China | Empresas industriais aumentam lucros em 18,7 por cento no primeiro semestre

Os lucros das principais empresas industriais da China cresceram 18,7 por cento no primeiro semestre, em termos homólogos, ligeiramente abaixo do ritmo registado até Maio, mas mantendo a trajectória positiva iniciada em 2025, após três anos consecutivos de descidas.

De acordo com dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE), os lucros destas empresas totalizaram cerca de 3,95 biliões de yuan entre Janeiro e Junho. O crescimento até junho representa uma desaceleração de 0,1 pontos percentuais face ao registado até Maio, contrariando as previsões do portal especializado Trading Economics, que antecipava uma subida para 19,2 por cento.

Para esta estatística, o GNE considera apenas as empresas industriais com um volume anual de negócios superior a 20 milhões de yuan.

O estatístico do GNE Yu Weining destacou o sector da eletrónica, cujos lucros quase duplicaram (+96,9 por cento) no semestre, impulsionados pela maior procura de capacidade de computação, na sequência do desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Segundo Yu, este sector foi responsável por 8,5 pontos percentuais do crescimento total do indicador. Entre os casos mais expressivos, figura a indústria de fabrico de circuitos integrados, cujos lucros aumentaram quase 27 vezes.

O responsável assinalou ainda a melhoria registada na indústria de matérias-primas (+71,7 por cento), impulsionada sobretudo pelos metais, como o cobre e o alumínio, bem como o rápido desenvolvimento de novos setores de crescimento, incluindo os materiais não metálicos – como a borracha reciclada e os produtos de grafite e carbono – e os cabos de fibra ótica destinados a centros de dados.

Perigos internacionais

Outro factor favorável ao sector industrial foi a redução dos custos por unidade produzida, que, segundo Yu, tem vindo a diminuir desde o início do ano, permitindo que a margem média de lucro das empresas analisadas atingisse 5,7 por cento, o nível mais elevado desde 2024.

O analista oficial alertou, porém, para o impacto de um contexto internacional “complexo e volátil”, para a incerteza quanto à evolução dos preços das matérias-primas e para desafios como a fraca procura interna e a pressão “significativa” sobre os fluxos de caixa das empresas.

Em 2025, os lucros das empresas industriais cresceram 0,6 por cento, registando a primeira evolução positiva após três anos consecutivos de descidas: em 2022, recuaram 2 por cento; em 2023, 2,3 por cento; e, em 2024, 3,3 por cento.

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