China | Quase 400 mil pessoas retiradas da zona centro devido à chuva

A região centro da China tem sido fortemente afectada por chuvas intensas nos últimos dias. O risco de inundações e deslizamento de terras levou à evacuação massiva de pessoas nas províncias de Shaanxi e Sichuan

As fortes chuvas que atingem o centro da China obrigaram à retirada preventiva de quase 400.000 pessoas nas províncias de Shaanxi e Sichuan, enquanto as autoridades mantêm vários alertas devido ao risco de inundações, cheias e desastres geológicos. Na província de Shaanxi, as autoridades retiraram preventivamente 115.756 pessoas desde quinta-feira, informou ontem a televisão estatal CCTV.

Na província vizinha de Sichuan, mais de 270.000 pessoas foram retiradas desde 29 de Julho devido às fortes chuvas, que provocaram desastres geológicos em várias localidades e levaram ao reforço das medidas de prevenção.

Ainda ontem, a precipitação afectou vastas zonas de Shaanxi, com chuva forte ou torrencial em vários distritos e acumulados superiores a 100 milímetros em diversos pontos da província. As chuvas provocaram cheias em vários rios e mantiveram elevado o risco de inundações, enquanto as autoridades continuam a acompanhar a evolução da situação.

O ministério dos Recursos Hídricos informou ontem que 18 rios do país permanecem acima do nível de alerta e advertiu para o risco de novas cheias em rios de pequena e média dimensão entre 4 e 6 de Agosto, sobretudo em zonas de Shaanxi, Sichuan e da cidade de Chongqing.

O Centro Meteorológico Nacional manteve um alerta laranja, o segundo mais elevado do sistema chinês, devido à previsão de chuva intensa em várias regiões do país. A província de Shaanxi activou igualmente alertas do mesmo nível para fenómenos meteorológicos severos e risco de desastres secundários.

Alerta vermelho

O ministério dos Recursos Hídricos manteve um alerta vermelho, o mais elevado do sistema chinês, para o risco de cheias repentinas em zonas montanhosas do centro do município de Chongqing, um território com cerca de 82.400 quilómetros quadrados, semelhante em área à Áustria ou à República Checa.

O episódio junta-se a um Verão marcado por fenómenos meteorológicos extremos na China, onde a passagem de vários tufões, as chuvas torrenciais no sul e centro do país e os deslizamentos de terras em zonas montanhosas provocaram, nas últimas semanas, dezenas de mortos, centenas de milhares de retiradas preventivas e danos em infraestruturas, habitações e redes de transporte em várias províncias.

As autoridades continuam também a acompanhar a evolução do tufão Dolphin, que permanece afastado das águas chinesas, mas cuja trajectória posterior em direcção ao mar a leste da China continua incerta.

5 Ago 2026

IA na China cresceu 40% em 2025 atingindo 153,9 mil milhões de euros

As autoridades chinesas anunciaram que o sector da inteligência artificial (IA) na China deverá ultrapassar 1,2 biliões de yuan em 2025, o que representa um aumento de 40 por cento em relação ao ano anterior.

“Até ao final de Junho, o número de empresas de IA ultrapassou as 6.600, representando 15 por cento do total mundial”, afirmou a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações (CAICT) num comunicado publicado nas redes sociais na segunda-feira.

De acordo com a CAICT, a indústria de IA na China estabeleceu um “ecossistema industrial abrangente que inclui infraestruturas de base, estruturas de modelos e aplicações industriais”. A academia referiu que a cadeia industrial da IA se divide na camada de infraestruturas, na camada de estruturas de modelos e na camada de aplicações.

“Em 2025, a dimensão da camada de infraestruturas de IA da China cresceu 59 por cento em relação ao ano anterior, representando 38 por cento do total; a dimensão da camada de estruturas de modelos de IA cresceu 189 por cento, representando 7 por cento, e a dimensão da camada de aplicações de IA cresceu 22 por cento, representando 55 por cento”, acrescentou a CAICT.

Expansão em curso

A CAIC observou que a indústria de inteligência artificial da China é “altamente concentrada” em termos de distribuição geográfica. Pequim, Guangdong, Xangai, Zhejiang e Shandong lideram o desenvolvimento da IA, juntas, estas cinco províncias representam mais de 80 por cento da indústria de IA da China.

A academia descreveu o sector da IA na China como “em plena expansão”, com as inovações tecnológicas a alcançarem uma série de avanços, “marcando um período de vitalidade sem precedentes”.

A tecnológica chinesa Alibaba apresentou esta semana o Qwen3.8-Max, o seu modelo de inteligência artificial mais avançado até à data, num novo passo na competição entre os principais programadores chineses e norte-americanos de sistemas de raciocínio, programação e agentes autónomos.

O Qwen tornou-se um dos principais pilares da aposta da Alibaba na inteligência artificial e na computação em nuvem, áreas nas quais o grupo anunciou investimentos superiores a 52 mil milhões de dólares ao longo de três anos.

O lançamento ocorre numa altura de forte dinamismo do setor chinês da IA, após a apresentação de modelos como o Kimi K3, da Moonshot, ou o GLM-5.2, da Zhipu, e em plena competição tecnológica entre a China e os Estados Unidos por tecnologias consideradas estratégicas.

5 Ago 2026

Plano quinquenal domina retiro de Verão da liderança chinesa

O tradicional retiro de Verão da liderança chinesa em Beidaihe arrancou com uma reunião entre o dirigente Cai Qi e especialistas convidados, tendo como pano de fundo as prioridades do novo plano quinquenal da China.

Cai, membro do Comité Permanente do Politburo, o principal órgão de decisão do Partido Comunista Chinês, reuniu-se na segunda-feira com especialistas de várias áreas em Beidaihe, uma estância balnear na província de Hebei, informou na noite de segunda-feira a agência noticiosa oficial Xinhua.

O despacho não faz referência a reuniões da liderança chinesa nem a deliberações políticas, centrando-se apenas no encontro com especialistas, um formato que, nos últimos anos, se tornou um dos poucos sinais públicos associados ao tradicional retiro de Beidaihe, cada vez menos visível na cobertura oficial.

Situada na província de Hebei (norte), a cerca de 300 quilómetros de Pequim, Beidaihe foi instituída pelo antigo líder Mao Zedong, em 1953, como local de descanso de Verão para os principais dirigentes chineses.

Prioridades definidas

Este ano, o programa oficial de férias para especialistas decorreu sob o lema “Avançar no XV Plano Quinquenal”, aprovado em Março, e reuniu representantes das áreas da investigação fundamental, tecnologias estratégicas, tecnologias essenciais e ciências sociais.

Cai afirmou que o período entre 2026 e 2030 será uma fase “crucial” para transformar a China numa potência nas áreas da educação, da tecnologia e dos recursos humanos qualificados, apelando aos especialistas para darem “novos contributos para a modernização socialista”.

A referência está em linha com as prioridades definidas por Pequim para o próximo plano quinquenal, numa altura em que a China procura reforçar a auto-suficiência tecnológica face às restrições impostas do exterior. A iniciativa ocorre também depois de o Politburo ter decidido convocar para Outubro a quinta sessão plenária do XX Comité Central do PCC. Este ciclo culminará no XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027.

5 Ago 2026

IIM acolhe projecto linguístico de Cheong Kin Man e Marta Sala

Está marcado para esta quinta-feira, a partir das 18h30, uma sessão participativa sobre as línguas existentes em Macau, e que se relaciona com o trabalho da dupla de artistas Cheong Kin Man, natural de Macau e Marta Sala, da Polónia. O evento acontece no Instituto Internacional de Macau (IIM) e é acompanhado de uma exposição em formato “pop-up”.

Segundo uma nota do IIM, convida-se o público a “contribuir para uma futura obra audiovisual sobre a translingualidade quotidiana de Macau”, numa iniciativa chamada de “Midissage”, um termo franco-alemão utilizado para um encontro realizado a meio de uma exposição.

A sessão será organizada em sucessivas rondas de perguntas, durante as quais cada participante poderá intervir por um máximo de um minuto. O formato procura reunir experiências relacionadas com as línguas utilizadas na vida familiar, profissional e urbana de Macau.

O encontro decorrerá maioritariamente em inglês, permanecendo aberto a intervenções em qualquer idioma. A iniciativa pretende observar uma realidade linguística que ultrapassa as duas línguas oficiais, português e chinês, e inclui, entre outras, inglês ou tagalo. As intervenções serão registadas em vídeo e posteriormente incorporadas numa obra audiovisual, fazendo da própria participação pública parte do processo artístico e documental.

Têxteis de uma vida

Por sua vez, a exposição temporária, com curadoria de Sara Neves, apresenta trabalhos têxteis inéditos na Ásia, concebidos pela dupla como “auto-etnografias artísticas”. É também apresentada uma instalação com uma selecção de entrevistas feitas por Cheong Kin Man, entre 2008 e 2009, junto de comunidades da diáspora de Macau.

Este projecto resulta de uma residência de investigação acolhida pelo IIM, em associação com o Instituto Português do Oriente (IPOR), dedicada às ligações humanas e culturais entre Macau e o mundo, à translingualidade, às memórias diaspóricas e ao património afectivo.

Segundo a dupla, a acção procura abordar Macau não apenas como lugar de coexistência entre idiomas, mas como espaço onde diferentes formas de falar, escutar e traduzir participam diariamente na construção de pertenças. A residência prolonga-se até meados deste mês, período durante o qual a exposição continuará a evoluir diariamente e será gradualmente desfeita, em lugar de encerrar de forma convencional.

O programa conta com o apoio do “Goethe-Institut Hongkong” (Instituto Alemão de Hong Kong), bem como com o apoio institucional do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o patrocínio honorário do Consulado-Geral da Polónia em Hong Kong.

Concluída a etapa de Macau, Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man seguem para o Brasil, onde o programa tem o apoio institucional do IIM. No Rio de Janeiro, realizarão uma residência de investigação artística na Casa de Pedra e apresentarão novas actividades, antes de prosseguirem para São Paulo.

5 Ago 2026

Trânsito | Instaladas 37 plataformas de cimento nas passadeiras

As estradas da RAEM vão receber 37 plataformas de cimento em nove locais, para impedir o estacionamento ilegal junto às passadeiras. A adopção desta estratégia foi explicada ao canal chinês da Rádio Macau por Sio Iat Pang, chefe do Departamento de Planeamento e Desenvolvimento de Tráfego da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT).

As plataformas de cimento estão sinalizadas com uma barra de metal, com reflectores, e têm como objectivo impedir que o estacionamento ilegal afecte a visibilidade nas passadeiras.

À emissora, Sio Iat Pang defendeu esta estratégia, porque as plataformas podem ser removidas das estradas a qualquer altura, com a simples utilização de uma grua. Além disso, podem facilmente ser colocadas em diferentes locais.

O dirigente explicou também que as primeiras plataformas vão ser instaladas em entradas e saídas de parques de estacionamento, cruzamentos e passadeiras. No entanto, foi prometido que a DSAT vai ouvir as opiniões da população sobre a possibilidade de instalar mais plataformas.

A emissora ouviu igualmente um residente de apelido Chan, que considerou positiva a instalação da plataforma de cimento na Avenida de Kwong Tung, na Taipa. Segundo este residente, o estacionamento ilegal costumava obstruir a visibilidade dos condutores e de quem atravessa a passadeira, mas com as ilhas tal deixa de acontecer, o que facilita a circulação dos peões.

Por sua vez, outro residente local, de apelido Lei, também considerou que, desde que foram instaladas as plataformas de cimento, se tornou mais fácil atravessar a estrada.

5 Ago 2026

Coloane | Autocarros circulares lotados no primeiro fim-de-semana

Os autocarros gratuitos que vão fazer rotas circulares por Coloane este mês aos sábados e domingos, arrancaram no passado fim-de-semana com lotações esgotadas. Nas 21 viagens realizadas, foram transportados 572 passageiros, destes, 75 por cento eram turistas, e os restantes residentes de Macau, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau.

Os autocarros são uma iniciativa do Centro de Desenvolvimento Local, um organismo que resulta da parceria entre o Governo e a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, que dirige o centro com o objectivo de planear e executar de projectos de dinamização dos bairros históricos.

Os pequenos autocarros circulares têm seis paragens, a começar na Estação de Lótus do Metro Ligeiro, seguindo pela Alameda da Harmonia, Pavilhão do Panda Gigante, Parque Natural da Seac Pai Van, Vila de Coloane, culminando nos Estaleiros da Lai Chi Vun.

Segundo a associação, devido à grande afluência a frequência das viagens aumentou para cada 20 minutos, ligando os pontos turísticos e culturais de Coloane.

5 Ago 2026

Aviação | Instituto sino-lusófono aposta em inovação tecnológica

O Instituto de Investigação em Tecnologia de Simulação de Aviação China-Portugal nasceu de um convite da China Southern Airlines e da Universidade de Tecnologia de Guangdong (GDUT) à Universidade de São José (USJ)

Um novo instituto sino-lusófono de inovação tecnológica na aviação pretende desenvolver projectos para implementar “na vida real e indústria”, incluindo simuladores de realidade virtual e aumentada, indicou à Lusa um dos académicos intervenientes no projecto.

O Instituto de Investigação em Tecnologia de Simulação de Aviação China-Portugal nasceu de um convite da companhia aérea China Southern Airlines e da Universidade de Tecnologia de Guangdong (GDUT) à Universidade de São José (USJ), em Macau, disse à Lusa o director da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ, Carlos Sena Caires.

Ao integrar este consórcio sino-português, “num papel de consultadoria de design e de participação na questão da realidade virtual e aumentada”, a USJ trouxe para bordo uma parceira portuguesa, a Universidade da Madeira.

“Têm investigação desenvolvida no âmbito do aeroporto da Madeira, nomeadamente no estudo dos ventos e da orografia da ilha, e muita investigação feita nessas áreas, incluindo a utilização da inteligência artificial para fazer o estudo de modelos de prevenção e medição dos ventos no aeroporto da ilha da Madeira”, explicou Carlos Sena Caires à agência Lusa.

O instituto foi lançado em Junho, na cidade de Guangzhou, na província de Guangdong, vizinha de Macau, e formalizado na semana passada com a assinatura de um memorando de entendimento na Universidade da Madeira. O objectivo, indicou o académico, passa por desenvolver projectos que possam ser “implementados na vida real e na indústria”.

Os parceiros chineses, notou ainda, têm interesse em actualizar a utilização da inteligência artificial, com vista ao desenvolvimento de simuladores, que podem servir diferentes tipos de treino, incluindo a preparação de pilotos e a modelação da orografia (estudo do relevo) chinesa.

Parceiros de peso

Com investigadores envolvidos, os projectos podem ter aplicabilidade directa através de “criação de patentes, de novos modelos e aplicações”, reforçou Caires. “A China Southern Airlines é uma das maiores companhias chinesas de aviação, tem um peso enorme na Grande Baía e no sul da China, e temos interesse, enquanto instituições de ensino superior, de estar ligados à indústria”, disse.

Em Portugal, continuou o responsável, ainda é desconhecida esta dimensão tecnológica da região: “Macau nesta altura, do ponto de vista do design, que é a minha área, eu acho que é o sítio para se estar. A Grande Baía, no sul da China, com Shenzhen mesmo ao lado, Hong Kong, Guangzhou, Foshan, Dongguan (…) todas essas grandes cidades estão com um nível de desenvolvimento muito acelerado e precisam de designers, arquitectos e investigadores”.

O consórcio insere-se, além disso, “nas linhas de acção do Governo de Macau”, que desde 2003 tem vindo a reforçar o papel de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa.

No que diz respeito à USJ, é parte de uma estratégia de internacionalização da Faculdade de Artes e Humanidades. A GDUT conta com “uma das cinco melhores escolas de design da China”, explica. “Faz todo o sentido posicionar-nos nessas áreas e estabelecer colaborações com as melhores instituições da China e do sul da China, neste caso da Grande Baía”. O memorando prevê ainda mobilidade académica, intercâmbio de docentes e estudantes e realização de workshops conjuntos.

5 Ago 2026

Circulação em Guangdong | Governo admite atrasos na política

O Governo reconheceu que a política que irá permitir a veículos com matrícula única de Macau autorizados a conduzir em Hengqin entrar no resto da província de Guangdong sofreu atrasos, face à meta que estava definida nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para este ano.

No documento, o Executivo indicava que a circulação em Cantão de carros apenas com matrícula de Macau, que podem entrar em Hengqin, ia ser possível até ao final de Junho, no entanto, a meta não foi cumprida. “Tendo em conta que a sua concreta implementação envolve vários serviços competentes de Guangdong e Macau, a entrada oficial em vigor ocorrerá mais tarde do que o previsto”, pode ler-se na resposta a uma interpelação do deputado Nick Lei, assinada por Chao Tong Leong, chefe substituto do gabinete do secretário para a Segurança.

A resposta do Governo de Macau explica também que a 6 de Julho começou, em Guangdong, a consulta pública sobre a medida. Terminada esta fase, seguir-se-á uma série de procedimentos necessários de avaliação e apreciação da política”.

É também indicado que ao mesmo tempo estão a decorrer trabalhos de “actualizações e melhorias do sistema de requerimento e dos equipamentos de fiscalização” para a circulação entre Macau e Cantão.

Só depois destes trabalhos, definidos como preparatórios, vão ser divulgadas as especificações da política, como o número do primeiro lote de veículos, os documentos comprovativos necessários, bem como o tempo de permanência após a saída de Hengqin para o resto da província, o regime de quotas e as exigências de fiscalização.

5 Ago 2026

Fujian | Sam Hou Fai visita local de turismo vermelho em Longyan

Durante a visita de cinco dias que está a fazer à província de Fujian, o Chefe do Executivo visitou na segunda-feira a cidade de Longyan, mais concretamente o “local da Conferência de Gutian, tomando conhecimento sobre o desenvolvimento do turismo vermelho e a educação patriótica na região”.

O Gabinete de Comunicação Social (GCS) destaca a importância deste ano no calendário nacionalista, com as celebrações do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China e o 99º aniversário da fundação do Exército de Libertação do Povo Chinês. Em 1929, Longyan foi palco da 9ª Conferência do Quarto Exército Vermelho do Partido Comunista da China, que “estabeleceu os princípios de construir o Partido com base ideológica e construir o exército com base política, constituindo a base fundamental para a definição da missão política do Exército de Libertação do Povo Chinês”.

Segundo o GCS “Sam Hou Fai considerou que os vestígios da revolução possuem um profundo património cultural e um significado educativo”, e que a preservação dos edifícios históricos “representam uma ilustração viva da educação patriótica”.

Antes da excursão nacionalista, o líder do Governo da RAEM deslocou-se à Baía de Wuyuan, em Xiamen, onde testemunhou transformação da área num destino turístico e cultural, após a sua recuperação ecológica e desenvolvimento integrado. Sam Hou Fai referiu que a Baía de Wuyuan concretiza “plenamente o pensamento do Presidente Xi Jinping sobre a civilização ecológica, constituindo um exemplo de sucesso e de grande valor que merece ser tomado como referência para a RAEM”.

5 Ago 2026

Angola / China | Trocas comerciais de 9.300 ME no primeiro semestre

O volume de negócios entre Angola e a China atingiu os 10,8 mil milhões de dólares no primeiro semestre, metade das trocas comercias totais de 2025, anunciou ontem fonte da embaixada chinesa. De acordo com o embaixador da China em Angola, Zhang Bin, só em 2025 as trocas comerciais entre os dois países totalizaram 20,8 mil milhões de dólares.

“E durante os primeiros seis meses do ano corrente o volume de negócios já atingiu 10,8 mil milhões de dólares e esperamos que o volume total neste ano supere o ano passado”, afirmou ontem o diplomata chinês à saída de uma audiência com o presidente do parlamento angolano.

Com Adão de Almeida, Zhang Bin abordou as “excelentes” relações de cooperação e ambos os responsáveis concordaram em intensificar as visitas de alto nível entre os presidentes dos dois parlamentos, disse o diplomata asiático.

A necessidade de se aprofundar a cooperação e intercâmbio entre as comissões especializadas das assembleias de Angola e da China e de intensificar a troca de experiências governativas foram também abordadas neste encontro.

Zhang Bin destacou igualmente a abertura e disposição de empresas e investidores chineses em apostarem no país lusófono africano: “E também nos últimos tempos recebemos muitas delegações de empresários chineses que vêm da China para ver o ambiente de negócios em Angola e temos muitos projectos a ser materializados”, notou.

Questionado sobre o volume de vistos solicitados à embaixada que tutela, Bin deu a conhecer que entre Janeiro e Junho deste ano foram emitidos mais de três mil vistos a angolanos que visitaram o seu país. “E este número tem um crescimento notável em comparação com o período pós-pandemia e isso também reflecte o aumento do fluxo das pessoas entre os nossos países”, concluiu.

4 Ago 2026

Shaanxi | Chuvas obrigam retirada preventiva de quase 88 mil pessoas

A província chinesa de Shaanxi, no centro do país, retirou preventivamente quase 88.000 pessoas desde quinta-feira devido às fortes chuvas que atingiram vastas áreas da região, numa altura em que a China mantém alertas para precipitação intensa.

Entre quinta-feira e ontem, as autoridades provinciais organizaram a retirada preventiva de 87.987 pessoas, informou a televisão estatal CCTV, citando o Departamento de Gestão de Emergências de Shaanxi, província com cerca de 39 milhões de habitantes e uma área semelhante à da Bielorrússia.

Só entre a manhã de domingo e a de ontem, foram retiradas mais 18.063 pessoas, no âmbito das medidas adoptadas perante o risco de cheias, inundações e outros desastres associados às chuvas.

Nas últimas 48 horas, a precipitação afectou grande parte do centro e sul de Shaanxi, com chuva forte ou torrencial em vários distritos e acumulados superiores a 100 milímetros em sete deles. As chuvas provocaram cheias em 27 rios da província, embora, até ao momento, não tenham sido registados danos, segundo o mesmo balanço.

O Centro Meteorológico Nacional mantinha ontem um alerta laranja para chuva intensa, prevendo precipitação forte ou torrencial em zonas do centro, norte, sudoeste e sul da China, com acumulados locais entre 250 e 260 milímetros. O episódio junta-se a um Verão marcado por fenómenos meteorológicos extremos na China.

Nas últimas semanas, a passagem de vários tufões, as chuvas torrenciais no sul e centro do país e deslizamentos de terras em zonas montanhosas provocaram dezenas de mortos, milhares de retiradas preventivas e danos em infraestruturas, habitações e redes de transporte em várias províncias.

As autoridades apelaram também esta semana ao acompanhamento da evolução do tufão Dolphin, que ainda se encontra afastado das águas chinesas, mas cuja trajectória posterior em direcção ao mar a leste da China permanece incerta.

4 Ago 2026

Hong Kong | Lançados futuros sobre obrigações soberanas chinesas para atrair investidores

Os contratos de futuros sobre obrigações soberanas chinesas começaram ontem a ser negociados em Hong Kong, numa nova tentativa da China de abrir o mercado nacional de dívida a mais investidores estrangeiros e internacionalizar a utilização do yuan.

Os futuros atraíram um “volume de negócios activo nos primeiros minutos da sessão” de ontem, de acordo com o jornal de Hong Kong, em língua inglesa, South China Morning Post. Os contratos a cinco anos terão um valor de 500 mil yuan e podem ser negociados através de cerca de uma centena de corretores afiliados à bolsa da antiga colónia britânica.

De acordo com o presidente da HKEX, a operadora da bolsa de Hong Kong, Carlson Tong, as novas ferramentas “permitem aos investidores internacionais abrir, cobrir e encerrar posições inteiramente a partir do estrangeiro, através das mesmas contas e fluxos de trabalho que já utilizam para os derivados cotados em Hong Kong”.

A Bloomberg noticiou que se trata da terceira vez que Pequim tenta impulsionar esta iniciativa, após um breve período de testes entre Abril e Dezembro de 2017 — suspenso depois de Hong Kong ter exigido um quadro regulamentar e de cooperação mais claro com a China continental — e outro plano que acabou por ser cancelado em 2023, antes mesmo de ver a luz do dia.

Desta vez, o plano surge na sequência da decisão, tomada em Abril, de permitir que os investidores globais negociem futuros de obrigações soberanas na China.

Após anos de reformas, mais de dois biliões de yuan de dívida soberana ‘onshore’ (negociada nos mercados da China continental) estavam nas mãos de investidores estrangeiros, valor que contrasta com os 450 mil milhões de yuan registados em meados de 2017.

4 Ago 2026

Alibaba apresenta o modelo de IA mais avançado desenvolvido pela empresa

A tecnológica chinesa Alibaba apresentou ontem o Qwen3.8-Max, o seu modelo de inteligência artificial mais avançado até à data, num novo passo na competição entre os principais programadores chineses e norte-americanos de sistemas de raciocínio, programação e agentes autónomos.

A conta oficial do Qwen na rede social X informou que o modelo, descrito como o “mais avançado” alguma vez desenvolvido pela empresa, possui 2,4 biliões de parâmetros e foi concebido para tarefas de programação, trabalho colaborativo e execução prolongada de projectos.

Segundo a empresa, o Qwen3.8-Max consegue manter mais de 10 dias de desenvolvimento autónomo até à conclusão de um projecto completo.

A Alibaba afirmou ainda que o sistema foi concebido para tarefas de planeamento autónomo de longo prazo, com ciclos de aprendizagem e correcção, apontando como exemplos a optimização do desenho de semicondutores ou de estratégias de comércio electrónico durante períodos prolongados.

O grupo indicou que disponibilizará os pesos do modelo em formato aberto na próxima semana, seguindo a estratégia adoptada por vários programadores chineses de apostar em modelos abertos, em contraste com a abordagem fechada de empresas norte-americanas como a OpenAI ou a Anthropic.

Alta dinâmica

Segundo comparações divulgadas pela Qwen, o novo modelo supera a versão anterior e obtém melhores resultados do que alguns sistemas norte-americanos em testes de programação, agentes autónomos, raciocínio visual e compreensão de vídeo, embora os resultados variem consoante os critérios de avaliação.

A empresa fixou o preço em dois dólares por milhão de tokens de entrada e seis dólares (por milhão de tokens de saída, unidades mínimas de texto processadas pelos modelos linguísticos.

O Qwen tornou-se um dos principais pilares da aposta da Alibaba na inteligência artificial e na computação em nuvem, áreas nas quais o grupo anunciou investimentos superiores a 52 mil milhões de dólares ao longo de três anos.

O lançamento ocorre numa altura de forte dinamismo do sector chinês da IA, após a apresentação de modelos como o Kimi K3, da Moonshot, ou o GLM-5.2, da Zhipu, e em plena competição tecnológica entre a China e os Estados Unidos por tecnologias consideradas estratégicas.

4 Ago 2026

Energia | Aprovados oito novos reactores em investimento de 20,6 mil ME

A aprovação de mais oito reactores nucleares insere-se na política chinesa de reduzir as emissões de carbono

A China aprovou recentemente a construção de oito novos reactores nucleares em quatro projectos, num investimento total superior a 160 mil milhões de yuan, informou ontem o portal financeiro Yicai. O Conselho de Estado (Executivo chinês) deu luz verde aos projectos, com um custo estimado de cerca de 20 mil milhões de yuan por reactor, todos baseados em tecnologias nucleares de terceira geração desenvolvidas na China.

Os projectos aprovados correspondem à segunda fase da central de Jinqimen, na província oriental de Zhejiang, à primeira fase da central de Zhuanghe, em Liaoning, no nordeste do país, à terceira fase da central de Taipingling, na província de Guangdong, no sudeste, e à primeira fase da central de Laiyang, na província oriental de Shandong.

Os três primeiros utilizarão a tecnologia Hualong One, um reactor de água pressurizada de terceira geração desenvolvido na China, enquanto a central de Laiyang recorrerá ao Guohe One, outro reactor do mesmo tipo e geração concebido por uma empresa chinesa.

Segundo a imprensa especializada chinesa, os projectos Jinqimen II e Taipingling III funcionarão também como unidades de demonstração da versão Hualong One 2.0, apresentada como uma evolução com melhores níveis de segurança e rentabilidade.

Plano em marcha

Desde 2022, a China aprovou 49 reactores nucleares, representando um investimento total próximo de um bilião de yuan, no âmbito de uma fase de rápida expansão que Pequim enquadra nos objectivos de reforço da segurança energética, da auto-suficiência tecnológica e da redução das emissões.

A Administração Nacional de Energia indicou recentemente que, entre 2021 e 2025, a China autorizou 46 unidades nucleares e que o país conta actualmente com 120 reactores em funcionamento, em construção ou já aprovados, com uma capacidade total de 135 milhões de quilowatts, a maior do mundo. O novo plano energético para o período 2026-2030 prevê desenvolver a energia nuclear de forma “segura e ordenada”.

A China, o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, comprometeu-se a atingir o pico das emissões de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060.

4 Ago 2026

AMCM | Depósitos de não residentes crescem quase 12 por cento

Dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) revelam que os depósitos de não residentes cresceram 11,6 por cento em Junho deste ano face ao ano anterior, alcançando um total de 379,5 mil milhões de patacas. Por sua vez, no mesmo período, os depósitos dos residentes baixaram em 1,7 por cento, para 825,3 mil milhões de patacas.

Destaque ainda para o facto de os depósitos do sector público na actividade bancária terem registado um crescimento, em termos mensais, de 3 por cento, sendo de 269,8 mil milhões. Em termos gerais, os depósitos bancários aumentaram 2,3 por cento em Junho, atingindo 1.474,7 mil milhões de patacas.

Relativamente aos empréstimos concedidos ao sector privado, registou-se um ligeiro decréscimo de 0,7 por cento, no total de 476,5 mil milhões de patacas. Deu-se um aumento de 7,8 por cento nos empréstimos concedidos, no segundo trimestre, para a “produção e distribuição de electricidade, gás e água”. Pelo contrário, os empréstimos atribuídos para a restauração e hotelaria baixaram 6,2 por cento. Para a construção civil, baixaram 3,3 por cento.

Em termos gerais, os empréstimos baixaram 0,1 por cento, registando 1.040,1 mil milhões de patacas. Os empréstimos atribuídos em dólares de Hong Kong representaram 40,2 por cento do total, seguindo-se em patacas com 22,1 por cento.

4 Ago 2026

Cooperação | Sam Hou Fai visita Singapura, Indonésia e Malásia

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Singapura, Indonésia e Malásia, entre 30 de Agosto e 5 de Setembro. A informação foi divulgada ontem pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS).

O itinerário e os objectivos da visita não foram ainda divulgados. No entanto, a deslocação oficial do Chefe do Executivo inclui paragens na Cidade-Estado, Jacarta e Kuala Lumpur.

4 Ago 2026

Hengqin | PIB com crescimento de 7,5% no primeiro semestre

O Produto Interno Bruto (PIB) da Ilha da Montanha cresceu 7,5 por cento em termos homólogos no primeiro semestre de 2026.

Segundo dados das autoridades da Zona de Cooperação, citados pela Rádio Macau, o sector terciário representou 90 por cento da riqueza gerada entre Janeiro e Junho. A indústria transformadora foi responsável pelos restantes 10 por cento.

Até final de Junho, estavam registadas 8.193 empresas com investimento de Macau em Hengqin, mais 11,5 por cento face ao ano anterior, representando 15,4 por cento do total de entidades na zona. A Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong‑Macau foi criada em Setembro de 2021, e tem uma gestão conjunta do governador de Guangdong e do Chefe do Executivo de Macau.

4 Ago 2026

Mercado hispânico | Macau é “largamente desconhecido”

Depois do universo de língua portuguesa, Macau quer ser ponte entre a China e os países falantes de espanhol, mas, enquanto se procuram acordos para dar forma à estratégia, os académicos dividem-se sobre a viabilidade da política.

Carlos Martin, professor associado de Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, considera que Macau tem “um potencial ainda por explorar” e “bases para se tornar o conector natural” entre as duas partes, mas continua a ser “largamente desconhecido nesses mercados”, disse à Lusa.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da experiência lusófona, mas não é suficiente: “A dimensão das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”, alertou.

O Governo da RAEM deve “executar uma estratégia inteligente para activar as ligações certas”, de modo a que os sectores civil e empresarial olhem para o território “como a melhor opção para operar na China”, sugeriu ainda.

Dúvidas que persistem

Questionado sobre se Macau tem capacidade de ser essa ponte, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, foi peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou o analista chileno.

Laura Botta é uma ‘influencer” espanhola com quase um milhão de seguidores no TikTok. Veio a Macau para tratar do visto e regressar à China, onde está a viajar há já alguns meses. Antes de planear a viagem, pouco sabia da cidade, para além de uma campanha do Turismo de Macau, que viu ainda em Madrid.

Conseguir ler os letreiros das ruas de uma cidade chinesa foi para a ‘influencer’ a maior surpresa. “É tão fixe virmos e vermos tudo em português, porque conseguimos perceber algumas coisas”, disse à Lusa, acrescentando que “a cidade tem muito para oferecer” e que “voltará, sem dúvida”, se surgirem “oportunidades de negócio”.

A língua é vista como uma via importante na estratégia de aproximação e Macau está a preparar esse terreno, mas a determinação das políticas tem ainda caminho por percorrer.

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) indicou à Lusa que, nos últimos anos, as instituições de ensino superior de Macau introduziram o espanhol como disciplina principal ou opcional, acrescentando que incentiva as instituições a oferecerem programas relacionados com a cultura e economia dos países de língua espanhola, com vista a formar “profissionais completos e com uma mentalidade internacional em várias áreas”.

No ano lectivo de 2025/2026, quase 180 estudantes de vários países de língua espanhola, incluindo Espanha, Argentina e Chile, vieram para Macau estudar em instituições de ensino superior locais, ainda segundo a DSEDJ.

Nuno Gomes, professor de espanhol na Universidade de Macau (UM), faz uma descrição mais objectiva e menos positiva dessa formação. A universidade “só abre dois cursos de nível 1 e um curso de nível 2”, acrescentando que falou com os superiores directos sobre a possibilidade de alargar o currículo “em várias ocasiões, mas mantêm-se sem interesse em desenvolver o espanhol”.

O interesse de Macau em atrair negócios provenientes do mundo hispânico tem como principal braço o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), que manifestou a intenção de continuar a “atrair investimento dos países de língua espanhola para Macau”, com visitas ao exterior. Até ao final de Junho, o IPIM registou mais de uma dezena de propostas de investimento em Macau de Espanha, Argentina, México, Uruguai e Panamá, três das quais concretizadas, no valor de 27 milhões de patacas.

3 Ago 2026

Calçada portuguesa | Criado centro interpretativo em Lisboa

É na capital portuguesa que será criado um centro interpretativo da calçada portuguesa, aproveitando os três mil moldes que estão conservados num armazém do bairro de Alvalade. A informação foi avançada pela Câmara Municipal de Lisboa

Lisboa tem uma colecção de moldes da calçada artística portuguesa num armazém em Alvalade, onde são preservados 3.000 moldes originais, os mais antigos datados do século XIX, um acervo que permitirá criar um centro interpretativo, segundo a Câmara Municipal.

“Estamos, neste momento, a desenvolver o projecto e é um compromisso de mandato, portanto, até 2029 quero apresentar em Alvalade esta colecção de moldes já integrada no centro interpretativo da calçada artística portuguesa”, afirma a vereadora de Projectos e Obras em Espaço Público na Câmara Municipal de Lisboa (CML), Joana Baptista, em declarações à agência Lusa.

Entre os milhares de moldes, a maioria em madeira, desde caravelas a flores e borboletas, e também a sigla CML, a autarca defende que esta colecção de património “único e valioso”, que é como “uma montra” da calçada artística portuguesa em Lisboa, deve ser valorizada e ter melhores condições neste armazém municipal, para proporcionar a visita ao público em geral.

“Arrecadação de moldes” – lê-se no letreiro em cima da porta que dá entrada para o acervo. O espaço é pequeno, mas alberga “cerca de 6.000 moldes”, dos quais 3.000 são considerados originais. “Já não podem sair para a rua”, conta o historiador Rui Matos, um dos trabalhadores da CML que, desde 2019, colocaram mãos à obra para arrumar o armazém, criado a partir de 1952-1954 e que se encontrava “um pouco caótico”.

Moldes do século XIX

A missão de organizar milhares de peças transformou-se num projecto de inventariação e salvaguarda da colecção de moldes da calçada artística portuguesa. O molde mais antigo encontrado deverá ser o “Mar Largo” da Praça do Rossio de 1848-1849, idealizado por Eusébio Furtado.

Com um padrão que simula um mar de ondas pretas e brancas, o mesmo que, décadas depois, foi replicado no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, este molde do século XIX “está em relativo mau estado de conservação, mas ainda persiste”, adianta Rui Matos.

Também da equipa da CML, a historiadora Sofia Tempero acrescenta que a execução do “Mar Largo” no Rossio recorreu à mão-de-obra dos prisioneiros no Castelo de São Jorge, chamados de grilhetas, que foram ajudar os calceteiros.

Com origem em Lisboa, a história da calçada artística portuguesa terá começado, precisamente, a partir do castelo, onde Eusébio Furtado concretizou, em 1841-1842, o primeiro grande pavimento em pedra branca e preta, colocado em ziguezague, segundo os historiadores.

“Há até fotografias antigas que mostram esses homens em linha recta, em filas, a fazerem o aparelhamento de pedra [processo de partir e dar forma à pedra], mas estamos a falar de quadrados, cubos de maior dimensão, e que serviam para ir permitindo que as ruas ficassem com um nivelamento maior”, refere Sofia Tempero, explicando que tal facilitaria a lavagem dos arruamentos, bem como a fluidez do trânsito na cidade.

Rui Matos adianta ainda que a calçada artística portuguesa é criada simultaneamente com os azulejos de fachada e com o grande surgimento do fado, ou seja, “três dos grandes ícones turísticos da cidade de Lisboa e de Portugal são criados na segunda metade do século XIX”, numa época em que a capital estava a crescer.

“É feita em espaços urbanos largos, amplos, e é feita para embelezar a cidade”, realça o historiador. Por isso, a calçada artística, presente sobretudo nas ruas e praças do centro histórico de Lisboa, é como uma galeria de arte a céu aberto, que pode ser contemplada sob os pés de todos os que passeiam pela cidade, mas também vista em altura, inclusive a partir de miradouros.

Mudanças necessárias

Muito poucas são as calçadas artísticas que se mantêm ainda na sua forma original, porque têm sido sucessivamente refeitas em função das necessidades urbanas, indica Rui Matos, destacando a preservação da Praça de São Paulo, de 1850, e do projecto de Cottinelli Telmo na Praça do Império, feito para a Exposição do Mundo Português de 1940.

Quanto à colecção de moldes, a equipa da CML, em que se inclui também o arqueólogo Pedro Miranda, fez já a inventariação das peças, com fotografias de alta resolução, desenhos à escala e modelação 3D, e foi criada uma base de dados, num ‘site’ que deverá tornar-se público brevemente, permitindo que, “a partir de um molde, seja possível saber se esse molde está a ser utilizado na calçada nos Restauradores, ou numa calçada no Rio de Janeiro, ou numa calçada em Macau”.

Profissão em risco

Preocupado com o risco de extinção da profissão de calceteiro, o historiador Rui Matos lembra que o município chegou a ter “cerca de 400 calceteiros” na década de 1940, com uma estrutura “fortemente hierarquizada, em que existia desde o aprendiz ao mestre”, enquanto hoje são perto de 20 os trabalhadores nesta área. Estão quase na base da estrutura da função pública e, por isso, “são extremamente mal pagos”.

“É um trabalho extremamente duro, extremamente penoso, e no final da vida têm imensos problemas de saúde”, frisa, defendendo a valorização dos calceteiros, por serem, neste momento, “o elo mais fraco” da calçada artística portuguesa.

Além disso, a redução do número de profissionais tem “um impacto brutal” na manutenção da calçada, perante o crescimento da cidade, incluindo a pressão turística na zona histórica.

Concordando com a criação de uma carreira especial, até para atrair jovens, Rui Matos considera “uma excelente iniciativa” a candidatura da arte e saber-fazer da calçada portuguesa a património mundial da UNESCO, mas avisa que, “em termos práticos, não vem resolver nenhum dos problemas” relativamente à falta de calceteiros.

Do lado da CML, Joana Baptista reforça que o município não prescindiu de ter calçada artística portuguesa nos projectos de reabilitação do espaço público da cidade, com novos recrutamentos para ter 40 calceteiros, e realça a diferença entre esta arte, criada ao pormenor com “outra excelência técnica, que é confortável e segura”, e a calçada de vidraço. Esta, muitas vezes, “é pouco mantida, está muito polida e, naturalmente, as pessoas escorregam”.

Além de embelezarem o chão das ruas de Lisboa, destaca a autarca, os moldes da calçada artística portuguesa estão a ser utilizados na jardinagem da cidade, nomeadamente na rotunda do Marquês de Pombal, onde há tagetes trabalhadas em formato de arabescos.

3 Ago 2026

UE | Empresas chinesas criticam propostas sobre cibersegurança e indústria

O sector empresarial chinês criticou sexta-feira dois projectos legislativos da União Europeia sobre cibersegurança e política industrial, alegando que introduzem restrições discriminatórias às empresas estrangeiras e podem violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Yang Fan, porta-voz do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT), organismo de promoção comercial tutelado pelo Conselho de Estado (Governo chinês), afirmou que a revisão da futura Lei da Cibersegurança da UE e a proposta de Lei de Aceleração Industrial ultrapassam as necessidades legítimas de segurança e impõem restrições “discriminatórias” a fornecedores e investidores estrangeiros.

Segundo o jornal oficial Global Times, Yang defendeu que ambas as iniciativas violam princípios fundamentais da OMC e outros compromissos internacionais em matéria de comércio e investimento.

A responsável apelou ainda a Bruxelas para eliminar ou alterar de forma substancial as disposições que, na perspectiva do CCPIT, discriminam empresas de determinados países, defendendo a manutenção de um mercado “aberto e não discriminatório”. As declarações surgem numa altura em que a China e a UE mantêm vários diferendos comerciais relacionados com política industrial, cibersegurança e restrições ao investimento.

Embora ambas as partes tenham garantido esta semana que continuarão a negociar para tentar equilibrar a relação económica bilateral, persistem divergências em torno de iniciativas europeias que Pequim considera discriminatórias para as empresas chinesas.

3 Ago 2026

Comércio | EUA acusados de se afastarem do consenso nas relações económicas

A China acusou sábado os Estados Unidos de se “afastarem gravemente” do consenso relativo às relações económicas e comerciais, após o alargamento das sanções norte-americanas contra 43 empresas chinesas, sob o argumento de trabalho forçado em Xinjiang.

O Ministério do Comércio chinês salientou sábado, num comunicado, que a decisão norte-americana foi anunciada apenas um dia após uma videoconferência realizada entre o vice-primeiro-ministro He Lifeng, principal negociador comercial de Pequim, e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o representante do Comércio, Jamieson Greer, na qual ambas as partes mantiveram uma troca de pontos de vista “franca, profunda e construtiva” sobre a estabilidade das relações económicas e comerciais bilaterais.

Segundo o ministério, as restrições norte-americanas “carecem totalmente de fundamento factual” e constituem um acto de “coacção económica” ao abrigo da legislação norte-americana, além de prejudicarem os direitos e interesses legítimos das empresas afectadas e de minarem a estabilidade das cadeias de abastecimento globais.

Pequim reiterou que “não existe o chamado trabalho forçado em Xinjiang”, assim como instou Washington a deixar de “difamar” a região e de “reprimir injustificadamente” as empresas chinesas, garantindo que adoptará as “medidas necessárias” para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas.

Anúncio americano

O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira a inclusão de 43 empresas chinesas na lista de entidades sujeitas a restrições de importação ao abrigo da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA), elevando assim o número total de empresas na lista para 187, na sua maior ampliação desde a entrada em vigor da legislação em 2021 e a primeira sob a Administração de Donald Trump. A medida entrará em vigor hoje, dia 03 de Agosto.

A conversa entre He, Bessent e Greer ocorreu num contexto de atritos comerciais persistentes entre as duas potências, apesar da aproximação encenada após a cimeira que os presidentes Xi Jinping e Trump realizaram em Maio passado em Pequim, na qual concordaram em ampliar a cooperação e estabilizar a relação bilateral.

3 Ago 2026

Exército | Xi quer acelerar utilização militar da inteligência artificial

O Presidente chinês, Xi Jinping, instou a acelerar a utilização militar da inteligência artificial e de tecnologias não tripuladas no âmbito da modernização das Forças Armadas, visando avançar para um “sistema militar inteligente”.

Xi, que preside à Comissão Militar Central (CMC), o mais alto órgão de direcção das Forças Armadas chinesas, fez estas declarações durante uma sessão de estudo do Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC), realizada na véspera do 99.º aniversário da fundação do Exército de Libertação Popular (ELP), que se assinalou no sábado, informou sexta-feira a agência de notícias oficial Xinhua.

O líder chinês afirmou que o principal critério para avaliar os progressos da modernização militar deve ser a capacidade de combate e apelou ao reforço da aplicação militar de tecnologias inteligentes e de sistemas não tripulados, ao aprofundamento do desenvolvimento de sistemas de informação em rede e ao avanço gradual para a criação de um “sistema militar inteligente”.

Xi defendeu ainda o reforço da integração das capacidades de combate, a intensificação dos testes e avaliações em condições reais e o avanço contínuo do treino e da preparação militar para salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país.

O Presidente chinês insistiu também no reforço da liderança absoluta do PCC sobre as Forças Armadas e no aprofundamento da campanha anti-corrupção no Exército, através de um maior controlo dos grandes projectos militares e dos mecanismos de supervisão.

As declarações surgem quando Pequim intensificou as medidas para reforçar a disciplina e o controlo político sobre a cúpula militar, após uma série de investigações por corrupção que atingiram responsáveis das Forças Armadas e antigos dirigentes da Defesa. Nos últimos meses, Xi promoveu novas normas de supervisão para oficiais superiores e reiterou a necessidade de reforçar a lealdade política no seio das Forças Armadas.

3 Ago 2026

Crime | Seguranças de casino detidos por chantagem e coacção

Catorze seguranças de um casino em Macau foram detidos na semana passada sob suspeita de associação criminosa, extorsão e coacção, anunciou a Polícia Judiciária (PJ) do território.

“O grupo estava em actividade desde Março de 2025, era estável, com funções claramente definidas, e contava com a orientação do responsável pela segurança do casino envolvido no caso”, indicou a PJ nas redes sociais.

A polícia acredita que o grupo extorquiu pagamentos a pelo menos 30 pessoas entre Março de 2025 e Julho de 2026, em troca de ocultar suspeitas de roubo, fraude e outras infracções dentro do casino.

Para evitar serem detectados, os membros do grupo passaram a recorrer a um intermediário que confirmava os alvos através de fotografias, enquanto os seguranças intensificavam as fiscalizações e cobravam uma “taxa de protecção” mensal de 10.000 dólares de Hong Kong.

Ainda de acordo com a mesma fonte, oito dos seguranças envolvidos eram responsáveis por coagir ou cobrar as taxas, enquanto cinco intermediários tratavam da negociação dos detalhes dos valores e da transmissão dos pagamentos. De acordo com a PJ, quem recusasse pagar era levado para o posto de segurança, onde era intimidado, incluindo com “ameaças de entrega às autoridades ou de deportação”.

3 Ago 2026

Hotéis | Número de hóspedes caiu 1,1% no primeiro semestre

Os hotéis de Macau receberam mais de 7,1 milhões de hóspedes no primeiro semestre de 2026, menos 1,1 por cento em termos homólogos, registando também uma queda anual de 8,6 por cento no mês de Junho, foi anunciado na sexta-feira.

Nos primeiros seis meses do ano, “os estabelecimentos hoteleiros hospedaram 7.127.000 indivíduos, observando-se um decréscimo de 1,1 por cento, em termos anuais”, indicou, em comunicado, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O número de hóspedes da China continental (5,2 milhões) e de Hong Kong (857 mil) diminuíram ambos 2,5 por cento, em relação ao primeiro semestre de 2025. Já os hóspedes internacionais (662 mil) aumentaram 12,3 por cento, destacando-se os visitantes da República da Coreia (191 mil), que subiram 13 por cento, no período em análise e em termos anuais.

Os hóspedes da Tailândia (54 mil), da Índia (48 mil) e dos Estados Unidos (34 mil) cresceram 43,5 por cento, 16,1 por cento e 27,8 por cento, respectivamente, e os chegados do Japão (45 mil) e da Malásia (42 mil) caíram 5,6 por cento e 6 por cento. No primeiro semestre, a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes fixou-se em 90,4 por cento, ou mais 1,3 pontos percentuais, em termos anuais, de acordo com a mesma nota.

Em Junho, os estabelecimentos hoteleiros hospedaram um total de 1.095.000 pessoas, menos 8,6 por cento em relação ao mesmo mês do ano passado, e a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes foi de 85,8 por cento, menos 2,6 pontos percentuais, relativamente a Junho de 2025.

3 Ago 2026