Nunu Wu Manchete SociedadeAnálise | Pedidos mais feriados e benefícios familiares O académico e presidente da Associação de Segurança Social Chan Kin Sun considera que Macau deve acompanhar o mundo em matéria de licenças de maternidade e paternidade, assim como aumentar os feriados obrigatórios e férias anuais O equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho é uma aspiração dos países mais ricos, algo que está longe de acontecer em Macau, apesar dos esforços positivos do Governo, de acordo com o académico e presidente da Associação de Segurança Social de Macau Chan Kin Sun. Num artigo de opinião publicado ontem no jornal Ou Mun, o responsável indica que existe uma forte vontade na sociedade por políticas que beneficiem as famílias, indo além do aumento dos dias de férias individuais. Chan Kin Sun, que coordena o programa de mestrado em Administração Pública da Universidade de Macau, entende que os cidadãos esperam melhorias no sistema de licenças parentais. Depois de em 2019 o Governo ter introduzido a licença de paternidade e alargado a licença de maternidade, ficou a faltar o estabelecimento de folgas pagas quando um dos progenitores tem de se ausentar do trabalho para, por exemplo, acompanhar um filho numa ida ao médico. Além disso, o académico defende que o Governo deveria criar mais feriados obrigatórios, bastando para tal escolher entre os vários festivais tradicionais que se celebram no território. Socialismo do patronato Chan Kin Sun focou a sua análise também no número de dias de férias anuais pagas praticadas na região. Em Macau, depende do tempo de serviço do trabalhador. Um recém-contratado tem seis dias de férias anuais pagas, requerimento que se mantém inalterado há quatro décadas. Na China, os dias de férias também variam consoante a antiguidade, entre cinco e 15 dias por ano, enquanto em Hong Kong variam entre sete e 14 dias. A Organização Internacional de Trabalho recomenda, pelo menos, três semanas anuais de férias. O académico realçou a discrepância o desenvolvimento económico de Macau, o seu posicionamento como cidade internacional e as expectativas dos trabalhadores em relação à qualidade de vida”. Por fim, Chan Kin Sun elogiou o Governo pelo lançamento dos planos de subsídio de assistência na infância e subsídio complementar atribuído aos empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade.
Nunu Wu Manchete SociedadeTrabalho ilegal | Nick Lei diz que combate não é eficaz Nick Lei não está satisfeito com a eficácia do combate ao trabalho ilegal. O deputado sugeriu a criação de grupos de WeChat com associações, DSAL e empresas de sectores que normalmente empregam trabalhadores ilegais para que a actuação das autoridades se torne mais ágil Apesar do bom caminho trilhado, Nick Lei considera que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) podia ser mais eficaz no combate ao trabalho ilegal. O Governo apresentou na segunda-feira os resultados do combate aos trabalhadores ilegais referentes ao ano passado. Em 2025, a DSAL realizou 683 inspecções, 62 das quais visaram motoristas. Um total de 668 pessoas foram punidas administrativamente por terem sido encontradas a trabalhar ilegalmente com multas totais de quase 6,09 milhões de patacas. Foram identificados 157 motoristas ilegais, que resultaram na aplicação de multas de quase 1 milhão de patacas. Em resposta aos resultados, Nick Lei enalteceu os esforços da DSAL, mas indicou que a entidade é pouco eficaz no combate ao fenómeno. Em declarações ao jornal do Cidadão, o deputado ligado à comunidade de Fujian argumentou que a actuação da DSAL continua a não ter correspondência com as expectativas da população, de acordo com as opiniões recolhidas pela sua equipa. Novas mensagens Apesar de defender a continuação de inspecções a locais de trabalho, assim como investigações a anúncios nas redes sociais a oferecer trabalho ilegal, Nick Lei recomenda uma comunicação próxima entre as autoridades, associações e responsáveis de empresas em ramos mais afectados pelo trabalho ilegal. Para tal, o deputado afirma que o método mais simples é criar um grupo de WeChat com todos agentes envolvidos, assim como responsáveis da DSAL para que a resposta e o combate ao trabalho ilegal sejam instantâneos. A falta de eficácia das autoridades é demonstrada, segundo Nick Lei, pelo número reduzido de motoristas ilegais apanhados pelas autoridades, que estão longe da realidade. Por esta razão, Nick Lei defende que a DSAL precisa de rever as actuais penalizações no âmbito de trabalho ilegal e, se o efeito dissuasor não for suficiente, será necessário alterar as leis. O deputado, que por inerência do seu trabalho tem o direito e obrigação de legislar, salienta que os regulamentos sobre o trabalho ilegal entraram em vigor há mais de 20 anos, não correspondendo assim aos tempos actuais. Nick Lei alertou ainda para novos sectores da economia que começaram a empregar trabalhadores ilegais, depois da pandemia, como fotógrafos, ou obras de remodelação para os prédios da Zona A nos novos aterros, com a divulgação de anúncios nas redes sociais a oferecerem trabalho ilegal. O deputado exemplificou ser comum surgirem publicações de empresas do Interior da China a oferecer serviços de “obra de remodelação na habitação económica da Zona A” na aplicação Xiaohongshu (little red book).
Nunu Wu Manchete SociedadeCasamentos | Crise força a cerimónias simples e menos gastos Os negócios dos casamentos nunca recuperaram da pandemia. Cerimónias simplificadas, banquetes e orçamentos cortados obrigam a transformações na forma como se celebram os matrimónios. O papel da acompanhante de noiva nos casamentos tradicionais chineses também tem menos procura Menos complicações e despesas são as palavras de ordem na forma como se celebram casamentos em Macau nos dias de hoje. Depois da razia absoluta a que a pandemia da covid-19 votou as empresas que operam negócios na área dos casamentos, o sector nunca voltou a recuperar a dimensão de outros dias. O ano de 2025 tinha tudo para resultar na retoma da indústria, por ser considerado um ano auspicioso para casar, de acordo com as superstições do zodíaco chinês. A expectativa para o Ano da Serpente apontava para bons negócios. No entanto, houve uma redução de 13 por cento nos primeiros três trimestres do ano passado. Na semana passada, o fluxo de pessoas que participaram numa feira dedicada a casamentos, com stands de empresas que catering, maquilhagem, vestuário e joalharia, deixou os empresários optimistas. Em declarações ao jornal Ou Mun, um empresário de planeamento de casamentos, de apelido Pang, notou o aumento de afluência de noivos em relação ao ano passado. Apesar disso, o empresário afirmou que o ambiente de negócios continua mau, com o tamanho dos banquetes de casamento a ficarem mais pequenos, passando de 20 a 30 mesas no passado, para pouco mais de 10 mesas actualmente. Também os orçamentos dos noivos caíram cerca de 10 por cento, em comparação com o ano passado. Além disso, Pang salientou que os tradicionais banquetes de casamento caíram um pouco em desuso, com cada vez mais casais a optarem por fazer cerimónias ao ar livre após o registo do matrimónio. A festa fica muitas vezes reduzida a um jantar de família para encerrar a cerimónia. Ajustar à realidade Para fazer face às mudanças no mercado, o empresário confessou ter alterado a tabela de preços e oferecer um serviço único e simples que reúne todas valências, do catering, à maquilhagem e roupa dos noivos. Uma das esperanças de Pang é a entrada na idade de casar dos jovens que nasceram no virar do século, assim como o aumento do subsídio de casamento e permite os notários privados celebrarem o casamento. Também uma acompanhante de noiva, que tem as funções de ajudar a noiva e actuar como uma gerente de todos os rituais do casamento tradicional chinês, deu conta da vontade de simplificar os matrimónios. Como tal, a procura pelos seus serviços também tem diminuído.
Nunu Wu Manchete SociedadeAno Novo Chinês | Apelos a preços estáveis na restauração Associações apelaram a empresários da restauração para não aumentarem preços nos feriados do Ano Novo Chinês. Apesar da subida dos custos de operação, para compensar empregados que trabalham nos feriados obrigatórios, as associações sugerem a criação de menus com ofertas mais em conta Com os feriados do Ano Novo Chinês a aproximarem-se, associações que representam o sector da restauração apelam aos empresários e gerentes de restaurantes para não aumentarem os preços durante o período festivo, ou, se não tiverem alternativa, serem contidos na subida dos preços das refeições. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Lei U Weng, referiu que os empresários do sector estão a aplicar todos os esforços para que os residentes fiquem e gastem dinheiro na cidade, de forma a impulsionar a economia local. Sob o actual ambiente económico, Lei U Weng defende que os gerentes e donos de restaurantes não devem aumentar os preços durante os feriados do Ano Novo Chinês. Mas, se não se conseguir evitar a tendência devido ao aumento da taxa de serviço, o representante recomendou que devem ser seguidos os princípios de moderação, razoabilidade, abertura e transparência. Recorde-se que a lei que regula as relações de trabalho obriga os empregadores a compensarem os funcionários que trabalhem em dias de feriado obrigatório, com o triplo do salário ou o dobro (acrescido de um dia de folga adicional). Soluções criativas Lei U Weng salientou a necessidade de recorrer à criatividade comercial para contornar os custos acrescidos. Para tal, sugeriu a criação de menus especiais para os feriados, de forma a incentivar a permanência em Macau dos residentes. Também o presidente da Associação dos Comerciantes da Boa Cozinha de Macau, Ho Tsz Kit, apoiou a ideia, lembrando que muitos restaurantes criaram em anos anteriores menus especiais com descontos para atrair os clientes durante o Ano Novo Chinês. Este ano, os feriados obrigatórios calham a 17, 18 e 19 de Fevereiro. Para desviar o impacto do aumento dos custos, o representante afirmou que os empresários do ramo não têm alternativa. Ou encerram os restaurantes durante os feriados (solução visível para quem fica em Macau durante estes períodos), ou cobram até 30 por cento da taxa de serviço aos clientes. O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que entre o Natal e o Ano Novo, cerca de 400 estabelecimentos de bebidas e comidas emitiram declarações para utilizar novas tabelas de preços, com aumentos de preços que variaram entre 10 por cento e 40 por cento. Se os restaurantes não pedirem ao IAM novas tabelas de preços ou cobrarem taxas de serviço adicional, nem avisarem os clientes destas mudanças, podem ser multados em 2.500 patacas e 5.000 patacas, respectivamente.
Nunu Wu PolíticaZAPE | Imóveis desvalorizam até 60% após fecho de casinos-satélite A imobiliária Savills Macau estima que a desvalorização dos imóveis na ZAPE que albergavam casinos-satélite possa variar entre 30 e 60 por cento, consoante os lucros do jogo. Para já, não se verificam lojas fechadas na zona, com os arrendamentos em vigor, mas é estimado que os mais dependentes de jogadores venham a encerrar A empresa do ramo imobiliário Savills Macau prevê diminuições consideráveis no valor dos imóveis onde operavam os casinos-satélite e uma vaga progressiva de encerramento de negócios demasiado dependentes de uma clientela de jogadores na área da ZAPE. A empresa tem acompanhado as flutuações da avaliação imobiliária nas áreas da cidade onde operavam casinos-satélite, desde que foi anunciado o período de transição de três anos para serem absorvidos pelas concessionárias ou encerrados. Terminado o prazo de transição, a Savills aponta para desvalorizações entre 30 por cento e 60 por cento dos imóveis onde estavam instalados os espaços de jogo, dependendo dos lucros apurados pelos casinos (que influenciava o valor do imóvel). Quanto mais rentáveis eram os casinos, maior a desvalorização imobiliária, indicou ao jornal Ou Mun, o director-geral da empresa, Franco Liu. Resistir até quando No fim do ano passado, a empresa investigou as redondezas dos casinos-satélite, e concluiu não existirem grandes mudanças no ambiente de negócios, com lojas restaurantes, casas de penhor, farmácias e outros espaços de comércio a manterem as portas abertas. Franco Liu salientou em particular o tipo de negócios que tradicionalmente depende de uma clientela de jogadores, como as casas de penhor, e o facto de não se verificar para já uma subida na taxa de desocupação. Um dos factores determinantes que explica a resiliência, é o facto de os contratos de arrendamento dos espaços se manterem em vigor. No entanto, o responsável prevê que alguns comerciantes que dependem profundamente do jogo comecem agora a fechar portas gradualmente. Ainda assim, referiu que os negócios com condições para continuarem a operar podem renegociar rendas mais baixas com os proprietários dos imóveis, reduzir a área arrendada ou transformar os seus negócios de forma a atraírem residentes em vez de turistas e jogadores. Dez dos 11 casinos-satélite de Macau encerraram antes do fim do ano. O único sobrevivente e testemunho de uma era que já passou é o Royal Arc, que a SJM adquiriu por 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong.
Nunu Wu Eventos SociedadeCinema | Realizadores elogiam plano de apoio à produção do Governo Realizadores locais destacam o papel que o plano de apoio à produção cinematográfica teve no desenvolvimento do cinema feito em Macau. Porém, os filmes subsidiados têm diminuído a cada edição do plano. Tracy Choi salienta a pequena dimensão do mercado local e as dificuldades na distribuição e entrada em novos mercados No ano passado, foi lançada a sexta edição do Plano de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens, atribuído pelo Instituto Cultural desde 2013 e pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) desde a sua criação. Em mais de uma década, realizadores locais realçam a importância do apoio para o desenvolvimento do cinema de Macau. Porém, com menos projectos a serem apoiados a cada nova edição e as características mínimas do mercado local, a indústria da sétima arte de Macau enfrenta dificuldades. Ontem, no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, o realizador Chong Cho Kio confessa que quando o plano de apoio foi lançado, quase todas as produções locais que chegavam às salas eram financiadas principalmente pelos fundos públicos. Mas o escopo do plano de apoio foi diminuindo nos últimos anos, principalmente depois da pandemia. “Se calhar o Governo mudou de ideias em relação ao cinema local. No início, cada edição do plano financiava quatro filmes, que passaram a três, e um projecto no último plano de apoio”, indicou o realizador e presidente da Associação da Indústria de Cinema de Macau. Ainda assim, Chong Cho Kio considera que a indústria audiovisual avança numa boa direcção, graças ao mercado da publicidade e da produção de vídeos promocionais. Atrás das câmaras Também a realizadora Tracy Choi elogiou que o Plano de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens, por não só ter permitido a produção de vários filmes desde o início, mas também incentivando o aumento “significativo” de criadores e colaboradores, na sua óptica. Além de haver mais gente a fazer cinema, também a qualidade dos filmes melhorou, levando à maior exposição da sétima arte feita em Macau através da selecção de filmes para festivais de cinema nacionais e internacionais, com alguns a serem premiados. Um dos exemplos é a própria Tracy Choi, que ganhou vários prémios e convites para participar em festivais pelo mundo fora. Porém, nem tudo são rosas. “A pequena dimensão do mercado de Macau, o pouco conhecimento do público local em relação às produções locais e as insuficiências ao nível de promoção e distribuição são desafios complicados. Também a promoção e a entrada em mercados exteriores são problemas que os realizadores locais enfrentam”, indicou a realizadora.
Nunu Wu Manchete PolíticaImobiliário | Pedido reforço do sector e bonificação de juros O director-geral da imobiliária Savills Macau quer que o Governo promova mais medidas para acabar com a tendência de queda dos preços no mercado. Franco Liu acredita que os residentes têm dinheiro disponível para investir, mas a queda dos preços afasta o investimento no sector A empresa de serviços imobiliários Savills Macau defendeu a implementação de um plano de bonificação dos juros dos créditos bancários para a compra de imóveis. Ao jornal Ou Mun, o director-geral, Franco Liu, considerou que as medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e de aumentar para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação não foram suficientes para reanimar o mercado. À publicação em língua chinesa, Liu explicou que o cenário no mercado de imobiliário está muito longe de ser o ideal, com um declínio progressivo do preço do metro quadrado. O responsável reconheceu que em Abril de 2024 o Governo mudou de política e aboliu todas medidas que visavam controlar a procura. O alívio durou pouco tempo, e o mercado voltou a apresentar novamente períodos de contracção. Mais uma vez, no ano passado, o Executivo tentou responder à contracção do mercado com a isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação. Contudo, a procura gerada não foi suficiente para contrariar a tendência geral de desvalorização dos preços e de quebra do número de transacções. Outras soluções Apesar de reconhecer que o Executivo tem implementado as medidas sugeridas ao longo do tempo pelas imobiliárias, Franco Liu considera que é preciso mais. Neste sentido, sugeriu que o Governo implemente um plano de bonificação, em que os fundos da RAEM possam subsidiar os juros dos empréstimos na compra de habitação. O responsável indicou também que os juros pagos do empréstimo devem ser dedutíveis como imposto profissional, o que significa que parte do montante pode ser devolvido aos compradores. Segundo Liu, esta medida permitirá aliviar o stress dos jovens quando têm de pagar os empréstimos para a habitação. Com as medidas propostas, Franco Liu considera que pode haver um maior incentivo à compra de imóveis e que os comerciantes vão sair beneficiados. Sobre o estado actual do mercado imobiliário, Franco Liu explicou que o ciclo vicioso da queda dos preços deve ser estancado, porque o valor da habitação dos residentes registou uma desvalorização de pelo menos 20 a 30 por cento. Com quebras de valor desta ordem, o agente imobiliário indica que as pessoas não vão procurar comprar imóveis. Ao mesmo tempo, Franco Liu indicou que o consumo local está em quebra, porque cada vez mais pessoas vai para o Interior no fim-de-semana, o que faz com que as lojas estejam igualmente a desvalorizar. Todavia, o agente imobiliário acredita que a situação pode ser invertida, porque os residentes têm depósitos bancários que ultrapassam os 800 mil milhões de patacas, pelo que a desvalorização do imobiliário se deve exclusivamente à falta de confiança para investir. Franco Liu defende assim que o Governo deve continuar a lançar novas medidas para estabilizar a procura e levar à estabilização dos preços dos imóveis.
Nunu Wu SociedadeGuias turísticos | Denuncias de subemprego e baixos salários Apesar dos recordes de turistas que visitam Macau, os guias turísticos estão em crise. A predominância de viagens individuais, fraco domínio de línguas para trabalhar com turistas estrangeiros e impunidade de guias ilegais arrastam a classe para outras profissões ou para o subemprego Na sequência do fim da discussão no Conselho Executivo da “regulamentação da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico”, a Associação para o Desenvolvimento Turístico denunciou as dificuldades sentidas por guias turísticos locais, que nos últimos anos foram obrigados a mudar de profissão ou acomodarem-se ao subemprego. O presidente da associação, Yaoyao, argumenta que ao longo dos últimos anos o volume de excursões vindas do Interior da China tem vindo a diminuir, e a falta de trabalho para os guias turísticos levou muitos profissionais a antecipar a reforma ou a mudar de actividade. Apesar do abandono da profissão, quem se manteve no activo não ficou com mais trabalho devido à fraca recuperação do mercado excursionista do Interior da China. “Muitos guias turísticos não conseguem trabalhar com mais de 10 excursões por mês, o que significa que acabam por receber um salário mensal de 10 mil patacas”, exemplificou o representante. Em declarações ao jornal Exmoo, o presidente da associação defendeu que a classe profissional tem de lutar pela sobrevivência e elevar as suas competências para conquistar novos mercados. Um dos grandes problemas que o sector enfrenta, é a inversão do mercado turístico, com as viagens individuais a tornarem-se cada vez mais populares entre turistas chineses, que também têm mais opções de transportes até Macau. Além disso, o número de excursões com turistas internacionais aumentou, situação que não é aproveitada pelos guias locais devido ao fraco domínio de línguas estrangeiras. Quantos são Recentemente, a directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, afirmou que existem actualmente em Macau 1.851 titulares do cartão de guia turístico e 197 agências de viagem. Porém, não há dados específicos para o número de guias turísticos que estão efectivamente no activo. Em relação aos guias turísticos ilegais, Yaoyao criticou a falta de eficácia do sistema de fiscalização, que nunca actua a tempo com agentes a chegarem ao local depois da excursão já ter terminado. Por esta razão, o dirigente associativo defende a melhoria da cooperação interdepartamental entre a DST e Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), adaptando o modelo de combate aos trabalhadores ilegais em estaleiros de obra, e actuando de forma repentina. O representante pediu também ao Governo para colaborar com as autoridades de turismo do Interior da China para punir os guias turísticos ilegais, uma exigência antiga do sector que nunca foi atendida.
Nunu Wu PolíticaCuidadores | Associação das Mulheres quer apoios mais abrangentes A Associação Geral das Mulheres de Macau defende a necessidade de o subsídio para cuidadores chegar a mais pessoas e incluir situações de demência, doença de Parkinson ou deficiência intelectual moderada. A posição foi tomada através de um comunicado da associação, após o Executivo ter revelado que o valor do subsídio para cuidadores vai ser aumentado de 2.175 patacas para 2.400 patacas, um crescimento de 10,3 por cento. No comunicado, a vice-presidente da associação, Chau Wai I, afirma que actualmente ainda há inúmeras situações de pessoas que enfrentam dificuldades, precisam de muito auxílio e não estão abrangidas por este apoio. A dirigente associativa deu os exemplos das pessoas que sofrem de demência, doença de Parkinson ou deficiência intelectual moderada e a quem não é garantido o subsídio, apesar de também precisarem de apoios. Chau Wai I considerou assim que o subsídio para cuidadores está muito limitado a pessoas com deficiência mental de grau grave, e deveria ser mais abrangente. A dirigente revelou ter recebido várias queixas de famílias de pessoas nestas situações, que sem conseguirem cumprir os requisitos do apoio optam por abdicar dos empregos para cuidar dos familiares. Chau Wai I apontou ainda que estes cuidadores sofrem grandes pressões económicas devido à perda dos rendimentos do trabalho, por isso, alertou as autoridades para a necessidade de continuar a melhorar os requisitos de candidatura ao subsídio ou criar outros apoios para estas situações.
Nunu Wu PolíticaHabitação Social | Pedida melhor gestão e articulação com moradores Chan Lai Kei alerta para soluções questionáveis na reparação de habitações sociais e pede um melhor controlo de qualidade. O deputado ligado à comunidade de Fujian defende que o Governo deve ouvir melhor os moradores dos edifícios Chan Lai Kei defende que para reflectir o espírito da reforma administrativa, o Governo deve estabelecer um sistema mais rigoroso de supervisão da qualidade das habitações públicas. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian através de uma interpelação escrita. O legislador exemplificou com o Edifício Cheng Chun, de habitação social na Ilha Verde, inaugurado em 2007, e que em menos de 20 anos ficou com as portas de ferro da entrada no lobby danificadas, o design dos acessos para pessoas com dificuldades motoras revelou-se de má qualidade, os equipamentos de lazer degradaram-se e os elevadores avariam frequentemente. Chan La Kei indicou que no ano passado os três elevadores deste edifício tiveram um total de 29 avarias, uma média superior a uma avaria por mês. O legislador apontou também que num mês em particular, os três elevadores tiveram de ser todos alvo de operações de manutenção, para resolver avarias. O membro da Assembleia Legislativa aponta que a RAEM é a proprietária das habitações sociais, pelo que é preciso uma maior consciência no cumprimento dos seus deveres enquanto senhorio e responsável pelos mecanismos de supervisão. “Quanto às avarias ou danos frequentes das instalações das habitações sociais […] como é que as autoridades vão elaboram padrões mais claros sobre se deve haver uma substituição das peças danificadas ou haver reparação, em caso de avarias?”, questionou. “E será que vão revelar aos residentes do edifício os critérios da decisão?”, insistiu. O deputado pede que as obras e manutenção dos edifícios sejam adjudicadas por preços razoáveis, para evitar situações em que os trabalhos são de má qualidade. Dar ouvidos Chan Lai Kei defendeu ainda que o Governo pode ouvir as opiniões de moradores sobre a gestão, manutenção e segurança das instalações em espaços públicos das habitações sociais. O deputado afirmou que o exemplo dos condomínios nos edifícios privados pode servir como modelo, convidando os moradores de cada bloco das habitações sociais a juntarem-se a uma equipa de acompanhamento da gestão dos edifícios. Esta equipa seria utilizada para recolher opiniões e sugestões dos moradores, que depois seriam apresentadas ao Instituto de Habitação. Além disso, como cada vez há mais projectos de habitação social a serem inaugurados na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, Chan Lai Kei sugere que o Governo recorra às novas tecnologias, para supervisionar as instalações públicas dessas contruções.
Nunu Wu Manchete PolíticaTerrenos | Trinta espaços usados para estacionamento e lazer O Governo vai dar início à utilização temporária de 30 terrenos para fins recreativos, estacionamento, desporto e até para albergar postos para recolha de reciclagem. Alguns destes terrenos ainda terão de passar por processos de despejo até poderem ser utilizados Atendendo a uma velha reivindicação de deputados e analistas, o Governo irá arrancar com a utilização temporária a curto prazo de 30 terrenos desocupados, foi avançado ontem na reunião Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, da Assembleia Legislativa. A presidente da comissão, Ella Lei, revelou que destes terrenos, 13 vão ser convertidos em espaços recreativos, 12 serão usados para estacionamento, um irá albergar equipamentos desportivos para uso da população. Três vão ter “fins mistos”, enquanto um será um posto de recolha de resíduos recicláveis. De acordo com o jornal Ou Mun, Ella Lei especificou que a utilização dos terrenos temporários será distribuída consoante as necessidades das diversas zonas da cidade. A deputada dá como exemplo a carência de lugares de estacionamento na freguesia de Santo António, como uma das áreas onde terrenos não-utlizados terão essa função. Em relação à situação actual dos espaços, Ella Lei indicou que se encontram em fases bem distintas. Alguns terrenos estão prontos para avançar para as fases de concepção do design e construção, enquanto outros ainda terão de passar por processos de despejo. Para dar seguimento No ano passado, o Governo deu início aos trabalhos de design e construção de outros nove terrenos temporários. À semelhança do anúncio de ontem, as finalidades serão estacionamento (três terrenos), recolha de material para reciclagem (dois terrenos), três espaços para a prática desportiva e um terreno onde será instalado uma estação para carregamento de automóveis eléctricos. Ella Lei recordou que destes terrenos, os três parques de estacionamento já estão abertos desde Dezembro no Centro de Formação das Águias Voadoras de Coloane, no Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho de Tamagnini Barbosa e ao lado da Escola de Pilotagem da Barra. No total, estes três locais acrescentaram 194 lugares para carros ligeiros e 140 para motociclos. Segundo os dados do Governo, os 39 terrenos têm uma área total superior a 100 mil metros quadrados. Cumprindo os planos anunciados ontem por Ella Lei, os 12 terrenos podem acrescentar um milhar de lugares de estacionamento.
Nunu Wu Manchete SociedadeCPSP | Combate a turistas que simulam estar em trânsito A polícia de Macau reforçou o combate ao excesso de permanência no território com recurso ao abuso da política que permite o trânsito em Macau a indivíduos oriundos do Interior da China. Entre Janeiro e Novembro, foram descobertas mais de 7.800 pessoas que alegaram falsamente vir a Macau apanhar transporte para outro local Ao longo dos primeiros 11 meses deste ano, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) deu conta de mais de 7.800 pessoas vindas do Interior da China que, alegadamente, iriam usar Macau como ponto de partida para destinos no estrangeiro, mas que acabaram por ficar no território abusando da justificação para a entrada. Num comunicado partilhado nas redes sociais, o CPSP especifica que foram recusadas entradas a pessoas que não tinham bilhetes de transportes válidos para viagens que teriam como ponto de partida Macau, que não saíram para o exterior ou que segundo os registos das autoridades tinham repetidas entradas e saídas de Macau. “Um pequeno número de indivíduos ignora os regulamentos da China Continental e de Macau, abusando do sistema de trânsito ao viajar frequentemente entre a RAEM e a China, sob o pretexto de transitar por Macau para alcançar o objectivo de residência de longo prazo e, em alguns casos, permanecer além do prazo permitido. Isso não só perturba a ordem normal de entradas e saídas, como também afecta a eficiência das travessias fronteiriças”, indicou o CPSP. As autoridades acrescentam que os “departamentos competentes” dos dois lados da fronteira “têm mantido uma postura rigorosa e de alta pressão, reforçando o escrutínio de casos de entrada suspeitos”. A polícia garante que quem não cumpre as regras de entrada será recusado, e que essa postura coíbe “de forma resoluta vários comportamentos ilegais”. Aprender com outros O CPSP também admitiu que são partilhadas frequentemente informações nas redes sociais com instruções detalhadas sobre formas de entrar em Macau irregularmente. Face a esta situação, as autoridades apelaram aos turistas para se certificarem que não estão a cometer ilegalidades que podem ter consequências e, em caso de ter dúvida, consultarem directamente o CPSP. A polícia reconhece no mesmo comunicado que, além do visto turístico, a permissão de entrada no território de passagem para outro lugar pode ser uma medida de incentivo à economia da RAEM. Porém, os titulares do passaporte da República Popular da China para entrar em Macau antes de seguir para outras paragens, precisam mostrar visto válido para viajar para o estrangeiro, assim como bilhetes ou reservas de viagens de avião para viagens com partida do Aeroporto Internacional de Macau. As autoridades acrescentaram ainda que vão continuar a realizar operações de fiscalização no Posto Fronteiriço da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau para interceptar indivíduos que abusem da política de permanência provisória.
Nunu Wu Manchete PolíticaUrbanismo | Sugeridas medidas para evitar turismo em excesso Chan Chio I, urbanista, defende que se deve evitar que as seis zonas históricas, alvo de requalificação, fiquem todas iguais, alertando também para o impacto negativo que o turismo de massas pode trazer a locais antigos, podendo contribuir para a sua descaracterização No contexto da revitalização de seis zonas históricas do território, numa parceria entre Executivo e as operadoras de jogo, a urbanista Chan Chio I defendeu, segundo o jornal Ou Mun, que se deve evitar uma homogeneização, ou seja, deve manter-se as características tradicionais de cada zona, sem esquecer a procura de mercado e a respectiva estratégia urbanística. A responsável chamou também a atenção para os perigos do excesso de turismo, alertando que pode “ofuscar” as características de cada zona, devendo executar-se um planeamento a ser partilhado por residentes e turistas. Assim sendo, Chan Chio I pensa que as zonas históricas não devem ser usadas apenas para a organização de festivais, devendo também servir para acolher infra-estruturas comunitárias, como centros de convívio, espaços artísticos e educativos ou ainda zonas verdes. Tudo para a utilização diária de residentes e turistas. No essencial, a urbanista considerou que o projecto da revitalização das seis zonas não se trata de uma simples remodelação de espaço, devendo ser dada atenção à questão urbana, à melhoria das condições de vida e da economia comunitária. O seu a seu dono À mesma publicação, a urbanista defendeu que devem ser preservadas as características em locais com património. Assim, no caso dos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun ou na Antiga Fábrica de Panchões Iec Long, sítios que reflectem a história e a existência destas indústrias, deve dar-se prioridade à preservação da estrutura dos estaleiros e da fábrica, aproveitando-se o interior para outras finalidades. Quanto à Rua da Felicidade ou à Rua Cinco de Outubro, deve manter-se o mesmo ambiente, nomeadamente com a preservação das tabuletas e fachadas de lojas antigas, e com mudanças mínimas ao nível das placas comerciais, a fim de evitar decorações excessivas. Chan Chio I, que também pertence ao Conselho Consultivo do Trânsito, declarou que a revitalização das seis zonas não deve ignorar as questões do tráfego, sendo necessário um planeamento eficaz para resolver problemas como a falta de desvios e congestionamentos em algumas zonas. Como tal, fica a sugestão de mais e melhores ligações entre espaços próximos, como é o caso da zona da Barra junto à Doca D. Carlos I, que está ligada à cultura religiosa e marítima do Templo de A-Má, podendo haver conexão com o Centro Modal de Transportes da Barra para desviar os visitantes através de meios de transporte públicos. Chan Chio I referiu ainda a necessidade de melhorar os passeios, na zona de Lai Chi Vun, a partir do parque de estacionamento provisório no local original do Centro de Formação das Águias Voadoras, para fazer ligação ao Cais de Coloane.
Nunu Wu Manchete PolíticaFAOM | Nova direcção liderada por Lam Lon Wai quer mais patriotismo A promoção do patriotismo é a grande prioridade da nova direcção da Federação das Associações dos Operários de Macau, que vai ser liderada pelo deputado Lam Lon Wai O patriotismo é a principal prioridade da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) para os próximos anos. A garantia foi deixada por Lam Lon Wai, que na terça-feira foi eleito como novo presidente da direcção, após a primeira reunião ordinária da direcção da FAOM. Em declarações ao jornal Ou Mun, Lam Lon Wai afirmou que vai continuar a promover a “tradição gloriosa do amor a pátria e a Macau da associação”, unindo os trabalhadores no apoio à governação da RAEM, de acordo com as leis em vigor. O presidente da associação também apontou que vai apostar na melhoria dos serviços da FAOM, de forma a contribuir para a “prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, ao mesmo tempo que eleva a “atracção, coesão e capacidade de serviços” que a associação presta. Em relação aos restantes membros da associação, num nível hierárquico inferior face a Lam Lon Wai, Kong Ioi Fai foi eleito presidente da administração da associação. Embora não seja deputado, Kong foi o mandatário da lista da FAOM, a União para o Desenvolvimento, nas últimas eleições legislativas realizadas a 14 de Setembro. Sobre as metas para este mandato, Kong Ioi Fai indicou que os objectivos passam por apostar na defesa dos direitos laborais, em aumentar a participação na governação, ao fazer a ponte entre a população e o Governo, e ainda pela promoção de uma sociedade mais harmoniosa. A associação promete também trabalhar para implementar novos sindicatos, à luz da nova lei. Patriotismo nas empresas Kong Ioi Fai revelou também que a associação vai apostar na promoção do patriotismo no sector laboral, esperando criar uma cultural patriótica forte nas empresas. Esta aposta passa pelo desenvolvimento de manuais e conteúdos para os trabalhadores sobre patriotismo. O responsável ainda revelou que a associação vai continuar a organizar concursos de competências profissionais e actividades de atribuição de prémios, para destacar os funcionários considerados de excelência em diferentes áreas. Ao mesmo tempo, a nova direcção vai organizar mais aulas sobre inteligência artificial e comércio electrónico transfronteiriço, para formar os quadros qualificados necessários da diversificação económica de Macau. Kong Ioi Fai destacou também que a FAOM vai explorar a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e fornecer mais apoios sociais. Em relação aos restantes cargos da nova direcção da FAOM, a presidente da direcção anterior, Ho Sut Heng, foi eleita como presidente do Conselho Fiscal. Na nova direcção são mantidos alguns dos membros mais mediáticos dos últimos anos, como os actuais deputados Ella Lei, Leong Sun Iok, Leong Pou U e os ex-deputados Lei Chan U e Lee Chong Cheng. A nova direcção vai tomar posse a 20 de Janeiro.
Nunu Wu Manchete SociedadeImobiliário | Índice revela declínio histórico na RAEM O Índice da Grande Baía da Centaline mostra que os preços de imóveis em Macau atingiram o valor mais baixo desde que os dados são compilados pela agência imobiliária. Entre as 12 cidades da Grande Baía, apenas Hong Kong e Zhaoqing subiram, com mais 0,36 e 5 por cento, respectivamente A agência imobiliária Centaline publicou na segunda-feira o Índice da Grande Baía, que reflecte as flutuações dos preços de imóveis para habitação nas 12 cidades incluídas no projecto regional. O panorama apresentado pela agência mostrou uma tendência geral de declínio dos preços, com os mercados de 10 das 12 cidades, com o índice geral a cair pelo quarto mês consecutivo em Novembro, com a última variação negativa a mostrar um declínio de 0,65 por cento. Segundo um comunicado da agência, o índice de Macau em Novembro foi de 67,36, e no mês anterior de 67,53, numa métrica em que o valor base é 100. Aliás, o índice de Macau não só atingiu o nível mais baixo desde que esta análise é feita, como apresenta o valor mais baixo de todas as cidades da Grande Baía. Entre as 12 cidades da região, apenas Hong Kong e Zhaoqing registaram subidas mensais em Novembro de 0,36 por cento e 5 por cento, respectivamente. Também em relação ao número de fracções vendidas, a agência imobiliária destaca que o tímido crescimento em Hong Kong foi o único verificado nas quatro principais cidades da Grande Baía, com Macau, Shenzhen e Guangzhou. Pegar de empurrão O vice-presidente do departamento residencial da agência, Chan Wing-kit, salientou que em Outubro foi aprovado o 15.º Plano Quinquenal do país e que as cidades da Grande Baía lançaram incentivos económicos, que acabaram por estimular as vendas no mercado imobiliário. O responsável exemplificou que o volume dos imóveis em segunda mão vendidos em Guangzhou voltou a ultrapassar 9.000 transacções em Outubro (9.191), o que representou uma subida mensal de 23 por cento, isto apesar das vendas gerais terem caído. O índice de preços do imobiliário em Shenzhen caiu pelo terceiro mês consecutivo em Novembro, atingido o nível mais baixo de sempre registado pela Centaline, apesar das vendas terem subido, face a Outubro, 6,6 por cento, para um total de 4.472 transacções. Face a esta realidade regional, Chan Wing-kit espera que na região o foco seja impulsionar o volume de vendas, como prioridade face aos preços, cuja recuperação não estará num horizonte próximo. O índice da Grande Baía é calculado tendo em conta os preços de transacções de imóveis novos e em segunda mão, combinados com o Produto Interno Bruto anual de cada cidade.
Nunu Wu Manchete SociedadeAndaimes | Bombeiros e construtoras testam redes de protecção A Associação dos Barraqueiros de Macau pediu aos associados que entreguem amostras das redes de protecção dos andaimes de bambu para um teste unificado às propriedades anti-inflamatórias do material. O objectivo é evitar que as obras em Macau sofram atrasos devido a testes de segurança O Corpo de Bombeiros (CB) e a Associação dos Barraqueiros de Macau estão a testar as propriedades contra incêndio das redes dos andaimes instaladas nas obras do território. O cenário foi traçado pelo presidente da Associação dos Barraqueiros de Macau, Chio Tak Sio, à emissora pública RTHK, de Hong Kong. Segundo as explicações do dirigente associativo, por enquanto, as redes deverão ser mantidas, mas dependendo dos resultados dos testes, e se for confirmado que não cumprem os padrões mínimos, vão ser substituídas. “Por agora, não vamos remover as redes porque precisamos de garantir que, devido ao vento, os detritos das obra não caem nem atingem os transeuntes”, começou por indicar. Para assegurar que os testes são realizados, a Associação dos Barraqueiros de Macau está a pedir aos seus membros a recolha de amostras das redes instaladas na cidade. Nesta altura, pede-se aos membros que contribuam o mais depressa possível com as amostras, para que o CB possa realizar um teste unificado, com todas as amostras, para evitar mais atrasos nas obras, devido à necessidade de realizar mais testes de segurança. O alerta para a potencial existência de redes em andaimes que não cumprem os requisitos surgiu depois do incêndio no complexo residencial de Tai Po, em Hong Kong, que causou pelo menos 160 mortos. O número total de mortos não é conhecido e os dados oficiais, que não são actualizados há mais de seis dias, indicavam que havia seis desaparecidos. Procedimentos quase iguais Sobre as obras em Macau, e numa comparação com Hong Kong, Chio Tak Sio admitiu que os procedimentos de construção e segurança “são basicamente iguais” e que a instalação de rede de protecção nos andaimes serve não só para assegurar a segurança dos transeuntes, mas também dos operários que trabalham em altura. A associação também apontou que o sector de construção civil admite actualmente a possibilidade de o Governo elaborar novas instruções de segurança para os estaleiros de obras. Quanto à substituição de andaimes de bambus por metal, Chio Tak Sio considera que o custo mais alto dos andaimes de metal vai diminuir a vontade da população de realizar novas obras. Por seu turno, o deputado Kou Ngon Seng defendeu que ambos os tipos de andaimes têm vantagens, e que a escolha do tipo mais indicado deve ser feita tendo em conta a obra. “Os andaimes de bambus são mais flexíveis, mas a resistência contra incêndios pode ser inferior. Já os andaimes de metal ocupam mais espaço, e também não conseguem evitar completamente os incêndios, quando atingem o ponto de ignição”, argumentou. Ainda assim o deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, e também engenheiro, reconheceu que o incêndio de Tai Po foi um alerta para Macau. Kou Ngon Seng defendeu a necessidade de se reverem as práticas de construção e de inspecção e que os actuais de critérios de segurança das obras públicas sejam igualmente aplicados ao sector privado.
Nunu Wu Manchete SociedadeTrânsito | Deputado quer sinais adaptados a carros com volante à esquerda Chan Lai Kei interpelou o Governo sobre a necessidade de reorganizar o planeamento do trânsito porque os veículos do Interior têm o volante do lado esquerdo. O deputado justificou a necessidade de mudança com a integração na Grande Baía e o reconhecimento das cartas de condução A futuro do trânsito passa pela esquerda. É esta a ideia deixada por Chan Lai Kei numa interpelação escrita enviada ao Governo, onde descreve que esta será uma tendência tendo em conta a integração de Macau no projecto da Grande Baía, sem esquecer o reconhecimento mútuo das cartas de condução com o Interior da China. Por esta razão, o deputado ligado à comunidade de Fujian espera que os veículos com o volante do lado esquerdo sejam tidos em conta no futuro planeamento do trânsito e na instalação de infra-estruturas urbanas, como por exemplo a colocação de sinais de trânsito e de espelhos rodoviários nas ruas. Na interpelação escrita o deputado cita dados oficiais relativos aos últimos anos, que demonstram que o número de veículos com volante do lado esquerdo tem aumentado. Até Dezembro deste ano houve 5.731 inscrições de automóveis ligeiros e de 435 automóveis pesados com as características mencionadas. No entanto, o deputado argumenta que as ruas de Macau são estreitas e que, ao longo dos anos, as infra-estruturas têm-se focado na condução à direita. “Com o ambiente de condução do lado direito os condutores que conduzem do lado esquerdo podem cometer mais erros de avaliação”, disse. A direita é um risco Para o deputado, as infra-estruturas que só favorecem quen conduz com o volante do lado direito não só arriscam os condutores, mas também os peões, afectando todo o sistema de segurança rodoviária. “Se o Governo fizer uma avaliação, para 2026, dos riscos de segurança no que diz respeito aos ângulos da condução à esquerda, tendo em conta as vias nos bairros antigos, será que pode aumentar a sensibilização dos condutores para os potenciais riscos, a fim de ser assegurada a segurança dos peões”, questionou. Chan Lai Kei defendeu ainda que, a fim de garantir que todos os condutores sujeitos à política do mútuo reconhecimento das cartas de condução se adaptam ao ambiente e regras de trânsito de Macau, as autoridades devem obrigá-los a realizar testes e frequentar sessões educativas sobre o panorama do trânsito e regras de segurança rodoviária do território. Tendo em conta que o planeamento dos novos aterros e demais construções ainda estão em curso, o deputado espera que o Governo inclua concepções de segurança que tenham também em consideração os veículos com volante do lado esquerdo.
Nunu Wu Manchete SociedadeZAPE | Comerciantes temem pelo futuro A pouco mais de duas semanas do encerramento total dos casinos- satélite, os comerciantes da Zona de Aterros do Porto Exterior continuam a demonstrar preocupação sobre o futuro dos seus negócios, dado o decréscimo de turistas naquela área. A queda de vendas tem-se acentuado nos últimos meses, segundo testemunhos dados ao jornal Ou Mun O encerramento gradual dos casinos-satélite na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), que decorre até ao final do ano, está a deixar os comerciantes dessa área da península muito preocupados quanto ao futuro dos seus empreendimentos. Os testemunhos ouvidos pelo jornal Ou Mun falam de quebra nos negócios e de um sentimento de incerteza quanto ao futuro, isto apesar de o Governo e uma associação comercial já terem organizado actividades para dinamizar aquela zona. Uma das pessoas ouvidas, foi um proprietário de um restaurante, que não quis ser identificado, tendo destacado que, nos últimos meses, o volume de negócios caiu cerca de 30 a 40 por cento face ao passado. Este homem, apontou como uma das principais razões a quebra de clientes com grande poder de compra dos casinos-satélites situados nas proximidades. O comerciante confessou que a capacidade de compra de residentes locais é limitada, pagando entre 30 a 50 patacas por um pequeno-almoço ou almoço, ou 50 a 80 patacas por um jantar. Disse ainda que os apostadores dos casinos é que sustentam a economia do ZAPE, sobretudo depois das 22h. O proprietário de um restaurante frisou que mesmo que o Governo coloque no ZAPE decorações sazonais para melhorar o ambiente de negócio e atrair visitantes, ou mesmo com o trabalho realizado por associações comerciais com plataformas locais e da China, os comerciantes da zona continuam pessimistas quanto ao futuro. Isto porque, na prática, não vêm a tendência de quebra de negócios alterar-se, acreditando que quando todos os casinos-satélite da zona fecharem portas, a perda de clientes será ainda maior. Outro problema que têm de enfrentar, é o custo da renda, pois nesta fase a única discussão que pode ser feita com os proprietários dos espaços comerciais é no sentido de uma redução do valor. Quebra para metade Outro dono de restaurante na zona, confessou que também viu o negócio baixar em cerca de 50 por cento nos últimos meses, mostrando-se igualmente pessimista. Porém, garante que consegue manter o negócio caso o Governo conceda apoios. Este proprietário espera, por isso, que as autoridades concedam mais recursos para atrair os visitantes ao ZAPE, desejando ainda mais actividades realizadas pelo Governo ou pela associação comercial que representa a zona. Caso o volume de receitas continue a sofrer reduções, só lhe resta desistir do negócio, confessou ao Ou Mun. Numa área de actividade diferente, desta vez um supermercado, um funcionário apontou que o dono já demonstrou a intenção de trespassar o negócio devido à queda das vendas. O entrevistado reconheceu que o ZAPE vai receber, no futuro, diversas actividades e eventos, mas entende que não vão trazer muito impacto no negócio porque o ambiente da zona não é atractivo, não existindo atracções para que os turistas tirem fotografias. Além disso, o funcionário do supermercado lembrou que também não existem lojas com características próprias, ou mais tradicionais.
Nunu Wu Manchete PolíticaTransportes | Pedidos detalhes sobre túnel entre Taipa e península O deputado Leong Pou U perguntou ao Governo se as razões pelas quais o Executivo de Ho Iat Seng desistiu da ideia de avançar com uma quinta ligação entre a península e a Taipa, por túnel, foram ultrapassadas. A nova ligação ressuscitou depois de Raymond Tam ter revelado que a construção está a ser estudada A ideia de fazer um túnel subaquático entre a península e a Taipa voltou à ordem do dia, depois de o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man ter revelado durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa que a quinta ligação estaria a ser estudada. O novo deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Leong Pou U, divulgou ontem uma interpelação escrita a pedir informações adicionais. O legislador, que entrou no elenco da Assembleia Legislativa recentemente, perguntou ao Executivo porque razões a ligação voltou aos planos, depois de ter passado ao esquecimento durante o mandato de Ho Iat Seng à frente do Governo. Aliás, o Leong Pou U recordou que a quinta ligação, fosse por ponte ou túnel, não foi incluída no Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030). Na altura, as justificações para não avançar com o plano prenderam-se com a complexidade de construir uma ponte entre as zonas A e B dos Novos Aterros Urbanos, assim como a proximidade de menos de um quilómetro da Ponte de Sai Van, concentrando o trânsito no centro da península, lembrou o deputado “O actual Governo reinicia a construção da quinta ligação. Isso significa que os problemas mencionados já foram resolvidos?”, questiona na interpelação escrita. Construtoras agradecem Segundo a apresentação de Raymond Tam, a quinta ligação será um túnel submarino entre a Zona Nova de Aterros do Porto Exterior (NAPE) e Zona D dos Novos Aterros Urbanos, com um tabuleiro superior para o trânsito rodoviário e um inferior para o Metro Ligeiro. A estrutura foi avançada como uma solução para o problema de trânsito, sobretudo os engarrafamentos na NAPE. Leong Pou U perguntou também se o Governo já sabe quando vão começar as obras de construção e se será lançado um estudo sobre o impacto no trânsito na zona central da península. Esta ligação tem estado na agenda governamental desde os tempos de Chui Sai On enquanto Chefe do Executivo. Porém, quando o Governo apresentou aos deputados o Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030), em Maio de 2022, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, indicou que a quinta ligação poderia não se concretizar. “Falando das passagens de ligação entre as Zonas A e B, seja por túnel ou ponte, a construção será muito complicada, mesmo para a equipa de Chongqing. Até agora, não há soluções”, disse Raimundo do Rosário. Na altura, o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Lam Hin San, indicou também que a quarta ligação, a Ponte Macau, seria a resposta para desviar o trânsito da zona centro.
Nunu Wu Manchete SociedadeTurismo | Previstas mais viagens de residentes para o exterior Andy Wu, presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, acredita que os residentes possam viajar mais nesta época natalícia que se aproxima, falando em aumentos das viagens na ordem dos 20 por cento. O interior da China deverá estar no topo das preferências O presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, Andy Wu, garantiu, segundo o jornal Ou Mun, que as viagens de residentes ao exterior possam aumentar cerca de 20 por cento nesta época natalícia. O responsável explicou que, segundo o calendário deste ano, as férias combinam com a data do estabelecimento da RAEM, 20 de Dezembro, sendo que os períodos do solstício de Inverno, a véspera de Natal e o Natal são de seis dias, entre as datas de 20 e 25 de Dezembro. Caso uma pessoa peça o dia de férias para sexta-feira, 26 de Dezembro, o período de férias pode estender-se a nove dias, entre as datas de 20 a 28 de Dezembro, por incluir o fim-de-semana. Andy Wu acredita que, com este calendário, as pessoas terão mais vontade de viajar, nomeadamente para fazer percursos mais longos. Quanto ao destino da viagem, o dirigente associativo acredita que a zona do interior da China deverá ocupar o topo das preferências, mais de 60 por cento, para os residentes de Macau, tendo em conta que a popularidade das viagens ao Japão sofreu uma redução. Pelo contrário, Andy Wu destaca que as viagens à China e Sudeste Asiático se tornaram as alternativas preferenciais. Japão com menos procura Face aos preços das viagens, Andy Wu disse que a época do Natal não faz parte das fases dos grandes períodos de férias para o interior da China, pelo que os valores tendem a estabilizar. Enquanto isso, face à menor procura pelas viagens ao Japão, um cenário diferente em relação ao ano passado, quando os preços subiram muito, este ano verifica-se o oposto: uma estabilidade de valores. Andy Wu afirma que as escolhas de destinos na China mais populares são locais com neve e gelo, nomeadamente cidades em Chongqing ou na província de Jiangxi, que recentemente passou a ter uma rota aérea directa com Macau. O responsável adiantou que o facto de existirem, no país, recursos turísticos abundantes e a conveniência dos meios de transporte faz com que o interior da China se torne muito atractivo, como destino, para os residentes de Macau. Além disso, Andy Wu observou que há uma nova tendência no mercado de viagens de longa distância, já que há muitos residentes a preferir viajar sozinhos para destinos na Europa ou Dubai. No cenário oposto, ou seja, quanto ao número de visitantes de Macau na semana do Natal, Andy Wu acredita que o número possa registar um aumento em termos anuais. O presidente da associação descreve que, apesar de o Natal não ser celebrado no interior da China, o ambiente festivo é bastante popular e atractivo, nomeadamente para visitantes mais jovens. Por esta razão, Andy Wu explicou que os turistas mais jovens do interior da China, e também os que vêm de Hong Kong, são dois grupos essenciais para trazerem dinâmica ao turismo nesta época natalícia.
Nunu Wu Manchete PolíticaTrabalho | Dois terços descansam apenas 1 ou 1,5 dias por semana Um inquérito da FAOM revelou que cerca de 60 por cento dos trabalhadores não tiveram actualização salarial este ano e dois terços não tem descanso semanal de dois dias. Leong Sun Iok quer que o Governo dê orientações claras às empresas para darem prioridade à contratação de residentes e fixe uma quota mínima de locais Salários congelados, sobrecarga de trabalho, insegurança financeira e concorrência desleal com salários muito baixos de não-residentes foram as principais preocupações reveladas por cerca de 2.000 trabalhadores que responderam a um inquérito sobre condições de trabalho em 2025. O tabalho, apresentado ontem, foi realizado pela Associações dos Operários de Macau (FAOM). Para 60 por cento dos entrevistados, não houve aumentos de ordenado este ano, enquanto 10 por cento tiveram mesmo cortes salariais. Além disso, perto de dois terços dos trabalhadores queixaram-se de uma excessiva carga laboral, com o descanso semanal reduzido a um dia ou um dia e meio. Outra situação que desalinha o equilíbrio entre vida e trabalho, é o acesso tecnológico que permite transportar para os tempos livres e para casa tarefas de trabalho. Esta situação voltou a ser alvo de queixas de trabalhadores, levando os responsáveis da FAOM a pedir ao Governo que defina claramente os parâmetros do “direito a estar offline”. Para tal, é necessário que os trabalhadores tenham direito a compensação de horas extra, ou salário de trabalho por turnos. A juntar a estes problemas, foram frequentes os relatos de falta de estabilidade e de “almofada” financeira, causando sentimentos de insegurança em relação ao futuro. O bicho papão Dando eco a uma das bandeiras políticas da FAOM, os entrevistados consideram que as políticas laborais não dão prioridade eficaz aos locais no acesso ao emprego. Como tal, 63 por cento dos inquiridos revelaram falta clareza às medidas de protecção a trabalhadores residentes. Neste ponto, o deputado Leong Sun Iok, afirmou que “apesar de as actuais leis já definirem a prioridade dos residentes locais, o Governo nunca traçou exigências claras para as empresas em relação às práticas de contratação recursos humanos”. O resultado é a falta de eficácia na concretização da prioridade. Uma solução, apontado pelo deputado, seria a aplicação firme de quotas ou proporção mínima de residentes nos recursos humanos de cada empresa, como acontece com os cargos de chefia nas concessionárias do jogo. Leong Sun Iok considera que desta forma, os empregadores seriam “incentivados” a formar funcionários locais. Os salários demasiado baixos de trabalhadores não-residentes, e a decorrente concorrência desleal provocada pelo desnível dos ordenados, foi destacada por 60 por cento dos inquiridos. Leong Sun Iok defende que o Governo deveria recusar pedidos para contratação de não-residentes quando os salários propostos pelos empregadores forem demasiado baixos.
Nunu Wu Manchete PolíticaAndaimes | Governo admite substituir bambu por metal Sem uma posição de fundo sobre a questão, a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana admite avançar com alterações ao método actual se existir “um consenso social” entre a população e as construtoras A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) admite ponderar a substituição dos andaimes de bambu por metal. A posição foi divulgada por Mak Tat Io, subdirector da DSSCU, ontem no programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. A discussão sobre a utilização dos andaimes de bambu foi lançada na sequência do incêndio em complexo residencial em Tai Po, em Hong Kong, que resultou em pelo menos 159 mortos. “Os andaimes de bambu e os de metal têm as suas vantagens e desvantagens. O Governo da RAEM vai ter uma atitude de abertura e fazer as alterações necessárias, quando houver um consenso entre o sector da construção e a sociedade”, afirmou Mak Tat Io. Mak Tat Io ainda apontou que após o incêndio grave de Hong Kong, a DSSCU cooperou com as autoridades no reforço das inspecções às medidas de segurança e que nestas tarefas tem assumido critérios cada vez mais rigoroso. Sobre as inspecções, o responsável indicou a necessidade de garantir a segurança contra incêndios ainda antes da licença de construção ser emitida e que um dos aspectos especificamente visado foi a instalação dos andaimes e o cumprimento dos padrões de segurança. Desde o início do incêndio em Hong Kong que o Governo da RAEHK ligou a propagação das chamas ao bambu, pelo que propôs uma substituição total por andaimes de metal. Decisão pouco científica Por seu turno, a Associação dos Barraqueiros de Macau defendeu que a proibição de andaimes de bambu não tem base científica e alertou que vai ter um impacto indesejado no sector de construção. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Chio Tak Sio, argumentou que é necessário investigar a fonte do incêndio em vez de proibir de forma irracional os andaimes de bambu. Chio Tak Sio também alertou que a montagem de andaimes de bambu faz parte do património cultural intangível e tem lugar importante na história arquitectónica de Macau, e sugeriu ao Governo que opte antes por elaborar critérios de segurança. Além disso, o dirigente associativo apontou que o preço de andaimes de metal é três vezes superior aos de bambu, pelo que se for seguido este caminho as obras de manutenção de paredes exteriores dos edifícios vão ser mais caras. O responsável também sublinhou que actualmente apenas 30 lojas fornecem serviços de instalação de andaimes de bambu e somente 50 pessoas conhecem as técnicas de instalação. Por isso, Chio Tak Sio apontou que este sector está a enfrentar um problema grave de envelhecimento da população. Para salvar o sector, Chio indicou que muitas empresas querem formar aprendizes pelos seus próprios meios. Contudo, como os apoios do Governo são limitados, é difícil atrair jovens para o sector.
Nunu Wu Manchete PolíticaIncêndios | Nick Lei defende reforço das medidas de segurança Na sequência do incêndio de Tai Po, em Hong Kong, e das inspecções realizadas pelas autoridades de Macau, Nick Lei perguntou que medidas vão ser adoptadas para garantir a segurança, principalmente em estaleiros de obras O deputado Nick Lei espera que o Governo se mantenha alerta para as necessidades de segurança contra incêndios, e garanta a eficácia da supervisão nos estaleiros de obras. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian, através de uma interpelação escrita. A tomada de posição surge na sequência do incêndio no complexo residencial em Tai Po, em Hong Kong, que resultou em 156 mortos, de acordo com a contagem mais recente, numa altura em que ainda falta contabilizar vítimas de duas torres habitacionais. As causas preliminares da origem do incêndio foram relacionadas com os materiais instalados nas obras de renovação do complexo residencial. Agora, Nick Lei veio recordar que após o incêndio as autoridades inspeccionaram 60 estaleiros de construção com andaimes, por isso pretende saber o que vai ser feito, para corrigir falhas que tenham sido identificadas. “Em resposta às falhas descobertas durante as inspecções, como se estabelece um mecanismo permanente de revisão para garantir que os materiais de construção cumprem os padrões de segurança contra incêndios (…) com vista a elevar eficazmente o nível da segurança contra incêndios nos estaleiros de obras?”, pergunta o deputado. Lei também quer saber como se pode “resolver completamente a questão da instalação de obstáculos em corredores” utilizados como saídas de emergência. Planos mais específicos Além disso, o deputado ligado à comunidade de Fujian defende que os actuais planos de socorro têm de ser mais específicos para responder às necessidades da densidade populacional, tipos de construção locais e características ambientais das diversas áreas do território. Nick Lei também quer que o Governo esclareça os procedimentos de resposta a emergências, para garantir a segurança da população quando houver grandes catástrofes. Lei aponta ainda que Macau pode obter apoio das zonas vizinhas de forma oportuna, se tiver planos para tal. Quanto aos equipamentos avançados de resposta a emergências, Nick Lei quer saber quais vão ser os meios de alta tecnologia importados para auxiliar nos trabalhos de resgate, com o objectivo de melhorar a capacidade de combate a incêndios em ambientes específicos, como acontece nos edifícios altos e nos mais antigos. “O Governo deve reforçar a inspecção de segurança em espaços e lugares públicos, particularmente no que diz respeito à elaboração dos planos de combate a incêndios nos edifícios baixos em bairros comunitários e edifícios que não têm entidade de administração ou condomínios”, aconselhou. Nick Lei defendeu que desta forma “pode aumentar-se a eficiência da evacuação de edifícios em situação de emergência”, lê-se na interpelação escrita.
Nunu Wu Manchete SociedadeFestival da Gastronomia | Negócios terão subido 30% Apesar dos bons resultados, as vendas do festival estão, no melhor cenário, 20 por cento abaixo do que acontecia antes da pandemia. No entanto, não se esperam grandes alterações, dado que os restaurantes do exterior, que cobravam preços mais altos deixaram de ser convidados para o evento O Festival da Gastronomia terminou no domingo e terá resultado num aumento anual do volume de negócios de 30 por cento, de acordo com o presidente da Comissão de Organização do Festival da Gastronomia, Chan Chak Mo. O balanço do evento foi citado pelo jornal Ou Mun. Em relação ao balanço da 25.ª edição, Chan Chak Mo apontou para um aumento generalizado para todas as bancas, mas destacou que houve casos em que os vendedores conseguiram mesmo dobrar o volume de negócios, em comparação com o ano anterior. Segundo o presidente da associação, para o bom resultado contribuíram vários factores, como o bom tempo, o grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias, que atribuiu cupões de desconto que puderam ser utilizados nas bancas do festival, e a organização de outros eventos que trouxeram gente para o território e coincidiram com o festival. Além disso, Chan Chak Mo afirmou igualmente que os comerciantes que participaram no festival tiveram uma maior vontade de investir no design das bancas, o que tornou os diferentes espaços mais atraentes. Em termos das tendências de consumo, o ex-deputado indicou que os jovens preferem a comida mais “inovadora” e que mostraram abertura para consumirem bebidas com preços entre 40 e 50 patacas. Este grupo de clientes também não se mostrou preocupado em pagar entre 30 e 40 patacas por doces e sobremesas, o que foi entendido por pelo dirigente associativo como um grupo que não se mostrou muito preocupado com os preços. Mudança, precisa-se Tendo em conta os padrões de consumo, Chan Chak Mo considerou ainda que as bancas que têm uma presença no festival mais antiga precisam de inovar nos seus pratos, para se tornarem mais atraentes. Além disso, esta foi a primeira vez que foi proibido fumar no festival, que é realizado ao ar-livre. No entanto, foi criada uma zona para fumadores e no total dos 17 dias as autoridades apenas detectaram duas infracções. Fazendo a comparação com as edições do festival no período pré-pandemia, Chan apontou que o volume de negócios está entre 70 a 80 por cento do que costumava acontecer. A redução do volume de negócios foi explicada em parte com o facto de desde a pandemia terem deixado de participar na iniciativa restaurantes que vinham de fora de Macau e que cobravam preços mais altos. Após a pandemia, as bancas passaram a ser integralmente ocupadas por negócios locais. Aposta local Quando questionado sobre a intenção de voltar a convidar comerciantes estrangeiros, o presidente da associação confessou que não existem planos nesse sentido, porque as pequenas e médias empresas locais têm grandes dificuldade para operar e precisam de todo o apoio possível. O responsável explicou também que esta mudança de postura tem a ver com o facto de o Governo ter sugerido uma maior aposta no comércio local, para apoiar os comerciantes da RAEM. No entanto, Chan Chak Mo revelou que em todas as edições a organizadora substitui entre 30 a 40 comerciantes cujos produtos tiveram pouca procura. A comissão visita depois potenciais candidatos a um convite, para avaliar se os produtos e os preços correspondem ao actual modelo de consumo dos visitantes do festival. Quanto à próxima edição do festival, o presidente da associação indicou que não existem grandes planos de inovação, mas admite que possa haver mais espectáculos no recinto.