Peritos defendem reformas estruturais para travar crise do envelhecimento

Especialistas contactados pela Lusa alertam para a necessidade urgente de reformas estruturais em Macau perante o rápido envelhecimento demográfico, defendendo o reforço de profissionais especializados, o investimento em gerontecnologia, e a aposta na cooperação transfronteiriça.

Jacky Ho Chong Kin, reitor da Faculdade de Ciências da Saúde e Ambientais da Universidade de São José em Macau, explica à Lusa que a aceleração do envelhecimento decorre, em parte, de políticas passadas do Governo, incluindo antigos regimes de imigração associados a investimento, que atraíram cidadãos já em idade avançada, acelerando a curva demográfica da região.

Ho lembra que o crescimento acelerado da população sénior apanhou a sociedade local “despreparada” para acomodar as novas exigências assistenciais. “A situação da subida da população em envelhecimento é algo que começámos a prever, de certa forma, em 2007. Nessa altura, a população idosa de Macau rondava quase os 7,2 por cento, o que é o início de uma população em envelhecimento, por assim dizer, em ascensão. Mas depois, num espaço de 20 anos, essa percentagem cresceu de forma inesperadamente mais rápida”, destaca à Lusa.

Por seu lado Alex Cheng, vice-presidente da Sociedade de Segurança Social de Macau, alerta que Macau entrará na fase de “superenvelhecimento” nos próximos cinco a 10 anos, destacando o “nível dos cuidados de saúde e a escassez severa de prestadores de cuidados qualificados e de pessoal de enfermagem” como o “maior desafio absoluto” que a cidade enfrenta.

O toque humano

Os dois especialistas sublinham que a pressão sobre os hospitais públicos, onde os idosos já representam a maioria das admissões, exige o desenvolvimento de capacidade interna e de redes comunitárias.

Jacky Ho aponta lacunas estruturais na formação, “faltando sistemas de treino, instalações e instituições de formação sistemáticas que criem programas capazes de ajudar a treinar profissionais de saúde aliados”, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

Segundo Ho, a tecnologia “consegue ajudar a monitorizar, a detectar, a dar sentido aos dados e a emitir um alarme precoce para os problemas”, para prevenir acidentes como quedas em lares, embora ressalve que a “tecnologia não consegue substituir por completo o pessoal de saúde ou o pessoal de apoio a idosos”.

Na vertente do apoio domiciliário e comunitário, Alex Cheng destaca que um “inquérito recente da Sociedade de Segurança Social de Macau mostra que 82 por cento dos inquiridos prefere cuidados domiciliários”.

A integração na Grande Baía é apontada por ambos os peritos como uma via essencial para aliviar as listas de espera locais. Alex Cheng recorda que a deslocalização planeada de idosos para cidades na província poderia ser uma solução, mas avisa que a adaptação a “um novo ambiente não é fácil, e exige tempo e educação contínua para que os idosos em Macau aceitem a deslocalização”.

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