Ai Portugal VozesSocialistas presos André Namora - 1 Jun 2026 Declaração de interesse: não temos nada, absolutamente nada a ver com o Partido Socialista. Mas, em Portugal algo mudou na política e na investigação judicial. Existem actualmente em Portugal 24 partidos políticos legalmente inscritos no Tribunal Constitucional. Destes, oito têm assento parlamentar na Assembleia da República. Não nos lembramos desde o 25 de Abril de 1974 que a Polícia Judiciária tenha realizado, com 400 funcionários e técnicos de informática, várias buscas domiciliárias e não domiciliárias a um só partido político, como o fez, na semana passada, ao Partido Socialista, dirigindo-se à sua sede principal de Lisboa e em juntas de freguesia e residências onde se encontravam socialistas em Lisboa, Oeiras, Mafra e Coimbra, A megaoperação versus espectáculo da PJ deteve vários membros do PS e mais de 40 funcionários do partido passaram à situação de arguidos. Recorde-se, que a operação “Tutti Fruti”, dirigida a Rui Rio não abrangeu somente membros do PSD e deu zero. Que a ida de um avião com funcionários da PJ para a Madeira deu zero. Neste sentido, começamos por sublinhar que 400 funcionários da PJ fariam imensa falta nos seus gabinetes para accionarem as muitas queixas-crimes que deram entrada pela mão de muitos cidadãos portugueses e que passados muitos meses continuam a marcar passo, com a alegação da falta de pessoal, especialmente de procuradores. Por outro lado, salientar que as buscas da PJ foram de tal forma chocantes na sociedade porque deu a ideia de que no Partido Socialista era tudo uma cambada de corruptos. Com a agravante de ser precisamente no dia seguinte a uma operação idêntica em Espanha ao Partido Socialista Operário Espanhol. A PJ alega que a existem suspeitas de corrupção, factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global pode ascender a quase dois milhões de euros, suspeitas de alegadas práticas de crime de prevaricação e participação económica em negócios, peculato, abuso de poder, procedimentos de contratação de militantes socialistas e à adjudicação por ajuste directo de serviços a empresas associadas a elementos do Partido Socialista, por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia. Obviamente que se se vier a provar tais factos, que os responsáveis terão de ser punidos. Mas, vamos a factos. Vamos a coincidências. Vamos a jornalixo. Vamos a discriminação. Em primeiro lugar, não pomos as mãos no lume que nos outros partidos não aconteça precisamente a mesma coisa. Por exemplo, a PJ não realizou nenhuma megaoperação domiciliária quando elementos do Partido Chega, roubavam malas nos aeroportos ou eram acusados de pedofilia. Que coincidência a realização da operação da PJ, já que foi realizada quando um homem que foi muitos anos director da instituição passou para ministro e aconselhou que um seu amigo ocupasse o seu lugar à frente da PJ. Coincidência, quando canais de televisão da propriedade de Cristiano Ronaldo, amigo de Donald Trump, canais que mais entrevistam André Ventura apoiante de Trump e o político português que de imediato veio a público apoiar a operação da PJ e pronunciar-se contra o líder socialista José Luís Carneiro. Isto, quando muito recentemente as sondagens divulgadas deram um resultado com o Partido Socialista em primeiro lugar. Coincidência, chocante e repugnante, por parte dos referidos canais televisivos que em apenas duas horas divulgaram mais de 50 vezes que tinha sido detido Duarte Moral “assessor de António Costa”, quando o ex-primeiro ministro já não o é há cerca de três anos. Com a agravante de o jornalixo desses canais não referir que Duarte Moral foi assessor de António Costa, de Pedro Nuno Santos e de José Luís Carneiro, porque é o principal quadro do partido na área da comunicação e antigo jornalista. A propósito, à mesma hora em que esses canais televisivos não cessavam de divulgar o nome de António Costa, a RTP Notícias falava sobre a Ucrânia, a CNN Portugal da guerra no Irão e a SIC Notícias de José Mourinho e de Marco Silva. Algo mudou mesmo em Portugal. Antes, dizia-se à política o que é da política e à justiça o que é da justiça. No entanto, o povinho não é atrasado mental e já verificou que algo se está a misturar entre a política e a justiça. Estranho é a PJ nunca ter realizado buscas às dezenas de juntas de freguesias lideradas por políticos de diferentes partidos que têm criminosamente vendido terrenos baldios que por lei são “invendáveis” e pertencem ao Estado. Na passada noite de quinta-feira, sexta e sábado, naturalmente que todos os canais de televisão e toda a imprensa veio a público anunciar a detenção de cinco socialistas, aliás quatro, porque uma senhora detida foi logo libertada porque o “crime” cometido era ter em casa uma velha arma que era do seu pai. Além dos detidos, passaram à condição de arguidos cerca de 40 socialistas. A ideia que ficou pelo país só deu força ao político neofascista que deseja a todo o momento descredibilizar a democracia. Lá vieram as conversas nos cafés de que “Ventura é que tem razão, são todos uma camarilha de ladrões nestes partidos do sistema”. Entretanto, vários socialistas, entre eles João Soares, já vieram a público sublinhar que a operação da PJ se tratou de “uma cabala contra o PS num momento em que o partido é apresentado em primeiro lugar nas sondagens”. Desta forma, não nos admira nada que as sondagens apresentem o Chega em segundo lugar. O governo de Montenegro e os seus interesses políticos em derrotar o Partido Socialista leva muita gente a actuar para lhe agradar… E mais uma vez, a montanha pariu um rato: o juiz mandou todos os detidos em liberdade.