HK | Tribunal condena jornal por impedir repórter de assumir cargo sindical

A justiça de Hong Kong condenou ontem a empresa que detém o jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) por impedir uma repórter de assumir um cargo sindical, mas rejeitou a acusação de despedimento injustificado.

A ex-repórter do WSJ Selina Cheng Kar-yue, também presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA, na sigla em inglês), iniciou uma acção judicial privada contra a Dow Jones Publishing Co. (Asia) Inc. após ter perdido o emprego em Julho de 2024.

O juiz David Cheung condenou a Dow Jones por impedir ou desencorajar Selina Cheng de exercer o direito de participação sindical, mas afirmou que a defesa levantou dúvidas razoáveis suficientes em relação à segunda acusação, de que a empresa rescindiu o contrato de trabalho da repórter em retaliação.

Sem apoio

Selina Cheng tinha declarado em tribunal que a sua supervisora, Deborah Ball, editora do WSJ para a Ásia, lhe disse que a candidatura à liderança da HKJA era problemática e que precisava de discutir a questão com a direcção do jornal, em Nova Iorque, e com os advogados internos da Dow Jones.

A jornalista afirmou ter sido informada, mais tarde, por e-mail, por Kerene Ko, então directora de recursos humanos da Dow Jones, de que não teria “a aprovação da empresa” para assumir o cargo de presidente da HKJA.

Numa conferência de imprensa realizada em Julho de 2024, no dia em que foi despedida, Selina Cheng disse que o WSJ lhe tinha comunicado que os funcionários do jornal não deveriam ser vistos como defensores da liberdade de imprensa “num lugar como Hong Kong”.

Em 2025, a Dow Jones declarou-se inocente das duas acusações, sendo que cada uma pode acarretar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong.

Durante o julgamento, a empresa tentou convencer o tribunal de que Selina Cheng foi despedida devido a uma redução de pessoal, numa altura em que o WSJ mudou a base asiática de Hong Kong para Singapura, e argumentou que a acusação não tinha provado que a administração do jornal tinha dado quaisquer ordens a Deborah Ball.

A defesa da Dow Jones acusou ainda a jornalista de agir de má-fé, numa outra audiência. A sentença será proferida em data posterior.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado