Exposição de Maria Madeira na Fundação Oriente em Lisboa

A Fundação Oriente (FO) em Lisboa inaugura, no próximo dia 13 de Agosto, às 18h, a exposição da artista timorense Maria Madeira, intitulada “You, Me, Us [O, Hau, Ita, Tu, Eu, Nós”, que estará patente até ao dia 13 de Dezembro.

Segundo a descrição oficial da exposição, no website da FO, trata-se de uma mostra focada “na relação entre as crenças ancestrais timorenses e o discurso cultural português”, apresentando-se ao público português 34 obras de pintura, desenho, colagem e instalação.

“Maria Madeira suscita reflexão e diálogo em torno da sua experiência pessoal enquanto mulher timorense refugiada em Portugal e migrante na Austrália, neta de timorenses e portugueses”, lê-se ainda.

Celebração de culturas

A mostra na FO “visa celebrar, sensibilizar e centrar a ligação histórica, cultural e pessoal que existe entre ‘Tu, Eu e Nós'”, ou seja, entre Portugal e Timor-Leste. Desta forma, oferece-se “uma perspectiva distinta e autoral sobre a arte e a cultura timorenses, de uma artista contemporânea cuja prática criativa atravessa diferentes contextos culturais”.

Além da mostra propriamente dita, haverá uma residência artística no espaço Hangar, em Lisboa, e um programa de oficinas, conversas e visitas. Propõe-se, com esta iniciativa, “identificar desafios e explorar soluções inovadoras que fortaleçam o entendimento intercultural e valorização mútua entre Timor-Leste e Portugal”.

A FO destaca ainda como o “discurso artístico contemporâneo de Timor-Leste emergiu na década de 1980, sobretudo como forma de resistência, profundamente influenciada pelos acontecimentos históricos que marcaram o país”.

“Actualmente, grande parte da produção dos artistas visuais timorenses revela não só uma forte inclinação para a contemporaneidade, como também uma profunda ligação às crenças populares, mitos e tradições timorenses”, destaca-se ainda na mesma nota, que recorda o importante trabalho das artistas mulheres de Timor na área dos têxteis.

“O bordado — introduzido pelos portugueses — passou a integrar os motivos decorativos do tais, o tecido tradicional de Timor-Leste”, é destacado.

7 Ago 2026

ARTM | Vila de Ka-Hó recebe mostra de fotografia de Eva Bucho

“Macau Patterns 2.0”, exposição da autoria de Eva Bucho, volta a estar patente ao público na galeria Hold on To Hope (H2H) a partir de amanhã. O espaço acolhe fotogafias que revelam a beleza e particularidades dos padrões espalhados pelo território

 

Eva Bucho tem-se dedicado a coleccionar em fotografia os diversos padrões que se podem ver em Macau, numa multiplicidade de ruas, espaços e lugares. O resultado foi o projecto “Macau Patterns”, que já conta com duas edições. Depois de uma primeira exposição de “Macau Patterns 2.0” apresentada recentemente no Instituto Internacional de Macau (IIM), eis que esse trabalho de recolha e classificação pode ser visto novamente na galeria Hold on To Hope (H2H), na vila de Ka-Hó, em Coloane. A galeria é um espaço gerido pela Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) para apoio da comunidade terapêutica.

A partir deste sábado, às 15h, será apresentada a mostra que é uma extensão dos trabalhos expostos em 2024. Segundo uma nota da ARTM, Eva Bucho, que tem formação em design, vive em Macau desde 2016, sendo “autora [do trabalho de recolha] dos vários e ricos padrões existentes em Macau”.

“A extensão dos padrões culturais de Macau vai desde as portas, a janelas, ornamentos, pavimentos e revestimentos”, incluindo ao nível da arquitectura e desenvolvimento urbano. Desta forma, estes padrões acabam por contribuir para a preservação “da memória de Macau”.

Nesta mostra, “as fotografias estão organizadas em novos capítulos para além da Península de Macau, incluindo Taipa e Coloane”, podendo ser vista até ao dia 30 de Agosto.

Uma forma de identidade

A exposição apresentada em Junho esteve integrada no programa “Junho – Mês de Portugal”, em celebração do 10 de Junho. Ao HM, Eva Bucho explicou que, para a fase 2.0 do projecto, foi mantida “a maior parte dos padrões” já recolhidos, tendo sido acrescentados “novos às freguesias existentes”.

“A grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane”, disse. O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, melhorando “a experiência e alcance”.
Eva Bucho considerou também que os padrões recolhidos revelam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”.

“O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou na altura.

7 Ago 2026

Crime | Mulher de meia idade esfaqueada junto ao Galaxy

A Polícia Judiciária está a investigar os contornos do esfaqueamento de uma mulher, que resultou em ferimentos no rosto, pescoço e mãos. A mulher foi encaminhada para o Hospital Conde de São Januário em estado grave e o agressor foi detido

Foto jornal Ou Mun

 

A zona junto ao Galaxy, no Cotai, mais concretamente na Avenida Marginal Flor de Lótus, foi, na quarta-feira à noite, palco de um crime pouco comum em Macau: uma mulher de meia idade, da China continental, foi esfaqueada na zona do rosto, pescoço e mãos, tendo recebido tratamento hospitalar no São Januário. À hora do fecho da edição, e segundo o jornal Ou Mun, a mulher estava ainda internada e inconsciente.

Segundo o relato de fonte policial, o incidente ocorreu por volta das 21h, e as autoridades policiais foram informadas de que estava uma pessoa ferida junto a um hotel no Cotai. No mesmo local, o segurança do hotel, de nacionalidade nepalesa, não-residente, também sofreu uma contusão no braço, sendo levado para o Hospital Kiang Wu.

Tanto os agentes policiais como os bombeiros deslocaram-se ao local depois de terem sido notificados, por volta das 22h, do ocorrido. Entretanto, a Polícia Judiciária (PJ) já veio dizer que está a investigar o caso, prometendo mais detalhes numa conferência de imprensa extraordinária a realizar hoje à tarde.

Agressor detido

As autoridades indicaram ontem que o ataque terá ocorrido devido a motivos passionais entre agressor e vítima, segundo a investigação preliminar. Há ainda fortes indícios de que o homem seja suspeito da prática dos crimes de homicídio na forma tentada e posse de arma proibida. O suspeito, um homem do Interior da China, acabou detido pelas autoridades.

De destacar que, inicialmente, suspeitou-se que o ataque poderia estar relacionado com um caso de troca de dinheiro, conforme foi noticiado pela imprensa chinesa, mas trata-se, afinal, de um crime ocorrido em contexto passional.

7 Ago 2026

Imobiliário | Preços durante o Verão baixam 8 por cento

Chris Wong Sai Fat, da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, diz que os preços de apartamentos em construção baixaram cerca de 8 por cento. Como se vendem menos casas no Verão, as transacções foram impulsionadas por descontos

 

A Associação Geral do Sector Imobiliário revelou que a palavra de ordem para esta altura do ano é “descontos”, com reduções de preços de fracções na ordem dos oito por cento, o que levou a um aumento de negócios. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o vice-presidente executivo da entidade, Chris Wong Sai Fat, disse que vários promotores de projectos imobiliários na península de Macau, na Taipa e Coloane reduziram em cerca de oito por cento os preços para os apartamentos de prédios em construção. O responsável destacou que, graças a esses descontos e oferta da remodelação da casa, cada promotor vendeu, em média, oito a dez fracções.

O responsável destacou que o Verão é, por norma, uma época com menor volume de negócios, mas graças aos descontos criados pelos promotores, foi possível atrair a atenção de investidores e compradores.

Chris Wong também disse ser inevitável que estas promoções afectem as vendas de casas em segunda mão que se situam próximo destes projectos em construção, pelo que os donos destas casas sofrem maior pressão para negociar a venda. Assim, nos casos em que estes tenham maior urgência em vender, precisam reduzir mais os preços para ter sucesso.

Tendo em conta o volume de transacções de Julho, o dirigente associativo acredita que se tenham vendido cerca de 200 imóveis, graças às medidas lançadas pelo Governo.

Pouco impacto

Relativamente à quebra dos preços da habitação económica, e a fase de escolha das fracções pelos candidatos, Chris Wong acredita que o impacto no mercado privado de habitação vai ser reduzido.

O representante lembra que as candidaturas a casas do Governo nos concursos de 2019, 2021 e 2023 envolveram cerca de 13 mil fracções, estando o mercado controlado conforme estes dados, com as devidas previsões ajustadas.
Porém, Chris Wong apontou que algumas famílias candidatas à habitação económica alugam casas enquanto esperam pelos imóveis do Governo, sendo que, quando deixarem os imóveis alugados, tal pode trazer pressão ao mercado de arrendamento.

O responsável acredita que essa pressão pode ser sentida sobretudo na zona norte da península, como os bairros do Fai Chi Kei, Iao Hon e Areia Preta.

7 Ago 2026

Hong Kong | Concerto apresenta nova composição de Carlos Brito Dias

O grupo The Hong Kong Legends Ensemble apresenta no sábado a nova criação do compositor português Carlos Brito Dias, num espectáculo no East Kowloon Cultural Center. Trata-se de “tides”, uma composição que propõe uma “reflexão sobre movimento, identidade cultural e transformação”

 

O compositor português Carlos Brito Dias tem uma nova criação musical, “tides”, e que será apresentada pela primeira vez ao público no East Kowloon Cultural Center de Hong Kong no sábado a partir das 20h. A interpretação desta obra estará a cargo do grupo The Hong Kong Legends Ensemble, com a direcção do maestro Chi-Cheung Leung. Os bilhetes podem ser adquiridos no website art-mate.net

Segundo um comunicado enviado pelo próprio compositor às redacções, “tides” foi encomendada pela Yao Yueh Chinese Music Association – Hong Kong Legends, marcando a primeira incursão de Carlos Brito Dias “na escrita para ensemble com instrumentos chineses”, nomeadamente o dizi, zhongruan, sheng e erhu.

Na mesma nota, lê-se que a apresentação pública de “tides” integra “um programa de aproximadamente 90 minutos, que combina performance ao vivo com media interactiva, propondo ao público uma experiência artística imersiva e interdisciplinar”.

“tides” é uma composição que propõe “uma reflexão sobre movimento, identidade cultural e transformação, inspirada no carácter de Hong Kong como porto aberto ao mundo”. Desta forma, evocam-se “camadas de migração, intercâmbio e resiliência que moldam a cidade”.

Uma metáfora musical

Em “tides”, descreve a mesma nota, o mar é figura central e também uma “metáfora”, pois representa “simultaneamente força de separação e de ligação, estruturando uma linguagem musical fluida, em que as texturas se expandem e contraem, colidem e se dissipam”. Além de ter uma “dimensão cultural”, a nova composição de Carlos Brito Dias também incorpora “uma vertente íntima”, pois inspira-se “na experiência de esperar a chegada de um filho”.

Desta forma, a obra musical percorre “ciclos de antecipação, incerteza e transformação emocional, articulados através de gestos em mutação contínua e paisagens tímbricas em evolução”.

O grupo Hong Kong Legends Ensemble foi fundado em 2020, tendo como origem a Yao Yueh Chinese Music Association (YYCMA), e é a primeira orquestra de câmara chinesa do território vizinho. O grupo venceu, em 2024, o Prémio do Fundo Nacional de Artes para Inovação em Artes Cénicas, uma das mais importantes distinções culturais na China.

Carlos Brito Dias nasceu na cidade de Braga em 1991, residindo actualmente em Hong Kong onde, além de desenvolver actividade como compositor e maestro, também dá aulas. O compositor português é doutorado em Artes pela Universidade de Antuérpia e Conservatório Real de Antuérpia, possuindo ainda um mestrado em Direcção Orquestral pelo Conservatório Real de Antuérpia.

A residir em Hong Kong, Brito Dias tem, segundo a biografia disponível no seu website, “uma produção musical eclética”, explorando “vários meios, desde peças para instrumentos a solo e conjuntos até grandes orquestras e música electrónica”. Também já criou composições para cinema, nomeadamente curtas-metragens, colaborando com outros artistas.

É actualmente professor convidado da Universidade de Educação de Hong Kong, bem como consultor artístico e maestro da Asiartic Camerata.

6 Ago 2026

Drogas | Augusto Nogueira concorda com aditamentos à lei

Numa altura em que acaba de ser nomeado vice-presidente da World Federation of Therapeutic Communities, Augusto Nogueira, presidente da ARTM, diz concordar com os aditamentos de novas drogas proibidas à actual legislação, apesar dos consumos locais quase nulos

 

O Governo quer proibir o consumo de sete drogas semelhantes ao Etomidate, a substância que constitui a droga conhecida como Petróleo do Espaço. A proposta, que foi apresentada na sexta-feira em Conselho Executivo, merece a concordância de Augusto Nogueira, presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM).

“É imperativo acrescentar estas novas drogas à legislação, pois prevenir é melhor que remediar”, disse, reconhecendo que “não se conhecem casos de consumo destas drogas, e mesmo do Etomidate é raro, mas nunca se sabe o dia de amanhã”.

O presidente da ARTM explicou que “a maioria das grandes apreensões em Macau estão de passagem e não são para consumo local”, referindo também os bons resultados, por parte das autoridades em conjugação com associações, na prevenção. “Através do programa de rua e de troca de seringas, fazemos uma década de zero novos casos de HIV entre pessoas que injectam drogas”, disse.

Um novo cargo

Destaca-se ainda a recente nomeação para o cargo de vice-presidente da WFTC (World Federation of Therapeutic Communities), com sede nos Estados Unidos da América. Tal nomeação representa, para Augusto Nogueira, uma oportunidade para “elevar ainda mais o trabalho da ARTM e o trabalho que se desenvolve em Macau”.

“Fui nomeado devido ao reconhecimento que a ARTM tem dentro desta organização e também pelo trabalho que desenvolvemos a nível internacional, principalmente nas Nações Unidas. Antes de ser nomeado já era ‘Liason Officer’ da WFTC para as Nações Unidas, por isso foi um processo de evolução, confiança e trabalho.”

Augusto Nogueira chama a atenção para a “forma holística” como se trabalha na ARTM, sendo esse “o maior reconhecimento”. “A WFTC é um organismo bastante importante para proteger a ideologia e terapia da comunidade terapêutica, para podermos mostrar que as comunidades terapêuticas desenvolvem um trabalho muito importante na recuperação de todos aqueles que necessitam de apoio”, rematou.

6 Ago 2026

Amagao | Fotografias de Vong Sek Kuan em nova exposição

A galeria Amagao, no Artyzen Grand Lapa, acolhe a partir desta quinta-feira uma nova exposição onde a fotografia é protagonista. Vong Sek Kuan assina uma mostra em nome próprio com “Luz Fluída – Cores Radiantes”, marcada pelo desafio face aquilo que se considera a forma mais comum ou tradicional de uma imagem

Vong Sek Kuan traz à galeria Amagao, a partir desta quinta-feira, uma exposição em nome próprio. Trata-se de “Luz Fluída – Cores Radiantes” e, segundo um comunicado da organização, trata-se de uma mostra que “desafia a definição tradicional da fotografia como mera reprodução de um instante”.

Nesta mostra, o que o fotógrafo fez foi explorar “as possibilidades filosóficas da fotografia como a extensão da percepção através da singular técnica ‘camera-shaking'”. Desta forma, lê-se, “o artista transforma o acto de ‘clicar’ num ‘acto de pintura’, envolvendo o corpo e a mente”.

O público pode ver 27 imagens que trazem “uma nova forma de fotografia contemporânea, misturando técnica, fisicalidade, filosofia e estética”. Trata-se de “uma forma original de mestria técnica”, mas não só: é “uma proposta nova de ver o mundo”, refere a Amagao. Esta quinta-feira será também lançado o “Livro do Artista”, com o mesmo título da exposição.

Combinação de disciplinas

Segundo palavras do próprio Vong Sek Kuan, “a fotografia é uma disciplina que combina a aplicação da física óptica e mecânica”, sendo que o “Light Painting” e “Painting with Light” [Pintura com Luz], são, segundo Vong, “duas aplicações diferentes dessa física”, sendo que a “câmara é uma ferramenta para registar imagens ópticas”.

“Enquanto o sensor estiver exposto, é possível guardar uma imagem, sendo uma ferramenta única para registar o tempo e espaço”, descreve, referindo ainda que o “Light Painting” implica “mover uma fonte de luz para criar uma imagem após a exposição do sensor da câmara”.

Por sua vez, a aplicação “Painting with Light” envolve “a abertura do sensor da câmara e o movimento da própria câmara para concluir a criação”. Nesta mostra, descreve ainda o fotógrafo, trabalha-se em torno do conceito de “pintura com o instante”, quando se utiliza “a câmara como ferramenta para concretizar o acto de “Pintura com Luz”.

Desta forma, recorrendo a uma “combinação de técnicas”, Vong Sek Kuan conseguiu alcançar “um efeito que se alinha com a sua visão criativa”, tendo em conta a ideia que “o pensamento determina a acção”. Assim, esta mostra consiste na “expressão máxima da pintura com o instante”. A exposição conta com curadoria de Ieong Man Pan e do designer macaense Victor Marreiros, que também está ligado à galeria Amagao, juntamente com Lina Ramadas.

5 Ago 2026

Coronel Mesquita | Estátua saiu da Barra para Portugal em “discreta” operação nocturna

A estátua do Coronel Mesquita entrou na história de Macau por ter sido retirada à força durante o “1,2,3”. Porém, acabou por ir para Portugal em 1986, com o aval do Governador Almeida e Costa, numa operação nocturna nas Oficinas Navais, entre rumores de que teria sido atirada ao rio. Hoje, repousa em Paço de Arcos, à guarda da Associação de Comandos

No século XIX a morte do então Governador Ferreira do Amaral e o episódio do Passaleão, protagonizado pelo Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, consta como um dos momentos de tensão na relação entre chineses e portugueses em Macau. Tal episódio iria servir de combate e argumento contra os portugueses na expressão da Revolução Cultural em Macau, no movimento “1,2,3”, que decorreu entre Novembro de 1966 e Fevereiro de 1967.

Nos tensos dias do início de Dezembro de 1966, a estátua de Vicente Nicolau de Mesquita foi derrubada e escondida até ser encontrada, em 1986, por José Lobo do Amaral, presidente da Associação de Comandos. Até então julgava-se que a estátua tinha sido destruída e atirada ao rio, a mando de Nobre de Carvalho, Governador que, quando tomou posse, apanhou o “1,2,3” no seu auge.

Ao HM, José Lobo do Amaral recorda o momento em que percebeu o que estava à frente dos seus olhos. “A estátua foi apeada por altura do ‘1,2,3’ e estava recolhida, mas não sei onde. Onde a encontrei foi nas Oficinas Navais. Estava a um canto, tapada, levantei a lona e lá estava. A história é esta.”

Estávamos em 1985 e era Governador Almeida e Costa. Foi aí que José Lobo do Amaral percebeu que o boato de que a estátua estava destruída não passava disso mesmo. “O que constou é que Nobre de Carvalho teria dado ordens para destruir a estátua e atirá-la ao mar. Era o que toda a gente dizia. Agora, se uns sabiam que não tinha ido…calavam-se. Nunca ouvi outra versão da história, e até se dava ao nome da pessoa que a tinha destruído. E a história da estátua morreu ali. Causou grande surpresa quando levantei a lona e a vi.”

“A estátua estava no Leal Senado [quando foi retirada durante os tumultos] e nunca foi reposta. Disse ao Jorge Rangel: fala lá ao Governador, para ver se ele nos dá aquilo para levarmos para Lisboa. A ideia era colocar a estátua no Castelo do Queijo, no Porto, onde é a sede da nossa delegação. Aí ele [Governador] disse: ‘levem-na, discretamente'”.

Cobertos pelo breu

A discrição que a missão exigia originou a operação nocturna para levar a estátua para Lisboa, sem grande alarido. Este episódio foi recentemente recordado por Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, numa sessão na Casa de Macau em Lisboa a propósito de Luiz Gonzaga Gomes.

A operação envolveu 12 pessoas que tinham estado ligadas aos comandos e alguns contactos prévios, bem como a combinação de uma espécie de código entre Jorge Rangel e José Lobo do Amaral para desviar as atenções do guarda das Oficinas Navais.

“Disse-lhe que só nós os dois podíamos saber o que tinha de acontecer. Do lado das Oficinas Navais ficaram só à espera da indicação da data [para retirar a estátua]”, referiu Jorge Rangel.

Contratou-se “uma empresa de confiança” para transportar a estátua para a Europa. “Nessa noite, esses antigos 12 comandos foram de camioneta, até à porta, fazer um primeiro reconhecimento, para ver se o guarda estava ou não. O portão estava aberto, era só puxar, e foi aí que a estátua foi transportada para o cais do Porto Interior, e depois para Hong Kong.” A estátua do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita chegou então a Portugal, ficando primeiro no Porto de Leixões antes de fazer o seu percurso até Paço de Arcos.

Exposta em Valadares

José Lobo do Amaral não gosta que se use o termo “às escondidas” para classificar a manobra. “Foi usado o termo discretamente [para a retirada]. Às escondidas era se tivéssemos ido pela calada da noite, encapuzados. Foi tudo feito normalmente. Contratou-se uma empresa de navegação, fizeram o contentor, puseram-na lá dentro, e transportaram-na para o Porto.”

Com apoios do Instituto Cultural (IC) lá foi a estátua de bronze para o Castelo do Queijo, mas as contas das dimensões foram malfeitas – não conseguia passar da porta. A estátua do coronel macaense acabou por ir parar a uma fábrica de Valadares, também no Norte de Portugal. Enquanto se esperava pela remodelação da Bataria da Lage, em Paço de Arcos, ficou ali e até teve o seu momento provisório de exibição.

“A fábrica era de um comando. Como a estátua estava deitada no chão, resolveu fazer um pedestal e pô-la lá, e quem andasse ali de passagem podia vê-la, mas não era a colocação definitiva. Pôs no letreiro a dizer o que era, e depois quando arranjámos este espaço fomos buscá-la.”

Quem passar pela Bataria da Lage, junto à estrada marginal, vai encontrar a estátua do Coronel Mesquita qual como quando saiu de Macau. “Tem a bota partida, nunca quisemos restaurá-la para que ficasse assim.” Está virada para Macau, lendo-se na placa que está a pouco mais de 110 mil quilómetros de distância do território.

Hoje continua a receber visitas. “Vem aí muita gente da terra para ver a estátua e tirar fotografias. Pessoas que estiveram em Macau, e outras que vêm aí e a quem digo para a visitarem.”

João Lobo do Amaral recorda como “o Governo de Macau sempre se fez de recados”, nomeadamente entre o Oriente e Portugal. “O Macau moderno que conhecemos é do Ferreira do Amaral, porque até ali era o Governo do Leal Senado. Só a partir dele há uma fronteira [das Portas do Cerco]. Havia o mandarim que cobrava imposto do Porto. As coisas rolavam. As comunidades [coexistiam]. É o segredo dos 500 anos [de presença portuguesa]. Tudo se fazia por consenso, uma palavra que nem gosto pessoalmente, porque acho que o consenso é cinzento.”

No caso de Ferreira do Amaral, “não teve senso, não sabia ou não lhe explicaram” esse modo de coexistência de comunidades, “e aconteceu o que aconteceu”. “Dá-se o Passaleão e a reacção à morte dele”, recorda.

Junto à estátua está uma placa onde se explica não só o episódio histórico que ela acarreta como a sua autoria, do escultor Maximino Alves. A estátua do militar macaense foi inaugurada em Macau a 24 de Junho de 1940, com a inscrição na base de pedra a assinalar “Homenagem da Colónia ao Herói Macaense Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, 25 de Agosto de 1849.”

Mais abaixo, podia ler-se: “Monumento erguido por subscrição pública e auxílio do Governo da Colónia. Foi inaugurado por ocasião das festas comemorativas do duplo centenário da Fundação e Restauração de Portugal. 24 de Junho de 1940 – Oferta do Leal Senado.”

Todas as mudanças da estátua até à sua exibição permanente foram apoiadas pela Fundação Jorge Álvares e Fundação Casa de Macau.

Segundo o website Memória de Macau, a Batalha do Passaleão, a 25 de Agosto de 1849, “é o único confronto significativo entre a China do Sul e Macau durante mais de quatro séculos de vizinhança”, e ocorreu “após o assassinato do Governador Ferreira do Amaral”.

O episódio consistiu na “tomada de um forte chinês que atacava Macau com a força dos seus obuses a cerca de meia milha das Portas do Cerco”, sendo que “Vicente Nicolau de Mesquita avançou pelo território inimigo, sem ordem superior e apenas com o pelotão de 32 homens sob seu comando, neutralizando com uma carga de explosivos o forte que oprimia Macau”. Foi apoiado, nessa acção, por “duas peças de artilharia de campanha, um obuz de montanha e dois canhões da barca canhoeira e da lorcha de António Ferreira Batalha”. Vicente Nicolau de Mesquita está sepultado no Cemitério de S. Miguel Arcanjo.

5 Ago 2026

Mandopop | René Liu faz a sua “Final Call” em Macau em Outubro

O palco do Galaxy Arena recebe, em Outubro, mais um concerto de grandes dimensões e efeitos visuais, desta vez com a cantora de mandopop René Liu, de Taiwan. Também conhecida pela alcunha de “Milk Tea”, René apresenta “Final Call”, a 3 de Outubro, um espectáculo integrado na digressão mundial dos últimos meses e que já conquistou vários prémios

“Deixa a alegria tomar conta de ti. O tempo voa. Ainda estás à espera?”. Eis o mote, em jeito de pergunta, para a actuação que a cantora de mandopop René Liu tratará a Macau no dia 3 de Outubro, no palco do Galaxy Arena. “Final Call” promete ser um concerto com uma forte componente artística e visual e que, segundo a informação disponível no website do Galaxy, teve “quatro anos de preparação”.

A digressão mundial de “Final Call” já passou por três continentes, 53 cidades e levou à realização de 111 espectáculos, sendo que uma das próximas paragens será em Macau.

René Liu nasceu em Taipei em 1969 e só começou a sua carreira em 1995, depois de trabalhar como assistente de produção do cantor, já bem conhecido do público, Bobby Chen.

Também com o cognome de “Milk Tea”, René Liu, ou simplesmente René, acrescenta aos seus espectáculos, além da voz, uma vertente de storytelling que permite ao público umas boas horas de entretenimento, levando-os a outras dimensões.

O Galaxy Arena terá “um impressionante palco giratório de quatro lados”, com um “design revolucionário” e ecrãs LED que potenciam “uma experiência narrativa imersiva”. Haverá ainda 12 bailarinos em palco e um “urso rotativo gigante de cinco metros”. Tudo para criar um espaço em palco onde “possibilidades infinitas ganham vida”, estabelecendo-se “um novo e ousado padrão para a produção de concertos”.

Podem esperar-se “emoções profundas” e uma “narrativa cativante” com este concerto”, onde música, dança e cenografia se conjugam.

“O emblemático palco giratório de quatro lados foi aperfeiçoado e reinventado, transformando o recinto numa viagem musical imersiva”, com muita “imaginação”. O palco tem ainda “elevadores dinâmicos e [permite a] rotação”, levando a que cada perspectiva do concerto, do lado do público, se transforme “num ponto de observação único”, gerando-se “uma experiência de tirar o fôlego”.

Esta aposta num novo tipo de apresentação do seu trabalho musical em palco levou René a ganhar prémios, tendo sido distinguida, nos Muse Design Awards 2025, com o Prémio Platina, ganhando a mesma distinção nos London Design Awards 2025.

Marcos históricos

Em 2002 a artista editou um disco com nome em inglês, “Love and the City”, com dez faixas; enquanto que em 2017 saiu mais um álbum gravado ao vivo, intitulado “Renext”. Nos anos da pandemia, 2020 e 2021, René não esteve parada e editou também dois discos.

Segundo a apresentação oficial do concerto, a digressão “Final Call” já atingiu vários recordes. Um deles aconteceu em Agosto de 2024, quando René se tornou na primeira artista de mandopop a ser cabeça de cartaz num concerto em Ürümqi, capital da região de Xinjiang.

Seguiu-se, no ano seguinte, a realização de cinco concertos consecutivos de Ano Novo em Pequim, entre os meses de Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026, o que marcou “a primeira série de concertos de fim de ano em grande escala” na carreira da artista.

René Liu também passou pelos EUA, e em Maio deste ano deu “concertos em palcos quadrangulares de grande escala em três cidades dos EUA”, sendo que “cada um atraiu públicos de mais de dez mil pessoas”.

A cantora já conta com 200 concertos de grande escala realizados no âmbito de “Final Call”, sendo que, para esta digressão, trabalhou ao lado da “B’in Live”, descrita como “uma das principais equipas de produção de concertos do mundo do mandopop”.

Os bilhetes ainda não estão à venda, embora o concerto já tenha sido anunciado. Começa às 19h e os ingressos terão um custo que varia entre 580 a 1380 patacas.

4 Ago 2026

Função pública | Sugerida adopção de modelo próprio de administração

Um estudo realizado por dois académicos da Universidade de São José considera que o Governo deve criar para a Função Pública “um modelo de governação ajustado às próprias necessidades”, ao invés de meramente “reproduzir experiências implementadas noutros contextos”

Do “clientelismo” vivido nos anos de administração portuguesa até às progressivas reformas, Macau tem evoluído para um modelo de administração mais eficiente e digital, mas não chega. É a conclusão do estudo “Reforma da Administração Pública em Macau: Um Estudo Crítico desde a Transferência de Soberania até à Actualidade”, da autoria de Leung Sok Ieng, doutorando em Government Studies na Universidade de São José (USJ), e Ansoumane Douty Diakite, professor associado da mesma instituição de ensino.

O artigo académico foi publicado na revista “E- REI: E-Journal of Intercultural Studies”, sob alçada da Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. Uma das conclusões do artigo é que Macau “deverá desenvolver um modelo de governação ajustado às próprias necessidades, ao invés de, simplesmente, reproduzir experiências implementadas noutros contextos”.

Neste sentido, é entendido que “o sucesso da reforma da administração pública de Macau não pode resultar de uma simples replicação dos modelos ocidentais”, devendo ser olhados factores como as “especificidades demográficas e sociais do território”.

Estas demonstram que “as reformas devem ser adaptadas às condições locais e orientadas por uma abordagem centrada no cidadão”, sendo que, nos próximos anos, deve-se apostar na “governação transfronteiriça de dados, o desenvolvimento do capital humano, o empreendedorismo digital e estudos comparativos além de Macau”. Tudo para “compreender melhor a governação de cidades inteligentes em diferentes sistemas de inovação”.

“Reforma da Administração Pública em Macau: Um Estudo Crítico desde a Transferência de Soberania até à Atualidade” conclui também que “a adopção de uma abordagem centrada no cidadão é identificada como um factor crítico para o sucesso de estratégias modernas de governação”.

Desta forma, o Governo “terá de equilibrar eficiência, conveniência e serviços orientados para as pessoas na prestação de serviços públicos”.

O sucesso da “Conta Única”

Olhando para o conceito de “Nova Gestão Pública”, desenvolvido sensivelmente a partir dos anos 80 e 90, no sentido de uma maior desburocratização, os autores destacam que as autoridades locais têm feito reformas que vão, cada vez mais, nesse sentido, afastando-se dos modelos de governação dos anos da Administração portuguesa.

Considera-se que o “Governo tem vindo a evoluir gradualmente de uma abordagem centrada na economia para uma maior aposta na reforma administrativa, na centralidade do cidadão e na eficiência dos serviços públicos”.

Esta “transição” traz uma “integração progressiva dos princípios” desse conceito de “Nova Gestão Pública”. Os autores salientam a “generalização do governo electrónico e serviços digitais”, com foco na plataforma “Conta Única de Macau”. Esta app, que permite resolver, no telemóvel, uma variedade de assuntos do foro público, como o pagamento de multas ou inscrições em apoios financeiros, tem contribuído “para eliminar barreiras à circulação de informação”, bem como “promover a colaboração entre diferentes departamentos governamentais”.

Destaca-se como “o Governo é incentivado a desenvolver políticas públicas baseadas nos dados recolhidos”, além do facto de que, nos últimos anos, tem feito “alterações legislativas que reforçam a necessidade de considerar as necessidades dos cidadãos na formulação das políticas públicas”.

A meritocracia

Os autores, que com este estudo procuram analisar o funcionamento da Administração após 1999, destacam, citando outros estudos, como a reforma do sistema de governação “passa pela descentralização e delegação de competências para níveis inferiores da administração, bem como pela atribuição de maior autonomia às entidades locais”.

Refere-se ainda como o “novo modelo de gestão pública em Macau assenta num sistema de recrutamento baseado no mérito, em que dirigentes e funcionários são nomeados de acordo com as suas competências, qualificações e desempenho, em vez de critérios relacionados com filiações ou antiguidade”.

No cenário pós-transição, é entendido que o “novo modelo de gestão pública privilegia a colaboração e parcerias, promovendo uma estreita cooperação entre o Governo, o sector privado, a sociedade civil e os restantes ‘stakeholders’, com vista à prossecução de objectivos comuns”.

Um dos exemplos de reforma e maior estabelecimento de parcerias é a implementação de sistemas de avaliação de desempenho dos funcionários públicos ou a criação de organismos semiautónomos, como o Instituto Cultural, a Fundação Macau, o Instituto do Desporto e a Direcção dos Serviços de Turismo.

Outro exemplo apresentado é a “importante reforma” feita em 2011 com o regime de Recrutamento e Selecção de Trabalhadores da Administração Pública, que determinou que “os funcionários públicos são recrutados e nomeados com base nos resultados de concursos públicos e nas suas competências, assegurando assim a equidade e a meritocracia no processo de recrutamento”, é referido, citando um estudo de 2016.

Por sua vez, destaca-se “o contraste com os princípios” dos anos da Administração portuguesa, referido como um “sistema de patronagem, no qual as nomeações eram fortemente influenciadas pelas ligações à elite governante”, é citado.

O que ficou

O estudo considera que o actual modelo de Administração é também fruto de do que se fez antes de 20 de Dezembro de 1999. Tratava-se de um “modelo de gestão pública frequentemente criticado por negligenciar as necessidades e perspectivas dos intervenientes externos”, além de ter “uma abordagem relativamente descontraída e flexível”.

“Após a transferência de soberania, o Governo de Macau manteve grande parte do modelo de governação herdado do período colonial, permanecendo fortemente influenciado pela cultura administrativa portuguesa”, pode ler-se.

Caracterizam-se ainda os anos do funcionalismo público português como um sistema “marcadamente burocrático, lento, excessivamente pesado e mais orientado para a sua própria manutenção do que para a prestação eficaz de serviços públicos”, destacam os autores, citando outros estudos sobre o tema.

Além disso, o estudo descreve, que durante a Administração portuguesa, a Função Pública “operava sob clientelismo, inspirando-se em diversos estilos de administração pública portuguesa”.

Desta forma, “o sistema governativo burocrático de Macau reflecte uma herança da governação centralizada portuguesa, conjugada com a integração do sistema de soberania chinês”. A reforma que as autoridades tentam levar a cabo “evidencia uma relação complexa entre um legado colonial profundamente enraizado e as necessidades dinâmicas de uma Região Administrativa Especial moderna, no âmbito do princípio ‘Um País, Dois Sistemas'”, acrescenta-se.

Leung Sok Ieng e Ansoumane Douty Diakite entendem que as heranças do período de administração portuguesa deixaram problemas como o “enquadramento legislativo de matriz colonial, a sobreposição de competências entre departamentos governamentais e a inexperiência de parte da elite administrativa”. Em causa estão “desafios significativos para a reforma da administração pública”.

Persistem também “barreiras linguísticas e desfasamento do enquadramento jurídico face às necessidades contemporâneas”.

4 Ago 2026

Consumo | Plano de incentivo com concertos não resultou, diz Governo

O Governo, através da secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, admitiu que o modelo de incentivo ao consumo em bairros com menos turismo, com recurso a bilhetes de concertos, não teve os resultados esperados.

“Após análise das experiências anteriores, o Governo da RAEM considera que ainda é possível melhorar o modelo de consumo nos bairros comunitários impulsionado pelos bilhetes de concerto”, disse a secretária em resposta às interpelações orais dos deputados Lee Koi Ian, Ngan Iek Hang e Wong Kit Cheng, apreentadas no hemiciclo.

Ao reconhecer o fracasso do plano, a governante adiantou que “o Governo da RAEM irá optimizar o mecanismo de consumo conjunto dos bilhetes e empenhar-se na promoção de novas actividades culturais e desportivas”.

Ficou ainda a promessa de estudar o “lançamento de mais medidas de benefícios de consumo nos bairros comunitários destinadas aos turistas, com vista a atrair mais visitantes para estes locais e dar um novo impulso à economia comunitária”.

A secretária adiantou ainda aos deputados alguns dos “trabalhos prioritários” que pretende desenvolver para incentivar o consumo em zonas menos turísticas de Macau, como a colaboração “com associações industriais e comerciais na realização de actividades que integram elementos como feiras temáticas, benefícios de consumo, gastronomia, cultura e desporto”. Não faltam ainda os “itinerários turísticos comunitários temáticos” ou “ofertas exclusivas na restauração e comércio” em parceria com operadoras de jogo.

Na resposta aos deputados, a secretária adiantou também que o “Plano Autocarro de Turismo e Lazer: Explorar o Encanto dos Bairros” fui usado por cerca de 20 mil pessoas. Recentemente o plano foi alterado, passando agora a incluir a zona do Fai Chi Kei “como novo ponto de paragem”.

3 Ago 2026

PME | Aprovados planos para 20 novas lojas em Macau

Ng Wai Han, secretária para a Economia e Finanças, disse no hemiciclo que o “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau” deu aprovação a 20 projectos para a abertura do primeiro negócio, isto entre 1 de Novembro de 2025 e Julho deste ano.

Segundo adiantou a governante aos deputados, “alguns já abriram a sua primeira loja física em Macau e iniciaram operações em áreas como a restauração, desportos electrónicos (e-sports) e experiências imersivas de produtos, introduzindo novos modelos e serviços no território”.

Além disso, “o plano registou, até à data, um total acumulado de cerca de 750 consultas, continuando a receber novas candidaturas”, disse.

Uma das condições de acesso ao apoio é que os novos empresários contratem, no mínimo, “cinco trabalhadores locais a tempo inteiro”. Além disso, “com o intuito de incentivar as empresas a manter operação contínua, o apoio é concedido em três prestações: a primeira prestação de 40 por cento é concedida após a abertura e as duas restantes prestações (40 e 20 por cento) ficam condicionadas a acompanhamento e verificação periódicos pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento, sendo desembolsadas apenas após confirmação do cumprimento contínuo dos requisitos”.

A secretária adiantou que quase metade das candidaturas, “cerca de 46 por cento”, relativas à primeira fase do programa, tem “localização em zonas específicas, nomeadamente no NAPE, na área de San Kio e na Areia Preta”. Estes dados foram referidos em resposta à interpelação oral do deputado Chan Lai Kei.

3 Ago 2026

Comércio externo | Governo admite rever licenciamento

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, admitiu que é necessário rever a Lei do Comércio Externo. Uma das mudanças irá passar por definir “prazos de validade das licenças de acordo com o nível de risco das mercadorias”

O Governo promete rever algumas das disposições constantes na Lei do Comércio Externo. A garantia foi dada pela secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, na sessão plenária de sexta-feira, que serviu para responder a interpelações orais dos deputados.

Em resposta ao deputado José Pereira Coutinho, a secretária explicou que o Governo “considera necessário rever a situação da aplicação da ‘Lei do Comércio Externo'”, nomeadamente no que diz respeito à revisão do Regulamento das Operações de Comércio Externo, datado de 2003.

Ng Wai Han adiantou que uma das alterações passa pela “fixação dos prazos de validade das licenças por níveis de risco”, sendo que “para as mercadorias de alto risco, o prazo de validade das licenças será semelhante ao actualmente previsto, enquanto para as mercadorias de médio risco, o prazo será prolongado”.

O Executivo quer ainda fazer o “ajustamento do âmbito de aplicação do regime de licenciamento”, onde as “mercadorias de baixo risco serão excluídas das actuais listas de importação e exportação, passando a reger-se pelo regime de declaração”.

Digitalização em marcha

Outra mudança que a secretária anunciou na sexta-feira, no âmbito do comércio externo, passa pela “preparação para a utilização múltipla das licenças electrónicas”.

Assim, “será reservada margem, a nível jurídico, para proporcionar suporte institucional à futura utilização múltipla, dentro do prazo de validade, das licenças electrónicas requeridas através do sistema de declaração alfandegária electrónica”, para “reduzir os custos operacionais das empresas”.

A secretária disse esperar que, com estas alterações, se possa “optimizar ainda mais o regime de gestão do comércio externo, facilitar o funcionamento das empresas e alcançar o seu objectivo de acção governativa de melhorar o ambiente de negócios”.

Na interpelação oral, o deputado referiu a necessidade de modernização tendo em conta as novas necessidades com a cooperação entre Macau e Hengqin e a chegada da inteligência artificial (IA).

Lembrando que a Lei de Comércio Externo de Macau de 2003 existe “há mais de 20 anos”, Coutinho referiu a necessidade de “actualizar e adaptar” o diploma para responder “aos desafios significativos derivado do aumento de postos e fluxo transfronteiriços, o impacto da IA e os desafios de competitividade regionais e internacionais”.

O deputado realçou a “urgência da revisão”, sobretudo quanto à necessidade de “simplificar procedimentos administrativos, reduzir a burocracia e os custos de contexto tanto para as autoridades competentes como aos operadores económicos”.

Quanto a Hengqin, deu o exemplo concreto da necessidade de “harmonização com os regimes especiais vigentes na Zona de Aprofundamento de Hengqin, nomeadamente o reconhecimento mútuo dos sistemas legais higio-sanitárias dos produtos perecíveis incluindo os enlatados, mariscos secos etc., implementando concretamente o princípio de circulação facilitada de mercadorias e o sistema de ‘duas linhas aduaneiras’”.

3 Ago 2026

Plano de subsídios a combustíveis correu como previsto, diz Governo

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, adiantou na Assembleia Legislativa (AL), na sexta-feira, que o plano de subsídios para combustíveis obteve os resultados esperados, não tendo adiantado se vai ou não lançar outra fase de apoios.

“Os planos decorreram de forma tranquila e alcançaram os objectivos esperados de aliviar a pressão a curto prazo, estabilizar os preços e assegurar a vida da população”, disse, referindo-se aos “Plano de subsídio aos preços do gasóleo” e “Plano de subsídio aos preços do gás de petróleo liquefeito e da gasolina”, lançados nos dias 11 e 26 de Maio deste ano.

Em resposta à interpelação oral do deputado Nick Lei, a secretária adiantou também que desde o lançamento destes apoios o grupo de trabalho criado pelo Governo tem “vindo a fiscalizar de perto a situação de execução por parte dos fornecedores de combustíveis aderentes aos Planos”.

“Após a análise da evolução actual e futura do mercado internacional do petróleo, e tendo em plena consideração o princípio da utilização prudente dos recursos financeiros públicos, o Governo encerrou, como previsto, os dois planos de subsídio respectivamente nos dias 10 e 25 de Julho”, referiu ainda.

A secretária esclareceu que têm sido realizadas, desde Março, “diversas reuniões com o sector petrolífero para se inteirar da situação do abastecimento e da importação de produtos combustíveis”, tendo sido exigido ao sector que “estabilize os preços e assegure um abastecimento suficiente”.

Faça o favor

Foi ainda feito um apelo “para ajustar, com a maior brevidade, os preços a retalho dos combustíveis em Macau em função da evolução dos preços internacionais do petróleo, em resposta às solicitações dos sectores industrial e comercial e às expectativas da sociedade”.

A secretária destacou também que as autoridades continuam “a incentivar o sector para disponibilizar escolhas mais variadas de combustíveis no mercado local, nomeadamente para estudar a introdução de gasolina sem chumbo de 95 octanas”.

Foi também apresentada uma proposta à área dos Transportes e Obras Públicas para que, “em futuros concursos públicos de adjudicação de terreno para novos postos de abastecimento de combustíveis, seja considerado exigir aos operadores a introdução de novas marcas e novas categorias de combustíveis”, frisou Ng Wai Han.

3 Ago 2026

Centro dedicado a cinema e televisão arranca no próximo mês

O Instituto Cultural (IC), em parceria com o Instituto do Desporto (ID), organiza no próximo mês de Agosto uma série de actividades em torno da cultura, património e desporto, pensadas para residentes, mas não só.

Uma das novidades passa pela entrada em funcionamento, a título experimental, do Centro de Serviços da Indústria Cinematográfica e Televisiva de Macau. Esta entidade visa “reforçar o apoio aos talentos cinematográficos e televisivos de Macau e com o Interior da China”, sendo uma iniciativa do IC. Dar-se-á início a “testes de articulação de projectos, coordenação de recursos do sector e organização de actividades de articulação empresarial”, sempre em conjugação com a província de Guangdong.

Outra das iniciativas, relata um comunicado do IC, foca-se na área do turismo cultural e tem como nome “À Descoberta da História de Macau”. Terá lugar “entre meados de Agosto e final de Setembro”, todos os sábados e domingos.

Trata-se de um roteiro que “interliga três pontos de interesse cultural e turístico com significado histórico”, nomeadamente o Local da Assinatura do Tratado de Mong-Há, o Museu Memorial de Xian Xinghai e a Antiga Residência do General Ye Ting. Serão disponibilizados autocarros de ligação para transportar os participantes a partir da Rua de D. Belchior Carneiro (junto às Ruínas de S. Paulo) ou da Rua do Cunha, na Taipa.

No que diz respeito à terceira edição do Festival de Artes para Crianças de Macau, serão organizadas mais sessões extra tendo em conta a adesão do público. Assim, em Agosto, “prossegue uma variedade de peças de teatro e espectáculos para crianças”, ocorrendo, todos os fins-de-semana, o “Paraíso MICAF” e a “Livraria das Crianças”, em formato pop-up. Nas duas últimas semanas do mês, entre sexta-feira e domingo, acontece o “Dia de Diversão MICAF – Artes em Festa”, com a apresentação da “Festa da Diversão Aquática” e “Festa de Espuma”.

Destaca-se também o evento “Arte à Solta – ondas culturais ao fim de semana”, que continua a ter lugar às sextas, sábados e domingos no Anim’Arte NAM VAN, com “bancas de gastronomia e de produtos culturais e criativos, a par de uma programação rotativa de espectáculos e workshops de experiências” na área do Património Cultural Intangível.

Desporto para todos

Será organizado ainda, nos dias 29 e 30 de Agosto, o “Viva o Verão: Festival Competitivo de Verão 2026”, a ter lugar no Campo de Hóquei do Centro Desportivo Olímpico. Este festival “combina jogos lúdicos competitivos com trabalho de equipa, incluindo provas destinadas a jovens e adultos”, sem esquecer “actividades específicas para famílias, que permitem aos pais e filhos sentirem, em conjunto, o prazer do trabalho em equipa e da prática desportiva”.

Por sua vez, a 9 de Agosto acontece o Torneio de Badminton, na categoria “Open”, das séries “Taça Hengqin-Macau” 2026, na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau. A competição será disputada em formato de torneio por equipas mistas, incluindo as modalidades de singulares masculinos, singulares femininos, pares masculinos, pares femininos e pares mistos.

O ID vai ainda promover “actividades recreativas e desportivas diversificadas nos bairros comunitários ao longo de todo o mês”, é referido na mesma nota. Entre elas, incluem-se as “Actividades Promocionais ao Ar Livre do “Desporto para Todos” nas Ilhas e em Macau”, bem como as “Aulas de Experiência de Modalidades Desportivas para Trabalhadores e Residentes”, entre outras.

31 Jul 2026

Concerto | Cristina Branco actua em Zhuhai em Setembro

Acabam de ser anunciadas novas datas do Festival Fado na China, que este ano traz ao Oriente a fadista Cristina Branco. Além das actuações, em Setembro, nas cidades de Pequim e Xangai, Cristina Branco actua também no Zhuhai Grand Theater no dia 10 de Setembro

A cidade de Zhuhai recebe, a 10 de Setembro, uma voz que, mais do que ser portuguesa, representa também o Fado contemporâneo. Trata-se de Cristina Branco, artista que é protagonista deste ano do Festival Fado, que se apresenta, pela primeira vez, na cidade vizinha.

A 10 de Setembro, Cristina Branco sobe ao palco do Zhuhai Grande Theater a partir das 20h, sendo este concerto precedido da exibição do filme “Do Bairro”.

A iniciativa, da produtora Everything is New, passa também pelas cidades de Xangai e Pequim. Na capital chinesa, o concerto está agendado para o dia 6 de Setembro e inclui o concerto de Cristina Branco no Forbidden City Concert Hall, a partir das 19h30. Antes, às 18h, o músico Rodrigo Costa Félix dá uma conferência, sendo também exibido, nesse dia, o filme “Fado do Bairro”. Por sua vez, na biblioteca da Renmin University of China estará patente a mostra “História do Fado”.

No dia 5 de Setembro, é a vez da cidade de Xangai receber, no Shanghai Oriental Arts Center, o concerto de Cristina Branco e conferência de Rodrigo Costa Félix. Será exibido o filme “Fado e os Bairros”.

Segundo um comunicado da Everything is New, o festival visa “oferecer ao público um repertório que nos conduz numa viagem imersiva de redescoberta do Fado, explorando as suas profundezas e nuances emocionais”.

Esta edição é tem como mote “O Fado e os bairros de Lisboa”, destacando-se em todas as paragens pela China “a profunda ligação entre o fado e os bairros históricos de Lisboa, como Alfama, Mouraria, Bairro Alto ou Madragoa”. Segundo a organização, estes lugares, que permanecem “no centro da memória popular lisboeta, acompanharam o nascimento e a transmissão desta tradição musical urbana”.

Cartaz recheado

A organização destaca ainda um programa que traz “música, palavra e da imagem”, numa “viagem ao coração de uma Lisboa cantada, entre herança e criação contemporânea”. Trata-se de um evento “itinerante dedicado à promoção do fado e da cultura portuguesa”. O Festival Fado já vai na 16.ª edição – celebrada este ano – decorrendo em 21 grandes cidades da Europa, África, América Latina e Ásia.

Cristina Branco conta com 19 álbuns editados e inúmeros concertos em todo o mundo, sendo “uma verdadeira embaixadora da cultura portuguesa”.

“A música tradicional é a sua principal raiz estética, mas a influência do jazz, da literatura e dos músicos com quem partilha o palco, imprimem à sua arte um cariz universal e um encanto sublime. A sua obra é um enorme contributo para a divulgação e defesa da música, da língua e dos autores portugueses”, refere ainda a produtora Everything is New.

31 Jul 2026

Aperfeiçoamento contínuo | Mais de 41 mil idosos participaram no programa

A 5.ª edição do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo contou com mais de 41 mil participações de idosos “em diversos tipos de cursos”, disse ontem a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. “Mais de 11 mil dessas participações foram em mais de 3400 cursos na área dos cuidados de saúde e bem-estar”, acrescentou, nomeadamente em temas como “serviços e educação para idosos”, “enfermagem” e ainda “bem-estar e cuidados de saúde”.

Apesar destes números, o deputado Kevin Ho considerou, na sua interpelação oral, que faltam mais cursos na área da saúde, no âmbito deste programa, dirigidos à terceira idade. “Muitos idosos, devido à idade ou estado de saúde, têm dificuldade em encontrar cursos que lhes sejam adequados, logo, uma parte dos subsídios não foi efectivamente aproveitada. Actualmente, os cursos que contam com a participação de idosos “recaem, na sua maioria, sobre actividades culturais, recreativas e desportivas”, apontou.

Desta forma, Kevin Ho sugeriu que as autoridades “reforcem a promoção de cursos sobre a saúde holística e os autocuidados”, tendo a secretária referido que “concorda com essas sugestões”. “Os Serviços de Saúde vão tomar como referências o ‘Inquérito sobre a Saúde de Macau’ e os dados de saúde recolhidos regularmente”, disse, além de prever uma colaboração com a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) “no âmbito da base de formação em medicina familiar”, no que diz respeito à supervisão da “configuração e a qualidade dos cursos” e na emissão de “orientações específicas”.

31 Jul 2026

Governo quer criar “postos físicos” de saúde mental no próximo ano

O Governo pretende criar, em 2027, o que chama de “postos físicos” de apoio de saúde mental. Em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, explicou que “o Governo da RAEM está a planear a criação de postos físicos, cuja entrada em funcionamento está prevista para o segundo trimestre do próximo ano”.

A ideia é que as pessoas que sintam necessidade de apoio possam “deslocar-se pessoalmente aos referidos postos ou contactá-los por via telefónica para receber os respectivos serviços”. O objectivo do Executivo, com este novo serviço, é “aperfeiçoar ainda mais a ‘rede de protecção da saúde mental'”.

Além disso, a secretária destacou o trabalho que tem sido feito pelo Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Saúde Física e Mental, ainda em fase experimental, referindo que há uma equipa multidisciplinar composta por agentes de aconselhamento, assistentes sociais e pessoal médico que acompanham os casos. “Após uma avaliação unificada da equipa interdepartamental, são providenciados à população os serviços médicos apropriados, apoio emocional e assistência social, assegurando assim a afectação razoável de recursos e a coordenação perfeita na prestação de serviços.”

O Lam alertou ainda para o facto de muitas pessoas terem receio de expor os problemas de saúde mental que enfrentam, nomeadamente “muitos estudantes que não querem contactar directamente os agentes de aconselhamento porque não querem que as escolas saibam do seu caso”. Para este tipo de situações foram criadas “mais linhas de comunicação, com resultados positivos”.

Enquanto isso, Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), disse que “os directores de turma e outros responsáveis têm formação nesta matéria”, enquanto “os agentes de aconselhamento têm 15 horas de formação por ano”. “Em relação ao aumento de recursos, esperamos trabalhar melhor nesta matéria no futuro”, frisou ainda.

Silêncio dos mais velhos

Durante o debate, o deputado Lam Lon Wai alertou para o facto de “os problemas dos alunos serem complexos e diversificados”, sendo necessárias “muitas pessoas para acompanhar os problemas”. Já Chan Lai Kei questionou se na futura cidade universitária, em Hengqin, será feito um investimento “em mais recursos para formar talentos” na área da saúde mental.

Se os alunos parecem ter problemas em pedir ajuda, também os idosos têm essa dificuldade, segundo destacou o deputado Che Sai Wang. “Estou preocupado com os idosos, sobretudo na identificação dos casos de depressão. Os idosos não procuram apoio por sua iniciativa, e ao pedirem ajuda médica é difícil ver as razões e motivos da doença. Se essa rede só depender dos próprios idosos para pedir ajuda, isso não vai resolver o problema, e há que criar mecanismos activos para a identificação dos problemas.”

Neste sentido, o deputado questionou “se além dos serviços comunitários, como podem ser reforçados os serviços no centro de saúde e a capacidade do pessoal da linha da frente”.

31 Jul 2026

Saúde | Esperas nas urgências diminuíram 10% no primeiro semestre

O deputado Che Sai Wang perguntou, e a secretária O Lam respondeu: o tempo médio de espera no serviço de urgência baixou cerca de 10 por cento na primeira metade do ano. O Governo anunciou a criação de um serviço de acompanhamento dos tempos de espera na Conta Única de Macau

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, disse na Assembleia Legislativa (AL) que hoje se espera menos na urgência do que há um ano. Em resposta a interpelação oral do deputado Che Sai Wang, a governante referiu que no primeiro semestre deste ano, “o tempo médio diário de espera na Urgência de Adultos foi de 54 minutos, o que representa uma diminuição de 10 por cento em termos homólogos”.

Além disso, “a proporção de utentes com tempo de espera superior a duas horas fixou-se em 7,8 por cento, registando uma descida progressiva face aos 10,6 por cento registados no período homólogo do ano passado”, acrescentou a secretária.

O Lam adiantou também que o hospital das ilhas, o Centro Médico de Macau Union, começou a ter serviços de urgência igualmente no primeiro semestre deste ano, “tendo assegurado mais de 15 por cento do volume global dos serviços de urgência públicos”, referiu, desviando doentes do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

A secretária explicou aos deputados que é feita uma “análise contínua dos dados estatísticos do Serviço de Urgência, incluindo o número de atendimento em diferentes períodos, o tempo médio de espera e as condições de serviços”, a fim de se decidir quanto à alocação e “optimização dos serviços”.

Neste contexto, O Lam anunciou a criação da plataforma “Facilidade de Espera” na aplicação móvel “Conta Única de Macau”, em conjugação com os Serviços de Administração e Função Pública. A ideia é que os utentes possam acompanhar, em tempo real, os períodos de espera nas várias unidades de saúde, públicas e privadas, com informações sobre o nível de afluência em diferentes alturas.

Médicos: será que chegam?

No debate de resposta a interpelações dos deputados, O Lam esclareceu que os 35 médicos de clínica geral “recentemente recrutados pelos Serviços de Saúde (SS) já começaram a ser integrados, de forma faseada, no Serviço de Urgência, elevando a sua capacidade de atendimento”. Desta forma, o Executivo assegura que “os dois hospitais públicos procederão ao ajustamento dinâmico da dotação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio com base no número de atendimento do Serviço de Urgência nos períodos de maior afluência, bem como no período nocturno, feriados e épocas de gripe”.

Apesar dos esclarecimentos, os deputados não deixaram de apresentar dúvidas, nomeadamente Pereira Coutinho, companheiro de bancada de Che Sai Wang, que apelou a O Lam para verificar, presencialmente, o panorama dos serviços de urgência.

“A secretária disse que há 35 médicos gerais que estão a ser integrados nos serviços de urgência, mas se tiver tempo, a senhora secretária pode ir à urgência verificar a situação, porque há falta de pessoal. O pessoal não tem sequer tempo para frequentar acções de formação, nem para descansar”, acusou.

Já Leong Pou U alertou para o aumento do número de utentes face ao menor aumento de pessoal médico e de enfermagem. “Em 2022 havia 452 médicos e 1.034 enfermeiros, e em 2024 havia 435 médicos e 1.110 enfermeiros. O número de utentes aumentou de 480 mil para 500 mil. No serviço de urgência passou de 230 mil para 300 mil. De facto, o número de trabalhadores não foi alterado, mas o número de utentes aumentou bastante e isso agrava a pressão sentida pelos trabalhadores da linha da frente.”

O deputado inquiriu ainda a secretária sobre os novos médicos contratados. “Disse que foram recrutados mais 35 médicos gerais, mas será que são suficientes para lidar com o aumento da população e com o facto de a sociedade estar a envelhecer?”, questionou.

31 Jul 2026

Lisboa | Ana Jacinto Nunes apresenta nova exposição

É na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, ligada ao Museu da Água, que a artista portuguesa Ana Jacinto Nunes, com ligações a Macau, apresenta a sua mais recente exposição. “Seres d’Água” tem animais que não são bem isso, a mulher e muitas reflexões interiores em forma de pintura, escultura e desenho

Ana Jacinto Nunes, artista plástica que já viveu e expôs em Macau, apresenta até ao dia 12 de Agosto a sua nova exposição, “Seres D’Água”, patente na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, ligada ao Museu da Água. A curadoria está a cargo de Ricardo Barbosa Vicente, podendo ser vistos trabalhos mais antigos e actuais, alguns deles já apresentados em Macau. Aqui, a água é tema central num conjunto de obras que também acarretam consigo introspecções e reflexões.

Como se lê na descrição da exposição, “a água atravessa tudo: está nos corpos, nas paisagens, nas memórias e nas formas que habitam a nossa imaginação”, sem esquecer “o movimento constante da transformação”.

Apresenta-se, assim, “um conjunto de obras em cerâmica, desenho sobre têxtil, pintura e objectos que nos convidam a explorar um universo onde o humano, o animal, o vegetal e o imaginado se encontram”. Estabelece-se ainda “um diálogo entre arte contemporânea e património, propondo uma reflexão sobre a água enquanto força criadora, transformadora e agregadora”.

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Ao HM, a artista revela um pouco sobre aquilo que pode ser visto no Museu da Água. “O meu trabalho tem muitos animais, muitas pessoas, normalmente mulheres. Aliás, tem quase sempre mulheres. É muito raro haver um homem na minha obra, talvez porque se transforma em metáforas e bichos. Ou porque, simplesmente, já é difícil saber de mim.”

As obras onde a mulher surge em maior evidência são “Escultura ser de água + plinto”, em grês; ou “Anjo”, com 73 azulejos montados sem plástico com uma chapa de metal. Estas obras datam deste ano. Já na pintura, “Vertigo (Flamingo)”, a mulher também está em destaque, por entre tons brancos e rosa, numa instalação deste ano com o desenho de uma mulher feita num pedaço de cambraia de algodão.

O lugar do feminino

Ana Jacinto Nunes tem hoje uma relação mais próxima com o jardim de sua casa do que antes, estando presente no seu processo de criação. Assume ter “preocupações que, provavelmente, são comuns a muitas mulheres”, e que passa por “saber o que é que estamos aqui a fazer”, por exemplo.

“Só me tenho a mim como modelo, e a pergunta e resposta é sempre dentro de mim e não com os outros, portanto, estas perguntas essenciais que se fazem são comigo. De masculino tenho muito pouco”, responde a artista quando questionada sobre a forte presença da mulher na sua obra.

O feminino é, portanto, “a sua vida”, enquanto que os animais dos seus projectos não são sempre isso, podendo ser “metáforas”. “Não são necessariamente animais. Alguns serão, na sua maioria, ou não existem. Os pássaros podem não existir – não são os pássaros do meu jardim. Se calhar, são uma metáfora para a liberdade, para os voos, para o sair, para a evasão. Outros bichos serão o meu filho, a minha filha, o meu namorado, o meu pai, a minha mãe”, acrescenta.

Sobre “Into Slumber”, um desenho de acrílico feito em pano cru, de 2014, retrata-se uma espécie de sonho. “Os sonhos, bichos, plantas, pessoas podem ser todas uma amálgama, o que, no fundo, somos. Achamos que somos todos separados, mas não. Não há como se dizer isto de outra forma, a água é vida.”

Ana Jacinto Nunes recorda uma mostra feita em 2008, intitulada “O Vestido Azul e Outros Banhos”, para mostrar a importância fulcral da água. “Quando vestes um vestido azul, estás de volta de azul, quando tomas um banho de banheira, estás imersa, e quando tens filhos, és parte de uma família. Quando te pões num jardim, és parte dele. Sem água, não cresce nada, e se as plantas não crescerem, se não derem refúgio aos pássaros e aos roedores… Se eu não regar, nada cresce, e nada vai aparecer. Tal como na nossa vida: se não pensarmos, não lermos, não procurarmos, não vamos colher nada”, rematou.

30 Jul 2026

Paul French, autor de “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” e jornalista: “Novos diários e cartas são janelas únicas”

Já está em pré-venda o novo livro de Paul French que retrata a vida do último imperador da China. “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” nasceu da descoberta de novas fontes documentais. O livro, que estará nas bancas em meados de Agosto, acrescenta detalhes à história de Puyi e da imperatriz Wanrong

Puyi é uma figura histórica muito retratada, inclusive no cinema, mas a sinopse do livro revela que existem novos segredos sobre a vida do último imperador da China. Quais são as principais revelações desta obra e que arquivos consultou?

Nunca pensei que acabaria por escrever a história de Puyi, o Último Imperador. Adorei o filme de Bernardo Bertolucci, de 1987 (que estreou quando eu estava na universidade a estudar chinês), e revi-o inúmeras vezes. No entanto, tive a felicidade de encontrar novos documentos em vários arquivos, incluindo cartas da última imperatriz, Wanrong, e de Sir Reginald Johnston, o escocês que ficou conhecido por ter sido tutor de Puyi. Mais tarde, ouvi falar de Isabel Ingram, que foi professora de inglês e amiga próxima de Wanrong. A sua família, nos Estados Unidos, deixou-me consultar as cartas e diários que escreveu durante o período em que viveu na Cidade Proibida com o imperador, a imperatriz e Johnston. Estas novas fontes — cartas, diários e algumas fotografias — contam uma história ligeiramente diferente sobre a relação entre Puyi e Wanrong nos primeiros anos de casamento (o último casamento imperial da China) e colocam também Isabel Ingram no centro da narrativa, depois de ter sido omitida tanto das memórias de Johnston, “Twilight in the Forbidden City”, de 1934, como do filme de Bertolucci.

Por que decidiu escrever um livro sobre Puyi? O que considera mais fascinante na vida do último imperador da China?

Existem muitos livros sobre Puyi, sobretudo em chinês, incluindo as suas próprias memórias, “From Emperor to Citizen”, editado em 1964. Contudo, as novas fontes a que tive acesso trazem uma luz inédita sobre os dois anos decisivos entre o casamento imperial, no final de 1922, e a expulsão da família imperial de Pequim, no final de 1924. Durante esse período, Puyi e Wanrong tiveram de aprender a conhecer-se (o casamento foi, naturalmente, arranjado), vivendo confinados na Cidade Proibida, no coração de Pequim, uma cidade onde não podiam circular livremente, numa China que já se tinha tornado uma república. Foi uma fase extremamente difícil, agravada por um incêndio devastador que quase destruiu toda a Cidade Proibida, pela decisão de Puyi de expulsar os eunucos por roubarem tesouros imperiais e, por fim, pela sua própria expulsão, conduzida pelo senhor da guerra Feng Yuxiang, que acabou por o empurrar para a influência japonesa. Tudo isto foi testemunhado de perto por Johnston e Ingram, pelo que os seus novos diários e cartas constituem janelas absolutamente únicas sobre esses dois anos tão extraordinários.

Como descreveria Puyi enquanto imperador e político, particularmente na sua relação com os japoneses? Foi um estratega ou um derrotado pelas circunstâncias?

Era apenas um rapaz e, depois, um jovem adulto. Quando foi expulso da Cidade Proibida tinha pouco mais de vinte anos. Nasceu completamente fora do seu tempo. Foi proclamado imperador antes de completar três anos, por decisão da imperatriz viúva Cixi, e nunca chegou verdadeiramente a conhecer uma China monárquica. A sua situação era única: era um imperador sem império, um soberano sem reino. Não tinha qualquer papel nem uma função real. Escapou ao destino dos Romanov, na Rússia (a execução), mas foi condenado a viver encerrado naquela cidadela murada que era a Cidade Proibida. Na verdade, nunca pôde escolher praticamente nada na sua vida: nem a educação, a casa ou o casamento. Será assim surpreendente que tenha sido politicamente ingénuo e que tenha tomado más decisões? Também não ajudou o facto de o seu principal tutor, Reginald Johnston, lhe ter incutido a ideia de que era um imperador ao nível do rei de Inglaterra ou do imperador do Japão. Além disso, não devemos esquecer que Puyi era manchu, o último imperador de uma das duas “dinastias conquistadoras” da China (a outra foi a dinastia mongol Yuan). Assim, depois da expulsão de Pequim, ficou completamente sozinho, mal aconselhado e impreparado, acabando por se transformar num fantoche dos japoneses na Manchúria. O grande sinólogo de Harvard, John K. Fairbank, considerava Puyi o fim de mil anos de história imperial, da longa sucessão dos “Filhos do Céu” que tinham proporcionado à China um sentimento de unidade e continuidade, agora destruído pela modernidade, mudança e republicanismo. Segundo Fairbank, Puyi foi “a última pedra apanhada sob este rolo compressor” que representou o colapso da dinastia Qing, o nascimento da República e, posteriormente, a guerra contra o Japão.

Puyi tinha curiosidade sobre o mundo ocidental? Que visão tinha para a China?

Puyi acreditava na monarquia e naquilo a que hoje chamaríamos o “direito divino dos reis e imperadores”. Essa convicção foi reforçada pelos seus professores, sobretudo por Reginald Johnston. Acreditava que talvez pudesse tornar-se um monarca constitucional, à imagem da família real britânica: uma figura simbólica, sem poder político ou legislativo. Johnston incentivava essa ideia. Na verdade, algumas figuras do governo nacionalista de Sun Yat-sen e também alguns senhores da guerra do norte da China viam essa possibilidade com simpatia. Puyi tinha curiosidade pelo Ocidente. Queria estudar em Oxford e via filmes mudos de Hollywood. Contudo, a sua posição e o momento histórico em que viveu eram demasiado singulares para que pudesse realmente conhecer o mundo para além dos muros da Cidade Proibida.

Puyi teve várias esposas, uma das quais desenvolveu dependência do ópio. Como eram essas relações?

O meu livro centra-se sobretudo na relação entre Puyi e Wanrong. Ambos eram adolescentes quando o casamento foi arranjado. As narrativas chinesas e ocidentais sempre apresentaram esta união como um casamento sem amor (e, naturalmente, sem filhos), retratando Puyi como uma pessoa fria, emocionalmente distante e até assexual. No entanto, os diários de Isabel Ingram relativos aos últimos dois anos na Cidade Proibida e as cartas de Johnston escritas na época mostram um casal muito diferente. Eles eram próximos. Ingram afirma claramente que existia carinho e intimidade física entre ambos. Jogavam ténis juntos, andavam de bicicleta, viam filmes, encomendavam refeições de hotéis ocidentais de Pequim para experimentar novos sabores e partilhavam uma paixão comum pela fotografia. Quando Puyi teve de tomar decisões difíceis, Wanrong apoiou-o. Mais tarde, já na Manchúria, após a expulsão, acabaram por se afastar. Wanrong percebeu que Puyi tinha cometido erros gravíssimos, caiu na dependência do ópio e morreu ainda jovem. Foi uma verdadeira tragédia. O meu livro apresenta também novas fontes sobre a relação entre Puyi, Wanrong e Wenxiu, a sua consorte.

Que detalhes desses relacionamentos pode destacar?

Ao contrário da imagem tradicional de rivalidade, Wanrong e Wenxiu eram amigas e apoiavam-se mutuamente nas circunstâncias muito particulares em que viviam. Incluo cartas e passagens de diários que descrevem animadas festas nos jardins, frequentadas pelos três, bem como fotografias onde aparecem juntos a rir, a sorrir em piqueniques, a fumar e até a brincar em baloiços. Mais tarde, Wenxiu acabaria por “divorciar-se” de Puyi, e tudo indica que ele lhe desejou sinceramente felicidade para o resto da vida. Tanto a relação de Puyi com Wanrong como com Wenxiu, assim como a amizade entre as duas mulheres, são documentadas através destas novas fontes e revelam uma história muito diferente daquela que durante décadas imaginámos.

Pu Yi viveu até meados da década de 1960, atravessando a guerra civil chinesa e o início da Revolução Cultural. Como viveu esse período? Que visão tinha do maoísmo?

Naturalmente, é impossível ignorar que, ao aceitar tornar-se imperador do Manchukuo, o Estado fantoche criado pelos japoneses na Manchúria, e ao apelar aos chineses para que não resistissem ao Japão, Puyi foi considerado um traidor. Essa decisão marcou profundamente a forma como passou a ser visto. Foi submetido a um longo processo de “reeducação” antes de poder regressar a Pequim. Primeiro trabalhou como varredor de ruas — perdia-se constantemente porque praticamente não conhecia a cidade além da Cidade Proibida — e, mais tarde, tornou-se jardineiro. Casou novamente e esse casamento foi feliz. Recebeu alguma protecção de Zhou Enlai quando houve quem defendesse que deveria ser severamente castigado e, já no final da vida, os Guardas Vermelhos quiseram torturá-lo quando começou a Revolução Cultural. Zhou Enlai, que o convidou várias vezes para almoçar em Zhongnanhai, disse-lhe uma vez: “Não tiveste qualquer responsabilidade por te tornares imperador aos três anos… Mas és inteiramente responsável pelo que aconteceu depois.” Naturalmente, Puyi manteve-se em silêncio sobre política e sobre o maoísmo. Viveu os seus últimos anos discretamente. A sua vida tinha sido demasiado invulgar, demasiado isolada, e ele tinha sido sucessivamente manipulado pela corte Qing, pelos japoneses e, finalmente, pelos comunistas, para poder ser visto como algo mais do que uma anomalia histórica: o último imperador da China. Espero que o meu novo livro, ao revelar estas novas fontes e as perspectivas de testemunhas oculares dos últimos anos vividos na Cidade Proibida, mostre claramente um jovem que, ainda que por pouco tempo, teve a oportunidade de construir uma vida produtiva e uma relação amorosa feliz. Infelizmente, o peso da História acabou por ser demasiado grande.

30 Jul 2026

Creative Macau | Vincent Cheang apresenta nova exposição

Vincent Cheang, o rosto por detrás do espaço Live Music Association, apresenta esta quinta-feira uma nova exposição, intitulada “Dark Shards”. Trata-se de um projecto que revela ao grande público “pensamentos não expressos de dias agitados e inspirações despertadas pelas melodias da rádio”. A inauguração será acompanhada por uma actuação ao vivo

A galeria da Creative Macau acolhe, a partir desta quinta-feira, uma nova exposição. Trata-se de “Dark Shards” [Negros Fragmentos], uma exposição com trabalhos de Vincent Cheang Chi-Tat, artista e a figura por detrás do espaço Live Music Association, que depois de décadas a trazer música a Macau, funciona agora em Wanchai.

Na inauguração, que decorre entre as 18h30 e as 20h30, o público poderá ainda assistir a uma curta actuação de Vincent com os músicos Jun Kung e Chao Seng Lam. O próprio artista vai também fazer pinturas em simultâneo com a música, tratando-se de uma “colaboração ao vivo entre a música e a pintura”, disse Vincent Cheang ao HM.

Este trabalho fica depois exposto na Creative Macau, tratando-se, para Vincent Cheang, de um “trabalho escondido”, como se fosse “uma faixa escondida num CD”.

“Dark Shards” encara a arte como se fosse uma espécie de “vida em fragmentos”. Vincent Cheang encara a expressão artística não como “fruto de um cálculo deliberado, mas sim [o acto] de infundir criatividade em cada momento da vida, transformando assim a arte em registos fiéis da própria existência”.

Entre a dispersão e o início

Segundo uma nota da Creative Macau, “Dark Shards” transforma “pensamentos não expressos de dias agitados e inspirações despertadas pelas melodias da rádio, em fragmentos dispersos de escuridão”. O artista é descrito como um “coleccionador e maestro da noite”, que organiza estas melodias “e pedaços dispersos numa sequência rítmica, reorganizando o caos para forjar narrativas claras e significativas na tela”.

A ideia de “fragmentos” remete para a sensação de “estar disperso”, tratando-se de “o início de um renascimento após o fim”. Com estes trabalhos artísticos, a ideia é “explorar e encontrar a ressonância da nossa vida que perdura nestes fragmentos escuros e repletos de ritmo”.

Esta mostra surge depois de projectos como “Highway Star”, exposição apresentada em 2019; “Parallel Universe”, de 2022; “When Tat Chi Meets Chi Tat”, projecto de 2023, e “Synchronicity» da Art Macao”, do mesmo ano.

Vincent Cheang Chi-Tat é um artista que “alterna entre a estrutura disciplinada do trabalho de design e a liberdade ilimitada da expressão artística, sendo a criação o eixo central de toda a sua vida”.

Além disso, “a apresentação de um programa de rádio semanal de cinco dias confere à sua arte visual um ritmo musical natural e um fluxo tonal que definem o seu estilo característico”, é apontado.

29 Jul 2026

Plano Quinquenal | Defendido subsídio para transformação digital de PME

Na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), defendeu-se a criação de um subsídio para digitalizar empresas de pequena dimensão. Registaram-se mais de oito mil opiniões, com 92,1 por cento de “opiniões positivas”

A transformação da economia e a necessidade de adaptação das pequenas e médias empresas (PME) a uma nova realidade foi um dos temas alvo de comentários da população na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030).

Segundo o documento, ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), o tópico “Aumento da competitividade das pequenas e médias empresas (PME)” recebeu 135 opiniões, sendo que 32 pessoas opinaram sobre o “aumento do nível de digitalização e de aplicação tecnológica das PME”.

Neste âmbito, foi sugerida “a criação de um subsídio específico para a transformação digital”, bem como sugestões para a necessidade de “lançamento de um mecanismo de crédito inclusivo e de reestruturação da dívida”, ou a importância da “formação gratuita sobre marketing de inteligência artificial (IA)”.

Outro tópico abordado na consulta pública e relacionado com o tecido empresarial prendeu-se com as “políticas e medidas de apoio ao desenvolvimento das PME”, com 60 opiniões recolhidas. Aqui, foi sugerida a criação de um “mecanismo de cadeia de fornecimento”, no qual “as empresas maiores ajudarem as menores”.

Defendeu-se também o lançamento de “subsídios especiais para financiamento” e a importância da “digitalização e expansão internacional das marcas”. Foram ainda reveladas opiniões no sentido de revitalizar “espaços devolutos para os converter em locais destinados a empreendedorismo”.

Não faltou ainda uma crítica à forma como o comércio transfronteiriço está a ser feito, pois “segundo algumas opiniões, os canais de venda transfronteiriços para as PME são limitados”, existindo “falta de apoio às indústrias em termos de medidas complementares diferenciadas”.

Demografia preocupa

Ainda no que diz respeito à economia do território, registaram-se apenas quatro opiniões quanto “às tendências futuras do desenvolvimento de Macau”. Foi defendido que “se verifica uma cristalização da estrutura industrial, com um ritmo lento na promoção e desenvolvimento de indústrias emergentes”. Além disso, entende-se que “existem lacunas nos serviços complementares relacionados com vida da população e que a situação demográfica é preocupante”.

Por sua vez, registaram-se 39 opiniões sobre “principais indicadores de desenvolvimento socioeconómico”, tendo sido sugerido, por exemplo, a definição de metas “por fases no âmbito da investigação científica, aumentando progressivamente a sua proporção no Produto Interno Bruto até um mínimo de 1,5 por cento, com uma perspectiva de médio e longo prazo”, em “convergência para a média internacional de 2,6 por cento”.

Foi ainda apontada a necessidade de estabelecer “indicadores para avaliar os resultados da diversificação adequada da economia e indicadores quantitativos de desenvolvimento da indústria científica e tecnológica”.

Destacam-se as 72 opiniões registadas no tópico dedicado à economia comunitária, sugerindo-se a necessidade de “revitalização dos espaços devolutos nos bairros comunitários” ou a “emissão de vales de consumo para impulsionar o fluxo de visitantes”. As opiniões apresentadas apontam “as dificuldades de exploração das lojas nos bairros antigos”, ou a necessidade de “transformação das zonas antigas do Iao Ho e NAPE”.

IA com mais leis

O relatório da consulta pública em questão revela ainda que a IA gera preocupação, sendo pedidas mais medidas para que Macau possa melhor gerir esta realidade. Foram recebidas 27 opiniões sobre o assunto “aumento da capacidade de segurança nacional em áreas emergentes como as redes, os dados e a inteligência artificial”.

Neste contexto, “a maioria das opiniões refere que se deve acelerar a elaboração de legislação específica ou orientações relativas à aplicação” da IA. Enquanto isso, das 39 opiniões apresentadas sobre o “reforço da gestão de segurança da cidade”, há quem entenda que se deve “aperfeiçoar o sistema de alerta precoce de riscos para a segurança da cidade, recorrendo a tecnologias como megadados e inteligência artificial para permitir alertas inteligentes e uma resposta rápida a desastres e eventos súbitos”.

Pouca eficácia

Foram ainda deixadas críticas sobre o panorama do mercado financeiro no território. O tópico “desenvolvimento das indústrias de tecnologia de ponta adequada a Macau” recebeu 107 opiniões, sendo que algumas delas “destacaram que o ecossistema local para a indústria de inovação científica e tecnológica ainda é insuficiente”.

Foi também referido que “a eficácia da transformação de resultados científicos e tecnológicos permanece baixa”.

No assunto “aceleração do desenvolvimento da indústria financeira com características próprias” houve 117 opiniões. Sugeriu-se que as autoridades se devem focar “na gestão de fortunas e no mercado de títulos de dívida”, entre outros tópicos. Mas foi deixada uma ideia mais negativa: a de que “o mercado financeiro de Macau apresenta uma liquidez relativamente fraca e uma capacidade limitada” de ligações e movimentações financeiras “para os países de língua portuguesa”.

De olho em Hengqin

Uma das áreas que mais opiniões recebeu foi da Administração pública, sobretudo no que diz respeito ao “aprofundamento da reforma”, com um total de 292 opiniões.

O Governo dá conta de 36 opiniões que referiram ser necessário “persistir e aperfeiçoar ainda mais o sistema de predominância do poder Executivo”, além de necessidade de “definir claramente os limites de competência e responsabilidade dos serviços”.

Deve-se apostar também, neste contexto, na criação de “um regime de substituição de Secretários”, bem como “um regime de acompanhamento e fiscalização”.

No que concerne à digitalização de serviços públicos, o Governo recebeu 82 opiniões, que vão no sentido da necessidade de “introdução da aplicação de inteligência artificial e criação de infra-estruturas digitais eficientes e seguras”.

No que concerne à “promoção da integração profunda da vida da população”, houve 291 opiniões, sendo que 62 apontam para o alargamento “do âmbito dos pedidos de autorização de residência em Hengqin”, bem como a promoção “do uso do cantonês, caracteres tradicionais chineses e do português”.

No que concerne à habitação, foi sugerida “a possibilidade de [criação de um] modelo transitório de mudança habitacional para a aquisição de habitação de prédios antigos sem elevadores em Macau em troca, a título compensatório, de uma outra de maior dimensão em Hengqin”.

Houve 73 opiniões a defender a extensão “do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo a Hengqin”, bem como a necessidade de realizar mais acções de formação profissional entre fronteiras.

Reformar os tribunais

Outro capítulo do relatório diz respeito à “promoção da modernização do sistema jurídico”, com 29 opiniões recolhidas. Registou-se “um número significativo [de opiniões] referente à criação de um grupo de trabalho especializado” para a “reforma da legislação fundamental, com o objectivo de promover os trabalhos de alteração dos cinco grandes códigos”. Neste caso, o Código Comercial, Código Penal, Código do Processo Penal, Código Civil e Código do Processo Civil.

Houve ainda 39 opiniões sobre o tópico “aperfeiçoamento do sistema e mecanismos judiciais e aumento da eficiência judicial”. Aqui, “um número significativo [de opiniões] manifesta apoio à criação de um mecanismo sistemático e regular de divulgação das decisões judiciais dos tribunais de primeira instância”.

Além disso, recomenda-se a aposta na mediação e arbitragem, nomeadamente através da melhoria “dos mecanismos diversificados de resolução de litígios, com a redução das restrições à mediação, a formação de quadros especializados na mediação e a promoção da integração orgânica entre os procedimentos de mediação, arbitragem e processo judicial”.

A consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM decorreu entre os dias 20 de Maio e 28 de Junho, e realizaram-se 14 sessões. Foram recebidas, segundo a DSEPDR, “1.716 pareceres, num total de 8.230 opiniões, o que representa, respectivamente, 2,2 vezes e 2,6 vezes [acima] dos valores registados durante a consulta pública sobre o 2.o Plano Quinquenal”.

Diz a DSEPDR que “em termos gerais, a população apoia o conteúdo do documento”, tendo-se registado 92,1 por cento de opiniões positivas e apenas “6,9 por cento de opiniões neutras, e 1 por cento de opiniões negativas”.

O tópico “Garantia efectiva e melhoria do bem-estar da população” foi o que recebeu mais opiniões, num total de 1.777, correspondendo a 21,6 por cento do total. Seguiu-se a “Promoção sólida do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, com um total de 1.320 opiniões ou sugestões, correspondendo a 16 por cento. Por sua vez, o tema “Promoção de alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin” surge em terceiro lugar, com um total de 1.096 opiniões, correspondendo a 13,3 por cento.

29 Jul 2026

Torre de Macau | Artes e mímica para explorar até Setembro

Está aí a sétima edição de “Curiouser & Curiouser – Alice’s Kitchen War”, que até 3 de Setembro traz à Torre de Macau uma panóplia de diversão e criatividade, com instalações artísticas, espectáculos de mímica e figurinos inventivos, naquele que é descrito como “o derradeiro banquete criativo de Verão”

A Torre de Macau irá transformar-se até ao dia 3 de Setembro num espaço de entretenimento com o “Curiouser & Curiouser – Alice’s Kitchen War”, naquela que é a sétima edição do evento. O público pode desfrutar de vários formatos artísticos, nomeadamente instalações, mímica e figurinos criativos, naquela que pretende ser uma “instalação artística em grande escala que combina espectáculos de mímica interactivos, figurinos criativos e oficinas práticas”.

Segundo um comunicado da organização, fica a promessa de um “encontro vibrante de artistas locais de várias disciplinas”, criando-se “um banquete artístico repleto de surpresas e imaginação, tanto para residentes como para turistas, acompanhando as crianças ao longo de umas férias de Verão altamente criativas”.

Nos próximos dias 2 e 9 de Agosto acontecem espectáculos de mímica às 14h30 e 16h30; bem como a iniciativa “Dreamy Playful Corner” das 14h às 17h. Nestas datas, decorrem ainda workshops para famílias entre as 15h e as 16h. As inscrições devem ser feitas no website do evento, com todas as iniciativas a decorrerem no rés-do-chão da Torre de Macau.

Haverá cabines de jogos e oficinas para pais e filhos, apostando-se no teatro, dança, actividades de pintura facial, marionetas e artes visuais para criar um cenário cheio de “alegria e beleza”, destaca a organização.

Missão de entreter

Cheong Hoi I é curadora do evento e afirmou, citada pela mesma nota, que o evento tem acontecido sempre com a mesma missão, “despertar o interesse do público por vários meios criativos através de diversas formas de arte”.

Na sua visão, este projecto “proporciona aos artistas locais um vasto espaço para criar, dando a conhecer a energia criativa única de Macau, ao mesmo tempo que espera que, através da arte, tanto adultos como crianças possam guardar uma sincera ‘semente de sonhos’ à medida que crescem”.

Uma das entidades envolvidas nesta iniciativa é a Route Art of Macau. Chan Nga Cheng, directora de mímica e dramaturga, ligada a esta entidade, afirmou que o espectáculo deste ano “é uma adaptação livre do sexto capítulo de ‘As Aventuras de Alice no País das Maravilhas’ e ‘Pig and Pepper’, reinventado de forma ousada como uma caótica e hilariante ‘Guerra na Cozinha’ para apresentar ao público um universo de Alice totalmente novo e mágico”.

28 Jul 2026