Cantora Cristina Branco celebra 30 anos de carreira

A cantora Cristina Branco celebra, no próximo ano, 30 anos de uma carreira que classifica como “muito intensa, forte, segura e robusta”, como declarou a intérprete à agência Lusa.

“Não tive pressa, acima de tudo. Deixei que tudo acontecesse no seu tempo real e nunca esperei nada, eventualmente, para não ter nenhuma deceção. Acho que foram 30 anos muito intensos, mas sou uma pessoa de muita sorte, no fundo, porque consegui construir uma carreira forte, segura e robusta. Em relação a muitas coisas que eu vejo acontecer no nosso país… 30 anos mete algum respeito”, contou a artista, que recentemente realizou uma série de espectáculos na China, incluindo em Zhuhai.

O ponto de partida deu-se em 1997, quando começou a fazer os primeiros concertos e editou o álbum de estreia, “Cristina Branco In Holland”. Desde então conta 19 álbuns e tem na forja um novo, a sair no final de 2027, a gravar com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, em que passará em revista o seu repertório, do fado à canção contemporânea, passando pelo jazz e pelas canções de José Afonso.

Sem medo de arriscar

Sobre a sua carreira, várias vezes premiada, Cristina Branco afirmou que não teve medo de arriscar: “Não se pode ter medo. Eu acho que, acima de tudo, quando se faz uma coisa que se gosta muito, o nosso pior inimigo é ter medo de arriscar. Nunca tive medo de arriscar, porque sempre, sempre acreditei que tinha que fazer aquilo que eu gostasse de fazer”.

“E até hoje foi assim e espero que continue a ser. Acho que tem muito a ver com isso, medo não pode existir, é preciso coragem para arriscar. É preciso acreditar em nós próprios, e a falha pode ser o caminho para o sucesso, o caminho para algo novo”, continuou a cantora, que este ano venceu o Prémio José Afonso, pelo álbum “Mulheres de Abril”, em que recria repertório do cantautor.

A criadora de “Talvez” afirmou que não trabalha para os prémios e que o “mais importante” para si é “o encontro com as pessoas”.

“Se calhar as pessoas vão achar que eu sou uma pretensiosa qualquer, e pouco humilde, mas acho que isto não é falta de humildade. Eu não acredito muito, acho que [os galardões] são a parte visível, porque para mim, o que foi sempre mais importante foi estar e foi ir ter com as pessoas, e foi mostrar-lhes aquilo que eu faço e perceber que as pessoas gostam daquilo que eu tenho para lhes dar”, afirmou.

A criadora de “Sete Pedaços de Vento” realçou que não fez este caminho sozinha, mas com uma equipa de músicos e criadores. “Há uma coisa muito importante, que é perceber que sempre estive muito bem acompanhada”, afirmou.

“Fui eu que fui buscar essas pessoas. Ou seja, eu gostava do trabalho delas, e fui-me aproximando e fomos criando paralelos entre as nossas linguagens, entre as nossas formas de ver a música, e isso foi uma grande, grande ajuda. Nada disso foi feito sem as outras pessoas, nada destes 19 discos, ou destes prémios”, realçou.

No âmbito destas celebrações, Cristina Branco apresenta também em 2027, um outro espectáculo, cujo alinhamento revisita a trilogia discográfica composta por “Menina” (2016), “Branco” (2018) e “Eva” (2020), onde canta autores como Sérgio Godinho, o mais presente no seu repertório, António Lobo Antunes, Kalaf Epalanga, Sara Tavares, Márcia, Beatriz Pessoa ou Mário Laginha.

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