China / ÁsiaMais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas após inundações Hoje Macau - 16 Set 2026 O Nepal declarou ontem que mais de quatro mil pessoas continuam desaparecidas no país, incluindo 610 estrangeiros, quase três semanas depois de uma enxurrada ter atingido o país e a vizinha região chinesa do Tibete. O balanço mais recente da Autoridade Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA, na sigla em inglês) situa em 1.399 o número de corpos e restos mortais recuperados e em 4.089 o número de desaparecidos. Entre os desaparecidos, há duas portuguesas. Apenas 103 mortos foram entregues às suas famílias até à data, enquanto as autoridades prosseguem uma grande operação para identificar os restos mortais recuperados. Muitos corpos foram sepultados temporariamente em locais como Gokarna ou Pokhara, após a recolha de amostras genéticas. Segundo a polícia nepalesa, as autoridades recolheram cerca de 3.200 amostras de ADN, dos quais 1.300 referem-se aos restos mortais recuperados e 1.900 de familiares que procuram os seus entes queridos, incluindo amostras obtidas no estrangeiro para ajudar na identificação de turistas desaparecidos. Pensar o futuro Na segunda-feira, o primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, reuniu-se com os responsáveis dos governos locais dos distritos de Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Gorkha e Tanahun — as zonas mais afectadas pelas cheias — para discutir as operações de busca em curso e o futuro plano de reconstrução, cujo custo estimado pelo Governo ultrapassa 4,7 mil milhões de dólares. “Os representantes da população manifestaram o seu compromisso em desenvolver áreas verdes nas regiões ribeirinhas afectadas pelas cheias e em avançar com o realojamento das comunidades para locais seguros nas proximidades”, escreveu na segunda-feira, na rede social Facebook, o director da NDRRMA, Dharam R. Uprety. As análises realizadas até ao momento indicam que as enxurradas de 26 de aAosto começaram com o colapso de um glaciar a grande altitude, em território nepalês — uma explicação aceite pela China e posteriormente corroborada pelas análises de satélite internacionais. A avalanche de gelo, rochas e lama atingiu também o Tibete, onde as autoridades chinesas contabilizam 43 mortos e 519 desaparecidos. Entre as pessoas ainda não localizadas, 261 são estrangeiros oriundos de 23 países.