Recital de Naamyam amanhã na Mansão de Lou Kau

O mestre Au Kuan Cheong será o protagonista do “Recital de Naamyam do Património Cultural 2026 – Especial Festival das Lanternas, apresentado este sábado à tarde pela Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong. O evento decorre na Mansão de Lou Kau, situada na Travessa da Sé, entre as 14h30 e as 17h.

O Naamyam cantonês, um tipo de canção narrativa chinesa que foi classificado como Património Cultural Imaterial pela UNESCO, ganha neste espectáculo todo o protagonismo, apresentando-se oito peças clássicas, interpretadas pelos alunos do mestre.

“Além de peças que exaltam a lealdade, o programa apresenta várias obras que exploram temas de afecto duradouro e obras humorísticas que capturam o espírito festivo”, destacando-se ainda a “preservação dinâmica e a vitalidade contínua da escola Naamyam”, aponta uma nota oficial sobre o evento.

A escolha da Mansão Lou Kau também não aconteceu por acaso, dado tratar-se de um local classificado como Património Mundial da UNESCO, “oferecendo-se [ao público] uma combinação perfeita de artes tradicionais e arquitectura histórica”.

Uma das peças apresentadas amanhã, e que inaugura a performance, é “Guan Yu escolta as suas cunhadas”, com as artistas Chan Sai Peng e Leong Kin Teng. Trata-se de uma história baseada “no Romance dos Três Reinos”, um “clássico épico histórico”.

“Depois de o senhor da guerra Liu Bei ser derrotado e separado da sua família, o seu irmão jurado Guan Yu rende-se temporariamente ao rival Cao Cao para proteger as esposas de Liu. Apesar do tratamento generoso de Cao Cao, a lealdade de Guan Yu nunca vacila. Ao saber do paradeiro de Liu Bei, ele escolta as suas cunhadas numa viagem perigosa, superando imensos obstáculos para reunir a família. Face ao caos, proteger os entes queridos continua a ser a forma mais pura de lealdade”, descreve-se na mesma nota.

Para fechar

O espectáculo encerra com a sétima apresentação, “Uma Família Feliz”, com o próprio Au Kuan Cheong e Wong Tsz Kuan, um “dueto alegre e bem-humorado que retrata as calorosas celebrações do Ano Novo Lunar de um casal”.

O público pode assistir “a brincadeiras sobre maquilhagem pesada até negociações divertidas sobre ‘Lai Si’ (envelopes vermelhos da sorte)”, capturando-se na peça “a intimidade da vida conjugal”.

27 Fev 2026

Clube Militar | Pianista Rui Filipe dá hoje concerto

O Clube Militar de Macau acolhe hoje um concerto intimista integrado no programa “Jornadas Musicais CMM”. Trata-se de “Entre Sombras e Som”, com o pianista e compositor português Rui Filipe, que assina com o nome artístico de Barqueiro de Oz

Acontece hoje, no Clube Militar de Macau (CMM), um concerto que revela a magia do piano, ao mesmo tempo que celebra a quadra festiva do Ano Novo Chinês. Trata-se de “Entre Sombras e Som”, de Rui Filipe, pianista e compositor que também se assume como “Barqueiro de Oz”, o seu nome artístico.

Integrado no programa “Jornadas Musicais CMM”, este espectáculo começa às 19h e abre com um primeiro “Ciclo de Vida”, a que pertencem as composições “Ambiente Uterino”, “Habitar Inóspito”, “Fluxo da Vida”, “Ainda há Esperança” e “Passar do Tempo”. Depois, em “Utopia e Delírios”, é tempo de ouvir “Despertar do tempo”, “Mariana”, “Jogo…Karmen” e “Asa de Poleiro”.

O espectáculo encerra com um terceiro capítulo, intitulado “Além do Horizonte”, com as composições “Que no te Vayas Corpo”, “Pulsação”, “Dança da Sedução”, “Mares de Seda” e “Ascender of Time”.

Segundo uma nota do CMM, Rui Filipe “é um músico de destaque com uma carreira abrangente nas artes”, tendo já mais de 20 obras de teatro musical e dança com a sua assinatura, o que demonstra “versatilidade e inovação” ao piano.

Experiência na Eurovisão

Um dos trabalhos de mais destaque na carreira do pianista terá sido a direcção musical de Portugal no festival Eurovisão, entre os anos de 2001 e 2003, tendo inclusivamente trabalhado em diversos programas de televisão durante 12 anos, sempre na área da produção musical.

Rui Filipe trabalhou com músicos e cantores consagrados como Dulce Pontes, tendo fundado ainda os projectos “Rosa Negra” e “Xaile”, reconhecidas com os Prémios Carlos Paredes e BBC.

Com o seu trio “Caixa de Pandora”, o Barqueiro de Oz lançou ainda quatro álbuns de estúdio com editoras discográficas de renome como a Sony, Universal Music e Lemon Music. Não falta também uma parceria com Chinesa One Country.

Em 2019, Rui Filipe fundou o dueto “La Barca” em parceria com a cantora espanhola Mili Vizcaíno, com quem gravou dois álbuns. Em 2020, dirigiu o documentário “A Lusofonia no Mundo” para a Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

Desde 2024 que é membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, estando actualmente envolvido em diversos projectos de concertos. Alguns deles decorrem a solo, como é o caso de “É com Certeza uma Casa Portuguesa” e “As Danças do Barqueiro”. Porém, o pianista tem também colaborações com a poetisa Sofia do Mar, no projecto “A Vida em Poesia”, e com a bailarina de dança contemporânea Maria Barreto, no projeto ‘Uncaged – Concerto Dançante’.

27 Fev 2026

Alta velocidade | Arrancam obras do segmento Hezhou-Hengqin

O Governo de Guangdong vai começar a construção o segmento Hezhou-Hengqin do comboio de alta velocidade da linha Guangzhou-Zhuhai-Macau este ano, segundo foi anunciado num comunicado onde é traçado o balanço de trabalhos realizados na província. Este troço terá condições para se ligar ao metro ligeiro de Macau.

Além disso, Guangdong está também a programar o projecto da linha do comboio de alta velocidade que liga Hong Kong, Shenzhen, Zhuhai e Macau, com vista a promover a integração de Hengqin e Macau na rede ferroviária de alta velocidade do país. Segundo os dados da linha Guangzhou-Zhuhai-Macau, o percurso completo tem aproximadamente 190 quilómetros de extensão, começando na Estação Ferroviária Norte de Guangzhou, passando pelo Aeroporto Internacional de Guangzhou Baiyun, Huangpu Yuzhu, Guangzhou Nansha, cidade Zhongshan, Hezhou, que pertence ao distrito de Zhuhai, chegando depois ao Posto Fronteiriço de Hengqin.

Tanto com o segmento do comboio com ligação ao metro ligeiro da RAEM, como no caso do projecto de alta velocidade que liga as duas RAE’s, Shenzhen e Zhuhai, as autoridades da província vão tentar que estejam integrados no planeamento nacional de infra-estruturas, com decisão do Governo Central.

27 Fev 2026

Seguros de saúde | 56 mil residentes já pediram subsídio

Dados dos Serviços de Saúde (SS) sobre o “Programa do subsídio para seguro de saúde dos residentes da RAEM no Interior da China” revelam que até 31 de Dezembro de 2025 um total de 56 mil pessoas aderiram ao seguro de saúde nas nove cidades da Grande Baía, além de que o subsídio já foi concedido a 19 mil pessoas.

Na resposta à interpelação escrita do deputado Lei Leong Wong, Alvis Lo, director dos SS lembrou que desde o dia 1 de Janeiro deste ano que o subsídio para este seguro foi alargado a todas as províncias de Guangdong e Fujian. Os planos passam por, “no futuro, implementar de forma ordenada e segundo a situação real, [o subsídio] em mais províncias e cidades do Interior da China”.

Quanto à plataforma “E-Serviços Governamentais da RAEM”, será instalada nos municípios de Shenzhen, Foshan e Dongguan, bem como nas Vila de Sanxiang e Vila de Tanzhou do município de Zhongshan. Alvis Lo disse ainda que o objectivo é “expandir gradualmente o serviço para mais cidades da Grande Baía”.

Essencialmente, o Executivo pretende “continuar a estudar e desenvolver os serviços governamentais transfronteiriços, além de alargar os âmbitos dos serviços para mais cidades do Interior da China, a fim de facilitar os residentes de Macau que estudam, trabalham e vivem no Interior da China no tratamento dos assuntos pretendidos”.

27 Fev 2026

Novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends” estreia hoje no MGM Macau: “É muito difícil ser realizadora em Macau”

Em “Girlfriends”, o seu novo filme e quarta longa-metragem da carreira, Tracy Choi criou uma espécie de alter-ego, através de uma personagem que, depois de estudar em Taiwan, vive em Hong Kong enquanto luta para financiar um filme. Em entrevista ao HM, a realizadora diz que quer continuar a fazer filmes em torno das mulheres e suas vivências. A estreia oficial de “Girlfriends” está marcada para hoje, às 19h30, no MGM Macau

Faz exactamente dez anos que estreou “Sisterhood”, e provavelmente Tracy Choi não iria imaginar que, uma década depois, o sucesso seria real, com cada vez mais reconhecimento internacional em relação à sua forma de fazer cinema. Depois de colocar, pela primeira vez, um filme de Macau no Festival Internacional de Cinema de Busan, com “Girlfriends”, é a vez de a realizadora local trazer o seu novo filme, a quarta longa-metragem da carreira, para a sua casa. A estreia acontece hoje na sala “Treasure Box” do MGM Macau, a partir das 19h30.

Conversámos com a realizadora antes da estreia da nova obra, que nos contou como começou a pensar no guião do filme durante o período da covid-19. “A história é sobre uma rapariga que cresceu em Macau, que estudou em Taiwan e que foi trabalhar em Hong Kong. Pensei nisso [no filme] durante a pandemia, porque não podíamos ir a lado nenhum e não tínhamos nada para fazer. Decidi escrever um guião sobre mim: uma rapariga de Macau a crescer, ver como ela cresce e como se encontra a si mesma, algo do género.”

O elenco faz-se de actrizes com as quais Tracy Choi já trabalhou, nomeadamente Fish Liew, Jennifer Yu, Elizabeth Tang, Ning Han, Natalie Hsu e Eliz Lao. “Uma delas já recebeu várias nomeações e até prémios em Hong Kong, incluindo o de melhor actriz [Jennifer Yu]. Desta vez, depois de quase dez anos, voltámos a trabalhar juntas. Acho que crescemos muito e foi como trabalhar entre amigas. Foi uma grande felicidade poder trabalhar com alguém que conheço bem. A química entre elas também é muito boa, porque são amigas na vida real.”

No caso de Natalie Hsu, foi nomeada para o prémio de “Melhor Actriz” na 43ª edição dos Hong Kong Film Awards, enquanto que Eliz Lao é uma actriz local, que até teve direito a um ciclo de cinema em nome próprio na Cinemateca Paixão. Eliz Lao fez filmes em Hong Kong e na China, tendo experiência em televisão e teatro, sem esquecer a formação em ballet.

Sobre a estreia de hoje, Tracy Choi destaca que “os filmes com a temática LGBT, ou histórias sobre o crescimento feminino, não são muito comerciais”. “Sempre que procurámos entrar em festivais, foi-nos dito que o filme não ia ter grandes vendas. Ainda assim, e mesmo que o filme não tenha grande sucesso comercial, esperamos alcançar mais público, e fazer com que mais pessoas conheçam o filme”, destacou.

“Girlfriends” foi rodado e produzido com fundos públicos, e filmado em 2024. Tracy Choi e a sua equipa também procuraram investimentos em Taiwan e Hong Kong. Depois do lançamento em Macau, a equipa prepara-se para novas estreias na região vizinha e em Taiwan.

Sobre a experiência recente em Busan, na Coreia do Sul, com “Girlfriends” a integrar a secção de competição “Vision Section”, Tracy Choi trouxe as melhores recordações. “Foi uma grande experiência estrear o filme lá. Foi o primeiro filme de Macau a ser exibido no festival, tivemos uma grande noite. O público também pareceu gostar e acabámos por ser convidados para ir a outros festivais, e isso foi importante para toda a equipa.”

Furar barreiras

O cinema de Tracy Choi reflecte um pouco o imaginário de Macau e as vivências femininas, mas também explora cenários emotivos de sentimentos de pertença, memória e recordações. “No que diz respeito às mulheres e às histórias de Macau, somos sempre representados pelos outros, como filmes de Hong Kong, ou da China. Muitas vezes somos representados por outros realizadores e não há muitas vozes de realizadores locais, especialmente no que diz respeito a mulheres. Então, como sou mulher, espero realmente focar-me na forma como as mulheres crescem aqui ou noutros lugares na Ásia, naquilo que as mulheres enfrentam. Nos meus próximos projectos espero continuar a focar-me nas maneiras como as mulheres enfrentam o mundo em diferentes situações”, disse.

Tracy Choi não esconde que “Girlfriends” tem uma temática assumidamente LGBT, enquanto que, nos seus filmes anteriores, não era tanto assim. “Talvez fossem mais sobre Macau ou [o sentimento] de irmandade, algo assim. Mas em ‘Girlfriends’ focámo-nos, principalmente, numa história de amor LGBT. Espero que seja um pouco mais comercial para um filme LGBT, e o caminho que escolhemos para contar a história é mais comercial. Espero que o público comum, e não apenas LGBT, também consiga sentir amor pelas pessoas LGBT e identificar-se com esse tipo de história.”

No caso de “Sisterhood”, a sua primeira longa-metragem, há referências à transição de Macau, em 1999, e de duas antigas massagistas, Sei e Ling, que passaram bons tempos juntas. Porém, anos depois, uma delas percebe o grande segredo da outra, numa amizade que ganha outros contornos.

As dificuldades sentidas

Apesar do sucesso que tem vivenciado, Tracy Choi salienta que “é muito difícil ser realizadora em Macau porque não há muitas produções”. “Mas não sou só eu, outros cineastas de Macau também estão a trabalhar arduamente para que aconteçam coisas. Procuramos outras maneiras [de sustento]: eu dou aulas e trabalho como produtora para fazer com que outras produções se concretizem. Esperamos, todos juntos, poder conquistar mais público e atenção, para que os próximos realizadores, e as produções em Macau, tenham um caminho um pouco mais fácil”, acrescentou.

A realizadora está ainda a colher os louros do seu quarto filme, mas já está a trabalhar na pós-produção de outra longa-metragem. “No ano passado também filmei outra produção, em co-produção com a China, e esperamos terminar antes do Verão e exibir o filme ainda no final deste ano.”

Tracy Choi nasceu em 1988 e estudou Produção Cinematográfica na Universidade de Shih Hsin, tendo crescido no bairro de San Kiu. “Sisterhood” foi o seu filme de apresentação que lhe valeu alguma notoriedade, nomeadamente depois de ter recebido o Prémio para a Escolha do Público, no Festival Internacional de Cinema de Macau. Tinha na altura apenas 28 anos.

Sobre este momento, recordou à Revista Macau: “Depois de me ter formado em Taiwan, regressei a Macau para trabalhar. Naquela altura, há cerca de dez anos, não havia cinema em Macau. Não havia produções locais a serem filmadas com regularidade. Isso não acontecia e nós aproveitámos a oportunidade que nos foi dada. Desafiei os meus amigos a juntarem-se ao concurso organizado pelo Centro Cultural, obter financiamento e filmar algo que tivesse um significado importante para nós. Foi também muito importante que a minha primeira longa-metragem pudesse estrear no Centro Cultural, porque foi algo que trouxe visibilidade à indústria cinematográfica local”, referiu.

27 Fev 2026

Albergue SCM | Ano Novo Chinês celebrado com exposição e festa

São muitos os eventos que chegam ao Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau na próxima semana. Em nome de um novo ano que acaba de chegar, apresenta-se, a partir de terça-feira, a mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Choi Chun Heng e as suas Colecções Preciosas”, decorrendo também, nesse dia, actividades no pátio

Terça-feira é dia de celebrar um novo ano no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM). A “Celebração do Ano Novo Chinês do Cavalo”, organizada pelo CAC – Círculo de Amigos da Cultura, começa às 18h30 e estende-se pelas horas seguintes. Todos estão convidados a participar.

Segundo um comunicado da organização, o tema desta celebração será o Cavalo, e para tal estão à disposição do público petiscos e uma série de actividades, nomeadamente o “Poço dos Desejos”, a “Árvore do Amor”, adivinhas com lanternas e ainda uma actuação musical.

Além disso, o mestre Choi Chuen Heng, conhecido pela arte da caligrafia, estará presente para escrever os tradicionais fai-chun da época, “transmitindo os votos sinceros de Ano Novo”. “O CAC convida o público a desfrutar da atmosfera encantadora do Albergue SCM, reunindo-se com familiares e amigos” sendo que “os participantes poderão saborear petiscos festivos e envolver-se na música cativante”, é descrito.

Uma parceria, uma mostra

No dia em que se celebra a chegada do Ano do Cavalo, é a vez de dar as boas-vindas a uma nova exposição. Trata-se da mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Caligrafia e Colecções de Choi Chun Heng”, patente de terça-feira, 3 de Março, até 16 de Abril deste ano, e que nasce de uma parceria com a Tai Fung Tong Art House. O objectivo desta iniciativa é “preservar e promover a cultura tradicional chinesa e estender as bênçãos festivas ao público no Ano do Cavalo”.

” Utilizando a caligrafia como meio de transmissão cultural, a exposição permitirá ao público apreciar o profundo encanto estético da caligrafia tradicional chinesa. Com pinceladas elegantes e um estilo pessoal distintivo, a caligrafia do mestre Choi Chun Heng capta o espírito e o ritmo dos caracteres chineses, revelando a sua beleza intemporal e essência cultural”, lê-se ainda.

O CAC foi fundado em Macau em 1985 pelos membros fundadores Carlos Marreiros, Mio Pang Fei, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros. Reunindo um grupo de artistas e académicos, o CAC tem-se dedicado à promoção da cultura, artes, património, arquitectura, literatura e outras atividades culturais de Macau, bem como à divulgação das criações de talentos locais.

26 Fev 2026

Crime | Estudo revela percepção de aumento, mesmo com tendência de quebra

Apesar de os dados oficiais revelarem menos crimes na RAEM, esta realidade não se reflecte na percepção da sociedade. Um estudo revela que em Macau apenas 13 por cento dos inquiridos tinham conhecimento da descida da criminalidade e que mais de 35 por cento acreditavam que o crime teria aumentado

O estudo “Examining fear of crime among Macao residents: Vulnerability, victimisation and situational factors”, publicado na revista International Review of Victimology, revela que no território a população não teme o crime, embora as percepções face à criminalidade nem sempre estejam de acordo com os dados oficiais.

O trabalho, da autoria de Yixuan Wang, Donna Soi Wan Leong e Lichao Lu, da Universidade de Macau (UM) e Jianhong Liu, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST), revela que houve, entre 2021 e 2022, um “declínio de 13,9 por cento na criminalidade”, segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Segurança em 2023.

Porém, “os dados da pesquisa deste estudo revelam uma discrepância significativa na percepção: apenas 12,83 por cento dos inquiridos relataram ter conhecimento do declínio, enquanto 35,72 por cento acreditavam que a criminalidade tinha aumentado”, pode ler-se.

Além disso, “a grande maioria dos inquiridos não demonstrou medo emocional” perante a criminalidade, já que “78,87 por cento referiu zero locais inseguros e apenas 2,77 por cento identificaram duas ou mais” zonas inseguras em Macau.

Enquanto isso, “apenas 9,69 por cento dos inquiridos referiram sentir risco de vitimização, indicando que a grande maioria não se sentia em risco”.

O estudo mostra também que “a proporção dos residentes que relataram respostas comportamentais defensivas foi a mais baixa de entre as dimensões do medo, com apenas 2,89 por cento dos inquiridos a indicar que adoptaram comportamentos defensivos nos 12 meses anteriores”.

Os autores descrevem como Macau constitui um exemplo paradigmático para analisar o medo social perante o crime e as percepções perante dados oficiais, já que é uma região administrativa especial que “funciona sob o quadro de governação ‘um país, dois sistemas’, caracterizado por uma estrutura sociopolítica e jurídica distinta, a par de uma população multicultural”.

Além disso, é referido que Macau tem uma economia “que depende exclusivamente do jogo e do turismo, o que impulsiona uma rápida circulação financeira e mobilidade populacional em grande escala”, tratando-se de um “pequeno território urbano com uma densidade populacional excepcionalmente elevada”.

Desta forma, as características particulares do território “levantam questões sobre a aplicabilidade dos modelos existentes de medo do crime, uma vez que as percepções dos residentes sobre o crime e a desordem podem ser moldadas por ambientes urbanos densos e fluxos populacionais rápidos”.

Uma questão de idade

O estudo foi feito tendo por base o Inquérito à Vitimização de Macau de 2022, com gestão da Sociedade de Criminologia de Macau, um projecto financiado pela Fundação Macau. A população-alvo do inquérito foram residentes com mais de 18 anos, sendo que, para este estudo, foram feitas entrevistas complementares por telefone a 1.102 pessoas, tendo resultado numa amostra final de 795 pessoas.

Lê-se ainda neste estudo que “os resultados revelam consistências e desvios em relação a pesquisas anteriores”, pois “ao contrário do que foi estabelecido, a idade e o género não influenciam significativamente o medo do crime”.

Para os autores, o “resultado inesperado” pode explicar-se com “factores institucionais e específicos de Macau”, já que o “Governo de Macau tem dado grande ênfase ao investimento no bem-estar social, o que pode funcionar como um amortecedor do medo para grupos potencialmente vulneráveis”.

É destacada a medida de apoios financeiros à reparação de edifícios, como o Regime de Apoio à Manutenção de Edifícios e o Regime de Subsídio para Manutenção das Partes Comuns, o que “reduz ainda mais a necessidade de os residentes implementarem estratégias defensivas adicionais ao nível doméstico”.

O estudo destaca a “extensa infra-estrutura de bem-estar em Macau”, como os “cuidados de saúde universais, pensões de velhice e regimes de protecção social, que podem mitigar a vulnerabilidade percepcionada entre os idosos”.

Leis que ajudam

No tocante à violência de género, descreve-se como a Lei de Violência Doméstica e os “sistemas reforçados de apoio às vítimas podem contribuir para um sentimento de segurança associado ao género”. Em 2022, ocorreram 22 casos de violação e oito de coacção sexual, segundo dados do Instituto de Acção Social (IAS) citados no estudo.

Os autores destacam também que o Índice de Desigualdade de Género de Macau foi de 0,06 em 2021, “substancialmente inferior” ao da China continental (0,192), Japão (0,083) e à média global (0,457). Tal indica “um ambiente relativamente equitativo em termos de género”, segundo menções feitas pelo IAS em 2021 e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 2022.

Os académicos descrevem como “estes factores, em conjunto, podem atenuar a relevância da vulnerabilidade física na formação do medo do crime, explicando a ausência de efeitos significativos da idade e do género”.

O estudo destaca que o facto de se revelarem “níveis consistentemente baixos de medo” perante a criminalidade podem ser “parcialmente atribuídos ao investimento substancial do Governo de Macau na segurança pública e à elevada densidade de recursos policiais”.

Verifica-se, assim, que “o forte policiamento e investimento em segurança pública em Macau”, mesmo com a taxa de criminalidade baixa, resulta “na prevalência igualmente limitada de vitimização na amostra”.

Além disso, “os níveis relativamente baixos de medo reportados pelos residentes de Macau podem ser explicados tanto por mecanismos culturais substantivos como por factores metodológicos. Ao nível substantivo, orientações culturais colectivistas e relacionais podem exercer um efeito genuinamente amortecedor”, já que, nas sociedades chinesas “os indivíduos estão inseridos em densas redes familiares, de parentesco e comunitárias”, o que pode facilitar “o acesso ao apoio social e mitigar respostas de stress e medo”, lê-se no estudo.

Sinais para o Executivo

Os académicos defendem que estes resultados ” apresentam várias implicações para a governação social em Macau”, dada a existência de um “paradoxo entre as percepções subjectivas dos residentes sobre o crime e o declínio reflectido nas estatísticas oficiais”.

Tudo isto “sublinha a importância de reforçar a transparência na divulgação de informação e na aplicação da lei”, devendo ser feita a “disseminação de informação relacionada com o crime através de múltiplos canais e a melhoria da visibilidade dos esforços de prevenção”, o que pode “contribuir para reduzir o medo e reforçar a confiança pública”.

As acções do Governo na área da segurança parecem surtir alguns resultados, descreve-se no estudo, o que é “particularmente relevante no contexto do rápido envelhecimento populacional”. “Além da manutenção destes investimentos, o reforço do controlo social informal pode igualmente contribuir para aumentar a eficácia colectiva das comunidades.

Iniciativas como a expansão de programas de voluntariado e o apoio a associações de bairro (por exemplo, Federação das Associações dos Moradores de Macau; Associação de Voluntários Juvenis de Macau) podem fornecer recursos sociais adicionais para mitigar riscos associados à vulnerabilidade física”, é defendido.

26 Fev 2026

Hong Kong | Festival de Artes arranca esta semana com muitas estrelas

O maestro John Eliot Gardiner, Yuen Siu-fai, veterano de ópera cantonense, e a coreógrafa Anne Teresa de Keermaesker, são alguns dos nomes bem conhecidos do panorama das artes que marcam presença na edição deste ano do Festival de Artes de Hong Kong, que começa oficialmente esta sexta-feira. Até Março, podem ser vistos mais de 170 apresentações integradas em 45 programas artísticos, onde não falta o Coro da Gulbenkian, de Portugal

Começa esta sexta-feira a 54.ª edição do Festival de Artes de Hong Kong, um dos maiores eventos anuais da região vizinha. E como já é habitual, é de esperar uma diversidade de programas artísticos, que vão desde a música à performance teatral, com nomes bem conhecidos como o maestro Sir John Eliot Gardiner, tido como uma “lenda da música”; o “veterano da ópera cantonense” Yuen Siu-fai; a “coreógrafa consagrada” Anne Teresa De Keersmaeker, o tenor Benjamin Bernheim, a grande estrela de ballet Roberto Bolle e ainda o dramaturgo Meng Jinghui.

Estes nomes servem de grande aperitivo para um cartaz que traz mais de 1.100 artistas internacionais, 170 apresentações ligadas a mais de 45 programas, e ainda “300 eventos PLUS, actividades educativas e de extensão comunitária”, revela um comunicado oficial do evento.

O espectáculo de abertura do festival é protagonizado pelo Ballet Nacional de Espanha, acontecendo esta sexta-feira. “La Bella Otero” é descrita como uma “produção de grande escala que conta a história da sedutora artista espanhola do século XIX, Carolina Otero, outrora uma das mulheres mais famosas do mundo”.

Neste espectáculo, dirigido por Rubén Olmo, foi reimaginada “a vida extraordinária de Otero através da coreografia, estabelecendo paralelos intrigantes com ‘Carmen’, de Bizet”, apresentando-se também “uma variedade de danças espanholas”.

Destaque ainda para o “Teatro-Dança” de nome “Dream in The Peony Pavillion”, marcado para 27 de Março, uma “produção de dança chinesa deslumbrante e emocionalmente comovente”, e que tem direcção e coreografia assinadas por Li Xing, “um dos mais procurados directores da nova geração” na China. “Dream in The Peony Pavillion” traz uma nova interpretação da peça da dinastia Ming, de Tang Xianzu, com uma roupagem contemporânea. Aqui “homenageia-se a clássica história de amor chinesa num estilo etéreo e surreal”.

A 54ª edição do festival traz ainda ópera, nomeadamente “Eugene Onegin”, romance em verso de Alexandre Pushkin, publicado em 1831, e que foi adaptado para uma versão musical por Tchaikovsky.

O que se poderá ver em Hong Kong é uma “obra-prima clássica da ópera romântica russa, raramente encenada no território, com um notável elenco de solistas, orquestra e coro de uma das mais prestigiadas instituições culturais da República Checa e um pilar da vida operática da Europa Central”.

Esta é “a história de um amor não correspondido, de uma amizade destruída e do arrependimento assombroso”, que ganha nova vida com a encenação do Teatro Nacional de Brno.

Gulbenkian marca presença

A programação musical está em destaque “com actuações únicas que abrangem a música clássica, jazz e músicas do mundo”, com foco em “dois recitais de tirar o fôlego, com dois recentes vencedores do Concurso Internacional de Piano Van Cliburn”.

O maestro Sir John Eliot Gardiner vai dirigir, com o recém-criado “Constellation Choir & Orchestra”, com obras-primas de Mozart e Bach. Haverá ainda um concerto cinematográfico de Cameron Carpenter, juntamente com o clássico do cinema mudo chinês “Sports Queen”, enquanto Roberto Fonseca traz “La Gran Diversión”, em celebração “da era dourada do jazz cubano”.

De Portugal, chega o Coro da Fundação Calouste Gulbenkian, “com obras contemporâneas e repertório de Bach e Brahms”. Lo Kingman, presidente do festival, declarou, citado pela mesma nota, que organizar um evento desta dimensão exige apoios públicos e também grandes receitas de bilheteira.

“Organizar um festival internacional de artes desta dimensão exige uma enorme quantidade de recursos, especialmente num contexto de custos em rápida e constante ascensão. Este ano, o Festival precisa gerar um total de, pelo menos, 159 milhões de dólares de Hong Kong, dos quais cerca de 24 por cento terão de provir da bilheteira.” O responsável lembrou o subsídio de 18,34 milhões de dólares de Hong Kong concedido pelo Governo, o que representa 12 por cento da receita anual do evento.

Da programação deste festival destaca-se ainda a iniciativa “KAGAMI”, da série Jockey Club InnoArts, e que recorda o falecido pianista e compositor Ryuichi Sakamoto. Juntamente com Tin Drum, o que o público poderá ver e ouvir é uma expansão “das fronteiras criativas através da magia da realidade mista”, tudo isso num recital de piano fora do comum.

Na parte da conexão do festival aos bairros comunitários, destaca-se o programa “PLUS”, com visitas culturais guiadas, uma delas à comunidade piscatória de Hong Kong e ao bairro de Sheung Wan, “proporcionando um vislumbre da Hong Kong literária e retro da década de 1960”.

Fundado em 1973, o Festival é um dos principais eventos artísticos da região e um importante festival internacional. Este ano apresenta-se ainda o festival No Limits Hong Kong, que, com o apoio do The Hong Kong Jockey Club Charities Trust, promove a inclusão no mundo das artes para pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.

25 Fev 2026

Economia | Wong Un Fai fala em “janela de oportunidade” para Macau

Wong Un Fai, vice-secretário-geral da associação para o Desenvolvimento de Macau, defendeu, num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun, que a economia do território tem actualmente “uma janela de oportunidade” tendo em conta que Macau está a atravessar um período de transformação das suas indústrias, sendo que o caminho é para que haja um desenvolvimento mais saudável e diversificado.

O responsável recordou que o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau recuperou cerca de 90 por cento face aos números pré-pandemia, sendo que o turismo continua a representar uma importante fatia do PIB. Wong Un Fai não esqueceu que o mercado imobiliário revelou, em Janeiro, transacções mais activas, com mais de 800 casos de pedido de isenção de selo. Tal representa um nível mais elevado face ao nível médio mensal dos pedidos do ano passado.

No artigo de opinião é referido, porém, que esta recuperação económica não é sentida em todos os sectores, tendo em conta que os benefícios para o turismo continuam a verificar-se em alguns locais e os bairros comunitários continuam a ter falta de visitantes. Quanto ao consumo, está dependente dos festivais que se realizam, lembrou.

Wong Un Fai disse ainda que os anos de pandemia mostraram como a economia de Macau pode ficar vulnerável se depender de um único sector, pelo que agora, em plena recuperação económica, há espaço para avançar com reforma e planeamento.

Em relação ao Governo, o dirigente associativo diz que é necessário um maior esclarecimento público das políticas e que haja uma perspectiva mais alargada, pois o mercado não gosta de incerteza. Por isso, na sua visão, o Executivo tem de continuar a dar sinais em prol da estabilidade das previsões económicas e da construção de um “ciclo virtuoso” de investimento e inovação.

Wong Un Fai concluiu que a economia de Macau já saiu do ponto mais baixo, mas falta ainda terminar a sua mudança estrutural.

25 Fev 2026

Nick Lei quer reforçar mecanismos de combate ao trabalho ilegal

Nick Lei, deputado à Assembleia Legislativa (AL), considera que é necessário reforçar, em Macau, o combate ao trabalho ilegal. Nesse sentido, enviou ao Governo uma interpelação escrita pedindo que o Governo reveja a lei, no sentido de preencher as lacunas existentes no combate ao emprego ilegal, a fim de aumentar as penalizações e elevar os custos de manter trabalhadores ilegais.

A ideia surgiu ao deputado depois do caso de uma equipa de fotógrafos que vieram a Macau fotografar um casamento realizado junto a uma estrada em Ka-Hó, Coloane. Segundo referiu o deputado, não só o responsável da equipa era suspeito pelo trabalho ilegal, como o motorista e outro trabalhador não residente, que participou no evento, eram suspeitos de trabalhar mediante outra categoria profissional sem aquela para a qual tinham obtido autorização.

Nick Lei destaca que este caso chamou a atenção da sociedade quanto à importância do combate ao trabalho ilegal.

Neste sentido, o legislador entende que, nos últimos anos, o fenómeno do trabalho ilegal tem vindo a tornar-se mais oculto, envolvendo novas indústrias. O deputado destaca que, em publicações de redes sociais do Interior da China, há empresas e profissionais que divulgam negócios ou serviços como a remodelação de casas, serviços de fotografia, maquilhagem, guia turístico e catering.

“O Governo disse que ia supervisionar as informações divulgadas em redes sociais, promovendo uma coordenação entre departamentos para reforçar essas inspecções, mas os efeitos não são muito claros. Será que o Executivo pode comunicar com os diferentes sectores, através de plataformas da comunicação social, a fim de criar um mecanismo imediato de denúncias, a fim de aumentar a sua eficácia?”, questionou.

Dados desactualizados

Nick Lei argumentou que o regulamento sobre a proibição do trabalho ilegal está em vigor há 21 anos, e os montantes das penalizações estão desactualizados para a sociedade moderna actual, face ao número de infracções que continua a aumentar.

Quanto aos dados de trabalho ilegal, Nick Lei espera que o Governo possa apresentar estatísticas mais detalhadas, ao invés de apenas divulgar o número de inspecções realizadas e as pessoas interceptadas. “Será que o Governo pode apresentar detalhes sobre o conteúdo destes dados, divulgando, por exemplo, qual o tipo de infracção realizada, a categoria profissional e a residência original, para que os sectores sociais prestem atenção e seja possível procurar resoluções?”, questionou.

25 Fev 2026

Protecção civil | Prometidas acções de prevenção e planificação

Decorreu recentemente a primeira reunião do ano do Centro de Operações da Protecção Civil, onde se declarou que o plano principal do Executivo é apostar na prevenção de incidentes públicos e na planificação.

“Os membros da estrutura de protecção civil continuarão a promover planos de contingência específicos para diferentes tipos de incidentes de segurança pública, aumentando a capacidade de interacção entre os serviços”. Além disso, pretende-se “envidar todos os esforços para assegurar o bem-estar da população, a paz e a estabilidade social”, descreve uma nota oficial sobre o encontro.

A presidir à reunião, que contou com a presença dos representantes dos Serviços de Polícia Unitários, dos Serviços de Alfândega e das 29 entidades que compõem a estrutura de protecção civil, esteve o secretário para a Segurança e Comandante de Acção Conjunta, Chan Tsz King.

O responsável destacou “que Macau enfrentou severas condições meteorológicas extremas em 2025, com o número de tempestades tropicais a ser 14, o maior desde que há registos, em 1968”. Foram accionadas quatro operações de resposta por parte dos serviços de protecção civil.

Na reunião, foram ainda discutidos planos para este ano, nomeadamente a preparação do simulacro “Peixe de Cristal 2026”, sem esquecer “a revisão dos planos de contingência específicos e as estratégias de sensibilização comunitária, com vista à implementação eficaz dos trabalhos de protecção civil”.

25 Fev 2026

Hong Kong | “The Nature of Why”, da Paraorchestra em estreia na Ásia

O No Limits Festival, em Hong Kong, acolhe este fim-de-semana, de sexta-feira a domingo, o espectáculo “The Nature of Why”, da Paraorchestra, naquela que é a estreia asiática deste espectáculo consagrado. Trata-se de uma combinação de teatro, música de orquestra e dança, num espectáculo que se pauta pela inclusão

A região vizinha de Hong Kong prepara-se para acolher, este fim-de-semana, de 27 de Fevereiro a 1 de Março, o espectáculo “The Nature of Why”, da Paraorchestra, integrado no No Limits Festival.

O público pode desfrutar de sessões que combinam “de forma divertida” diferentes expressões artísticas como “teatro, música de orquestra ao vivo e dança contemporânea”, num espectáculo “totalmente inclusivo e imersivo”, descreve uma nota oficial da organização.

Naquela que promete ser uma “peça única e intimista”, há nomes importantes a ter em conta: o conhecido maestro britânico e director artístico da Paraorchestra, Charles Hazlewood, e a “aclamada” coreógrafa australiana Caroline Bowditch. Em palco, os músicos e bailarinos da Paraorchestra, que já recebeu vários prémios pelas suas performances, “entrelaçam-se entre o público ao som de uma banda sonora cinematográfica ao vivo”, composta por Will Gregory, dos Goldfrapp.

“The Nature of Why” inspira-se “na curiosidade sem limites do físico teórico Richard Feynman, vencedor do Prémio Nobel, e na sua busca pelo significado do mundo”, sendo descrita como uma “obra inspiradora e instigante que experimenta com a natureza da performance”.

“À medida que interacções inesperadas e momentos de alegria surgem no cenário suavemente iluminado, os artistas, músicos e público tornam-se um só numa aventura sonora em que cada momento é uma surpresa”, refere a mesma nota.

Percepciona-se, portanto, que o público é convidado a participar no espectáculo, num “formato único”. Quem assiste “é convidado a subir ao palco para ficar mais perto da acção, livre para andar, andar de cadeira de rodas ou sentar-se onde quiser”. Será possível “observar à distância ou aproximar-se o quanto quiser dos músicos virtuosos e dos bailarinos incrivelmente ágeis, criando a própria experiência desta apresentação mágica”.

Da integração

A Paraorchestra é a primeira orquestra profissional do mundo composta por músicos com e sem deficiência, tendo feito a sua estreia na cerimónia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012. No ano passado, o grupo venceu o prémio “Ensemble Award”, da Royal Philharmonic Society.

O grupo está sediado em Bristol, no Reino Unido, descrevendo-se como um “colectivo destemido de músicos com e sem deficiência”, e que juntos apresentam “experiências musicais inovadoras, ultrapassando os limites da criação musical para criar arte com paixão e propósito”. A direcção artística está a cargo de Charles Hazlewood. O espectáculo acontece no auditório do Kwai Tsing Theatre.

De todos e com todos

O cartaz deste ano do No Limits Festival – que acontece até Maio – está recheado de apresentações que pretendem demonstrar que todos podem participar e criar arte. O tema deste ano, a oitava edição, é “Todos nós, de todas as formas”, sendo “um apelo para repensar o valor da diversidade através da inclusão”.

O objectivo da organização, segundo se lê no website do festival, é procurar estabelecer “um compromisso na transformação da diferença e diversidade em possibilidades e conexões”, ficando a ideia de que “as artes inclusivas podem criar um espaço para o entendimento”, ou seja, “um espaço onde o potencial imaginativo da diversidade pode ser visto e partilhado”.

Outro espectáculo integrado no No Limits Festival, é a performance teatral “Two Blind Women in the Snowy Tokugawa Nights – Sleeping Fires by Kuro Tanino”, apresentada no final do mês de Março no Teatro Estúdio do Centro Cultural de Hong Kong,

Esta obra comissionada “conta a história da massagista cega Iku e da jovem-aprendiz Saya”, revelando-se “através de uma combinação poética de paisagens sonoras, diálogos, gestos e aromas”.

“Esta nova peça teatral encomendada retrata as dificuldades e os prazeres do quotidiano das mulheres, bem como as complexas questões de confiança, sigilo e suspeita vividas pelos habitantes da remota aldeia montanhosa coberta de neve onde vivem. Contrastando os laços da tradição e a busca das mulheres pela independência e pertencimento, a peça retrata a sua amizade e lutas, bem como a dureza e beleza do mundo natural que as rodeia”, descreve a nota oficial sobre este evento. Este é o mais recente trabalho do director de teatro Kuro Tanino, sendo encenada pela companhia de teatro Niwa Gekidan Penino, de Tanino.

24 Fev 2026

Rota das Letras | Filme de Filipa Queiroz conta história de desalojados da Alta de Coimbra

“Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra” traz de novo a Macau a jornalista Filipa Queiroz, juntamente com Rafael Vieira e Tiago Cerveira, co-autores do documentário que integra o cartaz do Rota das Letras. O filme conta a história de como, em pleno Estado Novo, cerca de três mil moradores foram expulsos da Alta de Coimbra para permitir a construção da Cidade Universitária

A Cidade Universitária na Alta de Coimbra é um dos pontos turísticos da cidade, oferendo uma paisagem deslumbrante. Porém, apesar da beleza, a história da construção da Cidade Universitária está repleta de sofrimento. No documentário “Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra”, Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira contam a história das pessoas que viviam no local na década de 40 e que se viram subitamente desalojadas e sem um plano B. O filme integra o cartaz do Festival Literário Rota das Letras, que começa no próximo dia 5 de Março.

“Esperamos que, em Macau, a história possa ter impacto em toda a gente e em particular nos tantos conimbricenses que sabemos que residem no território”, contou ao HM Filipa Queiroz, que viveu vários anos em Macau, tendo sido jornalista do HM e da TDM – Teledifusão de Macau.

Está feliz por voltar e por revelar esta história desconhecida para muitos. E deixa os maiores elogios a um festival que viu nascer, há 15 anos. “Acho a programação desta edição do Rota das Letras particularmente corajosa e relevante tendo em conta os contextos de Portugal, de Macau e do mundo neste momento. Fazemos por apresentar o filme onde faz sentido e é precisamente este o caso. É um filme sobre pessoas, mas também sobre poder, resistência, identidade e o preço do progresso – temas que Macau conhece tão bem”, destacou.

Filipa Queiroz teve contacto com a história destas pessoas através de uma reportagem. “O Rafael Vieira colaborava comigo como jornalista, pois dirigia uma publicação em Coimbra [Coimbra Coolectiva] e disse-me que havia ali uma história [interessante], e que queria contar histórias fora da caixa, mais invisíveis, digamos assim.”

Nasceu assim o “Salatinas”, em referência ao nome dado às gentes que viviam na Alta de Coimbra, onde já havia as faculdades de Letras, Direito e a biblioteca. Porém, o Estado Novo desalojou estas pessoas para fazer as construções actualmente existentes. Foram três mil pessoas que deixaram as suas casas, sendo esta “uma das maiores transformações urbanísticas em Portugal, num tempo em que desalojamentos forçados, falta de acesso à habitação e segregação social ainda fazem manchetes”, descreve a sinopse do documentário.

“Salatinas” é, portanto, “uma viagem à memória do bairro histórico varrido do mapa sob o ímpeto renovador do regime e ao burburinho de estudantes, tricanas, merceeiros e alfaiates que se esconde por baixo das faculdades”, acrescenta a mesma sinopse.

Sair depressa

“O que aconteceu foi uma vontade do Governo daquela altura”, diz Filipa Queiroz, para explicar como uma decisão política mudou a vida a tanta gente. “A Universidade de Coimbra andou entre Lisboa e Coimbra durante muitos anos, mas depois ficou instalada em Coimbra e era a única do país, onde estavam os cérebros do país, a elite. Houve então a decisão de que a universidade precisava de crescer e tinha de ser ali. O próprio Salazar tinha estudado ali [Faculdade de Direito], além de que havia um hospital. Não se tratou de uma requalificação, mas destruíram mesmo o que havia para construir por cima.”

O que se seguiu foi uma profunda transformação nas famílias da zona. Muitos nunca recuperaram completamente. “Quando começou a destruição, basicamente o Governo avisou as pessoas que lá moravam de que tinham todas de sair dali. Deram valores às casas [para indemnizações], completamente desproporcionais e muito inferiores ao valor das casas”.

“Há uma pessoa que mencionamos no filme que fazia parte do círculo de Salazar, era médica e uma pessoa ilustre, e conseguiu que a sua casa fosse das últimas a ser retirada, mas mesmo assim foi [desalojada]. Quanto mais pobres e humildes eram as pessoas, mais rapidamente tiveram de sair, com uma mão à frente, outra atrás. Estas pessoas foram atiradas para bairros da cidade, que nem podemos chamar de bairros, porque foi algo improvisado na altura”, conta a co-autora do documentário.

Falamos de zonas com casas “frágeis”. Porém, a precariedade da habitação já vinha de trás. “Foram construídas casinhas que não tinham uma qualidade incrível, mas já as casas na Alta de Coimbra também não tinham, muitas delas. Não havia saneamento básico, aquilo precisava de ser requalificado.”

Uma “identidade própria”

Filipa Queiroz destaca como “a solução foi acabar com tudo, não se valorizando o facto de ser um bairro, e com uma identidade própria, e esta é a questão principal”. O bairro era o Salatina. “Salatinas são as pessoas que trabalhavam ou viviam na Alta da cidade, ou que tinham nascido ali, e que se cruzavam diariamente com a elite estudantil. Essa diversidade tinha uma riqueza muito grande, que acabou por ter efeitos no aspecto cultural, na música, por exemplo”.

Coimbra é terra associada a nomes da música portuguesa, sobretudo de intervenção, como Zeca Afonso e Carlos Paredes, e por entre os “doutores” havia também “os futricas”, ou seja, “as pessoas do povo de Coimbra, mas desses nunca mais ninguém se lembrou”. Filipa Queiroz destaca que “muita gente, inclusive de Coimbra, não sabe o que se passou ali”. “Havia ali uma cidade, uma malha urbana muito concentrada e cheia de gente e de vida, com as fogueiras de São João, eventos culturais, tudo coisas muito identitárias.” Tudo coisas destruídas com a requalificação e expansão da Cidade Universitária.

Filipa Queiroz destaca que nos dias de hoje, e apesar das vivências universitárias, a Alta da cidade deixou de ter a dinâmica que tinha. “Tem aquela arquitectura austera e à noite, não se passa nada.”

“Salatinas” deu voz a um tema pouco falado. “As pessoas estão muito emocionadas e sentem-se muito valorizadas. Tivemos pessoas que foram à estreia [em Coimbra, na zona da Alta] e que nos disseram: ‘Parece que houve aqui uma reparação’. Isto provocou, inclusivamente, a morte de algumas pessoas, porque se suicidaram com o desgosto, porque tiveram de deixar o sítio onde construíram o seu negócio e a sua vida”.

Filipa Queiroz agradece ainda a Ricardo Pinto, director do Rota das Letras, pelo convite feito. “Convidou-nos sabendo apenas a ideia do filme. Isto vai permitir levar os meus colegas a conhecerem, pela primeira vez, este sítio, Macau, que é tão especial para mim.”

Filipa Queiroz quer continuar a contar histórias através de imagens. Tendo feito documentários ligados a Macau, como “Boat People” e “Era uma Vez em Ka-Hó”, a ideia é continuar num género audiovisual tão próximo do jornalismo.

“O documentarismo acrescenta uma camada artística e um tempo que o jornalismo não permite. Sim, gostava de fazer [mais documentários], isso está sempre no meu horizonte. Há sempre desafios, com o financiamento dos trabalhos e o tempo que se pode dedicar a eles, mas sem dúvida que sim, gostava de continuar.”

24 Fev 2026

Concerto | “Clássicos em Cordas” em Março no CCM

Março será tempo de receber o concerto “Clássicos em Cordas”, protagonizado pela Orquestra de Macau, e que traz ao território dois violinistas: Julian Rachlin e Sarah McElravy. Eis a oportunidade para ouvir interpretações das composições de Beethoven e Felix Mendelssohn Bartholdy

A Orquestra de Macau (OM) será protagonista de mais um concerto de música clássica agendado para Março, nomeadamente no dia 14, e que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). O concerto será dirigido por Julian Rachlin, tido como “violinista de renome mundial”, segundo descreve uma nota do Instituto Cultural (IC), que apoia o espectáculo. Junta-se ainda ao palco a violinista Sarah McElravy.

“Clássicos de Cordas” é o nome deste espectáculo, que apresenta “um verdadeiro festim de fascinantes obras para cordas”, tal como “Abertura Coriolano” de Beethoven, a “Sinfonia Concertante em Mi-bemol Maior” de Mozart e a “Sinfonia nº 3 em Lá Menor ‘Escocesa'” de Feliz Mendelssohn Bartholdy, compositor e pianista alemão.

Esta última composição data dos anos de 1829 e 1841, tendo sido estreada na cidade de Leipzig a 3 de Março de 1842. Trata-se de uma das últimas obras de grande envergadura compostas por este mestre do Romantismo, tendo a sua composição tido início numa viagem à Escócia.

No caso de “Abertura Coriolano”, de Beethoven, tem a duração de oito minutos e teve a sua estreia em Viena, em Março de 1807, sendo conhecida por ter inaugurado dois formatos de concertos no período de Oitocentos, nomeadamente a abertura de concerto e o poema sinfónico.

Nomes distintos

Numa nota do IC, descreve-se a carreira de Julian Rachlin, natural de Viena, sendo um “violinista e violista austríaco aclamado internacionalmente”. Rachlin colaborou ainda “com inúmeras orquestras e diversos maestros de renome internacional durante mais de três décadas”, sendo que, nos últimos anos, foi Maestro Convidado Principal da Royal Northern Sinfonia, no Reino Unido.

Dirigiu ainda várias orquestras internacionais, como a Orquestra Filarmónica de Oslo e a Filarmónica de Munique.

Já Sarah McElravy, instrumentista canadiana também de violino e viola, conta com várias actuações em palco na Europa, América e Ásia. É “reconhecida pela sua técnica excepcional, tendo colaborado com orquestras de renome e participou em diversos festivais de música”.

McElravy é tida como alguém com uma “profunda experiência performativa”, dedicando-se também “à promoção da educação musical, tendo fundado uma associação de música de câmara no México para levar concertos de nível internacional às comunidades locais”.

O concerto “Clássicos em Cordas” terá a duração aproximada de uma hora e meia, incluindo um intervalo. Os bilhetes já estão à venda, com preços que variam entre 150 e as 300 patacas.

23 Fev 2026

Património | Histórias das lojas da Rua Cinco de Outubro contadas em livro

Natalie Fu acaba de lançar um livro sobre o comércio tradicional da Rua Cinco de Outubro, a convite da Associação de Estudos de Reinvenção do Património Cultural de Macau. “Macao’s Historical House Taxonomy – The Shophouses at the Rua Cinco de Outubro” conta a história secular de lojas-casa que foram o “coração da comunidade chinesa de Macau”

Acaba de ser editado um livro que revela um pouco da história do comércio feito pela comunidade chinesa na Rua Cinco de Outubro, localizada no Porto Interior, palco de muitas movimentações comerciais ao longo dos séculos. A obra explica também como estas lojas, que, ao mesmo tempo, são casas, revelam detalhes sobre a história de Macau.

“Macao’s Historical House Taxonomy – The Shophouses at the Rua Cinco de Outubro”, da autoria de Natalie Fu, doutoranda na Universidade de São José, surge a convite da Associação de Estudos de Reinvenção do Património Cultural de Macau, cuja edição depende também “do apoio e da assistência de muitas outras pessoas”, contou a autora ao HM. Um dos espaços de venda do livro, que não tem versão em português, é a Pin-to Livros.

“A investigação começou com o amor por Macau e pelos seus edifícios antigos”, revela a autora, que começou o trabalho de investigação em torno destes prédios em 2022, em plena pandemia.

“A Rua de Cinco de Outubro sempre foi uma importante zona comercial em Macau. Outrora, era o coração da comunidade chinesa de Macau. Ainda hoje, muitas lojas antigas permanecem próximas do bairro local. As lojas são edifícios de uso misto”, explica ainda a autora.

Este é o palco da diversidade comercial, uma vez que a Rua Cinco de Outubro “alberga vários negócios, tais como padarias tradicionais chinesas, lojas de medicina chinesa, lojas de chá e lojas de fruta”.
Segundo a apresentação da obra, feita nas redes sociais pela própria associação, este tipo de imóvel constitui “um tipo comum de edifício residencial multifuncional”, onde a “planta dos edifícios é geralmente rectangular, com dois a três pisos”. Normalmente, o piso térreo é usado para a loja ou como armazém, enquanto que os pisos superiores estão reservados para a habitação.

“Este tipo de construção consegue adequar-se ao clima local, apresentando grande flexibilidade nos métodos de construção e nos materiais utilizados. Devido à diversidade dos usos quotidianos, as casas-loja foram outrora o principal tipo de edificação das ruas de Macau, possuindo importante valor histórico, social, cultural, arquitectónico e estético”, lê-se ainda.

Desafios de preservação

Ainda segundo a mesma nota, o livro chama a atenção para a importância de se preservar este tipo de construção e, consequentemente, um símbolo do património local. “Infelizmente, por se tratarem de edifícios de pequena escala e dispersos, e por não estarem plenamente protegidos pela Lei de Protecção do Património de Macau, têm vindo a desaparecer gradualmente com o rápido desenvolvimento da sociedade”, sendo que, actualmente, “apenas um pequeno número destas construções tem a classificação de ‘monumento’ e está protegido”.

Para Natalie Fu, “a preservação das lojas de Macau enfrenta muitos desafios, um dos quais é o facto de não estarem incluídas na lista existente de edifícios antigos protegidos de Macau”, além de que, na sua visão, “as alterações nas leis de construção também dificultaram a manutenção destes edifícios antigos”.

Questionada sobre o futuro desta rua icónica do Porto Interior, a autora reconhece que “o crescimento de uma cidade envolve inevitavelmente a renovação e o desaparecimento de edifícios”, pelo que “determinar quais os edifícios que devem ser preservados e como preservá-los é um desafio a longo prazo”.

Natalie Fu fala mesmo da necessidade de alargar a investigação a mais ruas de Macau que também são zonas de comércio tradicional. “A investigação e documentação das lojas na Rua Cinco de Outubro e em Macau são urgentes, uma vez que o seu número está a diminuir. Além disso, são necessárias investigações académicas adicionais e discussões com a comunidade local para informar a direcção futura da área do Porto Interior.”

Em relação ao panorama na Rua Cinco de Outubro, a autora descreve que se deve apostar na manutenção, mantendo os espaços comerciais abertos. “As lojas que são mantidas em utilização destacam melhor o seu valor social. Tomando como exemplo algumas lojas na Rua Cinco de Outubro, a existência de lojas centenárias enfatiza ainda mais o valor cultural e histórico da área e das lojas. Além disso, ‘mantê-las em uso’ permite a monitorização e manutenção de forma mais imediata, o que constitui a forma mais directa de proteger a arquitectura antiga.”

Uma certa influência

Num território que pautado pela coexistência das culturas portuguesa e chinesa, o livro de Natalie Fu mostra como estas casas sofreram influências de outras culturas. “As arquitecturas chinesa e ocidental em Macau sempre se influenciaram mutuamente ao longo do desenvolvimento histórico, sendo esta característica particularmente visível na aparência das casas-loja.” Desta forma, este livro ajuda a cimentar essa característica, “estabelecendo um sistema de classificação das casas-loja de Macau, consolidando a sua definição arquitectónica”.

Este livro é, portanto, um “estudo classificativo das antigas casas-loja de Macau”, constituindo “o primeiro passo para a sua salvaguarda”, descreve, na mesma nota, a associação que apoiou o projecto editorial e investigação.

“A autora realizou um registo e levantamento detalhados [das lojas], começando por realizar visitas e levantamentos de cartografia na zona do Porto Interior. Foram elaborados mapas de localização das casas-loja existentes nessa rua, fichas de análise com base em trabalho de campo, registos fotográficos e entrevistas aos comerciantes e moradores actuais, de modo a compreender a história do uso de cada edifício.”

Além disso, a obra documenta sete casos em particular, “fornecendo informações sobre a sua história, evolução e utilização actual, bem como uma discussão preliminar sobre possíveis direcções de preservação”. O livro deixa ainda o registo de dois exemplos de casas-loja que já desapareceram. “Espera-se que esta obra incentive mais pessoas a descobrirem a ‘beleza de Macau’. Tendo as casas-loja como tema central, é esperada a promoção do intercâmbio e da discussão entre académicos de diferentes áreas”, aponta ainda a associação.

Natalie Fu convidou “vários especialistas e académicos para partilhar as suas ideias, experiências e sugestões sobre a protecção e o futuro deste tipo de edifícios”, é descrito.

Nascida e criada em Macau, Natalie Fu teve a oportunidade de visitar todo o Sudeste Asiático desde muito jovem, viagens que a levaram a “fomentar uma profunda apreciação e paixão pela arquitectura”. A autora é licenciada em Arquitectura, descrevendo-se também como uma pessoa interessada pela área da conservação do património e uma “estudiosa da arquitectura histórica formada em Macau”.

23 Fev 2026

K-Pop | Mark Tuan actua no Studio City em Março

Mark Tuan, cantor do grupo de K-Pop GOT7, actua em Macau a 28 de Março no concerto “Silhouette: The Shape of You FANCON ENCORE”, apresentando as canções do novo álbum com o mesmo nome. Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira

O Studio City Event Center acolhe, no dia 28 de Março, aquele que promete ser um grande espectáculo para os amantes de K-Pop. Trata-se da actuação de Mark Tuan, membro do famoso grupo GOT7, que vem apresentar o concerto “MARK TUAN – Silhouette: The Shape of You FANCON ENCORE”, que visa “celebrar a evolução musical de Mark, oferecendo uma visão intimista de uma jornada pessoal de crescimento” do músico no universo dos espectáculos e dos discos, descreve um comunicado do Studio City.

Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira, 13, com valores a variar entre as 899 e 2.199 patacas, sendo que todos os titulares dos ingressos podem ter acesso a uma oferta adicional, nomeadamente um poster autografado e “a oportunidade de participar numa sessão ‘Hi-Bye’, oferecendo uma experiência interactiva que vai além das expectativas”, é revelado.

O espectáculo, num formato mais próximo dos fãs, mostrará como Mark Tuan tem, na qualidade de cantor e compositor, “continuado a expandir as fronteiras musicais”, desenvolvendo “um estilo distinto nos últimos anos que combina rock alternativo com influências pop”.

Há muito que Mark Tuan anda com esta digressão na estrada, terminando agora em Macau. Tal espectáculo irá “enriquecer ainda mais o panorama do entretenimento ao vivo da cidade, proporcionando ao público experiências culturais de alta qualidade”, descreve o Studio City.

Canções na berra

Esta constitui também uma oportunidade para Mark Tuan apresentar o seu segundo miniálbum, “Silhouette”, que traz o single principal carregado de emoção, “Sunsets and Cigarettes”; e uma “terna serenata” de nome “Pretty Little Picture”. Segue-se a música “visionária” de nome “Autopilot”.

Este disco é como “um diário privado”, captando “a transição [de Mark Tuan] e a transformação através da música e das imagens, oferecendo um vislumbre do caminho a seguir na sua evolução musical”.

Os GOT7 nasceram na Coreia do Sul em 2014, sob alçada da JYP Entertainment, e contam com sete cantores, um deles Mark Tuan, que se tem destacado numa carreira a solo.

16 Fev 2026

Expressões artísticas da Rota Marítima da Seda em exposição

Pode ser visitada até ao dia 8 de Março, na zona da Barra, a mostra “Talent Training on the Cultural and Creative Design of Maritime Silk Road” [Formação de Talentos em Design Cultural e Criativo da Rota Marítima da Seda”, que nasce de um projecto com o mesmo nome levado a cabo pelo Poly MGM Museum. Este projecto foi financiado pelo Fundo Nacional para as Artes da China.

A mostra revela as obras criativas de 30 participantes no referido programa, que decorreu no museu ao longo de um ano e, segundo um comunicado oficial, está dividida em seis capítulos temáticos, revelando “diversas explorações da Rota Marítima da Seda através da interpretação cultural, tradução de design e expressão artística contemporânea”.

O público pode ver “30 obras originais que abrangem produtos culturais e criativos, design de moda, pintura, escultura e instalações multimédia”, demonstrando “a transformação criativa da tradição para a contemporaneidade, ao mesmo tempo que injectam uma renovada vitalidade artística no historicamente rico distrito de Barra”.

O programa desenvolvido no Poly MGM Museum contou com a colaboração da equipa docente do Museu do Palácio e do Instituto de Tecnologia da Moda de Pequim. Tratou-se de um programa que juntou “teoria cultural, estudos de campo e prática do design”, trazendo “um novo impulso na formação de talentos culturais e criativos” locais.

Um certo espírito

Citada pela mesma nota, Pansy Ho, presidente e directora-executiva da MGM China Holdings, disse que “os participantes [deste projecto] abraçaram o espírito da Rota Marítima da Seda, traduzindo a história e a cultura em obras de valor estético contemporâneo e confiança cultural”.

O que aconteceu nesta mostra, na sua visão, foi uma fusão do “património tradicional” com a “expressão moderna”, sendo que Pansy Ho garantiu que a operadora de jogo “vai continuar a aproveitar Macau como uma ponte para promover a cultura chinesa, não apenas como uma encantadora ‘visão do Oriente’, mas como um estilo de vida e uma escolha estética que realmente entra nos corações, permitindo que a civilização chinesa irradie um novo brilho na nossa era moderna”.

Jia Ronglin, vice-presidente do Instituto de Tecnologia da Moda de Pequim, declarou que Macau “exemplifica o encontro e a coexistência das civilizações oriental e ocidental”.

“Com base no seu papel como encruzilhada cultural, este programa aprofunda o entendimento mútuo ao longo da Rota Marítima da Seda, promove a inovação em design e a formação de talentos e revitaliza a sabedoria e a estética antigas num contexto contemporâneo”, adiantou.

13 Fev 2026

Diáspora | Defendida maior ligação entre Casa de Macau e Casa de Goa

Decorreu ontem em Lisboa a conferência “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que analisou o papel de ligação que as entidades podem ter na diáspora goesa e macaense. Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau, destaca a importância de criar pontes com a Casa de Goa pelo “paralelo de representatividade de luso-descendentes”

Que papel podem ter a Casa de Macau e a Casa de Goa, em Lisboa, tendo em conta o desfilar do tempo e os desenvolvimentos trazidos pelas novas gerações das comunidades macaense e goesa? É certo que Macau e Goa há muito deixaram de fazer parte do antigo império português, mas os laços socioculturais permanecem. A pensar nisso, decorreu ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a palestra “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que procurou traçar respostas para os desafios do futuro.

Ao HM, Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau em Lisboa, declarou que “seria interessante que as pontes entre a Casa de Macau e a Casa de Goa pudessem também ser equacionadas num paralelo da sua representatividade dos luso-descendentes e das culturas mestiçadas”, tendo em conta que as duas entidades “são pilares fundamentais para a representatividade dessas comunidades”.

O responsável, ele próprio macaense, destaca “as similitudes da sua gastronomia, crioulo e festividades” entre as duas comunidades. Seria, assim, “interessante aliar as pequenas representações dos gigantes do mundo asiático, representadas pela simbologia do Dragão e do Elefante, como elementos estruturantes para um diálogo entre Portugal e a Ásia, queiram as vontades políticas e institucionais”.

Na visão de Carlos Piteira, as duas casas “reforçam a herança legitimada do diálogo entre o Ocidente e o Oriente, e as relações seculares de Portugal com estes países, muitas vezes ignorada e esquecida pelos poderes oficiais e institucionais”.

Já Pedro Colaço, da direcção da Casa de Goa, destaca a importância de preservar a memória da presença portuguesa tanto em Goa como nos restantes territórios de Damão e Diu. “Foram 450 anos de história, no caso de Macau foram mais umas décadas, e procuramos acompanhar a actual cultura goesa. Uma das partes mais importantes do nosso trabalho é fazer uma ponte entre Goa e Lisboa, e diariamente contactamos com artistas, músicos e membros da comunidade, é esse o nosso papel”, descreveu ao HM. Pedro Colaço deu o exemplo do concerto que vai decorrer a 8 de Março na Fundação Oriente, em Lisboa, intitulado “Oscar Castellino – Voz de Ópera de Goa e Piano com Rodrigo Ayala”.

De resto, a Casa de Goa, actualmente sem sede própria, procura, tal como a Casa de Macau, atrair novos sócios, sobretudo das novas gerações, a fim de dar continuidade ao projecto, para que a Casa se mantenha “como um polo de união dos goeses e, cada vez mais, dos amigos de Goa”.

Acompanhar a história

A Casa de Macau foi fundada em Lisboa em 1966 e tem acompanhado diversas fases não só da história de Portugal como do relacionamento do país com Macau e a China.

“A existência da Casa de Macau marca, sem dúvida, um paralelo com a própria história de Portugal por mais de 70 anos. Macau foi a ‘pérola do Oriente’ para o Estado Novo e viveu as turbulências do período revolucionário de Abril 1974, adaptando-se e consagrando-se como a ‘ponte entre o Ocidente e Oriente'”. Por fim, depois da transição para a República Popular da China, tem-se assistido à reorganização [de Macau] como território central na ligação, a partir da China, com os países da língua portuguesa.”

Carlos Piteira descreveu ainda que a Casa de Macau tem acompanhado “a história dos tempos, alargando a visão da presença portuguesa neste território”. Além disso, teve uma tarefa “não menos importante”, por ter “cristalizado, protegido e perpetuado a comunidade macaense em Portugal e no mundo”.

Actualmente, a Casa de Macau tem desenvolvido diversas actividades que levam mais sócios à Avenida Gago Coutinho, onde está situada, e cujo edifício foi recentemente alvo de obras de restauro. Todas as quartas-feiras há almoços de comida macaense com a Chef Tina, natural de Macau, decorrendo também sessões de cinema e palestras.

A missão da Casa é, actualmente, “realizar actividades de divulgação de Macau e da cultura macaense”, dando-se “apoio e dinamização de estudos e trabalhos de teor científico sobre Macau, macaenses” e fazendo-se também a “interligação institucional com as demais entidades ligadas a Macau, Portugal e Casas de Macau na diáspora”.

Quem é de Goa e quem não é

Pedro Colaço explicou que a comunidade goesa em Lisboa “tem mais facilidade em falar com a restante diáspora indiana” em Portugal, tendo em conta que, por exemplo, “a ligação é muito antiga” com a comunidade hindu.

“Temos pena que às vezes não se fale mais [da comunidade], ao nível dos meios de comunicação, porque é uma parte importante da história portuguesa”, lamenta o responsável, lembrando figuras bem destacadas no país, como António Costa, que foi primeiro-ministro português, ou Narana Coissoró, antigo presidente da Casa de Goa e ex-deputado do CDS-PP. “Há figuras mais notórias, mas no geral a comunidade goesa inseriu-se muito bem e é conhecida por ser uma comunidade bastante instruída”, lembrou ainda, lamentando que em Portugal não se consiga fazer uma distinção entre comunidades de origem indiana.

“Uma coisa que é preocupante é o desconhecimento que existe em relação às comunidades. Hoje em dia há uma grande pressão devido à imigração e depois mistura-se tudo”, destaca Pedro Colaço, lembrando que há um sentimento forte em ser-se goês, nomeadamente na ligação ao catolicismo e a uma cultura muito própria por oposição a comunidades do Indostão que, actualmente, estão muito presentes em Portugal.

“A comunidade goesa é tão miscigenada que metade da minha família, ou mais, não aparenta ser goesa, mas eu, por acaso, aparento. Há um sentimento de ser goês, algo que nos une. As outras comunidades da diáspora indiana são, muitas vezes, confessionais, têm uma religião associada, enquanto que a comunidade goesa é, na sua maioria, católica, mas cada um vai à sua igreja, está muito espalhada”, apontou.

O futuro é um desafio

Pedro Colaço fala num “futuro desafiante” para a Casa de Goa. “Estou agora no segundo mandato, a direcção mudou de presidente, e uma das coisas que se tem tentado fazer é trazer jovens para os órgãos sociais. Agora temos três ou quatro membros mais novos, abaixo dos 40 anos. Também temos tentado alargar a Casa a não goeses.”

Neste ponto, há semelhanças com a Casa de Macau, que também tem procurado alargar o leque de sócios a chineses ou portugueses que não pertençam à comunidade. Pedro Colaço adianta que, com o passar dos anos, as coisas mudaram.

“Há 30 anos a comunidade era muito grande, mas neste momento, e tal como todas as instituições, temos de nos alargar. Há muitas pessoas que gostam muito de Goa e que sabem muito do território, talvez até mais do que eu, e são esses que têm de ser puxados”, assumiu.

Actualmente, a Casa de Goa tem 500 associados e, mesmo sem sede, procura fazer actividades, nomeadamente em parceria com a Fundação Oriente. É publicado um boletim mensal. Deixaram de ter sede devido às obras do metro em Lisboa, o que tem dificultado a agenda da Casa.

“Estamos no processo de arranjar uma nova sede, e é algo que tem constituído um constrangimento, mas procuramos fazer o máximo de actividades possível e, mensalmente, temos sempre actividades”, rematou Pedro Colaço.

13 Fev 2026

Segurança | Governantes da RAEM aplaudem Livro Branco sobre Hong Kong

A China lançou um novo Livro Branco sobre a segurança nacional, sobre Hong Kong, que se intitula “Prática da Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong sob ‘Um País, Dois Sistemas’. Na RAEM, os secretários e dirigentes políticos reagiram de forma positiva, dizendo que o documento dá garantias de estabilidade e que é uma referência para Macau

Dias depois da condenação, em Hong Kong, de Jimmy Lai, empresário dos media que fundou o extinto jornal Apple Daily, eis que a China lança um novo Livro Branco virado para a necessidade de salvaguarda da segurança nacional no território vizinho. A “Prática da Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong sob ‘Um País, Dois Sistemas'”, foi publicado pelo Departamento de Comunicação do Conselho de Estado da China na terça-feira.

Segundo a agência noticiosa Xinhua, este Livro Branco é composto por cinco partes, detalhando “a persistente luta para salvaguardar a segurança nacional em Hong Kong e a responsabilidade fundamental do Governo Central em questões de segurança nacional relacionadas a Hong Kong”.

Na mesma nota, é explicado que o Livro Branco “expõe as conquistas da RAEHK no cumprimento da responsabilidade constitucional de salvaguardar a segurança nacional” e ainda “a transição de Hong Kong do caos para a estabilidade e prosperidade”.

Não são esquecidos “os esforços para criar [um panorama de] segurança de alto padrão a fim de promover o desenvolvimento de alta qualidade da política de ‘Um País, Dois Sistemas'”, além de ser explicado que “o Governo Central aplicou uma abordagem holística à segurança nacional”.

Neste contexto, “exerceu efectivamente a jurisdição geral sobre a RAEHK, de acordo com a Constituição do país e a Lei Básica da RAEHK”, sendo que a Lei sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional “tem sido aplicada na região” e veio garantir “que Hong Kong seja administrada por patriotas”.

Do lado da RAEM, o aparelho governativo reagiu de forma positiva a este Livro Branco, isto depois de ter sido aprovada na generalidade, na Assembleia Legislativa, a proposta de lei que apresenta um novo formato e composição da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM, criada em 2018.

Chan Tsz King, secretário para a Segurança, foi uma das figuras políticas que reagiu ao documento, que considera “assegurar a implementação estável e duradoura” do princípio “Um País, Dois Sistemas”.

Citado por uma nota oficial, o secretário entende que o Livro Branco vem “esclarecer a unidade intrínseca entre os princípios políticos e a lógica institucional, fazendo com que a sociedade de Hong Kong volte à normalidade e a ordem seja restaurada”.

O documento, na visão do secretário, “serve como importante referência para a RAEM rever e melhorar a construção do seu sistema jurídico no âmbito de defesa da segurança do Estado e do respectivo mecanismo de execução”.

Chan Tsz King destaca que a sua tutela dará “grande importância à garantia da segurança nas áreas não tradicionais sob nova conjuntura, estabelecendo como objectivo estratégico a estabilidade a longo prazo da RAEM”.

Firme como uma rocha

Ainda segundo a Xinhua, o Livro Branco descreve como Pequim “apoia a RAEHK no cumprimento de sua responsabilidade constitucional de salvaguardar a segurança nacional, prevenindo, interrompendo e punindo efectivamente quaisquer actividades que coloquem em risco a segurança nacional”.

“Os esforços” da região vizinha na salvaguarda da segurança nacional visam, segundo o mesmo documento, “sustentar e desenvolver” o princípio criado por Pequim como sustentação de Taiwan e das duas regiões administrativas especiais, sem esquecer a protecção “dos direitos humanos fundamentais, a dignidade e o bem-estar dos 7,5 milhões de residentes de Hong Kong”.

O Livro Branco divulgado pelo Conselho de Estado dá ainda conta que “no mundo actual, e com transformações globais sem precedentes ocorridas em um século, estão a acelerar, com o ambiente de desenvolvimento enfrentado pela China a passar por mudanças profundas e complexas”. Desta forma, “salvaguardar a segurança nacional é uma tarefa de longo prazo e permanente”, é referido.

O Livro Branco dá conta que Hong Kong “desfruta de uma segurança de alto padrão”, estando a região “fadada a superar todos os riscos e desafios na futura jornada, permanecendo tão estável como uma rocha num mundo turbulento”.

Outra figura política da RAEM que reagiu foi Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega, dizendo que o Livro Branco “tem um significado orientador importante e um impacto profundo para a implementação completa e precisa de ‘Um País, Dois Sistemas’ nas regiões de Hong Kong e Macau, para a realização da prosperidade e estabilidade a longo prazo, e para a sua progressão estável e sustentável”.

Adriano Marques Ho acrescentou que “tanto Hong Kong como Macau são partes inalienáveis e sagradas da China”, sendo que Pequim “tem mantido, de forma firme e consistente, a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento nacionais”.

Na visão do responsável máximo da Alfândega, “as forças hostis externas e os elementos anti-China que perturbam Hong Kong incitaram e criaram os ‘tumultos da revisão legislativa’, que acabaram por evoluir para uma ‘revolução colorida’ versão Hong Kong, prejudicando gravemente a ordem constitucional e o Estado de Direito em Hong Kong, e colocando em risco a soberania, segurança e interesses do desenvolvimento nacionais”.

Fim da “situação caótica”

O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, disse que o Livro Branco “analisa e delineia de forma abrangente o percurso de Hong Kong na defesa da segurança nacional, as grandes realizações e a experiência colhida”.

Na visão da governante, “Hong Kong passou de uma situação caótica para a estabilidade e prosperidade”. No caso da RAEM, aplicam-se os princípios contidos no Livro Branco, prometendo a secretária “continuar a intensificar a educação, dando prioridade à formação de uma base social que sustenta os valores de amor pela pátria e por Macau”.

Neste contexto, pretende-se “desenvolver um sistema educativo abrangente para aumentar o sentimento patriótico dos jovens e consolidar o alicerce ideológico da segurança nacional através de actividades e intercâmbios educacionais multidimensionais”.

Fica a promessa de que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura “irá continuar a promover a segurança nacional utilizando como força motriz a cultura, reforçando a exploração e a divulgação dos recursos históricos e culturais de Macau e organizando diferentes tipos de exposições e espectáculos culturais com características singulares”.

A ideia é “divulgar a excelente herança cultural chinesa no sentido de resistir à erosão das culturas nocivas, reforçar a identidade cultural e nacional da população e unir as forças dos diferentes sectores da sociedade através da cultura”.

Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, e que durante anos deteve a pasta da Segurança, considera que o Livro Branco tem “extrema relevância para os assuntos da RAEM relativos à defesa da segurança nacional”, nomeadamente no que diz respeito à “defesa da soberania, segurança e dos interesses de desenvolvimento do Estado”.

Ficam as promessas de que a área da Administração e Justiça “irá impulsionar a produção legislativa nos domínios prioritários relacionados com a defesa da segurança do Estado, continuando a aperfeiçoar o respectivo regime jurídico”, sendo organizados “cursos de formação sobre a Constituição, a Lei Básica e a legislação relativa à defesa da segurança do Estado vocacionados para os trabalhadores dos serviços públicos de diferentes níveis”.

Por seu turno, Tai Kin Ip, secretário para a Economia e Finanças, descreveu que “as seguranças económica e financeira constituem domínios-chaves não tradicionais de entre as vinte áreas prioritárias da visão global de segurança nacional, sendo também factores cruciais para garantir o desenvolvimento estável e a segurança de longo prazo de Macau e do país”.

Tai Kin Ip pretende “promover de forma pragmática o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, reforçando a resiliência económica global de Macau e mantendo um elevado nível de atenção face a vários riscos e desafios no domínio económico-financeiro”.

Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse que Macau deve “cultivar uma consciência de vigilância em tempos de paz, a fim de consolidar os alicerces de uma estabilidade e segurança duradouras”.

Neste sentido, o governante entende que “Macau deve colocar sempre em primeiro lugar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento do Estado”, sendo que na tutela dos Transportes e Obras Públicas promete “persistir na predominância do poder Executivo, integrando de forma firme a salvaguarda da segurança nacional em todas as tarefas”.

Ao Ieong Seong, Comissária contra a Corrupção, acredita que “a segurança e a estabilidade do ambiente político e o bom funcionamento do sistema, com predominância do poder Executivo, [garante que] o nível de governação da RAEM seja cada vez mais elevado”.

A comissária destacou “a realização bem-sucedida, no ano passado, das eleições para a 8ª Assembleia Legislativa, reforçando-se a concretização do princípio ‘Macau governado por patriotas’ e assegurando eficazmente a estabilidade duradoura da RAEM”.

12 Fev 2026

Livrarias | Deputado quer mais apoios

O deputado Lam Fat Iam defendeu ontem que devem ser criados mais apoios ao sector livreiro, apoiando-se “o desenvolvimento das livrarias físicas locais” e a construção de Macau como “Cidade de Leitura”.

Ao falar no período de interpelações antes da ordem do dia, Lam Fat Iam defendeu que devem ser criadas “políticas de apoio específicas e precisas”, como a criação de “programas de apoio à exploração e actividades culturais das livrarias”, dando-se “prioridade às livrarias que promovem a cultura de Macau e realizam regularmente conferências e actividades de leitura”.

Deve-se ainda criar um sistema que fomente “a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”.

11 Fev 2026

Esplanadas | Pedido “planeamento sistemático”

O deputado Chui Sai Peng defende que as autoridades devem realizar um “planeamento sistemático” das esplanadas, a fim de “criar uma atmosfera agradável e descontraída” tendo em conta o papel de Macau como cidade de gastronomia.

No período de interpelações antes da ordem do dia, Chui Sai Peng disse que não basta o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter recomeçado a emitir licenças, devendo existir “um plano detalhado e de longo prazo”, definindo-se “objectivos gerais do planeamento dos espaços de restauração ao ar livre de Macau, o caminho para a prática, a dimensão dos projectos e os planos de acção a curto prazo”.

O deputado pede, por isso, que seja criado “um grupo de trabalho, a fim de elaborar um plano para as esplanadas, científico, executável e consensual, entre múltiplas partes”.

11 Fev 2026

Cinema | Concerto celebra “In the Mood for Love”, de Wong Kar Wai

Abril é tempo de uma nova edição do Festival de Cinema de Hong Kong e este ano conta com um concerto muito especial. “In the Mood for Love In Concert” é a forma de homenagear um dos filmes mais icónicos do realizador Wong Kar Wai, e acontece nos dias 2 e 3 de Abril no Centro Cultural de Hong Kong. A iniciativa tem a participação da Orquestra Filarmónica de Hong Kong

Um homem e a uma mulher, cada um com o seu parceiro ausente, deambulam pelas ruas estreitas e chuvosas de Hong Kong envoltos na solidão e nas tarefas rotineiras do dia-a-dia. Aos poucos vão percebendo que o amor se escapa por entre os dedos de um lado, mas ganha-se com toda a força noutro, e subitamente aquela pensão em que ambos estão hospedados potencia um forte sentimento.

Esta é a história central de “In the Mood for Love”, um dos mais conhecidos filmes do realizador de Hong Kong Wong Kar Wai, que será alvo de um concerto de homenagem em Abril, no âmbito de mais uma edição do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, a 50ª.

O espectáculo será conduzido pelo maestro Joshua Tan e conta com música da Orquestra Filarmónica de Hong Kong, decorrendo nos dias 2 e 3 de Abril no Centro Cultural de Hong Kong.

O filme, realizado em 2000, integra grandes estrelas do cinema vizinho no elenco: Tony Leung Chiu-wai faz de funcionário cansado e abandonado pela esposa, enquanto Maggie Cheung é a esposa que espera eternamente o marido que anda sempre em viagens de negócios.

No website oficial do festival lê-se que o filme “é uma obra-prima sublime que encarna a solidão, os segredos e o arrependimento”, sendo uma “comovente história de amor que evoca uma nostalgia inebriante, mas também um fervoroso desejo romântico, na perfeição da sua dolorosa banda sonora e da sua cinematografia deslumbrante”.

Com o concerto de homenagem, 26 anos depois da estreia, o filme fica “ainda mais fascinante com a apresentação musical”, pode ler-se. “In the Mood for Love” será exibido ao mesmo tempo que a música da orquestra ecoa do palco. Os bilhetes estão à venda a partir de hoje.

Uma mostra no City Hall

Entretanto, os amantes de cinema podem esperar mais uma edição do festival que, este ano, celebra 50 anos de existência. Entre os dias 1 e 12 de Abril, o evento traz uma exposição especial que decorre no Salão de Exposições da Câmara Municipal de Hong Kong, e que se intitula “50 and Beyond: The Hong Kong International Film Festival Golden Jubilee Exhibition”.

Segundo um comunicado oficial da iniciativa, o público poderá saber mais sobre “as conquistas do HKIFF [Hong Kong International Film Festival] nos últimos 50 anos na promoção da arte cinematográfica e no fomento do intercâmbio cultural”.

Albert Lee, director-executivo da empresa que organiza o festival, a Sociedade do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, disse que é importante organizar esta mostra no City Hall, onde se realizou a primeira edição do festival, em 1977.

“Desde aí que o HKIFF se tornou num dos destaques culturais do ano em Hong Kong, ganhando reputação como um dos festivais de cinema mais antigos e prestigiados da Ásia”, disse, citado pela mesma nota.

Albert Lee espera que esta exposição, composta por “fotografias raras de mestres cineastas, realizadores de renome e estrelas de cinema que apareceram no festival nas últimas cinco décadas”, funcione “tanto como uma retrospectiva quanto como uma visão voltada para o futuro”. O cartaz completo do festival será conhecido no início do próximo mês de Março.

11 Fev 2026

Deputados pede melhorias na gestão de multidões durante Ano Novo Chinês

A chegada do Ano Novo Chinês e a necessidade de uma melhor organização do tráfego de pessoas e turistas levou alguns deputados a questionar o Governo sobre essa matéria.

No período de interpelações antes da ordem do dia, o deputado Leong Hong Sai destacou que “existem ainda muitos pontos fracos” quanto à “gestão de multidões”, referindo casos ocorridos no ano passado, quando “as pessoas se concentraram na zona do Cotai para a contagem decrescente”, ou seja, a festa de Ano Novo, tendo ocorrido “a dispersão lenta da multidão até cerca das 3 horas da madrugada”.

Nessa altura, “devido ao grande fluxo de pessoas, o Posto Fronteiriço de Hengqin ficou cheio e, segundo muitos turistas, houve falta de articulação entre as medidas de trânsito e a gestão da multidão após o evento”.

Assim, Leong Hong Sai sugere “acelerar o aperfeiçoamento da rede do metro ligeiro e a construção de infra-estruturas pedonais nas zonas circundantes, de modo a aumentar a cobertura directa das linhas aos postos fronteiriços e a potenciar a capacidade de transporte do metro ligeiro”.

O deputado defende também um ajuste “dinâmico dos horários dos autocarros e do Metro Ligeiro”, criando-se “pontos de paragem temporários para as carreiras de autocarros em áreas-chave e nos postos fronteiriços”. Deve ser ainda criada uma “plataforma unificada de monitorização do fluxo de pessoas e de resposta a emergências nas principais zonas para efectivar a partilha imediata de dados”.

Prever é importante

Também o deputado Leong Pou U aproveitou este momento do debate para deixar sugestões ao Executivo, lembrando que Macau pode, segundo previsões oficiais, receber entre 158 a 175 mil visitantes em termos de números médios diários.

“As dificuldades de mobilidade e de apanhar autocarro afectam gravemente a experiência de viagem dos turistas e provocam má impressão de Macau”, destacou.

Leong Pou U pede, por isso, que seja “reforçada a cooperação interdepartamental e que se aperfeiçoem os planos de trânsito”, usando sistemas de alerta e “informações predictivas sobre a afluência de pessoas que devem ser prontamente convertidas em medidas concretas, tais como o reforço da capacidade de transporte, a optimização de rotas e o ajuste de percursos pedonais”. O deputado pede também um reforço da “comunicação com os serviços competentes do Interior da China”.

11 Fev 2026

Desenvolvimento contínuo | Pedida extensão de plano a Hengqin

O deputado Chan Lai Kei interpelou ontem o Governo, no período de antes da ordem do dia, quanto à necessidade de “acelerar a extensão” do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo à Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.

Chan Lai Kei deixou esta questão tendo em conta que o Governo anunciou, no último relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG), que “ia ser lançada uma nova fase deste programa”.

“Considero que se trata da oportunidade ideal para avaliar e melhorar o posicionamento desse Programa, pois o alargamento do âmbito de aplicação do Fundo de Educação Continuada a Hengqin constitui uma medida pragmática para concretizar a integração entre Macau e Hengqin e responder às aspirações dos residentes”, destacou o deputado.

Chan Lai Kei pede que sejam incluídas “instituições de formação com capital de Macau em Hengqin no âmbito de reconhecimento da nova fase do programa”, com a possibilidade de haver mais oferta formativa, sugerindo também a criação de uma “Conta Única de acesso comum” com “informações sobre o aperfeiçoamento entre Macau e Hengqin”.

11 Fev 2026