Revelações

A Internet é um mundo virtual onde muitas vezes é difícil distinguir a verdade da mentira, no entanto está repleta de revelações. Uma história, em particular, conta-nos como o bilionário americano John D. Rockefeller evitou perdas na bolsa de valores.

Segundo esse relato, um certo rapazinho estava a engraxar os sapatos de Rockefeller, e disse-lhe muito entusiasmado, “Se eu tivesse dinheiro, aplicava-o todo em acções”. Rockefeller olhou para as longas filas de pessoas em frente ao banco desejosas de as comprar. Voltou à empresa e deu de imediato ordens aos empregados para venderem todas as suas acções.

Tomou esta decisão porque pensou que se até um pequeno engraxador pensava que se podia fazer fortuna especulando na Bolsa, o colapso do mercado bolsista não estaria longe”. Um sentimento semelhante surgiu recentemente em Macau.

Uma noite, quando conduzia para casa depois do jantar, sintonizei o rádio para ouvir um programa de música. Inesperadamente, o apresentador começou a falar sobre sofrimento emocional, ensinando aos ouvintes a forma de lidar com este problema, como se fosse um psicólogo. Quando o apresentador de um vulgar programa de rádio começa a preocupar-se com a gestão emocional dos residentes, é sinal de que Macau precisa definitivamente de mais pessoas que exponham os problemas.

O Governo da RAEM deixou de publicar os números dos casos de suicídio desde o segundo trimestre de 2025. Pela imprensa, ficámos a saber que os incidentes relacionados com pessoas que caíram ao mar ou de sítios altos foram classificados como “descoberta de cadáver” pelas autoridades competentes do Governo da RAEM.

À primeira vista, Macau aparenta ser uma cidade sem suicídios, mas se repararmos, verificamos que só no passado mês de Setembro se registaram seis “descobertas de cadáveres” e este mês já se registou mais um. Até à data, qual foi a eficácia do Governo RAEM na criação de mecanismos para “prevenção conjunta de quatro níveis, ligados intimamente aos tetracíclicos” na área da saúde mental? E que resultados é que o “guardião da vida” obteve?

O Governo da RAEM precisa de dar uma explicação ao público, já que os conteúdos das interpelações escritas e das interpelações orais feitas pelos deputados da VIII Legislatura nunca tocaram neste assunto. Se os leitores encontrarem alguma actualização, por favor, avisem-me.

Macau realizou uma série de actividades a 6 de Setembro para assinalar o “Dia Mundial de Prevenção do Suicídio”. É certamente positivo enfrentar o problema, mas mais importante ainda é resolvê-lo. Uma antiga deputada, cuja candidatura à eleições para a VIII Legislatura foi desqualificada, tinha insistido vivamente, durante a sessão de “Intervenções Antes da Ordem do Dia”, a 19 de Maio, de 2025, para que “As autoridades abandonassem a actual estratégia da avestruz e passassem a desenvolver activamente um mecanismo profissional e objectivo que atempadamente informasse a comunicação social sobre os casos de suicídio e continuassem a fornecer dados não tratados aos jornalistas de forma a que os membros da sociedade e dos sectores relacionados pudessem compreender e cuidar da saúde mental dos residentes e ficar a conhecer a tendência de suicídios em Macau”. A voz desta deputada não se ouviu mais na Assembleia Legislativa. Afinal, qual foi a resposta do Governo e que acções foram tomadas?

A intenção do Governo da RAEM de transmitir aos residentes de Macau um sentimento de felicidade e de segurança é boa, mas a questão é como consegui-lo verdadeiramente e como cultivar uma atmosfera social “empática e atenciosa”. Espera-se que depois de obter os resultados do “Inquérito à Saúde de Macau 2026”, o Governo da RAEM possa fornecer serviços e apoio aos residentes necessitados. Ser capaz de esconder números não significa ser capaz de esconder problemas e resolver problemas que acabam por ser revelados não significa resolver todos os problemas.

Em vez de despender um grande esforço para contar “histórias bonitas” sobre Macau, é melhor lutar para criar uma atmosfera harmoniosa, fomentar relações de proximidade entre as pessoas, e focarmo-nos menos em slogans e mais nos cuidados que garantem o sustento dos residentes. O “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias” é só uma medida temporária; mas Macau precisa de mudanças duradouras.

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