos, técnicas ou serviços herdados e transmitidos de geração-em-geração”. Finalmente, a classificação das Lojas com Características Especializadas e Delicadas distingue as lojas com “boa qualidade e integridade” que obtêm “uma reputação favorável”.
De acordo com as novas medidas aplicadas em Hengqin, se as subsidiárias destas lojas se estabelecerem no território e cumprirem os requisitos do programa, depois de operarem durante um ano têm direito a um apoio financeiro de 300 mil renminbis, pago de uma vez.
As medidas de apoio visam também a economia de baixa altitude, como a distribuição de drones, passeios turísticos de helicóptero e espectáculos de drones.

Tudo orquestrado
Segundo o comunicado da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o chefe da Divisão de Cultura, Turismo, Convenções e Exposições e Comércio, Lam In Kit, destacou que as medidas estão alinhadas com os objectivos da segunda fase de desenvolvimento da zona de cooperação, que passa por uma melhor integração de Hengqin e Macau.
O responsável apontou que as medidas constituem um sistema de apoios de “modernização industrial, diversificação negocial e actualização dos serviços”, que assim vai abranger mais pessoas e empresas, na esperança de que se injecte uma nova dinâmica na transformação de Hengqin numa Ilha Internacional de Turismo e Lazer e numa zona turística com classe mundial.
Durante a apresentação das medidas, foi também anunciado que o acesso aos apoios para as Pequenas e Médias Empresas vão ser facilitados. No caso das PME com volumes de negócios de 300 mil a um milhão de renminbi, haverá um pagamento de um apoio no valor de 5 por cento do volume de negócios, que não pode ser superior a 50 mil renminbis. Se o volume de negócios ultrapassar um milhão de renminbis, as empresas podem obter um bónus de dez por cento do volume, limitado a um máximo de 100 mil renminbis.

13 Mar 2026

Economia | Pedido regresso de cupões de consumo

A Associação Industrial e Comercial de Macau defende uma economia híbrida, com períodos em que as PME vivem com base no aumento de turistas, nas épocas altas, e nos apoios ao consumo, durante as épocas baixas

 

Face à redução do número de turistas em Macau, no pós-Ano Novo Lunar, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, defendeu mais medidas de incentivo ao consumo interno, como os cupões de desconto. A posição de Ng foi partilhada em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo a Associação Industrial e Comercial de Macau, os cupões de desconto são uma forma eficiente de promover a economia durante os períodos em que há menos turistas no território. Ng defendeu uma economia híbrida, com períodos em que as Pequenas e Médias Empresas (PME) conseguem viver apenas com as receitas adicionais dos turistas, durante as épocas altas, e outros em que face à redução dos visitantes, as PME recebem a ajuda dos cupões de consumo.

Ng Wah Wai avisou igualmente que o número de visitantes em Macau vai continuar a diminuir gradualmente nos próximos meses, pelo que a distribuição de cupões é vital para impulsionar a economia comunitária, e aliviar as preocupações das PME.

O presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau apelou também ao Executivo para que pondere permitir a utilização dos cupões em mais sectores, além da restauração e do retalho, e que aumente o montante directamente atribuído aos idosos.

Novos modelos

A possibilidade de serem distribuídos mais cupões de consumo foi abordada também por Matthew Liu Ting Chi, docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau.

Liu defendeu o programa dos cupões, por considerar que numa perspectiva macroeconómica e microeconómica estas medidas de incentivo ao consumo trazem efectivamente uma nova vitalidade ao mercado.

No entanto, o académico sugeriu que o Executivo pondere alterar o modelo utilizado nas últimas edições de atribuição de cupões. Até agora, este tipo de programas tem funcionado com os cupões a poderem ser obtidos por sorteio, realizado com base no consumo efectuado nos dias de semana. Os cupões podem depois ser utilizados no fim-de-semana imediatamente seguinte ao sorteio, e apenas nesses dias. Liu Ting Chi sugere um novo modelo em que as pessoas só se podem habilitar aos cupões quando consomem ao fim-de-semana, podendo depois utilizar os descontos durante os dias da semana.

O académico pediu também um período mais longo para a utilização dos cupões, além do fim-de-semana imediatamente a seguir à atribuição, para permitir novos padrões de consumo.

Desta forma, o académico da UM acredita que o consumo vai abranger mais sectores, além dos supermercados, farmácias e restaurantes, os sectores mais beneficiados pelas medidas anteriores.

12 Mar 2026

IAM | Calçada portuguesa pode ser de material antiderrapante

A calçada portuguesa fora das zonas históricas pode ser substituída por material antiderrapante, mantendo o padrão e design original, segundo um responsável do Instituto para os Assuntos Municipais. Nas zonas históricas, as autoridades vão manter a calçada, um dos elementos distintivos da cidade

 

A calçada portuguesa pode ser substituída por outro tipo de pavimento, antiderrapante, mas mantendo o mesmo tipo de padrão e estética. A ideia foi avançada ontem por Ng Chi Lun, do Departamento de Vias Públicas e Saneamento do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), durante o programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

O responsável afirmou que o seu departamento irá continuar a vistoriar e optimizar as calçadas portuguesas nas zonas históricas da cidade, assim como nas zonas tampão, adjacentes a áreas sujeitas a protecção patrimonial.

O tema principal do dia foi a campanha de limpeza da cidade, que irá avançar no fim do mês. Segundo indicou o presidente do IAM, Chao Wai Ieng, a campanha deste ano será mais abrangente do que a do ano passado, e com maior duração. “Lançámos a campanha pela primeira vez no ano passado, com a participação de vários serviços públicos, associações e instituições, no total de cerca de 50 mil pessoas. Montámos pontos de consulta e exposição nos bairros residenciais e elevámos a consciência da população para a manutenção de ambientes urbanos higiénicos e limpos, e para o combate aos ratos”, indicou o presidente do IAM.

Chegar mais longe

Chao Wai Ieng afirmou também que este ano o IAM pretende reforçar a frequência de acções de limpeza em edifícios sem assembleia de condóminos, organização de moradores ou uma empresa que tome conta da administração.

O lixo foi no ano passado a causa da larga maioria das queixas recebidas pelo Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade, que deu seguimento a 7.489 denúncias relativas a higiene e beleza das ruas. Destes quase 7.500 casos, cerca de 97 por cento foram resolvidos.

Também no ano passado, o IAM puniu cerca de 15 mil infrações por motivos higiénicos, mais de metade relacionados com acumulação de lixo nas vias públicas. Quanto às infracções cometidas por turistas, as mais frequentes foram deitar lixo no chão ou cuspir.

O chefe do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento do IAM, em resposta a um ouvinte, afirmou que o Parque Central da Taipa se destaca como um dos locais alvo de mais queixas devido à presença de fezes de cão.

12 Mar 2026

Tecnologia | Defendida criação de leis para robôs humanóides

O conselheiro Zeng Zengwei defendeu a criação de legislação para regular a circulação de robôs humanóides em Macau, depois da aparição na RAEM, na semana passada, de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais de uma mulher a ralhar com um robô

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Zeng Zengwei, defendeu a necessidade de criar legislação para regular o desenvolvimento dos robôs humanóides. A posição foi tomada numa reunião do conselho na quarta-feira, depois de um primeiro aparecimento de um robô humanóide nas ruas, mas antes do episódio mais recente, quando uma mulher foi filmada a dar um sermão a um robô.

Na intervenção da reunião, Zeng Zengwei alertou para os perigos que os robôs podem constituir, principalmente quando circulam junto de escolas e outros equipamentos sociais, em zonas com maior densidade populacional. “Recentemente um robô humanóide foi visto a circular nas ruas, como forma de promoção de uma empresa. O robô humanóide apareceu nas proximidades das escolas e de paragens de autocarros, locais densamente povoados”, descreveu o conselheiro. “No entanto, durante a caminhada, o robô teve vários encontrões pequenos, mas frequentes, com transeuntes. Eu testemunhei um desses encontrões com um estudante, quando este aguardava pelo autocarro”, revelou.

Uma vez que os robôs são máquinas e que a circulação entre a população pode implicar a causa de danos, em casos de avarias ou circunstâncias inesperadas, Zeng Zengwei indicou que é preciso definir um regime sobre as responsabilidades legais, em caso de acidentes e ferimentos.

Protecção de dados

O conselheiro surgiu assim a elaboração de “leis relacionadas com robôs humanóides, particularmente focados nas ameaçadas à segurança e ordem” durante a utilização dos espaços públicos, assim como a regulação da captação de imagens, para garantir o respeito pela lei da protecção de dados pessoais.

Além disso, foi igualmente defendida a necessidade de fazer um registo sobre os robôs humanóides que utilizam as ruas locais, assim como a criação de um sistema de certificação de segurança.

Apesar das críticas, o conselheiro destacou a importância do desenvolvimento tecnológico e do espírito empreendedor.

A mais recente polémica com robôs humanóides aconteceu na sexta-feira à noite, quando uma das máquinas foi levada por agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de acordo com as publicações nas redes sociais, sem que se tenha havido qualquer tipo de explicações públicas. O HM questionou as autoridades sobre o episódio, mas até ontem não recebeu qualquer resposta sobre o episódio. Antes da “detenção” do robô, uma mulher foi filmada a ralhar com o humanóide e a chamar-lhe maluco, depois de ter ficado assustada com a presença da máquina. Em reacção o robô levanta os braços, o que levou a mulher a abandonar o local.

10 Mar 2026

Hong Kong | Roubados 10 milhões a residente de Macau e familiar

Um residente de Macau e um familiar de Hong Kong foram alvo de um roubo de cerca de 10 milhões de dólares de Hong Kong, na sexta-feira, na estação do metro Sheung Wan. O caso foi revelado pela polícia de Hong Kong, e os ladrões detidos logo no local.

Segundo a informação divulgada em conferência de imprensa, as vítimas foram roubadas por dois ladrões, depois de serem ameaçadas com uma faca. O roubo aconteceu logo depois de o residente de Macau e o familiar terem trocado moeda numa loja de câmbio em Hillier Street. Nessa operação, as vítimas trocaram dólares americanos e renminbi pelos 10 milhões de dólares de Hong Kong.

Após o assalto, os ladrões foram detidos, porque os agentes apareceram rapidamente no local. Também um polícia interceptou um carro que se encontrava nas proximidades e deteve o condutor, que é tido como cúmplice dos detidos.

O superintendente de polícia, Lo Ka Chun, revelou que durante o assalto e a detenção, apenas o residente de Macau ficou ferido, de forma ligeira, numa mão. Os ferimentos aconteceram durante a resistência inicial face ao roubo, e apesar de não serem graves, o residente de Macau foi conduzido ao Hospital Queen Mary.

Lo Ka Chun reconheceu ainda que a polícia já tinha recebido uma denúncia para a possibilidade de uma associação criminosa estar a planear este roubo. Segundo a investigação inicial, os três detidos são portadores do bilhete de identidade de residente de Hong Kong e um dos deles tem passaporte filipino. Além disso, alguns detidos têm ligações com as tríades. Este é o terceiro caso do género, nos últimos três meses, em Sheung Wan.

9 Mar 2026

Turismo | Pedida maior capacidade nas fronteiras e análises de consumo

Apesar de os números de turistas que visitaram Macau durante os feriados do Ano Novo Lunar terem batido todos os recordes, a economia comunitária e o comércio dos bairros residenciais não foi beneficiada. Este tem sido um dos paradoxos económicos do território, que vive a duas velocidades, que teima em não ser resolvido e que foi tema ontem de uma palestra do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, conduzida pelo deputado Ngan Iek Hang.
O legislador eleito pela lista dos Moradores enalteceu os esforços do Governo na organização de actividades nos bairros fora dos circuitos turísticos, mas apelou a que estes eventos e atracções sejam mais publicitados nas redes sociais chinesas. A promoção é importante para permitir aos visitantes planearem o percurso pela cidade, criando alternativas aos pontos mais conhecidos.
O deputado defende também que os postos fronteiriços devem reforçar a sua capacidade para conseguirem processar o volume crescente de travessias, em especial nas Portas do Cerco, Qingmao e Hengqin.

Fazer mais e melhor
Em relação ao consumo de turistas nos bairros residenciais, Ngan Iek Hang recordou que o Governo lançou vários programas, como as lojas com características próprias, que não surtiram o efeito desejado. Apesar disso, defende que são precisas mais medidas e empenho dos comerciantes para atingir os objectivos desejados.
Porém, o legislador entende que o Governo deveria analisar detalhadamente as tendências de consumo nas lojas e restaurantes dos bairros, de forma a elaborar medidas precisas que correspondam ao desenvolvimento económico dessas zonas da cidade.
Os transportes e ligações entre as várias zonas da cidade são outro ponto que pode ser melhorado. “Nos próximos feriados, deveríamos reordenar as carreiras de autocarro e melhorar as condições pedestres, permitindo aos visitantes conhecerem as proximidades de zonas como NAPE e Horta e Costa”, afirmou, exemplificando a possibilidade de publicitar percursos que podem ser feitos a pé, usando o Túnel da Guia e pela zona do Conselheiro Ferreira de Almeida.
A palestra que decorreu ontem teve como convidado o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, que enalteceu o trabalho de comunicação feito pelo Governo no caso da zona pedonal na Rua de Nossa Senhora do Amparo. O responsável indicou que 98 por cento dos comerciantes da zona reportaram melhorias nos negócios durante os feriados do Ano Novo Lunar, algo que não se verificou no ano anterior.

6 Mar 2026

Irão | Petróleo e fecho do Estreito de Ormuz inflaciona produtos lusos

Sequelas da guerra no Irão vão fazer-se sentir nos preços de produtos importados da Europa, incluindo de Portugal. O transporte marítimo de carga poderá demorar mais de três meses, quando no passado bastava apenas um mês. A Associação dos Fornecedores de Macau alerta ainda para a subida do preço do petróleo e o fecho do Estreito de Ormuz

 

Além do sangue derramado no Médio Oriente, a ofensiva nos Estados Unidos e Israel contra o Irão, e a resposta de Teerão terá repercussões na economia global, com Macau a não ficar imune, apesar das lições aprendidas durante a pandemia.

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, prevê que os preços de produtos importados vão subir, com particular incidência sobre as trocas comerciais entre a Europa e a Ásia através de transporte marítimo. Em declarações ao jornal Ou Mun, o representante afirmou que a guerra no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz à navegação irá atrasar ainda mais os transportes marítimos de carga que alimentam as relações comerciais entre a Europa e a Ásia.

O responsável indica que antes das tensões no Mar Vermelho, provocadas pelo bloqueio dos Hutis do Iémen em resposta ao genocídio em Gaza, o transporte de navios de carga entre a Europa e Ásia já havia aumentado de um para dois meses. Com a nova ofensiva e o encerramento do Estreito de Ormuz, o transporte pode ultrapassar os três meses.

Entre os produtos importados por Macau que podem ser mais afectados, Ip Sio Man destacou o vinho, azeite e produtos enlatados portugueses.

Contentores e prateleiras

O efeito económico do conflito irá também fazer-se sentir no aumento do preço do petróleo, que por sua vez vai empurrar a inflação dos custos de transporte. O dirigente associativo aponta que actualmente um contentor de carga custa 10 mil patacas, mas que esse valor irá subir de certeza, acrescido pelos receios de volatilidade cambial.

Todas estas condicionamentos vão fazer-se sentir ainda antes dos produtos chegaram às prateleiras dos supermercados e superfícies comerciais. As demoras no transporte obrigarão comerciantes a alargar o inventário e o ciclo de armazenamento poderá passar de dois a três meses para um período que pode chegar a meio ano. Esta disrupção resultará no aumento dos custos de armazenamento.

Face a todos estes factores, Ip Sio Man conclui que é inevitável o aumento dos preços dos produtos importados. Recorde-se que no ano passado, o índice de valor unitário das exportações subiu 1,9 por cento em termos anuais, naquela que foi a subida mais alta dos últimos 12 anos.

Também a guerra tarifária entra nestas contas. Ip Sio Man afirma que os custos de produção interna nos Estados Unidos aumentaram com as tarifas de Donald Trump, elevando a pressão sobre as indústrias de manufactura a nível global e tornando mais caro o comércio internacional e as importações.

Porém, o responsável realça que os produtos europeus representam uma fatia relativamente pequena no mercado de Macau, excluindo nos bens de luxo e dos produtos lácteos (que ocupam o segundo lugar em termos de local de origem).

Em relação a este panorama, Ip Sio Man afirma que na sequência da pandemia da covid-19, muitos fornecedores locais se viram forçados a descentralizar as cadeias de fornecimentos, procurando fontes produtoras mais próximas.

Por isso, apesar de manterem as fontes dos produtos europeus, os fornecedores de Macau passaram a comprar mais produtos lácteos na Austrália, Nova Zelândia e Interior da China, suavizando o impacto da cadeia logística europeia.

5 Mar 2026

Justiça | Advogados de todos os arguidos do caso Lee Sio Kuan negam crimes

Lee Sio Kuan e Wu U Choi estão acusados pelo Ministério Público de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral

Os 18 arguidos do caso de corrupção eleitoral que envolve a lista Ou Mun Kong I, candidata às eleições legislativas de 2021, recusaram ter cometido qualquer crime. A posição foi tomada no Tribunal Judicial de Base (TJB), na segunda-feira, pelos advogados de defesa, durante a realização das alegações finais do julgamento. Por sua vez, todos os arguidos optaram por manter-se em silêncio.

Lee Sio Kuan, mandatário e cabeça-de-lista da Ou Mun Kong I, e Wu U Choi estão acusados de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral. Che Mio Peng e os restantes 15 arguidos foram acusados por um crime de corrupção eleitoral.

Segundo o Ministério Público (MP), Lee Sio Kuan financiou, organizou e ofereceu uma excursão de meio dia a mais de 200 residentes, que incluiu um guia turístico, refeições e presentes com slogans de apoio à lista.

A acusação considera que a oferta da viagem teve como objectivo levar os eleitores a assinar o formulário da lista, no âmbito da recolha das 300 assinaturas para constituir a comissão de candidatura, entregue à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL).

O advogado de defesa de Lee Sio Kuan considerou que o seu cliente não é culpado do crime de falsificação de documento, porque agiu com negligência, sem dolo. Face ao elevado número de formulários de apoio à comissão de candidatura, o advogado reconheceu que Lee agiu com descuido, e que se tivesse tido consciência da existência de assinaturas falsificadas que teria impedido a submissão das mesmas.

Quanto às acusações de corrupção eleitoral, o advogado argumentou que não houve premeditação da excursão, e que Lee sio Kuan não pediu nem ordenou directamente às outras pessoas que organizassem a excursão.

Os papéis de Wu e Che

Na perspectiva do MP, Wu U Choi e Che Mio Peng foram também fundamentais para a viagem, uma vez que ajudaram na organização e convidaram residentes para participar no evento.

No entanto, o advogado de Wu U Choi recusou esta versão. Segundo o mandatário, o seu cliente realizou a excursão com base numa lógica estritamente comercial, desconhecendo as razões e os objectivos da organização. O advogado afirmou que as provas apresentadas ao longo do julgamento pelo MP referentes à falsificação de assinatura são insuficientes para provar a prática dos crimes.

Por sua vez, o advogado de Che Mio Peng revelou que a arguida não conhecia bem Lee Sio Kuan, e que o seu envolvimento nas excursões se ficou unicamente a dever ao facto de ter uma rede de conhecimentos ligada ao turismo no Interior. O defensor de Che também afirmou que a sua cliente apenas agiu devido a um pedido de Wu U Choi, e que nunca teve intenção de influenciar os residentes a assinarem os formulários de constituição da comissão de candidatura. O advogado de Che Mio Peng também referiu que a cliente não assinou o formulário nem recebeu benefícios directos.

Em relação à defesa dos restantes arguidos, os advogados justificaram a participação nas viagens e a assinatura dos formulários com a pouca instrução dos clientes, muitos deles idosos, com baixo nível de escolaridade, havendo inclusive analfabetos, que não conseguiam entender as consequências dos seus actos. A leitura da sentença está agendada para 10 de Abril.

4 Mar 2026